As pedras de minha vida são cinzentas... Uma estrada... Uma casa... Um banco... Junto a elas...
Em noite estreladas ficam azuis... Sempre esperam os menestréis... Brilham tanto que parecem... Ter uma própria luz...
Testemunhas imóveis de um tempo... De vidas que aqui já não estão mais... Lembranças com suspiros... Felizes uns...outros ais..
Estrelas que do céu caem... Transformando-se em minhas pedras... Contam histórias que não machucam... Não são testemunhas frias...
Acordem! Acordem! Venham todos ver... As pedras brilharem...
Agora há de ser... O seresteiro vai passar... Seu violão nos encanta... Dá vontade de amar...
Venham todos ver!
Chora o céu em orvalho... Banhando as pedras nuas... A tristeza dá saudade... A paixão se insinua...
As pedras me contam... Suas histórias... Das crianças brincando... Quando saiam da escola...
Dos piques, das cantigas de roda... De pular amarelinha, rodar o pião... Empinar pipas... Tantas alegrias... Ainda guardadas em meu coração...
As pedras não me machucam... São minhas amigas... Me contam tantas histórias... De muitas e diversas vidas...
São inertes, mas não são mudas... São mais velhas do que eu... Me viram nascer, crescer, florescer... Também um dia... Me verão morrer...
E quem sabe um dia elas contem... Também a minha história... Que feliz muito eu fui... Em dias lindos e noites enluaradas... E que ouviram um canto meu... De uma alma antes apaixonada...
Pobre trovador que aqui tanto espera... O seu coração reencontrar...
Não sei se foram sobres as pedras que me perdi... Não posso dizer... E elas não querem isso me contar...
Hoje, então, quando a lua surgir... De estrelas vou me vestir... Caminharei por atalhos derradeiros... Me porei a refletir....
No que hoje quero... No que amanhã talvez... Quiçá...
Quem sabe assim... Mais e mais... Serei feliz...
Basta-me as pedras... Saber ouvir...
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Sandro Paschoal Nogueira
Comecei a escrever poesias a partir de janeiro 2020 até o dia de hoje.
Como sair de um erro sem cometer outro? Possa, talvez você, me dizer...
Lidar com o pensamento profundo... Na mão, um copo de um belo vinho...
Esperando o próximo minuto...
Somente os meus pés marcam essa estrada... E mais uma noite, mais um pouco... O silêncio chama por mim para me acalmar... E o medo que eu tenho, faz-me pensar...
Não demores muito pra chegar... Quem, mais do que eu, pronto a essa loucura me entregar?
Tardei em maldar a vida... Hoje os sonhos não me satisfazem... Tentei negar os sentimentos... Em acreditar que não era o fim...
Me machuquei tanto... Com tanto medo do vazio e da ausência...
A vida ganha sentido diferente...
Ah, esse tempo... Apronta cada uma com a gente...
Sandro Paschoal Nogueira
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O gambá comunista
#O #GAMBÁ #COMUNISTA
Já peguei mais um... Com esse são três... Será que tem ... Mais algum na bola da vez? Não posso dar mole... Gambá comunista sempre tem por aí algum...
Bicho feio e esquisito... Esse vou soltar lá na ponte do Bento... Não aguento ver esse "coiso".... Acho nojento...
Mas agora vou comparar... De política vou falar... Se der cachaça... Igual ao mestre mor... Vai se embriagar... Bebe, ri e se mija todo... E vomita porcaria... Na cara dos outros...
Tem quem ache bonito... Tem quem vê utilidade... Mas gambá e comunista... Para mim não vale nada... Decerto é furada... Para desaparecer... Merece chicotada...
Peludo e fedorento... Dorme o dia todo... À noite não sossega... Muito barulhento... Vejo ambos... Como algo peçonhento...
Vai em minha cozinha... Revira minhas panelas... Por onde anda, mija e caga... O gambá com raiva guincha... Já o comunista... Relincha...
Faz arruaça em toda casa... Praga maldita... É gambá e comunista... Ambos são oportunistas...
Rouba e é preguiçoso... Bicho imundo... Ocioso... Pernicioso...
A gente prende... E tem quem defenda... Mas ter em casa... Ninguém quer... Ninguém aguenta...
Praga que não termina... Nem cadeia ou exílio resolve... Sem percebermos... Volta... Para nossa má sorte...
Querem casa, moradia... O dia todo dormir... Rouba até comida... Gambá e comunista... Personalidade carcomida...
Se dou uma paulada... Vão dizer que sou fascista... Direitos humanos e proteção ao animal... Sinceramente... Ambos para mim... Só causam mal...
