Sol escondendo... Frio chegando... Alguém passando...
Lua diz que virá... Quer na noite brilhar... Mas somente depois... Que a primeira estrela se apresentar...
Não tem seresta... Não tem serenata... Tempo estranho... De paixões mal contadas...
As pessoas se recolhem... Trancam-se em suas casas... Na rua quem caminha... É o vazio... O nada...
Será uma cólera divina ? Fado... Triste sina...
Me recuso a aceitar... Quero ser como a lua... Pelo menos por essa noite... Brilhar...
Sandro Paschoal Nogueira
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Geração sem música geração perdida
#GERAÇÃO #SEM #MÚSICA, #GERAÇÃO #PERDIDA
As músicas acabaram... O tempo se foi... Como me causa pesar... Como isso me dói...
Os dias já são tão chatos... Tudo tão maçante... Somente sendo saudosista... Para me levar adiante...
Tive Bee Gees... John Lennon... Fred Mercury... Michael Jackson... Tina Turner... Madona... Carpenters... Abba... Que saudade...
Tantos outros... Mas não esquecidos... Ainda amo a todos... E carrego comigo...
E os bailinhos? De passos coreografados... Dançar juntinho... Ou como um pião desordenado...
Quem se lembra do primeiro amor? Duvido alguém ter esquecido... Dizem que o primeiro e o último... São os mais fortes... Os mais sentidos...
No meu primeiro porre... Engoli tudo em um só gole... O mundo girou... E vomitando... O chão me amou...
A ressaca... Nossa um horror... Pior era lembrar... Do que tinha feito... Na noite anterior...
Me lembro ainda... Da fumaça do baseado... De quem fumou ao meu lado... Só o cheiro já me deixou dopado... Desmaiei em minha cama... E só me recordo... De minha mãe arrancando meus sapatos...
Não era por ser jovem... Que foi a era dourada... Tudo era mais inocente... Não tinha tanta maldade entre a gente...
Hoje o que vejo... Fico abismado... Já tantas vidas perdidas... Sem mesmo ter começado...
Não ouço mais as músicas... Que me faziam viajar... Me embalavam... Faziam-me sonhar...
Geração sem música... Geração perdida... Quais lembranças levarão... Por toda sua vida?
Aonde isso se perdeu? Serei eu o culpado? Aonde tive o azar... De ser tão descuidado?
Às vezes bailo aqui sozinho... Junto às minhas flores e passarinhos... Segurando nas mãos do vento... Abandonando-me a esse sentimento...
Sei que nada mais retornará... Passou... E aqui estou... Mas também sei.... Que continuo a sonhar...
Sonhar com o que de bom vivi... Com quanto fui tão feliz... Como o tempo passa rápido... E dele fui aprendiz...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
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Alma errante
#ALMA #ERRANTE
Não sei quantas almas eu tenho... Não zombe de minhas mudanças... Não sou o que gostaria de ser... Assim me fiz... Em minhas andanças...
Há um tempo em que é preciso... Parar e pensar... Qual será nosso destino...
É um tempo de travessia... De tudo que existe... Em nossa vida...
Mais cedo ou mais tarde... Os sonhos perdem o viço...
Nenhum dia é igual a outro... Cada manhã uma bênção... É preciso viver cada minuto... Uma batida de coração... Seguir os impulsos...
O tempo me traz esperança... O tempo me leva a vida... O tempo está passando...
Alma errante de suspiros profundos...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
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O gambá
#O #GAMBÁ
Armei armadilha... E peguei um gambá... Toda noite era festa em meu forro... Sempre a me atormentar...
Botei linguiça para ser a isca... Se tivesse posto cachaça... Tinha pego político seria outra bisca...
Quando que essa praga vai acabar ? Se não é um gambá... É uma "autoridade" para mentir e roubar...
Bicho feio, esquisito... Igual a político...
Só anda aprontando... Se eu reclamo... Sai rosnando...
Hoje fica na gaiola... Amanhã dou sumiço... Levo para bem longe... Solto com um sorriso...
Esse mamífero... Posso até soltar sem perigo... Mas o político... Desconfio...
Sei que aqui ... Não mais há de voltar... Mas o diplomático... Que de 4 em 4 anos se mostra simpático... Tenho medo e lido com cuidado...
O bicho feio... Com medo fede... O oficial público me dá medo... E até me estremece...
É tanta falsidade... Minha gente , vou dizer... As vezes prefiro o gambá... Do que outros safados... Que a gente tem que também prender...
Amanhã eu solto... Lá perto do ribeirão... Enquanto do outro passo longe... Bem de largo... Não aperto a mão...
Tenho certeza... Vou dizer... Amanhã à noite... Armo outra armadilha... Pego mais gambá ordinário...
Mas de político safado... Passo longe... Não sou otário...
Sandro Paschoal Nogueira
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O feitiço
#O #FEITIÇO
Se despiu diante da lua... Banhou-se de alecrim e manjericão... De negro se vestiu...como a escuridão...
Traçou símbolos antigos... Há muito perdidos... Para invocar deuses esquecidos... E tê-los consigo...
Jogou um feitiço... Com leve sorriso... As chamas murmuravam e gemiam... Enquanto assim dizia:
_ Desde outrora em que nasci... _ Deste mundo a desventurar... _ De olhar perdido além mar... _ Projeto estrelas na alma que quero ver... _ Em noites de lua busco a resposta ... _ Do amor que desejo ter...
