Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Virgílio Martinho
Canção Em É
A dor que se tem quando só
É um guardanapo dobrado, é,
Cada dobra a lágrima que vem,
Pérola que cai pingo a pingo, é.
Desfiar lento, água salgada,
Dor a dor sofrimento ai, é,
Como se fora fonte infinda
No paraíso do amor, o que é?
Tudo pode doer, até o coração,
Feito de carne e sangue como é,
Tudo pode doer até mais não,
Que a solidão é punhal, pois é.
Depois chove, é natureza,
A erva cresce, o líquen é,
Viajo na noite, apanho o escuro,
Meu amor nada continua de pé.
Por assim ser, sendo como é,
Tudo se cose e recose em dó,
Na sinfonia que se compõe, é,
Esta coisa simples de estar só.
É um guardanapo dobrado, é,
Cada dobra a lágrima que vem,
Pérola que cai pingo a pingo, é.
Desfiar lento, água salgada,
Dor a dor sofrimento ai, é,
Como se fora fonte infinda
No paraíso do amor, o que é?
Tudo pode doer, até o coração,
Feito de carne e sangue como é,
Tudo pode doer até mais não,
Que a solidão é punhal, pois é.
Depois chove, é natureza,
A erva cresce, o líquen é,
Viajo na noite, apanho o escuro,
Meu amor nada continua de pé.
Por assim ser, sendo como é,
Tudo se cose e recose em dó,
Na sinfonia que se compõe, é,
Esta coisa simples de estar só.
1 084
Virgílio Martinho
Canção Em É
A dor que se tem quando só
É um guardanapo dobrado, é,
Cada dobra a lágrima que vem,
Pérola que cai pingo a pingo, é.
Desfiar lento, água salgada,
Dor a dor sofrimento ai, é,
Como se fora fonte infinda
No paraíso do amor, o que é?
Tudo pode doer, até o coração,
Feito de carne e sangue como é,
Tudo pode doer até mais não,
Que a solidão é punhal, pois é.
Depois chove, é natureza,
A erva cresce, o líquen é,
Viajo na noite, apanho o escuro,
Meu amor nada continua de pé.
Por assim ser, sendo como é,
Tudo se cose e recose em dó,
Na sinfonia que se compõe, é,
Esta coisa simples de estar só.
É um guardanapo dobrado, é,
Cada dobra a lágrima que vem,
Pérola que cai pingo a pingo, é.
Desfiar lento, água salgada,
Dor a dor sofrimento ai, é,
Como se fora fonte infinda
No paraíso do amor, o que é?
Tudo pode doer, até o coração,
Feito de carne e sangue como é,
Tudo pode doer até mais não,
Que a solidão é punhal, pois é.
Depois chove, é natureza,
A erva cresce, o líquen é,
Viajo na noite, apanho o escuro,
Meu amor nada continua de pé.
Por assim ser, sendo como é,
Tudo se cose e recose em dó,
Na sinfonia que se compõe, é,
Esta coisa simples de estar só.
1 084
Virgílio Martinho
Ouro
O ouro é o amado, o longínquo,
Barco à vela esguio quase gaivota,
Desejo latente no meter do corpo,
Luz lateral na vaguidão das coisas.
Não falo do ouro metal, falo do ouro,
Falo da raiz, do fruto, falo do prado,
Da origem, da seiva, que o ouro é dança
Quando ao sonho vem o amor amado.
Que sonhar ouro é sonhar desejo,
Na vigília das noites compridas,
Quando as veias são pulsações vivas,
Quando os sonhos emanam das fendas.
Abismos que envolvem segredos vagos,
Distantes, enevoados, que no coração,
Castelo pulsante, trincheira de vida,
Existe a pepita, tu, madona paixão.
Saberia dizer-te ouro se fosse inocente,
Se tudo que sou começasse hoje, agora,
Se o sono, na insónia, no sonho contigo,
Houvesse o teu brilho, a tua aurora.
Fazer de ti o eu sonhado é a ideia,
O ouro de antiquíssimas histórias,
No laboratório da matéria, a fusão,
No borbulhar da retorta o sonho vão.
Barco à vela esguio quase gaivota,
Desejo latente no meter do corpo,
Luz lateral na vaguidão das coisas.
Não falo do ouro metal, falo do ouro,
Falo da raiz, do fruto, falo do prado,
Da origem, da seiva, que o ouro é dança
Quando ao sonho vem o amor amado.
Que sonhar ouro é sonhar desejo,
Na vigília das noites compridas,
Quando as veias são pulsações vivas,
Quando os sonhos emanam das fendas.
Abismos que envolvem segredos vagos,
Distantes, enevoados, que no coração,
Castelo pulsante, trincheira de vida,
Existe a pepita, tu, madona paixão.
Saberia dizer-te ouro se fosse inocente,
Se tudo que sou começasse hoje, agora,
Se o sono, na insónia, no sonho contigo,
Houvesse o teu brilho, a tua aurora.
