#Pedras #azuis que sonham sozinhas no mesmo lugar... Esperando que o tempo passe por elas...
Em caminhos incertos e destinos desconhecidos... Juntei todas elas em meu coração... E o tempo passou...
Não esqueceram de mim... Mas não olham mais para a minha alma... Esconderam minha história nesse mundo... De onde a luz não consegue emergir...
Dentro de meus olhos havia um brilho... Um sorriso que a inocência perdeu... Hoje tal qual as pedras... Estou aqui...
Como num toque de magia... Diante de tanta harmonia... Nas madrugadas de orvalhos dourados... Lições aprendi...
O meu mundo não é como o dos outros... E quando o céu se abrir... Ver essas estrelas que por elas passei... Acabarei por deixar-me ficar... assim... Serei mais uma a reluzir...
Será que a adivinha adivinha... O que desejo saber ? No amanhã... Que irá me acontecer ?
O passado já sei... Não precisa me dizer... Quero saber... Como minha vida vai ser...
Mãe de santo ialorixá... Será que vão os orixás me ajudar? Em ventos e nuvens procurei aeromante... Comi muitos biscoitos da sorte... Tive até indigestão... Um antracomante procurei nas pedras do carvão... Só tive desilusão...
Deixei de limpar minha casa... Para ver o futuro na teia de aranha... Joguei dados ao ar... Na saga de respostas encontrar...
Livros abertos ao acaso consultei... Sonhos quis traduzir... Com a borra do café quase me engasguei... Folhas de chá fiz... Nenhuma resposta encontrei...
No espelho divindades invoquei... Deuses antigos e demônios consultei... Adivinhando nas chamas me queimei...
Cera derretida queimou minha mão... Até com crânio de defunto... Mexi em caixão...
Cebola, cristal, peneiras... Desisti dessas besteiras... Fígado de animais sacrificados arranquei... Incensos ascendi... E nada eu vi...
Peguei serpentes para consultar... Ao céu olhei as aves a voar... Quiromante minha mão dei... Cartomante tarot, baralho cigano consultei... Varinha mágica confeccionei... Runas joguei... Movimento da lua tracei... Livro de São Cipriano comprei...
Todas forma de adivinhação... Todo tempo foi perdido... Isso agora eu compreendo... E agora eu lhe digo....
O amanhã a Deus pertence... E por mais que a gente... Quer saber o que temos à frente... Não procuro mais... Nada disso hoje já não me satisfaz...
Conselho não me pediu mas vou lhe dar... A semeadura é livre... A colheita é certa... Siga seu coração... Mas nunca abandone sua intuição...
Sandro Paschoal Nogueira
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Será que pode
#SERÁ #QUE #PODE?
Nada de mais, nem de menos... Se eu fosse o que você pensa... Eu não seria o que sou...
Se não sou você... Você não é eu... Você sente, pensa e sabe... Mas pensa que sabe quem sou eu...
Pode ser e pode não ser... Sei que é diferente apenas... Tanto posso dizer que sou... Mas você não pode dizer... O que penso...
Não sabe a diferença que encontra... Não sabe de mim nada... Só deixo você saber o que quero... Como tem que ser... A mentira ou o verdadeiro...
Assim eu me dou por satisfeito... No que pensa não me diz nada... Simples assim... Eu que penso por mim...
Sandro Paschoal Nogueira
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Ele..
#ELE...
Acordou... Mais um dia qualquer... Em sua senda... De viver...
Banhou-se com a luz do dia... Disfarçou sua tristeza em alegria... Foi caminhar... Queria pensar...
Aqui, ali... Lá, acolá... Um bom dia... Bom lhe ver... Estou bem... Como vai você...
Nas pedras suas sandálias faziam barulho... Em seu peito... Um silêncio mudo...
Perto das águas sentou... Com uma flor entre os dedos... Brincou...
Quem assim o visse... Podia supor... Diria o quanto era feliz... Aquele sujeito... Sem nenhum pudor...
Ele em sua solitude... De certa forma era feliz... Não somos as escolhas... Que fazemos? Não é isso que se diz?
A felicidade é apenas um momento... Encontrado no tempo... Às vezes chorar é bom... Lava nosso coração... Nem sempre ostentar sorriso... Mostra a realidade... Soa como falsidade...
Para ele os dias passam rápido... Mesmo diante da rotina... Massacrante...
Ele bem sente... A grande maravilha... No insistir... Da vida...
Quando uma pequena semente... Luta por viver... Quando uma flor abre... Quando um pássaro voa... Quando o sono vem... Quando sonha...
Sua filosofia... Seu modo de viver... É bem simples... Isso posso dizer...
Tudo o que está em cima... É igual ao que está embaixo... Sempre perseverando... Enquanto os anos vão passando...
