Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Paulo Augusto Rodrigues
Espanto
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
986
Paulo Augusto Rodrigues
Espanto
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
986
Paulo Augusto Rodrigues
Espanto
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
Ver meu rosto contraído,
Meu copo vazio,
Meu estado de abandono.
Minha insônia,
Meus tremores,
Os vacilos de memória.
Ver minha bílis escarrada,
Meu desânimo latente,
Meu amargo desumor,
Meus suores quando durmo,
O volume do cinzeiro,
O escritório em desalinho,
A ausência do querer.
Me faltam as respostas.
É quando calo.
Agora, me diga,
É o silêncio que te choca?
986
Rogério F. P.
Quantas palavras serão necessárias
Quantas palavras serão necessárias
para convencer uma pessoa
austera a se tornar uma insólita
criatura, que não enxerga em nada beleza alguma?
Quais serão os motivos que,
ao suspender da aurora
transformam aquele pacato e cômodo cidadão
no mais mórbido e maldito histrião ?
Ninguém será capaz de julgar
essas forças infernais que em nós
ficam alojadas e que, em tempos
afloram?
Não será possível sob criteriosa
vistoria, ser julgada esta perversa
melancolia, que se entranha
silenciosa?
para convencer uma pessoa
austera a se tornar uma insólita
criatura, que não enxerga em nada beleza alguma?
Quais serão os motivos que,
ao suspender da aurora
transformam aquele pacato e cômodo cidadão
no mais mórbido e maldito histrião ?
Ninguém será capaz de julgar
essas forças infernais que em nós
ficam alojadas e que, em tempos
afloram?
Não será possível sob criteriosa
vistoria, ser julgada esta perversa
melancolia, que se entranha
silenciosa?
865
Rogério F. P.
Quando eu me deparar com a
Quando eu me deparar com a
fúnebre realidade, e me cobrires de terra
com dizeres melancólicos, sufocarei,
taciturno os seus mais lindos sonhos
com os sons agônicos saídos de minhalma.
Porque tu arremataste o meu ser em
leilão profano, não usaste recursos humanos
para obter tua felicidade.
Querida discípula de Baco, guardarei
para ti um lugar em meu tétrico báratro,
onde juntos entoaremos as
canções mais lindas, tendo como instrumento suas vísceras.
fúnebre realidade, e me cobrires de terra
com dizeres melancólicos, sufocarei,
taciturno os seus mais lindos sonhos
com os sons agônicos saídos de minhalma.
Porque tu arremataste o meu ser em
leilão profano, não usaste recursos humanos
para obter tua felicidade.
Querida discípula de Baco, guardarei
para ti um lugar em meu tétrico báratro,
onde juntos entoaremos as
canções mais lindas, tendo como instrumento suas vísceras.
903
Ricardo Madeira
D Roga
Por entre a tua escuridão,
Dois olhos brilham mais negro,
Nas veias, espesso e em ebulição,
Teu sangue não mais arde vermelho.
Mais uma vez, a agulha viola a carne,
Com a alegria de quem impala um coração,
O sorriso nos lábios roxos do enforcado,
A gargalhada do cadáver na exumação.
Sonhos, tal cristais que se quebram,
Tua fome saciada pelo vidro partido,
Dormência nos membros gangrenosos,
Larvas em defunto apodrecido.
Como um peixe que mordeu anzol,
Forçado sorri, arrastado para terra,
E ri ao ver metal em brasa, possante,
Que pulsa e na carne se enterra.
Solidão alimenta a melancolia,
A agulha cura a dor em alegria,
Outra promessa nunca cumprida,
Morte não é objectivo da vida.
Dois olhos brilham mais negro,
Nas veias, espesso e em ebulição,
Teu sangue não mais arde vermelho.
Mais uma vez, a agulha viola a carne,
Com a alegria de quem impala um coração,
O sorriso nos lábios roxos do enforcado,
A gargalhada do cadáver na exumação.
