Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Paulo F. Cunha
Ora Danem-se
Que importa que me digam
liso , pobre , feio ou chato
se sei que sou , talvez
o contrário de tudo
e dono de mim mesmo ?
Que me importa que se vão
pessoas , coisas e cargos
se eu ( e meus olhos ) ficamos ?
Os outros , ora os outros
são apenas cegos falantes
e eu não sou guia de cegos
pois com eles - meu defeito ? -
não tenho a menor paciência ,
nem necessito dos seus olhos ,
pois só vejo com os meus
e com os de quem vale a pena.
O mundo é maior que isso
e ( principalmente ) o futuro também.
as coisas pequenas passam .
As em verdade grandes
que os cegos e parados não vêm ,
ficam , ou melhor , frutificam.
Quero comer agora estes frutos
para não sentirsaudades mais tarde
liso , pobre , feio ou chato
se sei que sou , talvez
o contrário de tudo
e dono de mim mesmo ?
Que me importa que se vão
pessoas , coisas e cargos
se eu ( e meus olhos ) ficamos ?
Os outros , ora os outros
são apenas cegos falantes
e eu não sou guia de cegos
pois com eles - meu defeito ? -
não tenho a menor paciência ,
nem necessito dos seus olhos ,
pois só vejo com os meus
e com os de quem vale a pena.
O mundo é maior que isso
e ( principalmente ) o futuro também.
as coisas pequenas passam .
As em verdade grandes
que os cegos e parados não vêm ,
ficam , ou melhor , frutificam.
Quero comer agora estes frutos
para não sentirsaudades mais tarde
883
Paulo F. Cunha
Solidão
Eu me examino na solidão ,
abro todos os contatos
comigo mesmo
Quantas vezes me envaideço ,
outras tantas me entristeço ,
com a visão que tenho de mim.
Ouço os ruídos da rua
que me arranham o corpo ,
que me ferem os tímpanos ,
que me apertam a cabeça
quando estou posto em solidão .
Os ruidos são tão claros
quanto escura a percepção
de mim mesmo .
Solidão é guerrear sem armadura ,
fazendo do coração a bomba
e da cabeça ,em riste , a lança .
Solidão , como te evito ,
solidão como te quero .
abro todos os contatos
comigo mesmo
Quantas vezes me envaideço ,
outras tantas me entristeço ,
com a visão que tenho de mim.
Ouço os ruídos da rua
que me arranham o corpo ,
que me ferem os tímpanos ,
que me apertam a cabeça
quando estou posto em solidão .
Os ruidos são tão claros
quanto escura a percepção
de mim mesmo .
Solidão é guerrear sem armadura ,
fazendo do coração a bomba
e da cabeça ,em riste , a lança .
Solidão , como te evito ,
solidão como te quero .
782
Perce Polegatto
Todas as Sombras
Não me entendas teu amante suicida
que eu nem mesmo escreverei de nosso amor.
não me abraces esperando que eu te ame,
pois tudo em nós não passa de conflito
e há enigmas além de teu segredo
que chegam de mansinho e me acorrentam.
não, não me tragas mais poesia nos teus olhos!
há ventos estranhos, resíduos vivos,
há um desperdício inútil de sangue nas fronteiras
e hoje eu tenho que morrer,
morrer um pouco.
há sarcófagos ocultos onde ainda repousam princesas,
há terríveis profecias trazendo devastações,
há livros enormes (dentro deles os heróis se sacrificam),
há astrônomos, soldados e palhaços,
há um circo na cidade.
vagam fantasmas de incerto destino,
há névoa no ar.
o pesadelo persegue as pessoas.
mulheres soluçam, sozinhas de sexo.
a fome devora as aldeias.
em outras galáxias, povos inteiros sucumbem
— morrem civilizações e outras nascem
ao tempo em que sonho.
há pontes sombrias
e rios infinitos murmurando um pranto lamacento.
há muralhas, cordilheiras, guerrilheiros,
há missionários perdidos na selva para sempre.
há um velho solitário que conhece os segredos do inverno
e um gênio no fundo de um bar, esquecido.
caem dinastias para sempre,
criam-se potências e tiranos sanguinários,
morrem bravos e covardes por amor,
séculos correm...
há homens cavando uma mina distante,
há fósseis que nos lembram os dilúvios fabulosos
e algas oceânicas em lamas primitivas.
não esperes mais de mim que meu tormento.
