Poemas neste tema
Relações e Família
Castro Alves
Durante um Temporal
VAI FUNDA a tempestade no infinito,
Ruge o ciclone túmido e feroz...
Uiva a jaula dos tigres da procela
— Eu sonho tua voz —
Cruzam as nuvens refulgentes, negras,
Na mão do vento em desgrenhados elos...
Eu vejo sobre a seda do corpete
Teus lúbricos cabelos ...
Do relâmpago a luz rasga até o fundo
Os abismos intérminos do ar...
Eu sondo o firmamento de tua alma,
À luz de teu olhar ...
Sobre o peito das vagas arquejantes
Borrifa a espuma em ósculos o espaço...
Eu — penso ver arfando, alvinitentes,
As rendas no regaço.
A terra treme... As folhas descaídas
Rangem ao choque rijo do granizo
Como acalenta um coração aflito,
Como é bom teu sorriso,....
Que importa o vendaval, a noite, os euros,
Os trovões predizendo o cataclismo...
Se em ti pensando some-se o universo
E em ti somente eu cismo...
Tu és a minha vida ... o ar que aspiro ...
Não há tormentas quando estás em calma.
Para mim só há raios em teus olhos,
Procelas em tua alma!
Ruge o ciclone túmido e feroz...
Uiva a jaula dos tigres da procela
— Eu sonho tua voz —
Cruzam as nuvens refulgentes, negras,
Na mão do vento em desgrenhados elos...
Eu vejo sobre a seda do corpete
Teus lúbricos cabelos ...
Do relâmpago a luz rasga até o fundo
Os abismos intérminos do ar...
Eu sondo o firmamento de tua alma,
À luz de teu olhar ...
Sobre o peito das vagas arquejantes
Borrifa a espuma em ósculos o espaço...
Eu — penso ver arfando, alvinitentes,
As rendas no regaço.
A terra treme... As folhas descaídas
Rangem ao choque rijo do granizo
Como acalenta um coração aflito,
Como é bom teu sorriso,....
Que importa o vendaval, a noite, os euros,
Os trovões predizendo o cataclismo...
Se em ti pensando some-se o universo
E em ti somente eu cismo...
Tu és a minha vida ... o ar que aspiro ...
Não há tormentas quando estás em calma.
Para mim só há raios em teus olhos,
Procelas em tua alma!
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2
Ruy Cinatti
Linha de Rumo
Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Encontro-me parado...
Olho em meu redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.
Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campo de flores
E silvas...
Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.
Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.
Encontro-me parado...
Olho em meu redor e vejo inacabado
O meu mundo melhor.
Tanto tempo perdido...
Com que saudade o lembro e o bendigo:
Campo de flores
E silvas...
Fonte da vida fui. Medito. Ordeno.
Penso o futuro a haver.
E sigo deslumbrado o pensamento
Que se descobre.
Quem não me deu Amor, não me deu nada.
Desterrado,
Desterrado prossigo.
E sonho-me sem Pátria e sem Amigos,
Adrede.
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2
Antero Coelho Neto
Nosso Amor Comum
Nossos momentos?
Ah! Foram tantos!
O tempo? longo...
e o amor demais.
Embora distantes
ficamos os dois
ligado pelos sonhos.
Quando estivemos juntos
nenhuma dor ou pranto
sempre um frenesi
ora de ardor
ora de afago
ora de orgasmo
ora de tudo
ora de nada
na maior alegria.
Nós dois somente
e ninguém mais,
como na velha canção
tão lugar comum.
Mas nós somos comuns
e comum é o nosso amor.
Ah! Foram tantos!
O tempo? longo...
e o amor demais.
Embora distantes
ficamos os dois
ligado pelos sonhos.
Quando estivemos juntos
nenhuma dor ou pranto
sempre um frenesi
ora de ardor
ora de afago
ora de orgasmo
ora de tudo
ora de nada
na maior alegria.
Nós dois somente
e ninguém mais,
como na velha canção
tão lugar comum.
Mas nós somos comuns
e comum é o nosso amor.
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2
Antero Coelho Neto
Nosso Amor Comum
Nossos momentos?
Ah! Foram tantos!
O tempo? longo...
e o amor demais.
Embora distantes
ficamos os dois
ligado pelos sonhos.
Quando estivemos juntos
nenhuma dor ou pranto
sempre um frenesi
ora de ardor
ora de afago
ora de orgasmo
ora de tudo
ora de nada
na maior alegria.
