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Poemas neste tema

Emoções e Sentimentos

Isabel Câmara

Isabel Câmara

Cartilha

VOGAIS

A E I O U

a e i o u

Consoantes

B C D F G H J L M N P Q R S T V X Z

b c d f g h j l m n p q r s t v x z

A grande é Maiúsculo

A é vogal maiúscula

A maiúsculo se escreve após um ponto final (.) uma interrogação (?) uma afirmação (!)

E os nomes das pessoas devem começar com letra maiúscula.
Aquela menina é tua irmã?
Não. Aquela menina é minha amiga.
Eu sou a amiga da amiga.
Eu sou o amigo do amigo.
Eu sou amiga das amigas e dos amigos.
Aprendo a escrever.
Aprendo a perguntar: o que é ser Amigo?

Ia procurando a estrada. Era durante o dia.
Dia e meio já eram.
Era meio-dia e parecia mais.
Ia me escondendo, sol forte castiga.
Dia e meio é mais que meio dia.
Dia e meio são dois dias mais doze horas.
{Aqui existe erro. Você sabe dizer qual?}
Era manhã e eu ia só, sozinha pela estrada. Estrada longa.
Difícil. Outra pessoa apareceu.
Outros amigos vieram chegando.
Éramos amigos, pessoas, colegas caminhando pela longa estrada.
Uns brincavam, outros caminhavam sérios, pensativos,
até tristes. Seria fome? Seria medo?
Seria o Negrinho do Pastoreio no vento que embalava tanto silêncio?
A Escola já estava a meio caminho andado.
O outro caminho todos ainda havíamos de aprender.
Tem um aluno novo que é loiro. O outro é uma menina
bem pretinha de alumiar.
As duas crianças vão de braços dados.
Às vezes comem separadas.
O sol brinca no carrapincho de um e faz contraste com o
cabelo lourinho do outro. É bom de se olhar. Aprende-se
muito com o olhar.
Se a Escola ficasse mais perto das nossas casas, a gente
sentia menos fome, menos preguiça e até menos medo,
feito aquele menino do vento cujo vento era amigo do
Negrinho do Pastoreio.
A professora também mora longe.
Quando não vem de carroça, de charrete, tem coragem até
para os solavancos do carro de bois.
Por hoje é só.

Resposta:
Dia e meio são doze horas mais seis horas. São 12 + 6 = 18 horas.
18horas são as seis da tarde. Hora da Ave Maria.

Para escrever a gente pode começar assim:
Se esforçando na Caligrafia.
Ia me esquecendo de um relato:
B-b- de Belezura de belezura.
Beleza longamente. Sem hora.
Formosura. Sem usura. Sem avarícia ou indecência do olhar.
Beleza que dura, que permanece, guardadinha na gaveta
verde de alguma árvore da longa estrada.
Belezura é aprendizado de Liberdade. É a beleza da forma.
Por isso é complicado definir.
Eu vi duas amigas. Pareciam mais duas aves benzendo
a terra árida. Benedita saltava sobre brejos secos onde muitas
vezes se banhou.
Branca fitava os seixos, serena.
Branca a Benedita. Belezuras. Formosuras.
Um dia começou a chover.
Então a terra-mundo adormeceu feliz.


