#Pedras #azuis que sonham sozinhas no mesmo lugar... Esperando que o tempo passe por elas...
Em caminhos incertos e destinos desconhecidos... Juntei todas elas em meu coração... E o tempo passou...
Não esqueceram de mim... Mas não olham mais para a minha alma... Esconderam minha história nesse mundo... De onde a luz não consegue emergir...
Dentro de meus olhos havia um brilho... Um sorriso que a inocência perdeu... Hoje tal qual as pedras... Estou aqui...
Como num toque de magia... Diante de tanta harmonia... Nas madrugadas de orvalhos dourados... Lições aprendi...
O meu mundo não é como o dos outros... E quando o céu se abrir... Ver essas estrelas que por elas passei... Acabarei por deixar-me ficar... assim... Serei mais uma a reluzir...
Coisas mansas como o luar... Águas de um lago adormecido... Abandono de um jardim sem flores... Lamento de uma vida... Sem amores...
Antes da morte por vir... Nascendo de vez para a vida... Deixo os desejos sem rumo... Me entrego, por completo... Ao mundo...
No barco sem ninguém... Anônimo e vazio... Aonde irei ter? Tudo passa...passa... Sem perceber...
Com meus cansados olhos... Do mesmo modo, a vida é sempre a mesma... Quero a mim próprio embalar... Não ver mais nada...
O sono que desce sobre mim... É o sono de todas as desilusões... E os anos vão passando... Deixarei que morra em mim.... Vivendo na sombra de seu encanto...
Porque o melhor enfim... É não ouvir e nem ver... Tudo aquilo que um dia... Deixei de ser para você...
No fim de tudo, dormir... Para já não mais... Poder sentir...
Sandro Paschoal Nogueira
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A viagem
#A #VIAGEM
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa... É a maior viagem que alguém pode fazer... Só para viver a aventura... Assim, sem compromisso, você vai me entender...
Não pertencer a ninguém... Não pertencer nem a mim... Ser outro constantemente... É tempo de me fazer, eu sei...
Que o tempo me dê a resposta... Preciso ir em busca de novos sonhos e encantos... Não quero mais a prisão de lembranças...
Tão estranho carregar uma vida inteira... A estrada é aquela por aonde eu vou... Terei um longo caminho a percorrer... Sentindo a brisa leve tocar meu rosto... Tocar o horizonte até onde posso...
Sonhando e viajando além das estrelas... Nunca esquecendo das coisas boas... No meio de um nada e em minha feliz melancolia... Mil perguntas passam pela imensidão... Todos os dias...
Espaço ao compasso dos dias e noites que correm... Emoções e pensamentos se misturam... Quero trocar as minhas bagagens... Quero voltar a ser puro...
Não sei se consiguirei... Não me custa tentar... Abro minhas asas e vou voar...
Com a imaginação de uma criança... Criança que ainda existe... Dentro de mim...
Nadando no tempo... Procurei nos espaços... Descobrir meu futuro...
Inventando cenas e andando nas ruas Procurarando alegrias... Em espiral... Me encontrei no final...
Qualquer fosse o caminho... Sentia eu... Que encontraria... Seu olhar...
Na distância entre os instantes... Nada mais volta a ser como antes...
E como previ... Por tudo aquilo que importa... Descobri... No colo encontrado... Pedaços de mim...
Sandro Paschoal Nogueira
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Melancolia
#MELANCOLIA
O dia e a noite são iguais por dentro... Campo florido de saudades... Estranha taça de venenos...
Despede o sol em último clarão... Entre sombras, vagamente... Na amplidão do eterno... Minha alma voa livremente...
Surge o vento e me pergunta... Aonde me levará minha jornada... Um olhar triste nada responde... Na melancolia... Uma alma fadada...
Desde o sinal das auroras... Se há dias maus, também há os felizes... A vida é uma bela jornada... A taça em minha mão ainda é cheia... Devo toda toma-la...
Num olhar profundo e ardente... O espírito se cala, se aquieta... O horizonte é o futuro... Tal é na hora o presente...
Uma estrela tremula no firmamento... E eu... Em minha paz alcançada... Aos pés do Criador me deito... Sorrindo... Sonolento... Já satisfeito...
Sandro Paschoal Nogueira
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Anjo Demônio
#ANJO #DEMÔNIO
Chegando, assim, do nada... Com a barba por fazer... Cheiroso e cafajeste... Como homem tem que ser...
Me roubou um beijo... Me deixou sem jeito... Tirou meu ar... Disse que iria me amar...
De doce lábios me seduziu... Me fez sentir... O que sempre sonhei...
Na loucura do momento... Me entreguei... Me deixei envolver...
Me abraçou tão forte... Jogou com minha sorte... Me tocou onde não deveria.. Me amou tanto... Que eu pensei que não merecia...
Diante de tanta ousadia... Entreguei-me inteiramente nesse dia... Esqueci-me das madrugadas frias... Na volúpia me deitei... Me sujeitei, deletei, aproveitei...
Tive medo que no balanço das horas... Esse encanto acabasse... Que no romper da aurora... Já não mais me amasse...
