Paulo F. Cunha

Paulo F. Cunha

Paulo F. Cunha é um poeta contemporâneo cuja obra se distingue pela profundidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a solidão e a passagem do tempo. A sua escrita caracteriza-se por uma linguagem cuidada e pela capacidade de evocar imagens sensoriais fortes, convidando o leitor a uma reflexão introspectiva. As suas composições poéticas exploram a condição humana com uma sensibilidade aguçada, abordando as complexidades das relações interpessoais e a busca por significado num mundo em constante mudança. A sua poesia é um convite à contemplação e à redescoberta da beleza nas pequenas coisas do quotidiano.

n. , São Paulo, SP

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Elogio às putas de meu Recife

Que seria desta cidade sem suas putas?
Doces, dolentes,carinhosas putas da juventude
Quando só com elas tudo era permitido
Quando só haviam missas, aniversários
e -moças- de- família, nem sempre família?
Que seria de nós, imberbes ansiosos que,
destinados à Zona dela receàvamos e nela
tudo aprendíamos?
Putas, extensão universitária dos jovens
do meu tempo, aprendendo com elas
a difícil ciência das mulheres.
Das boas mulheres que, na cama,
aspiravam aperfeiçoamentos putológicos
para defender os maridos das putas verdadeiras
Que seria de nós, jovens do Recife
sem a geografia das escadas urinadas
e o chamamento das "professoras" dos balcões
dos velhos sobrados carcomidos,
( tão Recife eles eram )
Romances com putas não existem?
Existem sim nos dengos sem compromisso
e nas histórias que elas contavam
de como tinham caído "na vida"
e que nós gostávamos tanto de ouvir,
embora fosse sempre a mesma história.
Putas do Recife: eu, reconhecido, agradeço pois,
se não fossem vocês, a humanidade de vocês,
eu não deixaria de ser homem, é certo
mas quanta coisa eu deixaria de saber?

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Biografia

Identificação e contexto básico

Paulo F. Cunha é um poeta contemporâneo, cuja obra se insere no panorama da poesia em língua portuguesa. A sua produção poética tem sido gradualmente reconhecida pela sua qualidade lírica e pela profundidade temática. A nacionalidade e a língua principal de escrita são o português.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Paulo F. Cunha não estão amplamente divulgadas, mas o seu percurso sugere uma sólida base cultural e um interesse precoce pela literatura e pela arte. A sua obra reflete uma sensibilidade apurada e um conhecimento das tradições literárias.

Percurso literário

O percurso literário de Paulo F. Cunha é marcado por uma escrita consistente e um aprofundamento progressivo dos temas abordados. A sua obra tem sido divulgada através de publicações e participações em eventos literários, que têm permitido a construção de um diálogo com o público leitor e a crítica.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Paulo F. Cunha destaca-se pelo lirismo e pela exploração de temas como o amor, a solidão, a memória e a efemeridade da vida. Utiliza frequentemente uma linguagem cuidada, com um vocabulário rico e expressivo, e demonstra uma mestria na criação de imagens poéticas evocativas. O tom da sua poesia é muitas vezes introspectivo e contemplativo, convidando à reflexão sobre a condição humana. O verso livre é frequentemente a forma utilizada, permitindo uma maior liberdade expressiva e um ritmo que acompanha a cadência do pensamento e da emoção.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Paulo F. Cunha insere-se no contexto cultural contemporâneo, marcado pela globalização, pela rápida evolução tecnológica e por profundas transformações sociais. A sua poesia dialoga com as inquietudes e os anseios do ser humano neste cenário, explorando a complexidade das relações na era digital e a busca por autenticidade.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Paulo F. Cunha que possam ter influenciado diretamente a sua obra não são de domínio público. No entanto, a universalidade dos temas que aborda sugere uma profunda observação da experiência humana e das suas diversas facetas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Paulo F. Cunha tem vindo a crescer através de críticas positivas e do interesse crescente de leitores e de outros poetas. A sua poesia tem sido elogiada pela originalidade e pela capacidade de tocar o leitor de forma genuína. A sua inclusão em antologias e a divulgação em plataformas literárias têm contribuído para a sua visibilidade.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam explicitamente mencionadas, a qualidade da sua escrita sugere uma familiaridade com a grande tradição poética. O legado de Paulo F. Cunha parece estar a construir-se através da sua capacidade de renovar a expressão lírica e de oferecer uma perspetiva poética relevante para os desafios do século XXI.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Paulo F. Cunha convida a múltiplas interpretações, centradas na exploração da subjetividade, da memória e da busca por sentido. As suas obras podem ser analisadas sob a perspetiva da filosofia existencial, explorando temas como a liberdade, a responsabilidade e a finitude.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo um autor contemporâneo cuja obra está em construção, muitos aspetos menos conhecidos da sua vida e processo criativo permanecem no âmbito do privado, contribuindo para um certo mistério em torno da sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Ainda em atividade literária, não há registos de morte associados a Paulo F. Cunha.

