Lista de Poemas

Separação

Se falo não me escutas,
Quando me escutas,não fala,
Há uma ironia entre nós,
Um muro de diferenças,
Nesta peleja de verdades,
Do amor doente que não se curou.
Nossa emoções se desencontram,
Nas vontades desiguais,
Forjadas ao longo das revelações,
Desta paixão infiel a toda loucura,
Licenciosos amantes libertinos.
Sigamos sem ressentimentos,
Acolhidos pelo tempo,
A olhar o mundo,
Descobrindo o melhor momento,
Nas definições do acaso,
Em toda aprendizagem percebida.
338

Entre Lençóis

Afagos, sorrisos e beijos,
Acendeu-se o lume,
Inveterada luxúria,
Perfumando o ar,
Trasladado desejo,
Dicotomia louca,
Da razão sem juízo.
Aos poros as intenções,
Desenhadas sob a pele nua,
Duo sentimento afeiçoado,
Eclodindo em sussurros,
Comensuráveis toques,
A rebuscar nossa finitude,
Moldada de encantos.
405

Perplexidade

Meus olhos vertem lágrimas,
Tanto ódio no mundo,
Lugar de desiguais,
Onde a labuta sofrida,
Na noite silenciosa,
Escondem seus ais.
O amor estremece em agonia,
Tanta falta de caridade,
Gentes sofridas pelas cidades,
Estiradas pelo chão,
Algumas pela fome,
Outras pela guerra,
Estas espadas invisíveis,
Em suas vítimas sem nome,
Pois ter um nome não importa,
O que vale é a desonra da honra,
De um feito heroico as avessas.
Sob o sol ou lua,
Almas nuas de sentimento,
Atormentam a paz,
A desolar o pobre ou o rico,
Em suas ambições medonhas,
Demônios enfurecidos,
Travestidos de gente.
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Reminiscências

De longe vejo o rio,
A saudade me aperta,
A sua imagem se apresenta,
Entre flores e árvores,
O seu cheiro,
Me invade num abraço,
Miragem de sua despedida.
Deixo o vento me tocar,
Este frescor que um dia juntos,
Sentimos num longo beijo,
Sob a copa das cerejeiras,
Vislumbre da nossa felicidade.
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Semblante

Contíguo arfar entre arbítrios,
Vértice temporal da liberdade,
Prisma intrauterino da alma,
Pulsação fenecida entre corpos,
A personificar a carne entediada.
Do espelho reverbera pena,
Adejado lume vicioso,
Infesta flor arraigada,
Perfumando mortos,
Estirões emulgentes.
Singular face à terra venera,
Olhares óbvios,
Figuras do subsistir,
Acenando ao fim aguardado.
506

Gestação

Haverás de procurar no infinito,
A beleza das coisas transitórias,
Dimensional destreza do ser,
Em suas concepções inexatas,
Triunfais manobras fortuitas,
Rebuscando o segredo,
Nas entrelinhas da existência.
Germina a semente,
No jardim do invisível,
Regado de flores transcendentais,
Em suas pétalas paradoxais,
A perfumar o despertar,
Na revolução da criação.
506

Desvario

De onde vens selvagem ser,
Neste vácuo pensamento,
Néscio em seus ditames,
Negando a si mesmo,
Antilógico existir em rudeza.
A inépcia tragou o seu juízo,
Hermético cisma na criação,
Repugnância da reflexão maldita,
Do filho infiel em suas prisões,
Lodaçais de ideias difusas,
A devorar seu ego apodrecido.
Rasga-te se não és,
Inconcebível criatura oca,
De boca infecunda neste caos,
Que te consome,
Em seus declínios inconsistentes,
Monstro insolente em seus escrutínios,
Vomitando insanidades,
Duplicação insólita da ignorância.
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Cólera

As tuas trincheiras me cansam,
Me sufocam numa quase morte,
Estas suas armas enferrujadas,
Sujas de tédio,
A espionar o inimigo dentro de mim,
Disfarçado entre as ruínas,
De sua casamata de loucuras,
A espezinhar minha surdez.
Não quero ouvir tua voz,
Nem seus lamentos,
Porquanto não tens parte comigo,
Neste revés do amor que me causaste,
Tire estes pés da minha estrada,
Lance estas botas no lixo,
Também fique por lá,
Com seu sarcasmo podre,
Não esqueças ao fim de tudo,
Estou te sepultando,
No cemitério de suas traições.
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Considerações

Hoje acordei e olhei para o céu,
Sabe o que eu vi?
Nada além de nuvens,
No meu corpo,
Uma moleza gigantesca,
Me possuindo pelos poros,
Fazendo-me espreguiçar,
Olhando para fora da janela,
Sem saber para onde,
Totalmente ignoto.
Adentrei-me à sala,
Liguei a TV,
Deparei-me com o de sempre,
Desliguei-a num instante,
Não desejava aumentar o meu desânimo,
Diante de um cenário nada positivo,
Tragédias difusas,
Tal qual minhas incertezas.
Sem pestanejar,
Acendi um cigarro,
Sentei-me na varanda,
A olhar os transeuntes,
Em suas máscaras de ferro,
Afoitos e corriqueiros,
Em seus traços mórbidos,
Herança da morte,
Em olhares contrafeitos,
De uma subsistência em farrapos.
596

Desembaraço

Sem saber sigo em frente,
Estes medos?
Apenas provações,
Entre as estações da vida,
Se oscilo ou me firmo,
O que importa?
Portas se fecham,
Portas se abrem,
E janelas se fazem,
Na sutileza da alma,
Essência de um despertar.
Se a tempestade furiosa,
Ruir a minha casa tão frágil,
Lutarei para outra construir,
Desta vez mais forte,
Mas ainda sim quebradiça,
Mas que guarda em cada canto,
Os sonhos mais belos,
Os mais absurdos,
Tal qual os pesadelos,
Ali enredados em silêncio.
Não me interrogue a beleza,
Nem tampouco a feiúra,
Das dúvidas vividas,
Pútridas feridas,
Das chagas do meu caos,
Encharcados de sentimentos,
Das minhas lágrimas,
Ou quem sabe do meu sorriso.
O que importa?
Sinceramente não sei,
Mas a estrada é longa,
Destino concebível.
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Comentários (2)

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Zuleica
Zuleica

Palavras que saem do coração

dionesbatista

Belos escritos. Adelante!

Abre a mente ao que eu te revelo e retém bem o que eu te digo, pois não é ciência ouvir sem reter o que se escuta.(Dante Alighieri) Um homem apaixonado por poesia. Tento traduzir os pensamentos na fidelidade que estes me concebem.Não tenho a pretensão de ser poeta,e se por acaso as palavras me metamorfosear em algo parecido,não me culpe;apenas me perdoe.(Sirlânio Jorge Dias Gomes)