Citações neste tema
Outros
Machado de Assis
Não se importe de não ser alegre; também eu o não sou, ainda que pareça menos triste. Mas há em tudo um limite. Sacuda de si esse mal. A arte é um bom refúgio; perdoe a banalidade do dito em favor da verdade eterna.
38
Machado de Assis
Ninguém sabe o que sou quando rumino. Posso dizer, sem medo de errar, que rumino muito melhor do que falo. A palestra é uma espécie de peneira, por onde a ideia sai com dificuldade, creio que mais fina, mas muito menos sincera. Ruminando, a ideia fica íntegra e livre. Sou mais profundo ruminando; e mais elevado também.
52
Machado de Assis
Não achareis linha cética nestas minhas conversações dominicais. Se destes com alguma que se possa dizer pessimista, adverte que nada há mais oposto ao ceticismo. Achar que uma coisa é ruim, não é duvidar dela, mas afirmá-la. O verdadeiro cético não crê, como o Dr. Pangloss, que os narizes se fizeram para os óculos, nem, como eu, que os óculos é que se fizeram para os narizes; o cético verdadeiro descrê de uns e de outros. Que economia de vidros e de defluxos, se eu pudesse ter esta opinião!
43
Denis Diderot
Querem saber a história abreviada de quase toda a nossa miséria? Ei-la: havia um homem natural. No âmago desse homem, entretanto, foi introduzido um homem artificial, e ele desencadeou no interior da caverna uma guerra civil que se prolonga por toda a vida.
67
Friedrich Nietzsche
A nossa época, embora fale tanto de economia, é esbanjadora: esbanja o que é mais precioso, o espírito.
58
Sigmund Freud
Eu não consigo encarar sem desconforto a ideia da vida sem trabalho; o trabalho e o livre jogo da imaginação são para mim a mesma coisa, eu não derivo prazer de mais nada.
56
Montaigne
Dizem que no Brasil as pessoas só morrem de velhice, o que se atribui à pureza e à calma do ar que respiram, e que, a meu ver, provém antes da serenidade e da tranquilidade das suas almas isentas de paixões, de desgostos, de preocupações que excitam e contrariam. Ignorantes, iletrados, sem lei nem rei, nem religião alguma, a sua vida desenvolve-se numa admirável simplicidade.
66
Fiódor Dostoiévski
Se um grande povo não acreditar que a verdade somente pode ser encontrada nele mesmo [...], se ele não crer que apenas ele está apto e destinado a se erguer e redimir a todos por meio da sua verdade, ele prontamente se rebaixa à condição de material etnográfico, e não de um grande povo. Um povo realmente grande jamais poderá aceitar uma parte secundária na história da humanidade, nem mesmo entre os primeiros, mas fará questão da primazia. Uma nação que perde essa crença deixa de ser uma nação.
84
John Maynard Keynes
Por que não deveríamos começar a colher os frutos espirituais das nossas conquistas materiais?
64
William Shakespeare
Quando o meu amor jura que ela é feita da verdade, acredito, sim, no que diz, embora saiba que está a mentir.
53
Lucrécio
Quando surgiu a propriedade e o ouro foi descoberto, a força e a beleza perderam muito do seu brilho. Pois não importa quão belos ou fortes sejam os homens, eles em geral seguem atrás do mais rico.
38
Walt Whitman
Quer dizer que me contradigo? Pois bem, então me contradigo (sou vasto, abrigo multidões).
90
David Hume
Esses princípios da natureza humana, dirão vocês, são contraditórios. Mas o que é o homem senão um amontoado de contradições!
49
Otto von Bismarck
Fausto reclamou de ter duas almas no seu peito. Eu possuo toda uma multidão a bater boca. É como se fosse uma república.
53
Carlos Drummond de Andrade
O maestro Aschermann, violinista, dirige o requintado quinteto de cordas. Guadagnin, segundo violino, Gioglia na viola. O violoncelo é de Targino. Ao piano, Nazinha Prates. Haydn flutua no ar da Rua Bahia. Por que maligna inclinação, vou ver o melodrama dos Garridos no palco-poeira do Cinema Floresta?
25
Carlos Drummond de Andrade
O maestro Aschermann, violinista, dirige o requintado quinteto de cordas. Guadagnin, segundo violino, Gioglia na viola. O violoncelo é de Targino. Ao piano, Nazinha Prates. Haydn flutua no ar da Rua Bahia. Por que maligna inclinação, vou ver o melodrama dos Garridos no palco-poeira do Cinema Floresta?
25
Manuel Bandeira
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus — ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
61
Stendhal
No amor tenho sempre a impressão de que uma felicidade ilimitada, além dos meus mais desvairados sonhos, está logo ali dobrando a esquina, aguardando apenas uma palavra ou um sorriso. [...] A beleza não é senão a promessa de felicidade.
55
Fiódor Dostoiévski
Afinal, o sofrimento é a única causa da consciência. Embora tenha dito antes que, na minha opinião, a consciência é o maior infortúnio do homem, ainda assim sei que ele a ama e não a trocaria por nenhum outro tipo de satisfação.
75
Charles Baudelaire
Sonhos! sempre sonhos! e quanto mais ambiciosa e fina é a alma, tanto mais os sonhos a afastam do possível. Cada homem traz em si sua dose de ópio natural, constantemente segregada e renovada. E, do nascimento à morte, quantas horas podemos contar preenchidas pelo verdadeiro prazer, pela ação feliz e resoluta?
65
Friedrich Nietzsche
O que fazer para se estimular quando se está cansado e saturado de si mesmo? Uma pessoa recomenda o casino, a outra o cristianismo, a terceira a eletricidade. O melhor, porém, meu caro melancólico, é dormir muito, em sentido próprio e impróprio! Assim teremos novamente a nossa manhã! A peça de arte, na sabedoria de viver, é saber intercalar o sono de toda a espécie no momento certo.
30
Fernando Pessoa
Tenho tal sono que pensar é um mal. Tenho sono. Dormir é ser igual, no homem, ao despertar do animal. É viver fundo nesse inconsciente com que à tona da vida o animal sente. É ser meu ser profundo alheiamente. Tenho sono talvez porque toquei onde sinto o animal que abandonei. E o sono é uma lembrança que encontrei.
67
Fernando Pessoa
Não gozei nunca, talvez, uma hora indelével, isenta de um fundo espiritual de falência e de desânimo. Em todas as minhas horas libertas uma dor dormia, floria vagamente, por detrás dos muros da minha consciência, em outros quintais; mas o aroma e a própria cor dessas flores tristes atravessavam intuitivamente os muros, e o lado de lá deles, onde floriam as rosas, nunca deixava de ser, no mistério confuso do meu ser, um lado de cá esbatido na minha sonolência de viver.
63