Devaneios
Não sei bem o que há, já não sei o que fazer porque não aceito nenhuma alternativa. Todas são pequenas ou mesquinhas, ou talvez eu que tenho sido. Fato que estou desanimado e socialmente perdido (nesta sociedade perdida). Não tenho me encaixado nas exigências e nem feito questão de me encaixar. Apelo novamente pela covardia do tempo, que finge saber tudo mas na verdade nunca aprende, um pouco como eu.
A vida
Com toda a certeza que nunca tive, mesmo antes de saber, afirmo: a vida é, foi e sempre será este eterno querer estar. Noutra sensação. Pera, não! Claro que não! To achando que sou quem? Explico: Explico? Ok, explico: pela primeira vez quis ser aqui e agora o que sou. E nisso derramei minha descoberta-devaneio pelo ralo. - Que descoberta, obtuso! Claro que nada disso aconteceu. Foda-se, quem saberá! Que escafandristas futuros descubram... Sim claro, serei objeto de pesquisas futuras.
Pausei, enchi o copo e voltei, ufa. A maioria não volta desse buraco negro.
Por incrível, continuo firmando que é isso mesmo, queremos do tempo o próximo e o anterior. Peço desculpas pela limitação da nossa ciência, que ao tempo, não permite mais do que antes e depois. O agora? Cadê? Pedir desculpas, quem sou eu perante a limitada ciência... Só sei que é isso mesmo. A vida é dos encontros e do não estar onde estamos.
Ou qualquer outra coisa...
Bicho Homem
Passarinho curioso
Inevitável natureza
Ao sair do ninho
Espatifa no chão
Para nossa tristeza
Indiferente pra ti?
Malvadeza
Alimento pra cobra
No distrair da passarinha
Faz parte da obra
Mantém-se em linha
Perfeita a natureza
Pois necessário é o réptil
Cadeia alimenta
E tudo caminha
É feio e cruel
Quando flagrado por ti
Enquanto polui ou desmata
Alegra-te e sorri?
Ou simplesmente ignora
É também que se mata
Não é triste nem trágico
É o capital que transforma
Emoções distorcidas
E sem sequer perceber
Retornas ao primata
Hipocrisia inerente
À natureza do homem
O pior animal
O que a si se engana
Não nos importamos
Obedientes soldados
Fingimos não termos
Consciência que somos
Das verdadeiras maldades
Os únicos culpados
Amigos Cotidianos
São dias noturnos estes
Que aos pares
Poucos permanecem
E poupam a mim
Aos demais,
Entristecem
Convívios
Relapsos sorteios
Sortes oportunas
Tal qual suas vidas
Pureza entremeios
No mais,
Bem-vindas
Indecentes
Desacreditas
Os Imorais
Eu e você e quem mais?
Pouquíssimo respeito
Egoísta que sou
No mínimo,
Aproveito
Fragmentos do Quarto Dia de Abril
Desproposital e desnecessariamente cá, novamente, me exponho. Exposição esta que a ti permito o julgamento, caso julgues. Despreparado confundo-me com o gênero. Modesto, humilde ou frouxo já não, caso precipitadamente conceitues.
Prossigo, portanto, como quem anda por andar sem ter ou saber por onde ou pra onde ir. Jimi produzindo o som recorrente que me chama a atenção e me alegra por ele ser ele. Por ele existir e por estar aqui. Cuidamos um do outro com o que temos.
Teimoso, o sol logo lembrará que é tempo de produzir e mensuramo-nos, que obedientes rotulamo-nos, monitorados fazemo-nos convenientes. Exploramo-nos pela posse, para acumularmos. Lembrará - o astro - que estou aqui servente, talvez a melhor definição. Lembrará, contudo, que o dia nasce, que podemos nascer com ele. Lembrará também que logo verei minha mãe novamente e que tenho saudades dela e que a amo. Eu torço pra que seja legal, como deveria ser, mesmo sabendo que pra ela, eu faço tudo errado e talvez ela esteja certa.
Penso na Paula, minha pequena... que por vezes, algumas, me quer por perto. E renasço como o dia e bato, ou melhor, apanho. Penso no meu pai – que espera bem mais de mim – e que não sou o filho ideal, apesar do esforço, do pouquíssimo esforço que faço, por mera preguiça. Penso no Bruno que me faz companhia. Ouço a música, cuja língua não entendo, mas por ser música sinto.
Continuo pensando. Elton John rolando na vitrola que hoje é tv a cabo...
Bruno fala e eu escuto, concordo e não faço ideia do que seja, não é opção. Acho que é o fim, hoje vou dispensar o amanhecer e tentar dormir.
Dos Sonhos e do Plágio
A beleza de saber que não sou nada
E que não posso nada querer
Esvaiu-se nessa minha certeza
De não ter mais os sonhos de outrora
E que o mundo sem eles nada tem a perder
Tudo isso é muito justo
O esforço que fiz foi enorme
Mesquinho, ridículo, infantil e esnobe
Quem discordar do que digo
Ou é só um amigo
Ou um coitado, pueriu e inculto
E assim, aos poucos e mais depressa
Progressivamente, talvez geométrica
Vou assim, caminhando inerte e sem rumo
Nao vejo mas os tais sonhos
Consolo do nada que somos pro mundo
Peço desculpas, e contudo me culpo
Assim mesmo, sem saber o que sou
E sem a força do poeta que sonha
Nada mais a fazer
Me recolho e me vou