Nós dois somente
e ninguém mais,
como na velha canção
tão lugar comum.
Mas nós somos comuns
e comum é o nosso amor.
Ah! Foram tantos!
O tempo? longo...
e o amor demais.
Embora distantes
ficamos os dois
ligado pelos sonhos.
Quando estivemos juntos
nenhuma dor ou pranto
sempre um frenesi
ora de ardor
ora de afago
ora de orgasmo
ora de tudo
ora de nada
na maior alegria.
Nós dois somente
e ninguém mais,
como na velha canção
tão lugar comum.
Mas nós somos comuns
e comum é o nosso amor.
1 378
2
Castro Alves
Adeus
—ADEUS — Ai criança ingrata!
Pois tu me disseste — adeus —?
Loucura! melhor seria
Separar a terra e os céus.
— Adeus — palavra sombria!
De uma alma gelada e fria
És a derradeira flor.
— Adeus! — miséria! mentira
De um seio que não suspira,
De um coração sem amor.
Ai, Senhor! A rola agreste
Morre se o par lhe faltou.
O raio que abrasa o cedro
A parasita abrasou.
O astro namora o orvalho:
— Um é a estrela do galho,
— Outro o orvalho da amplidão
Mas, à luz do sol nascente,
Morre a estrela — no poente!
O orvalho — morre no chão!
Nunca as neblinas do vale
Souberam dizer-se — adeus —
Se unidas partem da terra,
Perdem-se unidas nos céus.
A onda expira na plaga.. .
Porém vem logo outra vaga
Pra morrer da mesma dor ...
— Adeus — palavra sombria!
Não digas — adeus —, Maria!
Ou não me fales de amor!
Pois tu me disseste — adeus —?
Loucura! melhor seria
Separar a terra e os céus.
— Adeus — palavra sombria!
De uma alma gelada e fria
És a derradeira flor.
— Adeus! — miséria! mentira
De um seio que não suspira,
De um coração sem amor.
Ai, Senhor! A rola agreste
Morre se o par lhe faltou.
O raio que abrasa o cedro
A parasita abrasou.
O astro namora o orvalho:
— Um é a estrela do galho,
— Outro o orvalho da amplidão
Mas, à luz do sol nascente,
Morre a estrela — no poente!
O orvalho — morre no chão!
Nunca as neblinas do vale
Souberam dizer-se — adeus —
Se unidas partem da terra,
Perdem-se unidas nos céus.
A onda expira na plaga.. .
Porém vem logo outra vaga
Pra morrer da mesma dor ...
— Adeus — palavra sombria!
Não digas — adeus —, Maria!
Ou não me fales de amor!
5 509
2
Castro Alves
Adeus
—ADEUS — Ai criança ingrata!
Pois tu me disseste — adeus —?
Loucura! melhor seria
Separar a terra e os céus.
— Adeus — palavra sombria!
De uma alma gelada e fria
És a derradeira flor.
— Adeus! — miséria! mentira
De um seio que não suspira,
De um coração sem amor.
Ai, Senhor! A rola agreste
Morre se o par lhe faltou.
O raio que abrasa o cedro
A parasita abrasou.
O astro namora o orvalho:
— Um é a estrela do galho,
— Outro o orvalho da amplidão
Mas, à luz do sol nascente,
Morre a estrela — no poente!
O orvalho — morre no chão!
Nunca as neblinas do vale
Souberam dizer-se — adeus —
Se unidas partem da terra,
Perdem-se unidas nos céus.
A onda expira na plaga.. .
Porém vem logo outra vaga
Pra morrer da mesma dor ...
— Adeus — palavra sombria!
Não digas — adeus —, Maria!
Ou não me fales de amor!
Pois tu me disseste — adeus —?
Loucura! melhor seria
Separar a terra e os céus.
— Adeus — palavra sombria!
De uma alma gelada e fria
És a derradeira flor.
— Adeus! — miséria! mentira
De um seio que não suspira,
De um coração sem amor.
Ai, Senhor! A rola agreste
Morre se o par lhe faltou.
O raio que abrasa o cedro
A parasita abrasou.
O astro namora o orvalho:
— Um é a estrela do galho,
— Outro o orvalho da amplidão
Mas, à luz do sol nascente,
Morre a estrela — no poente!
O orvalho — morre no chão!
Nunca as neblinas do vale
Souberam dizer-se — adeus —
Se unidas partem da terra,
Perdem-se unidas nos céus.
A onda expira na plaga.. .
Porém vem logo outra vaga
Pra morrer da mesma dor ...
