Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Ribeiro Couto
Chuva
A chuva fina molha a paisagem lá fora.
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
1 294
Ribeiro Couto
Chuva
A chuva fina molha a paisagem lá fora.
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
1 294
Ricardo Silvestrin
Haicai
fiapos de sol
o cachorro se espreguiça
depois fica pensando
céu escuro
lua branca
apago todas as lâmpadas
o cachorro se espreguiça
depois fica pensando
céu escuro
lua branca
apago todas as lâmpadas
2 301
Paulo Augusto Rodrigues
Choro
Revendo as mesmas velhas fotos,
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.
Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.
O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...
As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.
Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.
O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...
As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.
867
Paulo Augusto Rodrigues
Choro
Revendo as mesmas velhas fotos,
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.
Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.
O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...
As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.
Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.
O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...
As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.
867
Paulo Augusto Rodrigues
Choro
Revendo as mesmas velhas fotos,
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.
Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.
O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...
As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.
Relendo as mesmas lindas cartas,
Revivendo cada instante,
Cada detalhe.
Alguém canta na vitrola
Aquelas músicas esquecidas.
Ingenuidade perdida.
Neste momento de tristeza
Lembranças são troncos na água,
Me salvando a vida.
Impedindo que me afogue,
Nas correntezas e abismos
Que sobressaem neste dia.
O peso vem de fora,
Mas a força para suportá-lo
Esgota energias interiores.
Já não sinto meus membros...
As recordações voam sobre minha cabeça,
Se vão a garra e o ardor.
O tronco se afasta mais e mais,
As águas me engolem com ânsia.
Afundo...
E sinto que lá no fundo,
Choro.
867
Paulo Augusto Rodrigues
Quero
Dores de menino.
Quero colo, carinho, abrigo,
Quero RocknRoll nos ouvidos,
E mais do que sangue nas veias.
E quero bomba, estrela cadente,
Quero guerra, medo e perigo.
Adrenalina e nostalgia.
Quero olhares perdidos achados,
Visões alucinantes existindo,
Horrores, Hiroximas e himens.
Homens de verdade.
Caráter, explosão e facadas.
Mães, pais e defuntos,
Filhos e netos,
Tensões, conflitos e alívios.
Quero tédio no sexo dos outros,
Liberdade de expressão a fórceps.
Quero paz...
De espírito.
Quero colo, carinho, abrigo,
Quero RocknRoll nos ouvidos,
E mais do que sangue nas veias.
E quero bomba, estrela cadente,
Quero guerra, medo e perigo.
Adrenalina e nostalgia.
Quero olhares perdidos achados,
Visões alucinantes existindo,
Horrores, Hiroximas e himens.
Homens de verdade.
Caráter, explosão e facadas.
Mães, pais e defuntos,
Filhos e netos,
Tensões, conflitos e alívios.
Quero tédio no sexo dos outros,
Liberdade de expressão a fórceps.
Quero paz...
De espírito.
801
Paulo Augusto Rodrigues
Hora
Hora final!
Hora em que o mundo é mais vasto,
O sorriso mais fraco,
O aperto mais junto.
Hora que a saudade nem nasce,
E aborta,
A lembrança nem chega
E a imagem se perde.
Hora que nunca esperamos,
Hora que nunca queremos.
Hora da pequena morte.
Hora que ficamos mais velhos.
Hora que a vida me joga na cara.
Hora em que perco para deus.
Hora, que é só um instante!
Hora que desaba o castelo,
Da ruína das cartas.
Hora de se enroscar no futuro,
Largar os pedaços,
Os lastros.
Triste hora,
Porque me persegues?
Outra vez!
É chegada a hora!
A hora da despedida,
A hora do adeus.
Hora em que o mundo é mais vasto,
O sorriso mais fraco,
O aperto mais junto.
Hora que a saudade nem nasce,
E aborta,
A lembrança nem chega
E a imagem se perde.
Hora que nunca esperamos,
Hora que nunca queremos.
Hora da pequena morte.
