Segredada entre conchas, revestindo Demão após demão um grão de areia: Camada iridescente que permeia A lenta gestação de quanto é lindo.
Deveras, o invasor seja bem-vindo Como um profeta dentro da baleia... Certo de só deixar morada alheia Vestido d'esplendor quando for findo.
Pois matéria de sonhos onde a luz Brinca de rebrilhar, por caprichosa, À maravilha vã dos olhos nus.
Mas, sobretudo, mãe... Que generosa Transforma o aperolado que seduz N'uma gema a si mesma mais valiosa. Betim - 31 05 2018
300
TEATRAL
De tanto fingir ser, talvez eu seja Aquele que vos tenho apresentado. Ou a máscara na face se grudado, No afã de vos mostrar minha peleja.
Corre o risco de ter o que deseja Quem como eu viveu desconfiado De ser alguém algures inventado Até me tornar outro que outrem veja.
Ser ou parecer ser?... Nem sei quem sou... Como ora este; ora aquele me pareço: Fazendo-os lembrar, de mim m'esqueço.
Tão-só pretendo ser n'este que estou -- Seja quem for e ainda que não eu -- Aquele que de si já s'esqueceu.
Betim - 30 05 2018
326
NO AGORA-JÁ
Eu, no presente bem mais-que-perfeito, Definitivamente quero estar. Ir do lugar-comum a algum lugar, Que o próprio tempo quede rarefeito. E o verbo que conjugo d'este jeito Expresse-me a vontade de ficar: Ser e permanecer sem me notar Em actos que independem de conceito. Retorne ao particípio do presente No momento em que estou evanescente E me sentindo fluir de instante a instante. Eu, de mim mesmo já falante-e-ouvinte, Deixe-me surpreender pelo seguinte, Aceitando ignorar o d'oravante!... Betim - 29 05 2018
383
FIM DA LINHA
Já não vivo esperando pelo dia Que as contas estivessem todas pagas; Ou por promessas débeis de tão vagas, De que a felicidade chegaria.
Não conto com nenhuma fantasia De me lerem alhures minhas sagas, Tampouco de folgar por belas plagas Se só de poetas mortos a poesia...
Pretendia antes ser que me tornar: Não fui senão eu mesmo, no lugar De ir de rastros na trilha do sucesso.
E embora me surpreenda o fim da linha, Eu pouco fiz do tempo enquanto vinha... Um tanto quanto atônito, eu confesso.
Betim - 28 05 2018
348
MAIS UM D'ESSES
Sou d'esses tipos tristes e confusos, Que escrevem em lugar de desdizer. Eu posso às vezes mau vos parecer, Mas jamais me calei conforme os usos.
Não cito as circunstâncias como obtusos, Tampouco já me finjo convencer. Sou d'esses: O melhor que posso ser! Em meio a pensamentos inconclusos...
Mas se vos digo não é porque sim: Deixastes de me ouvir antes do fim Ou me julgastes falso desde o início.
Talvez seja preguiça intelectual... No mais, eu não escrevo assim tão mal: São as incompreensões ossos do ofício...
Betim - 27 05 2018
361
VÊNUS VETUSTA
O Tempo tudo nos muda, Deteriora, envelhece... Nunca a ninguém ele ajuda! Por segar a sua messe, Colhe da face desnuda A rósea maçã carnuda De quem seu lavor padece.
As belas neves d'outrora Onde estarão? Onde estão Da florescente Senhora Seus olhos que nem clarão? Quase nada veem agora Se quando o sol vai-se embora Só lhe deixa escuridão...
'Té o rosto lhe é estranho Tal-qual a mão sob a luva: Envelhecida no amanho, A pele se fez murcha uva; Em prata, o cacho castanho E o véu de noiva d'antanho Hoje um xale de viúva...
Que é dos passados encantos? Que é dos antigos louvores? Olhos banhados em prantos, Passa entre achaques e dores Vivendo à espera de espantos Ou da morte, que faz santos Mesmo os grandes pecadores.
