Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

82

O quase instante

Todos nós temos um quase instante,
daqueles que não poderiam ser quase,
típico momento em que perdemos o fio da miada,
e continuamos jogando palavras do corpo,
típico momento em que cuspimos com palavras,
e escorregamos em certezas, dando espaço para a ignorância,
sendo vão,
as vezes somos tão afiados quanto a língua portuguesa,
e somos tão ríspidos quanto as pedras,
nesses quase instante que te cerca,
onde o ruído, é um grito.
 

 

368

Portas no ponto

Os sentidos das portas que se fecham,
São muitas expressões do infinito,
Na existência da escuridão que finca os arcos do peito,
Na carne viva do coração,
Na ponta da luz, que rasga e vibra a cadência,
Os feixes que perpetuam a imensidão,
São o necessário para o fisgar da nuance da mente,
Os pontos finais,
as vazes não passam de uma porta fechada e uma reticência oculta,
com uma reticência e uma porta fechada,
é que se fazem as vidas.

 

 

346

Fantasia do verbo

Uma menina observou o silêncio,
Como quem se observa o amanhecer
Engoliu a beleza dos laços existenciais e transbordou no verso
 
O verbo e a menina findaram-se
Em concordância perenal
E assim nasceu a fantasia do verbo
 
Entre retinas e silêncios
Há fantasia do verbo
Entre a pedra e a terra
Há fantasia do verbo
 
As estradas existenciais de um ser
São cheias de buracos
E o fio que carrega a estrada
O mecanismo de significâncias humanas.
397

Viagens

Existem momentos que não há estrada
capaz de matar minha sede
por viagens literárias.
395

Criança nordestina


Toda infância nordestina, começa numa rede,
balanço pra cá, balanço pra lá,
e essa rede, nunca para de balançar,
não importa a idade, irá sempre ter uma rede pra te sossegar.


A criança joga o pião, a baladeira e a peteca,

corre numa rua de pedra, o calçamento tira tora do pé,
arranca a unha, causa frieira,
quebra até as veias de tanto pular de pé de árvore.

 
Quando a noite bate,
lá vem a mãe mandando passar pra dentro de casa,
nas frieiras da lama, vêm o pingo de vela,
e haja pingo de vela pra dar jeito.

 
Na rua, as crianças se unem pra brincar de pega-pega,
cola, morto-vivo, pique-esconde,
pra fazer amarelinha na rua com pedra,
pra correr dos cachorros da vizinhança.

 
Quando a tarde cai,
e a noite vem chegando, todo mundo passou pra dentro de casa,
na mesa tem o cuscuz, a tapioca e o café com leite,
suco de caju, acerola e laranja, horas depois o sono chega.

 

 
537

O eco da saudade

A saudade ocupa essa vaga no peito, 
um buraco que queima pouco a pouco,
esse espaço preenchido pela saudade, 
é matéria de poesia. 

A saudade faz-me sentir o eco, 
tapeia-me o peito, amarga o doce, 
segura meu coração e aperta, 
espera ele sangrar e lentamente para. 

Essa dor faz quarar a alma, 
- me aplumo ao senti-la -
me comove, me aperta e me custa noites. 

Essa dor que me atrofia o coração, 
é delicada, como linha de algodão, 
essa saudade repousa e me faz vagar em outros corações.  
 
459

Formação

 
Sou formada pelo o que me transcende,
sou feita de vazios longos,
com pressas muitas e lotações de peito.
456

Não és viajante do mundo

Não és desbravador quem nunca se aventurou
no ventre de uma mulher,
não és viajante quem nunca sentiu sede, fome e medo,
aos olhos de uma mulher,
não és navegador tu, que se afogou,
nas marés estimulantes das mentiras femininas. 
406

Te vi

 
Hoje cedo pude observar as nuvens riscando o céu,
Ali, contrastando com a densa vegetação
meus olhos riscaram todo o azul do infinito,
meus lábios te escreveram tanto,
meus olhos te leram até o desfiar do sol,
te vi junto a mim, e só.
 
Pude te enxergar na vegetação,
tu combinavas com o verde,
embelezava quem era desprovido de imaginação,
tu combinavas com as tintas que te marcavam,
e eu me perdia com os teus traços, que me perpassavam,
te vi junto a mim, e só.
 
422

Sou quem te recita

Declare tua liberdade aos meus ouvidos,
faça florescer meu cantar,
tua fala amena ao anoitecer,
tua renda que não me rasga.
 
Tu não és meu deleite de poeta,
tu és a sombra longínqua que me cerca,
o solo distante que me agrega,
o voo vazado que me cega.
 
Não me faça florescer ao sol,
não me carregue a rebou,
o abrasamento do meu ser na tua retina.
 
Sou quem te recita,
sou a luz noturna que te oscila,
sou o nascer na tua pupila.
 
382

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!