— Adeus — palavra sombria!
Não digas — adeus —, Maria!
Ou não me fales de amor!
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2
Ruth Souza Saleme
Estranho furto
Na noite silenciosa e azulada
No pousar do orvalho sobre as ramagens,
Durante o repouso sereno das aves
E no desabrochar das damas da noite,
Quero roubar teus sentidos a mão armada,
Assaltar teu corpo e recolher teus sentimentos,
Como larápia discípula de cupido!
Quero pegar-te desarmado
Numa hora qualquer desta noite.
Amanhã, não importa! ...
Quero que teu coração se surpreenda,
Se assuste e me prenda em teus afetos.
Depois, no calabouço dos gemidos,
O tilintar das correntes partindo
No auge dos apertos e abraços sôfregos...
Passarei a vida na cadeia das quimeras,
E nas grades deste grande amor,
Narrando a história de um estranho furto,
Entre um homem tímido e uma mulher apaixonada.
No pousar do orvalho sobre as ramagens,
Durante o repouso sereno das aves
E no desabrochar das damas da noite,
Quero roubar teus sentidos a mão armada,
Assaltar teu corpo e recolher teus sentimentos,
Como larápia discípula de cupido!
Quero pegar-te desarmado
Numa hora qualquer desta noite.
Amanhã, não importa! ...
Quero que teu coração se surpreenda,
Se assuste e me prenda em teus afetos.
Depois, no calabouço dos gemidos,
O tilintar das correntes partindo
No auge dos apertos e abraços sôfregos...
Passarei a vida na cadeia das quimeras,
E nas grades deste grande amor,
Narrando a história de um estranho furto,
Entre um homem tímido e uma mulher apaixonada.
1 316
2
Gabriela Mistral
PRIMEIRO SONETO DA MORTE
Do nicho lôbrego onde os homens te puseram
Te levarei à terra humilde e ensolarada.
Nela hei de adormecer - os homens não souberam -
E havemos de dormir sobre a mesma almofada.
Te deitarei na terra humilde, te envolvendo
No amor da mãe para o seu filho adormecido.
E a terra há de fazer-se um berço recebendo
Teu corpo de menino exausto e dolorido.
Poderei descansar; sabendo que descansas
No pó que levantei azulado e lunar
Em que presos serão os teus leves destroços.
Partirei a cantar minhas belas vinganças,
Pois nenhuma mulher me há de vir disputar
A este fundo recesso o teu punhado de ossos.
(Tradução
de Manuel Bandeira)
Te levarei à terra humilde e ensolarada.
Nela hei de adormecer - os homens não souberam -
E havemos de dormir sobre a mesma almofada.
Te deitarei na terra humilde, te envolvendo
No amor da mãe para o seu filho adormecido.
E a terra há de fazer-se um berço recebendo
Teu corpo de menino exausto e dolorido.
Poderei descansar; sabendo que descansas
No pó que levantei azulado e lunar
Em que presos serão os teus leves destroços.
Partirei a cantar minhas belas vinganças,
Pois nenhuma mulher me há de vir disputar
A este fundo recesso o teu punhado de ossos.
(Tradução
de Manuel Bandeira)
2 988
2
Camila Sintra
Entrega
Um beijo desce pelo corpo
passeia pelas pernas
beijando cada dedinho do pé
sobe pelas curvas das ancas
deslizando no meio das nádegas
serpenteando pelas costas acima
até atingir a nuca
afastar teus cabelos
tornear tuas orelhas
buscando teus lábios abertos.
Encontro de línguas em fogo
e mãos que descem aos seios
teus mamilos em minha boca
teu arfar em meu coração
minha alma em teus braços.
No meio de tuas pernas
o cheiro perfumado do prazer
atrai meu encaixe que busca
tua entrada que acolhe
sem pensar em mais nada...
passeia pelas pernas
beijando cada dedinho do pé
sobe pelas curvas das ancas
deslizando no meio das nádegas
serpenteando pelas costas acima
até atingir a nuca
afastar teus cabelos
tornear tuas orelhas
buscando teus lábios abertos.
Encontro de línguas em fogo
e mãos que descem aos seios
teus mamilos em minha boca
teu arfar em meu coração
minha alma em teus braços.
No meio de tuas pernas
o cheiro perfumado do prazer
atrai meu encaixe que busca
tua entrada que acolhe
sem pensar em mais nada...