Quem fora tão desejada Deseja ora estar sozinha... E a beleza celebrada Jaz, por obscura e daninha, Como ventura passada Que lhe dói quando lembrada Diante de tudo que tinha.
Os homens -- tão inconstantes! -- Com promessas insensatas... Seus arroubos delirantes Lhe cercando entre bravatas: Indo de amigos a amantes; Depois, de amantes a errantes E, enfim, de errantes a erratas!
Que dizer dos grão-senhores Que seu amor fez captivos? Dos sérios comendadores Com ela sempre festivos? Dos vãos especuladores, Dos agiotas, dos doutores Cobiçando-a d'olhos vivos?...
Quem, como rainha entre reis, Dominou-lhes as vontades? Contra os costumes e as leis Com extremas liberdades, Vê-se perdida das greis A contar de seis em seis A própria infelicidade.
Os primeiros seis foram ricos; Os segundos, poderosos -- De rendas como fabricos; Os terceiros, perigosos... Mui violentos e impudicos; E os demais, só namoricos Cada vez menos fogosos.
Um após outro se vão, Levando a sua beleza. Sem nada no coração, Senão alguma torpeza... Contempla-se em solidão, No espelho em sua mão, A sua própria tristeza.
E o Tempo, só por capricho, Lhe adia o fim de sua obra, A esculpir-lhe em cada nicho Outro vinco que lhe sobra. Sobre a face algum pasticho Caricatura-a igual bicho N'um misto de águia mais cobra...
Afinal -- eu vos inquiro -- Que é d'aquela tão augusta? Recolhida em seu retiro, Dia após dia se assusta Co'o Tempo que, sem respiro, D'uma Vênus, giro a giro, Fê-la outra mulher vetusta.
Betim - 25 05 2018
354
O HOMEM DO SACO - Homem do saco e outros contos
Andava bem cedo cedo para o trabalho quando vi um homem a carregar algo. Ele passou por mim na avenida que margeia o rio da cidade em que vivo. Trazia consigo um saco de pano alvejado relativamente cheio. Parei a certa distancia e o vi saltar a mureta da avenida para, após, avançar até a margem gramada. Lá, deitou cuidadosamente sua carga e, após longos minutos olhando para aquela coisa, partiu. Contudo, quando estava já a alguns metros do saco, parou, vasculhou os bolsos e tirou algo como um botão de rosa vermelha. Ele a cheirou e, voltando lentamente em direção ao saco, repetiu a muda contemplação. Por fim, lançou a rosa sobre. Abalou d'ali calmamente e, após galgar o barranco beira-rio, chegou à avenida, onde o perdi de vista rumo ao centro da cidade.
O leitor há-de convir que, pelo modo atípico que procedera, não parecia que tal homem se desfizesse de lixo ou de coisas velhas. Ao contrário, dir-se-ia que um ritual venerável acabara de acontecer diante dos meus olhos, tal a gravidade que o homem se impunha nos mínimos gestos. Temi pelo pior...
Não que a aparência d'aquele homem inspirasse qualquer forma de sofrimento mental ou de tendências violentas. Era um tipo de meia idade vestido com certo apuro que, inusitadamente, carregava um saco de pano que, nem grande nem pequeno, pouco parecera lhe pesar às costas. Mas, o que poderia haver naquele saco para inspirar tamanha reverência?
Distraído da urgência em chegar ao trabalho, dei livre curso à minha imaginação. Fora uma cena tão bizarra que tenho certeza de que o leitor, tal como eu, deva se lembrar das histórias de quando criança acerca d'um personagem sem rosto que assombra filhos e, sobretudo, pais: O homem do saco. Crianças pequenas desaparecidas sem testemunhas, como que tragadas pelo chão. Ele, a entidade misteriosa, era o culpado quando culpado não havia, ao menos não um identificável. O saco, embora médio, podia ter um bebê já morto ou abandonado ali para morrer.