Não sei mais o que fazer... Com essa raça doente... Se tem alguma sugestão... Por favor...me ajudem aí gente...
Sandro Paschoal Nogueira
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Janela para o amanhã
#JANELA #PARA #AMANHÃ
Existem manhãs em que abro a janela... E tenho a impressão de que o dia me espera...
Tudo está certo, no seu lugar... Cumprindo o seu destino...
O astro brilha... Em um céu de profundo azul... Às vezes, um gavião passa... Voando sobre as pedras da cidade da serenata...
Cachorros indolentes pelas ruas... Gente que sobe, que desce, que passa... Alguns cumprimentam... Outros não dizem nada... Alguns chinelos arrastam... Outros de passos firmes compassados...
Canários que brincam na areia... Gatos sonhando com pássaros... Tudo se torna então... Um momento mágico...
Sob a sombra da árvore que me encontro... Em minha calçada as estrelas no chão agora dançam... Lembro de nomes de seresteiros... Que em paz já descansam...
Em noites tão longes... Já foram reis... Cantavam amores à lua... Foram grandes menestréis...
Fico a sonhar de leve em muita coisa bela... De olhos fechados eu sonho... Me entrego...
Minha alma cativa se liberta... Fugindo pelo universo à fora... Não existe o tempo... Não existem mais as horas...
Hoje, eu vejo, que muitos choram sorrindo... A vida passa como um rio... Isso eu compreendo...
Sempre sinto comigo... Deus presente em todos meus momentos...
Assim vou me permitindo... Assim vou vivendo... Entre as flores de meu jardim... Tecendo meus encantamentos...
Pergunto à namoradeira... Que na janela me olha... Quanto tempo dura a eternidade... Como medir a felicidade...
Em seus olhos distantes... Sorriso calado não responde... Diz que já não o sabe... Que perdeu e não sabe como nem onde...
Conta que viveu um grande amor... Daqueles que parecem durar para sempre... Tantas juras lhe foram feitas... Muitas mentiras... Em verdades efêmeras...
Sem mais, nem menos tudo foi esquecido... O fogo foi apagado... E ela a quem o amor foi jurado... Lágrima de dor, derramou... Quando tudo terminado...
Hoje suspirando... Sonha... Debruçada sobre a janela... Sonhadora, já não mais é donzela...
Então, assim me sinto... Eu como nesse dia... Um sonhador... De alma tranquila...
Amanhã, se mais for permitido... Vou aprender de outra forma a olhar... Um dia de cada vez... Para mil formas sempre amar...
O que nada é e nem contém... De tudo o que vi... São as brumas que sobem aos céus... Me fazendo tudo sentir...
O desejo de qualquer bem... De repente de calma faz o vento... E na grande estrela que brilha... Encontro ali um alento...
A vida uma aventura errante... Oceano de sentimentos... O pensamento vai sem querer... Muito além do tempo...
Não julgue uma estrela... Pela distância de seus dedos... Não faca de sua existência... Uma canção de lamentos...
E sob o firmamento... De estrelas cadentes... Vale sempre lembrar... De tudo que vivemos...
Quando o vento vier... Fazendo as flores bailar... Saberei eu aqui... Que a saudade está lá...
Lembrarei do passado... Cá dentro da gente... De tudo já ido... Que hoje é bem diferente…
Hoje não sou mais nada... Nem mesmo uma vontade... Apenas um dia... Com hora de saída...
Sandro Paschoal Nogueira
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Pernas de cera
#PERNAS #DE #CERA
Saí... Na rua fui sentar... O dia tão lindo... Queria aproveitar...
Pernas de cera a pensar... E pensar de pernas para o ar... É bem prazeroso de pensar...
Pus os olhos bem longe... Aonde ninguém poderia me alcançar... Enquanto o sol... Estava a me acariciar...
Se me vissem o rosto nessa hora... Diriam que estaria provado... Ali eu não estava... Navegava na imensidão do espaço...
Um ou outro quando passam... Me dão boa tarde... Cumprimentam com alegria... Enquanto as pernas de cera... Sob o sol ardia...
Há quem sempre deseja brilhar... Independente de ser pouco importante o lugar... Afinal... É preciso explicar ?
O importante é não se preocupar... Com a distância entre os sonhos e a realidade... Vou continuar... Com minhas pernas de cera esticadas... Em minha cidade... A sonhar...
Sandro Paschoal Nogueira
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Ele..
#ELE...
Acordou... Mais um dia qualquer... Em sua senda... De viver...
Banhou-se com a luz do dia... Disfarçou sua tristeza em alegria... Foi caminhar... Queria pensar...