há muito me perdi nas águas cristalinas dos teus olhos,
embora nosso beijo no passado
fosse menos violento que as próprias tempestades do universo
em recentes espirais de estrelas jovens.
que eu nem mesmo escreverei de nosso amor.
não me abraces esperando que eu te ame,
pois tudo em nós não passa de conflito
e há enigmas além de teu segredo
que chegam de mansinho e me acorrentam.
não, não me tragas mais poesia nos teus olhos!
há ventos estranhos, resíduos vivos,
há um desperdício inútil de sangue nas fronteiras
e hoje eu tenho que morrer,
morrer um pouco.
há sarcófagos ocultos onde ainda repousam princesas,
há terríveis profecias trazendo devastações,
há livros enormes (dentro deles os heróis se sacrificam),
há astrônomos, soldados e palhaços,
há um circo na cidade.
vagam fantasmas de incerto destino,
há névoa no ar.
o pesadelo persegue as pessoas.
mulheres soluçam, sozinhas de sexo.
a fome devora as aldeias.
em outras galáxias, povos inteiros sucumbem
— morrem civilizações e outras nascem
ao tempo em que sonho.
há pontes sombrias
e rios infinitos murmurando um pranto lamacento.
há muralhas, cordilheiras, guerrilheiros,
há missionários perdidos na selva para sempre.
há um velho solitário que conhece os segredos do inverno
e um gênio no fundo de um bar, esquecido.
caem dinastias para sempre,
criam-se potências e tiranos sanguinários,
morrem bravos e covardes por amor,
séculos correm...
há homens cavando uma mina distante,
há fósseis que nos lembram os dilúvios fabulosos
e algas oceânicas em lamas primitivas.
não esperes mais de mim que meu tormento.
há muito me perdi nas águas cristalinas dos teus olhos,
embora nosso beijo no passado
fosse menos violento que as próprias tempestades do universo
em recentes espirais de estrelas jovens.
381
Roberto Piva
Ritual dos 4 Ventos e dos 4 Gaviões
para Marco Antônio de Ossain
"Eu trago comigo os guardiões
dos Circuitos celestes."
— Livro dos Mortos do Antigo Egito —
Ali onde o gavião do Norte resplandesce
sua sombra
Ali onde a aventura conserva os cascos
do vudú da aurora
Ali onde o arco-íris da linguagem está
carregado de vinho subterrâneo
Ali onde os orixás dançam na velocidade
dos puros vegetais
Revoada das pedras do rio
Olhos no circuito da Ursa Maior
na investida louca
Olhos de metabolismo floral
Almofadas de floresta
Focinho silencioso da sussuarana com
passos de sabotagem
Carne rica de Exú nas couraças da noite
Gavião-preto do oeste na tempestade sagrada
Incendiando seu crânio no frenesi das açucenas
Bate o tambor
no ritmo dos sonhos espantosos
no ritmo dos naufrágios
no ritmo dos adolescentes
à porta dos hospícios
no ritmo do rebanho de atabaques
Bate o tambor
no ritmo das oferendas sepulcrais
no ritmo da levitação alquímica
no ritmo da paranóia de Júpiter
Caciques orgiásticos do tambor
Com meu Skate-gavião
Tambor na virada do século ganimedes
Iemanjá com seus cabelos de espuma.
"Eu trago comigo os guardiões
dos Circuitos celestes."
— Livro dos Mortos do Antigo Egito —
Ali onde o gavião do Norte resplandesce
sua sombra
Ali onde a aventura conserva os cascos
do vudú da aurora
Ali onde o arco-íris da linguagem está
carregado de vinho subterrâneo
Ali onde os orixás dançam na velocidade
dos puros vegetais
Revoada das pedras do rio
Olhos no circuito da Ursa Maior
na investida louca
Olhos de metabolismo floral
Almofadas de floresta
Focinho silencioso da sussuarana com
passos de sabotagem
Carne rica de Exú nas couraças da noite
Gavião-preto do oeste na tempestade sagrada
Incendiando seu crânio no frenesi das açucenas
Bate o tambor
no ritmo dos sonhos espantosos
no ritmo dos naufrágios
no ritmo dos adolescentes
à porta dos hospícios
no ritmo do rebanho de atabaques
Bate o tambor
no ritmo das oferendas sepulcrais
no ritmo da levitação alquímica
no ritmo da paranóia de Júpiter
Caciques orgiásticos do tambor
Com meu Skate-gavião
Tambor na virada do século ganimedes
Iemanjá com seus cabelos de espuma.