Qual o quê, isso não! Estávamos à luz do dia em uma avenida de certo movimento. O que eu havia visto decerto mais alguém vira, apesar de ainda não ter amanhecido de todo e da neblina rarefeita que tomava os baixios. Ademais, não percebi a menor sombra de medo ou receio na quase teatral despedida que o homem se impôs ao saco e seu conteúdo. Não teve pressa em se evadir do local e tampouco parecia temer a interrupção de quem quer que fosse em seu demorado contemplar do saco sobre a grama à beira do rio. Nada fez para se esconder e nada parecia ter a esconder.
Podia, sem embargo, ser alguma espécie de relíquia. Aquele homem deixara ali algo que era ou fora valioso para si. Cartas, fotos, documentos, lembranças?... Sim, havia de ser! Seu aspecto ensimesmado que então eu recordava me fez tomar outra opinião desse homem e seu saco. De facto, ele parecia se despedir de algo ou alguém ao se demorar. Tomado pela curiosidade, fiz menção de ir até a beira do rio, porém contive-me: Aquilo não era da minha conta! Não devia me envolver, fosse o que fosse, mesmo que lograsse fazer uma descoberta. De qualquer forma, logo algum transeunte deveria passar e ver o que havia no saco. Eu tentava pensar em outra coisa, mas simplesmente não conseguia! A imagem de alguém a passar, parar, abrir o saco e se rejubilar com o achado me perturbava profundamente. Afinal, era uma oportunidade.
Àquela altura minha imaginação não tinha mais freios... Já não eram papéis velhos de recordos infelizes que jaziam ali, pensava eu, eram jóias! Pois sim: Agora, com toda a certeza, eu compreendia a insólita cena... Agora sim percebia claramente o que vi... Agora podia dar fim a tais elucubrações vadias. Deveras, o homem do saco tinha o olhar perdido dos amorosos e a angústia dos que renunciam a grandes esperanças! Era um olhar de dor mal contida sob solene sobriedade. Haja o que houver naquela saco, tem a ver com seu olhar melancólico, concluí.
Quando me dei conta, já estava a caminho da beira do rio. Acto contínuo, atravesso a avenida, salto a mureta da guarda e ando sobre a grama sem tirar os olhos do saco que tanta imaginação me havia causado àquela manhã. Aproximo-me, lentamente. Paro. Miro o saco inerte sem que ainda nada em sua aparência denunciasse seu conteúdo. Relembro cada detalhe do antigo possuidor d'aquele saco na ânsia de encontrar algo que me preparasse para qualquer dissabor ao abri-lo... Todavia, nada me ocorreu. Tudo, -- o lugar, a hora, a postura do sujeito, a longa contemplação ao fim... -- tudo apenas indicava haver algo surpreendente dentro daquele saco a poucos metros de mim. Em tempo, estava sozinho e me asseverava constantemente de que não fora seguido ou observado. Súbito surge em mim um profundo sentimento de posse em relação àquele saco. Ele era meu! Eu o havia visto primeiro! Após vencer a minha própria desconfiança, estava ali pronto para usufruir das melancólicas lembranças de um amoroso abastado. Sim, devia haver jóias delicadas lá! Ex-votos d'Amor cuja presença ele não pôde suportar junto a si; presentes de dias felizes, mimos de passeios românticos... Enfim, caro leitor, um espólio de sentimentalidades!