Fazer de ti o eu sonhado é a ideia,
O ouro de antiquíssimas histórias,
No laboratório da matéria, a fusão,
No borbulhar da retorta o sonho vão.
1 107
Virgílio Martinho
Ouro
O ouro é o amado, o longínquo,
Barco à vela esguio quase gaivota,
Desejo latente no meter do corpo,
Luz lateral na vaguidão das coisas.
Não falo do ouro metal, falo do ouro,
Falo da raiz, do fruto, falo do prado,
Da origem, da seiva, que o ouro é dança
Quando ao sonho vem o amor amado.
Que sonhar ouro é sonhar desejo,
Na vigília das noites compridas,
Quando as veias são pulsações vivas,
Quando os sonhos emanam das fendas.
Abismos que envolvem segredos vagos,
Distantes, enevoados, que no coração,
Castelo pulsante, trincheira de vida,
Existe a pepita, tu, madona paixão.
Saberia dizer-te ouro se fosse inocente,
Se tudo que sou começasse hoje, agora,
Se o sono, na insónia, no sonho contigo,
Houvesse o teu brilho, a tua aurora.
Fazer de ti o eu sonhado é a ideia,
O ouro de antiquíssimas histórias,
No laboratório da matéria, a fusão,
No borbulhar da retorta o sonho vão.
Barco à vela esguio quase gaivota,
Desejo latente no meter do corpo,
Luz lateral na vaguidão das coisas.
Não falo do ouro metal, falo do ouro,
Falo da raiz, do fruto, falo do prado,
Da origem, da seiva, que o ouro é dança
Quando ao sonho vem o amor amado.
Que sonhar ouro é sonhar desejo,
Na vigília das noites compridas,
Quando as veias são pulsações vivas,
Quando os sonhos emanam das fendas.
Abismos que envolvem segredos vagos,
Distantes, enevoados, que no coração,
Castelo pulsante, trincheira de vida,
Existe a pepita, tu, madona paixão.
Saberia dizer-te ouro se fosse inocente,
Se tudo que sou começasse hoje, agora,
Se o sono, na insónia, no sonho contigo,
Houvesse o teu brilho, a tua aurora.
Fazer de ti o eu sonhado é a ideia,
O ouro de antiquíssimas histórias,
No laboratório da matéria, a fusão,
No borbulhar da retorta o sonho vão.
1 107
Virgílio Martinho
Ouro
O ouro é o amado, o longínquo,
Barco à vela esguio quase gaivota,
Desejo latente no meter do corpo,
Luz lateral na vaguidão das coisas.
Não falo do ouro metal, falo do ouro,
Falo da raiz, do fruto, falo do prado,
Da origem, da seiva, que o ouro é dança
Quando ao sonho vem o amor amado.
Que sonhar ouro é sonhar desejo,
Na vigília das noites compridas,
Quando as veias são pulsações vivas,
Quando os sonhos emanam das fendas.
Abismos que envolvem segredos vagos,
Distantes, enevoados, que no coração,
Castelo pulsante, trincheira de vida,
Existe a pepita, tu, madona paixão.
Saberia dizer-te ouro se fosse inocente,
Se tudo que sou começasse hoje, agora,
Se o sono, na insónia, no sonho contigo,
Houvesse o teu brilho, a tua aurora.
Fazer de ti o eu sonhado é a ideia,
O ouro de antiquíssimas histórias,
No laboratório da matéria, a fusão,
No borbulhar da retorta o sonho vão.
Barco à vela esguio quase gaivota,
Desejo latente no meter do corpo,
Luz lateral na vaguidão das coisas.
Não falo do ouro metal, falo do ouro,
Falo da raiz, do fruto, falo do prado,
Da origem, da seiva, que o ouro é dança
Quando ao sonho vem o amor amado.
Que sonhar ouro é sonhar desejo,
Na vigília das noites compridas,
Quando as veias são pulsações vivas,
Quando os sonhos emanam das fendas.
Abismos que envolvem segredos vagos,
Distantes, enevoados, que no coração,
Castelo pulsante, trincheira de vida,
Existe a pepita, tu, madona paixão.
Saberia dizer-te ouro se fosse inocente,
Se tudo que sou começasse hoje, agora,
Se o sono, na insónia, no sonho contigo,
Houvesse o teu brilho, a tua aurora.
Fazer de ti o eu sonhado é a ideia,
O ouro de antiquíssimas histórias,
No laboratório da matéria, a fusão,
No borbulhar da retorta o sonho vão.
1 107
Virgílio Martinho
A Maçã
As altas chaminés da fábrica,
Na noite remota da infância
Eram troncos rubros, eram fogo.
Na fruteira lavrada havia a maçã.
Os pesados carros, as sirenes,
As correrias dos homens, os gritos,
Os uivos das mulheres, as explosões.