Hora que ficamos mais velhos.
Hora que a vida me joga na cara.
Hora em que perco para deus.
Hora, que é só um instante!
Hora que desaba o castelo,
Da ruína das cartas.
Hora de se enroscar no futuro,
Largar os pedaços,
Os lastros.
Triste hora,
Porque me persegues?
Outra vez!
É chegada a hora!
A hora da despedida,
A hora do adeus.
930
Paulo Augusto Rodrigues
Hora
Hora final!
Hora em que o mundo é mais vasto,
O sorriso mais fraco,
O aperto mais junto.
Hora que a saudade nem nasce,
E aborta,
A lembrança nem chega
E a imagem se perde.
Hora que nunca esperamos,
Hora que nunca queremos.
Hora da pequena morte.
Hora que ficamos mais velhos.
Hora que a vida me joga na cara.
Hora em que perco para deus.
Hora, que é só um instante!
Hora que desaba o castelo,
Da ruína das cartas.
Hora de se enroscar no futuro,
Largar os pedaços,
Os lastros.
Triste hora,
Porque me persegues?
Outra vez!
É chegada a hora!
A hora da despedida,
A hora do adeus.
Hora em que o mundo é mais vasto,
O sorriso mais fraco,
O aperto mais junto.
Hora que a saudade nem nasce,
E aborta,
A lembrança nem chega
E a imagem se perde.
Hora que nunca esperamos,
Hora que nunca queremos.
Hora da pequena morte.
Hora que ficamos mais velhos.
Hora que a vida me joga na cara.
Hora em que perco para deus.
Hora, que é só um instante!
Hora que desaba o castelo,
Da ruína das cartas.
Hora de se enroscar no futuro,
Largar os pedaços,
Os lastros.
Triste hora,
Porque me persegues?
Outra vez!
É chegada a hora!
A hora da despedida,
A hora do adeus.
930
Ricardo Madeira
Frio e Só
(COMO SEMPRE)
A criança alegre e divertida
Deixou de acreditar no Pai Natal,
As prendas na sua longa lista não foram recebidas,
E o fiel cão jaz espalmado na estrada.
O espelho mostra algo de errado,
O adolescente espreme da cara a borbulha,
Mas nada muda.
O reflexo não mente, falta algo na sua vida,
Certifica-se que ainda o tem entre as pernas
E deixa a barba crescer...
Não resulta...
Homem sem amigos,
Achados e perdidos,
Gastando tudo o que pode
(Não necessariamente por ordem alfabética)
Em bebida e mulheres.
O velho ainda não sabe o que é a vida,
Chora sobre cabelo caído
Enquanto coça os genitais
(Agora, lamentavelmente, só com função urinária),
Desejando...
A morte...
Autópsia, médicos
Procuram estupefactos no peito frio cadáver
Um músculo há muito atrofiado,
Que nunca bateu...
O nome na sepultura
Por nenhum dos nove filhos bastardos lembrado,
Deixado abandonado para apodrecer
Frio e só...
Como sempre...
A criança alegre e divertida
Deixou de acreditar no Pai Natal,
As prendas na sua longa lista não foram recebidas,
E o fiel cão jaz espalmado na estrada.
O espelho mostra algo de errado,
O adolescente espreme da cara a borbulha,
Mas nada muda.
O reflexo não mente, falta algo na sua vida,
Certifica-se que ainda o tem entre as pernas
E deixa a barba crescer...
Não resulta...
Homem sem amigos,
Achados e perdidos,
Gastando tudo o que pode
(Não necessariamente por ordem alfabética)
Em bebida e mulheres.
O velho ainda não sabe o que é a vida,
Chora sobre cabelo caído
Enquanto coça os genitais
(Agora, lamentavelmente, só com função urinária),
Desejando...
A morte...
Autópsia, médicos
Procuram estupefactos no peito frio cadáver
Um músculo há muito atrofiado,
Que nunca bateu...
O nome na sepultura
Por nenhum dos nove filhos bastardos lembrado,
Deixado abandonado para apodrecer
Frio e só...
