Thaís Fontenele

Thaís Fontenele

Escrevo poesia, porque de nada o mundo tá cheio e eu apenas ressignifico os nadas.

n. 0000-00-00, Parnaíba, Piauí

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O desgastar

A sola do sapato gasto pelo tempo
é apenas mais uma representação
do desgaste de quem o usa,
o tempo tem o poder de gastar a
camada abstrata da alma,
a camada móvel
do gasto
ganho
do desgaste.

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Poemas

82

A importância dos atos

A cadência em fazer-se
o ato de temperar
o ato de mastigar
o ato de nutrir
o ato de gemer.
751

O olhar para o eu

I. 
 
Vejo beleza em quase tudo,
nas minhas mãos,
essas que alcançam quase tudo.
 
Ando carregando o mundo nas mãos,
vejo beleza no meu ouvir,
esse que ouve quase tudo.
 
Sou existência crua e viril,
como não ser tanto e quase tudo,
escrevo sobre uma laranja comida ao pé da mesa,
como não sentir tanto
num mundo de tão pouco sentido
e raro tato satisfeito,
os olhares traçados em trilhas de lugares.
 
 
II.
 
Meus gestos são como dedilhados amargos na sua boca
seu jeito abismado com meu abstrato
estou nua, verde trevo é a cor do meu lado invisível,
indefinível para ti.
 
III.
 
Sou semente jogada em campo minado,
Sou a razão entre esses toques espessos,
Sinto-me como a árvore mais alta do mundo,
Guardando todos os restos de esperança,
Aguardando milênios a dentro,
Espalhando o brotar da purificação.
 
 
IV.
 
Quanto mais sujo e esperançoso se é,
mais instigante se torna a amarra delgada do estranho e do perfeito ser.
598

Dança de corpos


O amor
uma perca de fôlego
uma troca de vazios
são os lábios enrolando no peito
há uma espera da eternidade em nó
o corpo desde as roupas as entranhas
são dois olhares sambando na ponta dos pés.
580

Guerra no papel

O movimento dos dedos no papel,
é como uma guerra contra si mesmo,
afagando o peito na vertigem da aceitação.
590

A desordem comum

O tempo em cadência no ponto
em que as fissuras amarram os eixos gerais,
o gastar dos mantras tocando laços rompidos por extratos terrosos,
sugeridos no olhar de moças regionais,
acostumadas a nadar na desordem de um pequeno cais.
844

Versailles

Fazer o caminho, percorrer os lados, ofuscar os traços, borrando na tela, riscando os olhos, que veste o nu, desce,
fazendo o nó no ato,
os corpos ajustados ao passo que dilatam,
o olho que treme,
a mão e a coxa que se estende, a cama que respinga o amor e ódio,
a boca que geme, o rei sol que incide o fogo que queima e se estende,
nas virilhas do castelo, no homem,
na mulher que se prende,
a França na água ardente,
navegando na saliva do prazer dos crentes,
que o rei sol tanto depende.
 
415

Sou quem te recita

Declare tua liberdade aos meus ouvidos,
faça florescer meu cantar,
tua fala amena ao anoitecer,
tua renda que não me rasga.
 
Tu não és meu deleite de poeta,
tu és a sombra longínqua que me cerca,
o solo distante que me agrega,
o voo vazado que me cega.
 
Não me faça florescer ao sol,
não me carregue a rebou,
o abrasamento do meu ser na tua retina.
 
Sou quem te recita,
sou a luz noturna que te oscila,
sou o nascer na tua pupila.
 
385

Viagens

Existem momentos que não há estrada
capaz de matar minha sede
por viagens literárias.
396

Nossas almas verdes

O raio que corre entre meu corpo,
a queimação exagerada, o vento da minha alma,
que se encontra aberta, o frio me agarrando sem medo,
a cor que passa entre os nossos lábios,
teu cabelo me enrolando, nossas almas verdes,
nossos sentidos abstratos,
me lembram o ar livre e fresco,
que simultaneamente nos encaixamos.
 
404

Portas no ponto

Os sentidos das portas que se fecham,
São muitas expressões do infinito,
Na existência da escuridão que finca os arcos do peito,
Na carne viva do coração,
Na ponta da luz, que rasga e vibra a cadência,
Os feixes que perpetuam a imensidão,
São o necessário para o fisgar da nuance da mente,
Os pontos finais,
as vazes não passam de uma porta fechada e uma reticência oculta,
com uma reticência e uma porta fechada,
é que se fazem as vidas.

 

 

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Comentários (14)

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Francisco Guilherme

Você tem muito potencial. Parabéns! Poemas fortes

camila_duarte

Escrita incrível, tocante, memorável <3

joaoeuzebio

O DESGASTAR NÃODEGASTOU TEU BRILHO UM ABRAÇO BELO POEMAS

felixa

Belíssima espiritualidade! Sinto essas vibrações no devaneio de imagens que as palavras me trazem ao lê-la

Thaís Fontenele

Pode ser fernando, eu creio que minha liberdade poética, não é exatamente como denuncia, somente meus devaneios, porém isso vai do subjetivo de cada um que interpretou, beijos!