Sonhos, tal cristais que se quebram,
Tua fome saciada pelo vidro partido,
Dormência nos membros gangrenosos,
Larvas em defunto apodrecido.
Como um peixe que mordeu anzol,
Forçado sorri, arrastado para terra,
E ri ao ver metal em brasa, possante,
Que pulsa e na carne se enterra.
Solidão alimenta a melancolia,
A agulha cura a dor em alegria,
Outra promessa nunca cumprida,
Morte não é objectivo da vida.
926
Ricardo Madeira
D Roga
Por entre a tua escuridão,
Dois olhos brilham mais negro,
Nas veias, espesso e em ebulição,
Teu sangue não mais arde vermelho.
Mais uma vez, a agulha viola a carne,
Com a alegria de quem impala um coração,
O sorriso nos lábios roxos do enforcado,
A gargalhada do cadáver na exumação.
Sonhos, tal cristais que se quebram,
Tua fome saciada pelo vidro partido,
Dormência nos membros gangrenosos,
Larvas em defunto apodrecido.
Como um peixe que mordeu anzol,
Forçado sorri, arrastado para terra,
E ri ao ver metal em brasa, possante,
Que pulsa e na carne se enterra.
Solidão alimenta a melancolia,
A agulha cura a dor em alegria,
Outra promessa nunca cumprida,
Morte não é objectivo da vida.
Dois olhos brilham mais negro,
Nas veias, espesso e em ebulição,
Teu sangue não mais arde vermelho.
Mais uma vez, a agulha viola a carne,
Com a alegria de quem impala um coração,
O sorriso nos lábios roxos do enforcado,
A gargalhada do cadáver na exumação.
Sonhos, tal cristais que se quebram,
Tua fome saciada pelo vidro partido,
Dormência nos membros gangrenosos,
Larvas em defunto apodrecido.
Como um peixe que mordeu anzol,
Forçado sorri, arrastado para terra,
E ri ao ver metal em brasa, possante,
Que pulsa e na carne se enterra.
Solidão alimenta a melancolia,
A agulha cura a dor em alegria,
Outra promessa nunca cumprida,
Morte não é objectivo da vida.
926
Ricardo Madeira
D Roga
Por entre a tua escuridão,
Dois olhos brilham mais negro,
Nas veias, espesso e em ebulição,
Teu sangue não mais arde vermelho.
Mais uma vez, a agulha viola a carne,
Com a alegria de quem impala um coração,
O sorriso nos lábios roxos do enforcado,
A gargalhada do cadáver na exumação.
Sonhos, tal cristais que se quebram,
Tua fome saciada pelo vidro partido,
Dormência nos membros gangrenosos,
Larvas em defunto apodrecido.
Como um peixe que mordeu anzol,
Forçado sorri, arrastado para terra,
E ri ao ver metal em brasa, possante,
Que pulsa e na carne se enterra.
Solidão alimenta a melancolia,
A agulha cura a dor em alegria,
Outra promessa nunca cumprida,
Morte não é objectivo da vida.
Dois olhos brilham mais negro,
Nas veias, espesso e em ebulição,
Teu sangue não mais arde vermelho.
Mais uma vez, a agulha viola a carne,
Com a alegria de quem impala um coração,
O sorriso nos lábios roxos do enforcado,
A gargalhada do cadáver na exumação.
Sonhos, tal cristais que se quebram,
Tua fome saciada pelo vidro partido,
Dormência nos membros gangrenosos,
Larvas em defunto apodrecido.
Como um peixe que mordeu anzol,
Forçado sorri, arrastado para terra,
E ri ao ver metal em brasa, possante,
Que pulsa e na carne se enterra.
Solidão alimenta a melancolia,
A agulha cura a dor em alegria,
Outra promessa nunca cumprida,
Morte não é objectivo da vida.
926
Paulo Augusto Rodrigues
Asco
O que buscam?
O que procuram?
Não sabem o valor do beijo simples,
Não crêem no momento feliz.
E são ávidos,
Complexos,
Sedentos e inconseqüentes.