Há tantos mistérios... Esconderijos na alma... Algumas verdades incertas... Enquanto outras nos liberta...
Suas verdades nem sempre são certas... Mas fala o que pensa... Porém nem todo mundo aceita...
Assim, segue em rumo ao indefinido... Procurando nas estrelas... O que mais de puro... Guarda consigo...
Inocência ainda... De um menino...
Sandro Paschoal Nogueira
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Infinito
#INFINITO
Importarei jamais com o quê? Caminho sempre adiante... Não paro... O momento não acabou.. E no que restou... Ainda aqui estou...
Quando o ser que vive em mim... Abandonar o sonho de morrer... Importarei jamais com o quê? ...
Sem saudade. Não tenho contentamento... Busco em vão em meus olhos velhos... O que é esse momento...
Espectro do meu sonho em mim... E eu...tantas vezes eu... Me despedaço em vão contra o infinito... Importarei jamais com o quê?
Minha centelha se queime em uma chama brilhante... Na direção que sigo... É que compreendo a maravilha do mundo... Agora longe já vou indo... Brilhando como uma estrela... Atrás de meu infinito...
Sandro Paschoal Nogueira
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Janela para o amanhã
#JANELA #PARA #AMANHÃ
Existem manhãs em que abro a janela... E tenho a impressão de que o dia me espera...
Tudo está certo, no seu lugar... Cumprindo o seu destino...
O astro brilha... Em um céu de profundo azul... Às vezes, um gavião passa... Voando sobre as pedras da cidade da serenata...
Cachorros indolentes pelas ruas... Gente que sobe, que desce, que passa... Alguns cumprimentam... Outros não dizem nada... Alguns chinelos arrastam... Outros de passos firmes compassados...
Canários que brincam na areia... Gatos sonhando com pássaros... Tudo se torna então... Um momento mágico...
Sob a sombra da árvore que me encontro... Em minha calçada as estrelas no chão agora dançam... Lembro de nomes de seresteiros... Que em paz já descansam...
Em noites tão longes... Já foram reis... Cantavam amores à lua... Foram grandes menestréis...
Fico a sonhar de leve em muita coisa bela... De olhos fechados eu sonho... Me entrego...
Minha alma cativa se liberta... Fugindo pelo universo à fora... Não existe o tempo... Não existem mais as horas...
Hoje, eu vejo, que muitos choram sorrindo... A vida passa como um rio... Isso eu compreendo...
Sempre sinto comigo... Deus presente em todos meus momentos...
Assim vou me permitindo... Assim vou vivendo... Entre as flores de meu jardim... Tecendo meus encantamentos...
Pergunto à namoradeira... Que na janela me olha... Quanto tempo dura a eternidade... Como medir a felicidade...
Em seus olhos distantes... Sorriso calado não responde... Diz que já não o sabe... Que perdeu e não sabe como nem onde...
Conta que viveu um grande amor... Daqueles que parecem durar para sempre... Tantas juras lhe foram feitas... Muitas mentiras... Em verdades efêmeras...
Sem mais, nem menos tudo foi esquecido... O fogo foi apagado... E ela a quem o amor foi jurado... Lágrima de dor, derramou... Quando tudo terminado...
Hoje suspirando... Sonha... Debruçada sobre a janela... Sonhadora, já não mais é donzela...
Então, assim me sinto... Eu como nesse dia... Um sonhador... De alma tranquila...
Amanhã, se mais for permitido... Vou aprender de outra forma a olhar... Um dia de cada vez... Para mil formas sempre amar...
Andando só pela noite... Uma voz ouvi... Era forte, tinha metal nela... E me disse assim:
-Vem por aqui...
Nas sombras ... Mais escuras de fato... Eu vi.... Braços fortes, peludos a surgir...
E a voz rouca... De pura sedução...
-Vem por aqui!...
Parei... Me senti tentado... De ir por ali... E sentir seu abraço...
Mas algo me alertou... E perguntei sem nenhum pudor...
- Quem sois vós e o que queres de mim? Como, pois sereis vós ? Eu tenho a minha Loucura ! Decerto que é verdade... Mas não me entrego tão fácil... Também tenho vaidade...
- Vem por aqui que lhe direi quem eu sou... Sou o começo da dor... No arder da noite escura... Vou lhe mostrar , também, a minha loucura...
Lhe ensinarei as delícias do prazer... Do ser e deixar de ser... Sou um vendaval que se soltou... Vago por aí... Sem amor... Hoje quero você...
Em doses de veneno... Essa é a minha glória... Vem por aqui... Agora...
Amo os abismos e os desertos... O inacabado... Sussurro em muitos ouvidos... A tristeza de meu fado.... Lhe darei tudo que desejar... Basta pedir e imaginar... Vou lhe dar as estrelas... O ouro dos astros... Estendo minha mão... Me dê você seu coração... Vem por aqui...