1 544
Roberval Pereyr
Prelúdio
O teu segredo é o meu
percurso no eu
nascido de lado.
Naquela curva perdi o tino
e o nome
e fui o corvo ferido no imo
e fui o deserto sobrevoado.
O deus que dormia atrás do meu embigo
sumiu. No oco
deixado ecoa o sem-sentido
e danço esta sina com eus indomáveis.
percurso no eu
nascido de lado.
Naquela curva perdi o tino
e o nome
e fui o corvo ferido no imo
e fui o deserto sobrevoado.
O deus que dormia atrás do meu embigo
sumiu. No oco
deixado ecoa o sem-sentido
e danço esta sina com eus indomáveis.
1 011
Paulo F. Cunha
Te Quero
Te quero , te preciso .
Estás longe e te sinto perto ,
estás perto e te sinto longe .
Te quero , te preciso ,
e nada mais quero
que queiras à mim
Te quero , te preciso
e sei que me queres
mas não queres querer .
Te quero , te preciso ,
fogem passado e futuro
e fica o presente ... em ti .
Te quero , te preciso .
Te espero , te gosto , te amo ,
te olho , te abraço , te beijo
Estás longe e te sinto perto ,
estás perto e te sinto longe .
Te quero , te preciso ,
e nada mais quero
que queiras à mim
Te quero , te preciso
e sei que me queres
mas não queres querer .
Te quero , te preciso ,
fogem passado e futuro
e fica o presente ... em ti .
Te quero , te preciso .
Te espero , te gosto , te amo ,
te olho , te abraço , te beijo
869
Paulo F. Cunha
Te Quero
Te quero , te preciso .
Estás longe e te sinto perto ,
estás perto e te sinto longe .
Te quero , te preciso ,
e nada mais quero
que queiras à mim
Te quero , te preciso
e sei que me queres
mas não queres querer .
Te quero , te preciso ,
fogem passado e futuro
e fica o presente ... em ti .
Te quero , te preciso .
Te espero , te gosto , te amo ,
te olho , te abraço , te beijo
Estás longe e te sinto perto ,
estás perto e te sinto longe .
Te quero , te preciso ,
e nada mais quero
que queiras à mim
Te quero , te preciso
e sei que me queres
mas não queres querer .
Te quero , te preciso ,
fogem passado e futuro
e fica o presente ... em ti .
Te quero , te preciso .
Te espero , te gosto , te amo ,
te olho , te abraço , te beijo
869
Paulo F. Cunha
Sou Só
Sou só
Sou infinitamente só
dentro de mim mesmo.
Não era, dependia, queria...
Mas aprendi nos ramos
da Árvore da Vida que
não se consegue ser todo
sem primeiro ser total
e profundamente só,
até que eu seja apenas
uma nuvem branca
levada pelos ventos
e mudando , ao leu, a forma.
Tantos degraus, tantos
galhos devo passar.
Talvez nunca chegue a sê-lo
Mas, em havendo vida, vou tentar
Sou infinitamente só
dentro de mim mesmo.
Não era, dependia, queria...
Mas aprendi nos ramos
da Árvore da Vida que
não se consegue ser todo
sem primeiro ser total
e profundamente só,
até que eu seja apenas
uma nuvem branca
levada pelos ventos
e mudando , ao leu, a forma.
Tantos degraus, tantos
galhos devo passar.
Talvez nunca chegue a sê-lo
Mas, em havendo vida, vou tentar
921
Paula Nei
Tu és Minha
Tu és minha, afinal. Enfim te vejo
Sobre meus braços lânguida, prostrada,
Enquanto em tua face descorada
Os lábios colo e sorvo-te num beijo.
Vibra em minha alma o lúbrico desejo
De assim gozar-te, a sós, abandonada,
De sentir o que sentes, minha amada,
De escutar-te do peito o doce arpejo.
Quando, entretanto, sinto que teu seio
Palpita, delirante, em doido anseio,
Como a luz que do sol à terra emana,
Eu digo dentro de mim: — "Se eu te manchara,
Se eu te manchara, flor, eu não te amara,
Ó branca espuma da beleza humana!"
Sobre meus braços lânguida, prostrada,
Enquanto em tua face descorada
Os lábios colo e sorvo-te num beijo.
