Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
José Eduardo Mendes Camargo
Esta Noite
Sonhei que eras uma borboleta,
E da lua desceste num facho de luz,
E repousaste nas nuvens,
E delas partiste em uma lágrima
de chuva,
E nas areias do mar te
transmutaste em sereia
E durante a madrugada me
seduziste
E pela manhã, quando despertei,
estavas a meu lado.
E da lua desceste num facho de luz,
E repousaste nas nuvens,
E delas partiste em uma lágrima
de chuva,
E nas areias do mar te
transmutaste em sereia
E durante a madrugada me
seduziste
E pela manhã, quando despertei,
estavas a meu lado.
979
José Eduardo Mendes Camargo
Cigana
Chegaste tímida, descalça e com lascívia no andar
E cantaste e tocaste a minha alma
E dançaste e provocaste o meu desejo
E simulaste, insinuaste e dissimulaste
E súbito olhaste no fundo de meus olhos e me desnudaste.
E as nossas células em rebelião bailaram de prazer
E suspiraste e mergulhaste e te abandonaste
na alegria de se saber mulher e desejada.
E de repente, sumiste e não mais voltaste.
E até hoje permaneceste na beleza e sensualidade
de todas as mulheres.
E cantaste e tocaste a minha alma
E dançaste e provocaste o meu desejo
E simulaste, insinuaste e dissimulaste
E súbito olhaste no fundo de meus olhos e me desnudaste.
E as nossas células em rebelião bailaram de prazer
E suspiraste e mergulhaste e te abandonaste
na alegria de se saber mulher e desejada.
E de repente, sumiste e não mais voltaste.
E até hoje permaneceste na beleza e sensualidade
de todas as mulheres.
943
José Eduardo Mendes Camargo
Cigana
Chegaste tímida, descalça e com lascívia no andar
E cantaste e tocaste a minha alma
E dançaste e provocaste o meu desejo
E simulaste, insinuaste e dissimulaste
E súbito olhaste no fundo de meus olhos e me desnudaste.
E as nossas células em rebelião bailaram de prazer
E suspiraste e mergulhaste e te abandonaste
na alegria de se saber mulher e desejada.
E de repente, sumiste e não mais voltaste.
E até hoje permaneceste na beleza e sensualidade
de todas as mulheres.
E cantaste e tocaste a minha alma
E dançaste e provocaste o meu desejo
E simulaste, insinuaste e dissimulaste
E súbito olhaste no fundo de meus olhos e me desnudaste.
E as nossas células em rebelião bailaram de prazer
E suspiraste e mergulhaste e te abandonaste
na alegria de se saber mulher e desejada.
E de repente, sumiste e não mais voltaste.
E até hoje permaneceste na beleza e sensualidade
de todas as mulheres.
943
José Eduardo Mendes Camargo
Cigana
Chegaste tímida, descalça e com lascívia no andar
E cantaste e tocaste a minha alma
E dançaste e provocaste o meu desejo
E simulaste, insinuaste e dissimulaste
E súbito olhaste no fundo de meus olhos e me desnudaste.
E as nossas células em rebelião bailaram de prazer
E suspiraste e mergulhaste e te abandonaste
na alegria de se saber mulher e desejada.
E de repente, sumiste e não mais voltaste.
E até hoje permaneceste na beleza e sensualidade
de todas as mulheres.
E cantaste e tocaste a minha alma
E dançaste e provocaste o meu desejo
E simulaste, insinuaste e dissimulaste
E súbito olhaste no fundo de meus olhos e me desnudaste.
E as nossas células em rebelião bailaram de prazer
E suspiraste e mergulhaste e te abandonaste
na alegria de se saber mulher e desejada.
E de repente, sumiste e não mais voltaste.
E até hoje permaneceste na beleza e sensualidade
de todas as mulheres.
943
João Bosco da Encarnação
Essa Noite
Essa Noite
Essa noite estranha,
é uma noite de medo,
pavor de mim mesmo.
Quando penso eme vejo
pensante,
ouço o ruído incessante
— enervante —
do mar,
tenho medo.
Do latido de um cão
longínquo,
tenho medo.
E receio tanto
a escuridão silenciosa
da noite...
E me assusto tanto
com o barulho da folha seca
e do vento tenebroso
na encosta...