1 200
2
John Donne
GO AND CATCH A FALLING STAR
Agarra a estrela cadente,
mandrágora vê se emprenhas,
encontra o tempo fugente,
quem ao Diabo deu as manhas,
diz-me como ouvir sereias,
não sofrer de invejas feias
e que brisa
nos avisa
dos caminhos que alma pisa.
Se é teu destino buscar
que não há quem veja ou meça,
noite e dia hás-de trotar
té que a neve te embranqueça,
e ao voltar dirás que baste
maravilhas que passaste
e que não
viste então
uma mulher sem senão.
Se uma achaste verdadeira,
valeu-te a pena a cruzada.
Mas eu não caio na asneira
de tê-la por minha amada.
Honesta seria ainda
ao tempo da tua vinda.
Mas agora
já teve hora
de a dois ou três ser traidora.
mandrágora vê se emprenhas,
encontra o tempo fugente,
quem ao Diabo deu as manhas,
diz-me como ouvir sereias,
não sofrer de invejas feias
e que brisa
nos avisa
dos caminhos que alma pisa.
Se é teu destino buscar
que não há quem veja ou meça,
noite e dia hás-de trotar
té que a neve te embranqueça,
e ao voltar dirás que baste
maravilhas que passaste
e que não
viste então
uma mulher sem senão.
Se uma achaste verdadeira,
valeu-te a pena a cruzada.
Mas eu não caio na asneira
de tê-la por minha amada.
Honesta seria ainda
ao tempo da tua vinda.
Mas agora
já teve hora
de a dois ou três ser traidora.
2 142
2
Castro Alves
QUEM DÁ AOS POBRES, EMPRESTA A DEUS
Eu, Que a pobreza de meus pobres cantos
Dei aos heróis -- aos miseráveis grandes -- ,
Eu, que sou cego, -- mas só peço luzes...
Que sou pequeno, -- mas só fito os Andes....
Canto nesthora, como o bardo antigo
Das priscas eras, que bem longe vão,
O grande nada dos heróis, que dormem
Do vasto pampa no funéreo chão...
Duas grandezas neste instante cruzam-se!
Duas realezas hoje aqui se abraçam!...
Uma -- é um livro laureado em luzes...
Outra -- uma espada, onde os lauréis se enlaçam.
Nem cora o livro de ombrear coto sabre...
Nem cora o sabre de chamá-lo irmão...
Quando em loureiros se biparte o gládio
Do vasto pampa no funéreo chão.
E foram grandes teus heróis, ó pátria,
-- Mulher fecunda, que não cria escravos -- ,
Que ao trom da guerra soluçaste aos filhos:
Parti -- soldados, mas voltei-me -- bravos!
E qual Moema desgrenhada, altiva,
Eis tua prole, que se arroja então,
De um mar de glórias apartando as vagas
Do vasto pampa no funéreo chão.
E esses Leandros do Helesponto novo
Se resvalaram -- foi no chão da história...
Se tropeçaram -- foi na eternidade...
Se naufragaram -- foi no mar da glória...
E hoje o que resta dos heróis gigantes?...
Aqui -- os filhos que vos pedem pão...
Além -- a ossada, que branqueia a lua,
Do vasto pampa no funéreo chão.
Ai! quantas vezes a criança loura
Seu pai procura pequenina e nua,
E vai, brincando coo vetusto sabre,
Sentar-se à espera no portal da rua...
Mísera mãe, sobre teu peito aquece
Esta avezinha, que não tem mais pão!...
Seu pai descansa -- fulminado cedro --
Do vasto pampa no funéreo chão.
Mas, já que as águias lá no sul tombaram
E os filhos dáguias o Poder esquece...
E grande, é nobre, é gigantesco, é santo!...
Lançai -- a esmola, e colhereis -- a prece!.
Oh! dai a esmola... que do infante lindo
Por entre os dedos da pequena mão,
Ela transborda... e vai cair nas tumbas
Do vasto pampa no funéreo chão.
Há duas cousas neste mundo santas:
-- O rir do infante, -- o descansar do morto..
O berço -- é a barca, que encalhou na vida,
A cova -- é a barca do sidéreo porto...
E vós dissestes para o berço -- Avante! --
Enquanto os nautas, que ao Eterno vão,
Os ossos deixam, qual na praia as ancoras,
Do vasto pampa no funéreo chão.
É santo o laço, em quhoje aqui sestreitam
De heróicos troncos -- os rebentos novos -- !
É que são gêmeos dos heróis os filhos,
Inda que filhos de diversos povos!