Rosnam,
Rodam,
Esbarram no objetivo
E seguem em frente.
Palhetas nos olhos,
Imagem fixa na mente
Cega,
Obtusa,
Decadente.
Idéias por demais distantes
Obscurecem o próximo passo.
E querem de imediato,
Rápido.
Dementes.
Estão loucos,
Roucos de tanto silenciar.
Nas trevas,
Recrudesce a loucura.
E os insensatos,
Tolos,
Buscam.
Na dúvida,
Não sei se tenho pena...
Ou Asco.
O que procuram?
Não sabem o valor do beijo simples,
Não crêem no momento feliz.
E são ávidos,
Complexos,
Sedentos e inconseqüentes.
Rosnam,
Rodam,
Esbarram no objetivo
E seguem em frente.
Palhetas nos olhos,
Imagem fixa na mente
Cega,
Obtusa,
Decadente.
Idéias por demais distantes
Obscurecem o próximo passo.
E querem de imediato,
Rápido.
Dementes.
Estão loucos,
Roucos de tanto silenciar.
Nas trevas,
Recrudesce a loucura.
E os insensatos,
Tolos,
Buscam.
Na dúvida,
Não sei se tenho pena...
Ou Asco.
1 053
Paulo Augusto Rodrigues
Asco
O que buscam?
O que procuram?
Não sabem o valor do beijo simples,
Não crêem no momento feliz.
E são ávidos,
Complexos,
Sedentos e inconseqüentes.
Rosnam,
Rodam,
Esbarram no objetivo
E seguem em frente.
Palhetas nos olhos,
Imagem fixa na mente
Cega,
Obtusa,
Decadente.
Idéias por demais distantes
Obscurecem o próximo passo.
E querem de imediato,
Rápido.
Dementes.
Estão loucos,
Roucos de tanto silenciar.
Nas trevas,
Recrudesce a loucura.
E os insensatos,
Tolos,
Buscam.
Na dúvida,
Não sei se tenho pena...
Ou Asco.
O que procuram?
Não sabem o valor do beijo simples,
Não crêem no momento feliz.
E são ávidos,
Complexos,
Sedentos e inconseqüentes.
Rosnam,
Rodam,
Esbarram no objetivo
E seguem em frente.
Palhetas nos olhos,
Imagem fixa na mente
Cega,
Obtusa,
Decadente.
Idéias por demais distantes
Obscurecem o próximo passo.
E querem de imediato,
Rápido.
Dementes.
Estão loucos,
Roucos de tanto silenciar.
Nas trevas,
Recrudesce a loucura.
E os insensatos,
Tolos,
Buscam.
Na dúvida,
Não sei se tenho pena...
Ou Asco.
1 053
Ricardo Hiroshi Minoda
Sambará
Sambará
Poesia pífia de atitudes
tais e quais fluídicas mesclas de suicidas
buscando nos regatos aleitamento das mães que estão longe
longe longe longe longe longe
Estou cansado
Spinoza espinhos coreos que espairam nos clowns de Shakespeare
lago
Iago
buscando em
poesia de doramor e amor tristeza
Chomsky CHOMSKY CHOMSKY CHOMSKY CHOMSKY
Auhm
transcende alma inconstante transcende o véu mítico da vida-merda
encalacrada na merda-invólucro de carne
choro entre as pernas abraçado de meu irmão
vento busco e me sufoco
poesia berrada por todos os portões do grande império pretérito
nas águas fios salgados dos pulmões cuspidos
lentes mortas desfocadas nos telhados
esquecido
Einstein will Einstein
Einstein will Ein Stein
Ein Stein
leben Ein Stein
Poesia pífia de atitudes
tais e quais fluídicas mesclas de suicidas
buscando nos regatos aleitamento das mães que estão longe
longe longe longe longe longe
Estou cansado
Spinoza espinhos coreos que espairam nos clowns de Shakespeare
lago
Iago
buscando em
poesia de doramor e amor tristeza
Chomsky CHOMSKY CHOMSKY CHOMSKY CHOMSKY
Auhm
transcende alma inconstante transcende o véu mítico da vida-merda
encalacrada na merda-invólucro de carne
choro entre as pernas abraçado de meu irmão
vento busco e me sufoco
poesia berrada por todos os portões do grande império pretérito
nas águas fios salgados dos pulmões cuspidos
lentes mortas desfocadas nos telhados
esquecido
Einstein will Einstein
Einstein will Ein Stein
Ein Stein
leben Ein Stein
606
Ribeiro Couto
Soneto da Fiel Infância
Tudo que em mim foi natural — pobreza,
Mágoas de infância só, casa vazia,
Lutos, e pouco pão na pouca mesa —
Dói na saudade mais que então doía.
