Lista de Poemas

Recifetebas

Deito-me ao lado de Jocasta
sem remorsos
purificado por esta Recifetebas
da esfinge Jomard decifrada.
O’meu poeta que - bem mais que
tantos Penas, Bandeiras e Cabrais
me chega, por Recifetebas,
ao coração silente.
Pois me ensinaste como, quando
e onde amar de vez e melhor,
a mulher - cidade Recifenda
Há tanto abandonada, vilipendiada
com a metade má do amoródio
e , finalmente,(re)visitada
(re)conquistada, (re)morada.
Ah! Este reencontro com as ruas
da União, Concórdia, Creoulas, Sossego
Ah! O reencontro com o gosto da comida
e com o gosto do desgosto da chupada
da puta Rita, na praia, entre cinco dividida.
Obrigado meu poeta por decifrar-te
e ser Édipo sem remorso e sem cegueira
Comendo mangues, marés , coqueiros
desta sonhada cidade Recifetebas.

743

Insônia

Tanta insônia, tanta ,
o relógio passando eu ficando
que eu nem sabia para que
servia minha insônia.
Mas agora sei! Para que
encontre a multidão
que vive dentro de mim.
Noites silentes, tardias, cansadas,
que batiam à porta
do meu corpo.
E eu, ignaro a detestá-las
tanto quanto, agora, passo a amá-las
Não mais o “nhec-nhec”
das opiniões pre-fabricadas
pobres, secas, estioladas,
de quem não entende nada
da vida, das coisas, da gente.
Pensar que sabe :
eis a primeira e a ultima
ilusão do beócio que
repete o que lhe disseram,
sofre o que lhe fizeram,
e nunca chega a entender
que a pensar não pode pretender,
pois pensar é coisa de gente
gente que vê, lá na frente .
Pois mente demais o que pensa
que o que pensa é verdadeiro.
Mas só agora eu soube
que a insônia é meu dom
Não fosse ela eu jamais saberia
e que aquilo que tanto combatia,
era, na verdade , o que eu queria.

716

Sexus, Nexus Plexos

sexus , nexus , plexus
pensava Henry Miller .
Mas , para mim , mais que tudo ,
quero sexus sem muito nexus
e com muito , muito plexus
ou vários e inusitados amplexos .
Plexo solar , central , umbilical
e todas as adajacências acima e abaixo
descobertas e hiperfuncionais
ao simples toque dos dedos ,
curiosos , desejosos , ledos .
Quero sexus sem nexus algum ,
pois não há nexus nesse desejo
que me move amedronta e alimenta
na estrada tomentosa
em que me desacorrento

959

Última Vontade

Quero amar muito
antes que me façam odiar .
Quero dar tudo que tenho
antes que tomem de mim .
Quero receber todas as coisas
antes que deixem de me dar .
Quero que olhem o que há de claro
antes que o escuro se aproxime .
Quero o êxtase de todos os movimentos
antes que me paralisem .
Quero ver , cheirar , ouvir ,
quero tocar e provar
antes que me anestesiem os sentidos .
Quero me sentir livre e solto
antes das barras do cárcere .
Quero ser muito coração
antes que me roubem o cérebro .
Quero companhia na derrota
antes que me forcem à vitória .
E quero que tudo isso chegue logo
antes que eu me transforme
em odioso ,espoliado e trevoso
prisioneiro sem cadeias
que nada soube fazer
a não ser obedecer e vencer

668

Duplo

Poderia dizer que te amo
porque sofro.
Mas não , não sofro , tenho raiva.
Raiva de ti , a quem amo ?
E amorraiva ou raivamor ?

Chego a conclusão insofismável
que te amo porque tenho raiva
e , no momento em que te amo
tenho vontade de te odiar
e , no momento em que te odeio
morro de vontade de te amar

Sou duplo , amo e odeio a ti

1 018

Sou Só

Sou só
Sou infinitamente só
dentro de mim mesmo.
Não era, dependia, queria...
Mas aprendi nos ramos
da Árvore da Vida que
não se consegue ser todo
sem primeiro ser total
e profundamente só,
até que eu seja apenas
uma nuvem branca
levada pelos ventos
e mudando , ao leu, a forma.
Tantos degraus, tantos
galhos devo passar.
Talvez nunca chegue a sê-lo
Mas, em havendo vida, vou tentar

882

Ah!