A existência só
e a coexistência só
de um mundo de mortos
me amedrontam,
apavoram.
E tenho um pavor imenso
de ser e de sentir...
Queria ser apenas algo
e não querer...
O pavor do silêncio noturno,
povoado de fantasmas
que riem do meu temor,
o medo da morte
porque parece uma noite
de silêncio profundo,
faz ouvir minha fraqueza,
um cão latindo ao longe,
triste,
um som de silêncio no ouvido,
enlouquece
e assusta como se houvesse
— e talvez haja —
algum estranho na escuridão.
E me assusto
com a escuridão e o silêncio
— nadas —
que reinam em mim...
Vazio que reina em mim
— tudo —
possível e impossível.
Alma solitária
jogada num abismo,
vê-se lá de cima do penhasco
onde o mar encontra as pedras,
um grunhido,
um bafo ofegante
— monstro —
nas minhas costas infinitas,
do tamanho da escuridão
que esconde o mar dos olhos
e nos ouvidos
preenche a imaginação.
Essa noite estranha,
é uma noite de medo,
pavor de mim mesmo.
Quando penso eme vejo
pensante,
ouço o ruído incessante
— enervante —
do mar,
tenho medo.
Do latido de um cão
longínquo,
tenho medo.
E receio tanto
a escuridão silenciosa
da noite...
E me assusto tanto
com o barulho da folha seca
e do vento tenebroso
na encosta...
A existência só
e a coexistência só
de um mundo de mortos
me amedrontam,
apavoram.
E tenho um pavor imenso
de ser e de sentir...
Queria ser apenas algo
e não querer...
O pavor do silêncio noturno,
povoado de fantasmas
que riem do meu temor,
o medo da morte
porque parece uma noite
de silêncio profundo,
faz ouvir minha fraqueza,
um cão latindo ao longe,
triste,
um som de silêncio no ouvido,
enlouquece
e assusta como se houvesse
— e talvez haja —
algum estranho na escuridão.
E me assusto
com a escuridão e o silêncio
— nadas —
que reinam em mim...
Vazio que reina em mim
— tudo —
possível e impossível.
Alma solitária
jogada num abismo,
vê-se lá de cima do penhasco
onde o mar encontra as pedras,
um grunhido,
um bafo ofegante
— monstro —
nas minhas costas infinitas,
do tamanho da escuridão
que esconde o mar dos olhos
e nos ouvidos
preenche a imaginação.
952
João Bosco da Encarnação
Essa Noite
Essa Noite
Essa noite estranha,
é uma noite de medo,
pavor de mim mesmo.
Quando penso eme vejo
pensante,
ouço o ruído incessante
— enervante —
do mar,
tenho medo.
Do latido de um cão
longínquo,
tenho medo.
E receio tanto
a escuridão silenciosa
da noite...
E me assusto tanto
com o barulho da folha seca
e do vento tenebroso
na encosta...
A existência só
e a coexistência só
de um mundo de mortos
me amedrontam,
apavoram.
E tenho um pavor imenso
de ser e de sentir...
Queria ser apenas algo
e não querer...
O pavor do silêncio noturno,
povoado de fantasmas
que riem do meu temor,
o medo da morte
porque parece uma noite
de silêncio profundo,
faz ouvir minha fraqueza,
um cão latindo ao longe,
triste,
um som de silêncio no ouvido,
enlouquece
e assusta como se houvesse
— e talvez haja —
algum estranho na escuridão.
E me assusto
com a escuridão e o silêncio
— nadas —
que reinam em mim...
Vazio que reina em mim
— tudo —
possível e impossível.
Alma solitária
jogada num abismo,
vê-se lá de cima do penhasco
onde o mar encontra as pedras,
um grunhido,
um bafo ofegante
— monstro —
nas minhas costas infinitas,
do tamanho da escuridão
que esconde o mar dos olhos
e nos ouvidos
preenche a imaginação.
Essa noite estranha,
é uma noite de medo,
pavor de mim mesmo.
Quando penso eme vejo
pensante,
ouço o ruído incessante
— enervante —
do mar,
tenho medo.
Do latido de um cão
longínquo,
tenho medo.
E receio tanto
a escuridão silenciosa
da noite...
E me assusto tanto
com o barulho da folha seca
e do vento tenebroso
na encosta...
