Valdir Gomes

Valdir Gomes

Escritor brasileiro Contista Cronista Poeta Romancista Novelista

n. 0000-00-00, Curitiba

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Velhice II

A distância é a mesma,
Mas nossas forças que minaram!
As cores são as mesmas,
Mas nossos olhos embaçaram...
O sol continua lá,
As estrelas continuam lá
As asas da imaginação ainda voam,
Mas já não tem pernas para pousar.

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Poemas

122

Teu corpo desnudado

Tudo em você tem significado...
Mas não se consegue compreensão de imediato,
Pois necessita de estudo primoroso, amor, muito tato,
Total dedicação, um homem com paixão, teu corpo desnudado.

368

Para amar

  Para amar, nem hora, dia ou local importa.

Apenas dois apaixonados e ninguém atrás da porta.


294

Sóbrios e bêbados

Músicas e fumaças saíam do bar...
... E quando o dia veio chegando,
Sóbrios e bêbados se abraçavam...
Enquanto aqueles as horas iam consultando,
Estes somente pela companhia se preocupavam!

280

Semear o amor

É urgente semear o amor,
Pois a paciência com que devemos regá-lo
Aos pouco está secando
E é urgente vê-lo brotando.

292

Enganado

Eu estava enganado,
Quando pensei que tudo o que sonhava
Realizaria-me a cidade!
Estava enganado em pensamento,
Quando imaginei que ruas, luzes e calçadas
Aguçariam-me o intelecto pra viver bons momentos...
O equívoco tomara conta de mim
Quando me instruiu a deixar o céu de estrelas
Pra viver as desventuras que sofro aqui!
Agora quero voltar.
Tudo que aqui sofri, 
Não se compara ao sofrimento de lá...
De ouvir os gorjear dos pássaros numa manhã;
De sentir o cheiro da terra depois da chuvada;
De apanhar frutas no galho,
De saltar numa linda piscina natural
E lembrar-me de quão ingrata foi-me a cidade
Que negou regalar-me à sombra de um coqueiral.

270

Meu dilema

Meu dilema é: se devo amar ou fugir.
Se amar, não tenho para onde ir.
Se fugir, não tenho onde ficar.
Se ficar, não tenho a quem amar!

284

Diga-me

Por favor, diga-me algo
Que me leve a voar...
Entrelaçado em teus braços
E sobre teu corpo pousar.

385

Lágrimas

Hoje não mais chorarei.
E as lágrimas que teimam em cair,
Seguirão o caminho que perdi
Dos sentimentos que nunca mais terei.

397

A bebida e a desculpa

E lá está ele na mesa sentado,
Tendo como companheiro um copo de cachaça.
Porém nada mais faz sentido ou tem graça
‘ Inda mais pelo motivo de estar ali, contristado.

O coração despedaçado, a bruta saudade,
A solidão que há muito lhe surra o peito,
E nada que tende a fazer dá jeito
De desvencilhar-se da imensa ansiedade

Que agora faz parte do seu cotidiano,
O vazio da amada que partira para sempre
E que em agosto completará ano.

Antes de ir, ele entorna por duas vezes a bebida
Que parece afogar a mágoa como engano.
Amanhã voltará. Novamente beberá como desculpa descabida.

354

Egoismo do dia a dia

Há sonhos que se pode ter
Numa cidade que se possa sonhar...
Sonhos concretos de pisos e paredes
Sonhos todos cinzentos, sem verdes.

Sonhos em fumaças, em ruídos ao acordar
Sonhos que podem se esconder numa esquina
E em outra esquina os encontrar diferentes.
Sonhos que nos tornam ausentes.

Quando se acorda, descobre tardiamente
Que viver de sonhos num lugar assim,
Não é viver um sonho tendo vida ao lado...
É sonhar um sonho acordado!

E isso se carrega como um fardo
Que todo dia sofremos sem saber
Pois o que queremos viver nos aflora
a ganância em sonhar toda hora!

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