Sim! me parece que nesthora augusta
Os mortos saltam da feral mansão...
E um bravo! altivo de além-mar partindo
Rola do pampa no funéreo chão!...
Dei aos heróis -- aos miseráveis grandes -- ,
Eu, que sou cego, -- mas só peço luzes...
Que sou pequeno, -- mas só fito os Andes....
Canto nesthora, como o bardo antigo
Das priscas eras, que bem longe vão,
O grande nada dos heróis, que dormem
Do vasto pampa no funéreo chão...
Duas grandezas neste instante cruzam-se!
Duas realezas hoje aqui se abraçam!...
Uma -- é um livro laureado em luzes...
Outra -- uma espada, onde os lauréis se enlaçam.
Nem cora o livro de ombrear coto sabre...
Nem cora o sabre de chamá-lo irmão...
Quando em loureiros se biparte o gládio
Do vasto pampa no funéreo chão.
E foram grandes teus heróis, ó pátria,
-- Mulher fecunda, que não cria escravos -- ,
Que ao trom da guerra soluçaste aos filhos:
Parti -- soldados, mas voltei-me -- bravos!
E qual Moema desgrenhada, altiva,
Eis tua prole, que se arroja então,
De um mar de glórias apartando as vagas
Do vasto pampa no funéreo chão.
E esses Leandros do Helesponto novo
Se resvalaram -- foi no chão da história...
Se tropeçaram -- foi na eternidade...
Se naufragaram -- foi no mar da glória...
E hoje o que resta dos heróis gigantes?...
Aqui -- os filhos que vos pedem pão...
Além -- a ossada, que branqueia a lua,
Do vasto pampa no funéreo chão.
Ai! quantas vezes a criança loura
Seu pai procura pequenina e nua,
E vai, brincando coo vetusto sabre,
Sentar-se à espera no portal da rua...
Mísera mãe, sobre teu peito aquece
Esta avezinha, que não tem mais pão!...
Seu pai descansa -- fulminado cedro --
Do vasto pampa no funéreo chão.
Mas, já que as águias lá no sul tombaram
E os filhos dáguias o Poder esquece...
E grande, é nobre, é gigantesco, é santo!...
Lançai -- a esmola, e colhereis -- a prece!.
Oh! dai a esmola... que do infante lindo
Por entre os dedos da pequena mão,
Ela transborda... e vai cair nas tumbas
Do vasto pampa no funéreo chão.
Há duas cousas neste mundo santas:
-- O rir do infante, -- o descansar do morto..
O berço -- é a barca, que encalhou na vida,
A cova -- é a barca do sidéreo porto...
E vós dissestes para o berço -- Avante! --
Enquanto os nautas, que ao Eterno vão,
Os ossos deixam, qual na praia as ancoras,
Do vasto pampa no funéreo chão.
É santo o laço, em quhoje aqui sestreitam
De heróicos troncos -- os rebentos novos -- !
É que são gêmeos dos heróis os filhos,
Inda que filhos de diversos povos!
Sim! me parece que nesthora augusta
Os mortos saltam da feral mansão...
E um bravo! altivo de além-mar partindo
Rola do pampa no funéreo chão!...
6 049
2
Florbela Espanca
Iii
Frêmito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,
Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!
E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...
E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,
Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!
E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...
E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...
5 475
2
Florbela Espanca
Iii
Frêmito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,
Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!
E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...
E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,
Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!
E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...
E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...
5 475
2
Thomas Hardy
O OUTRO
Eis aqui o chão antigo,
tão gasto e liso de andado.
Eis aqui limiar amigo
que mortos pés hão cruzado
Na cadeira ela sentada
para o lume se sorria;
e dele a vida brincada
no fogo se consumia.
Criança, em sonhos dancei;
feliz o dia passou,
dourado brasão de um rei.
Mas nenhum de nós olhou.
tão gasto e liso de andado.
Eis aqui limiar amigo
que mortos pés hão cruzado
Na cadeira ela sentada
para o lume se sorria;
e dele a vida brincada
no fogo se consumia.
Criança, em sonhos dancei;
feliz o dia passou,
dourado brasão de um rei.
Mas nenhum de nós olhou.
1 949
2
T. S. Eliot
DIFICULDADES DE UM HOMEM DE ESTADO
Rogar que rogarei?
Toda a carne é como erva: incluindo
Os Companheiros do Banho, os cavaleiros do Império Britânico, os oficiais,
ó oficiais, da Legião de Honra,
A Ordem da Águia Negra (1ª e 2ª classes),
E a Ordem do Sol-Nascente.