A existência só
e a coexistência só
de um mundo de mortos
me amedrontam,
apavoram.
E tenho um pavor imenso
de ser e de sentir...
Queria ser apenas algo
e não querer...
O pavor do silêncio noturno,
povoado de fantasmas
que riem do meu temor,
o medo da morte
porque parece uma noite
de silêncio profundo,
faz ouvir minha fraqueza,
um cão latindo ao longe,
triste,
um som de silêncio no ouvido,
enlouquece
e assusta como se houvesse
— e talvez haja —
algum estranho na escuridão.
E me assusto
com a escuridão e o silêncio
— nadas —
que reinam em mim...
Vazio que reina em mim
— tudo —
possível e impossível.
Alma solitária
jogada num abismo,
vê-se lá de cima do penhasco
onde o mar encontra as pedras,
um grunhido,
um bafo ofegante
— monstro —
nas minhas costas infinitas,
do tamanho da escuridão
que esconde o mar dos olhos
e nos ouvidos
preenche a imaginação.
952
José Eduardo Mendes Camargo
Fada
Foste a fada que me fez
representar a plenitude de meu ser.
no charme de teu sorriso,
Me iluminaste o corpo.
Na transparência de teus olhos,
me despiste a alma.
Na suavidade de tua voz,
me hipnotizaste o espírito.
Na leveza de teus gestos,
me fascinaste os olhos.
Na beleza e sensualidade da mulher-fêmea,
me seduziste.
representar a plenitude de meu ser.
no charme de teu sorriso,
Me iluminaste o corpo.
Na transparência de teus olhos,
me despiste a alma.
Na suavidade de tua voz,
me hipnotizaste o espírito.
Na leveza de teus gestos,
me fascinaste os olhos.
Na beleza e sensualidade da mulher-fêmea,
me seduziste.
915
José Eduardo Mendes Camargo
Recordações
Desejo me enlear em teus braços,
Envolver o teu corpo,
Penetrar a tua alma...
E num momento de fusão e intenso prazer,
Exorcizar todos os medos e julgamentos,
Libertar-me de quaisquer preconceitos
E na alegria sublime do amor
Encontrar a paz e a eternidade,
No encontro de mim mesmo
E com o passar do tempo,
Recolher este momento mágico de ternura,
Em nosso álbum das melhores recordações.
Envolver o teu corpo,
Penetrar a tua alma...
E num momento de fusão e intenso prazer,
Exorcizar todos os medos e julgamentos,
Libertar-me de quaisquer preconceitos
E na alegria sublime do amor
Encontrar a paz e a eternidade,
No encontro de mim mesmo
E com o passar do tempo,
Recolher este momento mágico de ternura,
Em nosso álbum das melhores recordações.
734
José Eduardo Mendes Camargo
Recordações
Desejo me enlear em teus braços,
Envolver o teu corpo,
Penetrar a tua alma...
E num momento de fusão e intenso prazer,
Exorcizar todos os medos e julgamentos,
Libertar-me de quaisquer preconceitos
E na alegria sublime do amor
Encontrar a paz e a eternidade,
No encontro de mim mesmo
E com o passar do tempo,
Recolher este momento mágico de ternura,
Em nosso álbum das melhores recordações.
Envolver o teu corpo,
Penetrar a tua alma...
E num momento de fusão e intenso prazer,
Exorcizar todos os medos e julgamentos,
Libertar-me de quaisquer preconceitos
E na alegria sublime do amor
Encontrar a paz e a eternidade,
No encontro de mim mesmo
E com o passar do tempo,
Recolher este momento mágico de ternura,
Em nosso álbum das melhores recordações.
734
Capinan
Canção de Minha Descoberta
Eis-me resignado.
Fugi de tudo que fui
e pelo caminho de minha renúncia
venho buscar bandeiras novas.
Agora persigo a palavra nova
por eles que esperam com o coração amargo
e o grito dentro do coração.
Não poderei aceitar o silêncio
e ficar em paz com a morte dos desgraçados
caídos sem voz em nossa porta.
As crianças minhas morreram todas,
Possuo cada vontade, cada medo, cada ternura morta
e vou surgindo novo entre lenços brancos
agitados de dor pela mão dos homens.
Fugi de tudo que fui
e pelo caminho de minha renúncia
venho buscar bandeiras novas.
