Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Mariazinha Congílio
Autorização
Se for
preciso
Pode mentir para mim.
Não se preocupe.
Console-se sabendo
Que por toda a minha vida
Tenho afirmado
Inverdades
Ou -pior ainda-
Tenho silenciado
Covardemente.
É justo que seja castigada.
Pode mentir para mim.
Mas
se algum dia você sentir
que já não me quer
conscientemente
plenamente
se perceber que o amor
está partindo
de mansinho
sorrateiramente
como fumaça
Se isso acontecer
Diga a verdade.
Você não deve mentir para mim.
preciso
Pode mentir para mim.
Não se preocupe.
Console-se sabendo
Que por toda a minha vida
Tenho afirmado
Inverdades
Ou -pior ainda-
Tenho silenciado
Covardemente.
É justo que seja castigada.
Pode mentir para mim.
Mas
se algum dia você sentir
que já não me quer
conscientemente
plenamente
se perceber que o amor
está partindo
de mansinho
sorrateiramente
como fumaça
Se isso acontecer
Diga a verdade.
Você não deve mentir para mim.
924
1
Angela Santos
Se tu soubesse
Ah
! se o brilho do meu olhar
poisado sobre o teu
falasse das horas, dos dias vividos
esgotando esperas ,desfiando interrogações
acalmando a custo as vagas do desejo.
Ah! Se tu soubesses……
como dói a demora enquanto escorrem
lentas as imagens que trago comigo
e sinto nessa ausência a insuperável presença
inscrita na espera que marcam meus dias.
Por isso não sei já o que é o longe
e se não estar só é só estar ao lado
ou antes estar por dentro do outro
e senti-lo em nós como gestação.
! se o brilho do meu olhar
poisado sobre o teu
falasse das horas, dos dias vividos
esgotando esperas ,desfiando interrogações
acalmando a custo as vagas do desejo.
Ah! Se tu soubesses……
como dói a demora enquanto escorrem
lentas as imagens que trago comigo
e sinto nessa ausência a insuperável presença
inscrita na espera que marcam meus dias.
Por isso não sei já o que é o longe
e se não estar só é só estar ao lado
ou antes estar por dentro do outro
e senti-lo em nós como gestação.
1 506
1
Angela Santos
Se tu soubesse
Ah
! se o brilho do meu olhar
poisado sobre o teu
falasse das horas, dos dias vividos
esgotando esperas ,desfiando interrogações
acalmando a custo as vagas do desejo.
Ah! Se tu soubesses……
como dói a demora enquanto escorrem
lentas as imagens que trago comigo
e sinto nessa ausência a insuperável presença
inscrita na espera que marcam meus dias.
Por isso não sei já o que é o longe
e se não estar só é só estar ao lado
ou antes estar por dentro do outro
e senti-lo em nós como gestação.
! se o brilho do meu olhar
poisado sobre o teu
falasse das horas, dos dias vividos
esgotando esperas ,desfiando interrogações
acalmando a custo as vagas do desejo.
Ah! Se tu soubesses……
como dói a demora enquanto escorrem
lentas as imagens que trago comigo
e sinto nessa ausência a insuperável presença
inscrita na espera que marcam meus dias.
Por isso não sei já o que é o longe
e se não estar só é só estar ao lado
ou antes estar por dentro do outro
e senti-lo em nós como gestação.
1 506
1
Pedro Tierra
A Morte Anunciada de Josimo Tavares
1.
Há um dizer
antigo
entre os homens da raça dos rios:
a morte quando se anuncia,
devora a sombra do corpo
e inventa a luz da solidão.
Você se afastou sob o sol.
Era 14 de abril.
Busquei-lhe a sombra
sobre o chão da rua
e não havia sombra.
Ainda busquei tocá-lo.
Falamos da vida
e da morte
(a arma que me matará
já está na oficina ...)
E você sorria manso
desde a defendida
solidão dos místicos.
Falamos da luta
e da necessidade de prosseguir
(os tecelões da morte
forçam os teares,
arrematam os fios
do tecido que te cobrirá ...)