Da lamparina do meu qarto, acesa
No pequeno oratório noite e dia,
Vinha-me a sensação de uma riqueza
Que no meu sangue de menino ardia.
Altas horas, rezando no seu canto,
Minha mãe muitas vezes soluçava
E dava-me a beijar não sei que santo.
Meu Deus! Mais do que o santo que eu beijava,
Faz-me falta o cair daquele pranto
Com que ela junto ao peito me molhava.
Mágoas de infância só, casa vazia,
Lutos, e pouco pão na pouca mesa —
Dói na saudade mais que então doía.
Da lamparina do meu qarto, acesa
No pequeno oratório noite e dia,
Vinha-me a sensação de uma riqueza
Que no meu sangue de menino ardia.
Altas horas, rezando no seu canto,
Minha mãe muitas vezes soluçava
E dava-me a beijar não sei que santo.
Meu Deus! Mais do que o santo que eu beijava,
Faz-me falta o cair daquele pranto
Com que ela junto ao peito me molhava.
1 743
Renata Trocoli
Sem Título
Sem Título
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas mãos tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que não podia deixar-te
um minuto sem meus abraços e doces palavras de amor.
Quando sentávamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da Pérsia, me abraçavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doçura e colocando minha cabeça em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coração.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranqüilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para não perder tão bela visão.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braços
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraçavas com doce saudade e com lágrimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que não poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor não mais me envolveria o corpo,
que não mais teria tua presença a cuidar de mim
nas noites de cansaço após uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraçaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde passássemos, aonde estivéssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraços a me envolver...
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas mãos tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que não podia deixar-te
um minuto sem meus abraços e doces palavras de amor.
Quando sentávamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da Pérsia, me abraçavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doçura e colocando minha cabeça em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coração.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranqüilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para não perder tão bela visão.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braços
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraçavas com doce saudade e com lágrimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que não poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor não mais me envolveria o corpo,
que não mais teria tua presença a cuidar de mim
nas noites de cansaço após uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraçaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde passássemos, aonde estivéssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraços a me envolver...
1 008
Ribeiro Couto
Chuva
A chuva fina molha a paisagem lá fora.
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
1 306
Ribeiro Couto
Chuva
A chuva fina molha a paisagem lá fora.
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.
Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.
Dentro de nós existe uma tarde mais fria...
Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...
Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.
Chove dentro de nós... Chove melancolia...
1 306
Rita de Cássia
Pessoa
São tantas as minhas pessoas,
Tão diversa a minha face...
Conhece meus disfarces?
São quaisquer coisas boas;
É, talvez, o que devasse
Assim como um rio sem canoas...
São tantos os meus versos,
E tão falsa a minha imagem...
Compreende a minha mensagem?
Entendo, através dos meus nexos,
Os caminhos sem passagem;
Eram, talvez, possessos...
Sou fingidora e lástima
Aos leitores que percebem:
Cada verso é uma máscara ...
Tão diversa a minha face...
Conhece meus disfarces?
São quaisquer coisas boas;
É, talvez, o que devasse
Assim como um rio sem canoas...
São tantos os meus versos,
E tão falsa a minha imagem...
Compreende a minha mensagem?
