Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

82

O tempo eternizado em segundos

A clemência que te faz ser astuto,
ah, como ninharia as amarguras
ah, como seria minhas longas noites,
tu que me lembra paisagens,
tu que se faz o sujeito abstruso,
ah, se tu me derramasses teu deleite,
ah, se tu carregasses um coração sem farpas.
 
 
Tua garganta é meu confronto,
ah, teu corpo de olor,
ah, tuas manias de deslumbre em tela,
fazer-me enredo de alma perenal,
logo eu, que faço o tempo eternizado em segundos,
ah, pausas dolentes de amor,
ah, genuína face que vive de voltas ao me arrodear.
1 376

Ciência

Se me disserem que existe inocência na poesia,
eu negarei,
existe poesia na inocência,
no entanto não há poesia pura,
pois existe vida, crueza e coisa nenhuma. 
1 198

As andanças


O compassar dos corpos
se fazem na polpa dos dedos,
sabemos que por mais longo que seja o caminho,
o meu regresso é inevitável,
e o gozar dos olhares é tátil,
o tempo é pouco e as aventuras muitas,
as pernas esgotáveis e os rostos traçados,
os pés os mesmos, aqueles que me prendem ao chão. 
1 303

O que não me pinga

Do lábio que toco,
Não me pinga nada,
a não ser a água límpida incolor
que me goteja,
me faz transparecer nas linhas verdes das minhas veias,
que ultrapassam meus anéis prata,
polvilham doçura de um lábio quente,
da pele macia e bruta,
que me encontra na tentativa falha de um entrelaçar de seres frios,
na massiva e orgulhosa áurea,
no qual rouba, esmaga e me beija no final.
1 134

A urgência do tempo

Nunca irei me acostumar com o tempo,
ele me assusta,
eu gosto quando o tempo corre,
mas não gosto de correr junto com ele,
o tempo me assusta mesmo sendo tão belo,
e o quanto ele é desolador e nos arrasta para a solidão,
desmascarando quem somos ao passo que corre,
nos lembrando que a solidão é a urgência de saber quem somos.
1 125

Fragmento existencial

Há tempos sinto meu desprezo pelo o exagero,
o inconexo está em desintegração em meu olhar,
o rio está passando embaixo dos pés de quem o despreza,
o êxtase se encontra escondido numa face estendida,
o abrasamento desse nada atravessa o rio performado por lacunas, 
Chico e Antônia comem e salivam as frutas do mês de estiagem, 
Chico morde a manga, 
Antônia a cospe, 
os dois abominam e sentem sede pela a fruta seca,
a vontade de depreciar-se com o nada é tanta, 
que sua existência é essencialmente a insignificância,
o vazio compõe as palavras que escorrem nos ralos,
o esgoto compreende o chorume, os ratos, as pestes e os poetas,
a martirização ao provar o nada,
o sacrifício sob o que assola a alma,
resguardando a concórdia,
engolindo o delírio das palavras,
que é privilégio do poeta. 
1 295

Seja o nada

 
Medo do nada, o que será o nada?
Se não, aquilo que já sabemos desde que saímos do ventre,
Medo do nada, o que será o nada?
Se não, a imensidão escura que me aguarda,
Medo do nada, o que será o nada?
Se não, as frestas que iremos descobrir numa porta.
 
Não espere que eu adentre um nada,
Ser o nada, resguardar o nada,
É se não, a natureza do homem,
Não é surpresa, não é um grito virginal,
É o que me aguarda, é o que te aguarda,
É a poesia das manhãs,
A dor das tardes frias e a chama de uma noite.
 
O nada, é aquilo que eu não te disse,
Tudo o que tu esperas vir no horizonte,
E não chega se quer, a brisa,
Se não, essa língua que te guarda,
Eu pude enxergar o tudo numa manhã,
Era apenas um ventre,
Capaz de condensar todos os nadas ali,
Que no sopro, se torna uma imensidão, se não, o tudo.

1 170

Quem foges do clarão

Se o clarão da tarde já não te ilumina,
se o clarão do céu já não te serve,
tente a escuridão latente de um dia cinza,
tende as madrugadas frias e agudas,
essas que dizem servir de consolo
a quem não gargalha ao amanhecer do sol,
e nem ao enxergar o fruto.
1 088

Guardo-te

Senti o peito esquentar
vi-te no meu recordar,
guardo-te como quem deixa na gaveta uma foto de quem ama,
guardo-te como quem deseja ouvir o cantar dos pássaros em dias frios.
 
Tu és a geleira que se derrete ao meu respirar,
nas longas estradas que te guardam, sou ventania cortante,
teu corpo que tanto esperei no traço, amarrado no meu pensar,
falo-te por mensagem, olhe o céu, imagine-me ao teu lado.
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Guerra no papel

O movimento dos dedos no papel,
é como uma guerra contra si mesmo,
afagando o peito na vertigem da aceitação.
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Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!