Paio Soares de Taveirós

Paio Soares de Taveirós

n. 1200 PT PT

Paio Soares de Taveirós foi um trovador galego-português medieval, figura proeminente na lírica galego-portuguesa. A sua obra, inserida no contexto da poesia de amor cortês, é notável pela expressividade e pela exploração de temas como a saudade, o amor idealizado e a lealdade à dama. Os seus cantares revelam uma profunda sensibilidade lírica e um domínio notável das formas poéticas da época, refletindo os costumes e a mentalidade da nobreza medieval. Taveirós contribuiu significativamente para o acervo poético que marcou a transição para a literatura em língua portuguesa.

n. 1200-01-01

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A Ribeirinha (Cantiga de Guarvaia)

No mundo ninguém se assemelha a mim
enquanto a vida continuar como vai,
porque morro por vós, e ai!
minha senhora alva de pele rosadas,
quereis que vos retrate
quando eu vos vi sem manto.
Maldito dia que me levantei
e não vos vi feia

E minha senhora, desde aquele dia, ai!
tudo me foi muito mal
e vós, filha de Don Paio
Moniz, e bem vos parece
de ter eu por vós guarvaia
pois eu, minha senhora, como presente
nunca de vós recebera algo
mesmo que de ínfimo valor.

Português antigo

No mundo non me sei parelha,
mentre me for como me vai,
ca já moiro por vós – e ai!
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia
quando vos eu vi en saia!
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!

E, mia senhor, dês aquel di’, ai!
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e ben vos semelha
d’haver eu por vós guarvaia,
pois eu, mia senhor, d’alfaia
nunca de vós houve nem hei
valia d’ua correa.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Paio Soares de Taveirós, também conhecido como Paio Soares de Baião, foi um trovador galego-português, ativo no século XII e início do século XIII. É uma das figuras mais importantes da lírica galego-portuguesa medieval, período em que a poesia cantada e palaciana se desenvolveu na Península Ibérica.

Infância e formação

Pouco se sabe sobre a infância e formação de Paio Soares de Taveirós. Presume-se que, como muitos trovadores da época, pertencesse à nobreza ou a um círculo próximo dela, o que lhe teria permitido ter acesso à educação e à cultura cortesã necessárias para a prática da poesia e da música.

Percurso literário

O percurso literário de Paio Soares de Taveirós está intrinsecamente ligado à tradição da cantiga de amor, um dos géneros predominantes na lírica galego-portuguesa. A sua obra é composta por cantigas que expressam os ideais do amor cortês, a vassalagem amorosa e a saudade pela dama.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Paio Soares de Taveirós inclui cantigas de amor que são exemplares do género. São conhecidas pela sua delicadeza, pela expressão sentimental e pela musicalidade inerente às formas poéticas da época. Os temas centrais são o amor platónico, a idealização da figura feminina, o sofrimento do amante e a sua devoção incondicional. O estilo é marcado pela contenção expressiva, pela elegância formal e por um vocabulário que reflete a linguagem da corte. A sua poesia contribuiu para a consolidação do modelo de amor cortês na literatura peninsular.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Paio Soares de Taveirós viveu num período de intensa atividade cultural na corte de Afonso II de Portugal e no contexto da expansão dos reinos cristãos na Península Ibérica. A sua poesia reflete os valores da sociedade feudal e cortesã, onde a arte trovadoresca desempenhava um papel social e cultural importante.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de Paio Soares de Taveirós são escassos. Sabe-se que a sua atividade como trovador o ligava aos círculos da nobreza e da corte.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Paio Soares de Taveirós é reconhecido como um dos mestres da cantiga de amor. A sua obra foi compilada nos cancioneiros medievais, o que atesta a sua importância e difusão na época. A sua poesia tem sido estudada e valorizada por medievalistas e amantes da literatura como um testemunho da riqueza da produção lírica galego-portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Paio Soares de Taveirós foi influenciado pela poesia provençal, de onde o género da cantiga de amor teve origem. Por sua vez, a sua obra exerceu influência sobre outros trovadores galego-portugueses, contribuindo para a formação de um corpus poético que viria a ser a base da futura literatura em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A crítica literária tem analisado as cantigas de Paio Soares de Taveirós sob a ótica do amor cortês, destacando a sua capacidade de expressar sentimentos complexos com subtileza e elegância. A sua obra é vista como um reflexo da mentalidade medieval e dos ideais de amor e honra.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O nome "de Taveirós" ou "de Baião" sugere uma ligação a propriedades ou linhagens específicas, mas os detalhes sobre essas conexões permanecem objeto de pesquisa.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Presume-se que Paio Soares de Taveirós tenha falecido no início do século XIII. A sua memória perdura através das suas composições poéticas preservadas nos cancioneiros medievais.

Poemas

16

O Meu Amigo, Que Mi Dizia

O meu amigo, que mi dizia
que nunca mais migo viveria,
       par Deus, donas, aqui é já.

Que muito m'el havia jurado
que me nom visse, mais, a Deus grado,
       par Deus, donas, aqui é já.

O que jurava que me nom visse,
por nom seer todo quant'el disse,
       par Deus, donas, aqui é já.

Melhor o fezo ca o nom disse:
       par Deus, donas, aqui é já.
891

Vi Eu Donas Em Celado

- Vi eu donas em celado
que já sempre servirei
por que ando namorado;
pero nom vo-las direi
com pavor que delas hei,
assi mi ham lá castigado!

- Des que essas donas vistes,
falarom-vos rem d'amor?
Dizede, se as cousistes,
qual delas é [a] melhor?
Nom fostes conhecedor
quando as nom departistes.