Agora persigo a palavra nova
por eles que esperam com o coração amargo
e o grito dentro do coração.
Não poderei aceitar o silêncio
e ficar em paz com a morte dos desgraçados
caídos sem voz em nossa porta.
As crianças minhas morreram todas,
Possuo cada vontade, cada medo, cada ternura morta
e vou surgindo novo entre lenços brancos
agitados de dor pela mão dos homens.
1 257
Lucila Issa
Beyond the Invisible
Os olhos
sentem e distinguem:
real ou outro sonho
você, você e eu.
Neste lado,
remoto é aprender a voar:
se cair vai crer e ver,
mudar a noite,
além da realidade.
sentem e distinguem:
real ou outro sonho
você, você e eu.
Neste lado,
remoto é aprender a voar:
se cair vai crer e ver,
mudar a noite,
além da realidade.
703
Jáder de Carvalho
Trova
Meu olhar é um lampião,
vertendo, em luz dolorida,
toda uma velha paixão
na esquina da tua vida.
vertendo, em luz dolorida,
toda uma velha paixão
na esquina da tua vida.
635
Ildásio Tavares
Glosa
Mote
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . ."
Gil Vicente
Houve tempo e sacrifício
Houve sonho e muita lida
Mas no trato do ofício
Só houve ilusões perdidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas... "
Há vozes que sempre falam
Na escura noite envolvidas
Mas todas vozes se calam
E se perdem diluídas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
Nosso corpo fez-se estrume,
Nossas forças são tolhidas,
Nossa espada está sem gume,
Nossas dores repetidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas..."
Sempre à margem dos processos
Nossas bocas são retidas
Para nós só há inversos
Todas luzes são vendidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas.
Estruturas poderosas
Todas podres, corrompidas
Nos compram e vendem gulosas
Cada vez mais entupidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
Nem sangue de muitas mortes
Nos trouxe a luz escondida,
Poderes sempre mais fortes
Nos levaram de vencida —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
Nas trevas de há muito e tanto
Marchamos safras sofridas,
Amargando nosso canto
Em vozes enrouquecidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
Distante brilha esperança
De promessas esquecidas;
Atrás ficou a lembrança
De derrotas cometidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . ."
Mas em cores diferentes
As danças serão corridas
Não pensem os poderosos
Que as almas nos têm vencidas
Somos muitos e teimosos
Nossas cabeças erguidas
Sob o fardo dos milênios
Marcham tenções decididas,
Várias faces, vários gênios,
todos faces retorcidas, —
Nós teremos a chegança
Será nossa a esperança,
Nós teremos nossas vidas.
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . ."
Gil Vicente
Houve tempo e sacrifício
Houve sonho e muita lida
Mas no trato do ofício
Só houve ilusões perdidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas... "
Há vozes que sempre falam
Na escura noite envolvidas
Mas todas vozes se calam
E se perdem diluídas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
Nosso corpo fez-se estrume,
Nossas forças são tolhidas,
Nossa espada está sem gume,
Nossas dores repetidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas..."
Sempre à margem dos processos
Nossas bocas são retidas
Para nós só há inversos
Todas luzes são vendidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas.
Estruturas poderosas
Todas podres, corrompidas
Nos compram e vendem gulosas
Cada vez mais entupidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
Nem sangue de muitas mortes
Nos trouxe a luz escondida,
Poderes sempre mais fortes
Nos levaram de vencida —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
Nas trevas de há muito e tanto
Marchamos safras sofridas,
Amargando nosso canto
Em vozes enrouquecidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
Distante brilha esperança
De promessas esquecidas;
Atrás ficou a lembrança
De derrotas cometidas —
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . . "
"Nós somos vida das gentes
E morte de nossas vidas. . ."
Mas em cores diferentes
As danças serão corridas
Não pensem os poderosos
Que as almas nos têm vencidas
Somos muitos e teimosos
Nossas cabeças erguidas
Sob o fardo dos milênios
Marcham tenções decididas,
Várias faces, vários gênios,
todos faces retorcidas, —
Nós teremos a chegança
Será nossa a esperança,
Nós teremos nossas vidas.
