Lista de Poemas
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O Lírio Distante
Coréia, tua morada
era um jardim ativo
de novas flores que se construíam.
Era tua paz de seda
um manto verde,
um lírio que elevava
seu rápido relâm…
O Mar
Ali combateram mexendo-se na turbulência
os germes, a espora túrgida, as gomas da alga,
as ovas de um mar diminuto que ferve à beira do mar,
até que a rede quebra…
Tarde - LXXVI
Diego Rivera com a paciência do osso
buscava a esmeralda do bosque na pintura
ou o vermelhão, a flor súbita do sangue,
recolhia a luz do mundo em teu retrato.
Sinos
Gostei desde antes de nascer de escutar os sinos,
tocar o orvalho no bronze dos campanários,
e depois crescendo selvagem entre paliçadas com barbas de musgo
afund…
Canto XIV - O Grande Oceano
I
O grande oceano
Se de teus dons e de tuas destruições, oceano, a minhas mãos
pudesses destinar uma medida, uma fruta, um fermento,
escolheria teu rep…
A noite
Oh, noite, oh substância que muda teu corpo e devolve à terra a estrela,
pensei, sacudido entre incertos temores tocando teus dedos,
pensando na rosa de sal deslumbran…
Noite - LXXXIII
É bom, amor, sentir-te perto de mim na noite,
invisível em teu sonho, seriamente noturna,
enquanto eu desenrolo minhas preocupações
como se fossem redes confundid…
XXV
Por que para esperar a neve
se desnudou o arvoredo?
E como saber qual é Deus
entre os deuses de Calcutá?
Por que vivem tão esfarrapados
todo…
LVII
Não será bom proibir
os beijos interplanetários?
Por que não analisar as coisas
antes de habilitar planetas?
E por que não o ornitorrinco
co…
Tarde - LVII
Mentem os que disseram que eu perdi a lua,
os que profetizaram meu porvir de areia,
asseveraram tantas coisas com línguas frias:
quiseram proibir a flor do univer…
Tarde - LXXV
Esta é a casa, o mar e a bandeira.
Errávamos por outros longos muros.
Não achávamos a porta nem o som
desde a ausência como desde mortos.
E ao fi…
XXVII
Morreram talvez de vergonha
estes trens que se extraviaram?
Quem nunca viu o aloés?
Onde plantaram os olhos
do camarada Paul Éluard?
H…
I. Conversação Marítima
Encontrei Rubén Darío nas ruas de Valparaíso,
esmirrado aduaneiro, singular rouxinol que nascia:
era ele uma sombra nas gretas do porto, na fumaça marinha,
um del…
Manhã - XXIV
Amor, amor, as nuvens à torre do céu
subiram como triunfantes lavadeiras,
e tudo ardeu em azul, foi tudo estrela:
o mar, a nave, o dia se desterraram juntos.
XII. Adeus
Lord Cochrane, adeus! Teu navio retorna ao combate
e apenas selou a vitória as portas de tuas possessões,
apenas a fumaça da chaminé saúda a paz de teu horto
nave…
LVI
Não achas que os dromedários
preservam lua em suas corcovas?
Não a semeiam nos desertos
com persistência clandestina?
E não estará emprestado o m…
Manhã - II
Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em Taltal não amanhece ainda a …
Canto XV - Eu Sou
I
A fronteira (1904)
O primeiro que vi foram árvores, barrancos
decorados com flores de selvagem formosura,
úmido território, bosques que se incendiava…
Manhã - XXXI
Com loureiros do Sul e orégão de Lota
cinjo-te a coroa, pequena monarca de meus ossos,
e não pode faltar-te essa coroa
que elabora a terra com bálsamo e folhagem.…
Iii - Quando do Chile
Oh Chile, longa pétala
de mar e vinho e neve,
ai quando
ai quando e quando
ai quando
me encontrarei contigo,
enrolarás tua cinta
de espuma bra…
Espaços
Dali, da honra do oceano e da Patagônia agachada
pelo vendaval, pelo peso da solidão rancorosa,
voando vai o voo, a fúria e a ordem, longitudinal e severo,
voando…
XI. Triunfo
Valdívia! A pólvora varreu as insígnias da Espanha!
Callao! As proas do Chile do Sul roubaram os ovos da águia!
E foram abertos os mares à viagem de todos os homens!
Vamos Ver, Chamei a Minha Tribo
Vamos ver, chamei a minha tribo e disse:
vamos ver, quem somos, que fazemos, que
[pensamos.
O mais pálido deles, de nós,
me respondeu com outros olhos,
…
Meio-Dia - XXXVII
Oh amor, oh raio louco e ameaça purpúrea,
me visitas e sobes por tua viçosa escada
o castelo que o tempo coroou de neblinas,
as pálidas paredes do coração fechado…