Acomoda-me junto aos seus sonhos, não mais medonhos
Ganhamos infância, nossos dias incendeiam
Quando coloco à mesa mais bonito não há
Meu chá das quinze horas
Fico a esperar-te
Como a passagem de um livro
Fico presa neste capítulo
Não quero avançar
Quero reviver-te quantas vezes forem precisos
Reler-te até meu chá esfriar
380
Despreocupada
Aqui nessa visão privilegiada Sentada à mesa na calçada Posso observar cada rosto que passa Eu, mal vestida e despreocupada, Não me importo com o tempo que passa Estendo minhas pernas sobre a cadeira Quase uma preguiçadeira Sinto descer gelado o malte fermentado Minha indisciplina, minha regra Se meus dias estão alheios a minha vontade Sigo despreocupada, não posso fazer nada Minha alma segue leve, quase embriagada Meu olhar quase tático Entrega o que tenho para compartilhar Meu silêncio, minha verdade Falei tudo que tive vontade Agora se foi de verdade A distância entre você e meu mundo Só quando vc pular o muro Vai saber...
425
Deserto
O combinado era não esperar Sem expectativas, sem prenuncias Bastava caminhar sem se importar Logo, o dia findaria E o tal amor cessaria Por muitas vezes argumentamos Pontuamos aonde poderiamos chegar Mas perdi o controle e agora tu me culpastes Em meio a esse deserto Estava ali, parada aguardando a direção do vento Olhei muitas vezes ao redor Nada além do branco existia Me retratei, e tentei seguir em frente No presente tão ausente Não sentia meus pés ao pisar Eram passos e mais passos E não saia do mesmo lugar O combinado era não esperar Sem expectativas, semprenuncias Bastava caminhar sem se importar
448
Sorte
Sinto-me livre quando estou aqui Digitando palavras perdidas em mim Como se estivesse encontrando moedas pelo chão Com sorte, preenchendo os segundos. Queria poder te dizer como me sinto quando estou contigo Quanto sua boca é minha Quanto seu suor é meu como vejo suas costas arrepiar Quando desfaleces ao meu lado fico aqui, catando as palavras em mim. Como me ausentasse do presente Deslizando nas memórias recentes Relembrando como é te ver sorrir Reproduzindo cada movimento. Queria poder te dizer como me sinto quando estou contigo Mas fico aqui me divertindo Relembrando o quanto é diferente Quem sabe sejas amor Quem sabe sejas um exagero Quem sabe sejas meu...
385
Vagalumes
Não me iludo Apenas fico muda Quando lembro do seu beijo E fico a vagalumear... São lembranças acesas na memória Recente de quem se fez presente Sem titubear...
412
Contigo
Expressar meu amor nem sempre é fazer o óbvio Sei que sou egoísta, distraída, e sem jeito Mas meu amor é verdadeiro, quase um devaneio Não fico ao meio, estou contigo por inteiro
439
Autocura
Em processo de cura Na a miúde conduta De não ler mais os versos seus Sigo triste tormento Seus escritos estão sobre a mesa O vento desfolha suas páginas Me concentro Retomo a conduta Mudo a direção do olhar Respiro fundo É um vício, sinto meus nervos saltarem Espalhados no inconsciente Da memória presente Corro ao seu encontro Mais uma vez falho Seguro contra o peito Seus versos, devaneios Parace que vou me alimentar Acalentar um coração Que sofre de abandono Rascunhado por você Sofro mais uma vez com orgasmos múltiplos Garrafa vazia, na penumbra desta sala Entorpecida com a força que usaste na caneta Preenchendo cada espaço em branco das folhas Durmo então.
548
Interior
Interior
Carrego comigo a certeza que o encontrarei
Procuro-te, olho a cada nova esquina
Esbarro em ombros na calçada
Sigo em frente sem dizer nada
Certas vezes sinto-me cansada
Busca que parece não cessar
Sem ser ouvida, ao menos compreendida
Sigo em frente sem ter nada a dizer
Decido viver como se você já estivesse aqui
Olho para o mundo e vejo
Abro a janela do presente
Descortinaram-se as memórias
Pinto as paredes do meu corpo de vermelho
Cuido minuciosamente do meu interior
Encho-me de vida, limpo toda mágoa ou rancor
Forro a mesa com gratidão
Perfumo a sala com honestidade
Meu olhar ganha a amplidão
Acendo as luzes na penumbra do meu ser
Eis, que agora, chegas você.
275
Ai amor
Ai amor, eu vivo no Arpoador Lançando meu olhar no horizonte cor de rosa Banhado pelas águas salgada, as vezes dourada Pensando no que passou...
Ai amor, eu vivo no Arpoador Rindo acompanhada das pedras Escolho uma e a faço companhia Que me faz lembrar do nosso dia a dia...
Ai amor, eu vivo no Arpoador Segurando um galho seco e riscando o chão Desenhando meus dilemas, enquanto sinto a brisa bater...
Ai amor, eu vivo no Arpoador Relembrando cada momento, tormentos Que não me deixa esquecer o que passou... Ai amor, eu vivo no Arpoador
335
Arnaldo
Disseram que você partiu Estou aqui nessa sala sem saber o que falar Minha voz presa, palavras secas me engasgam Tinha tanto para lhe falar, mas você partiu Sinto você vivo aqui dentro de mim Meus dedos percorrem esse teclado Buscam palavras para homenagia-lo Gostaria de lhe falar sobre a fotográfia que vi Perdida na parede de um botequim Era uma foto do Rio, Santo Cristo Mas disseram que você partiu Gostaria de lhe falar sobre o texto que escrevi Falar da chuva que caí, enquanto tirava notas e melodias Mas você partiu... Que sua viagem seja tão viva quanto suas palavras Que tenha tantas cores quanto sua fé Que tenha tanta alegria como seus dias Que siga com a mesma paz que trouxeste a nós Que o entusiasmo de sua alma permaneça entre nós Vá em paz amigo...