Nadando no tempo... Procurei nos espaços... Descobrir meu futuro...
Inventando cenas e andando nas ruas Procurarando alegrias... Em espiral... Me encontrei no final...
Qualquer fosse o caminho... Sentia eu... Que encontraria... Seu olhar...
Na distância entre os instantes... Nada mais volta a ser como antes...
E como previ... Por tudo aquilo que importa... Descobri... No colo encontrado... Pedaços de mim...
Sandro Paschoal Nogueira
99
Janela para o amanhã
#JANELA #PARA #AMANHÃ
Existem manhãs em que abro a janela... E tenho a impressão de que o dia me espera...
Tudo está certo, no seu lugar... Cumprindo o seu destino...
O astro brilha... Em um céu de profundo azul... Às vezes, um gavião passa... Voando sobre as pedras da cidade da serenata...
Cachorros indolentes pelas ruas... Gente que sobe, que desce, que passa... Alguns cumprimentam... Outros não dizem nada... Alguns chinelos arrastam... Outros de passos firmes compassados...
Canários que brincam na areia... Gatos sonhando com pássaros... Tudo se torna então... Um momento mágico...
Sob a sombra da árvore que me encontro... Em minha calçada as estrelas no chão agora dançam... Lembro de nomes de seresteiros... Que em paz já descansam...
Em noites tão longes... Já foram reis... Cantavam amores à lua... Foram grandes menestréis...
Fico a sonhar de leve em muita coisa bela... De olhos fechados eu sonho... Me entrego...
Minha alma cativa se liberta... Fugindo pelo universo à fora... Não existe o tempo... Não existem mais as horas...
Hoje, eu vejo, que muitos choram sorrindo... A vida passa como um rio... Isso eu compreendo...
Sempre sinto comigo... Deus presente em todos meus momentos...
Assim vou me permitindo... Assim vou vivendo... Entre as flores de meu jardim... Tecendo meus encantamentos...
Pergunto à namoradeira... Que na janela me olha... Quanto tempo dura a eternidade... Como medir a felicidade...
Em seus olhos distantes... Sorriso calado não responde... Diz que já não o sabe... Que perdeu e não sabe como nem onde...
Conta que viveu um grande amor... Daqueles que parecem durar para sempre... Tantas juras lhe foram feitas... Muitas mentiras... Em verdades efêmeras...
Sem mais, nem menos tudo foi esquecido... O fogo foi apagado... E ela a quem o amor foi jurado... Lágrima de dor, derramou... Quando tudo terminado...
Hoje suspirando... Sonha... Debruçada sobre a janela... Sonhadora, já não mais é donzela...
Então, assim me sinto... Eu como nesse dia... Um sonhador... De alma tranquila...
Amanhã, se mais for permitido... Vou aprender de outra forma a olhar... Um dia de cada vez... Para mil formas sempre amar...
Andando só pela noite... Uma voz ouvi... Era forte, tinha metal nela... E me disse assim:
-Vem por aqui...
Nas sombras ... Mais escuras de fato... Eu vi.... Braços fortes, peludos a surgir...
E a voz rouca... De pura sedução...
-Vem por aqui!...
Parei... Me senti tentado... De ir por ali... E sentir seu abraço...
Mas algo me alertou... E perguntei sem nenhum pudor...
- Quem sois vós e o que queres de mim? Como, pois sereis vós ? Eu tenho a minha Loucura ! Decerto que é verdade... Mas não me entrego tão fácil... Também tenho vaidade...
- Vem por aqui que lhe direi quem eu sou... Sou o começo da dor... No arder da noite escura... Vou lhe mostrar , também, a minha loucura...
Lhe ensinarei as delícias do prazer... Do ser e deixar de ser... Sou um vendaval que se soltou... Vago por aí... Sem amor... Hoje quero você...
Em doses de veneno... Essa é a minha glória... Vem por aqui... Agora...
Amo os abismos e os desertos... O inacabado... Sussurro em muitos ouvidos... A tristeza de meu fado.... Lhe darei tudo que desejar... Basta pedir e imaginar... Vou lhe dar as estrelas... O ouro dos astros... Estendo minha mão... Me dê você seu coração... Vem por aqui...
Após tudo ouvir... Tanto que me foi oferecido por mais que foi pedido... Respondi:
- Não... Não vou por aí...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
.
111
O boto cor de rosa
#O #BOTO #COR #DE #ROSA
Era noite de luar... As águas mansas refletiam a lua cheia... Triste seria aquela noite... Sem a presença das estrelas... Naquela noite fria...
Num sorriso de criança... Num olhar, numa esperança... Na natureza esquecida... Apenas uma brisa...
Sentada à margem do rio... Uma donzela brincava... Com suas madeixas douradas... Entre os dedos entrelaçava...
Ao longe, no povoado... Muita alegria... Era festa da padroeira... Naquele dia...