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Violante do Céu

Violante do Céu

Canção

Amante pensamento,
Núncio de amor, correio da vontade,
Emulação do vento,
Lisonja da mais triste soledade,
Ministro da lembrança,
Gosto na posse, alívio na esperança,
Já que de minhas queixas
A causa idolatrada vás seguindo,
Diz-lhe qual me deixas:
Diz-lhe que estou morta, mas sentindo,
Que pode mal tão forte
Fazer que sinta (ai triste!) a mesma morte.
Diz-lhe que é já tanto
O pesar de me ver tão dividida,
Que só me causa espanto
A sombra que me segue de üa vida
Tão morta para o gosto
Como via (ai de mi!) para o desgosto.
Diz-lhe que me mata
Quem, vendo-me morrer sem resistência,
De socorrer-me trata,
Pois para quem padece o mal de ausência
Que é só remédio entendo
Ver o que quer ou fenecer querendo.
Diz-lhe que a memória
Toma por instrumento do meu dano
A já passada glória,
Fazendo o mais suave tão tirano,
Que o bem mais estimado
Me passa o coração, porque é passado.
Diz-lhe que se sabe
O poder de üa ausência rigorosa,
Que a que começa acabe
Antes que ela me acabe poderosa,
Pois de tal modo a sinto,
Que julgo ter por eterno o mais sucinto.
Diz-lhe que se admite
Rogos de um coração que o segue amante,
Que ver-me solicite
Apesar do preciso e do distante,
E que tão cedo seja
Que toda a compaixão se torne inveja.
Diz-lhe que se acorde
De uns efeitos de amor que encarecia,
E que todos recorde,
Mas que seja um minuto cada dia,
Pois eu cada minuto
Infinitas lembranças lhe tributo.
Diz-lhe que até à morte
Assistência contínua lhe ofereces,
E que te invejo a sorte;
E enfim, se de meu mal te compadeces,
Ó pensamento amigo,
Diz-lhe tudo, ou leva-me contigo.
1 100
Afonso X

Afonso X

Cantiga CCXXXII

Como un cavaleiro que andava a caça perdeu o açor, e guando viu que o non podia achar, levou u açor de cera a Vila-Sirga, e achó-o.
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder
a Madre de Jheso-Cristo d' a quena chama valer.
Ca enas enfermidades á ela poder atal,
que as tolle e guarece a quen quer de todo mal,
e outrossi enas perdas ao que a chama val;
e daquest' un gran miragre vos quer' eu ora dizer.
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
En Trevyn[n]' un cavaleiro foi que era caçador,
e perdeu, andand' a caça ha vez, un seu açor
que era fremos' e bõo, demais era sabedor
de fillar ben toda ave que açor dev' a prender.
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
Des y era mui fremoso e ar sabia voar
tan apost' e tan aga, que non ll' achavan seu par
eno reyno de Castela; e un dia, pois jantar,
foi con el fillar perdizes e ouve-o de perder.
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
Tod' aquel dia buscó-o, mais per ren nono achou;
e foi-sse pera ssa terra e seus omees enviou
busca-lo a muitas partes, e por el tanto chorou,
pois viu que o non achavan, que cuidou enssandecer.
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
Assi passou quatro meses, segund[o] eu aprendi,
que o buscou, mais ach[a-lo] non pode, per com' oý;
e con coita mandou cera fillar e disso assy:
«Faça[n]-m' un açor daquesta, ca o quer' yr offerer
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
Aa Virgen groriosa de Vila-Sirga, ca sey
que sse eu aquesto faço, que meu açor acharei.»
E esto foi logo feito, e foi-ss' e, com' apres' ei,
foi aquel açor de cera sobelo altar põer.
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
E rogou Santa Maria, chorando dos ollos seus,
chamando-lle: «Piadosa Virgen [e] Madre de Deus,
Sennor santa e beita, mostra dos miragres teus
por que meu açor non perça, ca ben o podes fazer.»
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
Pois que sa oraçon feita ouve, ar tornou-ss' enton
a ssa casa u morava, chorando de coraçon;
e pois entrou pela porta, catou contra un rancon
e vius seu açor na vara u xe soya põer.
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
Quand' esto viu, os gollos pos en terra, e a faz,
loando Santa Maria que taes miragres faz;
e aa vara foi logo fillar seu açor en paz
ena mão, e a Virgen começou a beizer.
En toda-las grandes coitas á força grand' e poder...
1 119
Miklós Radnóti

