Lista de Poemas

Secular

Entre a lua e o sol,
Converge o ser em peleja,
Celeumas sob castelos voláteis,
Insubstanciais vozes vigilantes,
Berrando a surdez,
Pragmáticos temores soturnos,
Esboços nos olhares fronteiriços,
Fortuita despedida prometida.
Entre o amor e o ódio.
Lamuria a criatura buliçosa,
Devorando sonhos e pesadelos,
Extravasando palavras tempestuosas,
Ao vento de sua respiração ofegante,
Discorrendo sobre o bem e o mal,
Tal qual anjos e demônios,
Disputando o paraíso e o inferno,
Perdido em suas consciências.
Amanhã será diferente reza a esperança,
Fastidioso discurso assombrado,
Pelos fantasmas do século,
Guardiões do tempo,
A observar a multidão entorpecida,
Carregando seus ataúdes invisíveis,
Fartos de obstinações transitórias.
208

Constância

Penso nas flores pétalas do seu amor, 
Jardim dos meus desejos onde se aninha, 
Beijando-me igual a um beija-flor, 
Voluptuoso néctar aos lábios sôfregos, 
Gérmen indizível ao coração enceta. 
Penso na ventura resoluta felicidade, 
Perfume das nossas almas adejantes, 
Feito jasmins em núpcias primaveris, 
Galanteando o sol auspicioso fervor, 
Estampa do idílio sentimento, 
Cortejo infindo enlevo. 
Penso no teu olhar aprazível, 
Benévolo convite adorável, 
Conjurando ao tempo que tarde, 
Lance na eternidade, 
Nosso último suspiro virtuoso.
287

Afetuosidade

Refugia meu amor ao teu em tal desvelo,
Ventura luzindo ao arrebol veneração,
Amando aceso lume enamorada afeição,
Beijo tua alma reluzente delírio impero;

Aquebranto meus lábios ao vertê-los,
Olhando nos teus olhos preciosa razão,
Segue triunfante augusta concepção,
Inocente ritual ao teu zelo;

Prosa a paixão apelo evidente,
Dantes assentida dama prateada,
Miradouro vício afável vertente,

Sensual cascata em flor afagada,
Consorte impoluto aparente,
Revérbero mundo vislumbra amada.



186

Distinção

Do meu coração grafou-se o sonho,
Promessas profanas ingênuas,
Rascunhos em um latíbulo,
Como uma farol ao longe,
Luzindo imitando o infinito,
Esperança dos olhos atentos,
Barca de um intruso viajante,
No oceano das ilusões.
Os pensamentos feitos nuvens,
Voam eletrizados pelo espaço-tempo,
Brincando de esconde-esconde,
Buraco de minhoca das emoções,
Espargindo pela imensa vida,
Ecos da felicidade almejada,
Retórica arfante da coragem,
Tipificando os vencedores,
Além de um dia impreciso.

229

Dicotômico amor

Se hoje sei o que é saudade,
É porque aprendi a te amar,
Entendi que o melhor sorriso,
Brota da imperfeição vivida,
Na capacidade de perdoar,
O concebível da razão,
Peripécias da alma cativa,
Inferindo sob a voz do tempo.
Se hoje o amor ainda flameja,
É porque deleitei-me no incomparável,
Compreendi que amar é singular,
Na fidelidade de uma promessa,
Igual ao jardineiro apaixonado,
Que rega as flores do seu jardim,
E não se importa com as estações,
Pois estará lá para cuidá-las,
Enquanto durar sua vida.
Se hoje valeu a pena,
Foi porque ontem,
Aprendi a ser mais forte,
Refiz o caminho com amor,
Pedrinhas da felicidade,
Juntadas aqui e acolá,
Emendando a amizade resoluta,
No silêncio do primeiro amor,
Certeza do meu fascínio,
Abstração de distrações,
Desígnios da liberdade,
ímpeto de ilusões tardias,
Solilóquios em pretensões.

226

Rendição

Lá fora a chuva cai levemente,
Enquanto olho pela janela,
Sinto seus braços ansiosos,
Colando seu corpo ao meu,
Sussurrando aos meus ouvidos,
Cópula agradável dos seus lábios,
Ao ardente sabor de delícias,
Desenhando no seu olhar,
Ansioso convite ao amor,
Lascívia oportuna do desejo.
A rosa em botão desabrocha,
Perfumando meus sentidos,
Busco cada pétala em flor,
Versejando-a em rimas,
Tal qual a música dos seus poros,
Concupiscência em sinfonia,
Igual ao canto das sereias,
Me arrastando ao seu mar,
Enquanto me caça,
Total avidez em desvario.



255

Crisol

Ao celeste véu apenas uma verdade,
Paz além da cólera que mata,
Amor que anula a ira,
Joia irrefutável do universo,
Alegria acima do dor,
Prova natural da vida,
Visão frágil na fraqueza alheia,
Do infinito bem a ser colhido,
Desejo de ser exatamente o que é,
Na concepção de si,
Batalha sobre os vícios,
Mirando a virtude de braços abertos,
Espelho finito do livre-arbítrio.
Destino nas próprias mãos,
Calejadas pelo caminho,
Rica gratidão pela existência,
Comiseração na imperfeição,
Aos humanos na desumanidade,
Corrompidos na carne que o aflige.
364

A menina furta-cor

Lá está a menina furta-cor
A brincar na pureza de si,
Colorindo a vida,
Com sua luz cativante,
Em seus arcos-iris encantados,
Sorrindo em tons díspares,
Beijos multicoloridos,
versos surreais,
Dos portais da fantasia.
Lá está a menina furta-cor,
Rodeada de prismas infinitos,
Harmonizando os sonhos,
Cromaticidade fantástica,
Dando vida ao seu mundo,
Sem medo de ousar,
Despertando sentimentos,
Inefáveis matizes poéticas,
Tocando o paraíso sutilmente.


260

Ufanidade

Dédalo bravio a tíbia face,
Patíbulo odioso o coração ostenta,
Alfanje da desvairada dor,
Venerável núpcias da morte,
Amável em seus suplícios,
Escárnio zelo aturado.
Golpeia a tez o ocioso destino,
Venenoso afago odioso,
Pavor em vísceras nervosas,
Amargor da língua afogueada,
Inflamando a alma,
Asfixiada ao corpo insolente.
Alimenta-se de verme o orgulhoso,
Carcomido de insana vaidade,
Vestindo a negra tempestade,
Aos berros da própria sandice,
Peçonhento excremento vertido,
Da fétida boca atrevida.







366

Nostalgia

Mágoa sentida embota,
Tolice das emoções,
Velado ao fim chora,
Escondida tristeza gela,
Penoso fardo averno,
Cruel destino amedronta,
Condolência apena aporta,
Eleva sem dó não amena;
Pesar vertido amarrota,
Manando a vida sangra,
Descuido feito coivara,
Certo da cinza se vai,
Perdido em fobias banais,
Bruto sentir desprezado,
Mitigo consolo arraigado,
Igual a folha seca ao chão,
A desvalida sorte deixada,
Agitada ao vento do mundo,
Pelo outono,da árvore banida.
268

Comentários (2)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Zuleica
Zuleica

Palavras que saem do coração

dionesbatista

Belos escritos. Adelante!

Abre a mente ao que eu te revelo e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri) Um homem apaixonado por poesia. Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)