Tinha muitas barraquinhas... Maçãs do amor... Churrasquinhos... Muitas iguarias... Não faltavam as bebidas... Ao som do forró... De grande algazarra e alegrias...
Todos se divertiam... Mas, aquela moça, de todos preferiu se afastar... Preferiu nas margens do rio... Estar ali a meditar...
Na escuridão do infinito... Todo ponteado de estrelas... Flores que desabrochavam... Perfumando a atmosfera...
Das águas antes plácidas... O amor pode surgir de repente... Um belo cavalheiro emergiu... Como uma estrela cadente...
Seduziu e a amou tanto e profundamente...
O amor não marca hora.. Surge quando menos se espera... E quando menos se espera... Também vai embora...
Cada um cumpre o seu destino... Assim está escrito...
Nessa mistura de sonhos... Agora a donzela bonita está triste... Vive sentada no barranco do rio... Junto com a lua e com um pequeno menino...
Esperando a volta do garboso amante... Que após ama-la... Mergulhou nas águas... Desaparecendo... No horizonte...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
.
126
Anoiteceu
#ANOITECEU
Amor, amor é o meu fim… O que farei ? Meu peito abriga uma alma inquieta...
A noite chegou... Levou-me o brilho... Escondeu a magia...
Meus sonhos não foram cumpridos... No abandono da dor me encontrei... Choro meu orgulho... Já não me vejo... Sofro... O que restou?
Um minuto é o suficiente... Para provocar as sombras do passado... Lembranças dos abraços não dados... Recordações de beijos negados... Tristeza do que foi perdido... Amargo sem nunca ter sido sentido... Tempo findo... Nunca desejado...
Ah, como estou agora coberto de nada...
A luz transformou-se em trevas... O som do silêncio ecoou pelo quarto... Anoiteceu...
Por quê? Se tudo dei... E nada recebi... Onde errei? Por que assim?
De tão perdido de ti... Quando isso era o tudo... Do tudo o que tinha de ser...
Sandro Paschoal Nogueira
122
Ele..
#ELE...
Acordou... Mais um dia qualquer... Em sua senda... De viver...
Banhou-se com a luz do dia... Disfarçou sua tristeza em alegria... Foi caminhar... Queria pensar...
Aqui, ali... Lá, acolá... Um bom dia... Bom lhe ver... Estou bem... Como vai você...
Nas pedras suas sandálias faziam barulho... Em seu peito... Um silêncio mudo...
Perto das águas sentou... Com uma flor entre os dedos... Brincou...
Quem assim o visse... Podia supor... Diria o quanto era feliz... Aquele sujeito... Sem nenhum pudor...
Ele em sua solitude... De certa forma era feliz... Não somos as escolhas... Que fazemos? Não é isso que se diz?
A felicidade é apenas um momento... Encontrado no tempo... Às vezes chorar é bom... Lava nosso coração... Nem sempre ostentar sorriso... Mostra a realidade... Soa como falsidade...
Para ele os dias passam rápido... Mesmo diante da rotina... Massacrante...
Ele bem sente... A grande maravilha... No insistir... Da vida...
Quando uma pequena semente... Luta por viver... Quando uma flor abre... Quando um pássaro voa... Quando o sono vem... Quando sonha...
Sua filosofia... Seu modo de viver... É bem simples... Isso posso dizer...
Tudo o que está em cima... É igual ao que está embaixo... Sempre perseverando... Enquanto os anos vão passando...
Há tantos mistérios... Esconderijos na alma... Algumas verdades incertas... Enquanto outras nos liberta...
Suas verdades nem sempre são certas... Mas fala o que pensa... Porém nem todo mundo aceita...
Assim, segue em rumo ao indefinido... Procurando nas estrelas... O que mais de puro... Guarda consigo...
Inocência ainda... De um menino...
Sandro Paschoal Nogueira
137
Um dia qualquer
#UM #DIA #QUALQUER
Hoje fui em #Valença... Acordei junto com o sol... Ambos queríamos continuarmos a dormir... Mas a vida não é assim...
Estava frio... O astro indolente... Meu espírito tácito... Nenhum pássaro, ainda, acordado...
Olhei minha cidade... Nas ruas, serração... Brisa fria brincava com as pedras... Tudo orvalhado... O mundo lentamente acordava... Soliturno, calado...
Será que já teria o pastel? Um café quente pingado? A madame já lá estaria? E o patrão? Com seu sorriso largo...
Encontrei com o China... Que me contou sua má sina... Somente o túnel... Por testemunha... De uma língua ferina...
De banho já tomado... Sapato engraxado... Camisa de veludo... Anel de ouro no dedo... Bem perfumado...
Nada demorou... Português já chegou... - Ah maldita máscara que esqueci... -Volta lá...Tenho que pegar...
Na estrada logo vi... Flores que iria roubar... Como assim...?... "Adrenalina de uma criança"... Dizem que roubando... é melhor para plantar...
A cidade estava cheia... Todos os comércios funcionando... Gente bonita, poucos... Muita gente feia por lá, andando...
