Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

Perfil
49 285 Visualizações

Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
Ler poema completo

Poemas

82

Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
1 280

O desgastar

A sola do sapato gasto pelo tempo
é apenas mais uma representação
do desgaste de quem o usa,
o tempo tem o poder de gastar a
camada abstrata da alma,
a camada móvel
do gasto
ganho
do desgaste.

1 297

O fim

Tantas coisas acontecem
quando não sentimos mais nada
quantos acontecimentos nos restam depois do fim. 
1 301

Levar-te


Desejo que se engasgue 
comigo 
dentro da tua boca

Engula minha carne
como quem bebe todo o ouro 

Na tua língua 
A política
O vinho
todo o meu corpo

A intimidade é do tamanho dos teus seios
A filosofia da paixão cabe num escarro 
Os encontros nas distrações
A água que mata a sede
Parte da linguagem 

Os dias 
A terra
A luz da janela 
Tuas costas nuas
Todos os ventres. 
1 258

Valores

Tem gente corajoso, 
o menino precisa de muita coragem para aceitar 
que o mundo não vale um centavo, 
com tantas vidas inteiras, mares inteiros, rios se rompendo, 
gente partida ao meio
um centavo não vale, 
precisa de coragem chico para aceitar que o mundo de nada vale, 
poucas coisas valem a coragem. 
1 185

Cartas à Paris

Tentar requer cinismo
depois carne
em seguida travessia
e por fim um corpo comportando o outro.
 

 
 

  


 

1 278

O pecado

O pecado é tão palpável quanto o que há de mais concreto,
é a validação de sermos nós,
o doce no ato,
a selvageria de quem pede perdão,
mas se lambuza de pecar.
1 329

Essência poética

O silêncio da minha poesia
fala bem mais do que meus lábios poderiam gritar,
rasgam bem mais que uma faca e uma navalha juntas
e exalam o vazio do ar.
1 313

O tempo eternizado em segundos

A clemência que te faz ser astuto,
ah, como ninharia as amarguras
ah, como seria minhas longas noites,
tu que me lembra paisagens,
tu que se faz o sujeito abstruso,
ah, se tu me derramasses teu deleite,
ah, se tu carregasses um coração sem farpas.
 
 
Tua garganta é meu confronto,
ah, teu corpo de olor,
ah, tuas manias de deslumbre em tela,
fazer-me enredo de alma perenal,
logo eu, que faço o tempo eternizado em segundos,
ah, pausas dolentes de amor,
ah, genuína face que vive de voltas ao me arrodear.
1 376

Fusão de dois

Nem todas as estrelas nascem no céu
nem todas os lábios movem-se
nem todas as histórias são ditas,
tu que cabes no meu peito
tu que vibra nos meus sonhos,
tu que se faz lar na ponta dos meus dedos
a sede, a catinga, o molhar,
a potência dos nossos corpos.
1 235

Comentários (14)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!