Como sempre...
875
Ricardo Madeira
Sonhos de Pó
The truth in me,
Too dark to see,
So bitter the taste,
Now the poison runs free.
-Mathias Lodmalm
Luz pálida,
A bela fragrância de uma lua calma,
Mas inútil,
É a escuridão que lhe abraça a alma.
As suas lágrimas,
Flores que o vento insiste em ceifar,
Imemoriais os tempos
Em que as estrelas lhe podiam falar.
Não se move,
Continua a querer o que não pode ter,
A chuva cai,
Deseja aquilo que não pode acontecer.
Os seus gritos
Embalam horrendos os seus ouvidos,
Sonhos de pó,
E o vazio que lhe perfaz os sentidos.
O relâmpago,
Um coração em brasa perde o brilho,
Depois trovão,
A noite que chama alto pelo seu filho.
Eco que persiste,
O bolso revela a lâmina sem hesitar,
E em vão resiste,
Dor esmaga o medo de se entregar.
Suave o corte,
Tal como as carícias de quem amou,
Chora na morte,
As lágrimas que também ela chorou
Quando a matou...
Too dark to see,
So bitter the taste,
Now the poison runs free.
-Mathias Lodmalm
Luz pálida,
A bela fragrância de uma lua calma,
Mas inútil,
É a escuridão que lhe abraça a alma.
As suas lágrimas,
Flores que o vento insiste em ceifar,
Imemoriais os tempos
Em que as estrelas lhe podiam falar.
Não se move,
Continua a querer o que não pode ter,
A chuva cai,
Deseja aquilo que não pode acontecer.
Os seus gritos
Embalam horrendos os seus ouvidos,
Sonhos de pó,
E o vazio que lhe perfaz os sentidos.
O relâmpago,
Um coração em brasa perde o brilho,
Depois trovão,
A noite que chama alto pelo seu filho.
Eco que persiste,
O bolso revela a lâmina sem hesitar,
E em vão resiste,
Dor esmaga o medo de se entregar.
Suave o corte,
Tal como as carícias de quem amou,
Chora na morte,
As lágrimas que também ela chorou
Quando a matou...
843
Ricardo Moraes Ferreira
Soneto e Saudade
Jogai as flores com ternura
Sobre o jazigo de nosso passado
Amei-te com a inocente loucura
Daqueles que morrem sem ter pecado
Corri os verdes campos da esperança
Sob os olhos atentos do destino
De inocente - sorri quando criança
E de pirraça - fugi como um menino
Na fuga audaz passaram-se os anos
E a vida me volta num breve lampejo
Lamúrias cruéis de velhos enganos
Loucura fugaz de um novo desejo
Eu olho prá trás - cadê nossos planos?
As flores, o campo ; só tu que não vejo!
Sobre o jazigo de nosso passado
Amei-te com a inocente loucura
Daqueles que morrem sem ter pecado
Corri os verdes campos da esperança
Sob os olhos atentos do destino
De inocente - sorri quando criança
E de pirraça - fugi como um menino
Na fuga audaz passaram-se os anos
E a vida me volta num breve lampejo
Lamúrias cruéis de velhos enganos
Loucura fugaz de um novo desejo
Eu olho prá trás - cadê nossos planos?
As flores, o campo ; só tu que não vejo!
921
Ribeiro Couto
O Longe e o Perto
Logo que a noite envolve em sombras o jardim
Parece que um mistério estranho me rodeia,
Bocas de flores se entreabrem para mim,
E não sei de quem são estes passos na areia
Nem este murmurar de uma queixa sem fim.
Como a seiva da terra alimenta as raízes,
Uma seiva secreta enche meu coração.
Deve ser o tal "gosto amargo de infelizes",
Plantinha sempre verde entre as pedras do chão,
Cujo travo provei em todos os países.
Tudo que pude fiz para não ser assim,
Mas não posso esquecer o longe pelo perto;
Os que amei e perdi dormem dentro de mim;
A culpa é minha, sou eu mesmo que os desperto,
Logo que a noite envolve em sombras o jardim.