Entendo, através dos meus nexos,
Os caminhos sem passagem;
Eram, talvez, possessos...
Sou fingidora e lástima
Aos leitores que percebem:
Cada verso é uma máscara ...
528
Rodrigo L. A. Santos
Não quero ficar preso
Não quero ficar preso em quatro paredes
Não quero ficar enjaulado numa caixa
Não quero seguir as tendências
Não quero ser massa de manobra
Não quero seu um "ista"
Seguindo algum "ismo"
Nem ficar preso numa linha imaginária
Quero fazer do mundo
Meu quintal
Fazer mais do que é possível
Mais do que é imaginável
Fazer de pessoas
Amigos
Não quero
Nem vou
Servir de matéria-prima
Pra ser moldado
Nessa forma moral
RLAS
Não quero ficar enjaulado numa caixa
Não quero seguir as tendências
Não quero ser massa de manobra
Não quero seu um "ista"
Seguindo algum "ismo"
Nem ficar preso numa linha imaginária
Quero fazer do mundo
Meu quintal
Fazer mais do que é possível
Mais do que é imaginável
Fazer de pessoas
Amigos
Não quero
Nem vou
Servir de matéria-prima
Pra ser moldado
Nessa forma moral
RLAS
862
Renata Trocoli
Princesa dos Cabelos Negros
Princesa dos Cabelos Negros
Princesa dos cabelos negros,
compridos e perfumados.
Venha até mim,
me abraça e
me ama como se fosse teu único amor,
teu único anseio.
Abraça-me com força
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas mãos meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus lábios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
Princesa dos cabelos negros,
compridos e perfumados.
Venha até mim,
me abraça e
me ama como se fosse teu único amor,
teu único anseio.
Abraça-me com força
e me mostra o caminho do amor.
Caminho este de alegria e suavidade ...
Suavidade de tua pele branca,
doce, perfumada de jasmim.
Toca com tuas pequeninas mãos meu rosto,
me faz um carinho e
me beija com teus lábios macios.
Deseja me amar para sempre
E este sempre durara
enquanto estiver a meu lado
O Linda Princesa
dos cabelos negros.
1 961
Reynaldo Valinho Alvarez
Canto Em Si
1
Não busco outro caminho, cedo a calma
A angústia de lavrar no mesmo chão.
A pétrea consistência deste solo
Não dissolve meu ânimo, enlouquece
O que dentro de mim mais alto grita.
Nesta lavoura, a mão é o instrumento
Com que se abrir a terra e pene trá-la
Para entregar-lhe o amor de um a semente
Exposta ao tempo, a fungos e carunchos.
No arado não se pense, o chão se fecha
Ao fio agudo e firme, assim a enxada
Também se parte contra o solo duro
E apenas resta a ponta de meus dedos
Para feri-lo, amá-lo e fecundá-lo.
A par o som arranca ao rijo solo
E nada mais, que à concha, em cada mão,
Feita de pele, carne, nervo e sangue,
Cabe a tarefa e sol de revolvê-lo,
Suada, escalavrada, enegrecida,
Porto em que a terra é nau posta em abrigo.
A estas leiras, labrego, me transporto
A cada madrugada e delas volto
Para comer, se existe, a cada noite,
O pão que elas não deram por ser bruto
O chão e fraca a mão que dele trata,
Mas que insiste em cuidá-lo, porque o grão
E causa, muito mais que conseqüência...
2
Cansei de andar em busca do destino
E tranqüilo retraço meu caminho.
Para curar melancolias fundas,
Há sempre mais um hausto que permite
Viver um pouco mais, se é isto vida.
Ouço ainda o ruído das batalhas
Terminadas. Vencidas ou perdidas,
Foram batalhas de uma guerra santa
Em que ao nascer acaso me alistassem.
Assim posso dar fé que a morte obscura
De quantos vão ficando no caminho,
Bem mais do que parece, ofusca o brilho
Das falsas aparências de vitória
Dos que falam mais alto e se confundem.
