Sinto-me livre quando estou aqui Digitando palavras perdidas em mim Como se estivesse encontrando moedas pelo chão Com sorte, preenchendo os segundos. Queria poder te dizer como me sinto quando estou contigo Quanto sua boca é minha Quanto seu suor é meu como vejo suas costas arrepiar Quando desfaleces ao meu lado fico aqui, catando as palavras em mim. Como me ausentasse do presente Deslizando nas memórias recentes Relembrando como é te ver sorrir Reproduzindo cada movimento. Queria poder te dizer como me sinto quando estou contigo Mas fico aqui me divertindo Relembrando o quanto é diferente Quem sabe sejas amor Quem sabe sejas um exagero Quem sabe sejas meu...
Não me acho foda, muito menos acima. Apenas permaneço em linear, tal como a brisa que percorre, refresca e te inspira. Que culpa eu tenho se quando vc fecha seus olhos e respira e minha lembrança que te alunica Não me acho foda, muito menos acima. Apenas vivo sem jeito e sigo sem demasia.
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Surto do dia
Estou bem, juro que estou bem Estou surtando só um pouquinho Estou parada aqui controlando a respiração Numa versão de sofreguidão Mas bem... Não existe a grande causa Tão pouco a pequena Nem sei o que existe Mas estou bem... Não vou quebrar a garrafa Muito menos rasgar a cortina da sala Vou ficar aqui parada Esperando um incentivo Vodka está acabando Bateria zerando Sinal indo e voltando Mas estou bem...
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Pedra
Mais um vez estou aqui Parada dentro de mim Abro meus braços e me ergo tentando palmear paredes Não existe luz, nem escuridão, Falta-me a visão. Em minha respiração ressoam ecos, Minha cegueira versos. Versos sem graça, amiúdes Como a onda que repetidas vezes bate na pedra Pedra imóvel, desgastada pela maresia Onde o lodo cobre sua superfície Se torna escorregadia, traçoeira Fixada e intocável Quem se aproxima sofre queda Ninguém mais pisa nessa pedra
E.S. 10/05/18
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Logo eu
Disseram que um dia fui sóbria Com afincamento levei pra longe seus pensamentos Que antes vivera em tormento Sem destino ou direcionamento Logo eu, bicho solto, pés descalços Fala contida e olhar expandido Só queria uma prosa contigo Nem me imagino caminhando acompanhanda Já são tantas pessoas na calçada Que me fazem fatigada... E.S.
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reza
Precisamos nos dias de luta Sonhar, sonhar até sentir saudades Alçar voo em nosso consciente Subdividindo a existência em dias de estio Fazermos nosso mantra, permanecer... Firmes no agora, se permita também ir embora Quando assim for preciso. Todos os dias são bons As nuvens não andam em vão Seguem ingênuas mexendo com nossa imaginação A brisa carregada de magia vai ao seu encontro Basta fechar os olhos e se permitir São tantas coisas em comum Mas nem sempre estará azul... O relógio está quebrado Ponteiros andam atravessados Já nem sei se estou misturando Se estou correndo, se estou atrasada Deixo escapar segredos Já nem sei se vou ganhar, perder... Percebo o novo amanhecer Lá vem o sol nos abençoar Amor vai permanecer Rezo porque tenho fé Rezo para agradecer Rezo pelos que ainda vão chegar Rezo pra Dona do Mar Rezo por esse dia que vai começar Rezo pra proteger Faço esse mantra, um canto Liberto-me do mal que há em mim
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Água que não me sacia
Água que não me sacia
Essa tristeza que me assola Nunca vai embora Insisti que tu vais voltar É a tragédia da minha vida Viver a te esperar Inauguro com fervor Argumentos novos para me convencer Falo no tempo, gesticulo, grito Caiu sentado no mesmo lugar A noite está linda De repente... Doce flauta soa! Me embala, ilumina Meu corpo fala por mim Ginga de uma ponta a outra da rua Mistério se faz presente Já não chora mais meu coração Chora o cavaco! Sussurra o bandolim Entoa as setes cordas do violão Deixo de prosa então Deixo me levar Até a última nota soar
Eunice Spina 25-09-15
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Alma
Sinto saudades de um tempo que não sei se vivi Um sentimento que fecunda minha alma, me fazendo refletir Pensamentos voam em desencontros Se esbarram, mas não se falam Sinto uma multidão em mim Passos desordenados, ecoam risos Eu me calo. Meu olhar desatento percorre cada rosto Procuro entender esse particular, tao singular, que fica fácil expressar Não existe solidão, existe eu em massa Ocupando todos os meus espaços Engraçado... Ainda sobra espaço Eu exito, eu riu Eu desisto de tentar me contar Não sei me fracionar Sou eu pra lá, e também aqui Por mais que eu tente fugir Meu eu não saí de mim Eu me sufoco, eu grito Eu me incomodo, silencio
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Disparo
Nessa manhã escuto o disparo Corro para de baixo da cama Procuro me esconder Medo me consome Fico estática, paralisada Suor escorre em meu corpo Mãos trêmulas, que escondem meu rosto Abrir os olhos e ver Só em pensar Sinto a coluna estremecer Deus até aonde permanecerá Meu medo de estar Se a cada disparo do meu coração Fazem lembrar minha solidão De um dia saber que tudo foi em vão Amor fugiu de mim sem permissão Do que me adianta esconder então?! Vou cometer um suicídio Um amor atroz Vai morrer em mim
406
Lira
Lira
Penso em você, logo fico sem jeito Lembro-me daquele beijo Saudade se faz presente Quais ruas percorre neste carnaval? Meu rosto enrubesce Tormento me aquece Ouço daqui você sendo feliz Saio pelas ruas à sua procura Tentando reviver você Parei no mesmo bar Revi nosso luar Cantei para o tempo Desejei nosso momento Não sei como te encontrar Soa o repique Rasga meu coração Que mal há nesta paixão?! Abro meus braços Me entrego Vivo na lira Ainda chora a flauta de Viriato Meu pensamento me leva até você Como te esquecer...
Eunice Spina 03-07-15
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Cabaré
Cabaré
Olha o vestido dela Vem cheio de mazelas Carrega o azul do céu Quem dirias, foi parar num bordel!
Um sorriso Um corte Um amor A morte Seu cabelo Enforca Seu olhar sufoca.
Deitas com sorriso à mostra De quem não mais suporta Ama o entardecer Na esperança de não mais ver Quem será o próximo a morrer.
Seu embalo Um trago Seu ritmo Outra dose Arrasta mais um anoitecer Como suportar?!
A vejo morrer de amar Lhe cubro com pesar Ouço seu corpo falar-me Procuro seu olhar Busco a razão de estar.