- Ambas eran'as melhores
que homem pode cousir:
brancas eram come flores;
mais, por vos eu nom mentir,
nõn'as pudi departir,
tanto sam bõas senhores.

- Ali perdeste-l'o siso
quando as fostes veer,
ca no falar e no riso
podérades conhocer
qual há melhor parecer;
mais fali[u]-vos i o viso.
541

Eu Sõo Tam Muit'amador

Eu sõo tam muit'amador
do meu linhagem, que nom sei
al no mundo querer melhor
d'ũa mia parenta que hei;
e quem a sa linhagem quer bem,
tenh'eu que faz dereit'e sem;
e eu sempr'o meu amarei.

E sempre serviç'e amor
eu a meu linhagem farei:
entanto com'eu vivo for,
esta parenta servirei,
que quero melhor doutra rem;
e muito serviç'em mi tem,
se eu poder - e poderei.

Pero nunca vistes molher
nunca chus pouc'algo fazer
a seu linhagem, ca nom quer
em meu preito mentes meter;
e poderia-me prestar,
par Deus, muit', e nom lhe custar
a ela rem de seu haver.

E veede se mi há mester
d'atal parenta bem querer:
que m'hei a queixar, se quiser
lhe pedir alg', ou a veer;
pero se mi quisesse dar
algo, faria-me preçar
atal parenta e valer.
631

A Rem do Mundo Que Melhor Queria

A rem do mundo que melhor queria,
nunca m'en bem quis dar Santa Maria;
mais, quant'end'eu no coraçom temia
       hei! hei! hei!
       Senhor, senhor, agora vi
       de vós quant'eu sempre temi!

A rem do mundo que eu mais amava
e mais servia, nem mais desejava,
Nostro Senhor, quant'end'eu receava
       hei! hei!hei!
       Senhor, senhor, agora vi
       de vós quant'eu sempre temi!

E que farei eu, cativ'e coitado?
Que eu assi fiquei, desamparado
de vós, por que coita grand'e cuidado
       hei! hei! hei!
       Senhor, senhor, agora vi
       de vós quant'eu sempre temi!
994

Ai, Pai Soárez, Venho-Vos Rogar

- Ai, Pai Soárez, venho-vos rogar
por um meu homem que nom quer servir,
que o façamos, mi e vós, jograr,
em guisa que possa per i guarir;
pero será-nos grave de fazer,
ca el nom sabe cantar nem dizer
rem, per que se pague del quen'o vir.

- Martim Soárez, nom poss'eu osmar
que no-l'as gentes queiram consentir
de nós tal homem fazermos poiar
em jograria; ca, u for pedir,
algu[é]m ve[e]rá o vilam se[e]r,
trist'e [no]joso e torp'e sem saber,
e haver-s'-á de nós e del riir.

- Paai Soárez, o hom'é de seu
trist'e nojoso e torp'e sem mester;
pero faremos nós de[l], cuido-m'eu,
jograr, se ende voss'ajuda houver;
ca lhe daredes vós esse saiom,
e porrei-lh'eu nome jograr "Sisom";
e com tal nome gualrá per u quer.

- Martim Soárez, a mi [nom m']é greu
de lh'o saiom dar; e, pois que lho der,
nom diga el que lho nulh'homem deu;
e, se o el per ventura disser,
mui bem sei eu que lhe dirám entom:
"Confunda Deus quem te deu esse dom,
nem quem te fezo jograr nem segrer!"

- Paai Soárez, tenho por razom
de poiar já o vilaão grodom
[e] des i, posface del quem quiser.

[- Martim Soárez, ......................
..............................................
..............................................]
688

Cuidava-M'eu, Quando Nom Entendia

Cuidava-m'eu, quando nom entendia
que mal sem era de vos bem querer,
senhor fremosa, que m'en partiria
atanto que o podess'entender;
mais entend'ora que faç'i mal sem
de vos amar, pero nom me part'en,
ante vos quero melhor todavia.

Eu mi cuidava que nom poderia
de vós viir, mia senhor, senom bem
- ca nom cuidei que me de vós verria
tam muito mal como m'agora vem;
e fazia dereito, ca nom al,
e[m] nom cuidar que me veesse mal,
senhor fremosa, d'u non'[o] havia.

E por mui gram maravilha terria,
senhor, quem ora soubesse de qual
guisa mi vem – e dereito faria,
ca nunca vistes maravilha tal:
ca me vem mal d'u o Deus nom quis dar,
senhor, e coita mui grand'e pesar
de vós, de que mi v[i]ir nom devia.

Por en, senhor, cousimento seria
e mesura grand', assi Deus m'ampar!,
de mi fazerdes vós bem algum dia,
pois tanto mal me fazedes levar;
e se mi bem fezéssedes, senhor,
sabed', a vós x'estaria melhor;
e demais Deus vo-lo gradeceria.
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Comentários (6)

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No Dicks
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Sai fora, é meu sugar daddy

Paula Tejanto
Paula Tejanto

Qual o insta desse grisalho?

AdailtonVidal
AdailtonVidal

Correçao: "As fontes afirmam que ele nasceu em 1200 e que seria da primeira metade do século XII. Mas 1200 é o último ano do século XII, pois em 1201 já é seculo XIII

AdailtonVidal
AdailtonVidal

As fontes afirmam que ele nasceu em 1200 sendo da primeira metade do século XII. Mas então é nasceu no último ano do século XII, pois em 1201 já é seculo XIII

Luis Rodrigues

É uma aproximação, que se costuma usar quando não existem registos exactos.Assim é possivel posicionar temporalmente o autor.