Lista de Poemas
O olhar para o eu
I.
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
II.
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
III.
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
IV.
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
573
A importância dos atos
A cadência em fazer-se
o ato de temperar
o ato de mastigar
o ato de nutrir
o ato de gemer.
726
Corpos breves
Tu se esquecerás de hoje
assim como se esquecerá dos olhos que tanto te amam
nesta efemeridade de sentir pouco.
539
Guerra no papel
O movimento dos dedos no papel,
é como uma guerra contra si mesmo,
afagando o peito na vertigem da aceitação.
568
Fantasia do verbo
Uma menina observou o silêncio,
Como quem se observa o amanhecer
Engoliu a beleza dos laços existenciais e transbordou no verso
O verbo e a menina findaram-se
Em concordância perenal
E assim nasceu a fantasia do verbo
Entre retinas e silêncios
Há fantasia do verbo
Entre a pedra e a terra
Há fantasia do verbo
As estradas existenciais de um ser
São cheias de buracos
E o fio que carrega a estrada
O mecanismo de significâncias humanas.
373
Portas no ponto
Os sentidos das portas que se fecham,
São muitas expressões do infinito,
Na existência da escuridão que finca os arcos do peito,
Na carne viva do coração,
Na ponta da luz, que rasga e vibra a cadência,
Os feixes que perpetuam a imensidão,
São o necessário para o fisgar da nuance da mente,
Os pontos finais,
as vazes não passam de uma porta fechada e uma reticência oculta,
com uma reticência e uma porta fechada,
é que se fazem as vidas.
319
O olhar para o eu
I.
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
II.
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
III.
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
IV.
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
363
O quase instante
Todos nós temos um quase instante,
daqueles que não poderiam ser quase,
típico momento em que perdemos o fio da miada,
e continuamos jogando palavras do corpo,
típico momento em que cuspimos com palavras,
e escorregamos em certezas, dando espaço para a ignorância,
sendo vão,
as vezes somos tão afiados quanto a língua portuguesa,
e somos tão ríspidos quanto as pedras,
nesses quase instante que te cerca,
onde o ruído, é um grito.
341
A desordem comum
O tempo em cadência no ponto
em que as fissuras amarram os eixos gerais,
o gastar dos mantras tocando laços rompidos por extratos terrosos,
sugeridos no olhar de moças regionais,
acostumadas a nadar na desordem de um pequeno cais.
818
Não espere
Se não te leem os olhos,
por que irão ler teus lábios?
se não te leem com a voz aguda que te escapa,
por que irão ler teu silêncio compassado?
tu guardou-se as entranhas, mas cadê o coração?
não espere que sejam o que tu desejas,
ninguém está preparado para suprir devaneios alheios,
a devastação é tamanha, que o que sobra é pouco para os outros,
então existe tudo,
e existe tu e o mundo,
e existe tu e as insignificâncias,
e existe tu e as lacunas que te fazem cheios de si.
333
Comentários (14)
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Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes
Escrita incrível, tocante, memorável <3
O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS
Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la
Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!
tem como denuncia?
Gostei de sua mensagem, e gostaria de dizer que fiquei encantada com suas poesias também, você tem inspiração genuína.
Obrigada a todos vocês! abraços! <3
Parabéns Thaís, sua poesia é incrível. Sucesso !!
MUITO PERFEITAAA AMO DEMAIS LER TEUS POEMAS ZERO DEFEITOS ????
Obrigada pelos comentários, fico imensamente grata, vocês são magníficos, sempre escrevam!
poesia vibrante belíssima!
Escreve com grandeza de poesia parabéns gostei
Escreves muito bem, parabéns!