Na fruteira a maçã amadurecia.
Incandescências vogavam na noite,
Havia vento, era um chicote quente,
Os corações pulsavam, os corações.
Na fruteira a maçã suava.
Nas alturas o cogumelo de fogo,
Um outro sol como se fora fábula,
Crepitava, meu corpo tremia.
Na fruteira a maçã crestava.
Chama fremente da cor do que arde,
O cogumelo de fogo da noite fazia dia,
E a cada explosão as chamas repartia.
Na fruteira a maçã gretava.
Tornou-se desejo o cogumelo longínquo,
Cobiça de criança, deslumbramento,
Possuí-lo seria belo, diferente.
Na fruteira a maçã abria-se.
De manhã findo o fogo, apenas o fumo,
Ao esplendor sucedera a monotonia,
Fora-se o sonho, só o cinzento havia.
Na fruteira a maçã tinha a cor do lume.
Na noite remota da infância
Eram troncos rubros, eram fogo.
Na fruteira lavrada havia a maçã.
Os pesados carros, as sirenes,
As correrias dos homens, os gritos,
Os uivos das mulheres, as explosões.
Na fruteira a maçã amadurecia.
Incandescências vogavam na noite,
Havia vento, era um chicote quente,
Os corações pulsavam, os corações.
Na fruteira a maçã suava.
Nas alturas o cogumelo de fogo,
Um outro sol como se fora fábula,
Crepitava, meu corpo tremia.
Na fruteira a maçã crestava.
Chama fremente da cor do que arde,
O cogumelo de fogo da noite fazia dia,
E a cada explosão as chamas repartia.
Na fruteira a maçã gretava.
Tornou-se desejo o cogumelo longínquo,
Cobiça de criança, deslumbramento,
Possuí-lo seria belo, diferente.
Na fruteira a maçã abria-se.
De manhã findo o fogo, apenas o fumo,
Ao esplendor sucedera a monotonia,
Fora-se o sonho, só o cinzento havia.
Na fruteira a maçã tinha a cor do lume.
1 170
Virgílio Martinho
A Maçã
As altas chaminés da fábrica,
Na noite remota da infância
Eram troncos rubros, eram fogo.
Na fruteira lavrada havia a maçã.
Os pesados carros, as sirenes,
As correrias dos homens, os gritos,
Os uivos das mulheres, as explosões.
Na fruteira a maçã amadurecia.
Incandescências vogavam na noite,
Havia vento, era um chicote quente,
Os corações pulsavam, os corações.
Na fruteira a maçã suava.
Nas alturas o cogumelo de fogo,
Um outro sol como se fora fábula,
Crepitava, meu corpo tremia.
Na fruteira a maçã crestava.
Chama fremente da cor do que arde,
O cogumelo de fogo da noite fazia dia,
E a cada explosão as chamas repartia.
Na fruteira a maçã gretava.
Tornou-se desejo o cogumelo longínquo,
Cobiça de criança, deslumbramento,
Possuí-lo seria belo, diferente.
Na fruteira a maçã abria-se.
De manhã findo o fogo, apenas o fumo,
Ao esplendor sucedera a monotonia,
Fora-se o sonho, só o cinzento havia.
Na fruteira a maçã tinha a cor do lume.
Na noite remota da infância
Eram troncos rubros, eram fogo.
Na fruteira lavrada havia a maçã.
Os pesados carros, as sirenes,
As correrias dos homens, os gritos,
Os uivos das mulheres, as explosões.
Na fruteira a maçã amadurecia.
Incandescências vogavam na noite,
Havia vento, era um chicote quente,
Os corações pulsavam, os corações.
Na fruteira a maçã suava.
Nas alturas o cogumelo de fogo,
Um outro sol como se fora fábula,
Crepitava, meu corpo tremia.
Na fruteira a maçã crestava.
Chama fremente da cor do que arde,
O cogumelo de fogo da noite fazia dia,
E a cada explosão as chamas repartia.
Na fruteira a maçã gretava.
Tornou-se desejo o cogumelo longínquo,
Cobiça de criança, deslumbramento,
Possuí-lo seria belo, diferente.
Na fruteira a maçã abria-se.
De manhã findo o fogo, apenas o fumo,
Ao esplendor sucedera a monotonia,
Fora-se o sonho, só o cinzento havia.
Na fruteira a maçã tinha a cor do lume.
1 170
Virgílio Martinho
A Maçã
As altas chaminés da fábrica,
Na noite remota da infância
Eram troncos rubros, eram fogo.
Na fruteira lavrada havia a maçã.
Os pesados carros, as sirenes,
As correrias dos homens, os gritos,
Os uivos das mulheres, as explosões.
Na fruteira a maçã amadurecia.
Incandescências vogavam na noite,
Havia vento, era um chicote quente,
Os corações pulsavam, os corações.
Na fruteira a maçã suava.
