Lista de Poemas
À expectativa da morte
... e quando cansou, ele parou no meio do deserto.
Seu cantil sem água, seu alforge sem alimento,
Seu ânimo dilacerado, sua mente em tormento...
Acomodou-se ali, com a expectativa da morte por certo.
279
Para amar
Para amar, nem hora, dia ou local importa.
Apenas dois apaixonados e ninguém atrás da porta.
284
Sóbrios e bêbados
Músicas e fumaças saíam do bar...
... E quando o dia veio chegando,
Sóbrios e bêbados se abraçavam...
Enquanto aqueles as horas iam consultando,
Estes somente pela companhia se preocupavam!
270
A bebida e a desculpa
E lá está ele na mesa sentado,
Tendo como companheiro um copo de cachaça.
Porém nada mais faz sentido ou tem graça
‘ Inda mais pelo motivo de estar ali, contristado.
O coração despedaçado, a bruta saudade,
A solidão que há muito lhe surra o peito,
E nada que tende a fazer dá jeito
De desvencilhar-se da imensa ansiedade
Que agora faz parte do seu cotidiano,
O vazio da amada que partira para sempre
E que em agosto completará ano.
Antes de ir, ele entorna por duas vezes a bebida
Que parece afogar a mágoa como engano.
Amanhã voltará. Novamente beberá como desculpa descabida.
345
Meu dilema
Meu dilema é: se devo amar ou fugir.
Se amar, não tenho para onde ir.
Se fugir, não tenho onde ficar.
Se ficar, não tenho a quem amar!
273
Semear o amor
É urgente semear o amor,
Pois a paciência com que devemos regá-lo
Aos pouco está secando
E é urgente vê-lo brotando.
282
Perfume da Paz
...E o forte vento do bom senso que soprou a noite inteira,
Espalhou o perfume da paz por toda a terra,
Para que os homens que se degladiam em sua guerra
Não comentam mais tanta besteira!
263
A morte e o beijo
Quando eu tiver morrendo de amor,
Por favor, beija-me intensamente.
Por que teu beijo poderá aliviar-me da dor
E me fazer volta à vida gradativamente.
332
Lágrimas
Hoje não mais chorarei.
E as lágrimas que teimam em cair,
Seguirão o caminho que perdi
Dos sentimentos que nunca mais terei.
385
Enganado
Eu estava enganado,
Quando pensei que tudo o que sonhava
Realizaria-me a cidade!
Estava enganado em pensamento,
Quando imaginei que ruas, luzes e calçadas
Aguçariam-me o intelecto pra viver bons momentos...
O equívoco tomara conta de mim
Quando me instruiu a deixar o céu de estrelas
Pra viver as desventuras que sofro aqui!
Agora quero voltar.
Tudo que aqui sofri,
Não se compara ao sofrimento de lá...
De ouvir os gorjear dos pássaros numa manhã;
De sentir o cheiro da terra depois da chuvada;
De apanhar frutas no galho,
De saltar numa linda piscina natural
E lembrar-me de quão ingrata foi-me a cidade
Que negou regalar-me à sombra de um coqueiral.
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