Vibra em minha alma o lúbrico desejo
De assim gozar-te, a sós, abandonada,
De sentir o que sentes, minha amada,
De escutar-te do peito o doce arpejo.
Quando, entretanto, sinto que teu seio
Palpita, delirante, em doido anseio,
Como a luz que do sol à terra emana,
Eu digo dentro de mim: — "Se eu te manchara,
Se eu te manchara, flor, eu não te amara,
Ó branca espuma da beleza humana!"
970
Paula Nei
Tu és Minha
Tu és minha, afinal. Enfim te vejo
Sobre meus braços lânguida, prostrada,
Enquanto em tua face descorada
Os lábios colo e sorvo-te num beijo.
Vibra em minha alma o lúbrico desejo
De assim gozar-te, a sós, abandonada,
De sentir o que sentes, minha amada,
De escutar-te do peito o doce arpejo.
Quando, entretanto, sinto que teu seio
Palpita, delirante, em doido anseio,
Como a luz que do sol à terra emana,
Eu digo dentro de mim: — "Se eu te manchara,
Se eu te manchara, flor, eu não te amara,
Ó branca espuma da beleza humana!"
Sobre meus braços lânguida, prostrada,
Enquanto em tua face descorada
Os lábios colo e sorvo-te num beijo.
Vibra em minha alma o lúbrico desejo
De assim gozar-te, a sós, abandonada,
De sentir o que sentes, minha amada,
De escutar-te do peito o doce arpejo.
Quando, entretanto, sinto que teu seio
Palpita, delirante, em doido anseio,
Como a luz que do sol à terra emana,
Eu digo dentro de mim: — "Se eu te manchara,
Se eu te manchara, flor, eu não te amara,
Ó branca espuma da beleza humana!"
970
Carlos Pinhão
A Guerra
Carlos Pinhão é português e contemporêneo
Num ano qualquer,
houve uma batalha qualquer,
numa terra qualquer,
entre um rei qualquer e outro rei
qualquer.
No fim, um anjo qualquer
desceu no campo de batalha,
pegou nos cadáveres do rei qualquer
e do rei qualquer
e perguntou
para um deus qualquer:
- Qual quer?
Num ano qualquer,
houve uma batalha qualquer,
numa terra qualquer,
entre um rei qualquer e outro rei
qualquer.
No fim, um anjo qualquer
desceu no campo de batalha,
pegou nos cadáveres do rei qualquer
e do rei qualquer
e perguntou
para um deus qualquer:
- Qual quer?
1 269
Paulo Roberto Cecchetti
Haicai
Solidão
Essa solidão
à mesa, em pleno almoço:
mastigar a vida!
Motocicleta
Na rua de lua,
um vaga-lume eletrônico:
a motocicleta.
Essa solidão
à mesa, em pleno almoço:
mastigar a vida!
Motocicleta
Na rua de lua,
um vaga-lume eletrônico:
a motocicleta.
803
Pereira da Silva
Impressão
Era tal meu desgosto nesse dia
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.
Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.
Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.
E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.
Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.
Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.
E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...
819
Paulo F. Cunha
Sexus, Nexus Plexos
sexus , nexus , plexus
pensava Henry Miller .
Mas , para mim , mais que tudo ,
quero sexus sem muito nexus
e com muito , muito plexus
ou vários e inusitados amplexos .
Plexo solar , central , umbilical
e todas as adajacências acima e abaixo
descobertas e hiperfuncionais
ao simples toque dos dedos ,
curiosos , desejosos , ledos .
Quero sexus sem nexus algum ,
pois não há nexus nesse desejo
que me move amedronta e alimenta
na estrada tomentosa
em que me desacorrento
pensava Henry Miller .
Mas , para mim , mais que tudo ,
quero sexus sem muito nexus
e com muito , muito plexus
ou vários e inusitados amplexos .
Plexo solar , central , umbilical
e todas as adajacências acima e abaixo
descobertas e hiperfuncionais
ao simples toque dos dedos ,
curiosos , desejosos , ledos .
Quero sexus sem nexus algum ,
pois não há nexus nesse desejo
que me move amedronta e alimenta
na estrada tomentosa
em que me desacorrento
995
Paulo F. Cunha
Transparência
Por que , quando estás perto ,
sou transparente à ti ?
Por que , quando estás longe
sou transparente ao mundo ?