Nas alturas o cogumelo de fogo,
Um outro sol como se fora fábula,
Crepitava, meu corpo tremia.
Na fruteira a maçã crestava.
Chama fremente da cor do que arde,
O cogumelo de fogo da noite fazia dia,
E a cada explosão as chamas repartia.
Na fruteira a maçã gretava.
Tornou-se desejo o cogumelo longínquo,
Cobiça de criança, deslumbramento,
Possuí-lo seria belo, diferente.
Na fruteira a maçã abria-se.
De manhã findo o fogo, apenas o fumo,
Ao esplendor sucedera a monotonia,
Fora-se o sonho, só o cinzento havia.
Na fruteira a maçã tinha a cor do lume.
Na noite remota da infância
Eram troncos rubros, eram fogo.
Na fruteira lavrada havia a maçã.
Os pesados carros, as sirenes,
As correrias dos homens, os gritos,
Os uivos das mulheres, as explosões.
Na fruteira a maçã amadurecia.
Incandescências vogavam na noite,
Havia vento, era um chicote quente,
Os corações pulsavam, os corações.
Na fruteira a maçã suava.
Nas alturas o cogumelo de fogo,
Um outro sol como se fora fábula,
Crepitava, meu corpo tremia.
Na fruteira a maçã crestava.
Chama fremente da cor do que arde,
O cogumelo de fogo da noite fazia dia,
E a cada explosão as chamas repartia.
Na fruteira a maçã gretava.
Tornou-se desejo o cogumelo longínquo,
Cobiça de criança, deslumbramento,
Possuí-lo seria belo, diferente.
Na fruteira a maçã abria-se.
De manhã findo o fogo, apenas o fumo,
Ao esplendor sucedera a monotonia,
Fora-se o sonho, só o cinzento havia.
Na fruteira a maçã tinha a cor do lume.
1 170
Virgílio Martinho
Fetal
Fetal dentro do escuro da mãe,
formada na sua arca de vida,
sujeita à expulsão pela mater,
vim fêmea do negrume para a luz.
Ungida de matérias, tatuada de líquidos,
após o vagido, o som do chorar,
busquei o volume, o redondo do seio,
mãos hesitantes no tacto inicial.
Finda a busca, achado o alimento,
veio o crescer, a torrente viva,
soma de gestos, levedura de sons,
qual labirinto de espelhos feito.
Imagem de imagens, o desenho do rosto,
o despertar do ser inscrito nos olhos,
nas linhas enigmas da mão aberta,
no pulsante relevo da pele branca.
Estar no mundo, função minha,
ter em memória a vida que vou sendo,
no crescimento do meu crescer,
primeiro passado, depois futuro.
Agora, no ventre curvo a felpa crespa,
as pernas como funis até aos pés,
o rabo quais polpas da humana árvore,
as calotes dos seios desejo de mãos.
Do amor sei o desejo no desejar
quando o primeiro fiz e sofri
formada na sua arca de vida,
sujeita à expulsão pela mater,
vim fêmea do negrume para a luz.
Ungida de matérias, tatuada de líquidos,
após o vagido, o som do chorar,
busquei o volume, o redondo do seio,
mãos hesitantes no tacto inicial.
Finda a busca, achado o alimento,
veio o crescer, a torrente viva,
soma de gestos, levedura de sons,
qual labirinto de espelhos feito.
Imagem de imagens, o desenho do rosto,
o despertar do ser inscrito nos olhos,
nas linhas enigmas da mão aberta,
no pulsante relevo da pele branca.
Estar no mundo, função minha,
ter em memória a vida que vou sendo,
no crescimento do meu crescer,
primeiro passado, depois futuro.
Agora, no ventre curvo a felpa crespa,
as pernas como funis até aos pés,
o rabo quais polpas da humana árvore,
as calotes dos seios desejo de mãos.
Do amor sei o desejo no desejar
quando o primeiro fiz e sofri
1 022
Afonso X
Ai Eu Coitada, Como Vivo Em Gram Cuidado
Ai eu coitada, como vivo em gram cuidado
por meu amigo que hei alongado;
muito me tarda
o meu amigo na Guarda.
Ai eu coitada, como vivo em gram desejo
por meu amigo que tarda e nom vejo;
muito me tarda
o meu amigo na Guarda.
por meu amigo que hei alongado;
muito me tarda
o meu amigo na Guarda.
Ai eu coitada, como vivo em gram desejo
por meu amigo que tarda e nom vejo;
muito me tarda
o meu amigo na Guarda.
1 485
Afonso Mendes de Besteiros
Amigos, Nunca Mereceu
Amigos, nunca mereceu
homem, com'eu mereci, mal,
em meu cuidar, ca nom em al;
mais ando-me por en sandeu:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Mais leixade-mi andar assi!
