Lista de Poemas
Versailles
Fazer o caminho, percorrer os lados, ofuscar os traços, borrando na tela, riscando os olhos, que veste o nu, desce,
fazendo o nó no ato,
os corpos ajustados ao passo que dilatam,
o olho que treme,
a mão e a coxa que se estende, a cama que respinga o amor e ódio,
a boca que geme, o rei sol que incide o fogo que queima e se estende,
nas virilhas do castelo, no homem,
na mulher que se prende,
a França na água ardente,
navegando na saliva do prazer dos crentes,
que o rei sol tanto depende.
385
Sou quem te recita
Declare tua liberdade aos meus ouvidos,
faça florescer meu cantar,
tua fala amena ao anoitecer,
tua renda que não me rasga.
Tu não és meu deleite de poeta,
tu és a sombra longínqua que me cerca,
o solo distante que me agrega,
o voo vazado que me cega.
Não me faça florescer ao sol,
não me carregue a rebou,
o abrasamento do meu ser na tua retina.
Sou quem te recita,
sou a luz noturna que te oscila,
sou o nascer na tua pupila.
358
Tem muito de mim
Existem dias que eu te enxergo em mim,
em outros dias não enxergo nada além de uma vista para o mar,
e há dias que estão cheios de ti,
e outros que não tem nada além de um horizonte finito,
eu sei bem que tu querias me enxergar em ti,
mas tem muito de mim
para caber em ti.
314
Nossas almas verdes
O raio que corre entre meu corpo,
a queimação exagerada, o vento da minha alma,
que se encontra aberta, o frio me agarrando sem medo,
a cor que passa entre os nossos lábios,
teu cabelo me enrolando, nossas almas verdes,
nossos sentidos abstratos,
me lembram o ar livre e fresco,
que simultaneamente nos encaixamos.
379
Criança nordestina
Toda infância nordestina, começa numa rede,
balanço pra cá, balanço pra lá,
e essa rede, nunca para de balançar,
não importa a idade, irá sempre ter uma rede pra te sossegar.
A criança joga o pião, a baladeira e a peteca,
corre numa rua de pedra, o calçamento tira tora do pé,
arranca a unha, causa frieira,
quebra até as veias de tanto pular de pé de árvore.
Quando a noite bate,
lá vem a mãe mandando passar pra dentro de casa,
nas frieiras da lama, vêm o pingo de vela,
e haja pingo de vela pra dar jeito.
Na rua, as crianças se unem pra brincar de pega-pega,
cola, morto-vivo, pique-esconde,
pra fazer amarelinha na rua com pedra,
pra correr dos cachorros da vizinhança.
Quando a tarde cai,
e a noite vem chegando, todo mundo passou pra dentro de casa,
na mesa tem o cuscuz, a tapioca e o café com leite,
suco de caju, acerola e laranja, horas depois o sono chega.
509
Pulsos
Sinto um rio correndo na veia,
não há como mergulha-lo,
só há como senti-lo,
no meu pulso, há correntes fortes e leves,
como corrente de rio.
377
O eco da saudade
A saudade ocupa essa vaga no peito,
um buraco que queima pouco a pouco,
esse espaço preenchido pela saudade,
é matéria de poesia.
A saudade faz-me sentir o eco,
tapeia-me o peito, amarga o doce,
segura meu coração e aperta,
espera ele sangrar e lentamente para.
Essa dor faz quarar a alma,
- me aplumo ao senti-la -
me comove, me aperta e me custa noites.
Essa dor que me atrofia o coração,
é delicada, como linha de algodão,
essa saudade repousa e me faz vagar em outros corações.
434
Não és viajante do mundo
Não és desbravador quem nunca se aventurou
no ventre de uma mulher,
não és viajante quem nunca sentiu sede, fome e medo,
aos olhos de uma mulher,
não és navegador tu, que se afogou,
nas marés estimulantes das mentiras femininas.
386
Eu sou, ou não sou
Eu era como um código que habitualmente não podia-se decifrar,
Eu era o que ninguém conseguia entender,
Eu era as pazes entre a minhoca e o pássaro ,
Eu era um trovão num lugar de paz.
Sou um sonho que não pôde ser concretizado,
Sou como uma alma enviada à terra para descrever o amor,
Logo eu que já falei tanto da boca para fora,
Logo eu que pouco caso já fiz com quem me amou.
Tenho sede de laços corporais,
do toque da folha verde ao chão quando o vento bate
Tenho fome de rastros que nunca ouvi, de pele macia respingada,
Tenho urgência dos lábios tocando-se.
Pouco me fiz nos rastros,
Pouco procurei-me nos cantos,
Pouco pinto meu eu, porque não há cores
capazes de me tingir tão bem como eu mesma.
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Comentários (14)
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Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes
Escrita incrível, tocante, memorável <3
O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS
Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la
Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!
tem como denuncia?
Gostei de sua mensagem, e gostaria de dizer que fiquei encantada com suas poesias também, você tem inspiração genuína.
Obrigada a todos vocês! abraços! <3
Parabéns Thaís, sua poesia é incrível. Sucesso !!
MUITO PERFEITAAA AMO DEMAIS LER TEUS POEMAS ZERO DEFEITOS ????
Obrigada pelos comentários, fico imensamente grata, vocês são magníficos, sempre escrevam!
poesia vibrante belíssima!
Escreve com grandeza de poesia parabéns gostei
Escreves muito bem, parabéns!