Luís de Camões
Autor do dia

Luís de Camões

Luís de Camões é o maior poeta da língua portuguesa, autor de "Os Lusíadas", a epopeia nacional que narra as viagens de Vasco da Gama à Índia. Sua obra poética abrange desde o lirismo amoroso, marcado pela influência petrarquista e pelo sofrimento passional, até a reflexão sobre o destino, a pátria e a condição humana. É considerado um dos pilares da literatura ocidental.

Poema do dia

Ter ou não ter namorado, eis a questão

Artur da Távola
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remunerada de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega do lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar... Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa, é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai pelos parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida, para de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.
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Nasceram neste dia

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Ondina Castilho

Ondina Castilho foi uma poeta portuguesa cuja obra se destaca pela sua profunda sensibilidade lírica e pela exploração de temas como a natureza, o amor e a passagem do tempo. A sua escrita, muitas vezes marcada por uma melancolia subtil e uma musicalidade envolvente, reflete uma profunda conexão com o mundo interior e o ambiente que a rodeava. A poesia de Ondina Castilho é um testemunho da sua capacidade de observar e sentir o mundo, traduzindo essas percepções em versos que tocam a alma do leitor. A sua obra, embora talvez menos conhecida do grande público, ocupa um lugar de valor na literatura portuguesa do século XX, pela sua autenticidade e beleza lírica.

Sou sua pálida amante vaporosa
Manuel Sobrinho

Manuel Sobrinho é um poeta cuja obra se caracteriza por uma linguagem enérgica e um olhar crítico sobre a sociedade e a condição humana. A sua poesia transita entre o lirismo e a intervenção social, explorando temas como a injustiça, a esperança, o amor e a busca por identidade. Com uma voz potente e um estilo que combina a força expressiva com a sensibilidade, Sobrinho tem vindo a afirmar-se como um nome relevante na poesia contemporânea, capaz de dialogar com a tradição e de propor novas perspetivas.

São Francisco
Paulo de Tarso

Paulo de Tarso, figura central no Cristianismo primitivo, é conhecido pela sua extraordinária jornada de perseguição aos cristãos à conversão e subsequente papel como um dos apóstolos mais influentes. A sua vasta obra epistolar, compilada no Novo Testamento, moldou profundamente a teologia e a prática cristã, estabelecendo doutrinas fundamentais sobre fé, salvação e a natureza de Cristo. A sua teologia expansiva e a sua incansável atividade missionária pelos territórios do Império Romano foram cruciais para a disseminação e consolidação do Cristianismo como uma religião global. O seu legado perdura como um dos pilares intelectuais e espirituais da fé cristã.

Símiles
Goulart de Andrade

Goulart de Andrade foi um poeta e escritor cuja obra é marcada por uma forte carga lírica e uma profunda sensibilidade na exploração de temas como o amor, a saudade, a identidade e a condição humana. A sua poesia, muitas vezes associada a um lirismo agridoce, reflete uma profunda conexão com as emoções e a introspeção, convidando à reflexão sobre as nuances da vida e das relações.

Kosmos
Luiz de Miranda

Luiz de Miranda foi um poeta e diplomata português conhecido pela sua poesia lírica e pela sua profunda reflexão sobre o amor, a natureza e a condição humana. A sua obra, marcada por uma linguagem cuidada e uma musicalidade singular, explora as nuances do sentimento humano e a beleza do mundo. Ao longo da sua carreira literária, demonstrou uma mestria ímpar na arte de versificar, utilizando formas clássicas e experimentais para expressar a sua visão do universo. A sua poesia convida à introspeção e à contemplação, deixando um legado de beleza e profundidade.

Resistência
Nicolas Chamfort

Nicolas Chamfort foi um escritor e ensaísta francês do século XVIII, conhecido pelos seus aforismos e pensamentos espirituosos e cínicos. As suas obras refletem uma visão pessimista da natureza humana e da sociedade, criticando a hipocrisia e as convenções sociais da sua época. É considerado um precursor do pensamento existencialista.

A maioria dos colecionadores de provérbios age com
Henrique Segurado

Henrique Segurado foi um poeta português cuja obra se destaca pela profundidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a natureza e a condição humana. A sua poesia, embora inserida num contexto cultural específico, transcende as barreiras temporais e geográficas, ressoando com a sensibilidade de leitores de diferentes épocas e lugares. A sua escrita é marcada por uma linguagem cuidada e por uma musicalidade intrínseca, características que o consolidaram como uma voz importante na poesia portuguesa contemporânea.

Serafim Leite

Serafim Leite foi um sacerdote jesuíta, historiador e etnógrafo português, conhecido pela sua vasta obra sobre a história da Companhia de Jesus no Brasil. Dedicou grande parte da sua vida à investigação e documentação da presença jesuíta nas missões, recolhendo um acervo valioso de informações sobre as culturas indígenas e a colonização portuguesa. O seu trabalho é fundamental para o estudo da história colonial brasileira e da atuação missionária.

Antón Avilés "de Taramancos"

Antón Avilés "de Taramancos" foi um influente poeta e ativista cultural galego. Sua obra poética é um reflexo da identidade galega, abordando temas como a terra, a história e as lutas sociais. Ele é conhecido por sua linguagem forte e sua conexão profunda com as raízes culturais da Galiza. Além de sua produção literária, Avilés "de Taramancos" teve um papel importante na defesa da cultura e da língua galegas, sendo uma figura respeitada por sua integridade e paixão pela sua terra.