Ah! A lembrança da moça
que me tirou o peso
da alma.
Ah , a lembrança da moça
que me soltou o coração

pôr um instante .
Ah , a lembrança da moça
que olhei e que me fez
homem
de novo
Ah , o instante ( horas , talvez)
que passou, ou me engano eu
quando penso
( e quero ? )
que pensam em mim .

que marcou
que ficou .
Ah , a impossibilidade do concreto
contra a extrema possibilidade
do momento
que virou passada fantasia
e que assim será lembrado

com minhas duas metades
e elas se encontram com as tuas
nas circunvoluções da nossa vida .

991

Cidade Desejo

Recife tem urgências de mulher
de mulher bela que mais
bela nua;nudez que ainda
não vi por inteiro , no máximo
envolta em nuvens .
Mas seus segredos mais guardados
que só se mostram no completp despir ,
seus imaginários recantos úmidos
das saliências e curvas dos seus rios ,
os pícaros leitosos , pequenos , apetitosos
de suas elevações e profundezas ,
estes ainda não vi .
Mas prometo jamais dormir
antes do alumbramento do poeta .

798

Te Quero

Te quero , te preciso .
Estás longe e te sinto perto ,
estás perto e te sinto longe .

Te quero , te preciso ,
e nada mais quero
que queiras à mim

Te quero , te preciso
e sei que me queres
mas não queres querer .

Te quero , te preciso ,
fogem passado e futuro
e fica o presente ... em ti .

Te quero , te preciso .
Te espero , te gosto , te amo ,
te olho , te abraço , te beijo

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Comentários (1)

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Orlando
Orlando

Prezados, esse na foto é o MARCO AURÉLIO CUNHA e não Paulo F. Cunha. A foto que aí está não remete a mesma pessoa.

Identificação e contexto básico

Paulo F. Cunha é um poeta contemporâneo, cuja obra se insere no panorama da poesia em língua portuguesa. A sua produção poética tem sido gradualmente reconhecida pela sua qualidade lírica e pela profundidade temática. A nacionalidade e a língua principal de escrita são o português.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Paulo F. Cunha não estão amplamente divulgadas, mas o seu percurso sugere uma sólida base cultural e um interesse precoce pela literatura e pela arte. A sua obra reflete uma sensibilidade apurada e um conhecimento das tradições literárias.

Percurso literário

O percurso literário de Paulo F. Cunha é marcado por uma escrita consistente e um aprofundamento progressivo dos temas abordados. A sua obra tem sido divulgada através de publicações e participações em eventos literários, que têm permitido a construção de um diálogo com o público leitor e a crítica.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Paulo F. Cunha destaca-se pelo lirismo e pela exploração de temas como o amor, a solidão, a memória e a efemeridade da vida. Utiliza frequentemente uma linguagem cuidada, com um vocabulário rico e expressivo, e demonstra uma mestria na criação de imagens poéticas evocativas. O tom da sua poesia é muitas vezes introspectivo e contemplativo, convidando à reflexão sobre a condição humana. O verso livre é frequentemente a forma utilizada, permitindo uma maior liberdade expressiva e um ritmo que acompanha a cadência do pensamento e da emoção.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Paulo F. Cunha insere-se no contexto cultural contemporâneo, marcado pela globalização, pela rápida evolução tecnológica e por profundas transformações sociais. A sua poesia dialoga com as inquietudes e os anseios do ser humano neste cenário, explorando a complexidade das relações na era digital e a busca por autenticidade.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Paulo F. Cunha que possam ter influenciado diretamente a sua obra não são de domínio público. No entanto, a universalidade dos temas que aborda sugere uma profunda observação da experiência humana e das suas diversas facetas.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Paulo F. Cunha tem vindo a crescer através de críticas positivas e do interesse crescente de leitores e de outros poetas. A sua poesia tem sido elogiada pela originalidade e pela capacidade de tocar o leitor de forma genuína. A sua inclusão em antologias e a divulgação em plataformas literárias têm contribuído para a sua visibilidade.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora influências específicas não sejam explicitamente mencionadas, a qualidade da sua escrita sugere uma familiaridade com a grande tradição poética. O legado de Paulo F. Cunha parece estar a construir-se através da sua capacidade de renovar a expressão lírica e de oferecer uma perspetiva poética relevante para os desafios do século XXI.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Paulo F. Cunha convida a múltiplas interpretações, centradas na exploração da subjetividade, da memória e da busca por sentido. As suas obras podem ser analisadas sob a perspetiva da filosofia existencial, explorando temas como a liberdade, a responsabilidade e a finitude.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Sendo um autor contemporâneo cuja obra está em construção, muitos aspetos menos conhecidos da sua vida e processo criativo permanecem no âmbito do privado, contribuindo para um certo mistério em torno da sua figura.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Ainda em atividade literária, não há registos de morte associados a Paulo F. Cunha.