Lista de Poemas

O Meu Amigo, Que Mi Dizia

O meu amigo, que mi dizia
que nunca mais migo viveria,
       par Deus, donas, aqui é já.

Que muito m'el havia jurado
que me nom visse, mais, a Deus grado,
       par Deus, donas, aqui é já.

O que jurava que me nom visse,
por nom seer todo quant'el disse,
       par Deus, donas, aqui é já.

Melhor o fezo ca o nom disse:
       par Deus, donas, aqui é já.
841

Donas, Veeredes a Prol Que Lhi Tem

Donas, veeredes a prol que lhi tem
       de lhi saberem ca mi quer gram bem!

Par Deus, donas, bem podedes jurar
do meu amigo, que mi fez pesar;
mais Deus! E que cuida mi a gãar
       de lhi saberem que mi quer gram bem?

Sofrer-lh'-ei eu de me chamar senhor
nos cantares que fazia d'amor;
mais enmentou-me todo com sabor
       de lhi saberem que mi quer gram bem.

Foi-m'el em seus cantares enmentar;
vedes ora se me dev'a queixar!
Ca se nom quis meu amigo guardar
       de lhi saberem que mi quer gram bem.
604

No Mundo Nom Me Sei Parelh

No mundo nom me sei parelh'
mentre me for como me vai,
ca já moiro por vós e ai,
mia senhor branc'e vermelha!
queredes que vos retraia
quando vos eu vi em saia?
Mao dia me levantei
que vos entom nom vi fea!

E [ai!], mia senhor, des aquelh'
dia, me foi a mi mui lai.
E vós, filha de dom Paai
Moniz, e bem vos semelha
d'haver eu por vós garvaia?
Pois eu, mia senhor, d'alfaia
nunca de vós houve nem hei
valia d'ũa correa.
764

Eu Sõo Tam Muit'amador

Eu sõo tam muit'amador
do meu linhagem, que nom sei
al no mundo querer melhor
d'ũa mia parenta que hei;
e quem a sa linhagem quer bem,
tenh'eu que faz dereit'e sem;
e eu sempr'o meu amarei.

E sempre serviç'e amor
eu a meu linhagem farei:
entanto com'eu vivo for,
esta parenta servirei,
que quero melhor doutra rem;
e muito serviç'em mi tem,
se eu poder - e poderei.

Pero nunca vistes molher
nunca chus pouc'algo fazer
a seu linhagem, ca nom quer
em meu preito mentes meter;
e poderia-me prestar,
par Deus, muit', e nom lhe custar
a ela rem de seu haver.

E veede se mi há mester
d'atal parenta bem querer:
que m'hei a queixar, se quiser
lhe pedir alg', ou a veer;
pero se mi quisesse dar
algo, faria-me preçar
atal parenta e valer.
605

Quando Se Foi Meu Amigo

Quando se foi meu amigo,
jurou que cedo verria,
mais, pois nom vem falar migo,
por en, por Santa Maria,
       nunca mi por el roguedes,
       ai donas, fé que devedes.

Quando se foi, fez-mi preito
que se verria mui cedo,
e mentiu-mi, tort'há feito,
e pois de mi nom há medo,
       nunca mi por el roguedes,
       ai donas, fé que devedes.

O que vistes que dizia
que andava namorado,
pois que nom veo o dia
que lh'eu havia mandado,
       nunca mi por el roguedes,
       ai donas, fé que devedes.
694

Cantiga de amor

Como morreu quem nunca amar
se faz pela coisa que mais amou,
e quanto dela receou
sofreu, morrendo de pesar,
ai, minha senhora, assim morro eu.


Como morreu quem foi amar
quem nunca bem lhe quis fazer,
e de quem Deus lhe fez saber
que a morte havia de alcançar,
ai, minha senhora, assim morro eu.


Igual ao homem que endoideceu
com a grande mágoa que sentiu,
senhora, e nunca mais dormiu,
perdeu a paz, depois morreu,
ai, minha senhora, assim morro eu.


Como morreu quem amou tal
mulher que nunca lhe quis bem
e a viu levada por alguém
que a não valia nem a vale,
ai, minha senhora, assim morro eu.

Português antigo

Como morreu quen nunca ben
houve da ren que máis amou,
e quen viu quanto receou
dela, e foi morto por én:
     ai mia senhor, assí moir'eu!