Parece que um mistério estranho me rodeia,
Bocas de flores se entreabrem para mim,
E não sei de quem são estes passos na areia
Nem este murmurar de uma queixa sem fim.
Como a seiva da terra alimenta as raízes,
Uma seiva secreta enche meu coração.
Deve ser o tal "gosto amargo de infelizes",
Plantinha sempre verde entre as pedras do chão,
Cujo travo provei em todos os países.
Tudo que pude fiz para não ser assim,
Mas não posso esquecer o longe pelo perto;
Os que amei e perdi dormem dentro de mim;
A culpa é minha, sou eu mesmo que os desperto,
Logo que a noite envolve em sombras o jardim.
1 402
Ricardo Madeira
O Mosteiro Abandonado
Murmúrios no vento...
Na mais alta montanha: mosteiro abandonado,
Perdido no tempo...
Neve (algodão?)
Cobre bela a paisagem (apenas imagem?)
Sob sol de Verão...
E ela chora, naquela janela aberta,
Aguardando, etérea, a altura certa:
Um só instante,
Tão distante...
Mas, um dia, o dia chegará,
Hora a hora, por essa hora esperará...
Um dia...
Talvez um dia...
E o vento trará nos braços alegria...
Na mais alta montanha: mosteiro abandonado,
Perdido no tempo...
Neve (algodão?)
Cobre bela a paisagem (apenas imagem?)
Sob sol de Verão...
E ela chora, naquela janela aberta,
Aguardando, etérea, a altura certa:
Um só instante,
Tão distante...
Mas, um dia, o dia chegará,
Hora a hora, por essa hora esperará...
Um dia...
Talvez um dia...
E o vento trará nos braços alegria...
947
Rosani Abou Adal
Templo de Zeus
A solidão invade a noite do sábado,
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
944
Rosani Abou Adal
Templo de Zeus
A solidão invade a noite do sábado,
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
o silêncio toma conta das ruas.
Não escuto cachorros latindo,
apenas o escapamento solto da motocicleta
voando sobre o asfalto como um relâmpago.
Aguardo uma eternidade teu chamado mudo,
o telefax e secretária eletrônica se calaram.
Tento me comunicar contigo por telepatia,
não entendes meus códigos.
Viajo pelo túnel do tempo rumo à terra de Homero
para ouvir tua voz e codificar meus sinais.
Percorro o Bosque Sagrado do Olimpo,
Parthenon, Palácio Cnosso, Pórtico de Cariátides,
Acrópole de Lindos, Templo de Apolo,
Templo de Posêidon, o Templo de Zeus,
e assumo formas de touro, cisne, anfitrião,
chuva de ouro para me aproximar de ti
como fizera Zeus com Europa, Leda, Danae e Alcmene.
Zeus mais feliz que eu com as mortais,
de suas aproximações surgiram Perseu, Pólux e Helena.
A máquina do tempo me traz de volta
ao silêncio do fim de semana.
Nada valeu me transformar em cisne,
touro branco, chuva de ouro e anfitrião.
O aparelho de Graham Bell se calou no tempo.
944
Raquel Naveira
Elegância Suprema
Caminho por um tapete violeta
Estendido sobre nuvens.
Como é suntuosa tua morada!
Gotículas de chuva
Cristalizam-se em diamantes
E raios de sol
Pendem das colunas
Como correntes de ouro!
Meu rei, meu Senhor!
Quanto fausto!
Quanto brilho
Na tua túnica,
Na tua coroa,
No escabelo
A teus pés!
Por que ocultaste até o último instante que eras rei?
Por que não trouxeste teu séquito de anjos?
Tuas hordas,
Teus leões,
Tuas trombetas?
Por que te abandonaste a ti mesmo?
Indefeso,
Preso ao madeiro
Como fruto apodrecido?
Meu rei, meu Senhor!
Que suprema elegância!