Confundem-se os que gritam, confundindo
Os que ouvem e não sabem que os caídos
Dizem mais no silêncio em que caíram,
Dizem mais e mais fundo, enquanto a voz
Oprimida e apagada fere o nervo
Exposto a golpes sempre repetidos.
Retraço no que posso meu caminho
Aberto pela quilha entre os sargaços
Imensos deste mar, ora parado,
Ora coberto de ondas pelo vento
Que sopra não de um ponto, mas de vários,
Para provar a força, não do braço,
Mas do ânimo que imprime rumo ao barco.
Não busco outro caminho, cedo a calma
A angústia de lavrar no mesmo chão.
A pétrea consistência deste solo
Não dissolve meu ânimo, enlouquece
O que dentro de mim mais alto grita.
Nesta lavoura, a mão é o instrumento
Com que se abrir a terra e pene trá-la
Para entregar-lhe o amor de um a semente
Exposta ao tempo, a fungos e carunchos.
No arado não se pense, o chão se fecha
Ao fio agudo e firme, assim a enxada
Também se parte contra o solo duro
E apenas resta a ponta de meus dedos
Para feri-lo, amá-lo e fecundá-lo.
A par o som arranca ao rijo solo
E nada mais, que à concha, em cada mão,
Feita de pele, carne, nervo e sangue,
Cabe a tarefa e sol de revolvê-lo,
Suada, escalavrada, enegrecida,
Porto em que a terra é nau posta em abrigo.
A estas leiras, labrego, me transporto
A cada madrugada e delas volto
Para comer, se existe, a cada noite,
O pão que elas não deram por ser bruto
O chão e fraca a mão que dele trata,
Mas que insiste em cuidá-lo, porque o grão
E causa, muito mais que conseqüência...
2
Cansei de andar em busca do destino
E tranqüilo retraço meu caminho.
Para curar melancolias fundas,
Há sempre mais um hausto que permite
Viver um pouco mais, se é isto vida.
Ouço ainda o ruído das batalhas
Terminadas. Vencidas ou perdidas,
Foram batalhas de uma guerra santa
Em que ao nascer acaso me alistassem.
Assim posso dar fé que a morte obscura
De quantos vão ficando no caminho,
Bem mais do que parece, ofusca o brilho
Das falsas aparências de vitória
Dos que falam mais alto e se confundem.
Confundem-se os que gritam, confundindo
Os que ouvem e não sabem que os caídos
Dizem mais no silêncio em que caíram,
Dizem mais e mais fundo, enquanto a voz
Oprimida e apagada fere o nervo
Exposto a golpes sempre repetidos.
Retraço no que posso meu caminho
Aberto pela quilha entre os sargaços
Imensos deste mar, ora parado,
Ora coberto de ondas pelo vento
Que sopra não de um ponto, mas de vários,
Para provar a força, não do braço,
Mas do ânimo que imprime rumo ao barco.
1 087
Ricardo Madeira
O Metropolitano
Num rosto
Nasceu e faleceu
Um sorriso
Que riu e ruiu.
Um Sol
Caído e ferido,
Astro-rei
Queimado, gelado.
Mas é assim que acaba tudo,
Sem saber aquilo que poderias ter alcançado,
O teu olhar tornou-se mudo,
Desconhecido um paraíso que jaz inexplorado.
Olhos sem brilho,
De luz despidos,
Nem caminho nem trilho,
Hotéis escuros...
Impuros...
Horror em tudo o que vês...
Olhos e caras,
Foges e páras,
Sombras e luzes,
Pregos e cruzes...
O som do martelo,
Tão suave, tão belo,
Apenas mais uma crucificação,
Apenas outra só razão
Para esquecer...
Para adormecer...
O túnel, o clarão,
Pensamentos, sentimentos a brotar,
O chiar e o trovão,
Tão poucos momentos, tanto para dar...
Em sangue um sol... não se tornará a erguer, infeliz...
Pedaços de algo outrora eterno são cadáver nos carris.