2.
Incendiaram
nossas casas.
Destruíram plantações.
Saquearam celeiros.
Derrubaram cocais.
Envenenaram as águas.
Invadiram povoados.
Torturaram nossos pais.
Arrancaram as orelhas dos mortos.
Atiraram nos rios corpos mutilados
Derrubaram a cruz que erguemos,
sinal aceso de nossa memória.
Cortaram a língua dos nossos irmãos.
Violaram nossas filhas.
Assassinaram inválidos.
Queimaram a sangue e fogo
a terra que trabalhamos.
Quem emprestará a voz
ao idioma do perdão
e protegerá com súplicas
o riso dos assassinos?!
Aniquilaram a raiz da esperança.
Esgotou-se o tempo de tolerar
e desatou-se a hora da vingança:
o primitivo nome da justiça.
3.
Todos sabiam
dessa morte.
A cerca do latifúndio sabia.
Os pistoleiros, os assalariados da morte,
a polícia fardada e paisana, o GETAT,
os garimpeiros, os bêbados, as prostitutas,
as professorinhas, as beatas,
as crianças brincando no areal da rua
sabiam
Os homens da terra, os posseiros, os saqueados,
as mulheres alfabetizadas pela dor
e pela espera
sabiam.
O prefeito, o juiz, o delegado, a UDR,
os fazendeiros, os crápulas
sabiam.
As mãos dos assassinos
poliam as armas.
A igreja sabia
e esperava ..
A haste orgulhosa do babaçu
sabia.
E dobrava as palmas num lamento
e multiplicava a ciência dessa morte,
os passarinhos, o relógio dos templos
mastigando o comboio da horas
e não se deteve, a água dos rios
não se deteve, fluindo irremediável
a hora dessa morte.
A pedra dos caminhos
sabia
e permaneceu muda,
o vento sabia
e anunciava seu gemido todavia indecifrável
Tuas sandálias sabiam
e continuaram a caminhar.
Eu, que nasci votado à alegria
e vivo a contar o rosário interminável
dos mortos
não fiz o verso,
espada de fúria,
que cindisse em dois
o comboio das horas
e descarrilasse o tempo de tua morte.
Você sabia.
E sorria
apenas.
Como quem se lava
para chegar vestido
de algodão
e transparência
à hora da solidão.
Quem é esse menino negro
que desafia limites?
Apenas um homem.
Sandálias surradas.
Paciência e indignação.
Riso alvo.
Mel noturno.
Sonho irrecusável.
Lutou contra cercas.
Todas as cercas.
As cercas do medo.
As cercas do ódio.
As cercas da terra.
As cercas da fome.
As cercas do corpo.
As cercas do latifúndio.
Trago na palma da mão
um punhado de terra
que te cobriu.
Está fresca.
É morena, mas ainda não é livre
como querias.
Sei aqui dentro
que não queres apenas lágrimas.
Tua terra sobre a mesa
me diz com seu silêncio agudo
Meu sangue se
levantará
como um rio acorrentado
e romperá as cercas do mundo.
Um rio de sangues convocados
atravessará tua camisa
e ela será bandeira
sobre a cabeça dos rebelados.
Goiânia, maio/86
Há um dizer
antigo
entre os homens da raça dos rios:
a morte quando se anuncia,
devora a sombra do corpo
e inventa a luz da solidão.
Você se afastou sob o sol.
Era 14 de abril.
Busquei-lhe a sombra
sobre o chão da rua
e não havia sombra.
Ainda busquei tocá-lo.
Falamos da vida
e da morte
(a arma que me matará
já está na oficina ...)
E você sorria manso
desde a defendida
solidão dos místicos.
Falamos da luta
e da necessidade de prosseguir
(os tecelões da morte
forçam os teares,
arrematam os fios
do tecido que te cobrirá ...)
2.
Incendiaram
nossas casas.
Destruíram plantações.
Saquearam celeiros.
Derrubaram cocais.
Envenenaram as águas.
Invadiram povoados.