Fui chegando perto do saco já quase triste por fatalmente sair do transe de que a imaginação me havia feito presa. Aquela emoção de profunda beatitude de ser o escolhido do Fado, fortuito descobridor de segredos! Paro diante do saco e identifico a rosa vermelha que o vi jogar. Agacho-me e a retiro sem maiores cuidados. Toco o pano e abro o saco. Observo. Está cheio de toda sorte de papeis rasgados, mas algo em seu interior parecia mais denso e pesado. As tiras de papel, para minha alegria, denunciavam profunda atividade emocional. Sim! Eram manuscritos, fotografias, bilhetes de teatro e cartões rasgados com violência por alguma alma passional... Era forçoso vasculhar o saco e achar o que tinha além de papel nele. Abro mais a boca, chacoalho. Tem algo ali! Enfio as duas mãos quase com violência e aperto a matéria oculta sob os papéis. Contudo, ela se desmanchou ao aperto... Não era um bebê morto ou qualquer violência absurda. Não era uma relíquia dourada... Era simplesmente um monte de merda! Instintivamente tirei as mãos do saco, mas era inútil, pois, a merda, presa à pele, impregnou minhas mãos. Quanto mais eu as agitava, mais fediam!
Olhei para o saco entristecido. Tudo fora um golpe, uma PILHEIRA! E, ainda que não se visse pessoa, eu podia ouvir uma gargalhada zombeteira dentro de mim... Fiquei aturdido. Não poderia sair dali naquele estado e tampouco havia com o que me limpasse. O rio, urbano, corria ao fundo de um canal inacessível.
* * *
Sem saber o que fazer, permaneci ali algumas horas, esperando que anoitecesse para que meu vexame fosse menor. Acho que de tão transtornado pelo engodo em que caíra eu sequer conseguia pensar com clareza. Meus olhos chispavam ódios e meus lábios maldiziam vinganças. Todavia, não tinha ninguém para culpar a não ser a mim mesmo, afinal, eu tomara a decisão de abrir o saco e vasculhá-lo! E esse pensamento apenas me entristecia mais...
Quer por curiosidade; quer por ambição, eu cai numa esparrela! Só me restava bradar contra o Fado por ter-me posto o homem e seu saco no caminho... E eu o fiz: Murmurei diatribes infindas contra os céus, contra o homem do saco, contra os amores do homem do saco, contra o próprio saco e, sobretudo, contra a merda no saco!
Penso ter passado um bom tempo assim, a praguejar contra tudo e todos, até que um menino se aproximou dali. Ele cuidava de cavalos de carroceiros que, enquanto não tinham carreto, levavam seus animais para pastar a grama da beira do rio. O menino se aproximou intrigado e me perguntou o que eu estava fazendo naquele lugar. Muito envergonhado, eu lhe contei a história do homem do saco que eu surpreendera horas atrás e de como ficara preso ali, ao que ele perguntou:
-- "Por que você não vai embora e deixa esse saco aí? -- e reparou melhor no pano alvejado -- "Você tem certeza de que só tem merda e papel nele?"
Eu olhei de novo para o saco e respondi:
-- "Eu estou com tanta raiva, que mesmo se houvesse ouro no meio da merda, eu preferiria jamais ter posto os olhos nesse saco!" -- em um desalento sincero -- "Não vale a pena se aproximar disso: Não tem nada de bom aí!"
O menino se aproximou do saco receoso. Sacudiu e olhou dentro. Torceu a cara ao sentir o fedor da merda remexida e deduziu, tal como eu, que não havia nada de bom ali. No entanto, ele insistiu:
-- "Vamos sair de perto disso!"
Ao que lhe contestei:
-- "Mas, e se outra pessoa passar e, pensando que tem algo no saco, ficar breado de merda também?" -- meu pesar era sincero... -- "Não quero que ninguém passe pelo o que passei. Além do mais, não posso ir embora pela avenida sujo assim!
-- "Uai! -- exclamou o outro -- "É melhor enterrar então." -- e concluiu: -- "O que não pode é ficar igual você está: Reclama que a merda fede, mas não sai de perto... Fica só lamentando com quem passa, ao invés de fazer algo de útil!". -- E foi-se embora.
* * *
O sol ainda estava alto. Fiquei olhando atônito para o menino que partia sem que eu tivesse como contrapor seu argumento. De facto, minha actitude era mesmo patética! Com as mãos sujas de merda e sem ter como lavá-las ou como andar pela rua, só me restava cavar o chão e enterrar o saco. Ademais, era uma maneira mais útil de passar o tempo enquanto o sol não começasse a declinar no céu.
