Poderia hoje me perder nas horas Falar do que silencia em mim Do mundo que segurei em minhas mãos Numa distração caiu, se partiu. Poderia hoje ficar bem aqui Procurando a paz em mim De tudo que um dia vivi Me distrai, entorpeci. Quando adormeço me sinto imortal Não existe à busca nem o caos Apenas um sonho banal Uma intuição, transportação Pela madrugada, confissão Ninguém sabe, ninguém viu Essa magia que externa Da voltas e caí em mim Poderia ontem ter me perdido nas horas Ter ido embora sem demora Mas estou aqui falando o que se passa O que silencia em mim Clandestino que sufoca Me desequilibrou e a fez partir Virou a ampulheta Fez cair a areia No espaço infinito do meu ser Soprou o vento e a jogou No mar profundo, amor.
304
Rede
Tentas me reproduzir Desenhar meus traços Circular cada passo Tentas me imobilizar Entender nos causam tormento Mas, entre vc e eu, existem Cristal, touch, bytes Conexão de alta geração Um sorriso curto Dedos perdendo digitais Horas a fio se perdendo E estamos imóveis Atravessando à barreira fria cibernética Que não nos deixam muitas brexas Ed Sheeran em Perfect Vou te encontrando... Já são quase onze horas Preciso voltar a realidade Te jogo embaixo do travesseiro Quase um suicídio, proterido Vou me indo...
259
Nesta manhã morri em mim
Mais uma vez o sonho acabou Desci do teu carro e não olhei para atrás Ouvi você se distanciar, e levou consigo meu sonho Tentei ser forte, tentei não chorar Senti minha alma se rasgar Fingi que estava tudo bem Que foi apenas casual Um passo de cada vez para seguir com minha rotina Nunca foi tão longa a subida naquela passarela O peso de não poder olhar para atrás Ter que seguir em frente, ser forte Quase me levou a morte Senti os segundos parar Metrô cheio, pouco espaço para o peso morto Meus pensamentos voaram para longe E não voltaram mais para mim Estão todos perdido, sem fim
209
Perigo
Me refugio na poesia Não me atento a hora Se já deram onze da matina Ou se estou perdida na esquina Quando sinto que estou em perigo Sinto a morte, medo, quase suicidio Corro para a janela branca Me jogo e vejo tinta Muitas estrelas rascunhadas Estão jogadas na calçada Está lá mais um corpo atirado Mais uma de mim acaba de morrer Deixo as minhas cascas jogadas Já estão empoeiradas Cascas, corpo, estrelas O peso de viver acaba de renascer Em um novo amanhecer
204
Trilhar
Faça da sua vida a grande trilha, caminhar mesmo quando o chão estiver úmido e escorregadio, nas costas carregar o peso da experiência e ergue a cabeça e olhar sempre em direção ao cume mais alto! Celebrar a vida a cada passo dado, sorrir quando o suor escorrer, contemplar ao seu redor sempre que parar para descansar e manter a serenidade dentro de vc. E.S.
213
Desencarne
Sonho que caminho sobre folhas secas Numa tarde de inverno e estou bem agasalhada O barulho que faz ao pisar sobre elas Me traz um sentimento pueril Estou sozinha nessa estrada O vento toca meu rosto Trazendo a certeza que sigo na direção certa Com minhas mãos no bolso, ah! estou usando touca! Sinto a paz me invadir Na beira dessa estrada tem uma parte acidentada Logo, escuto um riacho Não consigo acreditar, corro para ver E lá está... água cristalina fluindo entre as pedras Fico ali parada, entre pedras água e estrada Como foi longa minha jornada Parece que tenho de ir embora É chegada a hora. Fecho meus olhos, me preparo e reabro E ainda estou aqui...
318
Estrangeira
Lembro-me que quando me perguntastes por quê era tão distante Refurtei no primeiro momento, não queria ser um tormento Como explicar a distancia que carrego em mim Sou estrangeira nessa vida, trago comigo outro dialeto Por mais que viaje não chegarás nem perto Venho de um lugar que também desconheço Não sei nome das ruas que percorri para chegar aqui Quais foram as experiências que formaram esse Eu Sinto saudades em momentos inoportunos E só passa quando fecho meus olhos e medito Como me transportasse para outro mundo E lá tenho afago, me sinto segura Não existes nomes, referências ou mesmo algo palpável Existe apenas Eu... Sim, vivo distante de tudo que o cerca Meu olhar sobrecarrega Gostaria de poder te explicar de onde vim Mas estou perdida em mim.
187
Mora em mim
A poesia que mora em mim Foi cultivada entre flores e alecrim Poesia doce, que me afaga Deitada ao relento desse jardim
A serenidade que me traz Carrega meu olhar de amplidão Caminho sem pressa para me encontrar Carrego apenas a certeza de chegar
Distraida tropeço em pedras Ralo meus joelhos Bagunço meu cabelo Ainda sim tenho a certeza que hei de chegar
No cume da realidade Abrindo meus braços sobre a insanidade Deslizando sobre a moralidade Me jogando na imensidade Me perco em seu olhar Sabendo onde vou chegar