Torturaram nossos pais.
Arrancaram as orelhas dos mortos.
Atiraram nos rios corpos mutilados
Derrubaram a cruz que erguemos,
sinal aceso de nossa memória.
Cortaram a língua dos nossos irmãos.
Violaram nossas filhas.
Assassinaram inválidos.
Queimaram a sangue e fogo
a terra que trabalhamos.
Quem emprestará a voz
ao idioma do perdão
e protegerá com súplicas
o riso dos assassinos?!
Aniquilaram a raiz da esperança.
Esgotou-se o tempo de tolerar
e desatou-se a hora da vingança:
o primitivo nome da justiça.
3.
Todos sabiam
dessa morte.
A cerca do latifúndio sabia.
Os pistoleiros, os assalariados da morte,
a polícia fardada e paisana, o GETAT,
os garimpeiros, os bêbados, as prostitutas,
as professorinhas, as beatas,
as crianças brincando no areal da rua
sabiam
Os homens da terra, os posseiros, os saqueados,
as mulheres alfabetizadas pela dor
e pela espera
sabiam.
O prefeito, o juiz, o delegado, a UDR,
os fazendeiros, os crápulas
sabiam.
As mãos dos assassinos
poliam as armas.
A igreja sabia
e esperava ..
A haste orgulhosa do babaçu
sabia.
E dobrava as palmas num lamento
e multiplicava a ciência dessa morte,
os passarinhos, o relógio dos templos
mastigando o comboio da horas
e não se deteve, a água dos rios
não se deteve, fluindo irremediável
a hora dessa morte.
A pedra dos caminhos
sabia
e permaneceu muda,
o vento sabia
e anunciava seu gemido todavia indecifrável
Tuas sandálias sabiam
e continuaram a caminhar.
Eu, que nasci votado à alegria
e vivo a contar o rosário interminável
dos mortos
não fiz o verso,
espada de fúria,
que cindisse em dois
o comboio das horas
e descarrilasse o tempo de tua morte.
Você sabia.
E sorria
apenas.
Como quem se lava
para chegar vestido
de algodão
e transparência
à hora da solidão.
Quem é esse menino negro
que desafia limites?
Apenas um homem.
Sandálias surradas.
Paciência e indignação.
Riso alvo.
Mel noturno.
Sonho irrecusável.
Lutou contra cercas.
Todas as cercas.
As cercas do medo.
As cercas do ódio.
As cercas da terra.
As cercas da fome.
As cercas do corpo.
As cercas do latifúndio.
Trago na palma da mão
um punhado de terra
que te cobriu.
Está fresca.
É morena, mas ainda não é livre
como querias.
Sei aqui dentro
que não queres apenas lágrimas.
Tua terra sobre a mesa
me diz com seu silêncio agudo
Meu sangue se
levantará
como um rio acorrentado
e romperá as cercas do mundo.
Um rio de sangues convocados
atravessará tua camisa
e ela será bandeira
sobre a cabeça dos rebelados.
Goiânia, maio/86
2 776
1
Fernando Fabião
Deixa que as Mãos
Deixa que
as mãos
Percorram o caminho difícil do azul
Como se o azul
Fosse a cor da alegria
O lugar aceso de uma vida.
Deixa que as mãos
Transportem barcos
E regressem de nenhuma viagem.
Deixa o coração adormecido
Na lembrança das aves - grão de areia.
Uma sirene ao longe.
Deixa a roupa dobrada
A candeia acesa
O lugar na mesa.
Há sempre uma hera por cortar
as mãos
Percorram o caminho difícil do azul
Como se o azul
Fosse a cor da alegria
O lugar aceso de uma vida.
Deixa que as mãos
Transportem barcos
E regressem de nenhuma viagem.
Deixa o coração adormecido
Na lembrança das aves - grão de areia.
Uma sirene ao longe.
Deixa a roupa dobrada
A candeia acesa
O lugar na mesa.
