Lista de Poemas

Vida inteira


Eu tenho

A vida inteira para escrever poemas

que nem precisam ser lidos

mas escrever é fundamental

enquanto toco nas teclas

diminuo a velocidade

e os espaços em branco

ganham sentido

ninguém merece viver

sem ser preenchido


Não resisto aos impulsos

de alinhar no fim das contas

a cada linha acabada

seja lá qualquer assunto

que escolho enquanto

divago

me encho de vagos

pensamentos

e o que revelo

é um nada

comparado ao que nunca

escrevo


Eu vivo é mesmo

mas nas entrelinhas

Só poucos como você

compreendem o que não se mostra

poema nunca revela

o fim e para o que veio

escrevo mas é meu silêncio

quem fala por letras

que nunca escrevi

só pensei

que sim

559

Esvaziamento lento

Com toda a minha alegria

Que seja feliz SUA VIDA, neste dia

que já nem ONTEM tem mais

és de novo novo


Amanhã...

Talvez será fresco como Imaginas AGORA!!!

a cada gole

com toque de Mestre

Esgrimas com uma xícara


que voa soltando

aromas no AR

que respiras sorvendo

o prazer do negro

que não nos assusta

mais


como é bom

um bom café




506

CAMINHO

Muitos vão
Eu não
Sigo ao invés
no revés...
Dos que vão
pelos trilhos
Carcomidos e polidos
brilhando por fricção
Caminhos conhecidos
na palma de toda mão
Eu vivo e
caminho...
Não olho sequer para o chão
Não por sabe-lo de cor
Mas por senti-lo vivo
Pulsante junto comigo
Todos são
Eu não
Logos... Penso
Logo ESCOLHO
Logo...
EXISTO.
Logo insisto...
em não polir
as pedras do meu caminho
Sou levada
Sou desajustada de rumos
Pré definidos
Sou enfim...
O meu caminho
E caminho comigo
No vivo caminho tão
Fora dos trilhos
Não sou...
Onde todos estão
Sou
Onde todos BRILHAM
Estou
Neste mundo UNIVERSO...
DIVERSOS
INVERSO OU REVERSO
QUE GIRA E RODOPIA
TAL SUFI DE OLHOS FECHADOS
RODANDO E ORANDO
GIRANDO
FORA DE QUALQUER TRILHO
740

Comum

Você se mantém como um

Comum a todos... Sem ser

E ser incomum

é para tantos

Mas causa espanto

A quem quer muito...

não ser

Ser diferente é elevar-se

sem capa de super homem

Os seus trajes

nada sabem

nem avoam

sem você

Mas ha que se SER

Diferente

O comum é não ser

E morre-se sem saber

Que a vida

seria bela

se não fosse tão comum

esse jeito bobo de viver

713

Interconectadas

virtualmente além

Ontem morri

Ri...

E acordei...

cadê você nem pergunto

logo mudo de assunto

Mudo com meu silêncio

mudo e muda você

por isso

minha noite é de dia

e sua noite nunca vem

vez em quando acertamos

e sibrilhamos

no contente

E voltamos para sempre

ao recomeço

que desconheço...

E você?

587

Quereres

Foi meio intenso

aquele dia a noite

ela sem medo

me dizia dela

Enquanto jorrava

em mim

toda a sua confusão

eu de mim

nada diria

ela era

e para sempre seria

a musa do meu

amor

bem dentro de mim

guardada

embalada suavemente

por um tum tum

ritimado

gostoso de se deixar...

Acalentar


então ela sorriu

e os olhos dela

brilharam

eu vi bem aqui

sentada em frente

ao computador

Vi por vias diretas

que penetram células

moléculas

paredes ou seja lá

o que for matéria


mentiras eu não as conto

eu apenas avento

o melhor sempre possível

chamem de encantamento

chamem do que quiser


Pois querer

tem tanto poder

que só os loucos

sabem domá-lo

do bem

do mal

do norte

ou do sul

tudo é um

jeito de amar

Que reconhece quem não


de certo...

está

errado...

virar o mundo do avesso

eu recomendo

passar

antes...

lavar e quarar

deixar o sol penetrar

mesmo em dia

de noite escura


e os racionais me diriam

és louca

e eu lhes responderia...

Como poucas

ousaram SER


Embora não tenham poemas

eles são o que são...

Apenas um sem querer

querendo virar

meu mundo

de ponta cabeça

prá cima

Tem vez

que confundo as rimas

e elas...

riem prá mim

piscam os olhos

cheios de vida

com todas as letras

e logo se calam

se juntam em formação

ficando a minha

disposição

e eu?

Perco sempre a razão

e morro de amor

por elas que voam em revoadas


me diriam

de novo...

Os sãos

a ralhar...

pois o que são só falha

e tudo neles...

repito... ralha

O sol

Só raia

de dia

e eu...

rio junto com as rimas


e eu pacientemente

responderia

Novamente...


O sol de noite

é mais um dia

que escureceu

suas vistas

feito um breu eclipsado

que apaga

a luz

dos muitos loucos

fingidos de sãos

E com toda razão


Valha me DEUS!!!

