Abre a mente ao que eu te revelo
e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência
ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri)
Um homem apaixonado por poesia.
Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)
Corpos que se procuram, Versos entre os poros, Constelações sob a noite, Imitando os lençóis brancos, Repouso pleno dos cânticos, Vibrações da virtuosa pele, Enlaçada aos portões da alma, Inaudito jardim invisível, Exalando perfume ansioso. Desabrocha a rosa ao suntuoso beijo, Fiel desejo a lubricidade afoita, Distinto fogo regido, Queimando o caprichoso amor, Apaixonado em seus codinomes, Copiosa flama dos desejos, Embarcando amantes, No imenso mar das ilusões.
Sirlânio Jorge Dias Gomes
252
Recomeço
Após tanto tempo as flores brotaram, Haviam murchado quando você partiu, Levando meu coração em sua ausência, Estremecendo minh'alma de solidão, Deixando nas lembranças lindos momentos. O brilho da lua tornou-se ofuscado, Todas as vezes que eu olhava o céu, Sentindo na memória o gosto do seu beijo, Alegria dos meus lábios desejosos, Cada vez que estávamos juntos. As coisas mudaram com o tempo, Seus olhares se tornaram distantes, Sem o brilho do primeiro encontro, E a leveza que tantas vezes dividimos, Se perdeu no meio do caminho, Nos lugares mais incríveis de nós. Até que um dia o sol se pôs, A escuridão tomou conta de mim, Ao dizer-me que iria embora, Começar uma nova vida, Não me amava mais, Virando-se de cabeça baixa, Partiu sem olhar para trás, Sem nenhum arrependimento. Meu mundo desabou, Prossegui te amando até aqui, Onde um novo amor floresceu, Recuperou meu sorriso, Devolvendo-me a felicidade, Que outrora havia ressequido, Quando me perdi no seu desprezo.
221
Atração
O meu corpo dança no teu, Se abre feito flores na primavera, Cujos poros serpenteiam entre si, Cadenciando as emoções ditosas, Beleza do olhar marcado, Sinal fogoso da paixão vertida. O seu corpo se abrasa, Nossos braços se abraçam, Ventura lábil ao que se ostenta, Rosácea poesia lasciva, Cícios melódicos em harmonia, A versejar os ais silenciosos, Encantos carnais beijando a alma. Brada a concupiscência atrevida, Nesta viração tempestuosa, Provocante solstício rebuscado, Desenhando no tempo tal furor, Ímpeto adorável afago, Reinventando íntimos sabores.
252
Dicotomia
Pingos d'água sobre minha cabeça, Caindo sorrateiros, Fragmentos da vida feito lágrimas, Sinais de um coração tecido de sonhos, Ilusões transitórias da morte, Óbvios semblantes impetuosos, Travestidos de felicidade. Rasga-se o vento em mil segredos, Adejando vozes aos desatentos, Estropiando as entrelinhas das dúvidas, Pedras da incerteza livres no caminho, Causando seus tropeços quase invisíveis, Atirando a alma no deserto de si, Murchando a flor excitada. A respiração ofegante do medo, Estrangula a humanidade perdida, Indagando a consciência tresloucada, Insultando a casta beleza da existência, Insistindo que voe e redescubra, A certeza da própria voz sem fronteiras.
235
Voracidade
Dedilho o teu corpo Igual as castanholas, Dançando ao ritmo de tua sensualidade, Que me encanta com teus sons flamejantes, Tocando meus ouvidos em luxúria, Incendiando-me aos movimentos de tua fúria, Destra lubricidade suave loucura. Miro os seus quadris alucinantes, Versando o desejo igual ao vento, Soprando o amor em minha direção, Enamorando-me na sutileza da sedução, Enquanto teus braços me devoram, Acorrentando minha lucidez perdida. Tua sede é minha fonte que te sacia, Essa boca que suga minha sensibilidade, Notável ternura avassaladora, Escravizando-me aos teus contentos, Algemas da felicidade aos teus sabores. Nobre senhora dona do meu coração, Meu destino é o violão que tocas, Com estas mãos habilidosas de paixão, Vertendo de mim o que te adoras, Em todo tempo de sua brandura, Certeza do zelo que me devotas.
Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
327
Cobiça
Sob a tempestade do teu olhar te amei, Beijei o desconhecido em teus lábios, Sem medo do que se escondia além do coração, Invólucro da sua beleza selvagem, Poetizando em si o sofrimento, Embalado pelo silêncio em teu ventre. A simplicidade do teu corpo castigado pela vida, Uniu-se ao meu numa fúria emudecida, Acariciando a loucura do estranho desejo, Imerso na pele fogosa cheio de enredos, Tal qual o destino infinito das coisas, Multiplicando a sabedoria em seus desdéns. Tanto encanto num sorriso tímido, Balbuciando os sonhos na esperança, Dançando ao tempo dos vendavais, Peripécias em traços mórficos, Enamorando-se da liberdade atrevida.
Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
320
Magnetismo
Imergi no vosso olhar desejoso, Beijei o beijo que me destes afogueada, Pleno consentimento do coração conciso, Pulsando o íntimo arrebatado de amores, Ao toque vistoso de almas condizentes, Acariciando o inolvidável afeto. Toquei as pétalas balsâmicas de tua bela flor, Exaltando o bom do amor em seus braços, Cadência amorosa impetuoso regalo, Fino deleite entre corpos cálidos, Flertando a libido apaixonada, Reinventando-se na plenitude adornada. Absorvi a beleza em ti exaltada, Vívido convite ao mais lindo sorriso, Ambicionando o sonho indizível, Meneios da explícita saudade, Seduzindo o coerente tempo, Gentil lembrança da intimidade de encantos.
Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
215
Constância
Penso nas flores pétalas do seu amor, Jardim dos meus desejos onde se aninha, Beijando-me igual a um beija-flor, Voluptuoso néctar aos lábios sôfregos, Gérmen indizível ao coração enceta. Penso na ventura resoluta felicidade, Perfume das nossas almas adejantes, Feito jasmins em núpcias primaveris, Galanteando o sol auspicioso fervor, Estampa do idílio sentimento, Cortejo infindo enlevo. Penso no teu olhar aprazível, Benévolo convite adorável, Conjurando ao tempo que tarde, Lance na eternidade, Nosso último suspiro virtuoso.
294
Tripúdio
Segue o amor uivante, Invisível sorrateiro poeta, Viageiro confessor de afetos, Alienando o coração em seus umbrais, Abraseando o juízo evocado, Da alma em rascunhos beijando o corpo. Segue o amor em seus feitios, Abstratos escárnios da carne, Deitados em suas camas vazias, Pálidos confessionários da noite, Trânsito conflito aviltado, Em lençóis frios amarrotados, Embalsamando patéticos amantes. Segue o amor em seus funerais, Enterrando seus postiços, Inidôneos hipócritas da avidez, Sem nome e sem lar, Enlaçado ao infortúnio da ilusão. Segue o amor em seus nomes, Estranheza da porta que se abre, Vertendo de si a ironia chorosa, Emaranhada de medo, Feições póstumas do arrependimento.
Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
300
Afetuosidade
Refugia meu amor ao teu em tal desvelo, Ventura luzindo ao arrebol veneração, Amando aceso lume enamorada afeição, Beijo tua alma reluzente delírio impero;
Aquebranto meus lábios ao vertê-los, Olhando nos teus olhos preciosa razão, Segue triunfante augusta concepção, Inocente ritual ao teu zelo;