Fiz o que tinha que fazer... Apressei-me a voltar... Quando de casa saio é um caos... Tudo que vejo, quero comprar...
Já chegando em #Conservatória... Corri para meu jardim... Fui plantar a dália laranja... Que na estrada consegui...
Fiz de conta que era uma largata... Manjericão e alecrim... Pé de salsa e folhas de couve... Tantas ervas eu comi...
Fui ver minhas sementes de lótus... Que tentando plantar estou... Se brotarem, serão rosas e azuis... Enfeitarão meu chafariz... Mais beleza em meu jardim...
Sentar um pouquinho na calçada... Jogando conversa fora... Saber de tudo um pouquinho... Curtindo uma leve fofoca...
Quem nasceu...quem morreu... Quando tudo voltará ao normal... Quando teremos as serestas... Quando teremos nossas festas...
Quero de novo voltar... Aos restaurantes almoçar e jantar... Na madrugada, minha catuaba... Ver a vida passar...
Não sou homem de só em casa ficar... Vivo na ribalta... Só assim eu sei viver... Quero festejar...
Sou como o vento... Sigo em frente meu destino derradeiro... Sigo o rumo das correntes... Sem paradas, sem descanso...
Sou tudo o que meu eu quiser... Olhando com meus olhos... Vejo minha felicidade... Vou tecendo minhas verdades...
Sou o dia de sol para alguns... Sou tempestade para outros... Em tudo me entrego... De corpo e alma...
Sou a noite... Sou o dia... Prosa e poesia... Sou tormento e agonia... De madrugada fria...
Sou amor, sou paixão... Desejo escondido... Em dias de verão...
Sou sonho... Sou gesto... Sou silêncio de um sorriso... Sou exato... Perdido no tempo...
Sou um grão de areia... No universo... Me perco como fumaça no céu... Se me desespero...
Eu queria ser mais do que algo... Tudo passa... Difícil é saber o que sobra...
Não quero seu perdão... Não quero suas lágrimas... Já tenho as minhas...
Qualquer calmaria me dá solidão... Não estou, nem sou... Só me deixe ser o que eu compreendo... Aqui estou eu... Um momento...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
.
96
QUASE uma prece
QUASE UMA PRECE
Para alguns falta o pão na mesa... Para outros, a alegria de viver... Alguns são ricos e abastados... Outros tantos nada fazem por merecer...
Não há mentiras... Não há mistérios... No escondido... Aonde nascem as preces...
Nossas vidas precisam recomeçar enquanto há tempo... Enquanto ainda existir horizonte... Sempre sonhando... Bem lá... Adiante...
Mas se você não acredita nisso... Lamento... Assim eu creio... Posso e quero...
Mude seu destino e tenha fé... Se cair... Ponha-se de pé...
Veja no amor a chance da luz aflorar... Em tudo... Que está no ar...
Onde os minutos fazem toda a diferença... Possa Deus, meus pensamentos, silenciar... Encher-me de paz... Preparando minha jornada... Colorindo... Com muitas flores... Minha estrada...
Por ontem, hoje e amanhã... Que assim seja...
Sandro Paschoal Nogueira
131
Ele
#ELE...
Acordou... Mais um dia qualquer... Em sua senda... De viver...
Banhou-se com a luz do dia... Disfarçou sua tristeza em alegria... Foi caminhar... Queria pensar...
Aqui, ali... Lá, acolá... Um bom dia... Bom lhe ver... Estou bem... Como vai você...
Nas pedras suas sandálias faziam barulho... Em seu peito... Um silêncio mudo...
Perto das águas sentou... Com uma flor entre os dedos... Brincou...
Quem assim o visse... Podia supor... Diria o quanto era feliz... Aquele sujeito... Sem nenhum pudor...
Ele em sua solitude... De certa forma era feliz... Não somos as escolhas... Que fazemos? Não é isso que se diz?
A felicidade é apenas um momento... Encontrado no tempo... Às vezes chorar é bom... Lava nosso coração... Nem sempre ostentar sorriso... Mostra a realidade... Soa como falsidade...
Para ele os dias passam rápido... Mesmo diante da rotina... Massacrante...
Ele bem sente... A grande maravilha... No insistir... Da vida...
Quando uma pequena semente... Luta por viver... Quando uma flor abre... Quando um pássaro voa... Quando o sono vem... Quando sonha...
Sua filosofia... Seu modo de viver... É bem simples... Isso posso dizer...
Tudo o que está em cima... É igual ao que está embaixo... Sempre perseverando... Enquanto os anos vão passando...
Há tantos mistérios... Esconderijos na alma... Algumas verdades incertas... Enquanto outras nos liberta...
Suas verdades nem sempre são certas... Mas fala o que pensa... Porém nem todo mundo aceita...
Assim, segue em rumo ao indefinido... Procurando nas estrelas... O que mais de puro... Guarda consigo...