Pero vós hajades poder,
meus amigos, de me valer,
sol nom vos doades de mi:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Ca sei que per nẽum logar,
amigos, que nom haverei
dela bem, por quanto cuidei;
mais leixade-m'assi andar:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Ca o sandeu, quanto mais for
d'amor sandeu, tant'é milhor.
homem, com'eu mereci, mal,
em meu cuidar, ca nom em al;
mais ando-me por en sandeu:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Mais leixade-mi andar assi!
Pero vós hajades poder,
meus amigos, de me valer,
sol nom vos doades de mi:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Ca sei que per nẽum logar,
amigos, que nom haverei
dela bem, por quanto cuidei;
mais leixade-m'assi andar:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Ca o sandeu, quanto mais for
d'amor sandeu, tant'é milhor.
828
Afonso Mendes de Besteiros
Amigos, Nunca Mereceu
Amigos, nunca mereceu
homem, com'eu mereci, mal,
em meu cuidar, ca nom em al;
mais ando-me por en sandeu:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Mais leixade-mi andar assi!
Pero vós hajades poder,
meus amigos, de me valer,
sol nom vos doades de mi:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Ca sei que per nẽum logar,
amigos, que nom haverei
dela bem, por quanto cuidei;
mais leixade-m'assi andar:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Ca o sandeu, quanto mais for
d'amor sandeu, tant'é milhor.
homem, com'eu mereci, mal,
em meu cuidar, ca nom em al;
mais ando-me por en sandeu:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Mais leixade-mi andar assi!
Pero vós hajades poder,
meus amigos, de me valer,
sol nom vos doades de mi:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Ca sei que per nẽum logar,
amigos, que nom haverei
dela bem, por quanto cuidei;
mais leixade-m'assi andar:
por quanto mi faz cuidador
d'haver eu bem de mia senhor.
Ca o sandeu, quanto mais for
d'amor sandeu, tant'é milhor.
828
Afonso Mendes de Besteiros
Fals'amigo, Per Bõa Fé
Fals'amigo, per bõa fé,
m'eu sei que queredes gram bem
outra molher, e por mi rem
nom dades, mais, pois assi é,
oimais fazede des aqui
capa doutra, ca nom de mim.
Ca noutro dia vos achei
falar no voss'e nom em al
com outra, e foi m'ende mal,
mais, pois que a verdade sei,
oimais fazede des aqui
capa doutra, ca nom de mim.
E quando vos eu vi falar
com outra, log'i bem vi eu
que seu érades, ca nom meu,
mais quero-vos eu desenganar:
oimais fazede des aqui
capa doutra, ca nom de mim.
m'eu sei que queredes gram bem
outra molher, e por mi rem
nom dades, mais, pois assi é,
oimais fazede des aqui
capa doutra, ca nom de mim.
Ca noutro dia vos achei
falar no voss'e nom em al
com outra, e foi m'ende mal,
mais, pois que a verdade sei,
oimais fazede des aqui
capa doutra, ca nom de mim.
E quando vos eu vi falar
com outra, log'i bem vi eu
que seu érades, ca nom meu,
mais quero-vos eu desenganar:
oimais fazede des aqui
capa doutra, ca nom de mim.
694
Virgílio Martinho
O Jovem Azul
O jovem azul não é o amor,
O jovem azul chama-se sonho,
O jovem azul é espacial,
É azul,
Mas não tem asas de anjo,
Não tem.
Azul é uma cor não é um jovem azul,
É coisa sem asas, quase um barco,
Com um coração de fora,
Talvez um cogumelo,
Nunca saberei o que o jovem azul é.
Neste saber e não saber,
Percorro lento o sonho antigo,
Enquanto subo a escadaria,
Passo a passo,
Como qualquer um a que o azul assiste.
Chego assim ao limite de cima,
De sonho feito com máscara arlequim,
Sem conhecer o meu sonho azul,
Sem ao menos lhe conhecer o fim.
O jovem azul chama-se sonho,
O jovem azul é espacial,
É azul,
Mas não tem asas de anjo,
Não tem.
Azul é uma cor não é um jovem azul,
É coisa sem asas, quase um barco,
Com um coração de fora,
Talvez um cogumelo,
Nunca saberei o que o jovem azul é.
Neste saber e não saber,
Percorro lento o sonho antigo,
Enquanto subo a escadaria,
Passo a passo,
Como qualquer um a que o azul assiste.
Chego assim ao limite de cima,
De sonho feito com máscara arlequim,
Sem conhecer o meu sonho azul,
Sem ao menos lhe conhecer o fim.
1 143
Afonso X
Achei Sanch' [E]Anes Encavalgada
Achei Sanch' [E]anes encavalgada
e dix'eu por ela cousa guisada:
ca nunca vi dona peior talhada,
e quige jurar que era mostea;
vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.
Vi-a cavalgar, muach'e sendeiro,
e nom ia milhor um cavaleiro.
Santiaguei-m'e disse: - Gram foi o palheiro
onde carregarom tam gram mostea!
Vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.
Vi-a cavalgar indo pela rua,
mui bem vistida em cima da mua;
dix'eu: - Ai, velha fududancua,
que me semelhades ora mostea!
Vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.
e dix'eu por ela cousa guisada:
ca nunca vi dona peior talhada,
e quige jurar que era mostea;
vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.
Vi-a cavalgar, muach'e sendeiro,
e nom ia milhor um cavaleiro.
Santiaguei-m'e disse: - Gram foi o palheiro
onde carregarom tam gram mostea!
Vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.
Vi-a cavalgar indo pela rua,
mui bem vistida em cima da mua;
dix'eu: - Ai, velha fududancua,
que me semelhades ora mostea!
Vi-a cavalgar per ũa aldeia
e quige jurar que era mostea.
757
Virgílio Martinho
O Desenho do Corpo
Na palma da mão tenho um insecto,
Na arca do peito um coração,
Na curva do ventre uma teia.
Duas estradas são os meus braços,
Dois ramos as minhas pernas,
Vivo no espaço do tempo.
Na minha pele há uma história,
Feita de antigos sinais,
Cada um deles é um rosto.
Meus dedos são alicates,
Máquinas do ofício de viver,
Por eles sei o nome do amor.
Os olhos, esses, sempre o disse,
São espelhos que se mostram,
Quando os uso prolongo o canto.
A minha auréola são os cabelos,
Coroa de quem se oculta,
Manto sedoso, duna do corpo.
Com os lábios beijo, urdo os sentidos,
A saliva é o líquido que escorre
E cativa o desejo de quem quero.
Em mim tenho a página do segredo,
O impulso do mistério inteiro,
Do canto a que me dou, dando-me.
Na arca do peito um coração,
Na curva do ventre uma teia.
Duas estradas são os meus braços,
Dois ramos as minhas pernas,
Vivo no espaço do tempo.
Na minha pele há uma história,
Feita de antigos sinais,
Cada um deles é um rosto.
Meus dedos são alicates,
Máquinas do ofício de viver,
Por eles sei o nome do amor.
Os olhos, esses, sempre o disse,
São espelhos que se mostram,
Quando os uso prolongo o canto.
A minha auréola são os cabelos,
Coroa de quem se oculta,
Manto sedoso, duna do corpo.
Com os lábios beijo, urdo os sentidos,
A saliva é o líquido que escorre
E cativa o desejo de quem quero.
Em mim tenho a página do segredo,
O impulso do mistério inteiro,
Do canto a que me dou, dando-me.
1 059
João Soares Coelho
A158 Em grave dia
Em grave dia, senhor, que vos vi,
por mi e por quantos me querem bem!
E por Deus, senhor, que vos nom pês en!
E direi-vos quanto per vós perdi:
perdi o mund'e perdi-me com Deus,
e perdi-me com estes olhos meus,
e meus amigos perdem, senhor, mim.
E, mia senhor, mal dia eu naci
por tod'este mal que me por vós vem!
Ca per vós perdi tod'est'e o sem
e quisera morrer e nom morri;
ca me nom quiso Deus leixar morrer
por me fazer maior coita sofrer,
por muito mal que me lh'eu mereci.
Ena mia coita, pero vos pesar
seja, senhor, já quê vos falarei,
ca nom sei se me vos ar veerei:
tanto me vej'em mui gram coit'andar
que morrerei por vós, u nom jaz al.
Catade, senhor, nom vos éste mal,
ca polo meu nom vos venh'eu rogar.
E ar quero-vos ora conselhar,
per bõa fé, o melhor que eu sei
- metede mentes no que vos direi:
quem me vos assi vir desamparar
e morrer por vós, pois eu morto for,
tam bem vos dirá por mi "traedor"
come a mim por vós, se vos matar.
E de tal preço guarde-vos vós Deus,
senhor e lume destes olhos meus,
se vos vós en nom quiserdes guardar!
por mi e por quantos me querem bem!
E por Deus, senhor, que vos nom pês en!
E direi-vos quanto per vós perdi:
perdi o mund'e perdi-me com Deus,
e perdi-me com estes olhos meus,
e meus amigos perdem, senhor, mim.
E, mia senhor, mal dia eu naci
por tod'este mal que me por vós vem!
Ca per vós perdi tod'est'e o sem
e quisera morrer e nom morri;
ca me nom quiso Deus leixar morrer
por me fazer maior coita sofrer,
por muito mal que me lh'eu mereci.
Ena mia coita, pero vos pesar
seja, senhor, já quê vos falarei,
ca nom sei se me vos ar veerei:
tanto me vej'em mui gram coit'andar
que morrerei por vós, u nom jaz al.
Catade, senhor, nom vos éste mal,
ca polo meu nom vos venh'eu rogar.