Nasceu e faleceu
Um sorriso
Que riu e ruiu.
Um Sol
Caído e ferido,
Astro-rei
Queimado, gelado.
Mas é assim que acaba tudo,
Sem saber aquilo que poderias ter alcançado,
O teu olhar tornou-se mudo,
Desconhecido um paraíso que jaz inexplorado.
Olhos sem brilho,
De luz despidos,
Nem caminho nem trilho,
Hotéis escuros...
Impuros...
Horror em tudo o que vês...
Olhos e caras,
Foges e páras,
Sombras e luzes,
Pregos e cruzes...
O som do martelo,
Tão suave, tão belo,
Apenas mais uma crucificação,
Apenas outra só razão
Para esquecer...
Para adormecer...
O túnel, o clarão,
Pensamentos, sentimentos a brotar,
O chiar e o trovão,
Tão poucos momentos, tanto para dar...
Em sangue um sol... não se tornará a erguer, infeliz...
Pedaços de algo outrora eterno são cadáver nos carris.
859
Ricardo Madeira
O Metropolitano
Num rosto
Nasceu e faleceu
Um sorriso
Que riu e ruiu.
Um Sol
Caído e ferido,
Astro-rei
Queimado, gelado.
Mas é assim que acaba tudo,
Sem saber aquilo que poderias ter alcançado,
O teu olhar tornou-se mudo,
Desconhecido um paraíso que jaz inexplorado.
Olhos sem brilho,
De luz despidos,
Nem caminho nem trilho,
Hotéis escuros...
Impuros...
Horror em tudo o que vês...
Olhos e caras,
Foges e páras,
Sombras e luzes,
Pregos e cruzes...
O som do martelo,
Tão suave, tão belo,
Apenas mais uma crucificação,
Apenas outra só razão
Para esquecer...
Para adormecer...
O túnel, o clarão,
Pensamentos, sentimentos a brotar,
O chiar e o trovão,
Tão poucos momentos, tanto para dar...
Em sangue um sol... não se tornará a erguer, infeliz...
Pedaços de algo outrora eterno são cadáver nos carris.
Nasceu e faleceu
Um sorriso
Que riu e ruiu.
Um Sol
Caído e ferido,
Astro-rei
Queimado, gelado.
Mas é assim que acaba tudo,
Sem saber aquilo que poderias ter alcançado,
O teu olhar tornou-se mudo,
Desconhecido um paraíso que jaz inexplorado.
Olhos sem brilho,
De luz despidos,
Nem caminho nem trilho,
Hotéis escuros...
Impuros...
Horror em tudo o que vês...
Olhos e caras,
Foges e páras,
Sombras e luzes,
Pregos e cruzes...
O som do martelo,
Tão suave, tão belo,
Apenas mais uma crucificação,
Apenas outra só razão
Para esquecer...
Para adormecer...
O túnel, o clarão,
Pensamentos, sentimentos a brotar,
O chiar e o trovão,
Tão poucos momentos, tanto para dar...
Em sangue um sol... não se tornará a erguer, infeliz...
Pedaços de algo outrora eterno são cadáver nos carris.
859
Ribeiro Couto
O Longe e o Perto
Logo que a noite envolve em sombras o jardim
Parece que um mistério estranho me rodeia,
Bocas de flores se entreabrem para mim,
E não sei de quem são estes passos na areia
Nem este murmurar de uma queixa sem fim.
Como a seiva da terra alimenta as raízes,
Uma seiva secreta enche meu coração.
Deve ser o tal "gosto amargo de infelizes",
Plantinha sempre verde entre as pedras do chão,
Cujo travo provei em todos os países.
Tudo que pude fiz para não ser assim,
Mas não posso esquecer o longe pelo perto;
Os que amei e perdi dormem dentro de mim;
A culpa é minha, sou eu mesmo que os desperto,
Logo que a noite envolve em sombras o jardim.
