Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Tantas poesias de amor, Ousadamente tento expressá-lo, Na vastidão de pensamentos, Intenções, gestos e gostos, Identidade de amores confessos.
Olhares apaixonados são cartas de amor, Abraço invisível do desejo namorado, Ao tato do primeiro encontro, A luz da lua de uma noite perfeita, Ou do escaldante sol do meio-dia.
Quem sabe na correria pausa do destino, Encontros afeitos de sonhos Talvez sob uma música, Alguma coisa sem sentido, Peripécias do anjo cupido, Flechando corações despercebidos.
Muitas palavras num simples olhar, Aqui e ali majestosa emoção silenciosa, Fazendo o corpo tremer baixinho, Suave voragem perda do tino, Canção dos lábios ao precioso destino, Pérolas da razão e loucura.
Tanto canta o amor em versos, Os poetas e os flibusteiros, Trovadores em seus trajes modernos, Em seus cavalos de ferro, Audazes amantes intrépidos, A garimpar ouro de tolo.
São tantos amores desafetos, Que o amor chora lá fora, Entre paredes silenciosas, Flertando com a morte, Aos prantos pelo amargo fruto, Banquete dos desalmados.
Sirlãnio Jorge Dias Gomes
198
causa
Nula é a vida adiante, Outrossim vazia, Umbrático refúgio, Nebuloso pesadelo além, Encruzilhada do mundo, Cais de rostos abstratos, Vagando sem rumo. Beija a ausência a vaga morte, Escárnio profundo aos tolos, Desalmadas criaturas nuas, Despojadas de si sem aviso, Riso amorfo da despedida, Caluniando a confissão tolhida, Imagem do último olhar, Lágrima a perpétua escuridão.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
214
Epítome
Lá estava eu e a poesia declamando estrelas, Os versos voejavam iguais as borboletas, Beijando a primavera seduzidas pelo perfume, Grato cintilar de beleza majestosa, Idílico céu desenhando pássaros, Imagem dos meus pensamentos.
O tempo é uma cotovia que me encanta, Igual a ela faço meu ninho no chão, Esperança da eternidade do corpo a murchar, Brincando com o relógio matreiro, Rodopiando a alma encabulada, Jogando amarelinha distraída.
Peguei a mão do vento feito menino, Subi correndo a montanha do destino, E quando lá cheguei extenuado, Sentei-me ,espreguiçando-me na beleza; Magnífica paisagem se abriu aos meus olhos, Sorri agradecido de felicidade.
Lá de cima pude ver a pequenez do mundo, Cumprimentando a grandeza do meu espírito, Borbulhando pedras pelo ar feito nuvens, Brincando com o sentido das coisas, Acenando a inocência tocando o infinito, Saltitando entre os astros multicores.
Afinal o que é a vida? Senão um livro de páginas simétricas!? Aqui imerso e nem percebi a alvorada, Vou me despedindo em meus versos brancos, Pintando meus sonhos na ponta do meu nariz, Direção do meu olhar alquebrado de sono.
177
caos
Onde está a loucura? O amor que me beija me escarra, Afinidades metamórficas da morte silenciosa, Desejos escusos ociosos sob a fúria, Tempestade de sentimentos bestiais, Inflando o ego doentio.
Eu te amo muito! Também te amo! És a mulher da minha vida, Você é o homem que sempre quis, O tempo passa... A flor da juventude e das emoções murcham. Onde está a paixão?
Nunca ouvi falar, Na verdade nunca te amei, Era só interesse, Você era linda e agora!? Você mudou tanto! Muitas mentiras maquiadas.
Diálogos homicidas, Objetos masculinos e femininos, Macho e fêmea ferindo-se na igualdade!? Disparidade de uma política suja, Inversão de valores contraditórios, Guerra entre os sexos impostos.
Mercenário amor de faces assombrosas, Infiéis palavras imposturadas, Estupidez aos ouvidos carentes, Vítimas condescendentes de si mesmas, Armadilhas da vida aos sem vida, Matando-se em migalhas venenosas.
Mulheres e homem assassinos, Vomitando seus vazios em suas celas, Procela de almas perdidas, Viciadas em suas íntimas corrupções, Escravizados em suas vaidades famintas, Lamentando-se após o funeral.
Dou-te a flor da dor, Linda promessa simulada, O que não tenho é teu, Até que a vida nos sangre, Réus desta sentença, Condeno-te ao caos alucinante.
487
Unicidade
Meu ser quer escultar a tua alma, Te amar na tua feminilidade constituindo-te, Seduzindo tua essência a cada olhar, Enamorando-se de tua intimidade feito poesia, Rendendo-se aos versos dos teus encantos, A fundir sonhos nas asas do espírito.
Meu ser ao teu amor sossega, Ávido desejo ao teu, Murmúrios do meu coração em teus poros, Singularidade dos nossos pensamentos, Ao preciso prazer reservado, Majestoso conúbio, ósculo do paraíso.
Meu ser é todo teu além do tempo, Recriando estrelas todas as noites, Imagem cintilante do teu sorriso, Quando nossos braços se entrelaçam, Incansável completude de felicidade, Aconchego dos teus lábios beijando-me.
Se faltarem palavras para descrevê-la, Por certo meu ser as inventará, Buscará no infinito os maiores significados, Para expressar a beleza das evidências, Feito um barco a vela apaixonado pelo vento, A velejar no teu mar de emoções.
Meu ser te amará para sempre, Sem deixá-la partir da nossa eternidade, O incompreensível findar da existência, Será a mansão das nossas núpcias infindas, Inspirando o amor entre as dimensões invisíveis, Unidos sob a confluência do universo.
227
Trajeto
Confundi a lua com a noite, Tal era era sutileza do meu pensamento, Como um trem quase sem destino, Beijando as paisagens sem conhecê-las, Sem saber ao certo dos teus segredos, Amontoados em algum canto de tais paragens.