E ar quero-vos ora conselhar,
per bõa fé, o melhor que eu sei
- metede mentes no que vos direi:
quem me vos assi vir desamparar
e morrer por vós, pois eu morto for,
tam bem vos dirá por mi "traedor"
come a mim por vós, se vos matar.
E de tal preço guarde-vos vós Deus,
senhor e lume destes olhos meus,
se vos vós en nom quiserdes guardar!
753
João Soares Coelho
A158 Em grave dia
Em grave dia, senhor, que vos vi,
por mi e por quantos me querem bem!
E por Deus, senhor, que vos nom pês en!
E direi-vos quanto per vós perdi:
perdi o mund'e perdi-me com Deus,
e perdi-me com estes olhos meus,
e meus amigos perdem, senhor, mim.
E, mia senhor, mal dia eu naci
por tod'este mal que me por vós vem!
Ca per vós perdi tod'est'e o sem
e quisera morrer e nom morri;
ca me nom quiso Deus leixar morrer
por me fazer maior coita sofrer,
por muito mal que me lh'eu mereci.
Ena mia coita, pero vos pesar
seja, senhor, já quê vos falarei,
ca nom sei se me vos ar veerei:
tanto me vej'em mui gram coit'andar
que morrerei por vós, u nom jaz al.
Catade, senhor, nom vos éste mal,
ca polo meu nom vos venh'eu rogar.
E ar quero-vos ora conselhar,
per bõa fé, o melhor que eu sei
- metede mentes no que vos direi:
quem me vos assi vir desamparar
e morrer por vós, pois eu morto for,
tam bem vos dirá por mi "traedor"
come a mim por vós, se vos matar.
E de tal preço guarde-vos vós Deus,
senhor e lume destes olhos meus,
se vos vós en nom quiserdes guardar!
por mi e por quantos me querem bem!
E por Deus, senhor, que vos nom pês en!
E direi-vos quanto per vós perdi:
perdi o mund'e perdi-me com Deus,
e perdi-me com estes olhos meus,
e meus amigos perdem, senhor, mim.
E, mia senhor, mal dia eu naci
por tod'este mal que me por vós vem!
Ca per vós perdi tod'est'e o sem
e quisera morrer e nom morri;
ca me nom quiso Deus leixar morrer
por me fazer maior coita sofrer,
por muito mal que me lh'eu mereci.
Ena mia coita, pero vos pesar
seja, senhor, já quê vos falarei,
ca nom sei se me vos ar veerei:
tanto me vej'em mui gram coit'andar
que morrerei por vós, u nom jaz al.
Catade, senhor, nom vos éste mal,
ca polo meu nom vos venh'eu rogar.
E ar quero-vos ora conselhar,
per bõa fé, o melhor que eu sei
- metede mentes no que vos direi:
quem me vos assi vir desamparar
e morrer por vós, pois eu morto for,
tam bem vos dirá por mi "traedor"
come a mim por vós, se vos matar.
E de tal preço guarde-vos vós Deus,
senhor e lume destes olhos meus,
se vos vós en nom quiserdes guardar!
753
João Soares Coelho
A158 Em grave dia
Em grave dia, senhor, que vos vi,
por mi e por quantos me querem bem!
E por Deus, senhor, que vos nom pês en!
E direi-vos quanto per vós perdi:
perdi o mund'e perdi-me com Deus,
e perdi-me com estes olhos meus,
e meus amigos perdem, senhor, mim.
E, mia senhor, mal dia eu naci
por tod'este mal que me por vós vem!
Ca per vós perdi tod'est'e o sem
e quisera morrer e nom morri;
ca me nom quiso Deus leixar morrer
por me fazer maior coita sofrer,
por muito mal que me lh'eu mereci.
Ena mia coita, pero vos pesar
seja, senhor, já quê vos falarei,
ca nom sei se me vos ar veerei:
tanto me vej'em mui gram coit'andar
que morrerei por vós, u nom jaz al.
Catade, senhor, nom vos éste mal,
ca polo meu nom vos venh'eu rogar.
E ar quero-vos ora conselhar,
per bõa fé, o melhor que eu sei
- metede mentes no que vos direi:
quem me vos assi vir desamparar
e morrer por vós, pois eu morto for,
tam bem vos dirá por mi "traedor"
come a mim por vós, se vos matar.
E de tal preço guarde-vos vós Deus,
senhor e lume destes olhos meus,
se vos vós en nom quiserdes guardar!
por mi e por quantos me querem bem!
E por Deus, senhor, que vos nom pês en!
E direi-vos quanto per vós perdi:
perdi o mund'e perdi-me com Deus,
e perdi-me com estes olhos meus,
e meus amigos perdem, senhor, mim.
E, mia senhor, mal dia eu naci
por tod'este mal que me por vós vem!
Ca per vós perdi tod'est'e o sem
e quisera morrer e nom morri;
ca me nom quiso Deus leixar morrer
por me fazer maior coita sofrer,
por muito mal que me lh'eu mereci.