Parece que um mistério estranho me rodeia,
Bocas de flores se entreabrem para mim,
E não sei de quem são estes passos na areia
Nem este murmurar de uma queixa sem fim.
Como a seiva da terra alimenta as raízes,
Uma seiva secreta enche meu coração.
Deve ser o tal "gosto amargo de infelizes",
Plantinha sempre verde entre as pedras do chão,
Cujo travo provei em todos os países.
Tudo que pude fiz para não ser assim,
Mas não posso esquecer o longe pelo perto;
Os que amei e perdi dormem dentro de mim;
A culpa é minha, sou eu mesmo que os desperto,
Logo que a noite envolve em sombras o jardim.
1 411
Ricardo Madeira
Frio e Só
(COMO SEMPRE)
A criança alegre e divertida
Deixou de acreditar no Pai Natal,
As prendas na sua longa lista não foram recebidas,
E o fiel cão jaz espalmado na estrada.
O espelho mostra algo de errado,
O adolescente espreme da cara a borbulha,
Mas nada muda.
O reflexo não mente, falta algo na sua vida,
Certifica-se que ainda o tem entre as pernas
E deixa a barba crescer...
Não resulta...
Homem sem amigos,
Achados e perdidos,
Gastando tudo o que pode
(Não necessariamente por ordem alfabética)
Em bebida e mulheres.
O velho ainda não sabe o que é a vida,
Chora sobre cabelo caído
Enquanto coça os genitais
(Agora, lamentavelmente, só com função urinária),
Desejando...
A morte...
Autópsia, médicos
Procuram estupefactos no peito frio cadáver
Um músculo há muito atrofiado,
Que nunca bateu...
O nome na sepultura
Por nenhum dos nove filhos bastardos lembrado,
Deixado abandonado para apodrecer
Frio e só...
Como sempre...
A criança alegre e divertida
Deixou de acreditar no Pai Natal,
As prendas na sua longa lista não foram recebidas,
E o fiel cão jaz espalmado na estrada.
O espelho mostra algo de errado,
O adolescente espreme da cara a borbulha,
Mas nada muda.
O reflexo não mente, falta algo na sua vida,
Certifica-se que ainda o tem entre as pernas
E deixa a barba crescer...
Não resulta...
Homem sem amigos,
Achados e perdidos,
Gastando tudo o que pode
(Não necessariamente por ordem alfabética)
Em bebida e mulheres.
O velho ainda não sabe o que é a vida,
Chora sobre cabelo caído
Enquanto coça os genitais
(Agora, lamentavelmente, só com função urinária),
Desejando...
A morte...
Autópsia, médicos
Procuram estupefactos no peito frio cadáver
Um músculo há muito atrofiado,
Que nunca bateu...
O nome na sepultura
Por nenhum dos nove filhos bastardos lembrado,
Deixado abandonado para apodrecer
Frio e só...
Como sempre...
883
Ricardo Moraes Ferreira
Soneto e Saudade
Jogai as flores com ternura
Sobre o jazigo de nosso passado
Amei-te com a inocente loucura
Daqueles que morrem sem ter pecado
Corri os verdes campos da esperança
Sob os olhos atentos do destino
De inocente - sorri quando criança
E de pirraça - fugi como um menino
Na fuga audaz passaram-se os anos
E a vida me volta num breve lampejo
Lamúrias cruéis de velhos enganos
Loucura fugaz de um novo desejo
Eu olho prá trás - cadê nossos planos?
As flores, o campo ; só tu que não vejo!
Sobre o jazigo de nosso passado
Amei-te com a inocente loucura
Daqueles que morrem sem ter pecado
Corri os verdes campos da esperança
Sob os olhos atentos do destino
De inocente - sorri quando criança
E de pirraça - fugi como um menino
Na fuga audaz passaram-se os anos
E a vida me volta num breve lampejo
Lamúrias cruéis de velhos enganos
Loucura fugaz de um novo desejo
Eu olho prá trás - cadê nossos planos?
As flores, o campo ; só tu que não vejo!
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