Seria muita dor... Perder esse estranho amor... Que encontrei... Quando já não mais procurava... Quando, minha alma indignada... Só sofria...
Tamanha loucura... Comigo aconteceu... Amei com tanta paixão... Até doer meu coração... Ao tocar os céus... Me perdi... Me encontrei... E até hoje não sei... Como chegou... E como foi embora...
Quem me amou não posso afirmar... Se foi um anjo... Ou um demônio a me tentar...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
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O gambá
#O #GAMBÁ
Armei armadilha... E peguei um gambá... Toda noite era festa em meu forro... Sempre a me atormentar...
Botei linguiça para ser a isca... Se tivesse posto cachaça... Tinha pego político seria outra bisca...
Quando que essa praga vai acabar ? Se não é um gambá... É uma "autoridade" para mentir e roubar...
Bicho feio, esquisito... Igual a político...
Só anda aprontando... Se eu reclamo... Sai rosnando...
Hoje fica na gaiola... Amanhã dou sumiço... Levo para bem longe... Solto com um sorriso...
Esse mamífero... Posso até soltar sem perigo... Mas o político... Desconfio...
Sei que aqui ... Não mais há de voltar... Mas o diplomático... Que de 4 em 4 anos se mostra simpático... Tenho medo e lido com cuidado...
O bicho feio... Com medo fede... O oficial público me dá medo... E até me estremece...
É tanta falsidade... Minha gente , vou dizer... As vezes prefiro o gambá... Do que outros safados... Que a gente tem que também prender...
Amanhã eu solto... Lá perto do ribeirão... Enquanto do outro passo longe... Bem de largo... Não aperto a mão...
Tenho certeza... Vou dizer... Amanhã à noite... Armo outra armadilha... Pego mais gambá ordinário...
Mas de político safado... Passo longe... Não sou otário...
Sandro Paschoal Nogueira
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O boto cor de rosa
#O #BOTO #COR #DE #ROSA
Era noite de luar... As águas mansas refletiam a lua cheia... Triste seria aquela noite... Sem a presença das estrelas... Naquela noite fria...
Num sorriso de criança... Num olhar, numa esperança... Na natureza esquecida... Apenas uma brisa...
Sentada à margem do rio... Uma donzela brincava... Com suas madeixas douradas... Entre os dedos entrelaçava...
Ao longe, no povoado... Muita alegria... Era festa da padroeira... Naquele dia...
Tinha muitas barraquinhas... Maçãs do amor... Churrasquinhos... Muitas iguarias... Não faltavam as bebidas... Ao som do forró... De grande algazarra e alegrias...
Todos se divertiam... Mas, aquela moça, de todos preferiu se afastar... Preferiu nas margens do rio... Estar ali a meditar...
Na escuridão do infinito... Todo ponteado de estrelas... Flores que desabrochavam... Perfumando a atmosfera...
Das águas antes plácidas... O amor pode surgir de repente... Um belo cavalheiro emergiu... Como uma estrela cadente...
Seduziu e a amou tanto e profundamente...
O amor não marca hora.. Surge quando menos se espera... E quando menos se espera... Também vai embora...
Cada um cumpre o seu destino... Assim está escrito...
Nessa mistura de sonhos... Agora a donzela bonita está triste... Vive sentada no barranco do rio... Junto com a lua e com um pequeno menino...
Esperando a volta do garboso amante... Que após ama-la... Mergulhou nas águas... Desaparecendo... No horizonte...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
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Ele
#ELE...
Acordou... Mais um dia qualquer... Em sua senda... De viver...
Banhou-se com a luz do dia... Disfarçou sua tristeza em alegria... Foi caminhar... Queria pensar...
Aqui, ali... Lá, acolá... Um bom dia... Bom lhe ver... Estou bem... Como vai você...
Nas pedras suas sandálias faziam barulho... Em seu peito... Um silêncio mudo...
Perto das águas sentou... Com uma flor entre os dedos... Brincou...
Quem assim o visse... Podia supor... Diria o quanto era feliz... Aquele sujeito... Sem nenhum pudor...
Ele em sua solitude... De certa forma era feliz... Não somos as escolhas... Que fazemos? Não é isso que se diz?
A felicidade é apenas um momento... Encontrado no tempo... Às vezes chorar é bom... Lava nosso coração... Nem sempre ostentar sorriso... Mostra a realidade... Soa como falsidade...
Para ele os dias passam rápido... Mesmo diante da rotina... Massacrante...
Ele bem sente... A grande maravilha... No insistir... Da vida...
Quando uma pequena semente... Luta por viver... Quando uma flor abre... Quando um pássaro voa... Quando o sono vem... Quando sonha...
Sua filosofia... Seu modo de viver... É bem simples... Isso posso dizer...
Tudo o que está em cima... É igual ao que está embaixo... Sempre perseverando... Enquanto os anos vão passando...
Há tantos mistérios... Esconderijos na alma... Algumas verdades incertas... Enquanto outras nos liberta...
Suas verdades nem sempre são certas... Mas fala o que pensa... Porém nem todo mundo aceita...
Assim, segue em rumo ao indefinido... Procurando nas estrelas... O que mais de puro... Guarda consigo...