RicardoC

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n. 1976 BR BR

Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

n. 1976-05-01, Caratinga

Perfil
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UM DESALMADO

A vida é movimento continuado
Do ser entre se almar e desalmar.
Por pena ou humanidade, há-que encontrar
Algum discernimento mais confiado.

O mundo fez de mim um desalmado
No dia em que cessei de me importar
E a esperança deixou de ter lugar
Dentro do coração amargurado.

Com efeito, parece que minh'alma
Perdera-se-me e bem com ela a calma
Que tinha no semblante quando moço.

E o pouco ou quase nada que hoje sinto
Só lembra do que tanto me ressinto,
E tem me feito mais e mais insosso...

Betim - 19 12 2017
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Biografia
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.

Poemas

16

À NOITE

Escureceu e apenas vagalumes
Luzindo aqui e ali pelo caminho...
Nos longes, relampeava bem clarinho
Instantâneos de serras e seus cumes.

Em concerto ritmado nos friúmes
Solfejos que nas sombras adivinho:
Dois sapos coachando e um passarinho
Responde assoberbado de ciúmes...

Nem lua nem estrelas vêm brilhar
Tão carregado o céu de nuvens grossas
Pouco antes d'um dilúvio desabar.

Libélulas chapinham pelas poças
E as corujas azulam do lugar
Co'a chuva que abençoa nossas roças.

Pará de Minas - 26 12 2017
1 043

FIGURA DE PROA

Irrompe contra as ondas o veleiro
Co'os três mastros vergados pelo vento.
Na proa, uma sereia face ao tormento,
Cantando para mar e marinheiro.

Em belíssima mulher, esse madeiro
Fora esculpido apenas com o intento
De afastar-lhes o espírito agourento,
Que aos homens rouba o sopro derradeiro.

Estes que pelo mar foram espalhando
Sua visão de mundo e sua língua,
Certos que toda luz aos poucos míngua...

Mas 'inda a ouvem cantar de vez em quando
Os versos d'uma gente navegante,
Que foi ao fim do mundo e mais avante.

Betim - 20 12 2017
411

SOLFEJOS

Estes sons sem qualquer significado
Além do serem sons e soarem bem,
Têm me invadido o quarto e a alma também
Vindos d'alguém algures acordado.

A melodia qu'eu tenho escutado
Não chegava a ser música, porém,
Repetia-se como mais convém
A quem do canto faz aprendizado:

-- "Dó, ré, dó, dó, ré, mi. Mi, ré, dó...
Seguia a solfejar na noite só.
E, a batucar co'os dedos, eu ouvindo.

A voz atravessava a escuridão
E acalentava em plena solidão...
Me vi quase chorando de tão lindo!

Betim - 23 12 2017
416

GENUÍNO

A par de dramaturgos e ensaístas,
Tenho procurado ouvir-me a própria voz.
E não os emular em versos sós
No afã de figurar por fúteis listas.

Não me vejo ranqueado entre os artistas
Que de antigas escritas sopram pós:
Reescrevem a fazer pouco de nós,
Furtando d'outros bem diante das vistas.

É como se escrever só fosse certo
Após subir nos ombros d'um experto
E, lá do alto, admirar nossas vidinhas.

Não importa se sou ou não de interesse;
O que escrevo, correto me parece.
Pobres as rimas? São ao menos minhas!

Betim - 23 12 2017
434

ESPÓLIO LITERÁRIO

Deixo para depois da minha morte
A ilusão de influenciar quem quer que seja.
Resulte n'algum bem tanta peleja,
Onde o desesperado se conforte.

Afinal hão-de seguir-me o esconso norte,
Certos de que a verdade ali esteja.
E, embora eu não mereça tal inveja,
Muitos se alegrarão de tão má sorte!

Meus males serão bens de qualidade
Àqueles que buscarem, por absortos,
Aspectos de qualquer dourada idade.

Sem ter-de endireitar caminhos tortos,
Outro exemplo da estranha realidade
Da poesia viver de poetas mortos.

Betim - 22 12 2017
371

CONHECENÇA

Mas como é bom rever a ponta aguda
Depois de navegar por mar aberto!...
Saber-me do canal de novo perto,
Onde aos olhos cada angra se desnuda.

Pelos costões de pedra ir sem ajuda
Até topar co'o cabo indescoberto.
E em todo o litoral quase deserto,
Reconhecer mesmo a ilha mais miúda.

Dos rasos de arrecifes e de abrolhos
Passei ao largo pondo longos olhos
Para avistar enfim a extensa costa.

Agora é só fundear a embarcação
No estuário d'água doce d'um rincão
Onde coisa nenhuma me desgosta.

Ubatuba - 16 07 2017
1 025

Comentários (5)

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Luciana

Lindos poemas ,meu caro!

Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns

EDUARDO POETA

POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!

bom vê-lo por aqui

natalia nuno

Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!