Rogar rogar que rogarei?
A primeira coisa a fazer é organizar as comissões
Os conselhos consultivos, as comissões permanentes, as comissões especiais e as
sub-comissões.
Um mesmo secretário serve para várias.
Que rogarei?
Artur Eduardo Cirilo da Silva é nomeado telefonista
Com um vencimento de cento e vinte escudos por semana, elevável, por fracções anuais de
vinte e cinco [escudos,
A duzentos escudos por semana; com uma gratificação de cento e cinquenta escudos pelo
Natal
E direito por ano a uma semana de férias.
Foi nomeada uma comissão que nomeará a comissão de engenheiros
Para o estudo do Abastecimento de Aguas.
Está nomeada a comissão
Da Construção Civil, para tratar sobretudo da reconstrução das fortificações.
É nomeada uma comissão
Para discutir com a comissão designada pelos Volscos
Os termos da paz perpétua: os frecheiros, alfagemes e ferreiros
Nomearam uma comissão conjunta para protestar contra a redução das encomendas.
Entretanto os guardas jogam aos dados na escadaria
E as rãs (ó Mantuano) coaxam nos pântanos.
Pirilampos cintilam contra o vago relampejar de brancura
Que rogarei?
Mãe ó mãe.
Eis a galeria dos retratos de família, bustos enegrecidos, parecendo todos notavelmente
romanos,
Notavelmente iguais uns aos outros, iluminados sucessivamente pelo cintilar
De um suado portador de archote, que boceja.
Oh quem se escondesse... Escondesse por baixo... Lá onde o pé da pomba pousou e se
firmou por um [instante
Um instante imóvel, repouso meridiano, sob os mais altos ramos da mais vasta árvore do
meio-dia
Sob as penas do peito agitadas pela aragem post-meridiana
Lá onde o ciclamen abre as suas asas, onde a clematite pende do lintel
Ó mãe (não entre estes bustos, tão correctamente votivos)
Eu cansada cabeça entre estas cabeças
Pescoços fortes para suportá-las
Narizes fortes para cortar o vento
Mãe
Não estaremos nós, alguma vez, agora quase, juntos,
Se as imolações, oblações, impetrações,
Agora são cumpridas
Não estaremos nós
Oh quem se escondesse na Uma do meio-dia, na crocitante noite silenciosa.
Vem com o deslizar das asas do morcego, o pequeno cintilar do pirilampo ou vagalume
Erguendo-se e tombando, de poeira coroados, os pequenos seres,
Os pequenos seres trilam pela poeira, pela noite,
Ó mãe
Que rogarei?
Exigimos uma comissão, uma comissão representativa, uma comissão de inquérito
DEMISSÃO DEMISSÃO DEMISSÃO
(Tradução
de Jorge de Sena)
Toda a carne é como erva: incluindo
Os Companheiros do Banho, os cavaleiros do Império Britânico, os oficiais,
ó oficiais, da Legião de Honra,
A Ordem da Águia Negra (1ª e 2ª classes),
E a Ordem do Sol-Nascente.
Rogar rogar que rogarei?
A primeira coisa a fazer é organizar as comissões
Os conselhos consultivos, as comissões permanentes, as comissões especiais e as
sub-comissões.
Um mesmo secretário serve para várias.
Que rogarei?
Artur Eduardo Cirilo da Silva é nomeado telefonista
Com um vencimento de cento e vinte escudos por semana, elevável, por fracções anuais de
vinte e cinco [escudos,
A duzentos escudos por semana; com uma gratificação de cento e cinquenta escudos pelo
Natal
E direito por ano a uma semana de férias.
Foi nomeada uma comissão que nomeará a comissão de engenheiros
Para o estudo do Abastecimento de Aguas.
Está nomeada a comissão
Da Construção Civil, para tratar sobretudo da reconstrução das fortificações.
É nomeada uma comissão
Para discutir com a comissão designada pelos Volscos
Os termos da paz perpétua: os frecheiros, alfagemes e ferreiros
Nomearam uma comissão conjunta para protestar contra a redução das encomendas.
Entretanto os guardas jogam aos dados na escadaria
E as rãs (ó Mantuano) coaxam nos pântanos.
Pirilampos cintilam contra o vago relampejar de brancura
Que rogarei?
Mãe ó mãe.
Eis a galeria dos retratos de família, bustos enegrecidos, parecendo todos notavelmente
romanos,
Notavelmente iguais uns aos outros, iluminados sucessivamente pelo cintilar
De um suado portador de archote, que boceja.