O manto,
O cetro,
O olhar que me lanças
E que gera e mim a ânsia de combate,
A fé segura,
O equilíbrio.
Como eu poderia adivinhar
Que um homem era Deus?
Estendido sobre nuvens.
Como é suntuosa tua morada!
Gotículas de chuva
Cristalizam-se em diamantes
E raios de sol
Pendem das colunas
Como correntes de ouro!
Meu rei, meu Senhor!
Quanto fausto!
Quanto brilho
Na tua túnica,
Na tua coroa,
No escabelo
A teus pés!
Por que ocultaste até o último instante que eras rei?
Por que não trouxeste teu séquito de anjos?
Tuas hordas,
Teus leões,
Tuas trombetas?
Por que te abandonaste a ti mesmo?
Indefeso,
Preso ao madeiro
Como fruto apodrecido?
Meu rei, meu Senhor!
Que suprema elegância!
O manto,
O cetro,
O olhar que me lanças
E que gera e mim a ânsia de combate,
A fé segura,
O equilíbrio.
Como eu poderia adivinhar
Que um homem era Deus?
1 286
Rosani Abou Adal
Auto-Retrato
Estou tão só dentro de mim
que até as estrelas emudeceram.
Não escuto o cantar dos pássaros,
que se inquietaram diante do meu silêncio.
Não consigo psicografar frases de amor,
minhas mãos se fecharam para o tempo,
a única palavra que ecoa no meu peito é a solidão.
Não sei porque me sinto só.
Um mihão de pessoas ao meu redor,
não vejo um sorriso sequer.
Meu sorriso se calou,
não o vejo no espelho.
Estou triste e feliz.
Feliz na companhia da solidão,
triste porque não tenho um sorriso
e tudo é pausa ao meu redor.
Estou ficando duplamente triste,
a solidão vai me abandonando neste instante.
Olho a multidão e a felicidade
desponta no sorriso de uma criança.
que até as estrelas emudeceram.
Não escuto o cantar dos pássaros,
que se inquietaram diante do meu silêncio.
Não consigo psicografar frases de amor,
minhas mãos se fecharam para o tempo,
a única palavra que ecoa no meu peito é a solidão.
Não sei porque me sinto só.
Um mihão de pessoas ao meu redor,
não vejo um sorriso sequer.
Meu sorriso se calou,
não o vejo no espelho.
Estou triste e feliz.
Feliz na companhia da solidão,
triste porque não tenho um sorriso
e tudo é pausa ao meu redor.
Estou ficando duplamente triste,
a solidão vai me abandonando neste instante.
Olho a multidão e a felicidade
desponta no sorriso de uma criança.
1 004
Rosani Abou Adal
Auto-Retrato
Estou tão só dentro de mim
que até as estrelas emudeceram.
Não escuto o cantar dos pássaros,
que se inquietaram diante do meu silêncio.
Não consigo psicografar frases de amor,
minhas mãos se fecharam para o tempo,
a única palavra que ecoa no meu peito é a solidão.
Não sei porque me sinto só.
Um mihão de pessoas ao meu redor,
não vejo um sorriso sequer.
Meu sorriso se calou,
não o vejo no espelho.
Estou triste e feliz.
Feliz na companhia da solidão,
triste porque não tenho um sorriso
e tudo é pausa ao meu redor.
Estou ficando duplamente triste,
a solidão vai me abandonando neste instante.
Olho a multidão e a felicidade
desponta no sorriso de uma criança.
que até as estrelas emudeceram.
Não escuto o cantar dos pássaros,
que se inquietaram diante do meu silêncio.
Não consigo psicografar frases de amor,
minhas mãos se fecharam para o tempo,
a única palavra que ecoa no meu peito é a solidão.
Não sei porque me sinto só.
Um mihão de pessoas ao meu redor,
não vejo um sorriso sequer.
Meu sorriso se calou,
não o vejo no espelho.
Estou triste e feliz.
Feliz na companhia da solidão,
triste porque não tenho um sorriso
e tudo é pausa ao meu redor.
