Lista de Poemas
Deve haver outro sentido para a vida
Deve haver outro sentido para a realidade lúcida da vida.
Deve haver outro estado de ser
onde a alegria serena não seja só um acidente.
Este mundo pesa-me, cheio de despedidas.
Vejo as cicatrizes e oiço os rufares de realidades bélicas,
tudo isso às vezes só na cabeça de alguns.
E a união aqui toma a forma macabra de rebanhos.
Vejo o sol sempre implacávelmente pontual,
embora por vezes os relógios tenham opinião diferente.
Vejo a lua, os livros cheios de Tao,
e a minha alma sofre com tudo isso,
sofre como se tivesse sangue e sangrasse,
como um louco consciente que não consegue adormecer nunca...
Terei eu a genialidade da poesia ?
E que bem virá ao mundo, se eu a tiver ?
Que espécie de gente serão esses a quem chamam poetas,
que incessantemente pensam em abrir portas e janelas
e querem crer que vêm através das portas e janelas fechadas
que nunca abriram, e provávelmente nunca abrirão ?
Ah! Deve haver por aí outra realidade para a realidade disto !
Deve haver por aí beijos e coisas,
patamares definitivos que nos tirem de vez esta impaciência estúpida,
que nos levem de novo para de onde nunca devíamos ter saído,
para brincarmos de novo
com os berlindes de cristal da realidade verdadeiramente lúcida,
da realidade final que fica para além de todos os enigmas...
Deve haver outro estado de ser
onde a alegria serena não seja só um acidente.
Este mundo pesa-me, cheio de despedidas.
Vejo as cicatrizes e oiço os rufares de realidades bélicas,
tudo isso às vezes só na cabeça de alguns.
E a união aqui toma a forma macabra de rebanhos.
Vejo o sol sempre implacávelmente pontual,
embora por vezes os relógios tenham opinião diferente.
Vejo a lua, os livros cheios de Tao,
e a minha alma sofre com tudo isso,
sofre como se tivesse sangue e sangrasse,
como um louco consciente que não consegue adormecer nunca...
Terei eu a genialidade da poesia ?
E que bem virá ao mundo, se eu a tiver ?
Que espécie de gente serão esses a quem chamam poetas,
que incessantemente pensam em abrir portas e janelas
e querem crer que vêm através das portas e janelas fechadas
que nunca abriram, e provávelmente nunca abrirão ?
Ah! Deve haver por aí outra realidade para a realidade disto !
Deve haver por aí beijos e coisas,
patamares definitivos que nos tirem de vez esta impaciência estúpida,
que nos levem de novo para de onde nunca devíamos ter saído,
para brincarmos de novo
com os berlindes de cristal da realidade verdadeiramente lúcida,
da realidade final que fica para além de todos os enigmas...
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Outono revisitado (1993)
Imagino pomares em que os ramos pendem pelo peso dos frutos,
poentes calmos depois de uma tarde ligeira,
não obstante um labor talvez pesado.
Imagino o canto atarefado de aves que esvoaçam,
procurando o abrigo que lhes está reservado.
O amanhã é longínquo como o ontem
mas agora há uma noção suave de regressar ao lar.
E eu sei que esse instante não durará sempre,
será esquecido, será perdido.
Os frutos cairão de podres,
ouvir-se-á falar de parasitas
e os ramos tombarão sobre as ervas daninhas.
Os poentes tomarão tonalidades novas,
mas ninguém estará lá para limpar o suor do rosto.
Nem o lar será mais o que fora outrora.
Aves esvoaçam, sim,
como um elo elemental ligando o passado ao futuro
ou o presente ao passado.
Eu, como um fantasma vivo, observo as árvores,
absorvo o poente e os frutos ao redor de mim
e desconheço profundamente o rumo e o destino
deste teatro tão real...
poentes calmos depois de uma tarde ligeira,
não obstante um labor talvez pesado.
Imagino o canto atarefado de aves que esvoaçam,
procurando o abrigo que lhes está reservado.
O amanhã é longínquo como o ontem
mas agora há uma noção suave de regressar ao lar.
E eu sei que esse instante não durará sempre,
será esquecido, será perdido.
Os frutos cairão de podres,
ouvir-se-á falar de parasitas
e os ramos tombarão sobre as ervas daninhas.
Os poentes tomarão tonalidades novas,
mas ninguém estará lá para limpar o suor do rosto.
Nem o lar será mais o que fora outrora.
Aves esvoaçam, sim,
como um elo elemental ligando o passado ao futuro
ou o presente ao passado.
Eu, como um fantasma vivo, observo as árvores,
absorvo o poente e os frutos ao redor de mim
e desconheço profundamente o rumo e o destino
deste teatro tão real...
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Algures há um caminho empoeirado
Algures há um caminho empoeirado,
de um pó feliz, voando em turbilhões.
Feliz porque ignora as multidões,
porque é das gentes frias ignorado.
Nele vagueia um Deus amortalhado,
porque, cansado de tantas ilusões,
o Homem já não crê suas visões,
já não concebe um Ser crucificado.
Mas Ele existe, e é grande a sua história,
porque até mesmo p'ra criar este mundo de escória
foi necessário um Ser de dons supremos.
O tal caminho já o perdeu a Humanidade.
Fica muito longe, na terra da verdade,
e nele habita um Deus. Aonde ? Não sabemos !...
de um pó feliz, voando em turbilhões.
Feliz porque ignora as multidões,
porque é das gentes frias ignorado.
Nele vagueia um Deus amortalhado,
porque, cansado de tantas ilusões,
o Homem já não crê suas visões,
já não concebe um Ser crucificado.
Mas Ele existe, e é grande a sua história,
porque até mesmo p'ra criar este mundo de escória
foi necessário um Ser de dons supremos.
O tal caminho já o perdeu a Humanidade.
Fica muito longe, na terra da verdade,
e nele habita um Deus. Aonde ? Não sabemos !...
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