Há sempre uma hera por cortar
797
1
Mariazinha Congílio
Intermezzo
Ave aprisionada
Reconduzida a vôo
De um canto do mundo
Numa esquina do Universo
Sentado entre montanhas
Vivendo nas estradas, está
O andarilho de lembranças.
Trazendo bagagem e esperança
Sorrindo em arco-íris
Unindo extremos desarvorados
Num resto de grito
Suspenso na espera
Reconduzida a vôo
De um canto do mundo
Numa esquina do Universo
Sentado entre montanhas
Vivendo nas estradas, está
O andarilho de lembranças.
Trazendo bagagem e esperança
Sorrindo em arco-íris
Unindo extremos desarvorados
Num resto de grito
Suspenso na espera
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Mariazinha Congílio
Intermezzo
Ave aprisionada
Reconduzida a vôo
De um canto do mundo
Numa esquina do Universo
Sentado entre montanhas
Vivendo nas estradas, está
O andarilho de lembranças.
Trazendo bagagem e esperança
Sorrindo em arco-íris
Unindo extremos desarvorados
Num resto de grito
Suspenso na espera
Reconduzida a vôo
De um canto do mundo
Numa esquina do Universo
Sentado entre montanhas
Vivendo nas estradas, está
O andarilho de lembranças.
Trazendo bagagem e esperança
Sorrindo em arco-íris
Unindo extremos desarvorados
Num resto de grito
Suspenso na espera
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1
Fernando Tavares Rodrigues
A Ti
Aos trista e sete anos do teu corpo,
Às vinte e quatro horas da tua carne
E ao desejo que , às vezes, é tão pouco
E ao amor que,mesmo assim, ainda arde
Ao ciíme da tua boca, quando calas
Ao silêncio dos teus olhos, quando choras
E aos teus braços nus, quando me abraças
E ao teu ventre que é tão breve quando parto.
E às tuas esperanças vãs que eu alimento
A ao ópio do teu sonho onde me tardo,
E a ti onde, afinal, não aconteço....
Às vinte e quatro horas da tua carne
E ao desejo que , às vezes, é tão pouco
E ao amor que,mesmo assim, ainda arde
Ao ciíme da tua boca, quando calas
Ao silêncio dos teus olhos, quando choras
E aos teus braços nus, quando me abraças
E ao teu ventre que é tão breve quando parto.
E às tuas esperanças vãs que eu alimento
A ao ópio do teu sonho onde me tardo,
E a ti onde, afinal, não aconteço....
1 275
1
Fernando Tavares Rodrigues
A Ti
Aos trista e sete anos do teu corpo,
Às vinte e quatro horas da tua carne
E ao desejo que , às vezes, é tão pouco
E ao amor que,mesmo assim, ainda arde
Ao ciíme da tua boca, quando calas
Ao silêncio dos teus olhos, quando choras
E aos teus braços nus, quando me abraças
E ao teu ventre que é tão breve quando parto.
E às tuas esperanças vãs que eu alimento
A ao ópio do teu sonho onde me tardo,
E a ti onde, afinal, não aconteço....
Às vinte e quatro horas da tua carne
E ao desejo que , às vezes, é tão pouco
E ao amor que,mesmo assim, ainda arde
Ao ciíme da tua boca, quando calas
Ao silêncio dos teus olhos, quando choras
E aos teus braços nus, quando me abraças
E ao teu ventre que é tão breve quando parto.
E às tuas esperanças vãs que eu alimento
A ao ópio do teu sonho onde me tardo,
E a ti onde, afinal, não aconteço....
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1
Angela Santos
Strip-Tease
Escancaro
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
para o mundo
o dentro de mim
em puras exibições de strip-tease da alma
Desnudo-me pelo avesso
adornado de sedas, rendas e cetins
e o avesso se contorce nas palavras
ao jeito de dançarina, comerciando prazer
Vislumbro plateias ávidas,
pupilas inchadas, linguas humidas avermelhadas
exibindo-se ante o languido
arquejar de minha alma
O dentro de mim realiza o sortilegio
o secreto desejo que me habita,
dispo-me inteira pelo avesso
e na nudez primordial da chegada
ofereço-me a visão da minha própria luxuria.