Miklós Radnóti

Céu espumante

No céu que espuma, a lua oscila.
Estar vivo me causa espécie.
A morte assídua espreita a Idade:
quem ela encontre, empalidece.
O ano grita e depois desmaia.
(Gritara olhando ao seu redor.)
Que outono ronda-me de novo?
Que inverno embotado de dor?
Sangrava o bosque; mesmo as horas
sangravam no vaivém dos dias.
Ventos riscavam, sobre a neve,
cifras enormes e sombrias.
Já vi de tudo; o ar me esmaga
com seu peso; um silêncio cresce
ruidoso, cálido e me abraça
como fez antes que eu nascesse.
Detenho-me junto de um tronco
que agita iroso as frondes plenas
e estende um galho. Há de esganar-me?
Não é fraqueza ou medo – apenas
cansaço. Calo. E o galho apalpa
os meus cabelos, mudo, aflito.
Cabe esquecer – mas não há nada
de que já tenha me esquecido.
Espuma afoga a lua; o miasma
estria os céus, verde e agressivo.
Sem pressa, enrolo com cuidado
o meu cigarro. Eu estou vivo.
(tradução de Nelson Ascher)
:
Tajtékos ég
Miklós Radnóti
Tajtékos égen ring a hold,
csodálkozom, hogy élek.
Szorgos halál kutatja ezt a kort
s akikre rálel, mind olyan fehérek.
Körülnéz néha s felsikolt az év,
körülnéz, aztán elalél.
Micsoda osz lapul mögöttem ujra
s micsoda fájdalomtól tompa tél!
Vérzett az erdo és a forgó
idoben vérzett minden óra.
Nagy és sötétlo számokat
írkált a szél a hóra.
Megértem azt is, ezt is,
súlyosnak érzem a levegot,
neszekkel teljes, langyos csönd ölel,
mint születésem elott.
Megállok itt a fa tövében,
lombját zúgatja mérgesen.
Lenyúl egy ág. Nyakonragad?
nem vagyok gyáva, gyönge sem,
csak fáradt. Hallgatok. S az ág is
némán motoz hajamban és ijedten.
Feledni kellene, de én
soha még semmit sem feledtem.
A holdra tajték zúdúl, az égen
sötétzöld sávot von a méreg.
Cigarettát sodrok magamnak,
lassan, gondosan. Élek.
1 195
Barbara Guest

Barbara Guest

Perdendo pessoas

para Ira Morris

Os dias em que você tenta recompor
as ideias são dias perdidos
porém simples como sanduíche
de três camadas a mordida
isto é fácil

Perda
"pura" perda
você comparece à sua reconstrução
na qual você é três pessoas e também
um sanduíche

Perda
não ouvir uma voz
outra vez como trenodia

Perda
você começa a rimá-la com paredes
ou graxa de sapato

Perda
da sua presença com um trote
e matizes

a superfície de pessoas
em restaurantes comendo sanduíches
elas sabem que há um carro estacionado lá fora

Ó imagens viscosas e audazes com o apertão
de um garfo dentro de suas coxas que se deleitam
de atmosfera e clima real

missões
por sobre as curvas contrárias bem como a água
que passa este dia
por debaixo da ponte:

você resolveu
a pedra
não mais sustenta a ponte
bom. Ira morreu.

:

Losing people (in Moscow Mansions, 1973)

for Ira Morris

The days when you try to recover
your wits are lost days
yet simple as sandwich
of three layers the crunch
that’s easy

Loss
“pure” loss
you attend its reconstruction
where you are three persons also
a sandwich

Loss
not hearing a voice
again as threnody

Loss
you begin to rhyme it with walls
or shoeshine

Loss
of your presence with a gait
and hues

the surface of persons
in restaurants eating sandwiches
they know there is a car parked outside

O images viscous and daring with the squeeze
of a fork inside your thighs that are delighted
with atmosphere and real weather

missions
over the backward curves rather like water
that moves this day
under the bridge:

you decided
the stone
no longer supports the bridge
well. Ira died.

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