Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

82

O quase instante

Todos nós temos um quase instante,
daqueles que não poderiam ser quase,
típico momento em que perdemos o fio da miada,
e continuamos jogando palavras do corpo,
típico momento em que cuspimos com palavras,
e escorregamos em certezas, dando espaço para a ignorância,
sendo vão,
as vezes somos tão afiados quanto a língua portuguesa,
e somos tão ríspidos quanto as pedras,
nesses quase instante que te cerca,
onde o ruído, é um grito.
 

 

366

Não espere

Se não te leem os olhos,
por que irão ler teus lábios?
se não te leem com a voz aguda que te escapa,
por que irão ler teu silêncio compassado?
tu guardou-se as entranhas, mas cadê o coração?
não espere que sejam o que tu desejas,
ninguém está preparado para suprir devaneios alheios,
a devastação é tamanha, que o que sobra é pouco para os outros,
então existe tudo,
e existe tu e o mundo,
e existe tu e as insignificâncias,
e existe tu e as lacunas que te fazem cheios de si.
355

Portas no ponto

Os sentidos das portas que se fecham,
São muitas expressões do infinito,
Na existência da escuridão que finca os arcos do peito,
Na carne viva do coração,
Na ponta da luz, que rasga e vibra a cadência,
Os feixes que perpetuam a imensidão,
São o necessário para o fisgar da nuance da mente,
Os pontos finais,
as vazes não passam de uma porta fechada e uma reticência oculta,
com uma reticência e uma porta fechada,
é que se fazem as vidas.

 

 

341

Nossas almas verdes

O raio que corre entre meu corpo,
a queimação exagerada, o vento da minha alma,
que se encontra aberta, o frio me agarrando sem medo,
a cor que passa entre os nossos lábios,
teu cabelo me enrolando, nossas almas verdes,
nossos sentidos abstratos,
me lembram o ar livre e fresco,
que simultaneamente nos encaixamos.
 
401

O eco da saudade

A saudade ocupa essa vaga no peito, 
um buraco que queima pouco a pouco,
esse espaço preenchido pela saudade, 
é matéria de poesia. 

A saudade faz-me sentir o eco, 
tapeia-me o peito, amarga o doce, 
segura meu coração e aperta, 
espera ele sangrar e lentamente para. 

Essa dor faz quarar a alma, 
- me aplumo ao senti-la -
me comove, me aperta e me custa noites. 

Essa dor que me atrofia o coração, 
é delicada, como linha de algodão, 
essa saudade repousa e me faz vagar em outros corações.  
 
457

Formação

 
Sou formada pelo o que me transcende,
sou feita de vazios longos,
com pressas muitas e lotações de peito.
453

Criança nordestina


Toda infância nordestina, começa numa rede,
balanço pra cá, balanço pra lá,
e essa rede, nunca para de balançar,
não importa a idade, irá sempre ter uma rede pra te sossegar.


A criança joga o pião, a baladeira e a peteca,

corre numa rua de pedra, o calçamento tira tora do pé,
arranca a unha, causa frieira,
quebra até as veias de tanto pular de pé de árvore.

 
Quando a noite bate,
lá vem a mãe mandando passar pra dentro de casa,
nas frieiras da lama, vêm o pingo de vela,
e haja pingo de vela pra dar jeito.

 
Na rua, as crianças se unem pra brincar de pega-pega,
cola, morto-vivo, pique-esconde,
pra fazer amarelinha na rua com pedra,
pra correr dos cachorros da vizinhança.

 
Quando a tarde cai,
e a noite vem chegando, todo mundo passou pra dentro de casa,
na mesa tem o cuscuz, a tapioca e o café com leite,
suco de caju, acerola e laranja, horas depois o sono chega.

 

 
534

Pulsos

Sinto um rio correndo na veia,
não há como mergulha-lo,
só há como senti-lo,
no meu pulso, há correntes fortes e leves,
como corrente de rio.
400

Não és viajante do mundo

Não és desbravador quem nunca se aventurou
no ventre de uma mulher,
não és viajante quem nunca sentiu sede, fome e medo,
aos olhos de uma mulher,
não és navegador tu, que se afogou,
nas marés estimulantes das mentiras femininas. 
404

Te vi

 
Hoje cedo pude observar as nuvens riscando o céu,
Ali, contrastando com a densa vegetação
meus olhos riscaram todo o azul do infinito,
meus lábios te escreveram tanto,
meus olhos te leram até o desfiar do sol,
te vi junto a mim, e só.
 
Pude te enxergar na vegetação,
tu combinavas com o verde,
embelezava quem era desprovido de imaginação,
tu combinavas com as tintas que te marcavam,
e eu me perdia com os teus traços, que me perpassavam,
te vi junto a mim, e só.
 
422

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!