Assim fiz, primeiro limpando uma clareira no gramado. As mãos, sujas de terra e de merda, fediam tremendamente... Começo a cavar o chão e, com muita dificuldade, abro um buraco raso. Despejo o conteúdo do saco no buraco que fiz e vejo o papel misturado com merda encher tudo. Agora, com o sol forte, o fedor era evidente. Não entendia como não pude percebe-lo mais cedo, antes de pôr as mãos no saco... Ou a certeza de achar algo me absorvera de todo; ou, com o tempo ainda frio, a merda não fedesse tanto. O facto é que agora, com o conteúdo todo ao ar livre, pude distinguir algo pequeno brilhando no meio daquilo. Talvez fosse um anel... Uma aliança... Ou talvez não fosse nada. Cheguei o rosto bem perto e era, de facto, um pontinho dourado a reluzir na massa escura fedorenta. Para saber o que era, só pondo a mão na merda de novo! O leitor deve se lembrar do que eu dissera ao menino -- "mesmo se houvesse ouro no meio da merda"... -- Olhei longamente o brilho faiscante no meio da merda. Teria de meter a mão de novo naquilo... Não o fiz: Deitei terra sobre merda, papeis e saco de pano e, com o monturo já alto, eu fui embora tendo a certeza de que era o melhor a ser feito.
Era um mal menor. Já havia perdido tempo e trabalho naquele dia. Aquela história de saco abandonado já me custara muito e eu sequer podia confiar no que vira, tamanha a minha raiva. Simplesmente, não queria mais saber. Apenas sair dali já me servia de consolo.
Mesmo assim, dia após dia, enquanto passar por aquela avenida a caminho do trabalho, eu olharei para um monturo que apenas eu sei reconhecer, matutando sobre o possível anel ali deixado. Sem esquecer, contudo, do dia inteiro que perdi às custas de um homem e seu saco.
Betim - 05 05 2016
375
TUTEAR
Trata-me já por tu. Afinal, te amo E não quero te amar só verbalmente: Tanto de coração quanto de mente, Tudo fale d'amor quando te chamo.
Podes me tutear, eu não reclamo. Melhor que parecer indiferente... Antes tentar falar do que se sente, Do que jamais dizer como me inflamo.
Deixa-me te contar dos passarinhos E te enlevar com todos os carinhos Que guardei para ti em minhas mãos.
A fim-de que tu possas me saber Que já sou teu apenas co'o dizer. E assim, tu me distingas entre os vãos.
Betim - 23 05 2018
420
ESTHER
Não raro te surpreendo enternecida E me perco em teus olhos tão bonitos... Constelada de deuses e de mitos, Estrela da manhã e toda a vida.
Não sei a que desastres me convida Teu olhar entretido em infinitos No qual há tanto tempo os olhos fitos Te tenho entre as estrelas confundida.
Brilhante! Como não? Se és tu estrela!... Sigo o Fado que à tua luz se atrela Aonde me conduzes amorosa
Decerto em ti descubro quanto é lindo Emocionado em ver-te ressurgindo Nas luzes d'um poente cor de rosa.
Betim - 14 05 2018
315
AGRADOS
Deixa-me te agradar; te agradecer. Apenas um carinho, um mimo, um verso... Ir me aventurar por teu universo Sem levar uma bússola sequer. Cada recanto teu vou conhecer Ao recolher teu mel em vão disperso. Mas quando estiver todo em ti imerso, Eu sinta tua essência me envolver. Deixa-me te fazer só um agrado E te dar um pouquinho do que sou A sentir teu calor cá do meu lado. É o melhor que tenho que te dou... Amor que só existe p'ra ser dado! Amor que apenas tem quem muito amou! Betim - 24 10 2016