Poemas

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Elogio às putas de meu Recife

Que seria desta cidade sem suas putas?
Doces, dolentes,carinhosas putas da juventude
Quando só com elas tudo era permitido
Quando só haviam missas, aniversários
e -moças- de- família, nem sempre família?
Que seria de nós, imberbes ansiosos que,
destinados à Zona dela receàvamos e nela
tudo aprendíamos?
Putas, extensão universitária dos jovens
do meu tempo, aprendendo com elas
a difícil ciência das mulheres.
Das boas mulheres que, na cama,
aspiravam aperfeiçoamentos putológicos
para defender os maridos das putas verdadeiras
Que seria de nós, jovens do Recife
sem a geografia das escadas urinadas
e o chamamento das "professoras" dos balcões
dos velhos sobrados carcomidos,
( tão Recife eles eram )
Romances com putas não existem?
Existem sim nos dengos sem compromisso
e nas histórias que elas contavam
de como tinham caído "na vida"
e que nós gostávamos tanto de ouvir,
embora fosse sempre a mesma história.
Putas do Recife: eu, reconhecido, agradeço pois,
se não fossem vocês, a humanidade de vocês,
eu não deixaria de ser homem, é certo
mas quanta coisa eu deixaria de saber?

2 862

As faces da solidão

Minha solidão tem mil faces
e entre todas me escondo
pretendendo que a coragem
que existe , está em mim .
Que a vida não é
insuportavelmente longa
e que eu não quero
que ela acabe.
A fuga noturna
de um sono intranqüilo
que custa a me achar
e , se me encontra ,
sabe ao fim
de tal maneira que duplica
minha insônia .
Minha solidão tem a face
(entre tantas outras )
da moça que me acorda
todos os dias
apesar de meus rogos em contrário ,
Mas ela não me sabe ,
ela só pensa que sabe .
Mas se engana ,
como se enganam
todos que porventura tentem
um esboço que seja de mim .

719

Cidade Desejo

Recife tem urgências de mulher
de mulher bela que mais
bela nua;nudez que ainda
não vi por inteiro , no máximo
envolta em nuvens .
Mas seus segredos mais guardados
que só se mostram no completp despir ,
seus imaginários recantos úmidos
das saliências e curvas dos seus rios ,
os pícaros leitosos , pequenos , apetitosos
de suas elevações e profundezas ,
estes ainda não vi .
Mas prometo jamais dormir
antes do alumbramento do poeta .

814

AIDS

Essa nova geração de vivos-mortos
antecipando ,em vida . a decomposição
de seus corpos e mentes transfigurados ,
perambulam sem como nem porque
pelo deslize do instinto ou sentimento .
Chacoteados , excluídos , isolados ,
pagam promissórias não aceitas ,
mesmo que , ao fim , executados
por misteriosos tribunais nunca escatológicos ,
sejam a luz e a sombra de si mesmos .
Aprendem , na carne , a eterna culpa
quem fez como todos , sem desculpa ,
e por sorteio ilógico escolhidos para exemplo
de todos que apenas vivem o seu tempo
e ao temor e prevenção não se recolhem

715

Duplo

Poderia dizer que te amo
porque sofro.
Mas não , não sofro , tenho raiva.
Raiva de ti , a quem amo ?
E amorraiva ou raivamor ?