Nas palavras que são corpo, dor, prazer
no palco branco de uma página vazia
nos fluídos de tinta, que rasgam meu ser
na energia pura de clarões que me atravessa
atinjo o êxtase pelo avesso de mim.
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1
Angela Santos
Transparências
Na
bruma
de um qualquer horizonte
não me quero perder
pelo sonho se vislumbra já
novo oriente das descobertas.
Pedras raras, essências,
sedas naturais num corpo
porto e navio…
ò transparências matinais
aqui vos aguardo…
levantar ferros, navegar
esse é o destino.
bruma
de um qualquer horizonte
não me quero perder
pelo sonho se vislumbra já
novo oriente das descobertas.
Pedras raras, essências,
sedas naturais num corpo
porto e navio…
ò transparências matinais
aqui vos aguardo…
levantar ferros, navegar
esse é o destino.
750
1
Angela Santos
Cristais
Abri nossos
peitos
como quem rasga a rocha virgem
e nela procura sinais antigos sedimentados ler…
Olhei o
teu peito a custo se abrindo
imanando luz, e de luz sedento
inscrições
antigas ao sol emergiam
refulgindo dizeres que busquei saber
e aos meus
olhos, o teu peito era
um nocturno incêndio
queimando em silêncio
silencio
de pérolas, pérolas de gelo
rolando sobre o meu
Expus o
meu peito porque nele eu quis
ver o que acontece sobre rocha virgem
depois de rasgada se desnudando à luz.
Olhei dentro
do que somos,
com olhos de chama viva
buscando ainda a centelha
que há-de brilhar na noite
e atravessar os cristais incrustados neste tempo
que transcorre sobre nós
Por essa
chama estendi
meus olhos para além dos dias
e com esses olhos vi dentro dos finos cristais
procurando ir mais longe disso que sente em mim.
E foi na
rocha rasgada,
que em meu peito descobri,
que a traços leves gravei
o esboço de um porto e até um cais de chegada
e desenhei na esperança
a ponte que atravessa
sombras, dúvidas e até a certeza
de que vou onde me leva
minha estrela - guia
peitos
como quem rasga a rocha virgem
e nela procura sinais antigos sedimentados ler…
Olhei o
teu peito a custo se abrindo
imanando luz, e de luz sedento
inscrições
antigas ao sol emergiam
refulgindo dizeres que busquei saber
e aos meus
olhos, o teu peito era
um nocturno incêndio
queimando em silêncio
silencio
de pérolas, pérolas de gelo
rolando sobre o meu
Expus o
meu peito porque nele eu quis
ver o que acontece sobre rocha virgem
depois de rasgada se desnudando à luz.
Olhei dentro
do que somos,
com olhos de chama viva
buscando ainda a centelha
que há-de brilhar na noite
e atravessar os cristais incrustados neste tempo
que transcorre sobre nós
Por essa
chama estendi
meus olhos para além dos dias
e com esses olhos vi dentro dos finos cristais
procurando ir mais longe disso que sente em mim.
E foi na
rocha rasgada,
que em meu peito descobri,
que a traços leves gravei
o esboço de um porto e até um cais de chegada
e desenhei na esperança
a ponte que atravessa
sombras, dúvidas e até a certeza
de que vou onde me leva
minha estrela - guia
1 223
1
Angela Santos
Jogo de Palavras
Desatei
o emaranhado do sentir
e com simples palavras arrumei a cabeça
de uma forma única
Deixei crescer e avançar o poema
Ao ritmo de palavras simples
que não são diferentes das que usamos sempre
que dizemos pão ou dizemos paz
se dizemos dor, punhal silêncio e sol
se dizemos amor, seda ou espinhos
se dizemos dia, música e ventania
se dizemos saudade e ao dize-la a sentimos
Com palavras toscas, simples ou debruadas
fazemos sentido, deixamos recados
recados da alma
que emergem dos cantos onde entra a luz
ou desses lugares lúgubres e sombrios
mas sempre a palavra será esse fio
o que nos conduz
ao lado de fora desses labirintos.