Cada olhar deixava um tom de despedida, Imaginado os sonhos do coração desconhecido, Guardados nas casas a beira do caminho, Quase na velocidade do vento, Embriagado de visões taciturnas, Brindando a vida num cálice de amargura.
Há muito do outro lado, Estradas e labirintos ociosos, Uma viagem de amor e ódio, Refeito sob as ondas do tempo, Malandragem da paixão incompreendida, Rindo-se entre as lacunas dos meus hiatos.
Desejo mais além do arco-íris, Exatamente aquilo que de mim se esconde, Entre as paredes do meu quarto, Muro das minha lamentações noturnas, Redesenhando minh'alma a cada segundo, Contraponto da minha vida em flashbacks.
190
O que faz sentido?
O que faz sentido? Viver vivendo sem saber o que se vive? Amar amando um estranho amor? Beijar os lábios que não te beijam? O que faz sentido? Viver perdido entre os sentidos da alma? Não encontrar-se em meio a tantos encontros? A vida tem tantos sentidos incontidos, Que os sentidos confundem que não tem sentimento, Deixando os ressentidos perdidos em si. Quantos melindres trazem um coração, Se agarrando em coisas sem sentido, Sem sentir os que o sentidos mostram, Nesta existência de sentidos controversos, Tal qual a interpretação usurpada da razão, Cegando os sentidos mendicantes. O que não faz sentido? Ser indiferente a dor do outro, Espelho da nossa própria fragilidade, Sonegada pela nossa hipocrisia, Em nome de uma imagem ofuscada, Pretensioso deleite da afagada imperfeição. Milhares de bocas condenam antes da justiça, Andando em círculo diante dos seus abismos, Supliciando inocentes com seus deuses internos, Infernos de si nos infernos do outro, Cadafalsos em mãos estranhas, Ardilosos sorrisos enfadonhos. Onde estão os sentidos das coisas? Sofismas de muitos ao ossos alheios, Imaterialidade nos ombros cansados, Arrastando-se na estrada caótica da vida, Devorando-se nas esquinas da sobrevivência, Tétrica promiscuidade de sentidos patéticos. O que faz sentido na ilógica humanidade? Nestas lunáticas inconsequentes corridas? Aqui deixo a pena sobre a mesa, Olhando a próxima página em branco, Premissas invisíveis da existência, Sob meus olhos cansados, Antes do meu repouso noturno.
201
Resistência
Te dei amor e me deste cicatrizes, Decepou a flor do meu amor, Me deixando apenas amarguras, Transformou-me num deserto sem oásis, Rasgou minh'alma feito papel, Calou o meu grito sem piedade.
Pesado suplício verteu de ti, Odioso veneno ignóbil vertiginoso, Mácula em meu corpo a ti enredado, Tresloucado sentimento desvairado, Oscúlo de espinhos em minha boca, Agora seca lacerada ao desgosto.
Te dei amor e me reduziste a nada, Alejou a confiança do nosso amor, Este sentimento que agora sei, Nunca tive deste torpe coração, Desejo apenas do meu pensamento, Domado a duras penas de sua infidelidade.
Te dei o que nunca te perteceu, Até a sua falsidade abstrair meus sonhos, Roubando a minha paz iludida, Quebrando o espelho da minha imagem, Fragmentado reflexo da mulher que fui, Buscando forças para prosseguir.
Te dei amor e pego de volta meu tesouro, Renovarei o meu destino a toda prova, Terei ao certo um novo amor, Serei feliz nesta selva de perigos, Mais forte e decidida, A ter o melhor que mereço.
150
Imutabilidade
Convergem as nuances entre o riso e o choro, Dicotomia d'alma errante em sufrágios, Visionando a tragicomédia do espírito, Retalhos do tempo ao ambíguo pensamento, Contrapartida da vida ansiosa, Velejando no mar das preposições.
Abruptamente a peregrinação acontece, Abstrai-se a mente existencial, Indagando seus dilemas interiores, Surreais labirintos emotivos, Advogando sonhos e pesadelos, Ao princípio da conturbada liberdade.
O corpo adormece e amanhece, Ou quem sabe adormece enfim, Tocando a desconhecida sublimidade, Deixando atras de si a saudade, A certeza do dever cumprido, Acima de qualquer paradoxo juízo.
O pássaro bateu as asas e voou, Ultrapassou as nuvens transcendentais, Pousando no infindo jardim, Transgredindo o absoluto silêncio, Sob as vibrações sobrenaturais, Guiado pelo enigmático amor.
218
Inolvidável
Amar é despedir-se aos poucos, Perceber nos detalhes da imperfeição, Os laços sublimes invisíveis do querer, Posto que o amor escuta o coração, Sussurrando eternidades no tempo, Diligência de dois seres em evolução. É aprender com as diferenças, Renascer das cinzas a cada morte, Trazendo a vida no perdão verdadeiro, Amando a beleza das coisas simples, Acariciando o finito saber de existir, Entre a essência e o destino confesso. É abraçar-se ao infinito, Perceber o tesouro do desejo no olhar, Mesmo no entardecer da juventude, Primícias da senilidade no corpo cansado, reminiscência da chama luzidia do amor, Como se houvesse acabado de se apaixonar. É loucura sob as razões de si, Desabrochando todos os dias entre as estações, A cada amanhecer e pôr do sol, Degustando cada momento de felicidade, No imenso vitral da vida gotejante, Regando a flor da memória cortejando a saudade. Amar é amar e amar, Um mar de compilações de histórias, Benemérito dos ancestrais em suas lutas, A certeza de que amar vale a pena, Ilustrando as emoções em cada cena, livro que se fecha e se aventa.