Oh quem se escondesse... Escondesse por baixo... Lá onde o pé da pomba pousou e se
firmou por um [instante
Um instante imóvel, repouso meridiano, sob os mais altos ramos da mais vasta árvore do
meio-dia
Sob as penas do peito agitadas pela aragem post-meridiana
Lá onde o ciclamen abre as suas asas, onde a clematite pende do lintel
Ó mãe (não entre estes bustos, tão correctamente votivos)
Eu cansada cabeça entre estas cabeças
Pescoços fortes para suportá-las
Narizes fortes para cortar o vento
Mãe
Não estaremos nós, alguma vez, agora quase, juntos,
Se as imolações, oblações, impetrações,
Agora são cumpridas
Não estaremos nós
Oh quem se escondesse na Uma do meio-dia, na crocitante noite silenciosa.
Vem com o deslizar das asas do morcego, o pequeno cintilar do pirilampo ou vagalume
Erguendo-se e tombando, de poeira coroados, os pequenos seres,
Os pequenos seres trilam pela poeira, pela noite,
Ó mãe
Que rogarei?
Exigimos uma comissão, uma comissão representativa, uma comissão de inquérito
DEMISSÃO DEMISSÃO DEMISSÃO
(Tradução
de Jorge de Sena)
1 470
2
Artur Ferreira
Neste silêncio
Olhando nos meus, teus olhos gritavam:
diz, diz que me amas, diz da paixão
que sentes por mim...
Tremendo em silêncio, teus lábios diziam:
beija-me, deixa-me beber teu amor,
passear no teu corpo, fazer-te gozar...
Teus seios eretos, ansiando diziam:
somos teus, para sempre,
suga-nos e bebe nosso sumo de amor!
E à noite, teu corpo tremendo, pedia:
vem e me toma, guarda-te e morre
dentro de mim!
Teu sexo úmido, ansiando, chorava:
vem, te prometo prazeres sem fim,
vem meu amor e renasce em mim!
E eu, surdo da vida e surdo do amor,
não ouvia os teus gritos teu desejo por mim...
E quando o tédio infame, afinal tomou conta
e o descaso doído nos fez companhia,
afinal nossa hora chegou...
E sem gritos nem choros,
sem amor e sem ódios,
sem eu o saber,
levastes minha vida.
E hoje, no imenso vazio,
de um silêncio sem fim,
eu ouço teus gritos
que antes não ouvia...
diz, diz que me amas, diz da paixão
que sentes por mim...
Tremendo em silêncio, teus lábios diziam:
beija-me, deixa-me beber teu amor,
passear no teu corpo, fazer-te gozar...
Teus seios eretos, ansiando diziam:
somos teus, para sempre,
suga-nos e bebe nosso sumo de amor!
E à noite, teu corpo tremendo, pedia:
vem e me toma, guarda-te e morre
dentro de mim!
Teu sexo úmido, ansiando, chorava:
vem, te prometo prazeres sem fim,
vem meu amor e renasce em mim!
E eu, surdo da vida e surdo do amor,
não ouvia os teus gritos teu desejo por mim...
E quando o tédio infame, afinal tomou conta
e o descaso doído nos fez companhia,
afinal nossa hora chegou...
E sem gritos nem choros,
sem amor e sem ódios,
sem eu o saber,
levastes minha vida.
E hoje, no imenso vazio,
de um silêncio sem fim,
eu ouço teus gritos
que antes não ouvia...
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2
Heinrich Heine
EIN JÜNGLING
Um jovem ama uma jovem
Que a um outro jovem cobiça.
Mas este outro a uma outra quer,
E, casando, sai da liça.
Despeitada, a jovem casa
Com outro, seja quem for.
E o primeiro enamorado
Sofre desgostos de amor.
Por ser stória muito antiga,
Não é menos nova, não:
E quando a alguém acontece
Quebra sempre o coração.
Que a um outro jovem cobiça.
Mas este outro a uma outra quer,
E, casando, sai da liça.
Despeitada, a jovem casa
Com outro, seja quem for.
E o primeiro enamorado
Sofre desgostos de amor.
Por ser stória muito antiga,
Não é menos nova, não:
E quando a alguém acontece
Quebra sempre o coração.
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2
Heinrich Heine
EIN JÜNGLING
Um jovem ama uma jovem
Que a um outro jovem cobiça.
Mas este outro a uma outra quer,
E, casando, sai da liça.