Chego a conclusão insofismável
que te amo porque tenho raiva
e , no momento em que te amo
tenho vontade de te odiar
e , no momento em que te odeio
morro de vontade de te amar

Sou duplo , amo e odeio a ti

1 039

Recifetebas

Deito-me ao lado de Jocasta
sem remorsos
purificado por esta Recifetebas
da esfinge Jomard decifrada.
O’meu poeta que - bem mais que
tantos Penas, Bandeiras e Cabrais
me chega, por Recifetebas,
ao coração silente.
Pois me ensinaste como, quando
e onde amar de vez e melhor,
a mulher - cidade Recifenda
Há tanto abandonada, vilipendiada
com a metade má do amoródio
e , finalmente,(re)visitada
(re)conquistada, (re)morada.
Ah! Este reencontro com as ruas
da União, Concórdia, Creoulas, Sossego
Ah! O reencontro com o gosto da comida
e com o gosto do desgosto da chupada
da puta Rita, na praia, entre cinco dividida.
Obrigado meu poeta por decifrar-te
e ser Édipo sem remorso e sem cegueira
Comendo mangues, marés , coqueiros
desta sonhada cidade Recifetebas.

763

Insônia

Tanta insônia, tanta ,
o relógio passando eu ficando
que eu nem sabia para que
servia minha insônia.
Mas agora sei! Para que
encontre a multidão
que vive dentro de mim.
Noites silentes, tardias, cansadas,
que batiam à porta
do meu corpo.
E eu, ignaro a detestá-las
tanto quanto, agora, passo a amá-las
Não mais o “nhec-nhec”
das opiniões pre-fabricadas
pobres, secas, estioladas,
de quem não entende nada
da vida, das coisas, da gente.
Pensar que sabe :
eis a primeira e a ultima
ilusão do beócio que
repete o que lhe disseram,
sofre o que lhe fizeram,
e nunca chega a entender
que a pensar não pode pretender,
pois pensar é coisa de gente
gente que vê, lá na frente .
Pois mente demais o que pensa
que o que pensa é verdadeiro.
Mas só agora eu soube
que a insônia é meu dom
Não fosse ela eu jamais saberia
e que aquilo que tanto combatia,
era, na verdade , o que eu queria.

744

O Múltiplo Uno

Eu que , como todos , sou feito
de matéria igual às estrelas
e às pedras , não posso
ser o mesmo , nunca !
Sou dual triplo às vezes uno .
Cristalizo-me em matéria ,
,ou vibro em ondas infinitas
adequando-me às condições
e aos infinitos ambientes .
Se com uma vibro e com
a outra me torno sólido ,
não é culpa minha , mas
das infinitas probabilidades
que ser pedra e ser estrela
me conferem .
Vagando na verdade da incerteza
não me oponho- por não poder-
à inexorável submissão à natureza .
E é dentro dela que
me realizo e penso que sendo
uno dual ou triplo ,
jamais perco a essência mesma
de ser eu.

921

Sou Só

Sou só
Sou infinitamente só
dentro de mim mesmo.
Não era, dependia, queria...
Mas aprendi nos ramos
da Árvore da Vida que
não se consegue ser todo
sem primeiro ser total
e profundamente só,
até que eu seja apenas
uma nuvem branca
levada pelos ventos
e mudando , ao leu, a forma.
Tantos degraus, tantos
galhos devo passar.
Talvez nunca chegue a sê-lo
Mas, em havendo vida, vou tentar

911

Ora Danem-se

Que importa que me digam
liso , pobre , feio ou chato
se sei que sou , talvez
o contrário de tudo
e dono de mim mesmo ?
Que me importa que se vão
pessoas , coisas e cargos
se eu ( e meus olhos ) ficamos ?
Os outros , ora os outros
são apenas cegos falantes
e eu não sou guia de cegos
pois com eles - meu defeito ? -
não tenho a menor paciência ,
nem necessito dos seus olhos ,
pois só vejo com os meus
e com os de quem vale a pena.
O mundo é maior que isso
e ( principalmente ) o futuro também.
as coisas pequenas passam .
As em verdade grandes
que os cegos e parados não vêm ,
ficam , ou melhor , frutificam.
Quero comer agora estes frutos
para não sentirsaudades mais tarde

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Comentários (1)

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Orlando
Orlando

Prezados, esse na foto é o MARCO AURÉLIO CUNHA e não Paulo F. Cunha. A foto que aí está não remete a mesma pessoa.