Como morreu quen foi amar
quen lhe nunca quis ben fazer,
e de quen lhe fez Deus veer
de que foi morto con pesar:
     ai mia senhor, assí moir'eu!

Com'home que ensandeceu,
senhor, con gran pesar que viu,
e non foi ledo nen dormiu
depois, mia senhor, e morreu:
     ai mia senhor, assí moir'eu!

Como morreu quen amou tal
dona que lhe nunca fez ben,
e quen a viu levar a quen
a non valía, nen a val:
     ai mia senhor, assí moir'eu!
3 528

Comentários (6)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
No Dicks
No Dicks

Sai fora, é meu sugar daddy

Paula Tejanto
Paula Tejanto

Qual o insta desse grisalho?<br />

AdailtonVidal
AdailtonVidal

Correçao: "As fontes afirmam que ele nasceu em 1200 e que seria da primeira metade do século XII. Mas 1200 é o último ano do século XII, pois em 1201 já é seculo XIII

AdailtonVidal
AdailtonVidal

As fontes afirmam que ele nasceu em 1200 sendo da primeira metade do século XII. Mas então é nasceu no último ano do século XII, pois em 1201 já é seculo XIII

Luis Rodrigues

É uma aproximação, que se costuma usar quando não existem registos exactos.<br /><br />Assim é possivel posicionar temporalmente o autor.

Identificação e contexto básico

Paio Soares de Taveirós, também conhecido como Paio Soares de Baião, foi um trovador galego-português, ativo no século XII e início do século XIII. É uma das figuras mais importantes da lírica galego-portuguesa medieval, período em que a poesia cantada e palaciana se desenvolveu na Península Ibérica.

Infância e formação

Pouco se sabe sobre a infância e formação de Paio Soares de Taveirós. Presume-se que, como muitos trovadores da época, pertencesse à nobreza ou a um círculo próximo dela, o que lhe teria permitido ter acesso à educação e à cultura cortesã necessárias para a prática da poesia e da música.

Percurso literário

O percurso literário de Paio Soares de Taveirós está intrinsecamente ligado à tradição da cantiga de amor, um dos géneros predominantes na lírica galego-portuguesa. A sua obra é composta por cantigas que expressam os ideais do amor cortês, a vassalagem amorosa e a saudade pela dama.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Paio Soares de Taveirós inclui cantigas de amor que são exemplares do género. São conhecidas pela sua delicadeza, pela expressão sentimental e pela musicalidade inerente às formas poéticas da época. Os temas centrais são o amor platónico, a idealização da figura feminina, o sofrimento do amante e a sua devoção incondicional. O estilo é marcado pela contenção expressiva, pela elegância formal e por um vocabulário que reflete a linguagem da corte. A sua poesia contribuiu para a consolidação do modelo de amor cortês na literatura peninsular.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Paio Soares de Taveirós viveu num período de intensa atividade cultural na corte de Afonso II de Portugal e no contexto da expansão dos reinos cristãos na Península Ibérica. A sua poesia reflete os valores da sociedade feudal e cortesã, onde a arte trovadoresca desempenhava um papel social e cultural importante.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de Paio Soares de Taveirós são escassos. Sabe-se que a sua atividade como trovador o ligava aos círculos da nobreza e da corte.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Paio Soares de Taveirós é reconhecido como um dos mestres da cantiga de amor. A sua obra foi compilada nos cancioneiros medievais, o que atesta a sua importância e difusão na época. A sua poesia tem sido estudada e valorizada por medievalistas e amantes da literatura como um testemunho da riqueza da produção lírica galego-portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Paio Soares de Taveirós foi influenciado pela poesia provençal, de onde o género da cantiga de amor teve origem. Por sua vez, a sua obra exerceu influência sobre outros trovadores galego-portugueses, contribuindo para a formação de um corpus poético que viria a ser a base da futura literatura em língua portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A crítica literária tem analisado as cantigas de Paio Soares de Taveirós sob a ótica do amor cortês, destacando a sua capacidade de expressar sentimentos complexos com subtileza e elegância. A sua obra é vista como um reflexo da mentalidade medieval e dos ideais de amor e honra.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O nome "de Taveirós" ou "de Baião" sugere uma ligação a propriedades ou linhagens específicas, mas os detalhes sobre essas conexões permanecem objeto de pesquisa.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Presume-se que Paio Soares de Taveirós tenha falecido no início do século XIII. A sua memória perdura através das suas composições poéticas preservadas nos cancioneiros medievais.