Amo na palavra
esse modo único de ser e dizer
e que simples seja
pra fazer a vez do gesto que toca,
do olho que explode
do corpo que tremulo exala paixão
Que a palavra diga, simplesmente diga
e não faça nunca o papel da vida,
mas se como ela é
pulsão, sangue, corrente e grito
quando à boca assoma a palavra certa
é a própria vida
que em si mesma digo.
o emaranhado do sentir
e com simples palavras arrumei a cabeça
de uma forma única
Deixei crescer e avançar o poema
Ao ritmo de palavras simples
que não são diferentes das que usamos sempre
que dizemos pão ou dizemos paz
se dizemos dor, punhal silêncio e sol
se dizemos amor, seda ou espinhos
se dizemos dia, música e ventania
se dizemos saudade e ao dize-la a sentimos
Com palavras toscas, simples ou debruadas
fazemos sentido, deixamos recados
recados da alma
que emergem dos cantos onde entra a luz
ou desses lugares lúgubres e sombrios
mas sempre a palavra será esse fio
o que nos conduz
ao lado de fora desses labirintos.
Amo na palavra
esse modo único de ser e dizer
e que simples seja
pra fazer a vez do gesto que toca,
do olho que explode
do corpo que tremulo exala paixão
Que a palavra diga, simplesmente diga
e não faça nunca o papel da vida,
mas se como ela é
pulsão, sangue, corrente e grito
quando à boca assoma a palavra certa
é a própria vida
que em si mesma digo.
2 461
1
Joaquim Pessoa
Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.
Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.
Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.
Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.
Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.
2 774
1
Joaquim Pessoa
Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.
Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.
Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.
Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.
Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.
2 774
1
Angela Santos
Espelho
Olhei
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
em teus olhos
como quem se debruça sobre um rio sereno
e olhando bem no fundo
pressenti a mágoa e vi os sinais,
os sulcos as marcas gravadas
trazidas pelo caminhar....
Olhei tua fronte adornada
aqui e ali por levíssimos fios de prata
e a tua boca linda, vermelho sangue …
e desejei-te…
Nos teus olhos eu li,
a verdade que sentira
no teu rosto entendi a madureza
que trazes em ti
na tua boca o beijo pressentido
que o timbre da palavra
deixou em mim
Nas tuas palavras, a sabedoria, a inteireza,
a verdade , a alegria, a mágoa, a serenidade
e até a luz eu senti…
a luz-guia que nos leva ao cerne de almas irmãs
ao fundo do coração que treme
ao desejo lume que nos consome
ao sonho que nos traz juntas
e à vida que ligou
nossos caminhos aqui.
1 139
1
Angela Santos
Saudade do Futuro
Na
boca
ainda o gosto da tua
no corpo
indeléveis sinais do teu
no coração
a indomada saudade de ti...
Nos olhos da alma
um mar e uma caravela
circunavegando a memória
olhando o que foi, como se fosse agora,
passado presente que lançou a ponte
futuro que caminha em direcção ao que somos....
esse tempo que trabalha o que faremos de nós
no lugar onde eu e tu escreveremos de novo
belas páginas de uma história.
boca
ainda o gosto da tua
no corpo
indeléveis sinais do teu
no coração
a indomada saudade de ti...
Nos olhos da alma
um mar e uma caravela
circunavegando a memória
olhando o que foi, como se fosse agora,
passado presente que lançou a ponte
futuro que caminha em direcção ao que somos....
esse tempo que trabalha o que faremos de nós
no lugar onde eu e tu escreveremos de novo
belas páginas de uma história.
1 300
1
Angela Santos
A Casa do Silêncio
Sabes, na
luminosidade difusa
Do cair do dia
Nos interstícios de sombra e luz
Sobe-me ao peito o tremor
Que vem dos tempos
Sem memória
Em que o teu nome era o nome
que eu sem saber
em mim trazia
Difusa a luz da memória
incide sobre a estreita nesga
e é por ela que entram
os sinais onde te leio
e só no silencio entendo
o pretérito que não sei dizer
És
antes do tempo que atravesso
sei-o nas entrelinhas do meu ser....
e é na tua voz que acordo
de um sono milenar.