Como é triste...

ter sempre e sempre razão

Razão é algo esquisito

é sem querer

Ser demente...

que embota

e parasita...

paralisando toda uma vida


Ao ponto

do ponto final

se tornar

um mundo alheio

onde aponto

com o dedo

o fim

que te espera

reticente

entre parenteses

é onde vives

com toda a sua razão


acorda senhor

a corda rebentará

sem hora

de hora prá outra

você vai ter que

renovar

reticente AR


Sair desta casca e morrer

e isso será renascer

por SI parir-se inteiro

de dentro...

No centro

foste concebido

Por DEUS

que as entranhas

agora em SI mesmo

te gestam


És gravido do SI Brilhante

Amante que te

penetrou

seu gozo?

Ainda não ecoou

as dores são contraídas

Pelas posses

do irresistível

que negas

sem saber

sem querer

sem viver

ao certo


viver é tão plenamente

que fluímos de contente


não resistas

se queres viver

uma vida

livre de penas


é fácil...

é só...

É... SI soltar

Apenas!!!










666

Traz para frente


Parece que não esqueço

de pensar...

De trazer tudo prá frente

mas olhe nem é tão simples

há que pensar no caso


Faz tempo que tudo que vejo

se acaba assim que começo

e penso

será porque penso?

Será que pensar é que acaba?


Nem sei o que pensar direito

E vou e volto nos fatos

será que seria certo

caminhar até o fim

e depois volto ao inicio

de onde começo do fim?


Começo a me achar

dispersa

como pode essa conversa

acabar dentro de mim?

Talvez tenho que mudar de assunto

daí então me pergunto...

Seria bom esconder-me

de mim?

Dizendo que isso não é nada


Tem dia que mesmo assim...

Tem noite que nunca chega

quando vou ver...

nem dormi

nem do coma sai


Parece que ando...

de traz para frente

ou será que nem

parti?

E estou em lugar algum

Bem no meio do sem fim?


667

Não sou ainda

Dizem os apressados

que sou isto ou aquilo.

Como sabem com tanta certeza?

Pois eu sei...

Que não sou ainda

Aviso aos navegante e...

Distraídos

Não sou o que pensam

Não sou... Porque não acabei

o que comecei um dia

E enquanto não sou...

Sigo apenas sendo

Um quadro obscuro... inacabado


eu mesma ainda

sou de mim...

um esboço


550

Entre tantos


Perdi o medo de escrever

tudo o que me vem enquanto penso


Sei que não digo nada

e com nada quero dizer... Tanto


Me alegro só em pensar seu espanto

e seus ligeiros arroubos de sem mente...

Sem razão

Pois nada que digo

Não pode fazer-lhe sentido

e com toda razão


Como podem tantas letras

tantas frases e

estrofes...


nada dizerem? E tanto!

de certo... É um grande desatino


E eu rio

pelo não escrito

ditado nas entrelinhas

que é onde nada se escreve

Mas que nos diz tanto... Tanto!!!


Há tanto e tão mal

descrito


Mal ditos que eu

descrevo sem no entanto digitar

a verdade que me motiva

a enfileirar letras sem me preocupar


sem muito pensar

nos erros nem no pouco

que é muito louco


E essa é

uma grande verdade

aqui escancarada


Que muitas vezes

se rimam como certas verdades

Mas no geral muito pouco

e nem tanto

Assim


mas não é poema o que escrevo

e sim o que me expõe a alma

que quer porque quer

me dar um rumo na vida


ela sim é quem me dita

e eu apenas... Publico

minhas meias verdades

confusas


Escancaradas

quando vistas e imaginadas

Enevoando entre as linhas

ligado-as aos entre tantos

indigitáveis por palavras

que preciso compor e inventar

Em dialeto próprio

Muito particular


Indigestos versos publico

que nunca acabam

ao fim de cada comunicação


Leitura sem nexo

cheias de anexos

Sem intérpretes capacitados

Que me compreendam e

Com toda a razão

Sem razão







607

como foi

Foi e sempre foi assim

imaginei que dormia

e acordei para a vida

de pé olhei os meus pés

e vi meus dedos

se espreguiçarem

pensei cá comigo mesma

como eu nunca vi isso?

e eles...

os dez...

se alegram

por terem sido notados

e todos juntos me levaram


para lá mais uma vez

me alegrar...

O sol nos banhou

e meu corpo junto com todos os dedos

incluindo os das mãos

se juntaram...

e eu?

Olhei para os meus pés

com minhas mãos coladas

junto a mais dez dedos...

e os agradeci...

já em êxtase


olhei para o SOL

que me fecharam os olhos

então eu compreendi

o poder

da oração


Meu coração...

Ah...

Se alegrou

e me arremessou

para longe do medo


E eu?

acordei

para a vida!!!

Foi assim

Como foi

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Letras, palavras, frases vazias... voam a toa... pairando em minha volta docemente. Ordená-las de forma gramatical será fatal. Ignorá-las é algo muito além do impossível. Soltá-las... é minha alegria! CONHEÇO-AS de cor e... SALTEADO! Mostro-me em vão... Nos vãos das letras espaçadas. Descrevo o NADA! Nem SOU... poeta Apenas os incomodo!