Após tudo ouvir... Tanto que me foi oferecido por mais que foi pedido... Respondi:
- Não... Não vou por aí...
Sandro Paschoal Nogueira
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Lembranças
#LEMBRANÇAS
Já fui consolo dos tristes... Agora ando perdido entre gente... Ir pelo mundo é um bem... Vence quem se vence...
Muito diz quem pouco fala... Que aplaca minha sede... Corro muitas terras...meu fado... Não tenho me encontrado...
Quando sem alma fiquei... Foi quando fui traído... Tirana sorte... Oh desgraça... Se estava escrito... Não gostei desse destino...
Lembranças.... Triste qual minha ventura... Que me sustenta... No correr dos dias...
Que os anjos do céu me guardem... De males profundos... O muito sem Deus é nada... O pouco com Deus é tudo...
Correntes ainda me prendem... Às asas da vaidade... Ai de mim que não vi... Caminhos errados que outrora segui... Mas foi errando... Que, sofrendo, aprendi...
Quem inventou a partida... Talvez não soube amar... Quando não mais aqui estiver... Será que de mim alguém lembrará?
Cheguei... Venci... Nada! Ninguém me ajudou... Tive muitos amigos... Que meu tapete puxou...
Triste sou... Triste me vejo... Fui mais alegre em outros dias... Se mil corações eu tivesse... Mil vezes poderia amar... Hoje já temo... Em me entregar...
Nada mais simples e profundo... Tenho a dizer... Sou sombra... Mas também sou luz... Em Deus espero... Só ele me conduz...
Sandro Paschoal Nogueira
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Pernas de cera
#PERNAS #DE #CERA
Saí... Na rua fui sentar... O dia tão lindo... Queria aproveitar...
Pernas de cera a pensar... E pensar de pernas para o ar... É bem prazeroso de pensar...
Pus os olhos bem longe... Aonde ninguém poderia me alcançar... Enquanto o sol... Estava a me acariciar...
Se me vissem o rosto nessa hora... Diriam que estaria provado... Ali eu não estava... Navegava na imensidão do espaço...
Um ou outro quando passam... Me dão boa tarde... Cumprimentam com alegria... Enquanto as pernas de cera... Sob o sol ardia...
Há quem sempre deseja brilhar... Independente de ser pouco importante o lugar... Afinal... É preciso explicar ?
O importante é não se preocupar... Com a distância entre os sonhos e a realidade... Vou continuar... Com minhas pernas de cera esticadas... Em minha cidade... A sonhar...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
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Saída
#SAÍDA
O que nada é e nem contém... De tudo o que vi... São as brumas que sobem aos céus... Me fazendo tudo sentir...
O desejo de qualquer bem... De repente de calma faz o vento... E na grande estrela que brilha... Encontro ali um alento...
A vida uma aventura errante... Oceano de sentimentos... O pensamento vai sem querer... Muito além do tempo...
Não julgue uma estrela... Pela distância de seus dedos... Não faca de sua existência... Uma canção de lamentos...
E sob o firmamento... De estrelas cadentes... Vale sempre lembrar... De tudo que vivemos...
Quando o vento vier... Fazendo as flores bailar... Saberei eu aqui... Que a saudade está lá...
Lembrarei do passado... Cá dentro da gente... De tudo já ido... Que hoje é bem diferente…
Hoje não sou mais nada... Nem mesmo uma vontade... Apenas um dia... Com hora de saída...
Sandro Paschoal Nogueira
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Até que sou
#ATÉ #QUE #SOU
Eu já usei gravata... Calça quadrada... Cueca rasgada... Franja e topete... Hoje sou calmo... Mas já fui periguete...
Já andei de chinelo... Porque não tinha sapato... Já criei cachorros e gatos... Também tive patos...
Já passei fome... Por dias e dias seguidos... Me lembro de quando ganhei um pão... Dividi com um mendingo...
Fui abusado... Mas nunca abusei... Inocência de outro... Nunca tirei...
Já fui crente... Padre quiz ser... Me tornei filho de santo... Estive a ponto de me perder...
Já andei nas madrugadas... Por estradas prateadas... Corri atrás de sonhos... Me vesti de enganos...
Já pintei quadros ... Já fiz pastel... Já chorei muito... Calado, escondido, olhando para o céu...
Vi muitos nascerem... Outros tantos falecerem... Pinto minha casa de cal... E assim será minha morada final...
Já bebi demais da conta... Até memória perder... Fumei maconha, cheirei cola e pó... Só me fiz sofrer...
Fui cabeleireiro... Feiticeiro... Prostituto...Vagabundo... Sou hoteleiro...
Hoje eu virei poeta... Vivo em um mundo só meu... Como melhor me condiz... Para quem nasceu chorando... Eu até que sou feliz...