Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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Sinais

Há uma pulsão carnal na poesia, que goza das selvagerias insignificantes. poesia de thais fontenele
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Poemas

82

A importância dos atos

A cadência em fazer-se
o ato de temperar
o ato de mastigar
o ato de nutrir
o ato de gemer.
749

Guerra no papel

O movimento dos dedos no papel,
é como uma guerra contra si mesmo,
afagando o peito na vertigem da aceitação.
589

Dança de corpos


O amor
uma perca de fôlego
uma troca de vazios
são os lábios enrolando no peito
há uma espera da eternidade em nó
o corpo desde as roupas as entranhas
são dois olhares sambando na ponta dos pés.
579

O olhar para o eu

I. 
 
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
 
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
 
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
 
 
II.
 
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
 
III.
 
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
 
 
IV.
 
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
597

Não espere

Se não te leem os olhos,
por que irão ler teus lábios?
se não te leem com a voz aguda que te escapa,
por que irão ler teu silêncio compassado?
tu guardou-se as entranhas, mas cadê o coração?
não espere que sejam o que tu desejas,
ninguém está preparado para suprir devaneios alheios,
a devastação é tamanha, que o que sobra é pouco para os outros,
então existe tudo,
e existe tu e o mundo,
e existe tu e as insignificâncias,
e existe tu e as lacunas que te fazem cheios de si.
356

O olhar para o eu

I. 
 
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
 
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
 
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
 

II.
 
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
 

III.
 
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
 
 
IV.
 
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
 
 
 
 

390

Tem muito de mim

Existem dias que eu te enxergo em mim,
em outros dias não enxergo nada além de uma vista para o mar,
e há dias que estão cheios de ti,
e outros que não tem nada além de um horizonte finito,
eu sei bem que tu querias me enxergar em ti,
mas tem muito de mim
para caber em ti.
 
341

Nossas almas verdes

O raio que corre entre meu corpo,
a queimação exagerada, o vento da minha alma,
que se encontra aberta, o frio me agarrando sem medo,
a cor que passa entre os nossos lábios,
teu cabelo me enrolando, nossas almas verdes,
nossos sentidos abstratos,
me lembram o ar livre e fresco,
que simultaneamente nos encaixamos.
 
403

Versailles

Fazer o caminho, percorrer os lados, ofuscar os traços, borrando na tela, riscando os olhos, que veste o nu, desce,
fazendo o nó no ato,
os corpos ajustados ao passo que dilatam,
o olho que treme,
a mão e a coxa que se estende, a cama que respinga o amor e ódio,
a boca que geme, o rei sol que incide o fogo que queima e se estende,
nas virilhas do castelo, no homem,
na mulher que se prende,
a França na água ardente,
navegando na saliva do prazer dos crentes,
que o rei sol tanto depende.
 
412

A desordem comum

O tempo em cadência no ponto
em que as fissuras amarram os eixos gerais,
o gastar dos mantras tocando laços rompidos por extratos terrosos,
sugeridos no olhar de moças regionais,
acostumadas a nadar na desordem de um pequeno cais.
841

Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!