Lista de Poemas

Em branco

Em branco

 

A ponta da caneta que bate

Inquieta sobre a folha de papel

Entediada sempre das mesmas palavras

Sem encanto, quase um cobiço

Ultrajada de meus sentimentos

Quadrados e limitados

Forçosamente robotizados

Não diz a verdade

Tão pouco ter cores variadas

Tédio na cor azul

Entre rascunhos de uma vida que não se viveu

Cansada traça garranchos

Lança palavras sem compromisso

Não existe confissão, malas ou viagem

Apenas a mão cansada

Privada de ser tocada
295

Distração

Poderia hoje me perder nas horas
Falar do que silencia em mim
Do mundo que segurei em minhas mãos
Numa distração caiu, se partiu.
Poderia hoje ficar bem aqui
Procurando a paz em mim
De tudo que um dia vivi
Me distrai, entorpeci.
Quando adormeço me sinto imortal
Não existe à busca nem o caos
Apenas um sonho banal
Uma intuição, transportação
Pela madrugada, confissão
Ninguém sabe, ninguém viu
Essa magia que externa 
Da voltas e caí em mim
Poderia ontem ter me perdido nas horas
Ter ido embora sem demora
Mas estou aqui falando o que se passa
O que silencia em mim
Clandestino que sufoca
Me desequilibrou e a fez partir
Virou a ampulheta
Fez cair a areia
No espaço infinito do meu ser
Soprou o vento e a jogou 
No mar profundo, amor.
 

298

Ponte


A ponte

 

Antes que pudesse entender

Fui advertida sobre você

Disseram-me que chegarias sem avisar

Preparam-me para não cair em sua armadilha

Fique cabra macho

Faca presa na cintura

Pensamento centrado

Longe do mundo encantado

Peito envolvido por aço

Mataram-me de forma bruta

Meu olhar despe qualquer moralidade

Deixas seu corpo suado

Sem qualquer loucura

Minha vida tornou-se dura

Estou crua, na rua

A lua quem abriga-me

A ponte quem desafia-me

Inclino-me para a frente

Cabeça ergo, vou contente

296

Rede

Tentas me reproduzir
Desenhar meus traços
Circular cada passo
Tentas me imobilizar
Entender nos causam tormento
Mas, entre vc e eu, existem
Cristal, touch, bytes 
Conexão de alta geração
Um sorriso curto
Dedos perdendo digitais
Horas a fio se perdendo
E estamos imóveis 
Atravessando à barreira fria cibernética
Que não nos deixam muitas brexas
Ed Sheeran em Perfect
Vou te encontrando...
Já são quase onze horas
Preciso voltar a realidade
Te jogo embaixo do travesseiro
Quase um suicídio, proterido
Vou me indo...


243

Nesta manhã morri em mim

Mais uma vez o sonho acabou
Desci do teu carro e não olhei para atrás
Ouvi você se distanciar, e levou consigo meu sonho
Tentei ser forte, tentei não chorar
Senti minha alma se rasgar
Fingi que estava tudo bem
Que foi apenas casual
Um passo de cada vez para seguir com minha rotina
Nunca foi tão longa a subida naquela passarela
O peso de não poder olhar para atrás
Ter que seguir em frente, ser forte
Quase me levou a morte
Senti os segundos parar
Metrô cheio, pouco espaço para o peso morto
Meus pensamentos voaram para longe
E não voltaram mais para mim
Estão todos perdido, sem fim


202

Trilhar

Faça da sua vida a grande trilha, caminhar mesmo quando o chão estiver úmido e escorregadio, nas costas carregar o peso da experiência e ergue a cabeça e olhar sempre em direção ao cume mais alto! Celebrar a vida a cada passo dado, sorrir quando o suor escorrer, contemplar ao seu redor sempre que parar para descansar e manter a serenidade dentro de vc.
E.S.
210

Perigo

Me refugio na poesia
Não me atento a hora
Se já deram onze da matina
Ou se estou perdida na esquina
Quando sinto que estou em perigo
Sinto a morte, medo, quase suicidio
Corro para a janela branca
Me jogo e vejo tinta
Muitas estrelas rascunhadas
Estão jogadas na calçada
Está lá mais um corpo atirado
Mais uma de mim acaba de morrer
Deixo as minhas cascas jogadas
Já estão empoeiradas
Cascas, corpo, estrelas
O peso de viver acaba de renascer
Em um novo amanhecer
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Estrangeira

Lembro-me que quando me perguntastes por quê era tão distante
Refurtei no primeiro momento, não queria ser um tormento
Como explicar a distancia que carrego em mim
Sou estrangeira nessa vida, trago comigo outro dialeto
Por mais que viaje não chegarás nem perto
Venho de um lugar que também desconheço
Não sei nome das ruas que percorri para chegar aqui
Quais foram as experiências que formaram esse Eu
Sinto saudades em momentos inoportunos
E só passa quando fecho meus olhos e medito
Como me transportasse para outro mundo
E lá tenho afago, me sinto segura
Não existes nomes, referências ou mesmo algo palpável
Existe apenas Eu...
Sim, vivo distante de tudo que o cerca
Meu olhar sobrecarrega 
Gostaria de poder te explicar de onde vim
Mas estou perdida em mim.
182

Desencarne

Sonho que caminho sobre folhas secas
Numa tarde de inverno e estou bem agasalhada
O barulho que faz ao pisar sobre elas 
Me traz um sentimento pueril
Estou sozinha nessa estrada
O vento toca meu rosto 
Trazendo a certeza que sigo na direção certa
Com minhas mãos no bolso, ah! estou usando touca!
Sinto a paz me invadir
Na beira dessa estrada tem uma parte acidentada
Logo, escuto um riacho
Não consigo acreditar, corro para ver
E lá está... água cristalina fluindo entre as pedras
Fico ali parada, entre pedras água e estrada
Como foi longa minha jornada
Parece que tenho de ir embora
É chegada a hora.
Fecho meus olhos, me preparo e reabro
E ainda estou aqui...
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Mora em mim

A poesia que mora em mim
Foi cultivada entre flores e alecrim
Poesia doce, que me afaga
Deitada ao relento desse jardim

A serenidade que me traz
Carrega meu olhar de amplidão
Caminho sem pressa para me encontrar
Carrego apenas a certeza de chegar

Distraida tropeço em pedras
Ralo meus joelhos
Bagunço meu cabelo
Ainda sim tenho a certeza que hei de chegar

No cume da realidade
Abrindo meus braços sobre a insanidade
Deslizando sobre a moralidade
Me jogando na imensidade
Me perco em seu olhar
Sabendo onde vou chegar


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Comentários (3)

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Dulciney Verediano
Dulciney Verediano

Maravilhoso

eunicespina

me adc no insta spina.eunice

silveira

Ótima poesia. Me reflete.