E sem acreditar no que via... O que aconteceu... Raios cruzaram o ar... Desfazendo o breu...
E assim o feiticeiro... Cruzou os varais dos tempos... Antes do raiar do dia...
Contudo... O destino reservava uma surpresa... Que somente o espelho revelou...
O feitiço maior que se fazia... Era em todas as manhãs... Se vestir de graça e de encanto...
Pois a noite tece seu encantamento mágico... Em tempo e hora bem-vindos... Quando quem você ama está próximo... É esse o maior de todos feitiços...
Sandro Paschoal Nogueira
http://conservatoriapoeta.blogspot.com
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Janela para o amanhã
#JANELA #PARA #AMANHÃ
Existem manhãs em que abro a janela... E tenho a impressão de que o dia me espera...
Tudo está certo, no seu lugar... Cumprindo o seu destino...
O astro brilha... Em um céu de profundo azul... Às vezes, um gavião passa... Voando sobre as pedras da cidade da serenata...
Cachorros indolentes pelas ruas... Gente que sobe, que desce, que passa... Alguns cumprimentam... Outros não dizem nada... Alguns chinelos arrastam... Outros de passos firmes compassados...
Canários que brincam na areia... Gatos sonhando com pássaros... Tudo se torna então... Um momento mágico...
Sob a sombra da árvore que me encontro... Em minha calçada as estrelas no chão agora dançam... Lembro de nomes de seresteiros... Que em paz já descansam...
Em noites tão longes... Já foram reis... Cantavam amores à lua... Foram grandes menestréis...
Fico a sonhar de leve em muita coisa bela... De olhos fechados eu sonho... Me entrego...
Minha alma cativa se liberta... Fugindo pelo universo à fora... Não existe o tempo... Não existem mais as horas...
Hoje, eu vejo, que muitos choram sorrindo... A vida passa como um rio... Isso eu compreendo...
Sempre sinto comigo... Deus presente em todos meus momentos...
Assim vou me permitindo... Assim vou vivendo... Entre as flores de meu jardim... Tecendo meus encantamentos...
Pergunto à namoradeira... Que na janela me olha... Quanto tempo dura a eternidade... Como medir a felicidade...
Em seus olhos distantes... Sorriso calado não responde... Diz que já não o sabe... Que perdeu e não sabe como nem onde...
Conta que viveu um grande amor... Daqueles que parecem durar para sempre... Tantas juras lhe foram feitas... Muitas mentiras... Em verdades efêmeras...
Sem mais, nem menos tudo foi esquecido... O fogo foi apagado... E ela a quem o amor foi jurado... Lágrima de dor, derramou... Quando tudo terminado...
Hoje suspirando... Sonha... Debruçada sobre a janela... Sonhadora, já não mais é donzela...
Então, assim me sinto... Eu como nesse dia... Um sonhador... De alma tranquila...
Amanhã, se mais for permitido... Vou aprender de outra forma a olhar... Um dia de cada vez... Para mil formas sempre amar...
Acordou... Mais um dia qualquer... Em sua senda... De viver...
Banhou-se com a luz do dia... Disfarçou sua tristeza em alegria... Foi caminhar... Queria pensar...
Aqui, ali... Lá, acolá... Um bom dia... Bom lhe ver... Estou bem... Como vai você...
Nas pedras suas sandálias faziam barulho... Em seu peito... Um silêncio mudo...
Perto das águas sentou... Com uma flor entre os dedos... Brincou...
Quem assim o visse... Podia supor... Diria o quanto era feliz... Aquele sujeito... Sem nenhum pudor...
Ele em sua solitude... De certa forma era feliz... Não somos as escolhas... Que fazemos? Não é isso que se diz?
A felicidade é apenas um momento... Encontrado no tempo... Às vezes chorar é bom... Lava nosso coração... Nem sempre ostentar sorriso... Mostra a realidade... Soa como falsidade...
Para ele os dias passam rápido... Mesmo diante da rotina... Massacrante...
Ele bem sente... A grande maravilha... No insistir... Da vida...
Quando uma pequena semente... Luta por viver... Quando uma flor abre... Quando um pássaro voa... Quando o sono vem... Quando sonha...
Sua filosofia... Seu modo de viver... É bem simples... Isso posso dizer...
Tudo o que está em cima... É igual ao que está embaixo... Sempre perseverando... Enquanto os anos vão passando...
Há tantos mistérios... Esconderijos na alma... Algumas verdades incertas... Enquanto outras nos liberta...
Suas verdades nem sempre são certas... Mas fala o que pensa... Porém nem todo mundo aceita...
Assim, segue em rumo ao indefinido... Procurando nas estrelas... O que mais de puro... Guarda consigo...
Inocência ainda... De um menino...
Sandro Paschoal Nogueira
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Tudo dentro de mim
#TUDO #DENTRO #DE #MIM
Como sair de um erro sem cometer outro? Possa, talvez você, me dizer...
Lidar com o pensamento profundo... Na mão, um copo de um belo vinho...
Esperando o próximo minuto...
Somente os meus pés marcam essa estrada... E mais uma noite, mais um pouco... O silêncio chama por mim para me acalmar... E o medo que eu tenho, faz-me pensar...
Não demores muito pra chegar... Quem, mais do que eu, pronto a essa loucura me entregar?
Tardei em maldar a vida... Hoje os sonhos não me satisfazem... Tentei negar os sentimentos... Em acreditar que não era o fim...
Me machuquei tanto... Com tanto medo do vazio e da ausência...