Gosta de matemática, física, astronomia, psicanálise, mineralogia, arte, música e até poesia um tanto.Se ocupa de Freud, Dalí, Newton, Chopin, Andrey Tarkovsky, Camille Corot, Fernando Pessoa, Anna Frank.Surrealismo, platonismo, filosofia da matemática, psique, o abstrato, o concreto e o surreal.
É duvidosa a intrusão que parte dessa nobre alma, insiste e apela à alta corte mesmo uma humilde permissão.
Não te aceito, mas se te rejeito, é certo que à vida só serei eleito.
Não tenho espaço para ti, meu braço é curto, encurvado. Repare no que digo, meu leito é puro, ocupado.
Não queira ter razão, esquece-te de mim. Toma teu caminho agora, esqueço-me de ti.
Robson Vieira
186
Mãe
Mãe, ninguém jamais te amou como eu. Quantas mães no mundo há... todas nobres e bonitas... mas em todas uma falta há. Nenhuma amada foste como tu. Mãe, jamais alguém te amou como eu.
Robson Vieira
186
Mãe, eu sei
Mãe Viu-me em teus olhos no final? Não era a dor o seu temor, Nem a conta por pagar, Não era a cama mal feita, Nem a louça por lavar. Mãe, eu sei, Lembraste foi de mim no teu último momento, Lembrar-me-ei de ti quando chegar o meu.
73
Mãe (2)
Por que levou embora os olhos que me deste? Contigo também estão meus dentes, lábios e sorriso. E em teus bolsos foram junto meus ouvidos e meus sonhos. Sem dizer do meu coração que foi enterrado junto de ti por entre teus dedos cerrados levemente debruçados sobre o peito. Mãe, teu tempo por inveja a culpou por não ter sido eterna. Dou de ombros, te absolvo.
Robson Vieira
25
Beijo
É certo o que se diz a teu respeito?
Que esculpiste em pedra a figura da angústia?
Da musa suicida te aproximas,
quer por capricho ou por pura inspiração?
É certo o que se diz a teu respeito?
Vendeste os teus bens e compraste só decepção?
Pagas com os olhos o alto preço pela dor,
temendo ser escrava de alheia ingratidão?
É certo o que se diz a teu respeito?
Enquanto o juro espera, penhora o próprio coração?
Disponha o coração,
mas retém boca e pulmão,
que ao menos respires enquanto a cortejo docemente,
antes da nossa conjunção.
Cuida-te amada minha, isso é solidão.
Vou curá-la agora com um beijo,
não, não se preocupe, não é ‘aquele’ tipo de beijo,
meu beijo é curandeiro.
Robson Vieira
47
Gigantes
Deparei-me com um gigante, mas não recuei.
Ergui o homem pelas orelhas,
quebrei-lhe os ossos,
subi-lhe os ombros,
dobrei-lhe as costas,
subi-lhe os lombos,
fiz o caminho inverso.
Por fim, fitei-lhe os olhos sofridos mas amáveis
que me diziam:
“Gigantes somos todos”.
Robson Vieira
94
Palavrinha
Uma palavrinha sussurrou-me em meu ouvido:
“Moço, escreve meu nome num poema teu”...
Assustado, respondi: “Sim, mas qual é teu nome”?
Ela me disse: “Sou aquela, tua favorita”.
“Eu sei, mas qual? Eu tenho tantas”, repliquei.
Ela me disse: “Cerre os olhos e me procure na caixinha dourada que você guarda dentro do seu coração, estarei atrás do camafeu”.
Quando atendi o pedido percebi que a palavrinha tinha razão,
Num bilhete estava escrita a palavra:
“Sonho”.
Robson Vieira
55
Invejo as árvores
Invejo as árvores porque embora tristes
não se queixam de nada,
nem mesmo do cansaço,
quanta força é necessária para não deitar.
Invejo as árvores,
é preciso dose de coragem para ser despercebida e odiada,
não pedir para ser amada,
contentar-se em não ser.
Invejo as árvores,
especialmente as mortas,
quanta honra há em estar morto e não sentir,
ter havido e jazido com apenas a terra,
o sol e a chuva por seus amigos.
De que não é capaz a solidão!
Robson Vieira
68
Palavras duras
As minhas palavras juntaram-se contra mim em vingança,
tornaram-se fortes e amigas,
formaram versos, alguns brandos,
outros rimados,
alguns simétricos.
Remexem as minhas entranhas em desespero por liberdade das cadeias em que as encerro.
Imploram para ser escritas,
juram-me lealdade.
De meus intestinos fazem graça,
cortam o fôlego de meus pulmões
e prendem o pranto que meus olhos anseiam.
Ainda me matam esses versos inquietos que sugam a substância pegajosa do meu ser.
Dou de ombros, pois desejo.
As palavras duras quando desenterradas beijam-me o rosto em gratidão.