Nela regresso ao espelho
Onde de novo te vejo
mas esse fundo do fundo
da palavra não consentida.
De olhos fechados tacteio
como cego a luz perdida
e abro de par em par
um mui antigo portal
e a nave do silencio
que o tempo vence, atravessa-o
E nesse lugar sem nome
de todos os nomes guarida,
a voz do vento desvenda
o nome que desde sempre
no fundo do meu ser se abriga.
luminosidade difusa
Do cair do dia
Nos interstícios de sombra e luz
Sobe-me ao peito o tremor
Que vem dos tempos
Sem memória
Em que o teu nome era o nome
que eu sem saber
em mim trazia
Difusa a luz da memória
incide sobre a estreita nesga
e é por ela que entram
os sinais onde te leio
e só no silencio entendo
o pretérito que não sei dizer
És
antes do tempo que atravesso
sei-o nas entrelinhas do meu ser....
e é na tua voz que acordo
de um sono milenar.
Nela regresso ao espelho
Onde de novo te vejo
mas esse fundo do fundo
da palavra não consentida.
De olhos fechados tacteio
como cego a luz perdida
e abro de par em par
um mui antigo portal
e a nave do silencio
que o tempo vence, atravessa-o
E nesse lugar sem nome
de todos os nomes guarida,
a voz do vento desvenda
o nome que desde sempre
no fundo do meu ser se abriga.
815
1
Angela Santos
A Casa do Silêncio
Sabes, na
luminosidade difusa
Do cair do dia
Nos interstícios de sombra e luz
Sobe-me ao peito o tremor
Que vem dos tempos
Sem memória
Em que o teu nome era o nome
que eu sem saber
em mim trazia
Difusa a luz da memória
incide sobre a estreita nesga
e é por ela que entram
os sinais onde te leio
e só no silencio entendo
o pretérito que não sei dizer
És
antes do tempo que atravesso
sei-o nas entrelinhas do meu ser....
e é na tua voz que acordo
de um sono milenar.
Nela regresso ao espelho
Onde de novo te vejo
mas esse fundo do fundo
da palavra não consentida.
De olhos fechados tacteio
como cego a luz perdida
e abro de par em par
um mui antigo portal
e a nave do silencio
que o tempo vence, atravessa-o
E nesse lugar sem nome
de todos os nomes guarida,
a voz do vento desvenda
o nome que desde sempre
no fundo do meu ser se abriga.
luminosidade difusa
Do cair do dia
Nos interstícios de sombra e luz
Sobe-me ao peito o tremor
Que vem dos tempos
Sem memória
Em que o teu nome era o nome
que eu sem saber
em mim trazia
Difusa a luz da memória
incide sobre a estreita nesga
e é por ela que entram
os sinais onde te leio
e só no silencio entendo
o pretérito que não sei dizer
És
antes do tempo que atravesso
sei-o nas entrelinhas do meu ser....
e é na tua voz que acordo
de um sono milenar.
Nela regresso ao espelho
Onde de novo te vejo
mas esse fundo do fundo
da palavra não consentida.
De olhos fechados tacteio
como cego a luz perdida
e abro de par em par
um mui antigo portal
e a nave do silencio
que o tempo vence, atravessa-o
E nesse lugar sem nome
de todos os nomes guarida,
a voz do vento desvenda
o nome que desde sempre
no fundo do meu ser se abriga.
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Angela Santos
Entre Margens
Acho-me,
desencontro-me
amaino se posso
os demónios
Aposso-me das espectrais
sombras que vagueiam
na antecâmara de mim
De sonhos e caminhos
é feito o mundo
o meu
o outro de que me aparto
de cacos e restos do velho
O novo teima
entre os escombros das implacáveis leis
do mais forte
da gravidade
da entropia
e da sua negação
E então?