Homero Aridjis

Homero Aridjis é um destacado poeta, ensaísta e ecologista mexicano, cuja obra se caracteriza por uma profunda conexão com a natureza e uma constante reflexão sobre a condição humana. Sua poesia, muitas vezes lírica e evocativa, explora temas universais como o amor, a morte, o tempo e a memória, imbuídas de uma sensibilidade particular para o mundo natural e seus ciclos vitais.

Morreram neste dia

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Daniel Filipe

Daniel Filipe é um poeta português conhecido pela sua obra profundamente marcada pela reflexão existencial e pela exploração da condição humana. A sua poesia caracteriza-se por uma linguagem cuidada e uma musicalidade subtil, explorando temas como o tempo, a memória, a efemeridade da vida e a busca de sentido. Com uma obra que se desenvolve de forma discreta mas persistente, Filipe construiu um universo poético singular, onde a melancolia se entrelaça com uma serena aceitação da realidade.

A invenção do amor
José Honório

José Honório foi um poeta português cuja obra se insere no contexto literário do século XX. A sua poesia é marcada por uma profunda reflexão sobre a condição humana, explorando temas como o tempo, a memória e a efemeridade da existência. As suas composições poéticas caracterizam-se por uma linguagem cuidada e uma musicalidade intrínseca, que convidam à introspeção e à contemplação. A sua contribuição literária, embora por vezes menos divulgada que a de outros contemporâneos, representa um testemunho valioso da poesia portuguesa.

Vi a porteira do mundo
Dora Ferreira da Silva

Dora Ferreira da Silva foi uma poetisa brasileira, conhecida por sua obra lírica e reflexiva. Sua poesia explora temas como o amor, a efemeridade do tempo e a busca por sentido, frequentemente permeada por uma melancolia suave e uma profunda sensibilidade. Com uma linguagem refinada e um estilo marcado pela musicalidade e pela precisão vocabular, a autora deixou um legado de poemas que continuam a tocar pela sua autenticidade e profundidade emocional. Sua contribuição para a poesia brasileira é reconhecida pela originalidade e pela força de sua expressão lírica.

Valsas de Esquina de Mignone
José Bonifácio de Andrada e Silva

José Bonifácio de Andrada e Silva foi um influente estadista, naturalista e poeta brasileiro, figura central na Independência do Brasil. Destacou-se por sua atuação política e científica, sendo considerado o Patriarca da Independência. Sua obra poética, embora menos conhecida que sua atuação pública, reflete o espírito de seu tempo e suas convicções.

Ode aos Baianos
Ismael Nery

Ismael Nery foi um pintor e poeta brasileiro, figura singular e enigmática do cenário artístico do século XX. A sua obra poética, embora menos conhecida que a sua produção pictórica, revela uma profunda introspeção, um lirismo singular e uma exploração de temas como a identidade, a espiritualidade e a androginia. A sua escrita, marcada por uma linguagem delicada e introspectiva, reflete a mesma busca por transcendência e a dualidade que permeiam a sua pintura.

A Noiva do Poeta
Giovanni Pascoli

Giovanni Pascoli (31 de dezembro de 1855 - 6 de abril de 1912) foi um poeta italiano. É considerado um dos maiores poetas líricos da literatura italiana moderna. Sua poesia é caracterizada por um estilo inovador, com grande atenção à musicalidade e ao uso de uma linguagem rica em simbolismo. Temas recorrentes em sua obra incluem a infância, a natureza, a memória e a perda.

Guilherme de Azevedo

Guilherme de Azevedo foi um poeta, jornalista e político português, figura proeminente do movimento do Renascimento de Portugal no final do século XIX e início do século XX. A sua obra poética é marcada por um lirismo profundo, abordando temas como o amor, a saudade e a natureza, com um estilo que reflete a influência do Simbolismo e do Parnasianismo. Como jornalista e político, Azevedo teve um papel ativo na vida pública da sua época, defendendo causas sociais e culturais. A sua poesia, embora por vezes melancólica, revela uma forte ligação à identidade portuguesa e um desejo de renovação estética e social.

Reed Whittemore

Reed Whittemore foi um poeta americano, crítico e professor, conhecido por sua poesia que mescla o coloquial com o reflexivo, muitas vezes abordando temas do cotidiano e da vida intelectual com um toque de humor e ironia. Sua obra literária é apreciada pela clareza e pela originalidade de seu olhar sobre o mundo. Whittemore dedicou parte de sua carreira ao ensino, compartilhando seu amor pela literatura e pela escrita com novas gerações de estudantes.

José María Iparraguirre

José María Iparraguirre Balerdi foi um poeta e compositor espanhol, conhecido principalmente por ser o autor da letra do "Gernikako Arbola", considerado o hino não oficial do País Basco. Nascido no seio de uma família basca, a sua vida foi marcada pelo exílio e pelo compromisso com a causa basca, o que se refletiu profundamente na sua obra poética e musical. A sua poesia, escrita em euskera e em castelhano, transmite um forte sentimento de amor à terra, à sua cultura e ao seu povo, bem como uma profunda saudade e denúncia da opressão. Através dos seus versos e canções, Iparraguirre tornou-se um símbolo da identidade e da resistência do povo basco, deixando um legado duradouro na memória coletiva.

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