Por que não sou sólido , opaco
como os outros ?
Ou será que não vejo os outros ,
preocupado com minha transparência . ,
sou transparente à ti ?
Por que , quando estás longe
sou transparente ao mundo ?
Por que não sou sólido , opaco
como os outros ?
Ou será que não vejo os outros ,
preocupado com minha transparência . ,
962
Paulo F. Cunha
Transparência
Por que , quando estás perto ,
sou transparente à ti ?
Por que , quando estás longe
sou transparente ao mundo ?
Por que não sou sólido , opaco
como os outros ?
Ou será que não vejo os outros ,
preocupado com minha transparência . ,
sou transparente à ti ?
Por que , quando estás longe
sou transparente ao mundo ?
Por que não sou sólido , opaco
como os outros ?
Ou será que não vejo os outros ,
preocupado com minha transparência . ,
962
Olegario Schmitt
Imagens
Naquele prado verde
onde nunca estive
tem uma árvore, que nunca vi,
mais abaixo uma fonte
da qual quero beber
um riacho e o banho
o banho
o banho no riacho...
Que mais posso sentir
senão querer lá estar?
onde nunca estive
tem uma árvore, que nunca vi,
mais abaixo uma fonte
da qual quero beber
um riacho e o banho
o banho
o banho no riacho...
Que mais posso sentir
senão querer lá estar?
925
Olegario Schmitt
Imagens
Naquele prado verde
onde nunca estive
tem uma árvore, que nunca vi,
mais abaixo uma fonte
da qual quero beber
um riacho e o banho
o banho
o banho no riacho...
Que mais posso sentir
senão querer lá estar?
onde nunca estive
tem uma árvore, que nunca vi,
mais abaixo uma fonte
da qual quero beber
um riacho e o banho
o banho
o banho no riacho...
Que mais posso sentir
senão querer lá estar?
925
Olegario Schmitt
Imagens
Naquele prado verde
onde nunca estive
tem uma árvore, que nunca vi,
mais abaixo uma fonte
da qual quero beber
um riacho e o banho
o banho
o banho no riacho...
Que mais posso sentir
senão querer lá estar?
onde nunca estive
tem uma árvore, que nunca vi,
mais abaixo uma fonte
da qual quero beber
um riacho e o banho
o banho
o banho no riacho...
Que mais posso sentir
senão querer lá estar?
925
Oliveira Neto
Trovas
Sou poeta e fui vaqueiro
— qualidades bem diversas.
No cavalo fui ligeiro
atrás das reses dispersas.
Tenho saudade das matas,
dos verdejantes baixões,
do feitiço das mulatas
nos pagodes dos sertões.
Adorei as noites belas
neste mundão de meu Deus,
Conversando com as estrelas
luzindo no azul dos céus.
Curtinha está minha vista,
andando estou de bengala!
mesmo que a velhice insista,
só falta de amor me abala!
— qualidades bem diversas.
No cavalo fui ligeiro
atrás das reses dispersas.
Tenho saudade das matas,
dos verdejantes baixões,
do feitiço das mulatas
nos pagodes dos sertões.
Adorei as noites belas
neste mundão de meu Deus,
Conversando com as estrelas
luzindo no azul dos céus.
Curtinha está minha vista,
andando estou de bengala!
mesmo que a velhice insista,
só falta de amor me abala!
1 169
Luís Palma Gomes
Lugar nenhum
Há afinal um lugar para nós,
a salvo dos novos deuses,
um lugar onde o tempo foi um rio
e o rio, uma película incolor
Por detrás da vida
e dos velhos olhos
há ainda um lugar assim
onde iremos finalmente ver
e sem cuidados caminhar
nos pedais da nossa infância
a salvo dos novos deuses,
um lugar onde o tempo foi um rio
e o rio, uma película incolor
Por detrás da vida
e dos velhos olhos
há ainda um lugar assim
onde iremos finalmente ver
e sem cuidados caminhar
nos pedais da nossa infância
1 217
Raimundo Oswald Cavalcante Barroso
A Vida no Cárcere
A vida no cárcere é limitada.
Nosso corredor é bem estreito.
Apenas no sábado
temos visita.
Dela saímos
exaustos de tanto viver
a semana em poucas horas.
Nosso corredor é bem estreito.
Apenas no sábado
temos visita.
Dela saímos
exaustos de tanto viver
a semana em poucas horas.
926