Aqui, ali... Lá, acolá... Um bom dia... Bom lhe ver... Estou bem... Como vai você...
Nas pedras suas sandálias faziam barulho... Em seu peito... Um silêncio mudo...
Perto das águas sentou... Com uma flor entre os dedos... Brincou...
Quem assim o visse... Podia supor... Diria o quanto era feliz... Aquele sujeito... Sem nenhum pudor...
Ele em sua solitude... De certa forma era feliz... Não somos as escolhas... Que fazemos? Não é isso que se diz?
A felicidade é apenas um momento... Encontrado no tempo... Às vezes chorar é bom... Lava nosso coração... Nem sempre ostentar sorriso... Mostra a realidade... Soa como falsidade...
Para ele os dias passam rápido... Mesmo diante da rotina... Massacrante...
Ele bem sente... A grande maravilha... No insistir... Da vida...
Quando uma pequena semente... Luta por viver... Quando uma flor abre... Quando um pássaro voa... Quando o sono vem... Quando sonha...
Sua filosofia... Seu modo de viver... É bem simples... Isso posso dizer...
Tudo o que está em cima... É igual ao que está embaixo... Sempre perseverando... Enquanto os anos vão passando...
Há tantos mistérios... Esconderijos na alma... Algumas verdades incertas... Enquanto outras nos liberta...
Suas verdades nem sempre são certas... Mas fala o que pensa... Porém nem todo mundo aceita...
Assim, segue em rumo ao indefinido... Procurando nas estrelas... O que mais de puro... Guarda consigo...
Inocência ainda... De um menino...
Sandro Paschoal Nogueira
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QUASE uma prece
QUASE UMA PRECE
Para alguns falta o pão na mesa... Para outros, a alegria de viver... Alguns são ricos e abastados... Outros tantos nada fazem por merecer...
Não há mentiras... Não há mistérios... No escondido... Aonde nascem as preces...
Nossas vidas precisam recomeçar enquanto há tempo... Enquanto ainda existir horizonte... Sempre sonhando... Bem lá... Adiante...
Mas se você não acredita nisso... Lamento... Assim eu creio... Posso e quero...
Mude seu destino e tenha fé... Se cair... Ponha-se de pé...
Veja no amor a chance da luz aflorar... Em tudo... Que está no ar...
Onde os minutos fazem toda a diferença... Possa Deus, meus pensamentos, silenciar... Encher-me de paz... Preparando minha jornada... Colorindo... Com muitas flores... Minha estrada...
Por ontem, hoje e amanhã... Que assim seja...
Sandro Paschoal Nogueira
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O boto cor de rosa
#O #BOTO #COR #DE #ROSA
Era noite de luar... As águas mansas refletiam a lua cheia... Triste seria aquela noite... Sem a presença das estrelas... Naquela noite fria...
Num sorriso de criança... Num olhar, numa esperança... Na natureza esquecida... Apenas uma brisa...
Sentada à margem do rio... Uma donzela brincava... Com suas madeixas douradas... Entre os dedos entrelaçava...
Ao longe, no povoado... Muita alegria... Era festa da padroeira... Naquele dia...
Tinha muitas barraquinhas... Maçãs do amor... Churrasquinhos... Muitas iguarias... Não faltavam as bebidas... Ao som do forró... De grande algazarra e alegrias...
Todos se divertiam... Mas, aquela moça, de todos preferiu se afastar... Preferiu nas margens do rio... Estar ali a meditar...
Na escuridão do infinito... Todo ponteado de estrelas... Flores que desabrochavam... Perfumando a atmosfera...
Das águas antes plácidas... O amor pode surgir de repente... Um belo cavalheiro emergiu... Como uma estrela cadente...
Seduziu e a amou tanto e profundamente...
O amor não marca hora.. Surge quando menos se espera... E quando menos se espera... Também vai embora...
Cada um cumpre o seu destino... Assim está escrito...
Nessa mistura de sonhos... Agora a donzela bonita está triste... Vive sentada no barranco do rio... Junto com a lua e com um pequeno menino...
Esperando a volta do garboso amante... Que após ama-la... Mergulhou nas águas... Desaparecendo... No horizonte...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
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123
Espiral
#ESPIRAL
Nadando no tempo... Procurei nos espaços... Descobrir meu futuro...
Inventando cenas e andando nas ruas Procurarando alegrias... Em espiral... Me encontrei no final...
Qualquer fosse o caminho... Sentia eu... Que encontraria... Seu olhar...
Na distância entre os instantes... Nada mais volta a ser como antes...
E como previ... Por tudo aquilo que importa... Descobri... No colo encontrado... Pedaços de mim...