Lista de Poemas

Recomeço

Após tanto tempo as flores brotaram,
Haviam murchado quando você partiu,
Levando meu coração em sua ausência,
Estremecendo minh'alma de solidão,
Deixando nas lembranças lindos momentos.
O brilho da lua tornou-se ofuscado,
Todas as vezes que eu olhava o céu,
Sentindo na memória o gosto do seu beijo,
Alegria dos meus lábios desejosos,
Cada vez que estávamos juntos.
As coisas mudaram com o tempo,
Seus olhares se tornaram distantes,
Sem o brilho do primeiro encontro,
E a leveza que tantas vezes dividimos,
Se perdeu  no meio do caminho,
Nos lugares mais incríveis de nós.
Até que um dia o sol se pôs,
A escuridão tomou conta de mim,
Ao dizer-me que iria embora,
Começar uma nova vida,
Não me amava mais,
Virando-se de cabeça baixa,
Partiu sem olhar para trás,
Sem nenhum arrependimento.
Meu mundo desabou,
Prossegui te amando até aqui,
Onde um novo amor floresceu,
Recuperou meu sorriso,
Devolvendo-me a felicidade,
Que outrora havia ressequido,
Quando me perdi no seu desprezo.
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Atração

O meu corpo dança no teu,
Se abre feito flores na primavera,
Cujos poros serpenteiam entre si,
Cadenciando as emoções ditosas,
Beleza do olhar marcado,
Sinal fogoso da paixão vertida.
O seu corpo se abrasa,
Nossos braços se abraçam,
Ventura lábil ao que se ostenta,
Rosácea poesia lasciva,
Cícios melódicos em harmonia,
A versejar os ais silenciosos,
Encantos carnais beijando a alma.
Brada a concupiscência atrevida,
Nesta viração tempestuosa,
Provocante solstício rebuscado,
Desenhando no tempo tal furor,
Ímpeto adorável afago,
Reinventando íntimos sabores. 
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Dicotomia

Pingos d'água sobre minha cabeça, 
Caindo sorrateiros,
Fragmentos da vida feito lágrimas, 

Sinais de um coração tecido de sonhos, 
Ilusões transitórias da morte, 
Óbvios semblantes impetuosos, 
Travestidos de felicidade. 
Rasga-se o vento em mil segredos, 
Adejando vozes aos desatentos, 
Estropiando as entrelinhas das dúvidas, 
Pedras da incerteza livres no caminho, 
Causando seus tropeços quase invisíveis, 
Atirando a alma no deserto de si, 
Murchando a flor excitada. 
A respiração ofegante do medo, 
Estrangula a humanidade perdida, 
Indagando a consciência tresloucada, 
Insultando a casta beleza da existência, 
Insistindo que voe e redescubra, 
A certeza da própria voz sem fronteiras.
228

Lânguido amor

Ao teu amor encanto do meu desencanto, 
Deixo o meu verso triste ao luar, 
Desaguando no silêncio entre o rio e o mar, 
Figura altiva do meu olhar em desalento, 
Desenhando no meu rosto abatido, 
As lágrimas angustiosas do meu leito. 
Aos meus sentidos calou-se o tempo, 
Quando nas estrelas busquei consolo, 
Desejando a morte quase infinita, 
Tão distante e tão próxima, 
Na infinitude do celeste véu, 
Beijando minh'alma íntima flor. 
Ao meu infortúnio sangrei, 
Abracei as pétalas da saudade, 
Virtude do meu coração enobrecido, 
Enamorado das noites silenciosas, 
Cativeiro insano da minha liberdade, 
Embriagado do meu eu libertino. 
264

Cobiça

Sob a tempestade do teu olhar te amei,
Beijei o desconhecido em teus lábios,
Sem medo do que se escondia além do coração,
Invólucro da sua beleza selvagem,
Poetizando em si o sofrimento,
Embalado pelo silêncio em teu ventre.
A simplicidade do teu corpo castigado pela vida,
Uniu-se ao meu numa fúria emudecida,
Acariciando a loucura do estranho desejo,
Imerso na pele fogosa cheio de enredos,
Tal qual o destino infinito das coisas,
Multiplicando a sabedoria em seus desdéns.
Tanto encanto num sorriso tímido,
Balbuciando os sonhos na esperança,
Dançando ao tempo dos vendavais,
Peripécias em traços mórficos,
Enamorando-se da liberdade atrevida.

Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
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Magnetismo

Imergi no vosso olhar desejoso,
Beijei o beijo que me destes afogueada,
Pleno consentimento do coração conciso,
Pulsando o íntimo arrebatado de amores,
Ao toque vistoso de almas condizentes,
Acariciando o inolvidável afeto.
Toquei as pétalas balsâmicas de tua bela flor,
Exaltando o bom do amor em seus braços,
Cadência amorosa impetuoso regalo,
Fino deleite entre corpos cálidos,
Flertando a libido apaixonada,
Reinventando-se na plenitude adornada.
Absorvi a beleza em ti exaltada,
Vívido convite ao mais lindo sorriso,
Ambicionando o sonho indizível,
Meneios da explícita saudade,
Seduzindo o coerente tempo,
Gentil lembrança da intimidade de encantos.

Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
208

Voracidade

Dedilho o teu corpo Igual as castanholas,
Dançando ao ritmo de tua sensualidade,
Que me encanta com teus sons flamejantes,
Tocando meus ouvidos em luxúria,
Incendiando-me aos movimentos de tua fúria,
Destra lubricidade suave loucura.
Miro os seus quadris alucinantes,
Versando o desejo igual ao vento,
Soprando o amor em minha direção,
Enamorando-me na sutileza da sedução,
Enquanto teus braços me devoram,
Acorrentando minha lucidez perdida.
Tua sede é minha fonte que te sacia,
Essa boca  que suga minha sensibilidade,
Notável ternura avassaladora,
Escravizando-me aos teus contentos,
Algemas da felicidade aos teus sabores.
Nobre senhora dona do meu coração,
Meu destino é o violão que tocas,
Com estas mãos habilidosas de paixão,
Vertendo de mim o que te adoras,
Em todo tempo  de sua brandura,
Certeza do zelo que me devotas.

Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
318

Tripúdio

Segue o amor uivante, 
Invisível sorrateiro poeta, 
Viageiro confessor de afetos, 
Alienando o coração em seus umbrais, 
Abraseando o juízo evocado, 
Da alma em rascunhos beijando o corpo. 
Segue o amor em seus feitios, 
Abstratos escárnios da carne, 
Deitados em suas camas vazias, 
Pálidos confessionários da noite, 
Trânsito conflito aviltado, 
Em lençóis frios amarrotados, 
Embalsamando patéticos amantes. 
Segue o amor em seus funerais, 
Enterrando seus postiços, 
Inidôneos hipócritas da avidez, 
Sem nome e sem lar, 
Enlaçado ao infortúnio da ilusão. 
Segue o amor em seus nomes, 
Estranheza da porta que se abre, 
Vertendo de si a ironia chorosa, 
Emaranhada de medo, 
Feições póstumas do arrependimento. 

Sirlânio Jorge Dias Gomes(R)
291

Castelo

Ao universo me fiz ouvir,
Abrindo-me ao amor de suas vozes,
Asas do infinito a brilhar,
Janelas das almas cintilantes,
Beijando o exílio a cada sonho,
Sem medo de peregrinar.
Descobre a noite tais suplícios,
Quando meus vícios confidencia a pena,
Melancólico açoite em seus desertos,
Desabafos letárgicos silentes,
Obséquios dos meus aposentos,
Sondando o coração em desalinho.
Amor entre tantos amores,
Sonda o ser suas sanhas,
Inquirindo a intransigente vida,
Onustos ensaios da essência,
Afrontando a memória temerosa,
Ocultas em seus muros quebradiços.


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Sensações

Aporto no cais dos teus encantos,
Pulsação simétrica envolvente,
Da sua imagem que me revela,
Em nossa nudez seminua,
Poetizando os rituais do amor,
Versos infindos ao fino toque,
Melódica paixão assentida.
Espero-te em cada descoberta,
Adentrando a alma desperta,
Linguagem do corpo voraz,
A cavalgar nos teus abraços,
Este doce regaço aspergido,
Nuances amálgama do tato,
Estrépito desejo auferido.
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Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica

Palavras que saem do coração

dionesbatista

Belos escritos. Adelante!

Abre a mente ao que eu te revelo e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri) Um homem apaixonado por poesia. Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)