Então o sonho é o que sobra
e o rasgo de alma por onde ele brota
E além - sonho
as cores, a luz, as palavras, o poema
as barreiras vencidas, a cabeça a prumo
a teimosia...acreditar ainda
E além de tudo o amor.. amar
amar-te
o que faz sentir-me
o que faz sentido
E o mar.....
o que sem ti
faz doer!
desencontro-me
amaino se posso
os demónios
Aposso-me das espectrais
sombras que vagueiam
na antecâmara de mim
De sonhos e caminhos
é feito o mundo
o meu
o outro de que me aparto
de cacos e restos do velho
O novo teima
entre os escombros das implacáveis leis
do mais forte
da gravidade
da entropia
e da sua negação
E então?
Então o sonho é o que sobra
e o rasgo de alma por onde ele brota
E além - sonho
as cores, a luz, as palavras, o poema
as barreiras vencidas, a cabeça a prumo
a teimosia...acreditar ainda
E além de tudo o amor.. amar
amar-te
o que faz sentir-me
o que faz sentido
E o mar.....
o que sem ti
faz doer!
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1
Fernando Namora
Intervalo
Quando nasci,
em rendas e afagos
Os rouxinóis vinham com a aurora esperar a Primavera
Mas o seu canto
Emudeceu de espanto
Como se o meu choro os degolasse.
Minha mãe, nessa noite,
Sonhara com o aceno húmido de um lenço
Branco
Num dia de partida.
Ó Terra
eu cheguei e tu ficaste ainda.
Porque não estoiraste se foste iludida
em rendas e afagos
Os rouxinóis vinham com a aurora esperar a Primavera
Mas o seu canto
Emudeceu de espanto
Como se o meu choro os degolasse.
Minha mãe, nessa noite,
Sonhara com o aceno húmido de um lenço
Branco
Num dia de partida.
Ó Terra
eu cheguei e tu ficaste ainda.
Porque não estoiraste se foste iludida
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Fernando Namora
Intervalo
Quando nasci,
em rendas e afagos
Os rouxinóis vinham com a aurora esperar a Primavera
Mas o seu canto
Emudeceu de espanto
Como se o meu choro os degolasse.
Minha mãe, nessa noite,
Sonhara com o aceno húmido de um lenço
Branco
Num dia de partida.
Ó Terra
eu cheguei e tu ficaste ainda.
Porque não estoiraste se foste iludida
em rendas e afagos
Os rouxinóis vinham com a aurora esperar a Primavera
Mas o seu canto
Emudeceu de espanto
Como se o meu choro os degolasse.
Minha mãe, nessa noite,
Sonhara com o aceno húmido de um lenço
Branco
Num dia de partida.
Ó Terra
eu cheguei e tu ficaste ainda.
Porque não estoiraste se foste iludida
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Ana Luísa Amaral
Pequenos Mosaicos
É agora - na pura ausência das coisas
e a madrugada por abrir. Um palco
a lua. Eu observada de fora da janela.
O terror de pensar: o pesadelo
de me sentir duas pela primeira vez
falado. é de amor este poema
e de visões: ondulantes cortinas
noutra que me é igual.
Porque no pesadelo e de repente
o futuro rasgou-se, as cortinas
soltaram-se. Na profecia
só ficaste tu.
E a tua falta mais que a tua
ausência em pequeno mosaico
se fechou. Entendo agora como uma cadeira
pode ser só esta cadeira porque
é tua.
e a madrugada por abrir. Um palco
a lua. Eu observada de fora da janela.
O terror de pensar: o pesadelo
de me sentir duas pela primeira vez
falado. é de amor este poema
e de visões: ondulantes cortinas
noutra que me é igual.
Porque no pesadelo e de repente
o futuro rasgou-se, as cortinas
soltaram-se. Na profecia
só ficaste tu.
E a tua falta mais que a tua
ausência em pequeno mosaico
se fechou. Entendo agora como uma cadeira
pode ser só esta cadeira porque
é tua.
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