Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Penso nas flores pétalas do seu amor, Jardim dos meus desejos onde se aninha, Beijando-me igual a um beija-flor, Voluptuoso néctar aos lábios sôfregos, Gérmen indizível ao coração enceta. Penso na ventura resoluta felicidade, Perfume das nossas almas adejantes, Feito jasmins em núpcias primaveris, Galanteando o sol auspicioso fervor, Estampa do idílio sentimento, Cortejo infindo enlevo. Penso no teu olhar aprazível, Benévolo convite adorável, Conjurando ao tempo que tarde, Lance na eternidade, Nosso último suspiro virtuoso.
298
Dicotômico amor
Se hoje sei o que é saudade, É porque aprendi a te amar, Entendi que o melhor sorriso, Brota da imperfeição vivida, Na capacidade de perdoar, O concebível da razão, Peripécias da alma cativa, Inferindo sob a voz do tempo. Se hoje o amor ainda flameja, É porque deleitei-me no incomparável, Compreendi que amar é singular, Na fidelidade de uma promessa, Igual ao jardineiro apaixonado, Que rega as flores do seu jardim, E não se importa com as estações, Pois estará lá para cuidá-las, Enquanto durar sua vida. Se hoje valeu a pena, Foi porque ontem, Aprendi a ser mais forte, Refiz o caminho com amor, Pedrinhas da felicidade, Juntadas aqui e acolá, Emendando a amizade resoluta, No silêncio do primeiro amor, Certeza do meu fascínio, Abstração de distrações, Desígnios da liberdade, ímpeto de ilusões tardias, Solilóquios em pretensões.
237
Afetuosidade
Refugia meu amor ao teu em tal desvelo, Ventura luzindo ao arrebol veneração, Amando aceso lume enamorada afeição, Beijo tua alma reluzente delírio impero;
Aquebranto meus lábios ao vertê-los, Olhando nos teus olhos preciosa razão, Segue triunfante augusta concepção, Inocente ritual ao teu zelo;
Sensual cascata em flor afagada, Consorte impoluto aparente, Revérbero mundo vislumbra amada.
195
Distinção
Do meu coração grafou-se o sonho, Promessas profanas ingênuas, Rascunhos em um latíbulo, Como uma farol ao longe, Luzindo imitando o infinito, Esperança dos olhos atentos, Barca de um intruso viajante, No oceano das ilusões. Os pensamentos feitos nuvens, Voam eletrizados pelo espaço-tempo, Brincando de esconde-esconde, Buraco de minhoca das emoções, Espargindo pela imensa vida, Ecos da felicidade almejada, Retórica arfante da coragem, Tipificando os vencedores, Além de um dia impreciso.
238
Sensações
Aporto no cais dos teus encantos, Pulsação simétrica envolvente, Da sua imagem que me revela, Em nossa nudez seminua, Poetizando os rituais do amor, Versos infindos ao fino toque, Melódica paixão assentida. Espero-te em cada descoberta, Adentrando a alma desperta, Linguagem do corpo voraz, A cavalgar nos teus abraços, Este doce regaço aspergido, Nuances amálgama do tato, Estrépito desejo auferido.
249
Rendição
Lá fora a chuva cai levemente, Enquanto olho pela janela, Sinto seus braços ansiosos, Colando seu corpo ao meu, Sussurrando aos meus ouvidos, Cópula agradável dos seus lábios, Ao ardente sabor de delícias, Desenhando no seu olhar, Ansioso convite ao amor, Lascívia oportuna do desejo. A rosa em botão desabrocha, Perfumando meus sentidos, Busco cada pétala em flor, Versejando-a em rimas, Tal qual a música dos seus poros, Concupiscência em sinfonia, Igual ao canto das sereias, Me arrastando ao seu mar, Enquanto me caça, Total avidez em desvario.
265
Crisol
Ao celeste véu apenas uma verdade, Paz além da cólera que mata, Amor que anula a ira, Joia irrefutável do universo, Alegria acima do dor, Prova natural da vida, Visão frágil na fraqueza alheia, Do infinito bem a ser colhido, Desejo de ser exatamente o que é, Na concepção de si, Batalha sobre os vícios, Mirando a virtude de braços abertos, Espelho finito do livre-arbítrio. Destino nas próprias mãos, Calejadas pelo caminho, Rica gratidão pela existência, Comiseração na imperfeição, Aos humanos na desumanidade, Corrompidos na carne que o aflige.
376
A menina furta-cor
Lá está a menina furta-cor A brincar na pureza de si, Colorindo a vida, Com sua luz cativante, Em seus arcos-iris encantados, Sorrindo em tons díspares, Beijos multicoloridos, versos surreais, Dos portais da fantasia. Lá está a menina furta-cor, Rodeada de prismas infinitos, Harmonizando os sonhos, Cromaticidade fantástica, Dando vida ao seu mundo, Sem medo de ousar, Despertando sentimentos, Inefáveis matizes poéticas, Tocando o paraíso sutilmente.
269
Nostalgia
Mágoa sentida embota, Tolice das emoções, Velado ao fim chora, Escondida tristeza gela, Penoso fardo averno, Cruel destino amedronta, Condolência apena aporta, Eleva sem dó não amena; Pesar vertido amarrota, Manando a vida sangra, Descuido feito coivara, Certo da cinza se vai, Perdido em fobias banais, Bruto sentir desprezado, Mitigo consolo arraigado, Igual a folha seca ao chão, A desvalida sorte deixada, Agitada ao vento do mundo, Pelo outono,da árvore banida.
279
Desatino
Sussurram as trevas,
Argênteos lábios fervorosos,
Acolitando vendavais,
Brincando de esconde-esconde,
Entre os becos da alma,
Efígies da fria morte.
Arde o fogo na garganta,
Embargo da voz doída,
Vergando aos golpes,
Açoites da vida tíbia,
Estes pés descalços,
Feridos de espinhos,
Andarilhos ignotos,
Andando em círculos,
Vertendo sangue,
Sob olhares atônitos,
Néscios em seus claustros, Embevecidos de loucura.