Despeitada, a jovem casa
Com outro, seja quem for.
E o primeiro enamorado
Sofre desgostos de amor.
Por ser stória muito antiga,
Não é menos nova, não:
E quando a alguém acontece
Quebra sempre o coração.
Que a um outro jovem cobiça.
Mas este outro a uma outra quer,
E, casando, sai da liça.
Despeitada, a jovem casa
Com outro, seja quem for.
E o primeiro enamorado
Sofre desgostos de amor.
Por ser stória muito antiga,
Não é menos nova, não:
E quando a alguém acontece
Quebra sempre o coração.
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2
Heinrich Heine
EIN JÜNGLING
Um jovem ama uma jovem
Que a um outro jovem cobiça.
Mas este outro a uma outra quer,
E, casando, sai da liça.
Despeitada, a jovem casa
Com outro, seja quem for.
E o primeiro enamorado
Sofre desgostos de amor.
Por ser stória muito antiga,
Não é menos nova, não:
E quando a alguém acontece
Quebra sempre o coração.
Que a um outro jovem cobiça.
Mas este outro a uma outra quer,
E, casando, sai da liça.
Despeitada, a jovem casa
Com outro, seja quem for.
E o primeiro enamorado
Sofre desgostos de amor.
Por ser stória muito antiga,
Não é menos nova, não:
E quando a alguém acontece
Quebra sempre o coração.
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2
Artur de Azevedo
Por decoro
Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;
quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;
os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranqüilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,
que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;
quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;
os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranqüilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,
que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.
1 795
2
Castro Alves
O ADEUS DE TERESA
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
Adeus eu disse-lhe a tremer coa fala...
E ela, corando, murmurou-me: adeus.
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
Adeus lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: adeus!
Passaram tempos... séclos de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
. . . Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse -- Voltarei!... descansa!...
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: adeus!
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz dEla e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: adeus!
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
Adeus eu disse-lhe a tremer coa fala...
E ela, corando, murmurou-me: adeus.
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
Adeus lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: adeus!
Passaram tempos... séclos de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
. . . Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse -- Voltarei!... descansa!...
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: adeus!
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz dEla e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: adeus!
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Castro Alves
O ADEUS DE TERESA
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
Adeus eu disse-lhe a tremer coa fala...
E ela, corando, murmurou-me: adeus.
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
Adeus lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: adeus!
Passaram tempos... séclos de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
. . . Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse -- Voltarei!... descansa!...
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: adeus!
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz dEla e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: adeus!
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
Adeus eu disse-lhe a tremer coa fala...
E ela, corando, murmurou-me: adeus.
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
Adeus lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: adeus!
Passaram tempos... séclos de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
. . . Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse -- Voltarei!... descansa!...
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: adeus!
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz dEla e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: adeus!
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Castro Alves
O ADEUS DE TERESA
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
Adeus eu disse-lhe a tremer coa fala...
E ela, corando, murmurou-me: adeus.
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
Adeus lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: adeus!
Passaram tempos... séclos de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
. . . Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse -- Voltarei!... descansa!...
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: adeus!
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz dEla e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: adeus!
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
Adeus eu disse-lhe a tremer coa fala...
E ela, corando, murmurou-me: adeus.
Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
Adeus lhe disse conservando-a presa...
E ela entre beijos murmurou-me: adeus!
Passaram tempos... séclos de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
. . . Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse -- Voltarei!... descansa!...
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: adeus!
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz dEla e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! . . . Ela me olhou branca . . . surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: adeus!
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2
Fernando Tanajura Menezes
Poucas palavras
Fique nu no meu quarto.
Mostre toda sua gana.
Dê um beijo moreno.
Diga que ainda me ama.
Negue que teve outras.
Vista a roupa ligeiro.
Vá correr pelo mundo.
Minta que é o primeiro.
Faça assim um romance.
Conte a intimidade.
Fale tudo que sente.
Prove a toda cidade.
Volte logo que possa.
Bata a porta de leve.
Caia louco em meus braços.
Fale não. Seja breve.
Mostre toda sua gana.
Dê um beijo moreno.
Diga que ainda me ama.
Negue que teve outras.
Vista a roupa ligeiro.
Vá correr pelo mundo.
Minta que é o primeiro.
Faça assim um romance.
Conte a intimidade.
Fale tudo que sente.
Prove a toda cidade.
Volte logo que possa.
Bata a porta de leve.
Caia louco em meus braços.
Fale não. Seja breve.
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