Ena mia coita, pero vos pesar
seja, senhor, já quê vos falarei,
ca nom sei se me vos ar veerei:
tanto me vej'em mui gram coit'andar
que morrerei por vós, u nom jaz al.
Catade, senhor, nom vos éste mal,
ca polo meu nom vos venh'eu rogar.
E ar quero-vos ora conselhar,
per bõa fé, o melhor que eu sei
- metede mentes no que vos direi:
quem me vos assi vir desamparar
e morrer por vós, pois eu morto for,
tam bem vos dirá por mi "traedor"
come a mim por vós, se vos matar.
E de tal preço guarde-vos vós Deus,
senhor e lume destes olhos meus,
se vos vós en nom quiserdes guardar!
753
Afonso Mendes de Besteiros
O Arrais de Roi Garcia
O arrais de Roi Garcia,
que em Leirea tragia,
desseinou-o;
e pois veo outro dia
e enlinhou-o.
Nom vos foi el de mal sem:
serviu-se del mui[to] bem,
desseinou-o;
e pois veo a Santarém
e enlinhou-o.
Nom vos foi el mui mesquinho:
per como diz Cogominho,
desseinou-o;
e pois morreu Dom Martinho,
enlinhou-o.
Ainda vos eu mais direi:
per quant'eu del vej'e sei,
desseinou-o;
e pois veo a cas del-rei,
enlinhou-o.
que em Leirea tragia,
desseinou-o;
e pois veo outro dia
e enlinhou-o.
Nom vos foi el de mal sem:
serviu-se del mui[to] bem,
desseinou-o;
e pois veo a Santarém
e enlinhou-o.
Nom vos foi el mui mesquinho:
per como diz Cogominho,
desseinou-o;
e pois morreu Dom Martinho,
enlinhou-o.
Ainda vos eu mais direi:
per quant'eu del vej'e sei,
desseinou-o;
e pois veo a cas del-rei,
enlinhou-o.
812
Afonso Mendes de Besteiros
Que Sem Meu Grado Me Parti
Que sem meu grado me parti
de mia senhor e do meu bem,
que quero melhor doutra rem!
E em grave dia naci
por eu nunca poder veer,
poila nom vi, nẽum prazer!
[...]
de mia senhor e do meu bem,
que quero melhor doutra rem!
E em grave dia naci
por eu nunca poder veer,
poila nom vi, nẽum prazer!
[...]
594
Afonso Mendes de Besteiros
Que Sem Meu Grado Me Parti
Que sem meu grado me parti
de mia senhor e do meu bem,
que quero melhor doutra rem!
E em grave dia naci
por eu nunca poder veer,
poila nom vi, nẽum prazer!
[...]
de mia senhor e do meu bem,
que quero melhor doutra rem!
E em grave dia naci
por eu nunca poder veer,
poila nom vi, nẽum prazer!
[...]
594
Afonso Lopes de Baião
Madre, Des Que Se Foi Daqui
Madre, des que se foi daqui
meu amigo, nom vi prazer,
nem mi o queredes [vós] creer,
e moir'e, se nom é assi,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
Des que s'el foi, per bõa fé,
chorei, madre, dos olhos meus
com gram coita, sab'hoje Deus,
e moir'e, se assi nom é,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
De mia mort'hei mui gram pavor,
mia madre, se cedo nom vem,
e al nom duvidedes en,
ca, se assi nom é, senhor,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
meu amigo, nom vi prazer,
nem mi o queredes [vós] creer,
e moir'e, se nom é assi,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
Des que s'el foi, per bõa fé,
chorei, madre, dos olhos meus
com gram coita, sab'hoje Deus,
e moir'e, se assi nom é,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
De mia mort'hei mui gram pavor,
mia madre, se cedo nom vem,
e al nom duvidedes en,
ca, se assi nom é, senhor,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
757
Afonso Lopes de Baião
Madre, Des Que Se Foi Daqui
Madre, des que se foi daqui
meu amigo, nom vi prazer,
nem mi o queredes [vós] creer,
e moir'e, se nom é assi,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
Des que s'el foi, per bõa fé,
chorei, madre, dos olhos meus
com gram coita, sab'hoje Deus,
e moir'e, se assi nom é,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
De mia mort'hei mui gram pavor,
mia madre, se cedo nom vem,
e al nom duvidedes en,
ca, se assi nom é, senhor,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
meu amigo, nom vi prazer,
nem mi o queredes [vós] creer,
e moir'e, se nom é assi,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
Des que s'el foi, per bõa fé,
chorei, madre, dos olhos meus
com gram coita, sab'hoje Deus,
e moir'e, se assi nom é,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
De mia mort'hei mui gram pavor,
mia madre, se cedo nom vem,
e al nom duvidedes en,
ca, se assi nom é, senhor,
nom vejades de mi prazer
que desejades a veer.
757