Estou ficando duplamente triste,
a solidão vai me abandonando neste instante.
Olho a multidão e a felicidade
desponta no sorriso de uma criança.
1 004
Rosani Abou Adal
Passáro-Concorde
Trilhar caminhos e sentir teu cheiro
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.
nas plantas, florestas, flores,
campos e no ar.
Voar o céu como um pássaro-concorde
e encontrar-te, passageiro
de minhas asas perdidas.
Navegar mares e oceanos
e avistar-te, comandante
deste barco sem
bússola.
911
Raniere Rodrigues dos Santos
Onde Estás?
Eu te amo,
Não sei se te amo.
Eu te desejo,
Não sei se te desejo.
Eu te conheço,
Não sei se te conheço.
Apenas sei que em algum momento
Estiveste perto de mim.
Isso demonstra o prcsente
E este talvez inexistente
Demonstra lembranças,
O passado, por sua vez, compensou,
Compensou meu coração inesquecivelmente.
Saudade, esta está
A te procurar
E vê que não há como encontrar
A não ser desencadear
E peregrinar
A procura
De onde estás.
Não sei se te amo.
Eu te desejo,
Não sei se te desejo.
Eu te conheço,
Não sei se te conheço.
Apenas sei que em algum momento
Estiveste perto de mim.
Isso demonstra o prcsente
E este talvez inexistente
Demonstra lembranças,
O passado, por sua vez, compensou,
Compensou meu coração inesquecivelmente.
Saudade, esta está
A te procurar
E vê que não há como encontrar
A não ser desencadear
E peregrinar
A procura
De onde estás.
861
Raniere Rodrigues dos Santos
Onde Estás?
Eu te amo,
Não sei se te amo.
Eu te desejo,
Não sei se te desejo.
Eu te conheço,
Não sei se te conheço.
Apenas sei que em algum momento
Estiveste perto de mim.
Isso demonstra o prcsente
E este talvez inexistente
Demonstra lembranças,
O passado, por sua vez, compensou,
Compensou meu coração inesquecivelmente.
Saudade, esta está
A te procurar
E vê que não há como encontrar
A não ser desencadear
E peregrinar
A procura
De onde estás.
Não sei se te amo.
Eu te desejo,
Não sei se te desejo.
Eu te conheço,
Não sei se te conheço.
Apenas sei que em algum momento
Estiveste perto de mim.
Isso demonstra o prcsente
E este talvez inexistente
Demonstra lembranças,
O passado, por sua vez, compensou,
Compensou meu coração inesquecivelmente.
Saudade, esta está
A te procurar
E vê que não há como encontrar
A não ser desencadear
E peregrinar
A procura
De onde estás.
861
Antero de Quental
Voz do outono
Ouve tu, meu cansado coracao,
O que te diz a voz da Natureza:
- Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em asperrima solidao,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chao
Frio e cruel da mais cruel devesa,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berco da ilusao!
Mais valera a tua alma visionaria,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba varia,
(Sem ver uma so flor das mil, que amaste,)
Com odio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!> -
O que te diz a voz da Natureza:
- Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em asperrima solidao,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chao
Frio e cruel da mais cruel devesa,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berco da ilusao!
Mais valera a tua alma visionaria,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba varia,
(Sem ver uma so flor das mil, que amaste,)
Com odio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!> -
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Antero de Quental
Voz do outono
Ouve tu, meu cansado coracao,
O que te diz a voz da Natureza:
- Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em asperrima solidao,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chao
Frio e cruel da mais cruel devesa,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berco da ilusao!
Mais valera a tua alma visionaria,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba varia,
(Sem ver uma so flor das mil, que amaste,)
Com odio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!> -
O que te diz a voz da Natureza:
- Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em asperrima solidao,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chao
Frio e cruel da mais cruel devesa,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berco da ilusao!
Mais valera a tua alma visionaria,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba varia,
(Sem ver uma so flor das mil, que amaste,)
Com odio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!> -
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