O combinado era não esperar Sem expectativas, sem prenuncias Bastava caminhar sem se importar Logo, o dia findaria E o tal amor cessaria Por muitas vezes argumentamos Pontuamos aonde poderiamos chegar Mas perdi o controle e agora tu me culpastes Em meio a esse deserto Estava ali, parada aguardando a direção do vento Olhei muitas vezes ao redor Nada além do branco existia Me retratei, e tentei seguir em frente No presente tão ausente Não sentia meus pés ao pisar Eram passos e mais passos E não saia do mesmo lugar O combinado era não esperar Sem expectativas, semprenuncias Bastava caminhar sem se importar
Essa tristeza que me assola Nunca vai embora Insisti que tu vais voltar É a tragédia da minha vida Viver a te esperar Inauguro com fervor Argumentos novos para me convencer Falo no tempo, gesticulo, grito Caiu sentado no mesmo lugar A noite está linda De repente... Doce flauta soa! Me embala, ilumina Meu corpo fala por mim Ginga de uma ponta a outra da rua Mistério se faz presente Já não chora mais meu coração Chora o cavaco! Sussurra o bandolim Entoa as setes cordas do violão Deixo de prosa então Deixo me levar Até a última nota soar
Eunice Spina 25-09-15
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Alma
Sinto saudades de um tempo que não sei se vivi Um sentimento que fecunda minha alma, me fazendo refletir Pensamentos voam em desencontros Se esbarram, mas não se falam Sinto uma multidão em mim Passos desordenados, ecoam risos Eu me calo. Meu olhar desatento percorre cada rosto Procuro entender esse particular, tao singular, que fica fácil expressar Não existe solidão, existe eu em massa Ocupando todos os meus espaços Engraçado... Ainda sobra espaço Eu exito, eu riu Eu desisto de tentar me contar Não sei me fracionar Sou eu pra lá, e também aqui Por mais que eu tente fugir Meu eu não saí de mim Eu me sufoco, eu grito Eu me incomodo, silencio
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Cabaré
Cabaré
Olha o vestido dela Vem cheio de mazelas Carrega o azul do céu Quem dirias, foi parar num bordel!
Um sorriso Um corte Um amor A morte Seu cabelo Enforca Seu olhar sufoca.
Deitas com sorriso à mostra De quem não mais suporta Ama o entardecer Na esperança de não mais ver Quem será o próximo a morrer.
Seu embalo Um trago Seu ritmo Outra dose Arrasta mais um anoitecer Como suportar?!
A vejo morrer de amar Lhe cubro com pesar Ouço seu corpo falar-me Procuro seu olhar Busco a razão de estar.
Não mais a encontro Sem alento Me contento.
Eunice Spina 26-04-15
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Perplexa
Perplexa
De que me adianta ter a eternidade Se não sei como viver o dia de hoje Não sei como preencher as horas Elas transcorrem entre meus dedos Silencio invade meu ser...
Ouço o palpitar do meu coração Abro a garrafa, mais um trago. Tudo que tenho é o tormento São suas lembranças tão errôneas Me fazem reviver o que nem pude ter.
Do que me adiantam as horas Se você não está aqui Como brindar a vida Preciso do verdejar dos seus olhos Eles me orientam.
Preciso deslizar nos seus braços Fico aqui presa no afago da sua sombra De um dia ter sido meu descanso Hoje inda uma lembrança De algum dia ter tido a esperança De não ser mais uma que passa.
Eunice Spina 29-06-15
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Inda
Inda
Mesmo que estaja longe dos seus olhos Que seus dedos nao envolvam os meus Que eu pareça fora do seu alcance Nao me deixe partir de dentro de voce Estou aqui sentindo seu coracao pulsar em mim O destino parece brincar comigo Pois cada segundo q vivo Saudade faz doer Mesmo estando longe de voce Meu pensamento vai de encontro ao seu Nao me deixe ir embora Inda quero ver o por do sol contigo Encontrar seu sorriso Me entregar a cada novo amanhecer Faz as pazes comigo Te imploro! Suplico! Nao me deixe ir embora Quero me perder contigo Reencontrar meu caminho Fazer feliz o seu viver...
Eunice Spina 22_10_15
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Momentos
Momentos
Quero chegar aonde está seu pensamento Quero viver um só sentimento Nas brumas de um momento No alento, perdura um sonho Sonho te tocar, sentir No compasso ritmado do meu coração Seguem notas levadas com ardor Sem pudor, espero esse momento Meu olhar transpassa a janela Quanto vale cada momento Se o tempo entoar a despedida Fingida será minha partida Sem respostas Sem Sinais Sem ser compreendida Anuncio minha despedida Já é chegada a hora Sem demasia
Eunice Spina 22-01-15
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Afins
Afins
Peço nesse momento Segundos de silêncio Fecho meus olhos Ouço seu pensamento Saudade me invade Sinto meu corpo responder Onde estará você... Apenas ouço o silêncio Meu coração fica atento Mesmo meu corpo estando longe Ainda sinto você Acho graça nesse instante Apenas um pensamento visitante Me traz a alegria Alegria de viver pensando em você...
Eunice Spina 09-04-15
502
Ficou para atrás
Ficou para atrás
Hoje posso lhe dizer Esperar não posso mais Ontem VC foi embora Hoje quero amar em paz
Amanhã você há de precisar A vida corre, não caminha E VC aí tão fria Vai me procura lá atrás
Não vou te escutar Muito menos te ouvir Hoje a rua está tão fria Só tenho o samba para me confiar
Não acredite que ainda preciso de voce Mesmo quase sem querer Me perdi de você
Porque quando você foi embora Toda prosa, nem olhou para atrás Vaidosa, não precisa mais de mim Fiquei com mal lembrança De viver com sua sombra Hoje deixada para atrás
Pode ajoelhar, rezar e pedir Meu amor você não verá sorrir
Não vou te escutar Muito menos te ouvir Você vai me procurar lá atras
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Desencontro
Desencontro
Fecho meus olhos, respiro fundo Encorajo-me olhar para frente Sinto frio gelar a alma Me sinto só Firmo o passo, sigo Cada lembrança do dia que tive esperança Inda criança, quando ouvia a ciranda Saudades atordoa com a espera Aonde esta aquela que me ensinou a amar Sinto hoje minhas pernas fraquejarem É difícil me encontrar seus olhos cor de âmbar Aonde estará? Preciso parar, recobrar Entender como posso continuar Se você vive Tão quanto dentro de mim Me diz, como ser tão triste assim... Carrego o peso de não saber o que há Se haverás de estar Sigo sem saber como chegar.
Eunice Spina 20-10-15
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Apenas amor
Apenas amor
Hoje sentada nesta sala Vejo paredes brancas, gelam Carrego na memória, consciência O peso de estar sem você Sinto me uma criança, medrosa Que tentou fugir do que nais teme Insistia em não ver, viver Criei uma parede, forte Para separar, o desconhecido e eu, Me escondi, chorei Muitas vezes tentei ficar na ponta dos pés para ver o que estava além Faltou coragem para erguer o corpo Não abri meus olhos, não vi além Por muito tempo não soube o que temia Apenas o medo me invadiu Ate que um dia, triste Ouvi o silêncio invadir a sala Abri as janelas dos meus olhos Descortinaram use as memórias Lembranças iluminaram meu ser Tudo o que sempre temi Foi o que mais amei Meus fantasmas, minha dor Era relutar comigo mesma Saber que te perdi Com medo de apenas ter Entre o fracasso e medo Definhei em amor, moléstia Me cura, te suplico Me abraça, me faz entender Que mesmo me mantendo longe Estou presa a você.