1 160
Ivan Junqueira
Esse punhado de ossos
A Moacyr Félix
Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro
adunco do assassino,
nas úlceras do mendigo,
na voz melíflua do bispo,
no martírio dos suicidas,
na mão crispada das vítimas,
na forca e na Guilhotina,
no sangue sobre o patíbulo,
no sexo do hermafrodita,
no ventre da meretriz
que deu à luz uma harpia,
nas bestas do Apocalipse,
no selo que foi rompido,
nas trombetas do Juízo,
no êxtase mudo dos místicos,
na agonia dos epígonos,
no corvo que bica as vísceras
de alguém cujo sacrifício
vale tanto quanto a epígrafe
de uma página vazia.
Paz, enfim, até no ríctus
que torce a boca do Cristo.
Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro
adunco do assassino,
nas úlceras do mendigo,
na voz melíflua do bispo,
no martírio dos suicidas,
na mão crispada das vítimas,
na forca e na Guilhotina,
no sangue sobre o patíbulo,
no sexo do hermafrodita,
no ventre da meretriz
que deu à luz uma harpia,
nas bestas do Apocalipse,
no selo que foi rompido,
nas trombetas do Juízo,
no êxtase mudo dos místicos,
na agonia dos epígonos,
no corvo que bica as vísceras
de alguém cujo sacrifício
vale tanto quanto a epígrafe
de uma página vazia.
Paz, enfim, até no ríctus
que torce a boca do Cristo.
2 438
João Antônio
Choros — Para Pintagol e Cuíca
A mulher que eu não tenho sequer anda,
apenas desliza sutil feito ave.
Gaivota, à vôo preciso e espaçoso da gaivota,
e quem, quem são as outras perante
a que eu não tenho —
atrizes, babás , damas, mucamas,
faxineiras, serão verdureiras
mãos encardidos, quadradas,
hão de ser novatas na vida, desajeitadas,
tentando o trottoir da avenida
aventurando, meio envergonhadas,
mas empurradas pela fome,
aprendizes vacilantes de manicure
ou banhistas marrons de sol,
falsas madames vão à feira,
regateiam uma dúzia e meia de bananas
e mulheres de vida andeja serão
chamadas de tudo quanto é nome,
ciganinhas suburbanas e de araque,
ciganaqem descida com a gana e a necessidade
escorrida de algum enfiado escondido, da Baixada Fluminense,
a engambelar nos praças, no centro da cidade,
lendo a sorte questionável nas mãos dos passantes
— um olho na palma, outro na polícia —
rodam lépidas, o vestido longo e ordinário de chita,
escafedem-se espaventadas pelos becos,
erradas, erradias já que analfabetas,
por penúria ou orfandade corridas da área rural,
perdidaças ignorantes de tudo
e, entanto, mais carregam dentro de si
uma enorme aflição, tumultuada necessidade de amor,
ou serão aqueles que, em solidão e no escuro comem chocolate,
bombons de chocolate.
A que eu não tenho terá sido do vizinho.
Professor de inglês,
aranha escrevedor de jogo do bicho,
deputado salafrário,
ou no aparente ridículo da vida,
inusitada mas tosca, azeda e possível inversão, banal e não,
mulher de outra mulher?
Sem que eu pedisse
ó, não minha,
alma, retomada, semente, fêmea, vida,
far-me-ia cafuné, dar-me-ia um copo dágua,
socaria no pilão a magnífica paçoca com carne seca,
dividiria comigo a fatia de goiabada,
a agrura de um despejo, uma prisão,
a correria pela vida, a vida, ou correntia,
ou o recacau de uma pancadaria na barriga da rua,
chuva e sol, após,
acordar-me-ia com beijos,
relassem na minha barba de três dias,
nas rugas da minha cara.
Também na linha do horizonte,
onde céu e mar se tocam, de lá
ela vem vindo e pode chega
baixando a conspiração dos demônios.
Em nada lembraria as outras
com quem me droguei em paixão,
coxas de Diana,
em chispas e trama de paixão,
fogo de palha a durar sete anos cada um,
carismático número sete,
em cada conhaque a duração de sete janeiros,
foram quatro vezes sete
perfazendo vinte e oito anos
ah, montanha russa,
em que cheirei, cheiramos, fumei, fumamos,
cafunguei, cafungamos, joguei com exagero, arrepiado bebi,
sobe-e-desce, prende a respiração,
antes e depois da mulher que eu não tive,
ó benditas, as anteriores,
melhor me ensinaram,
o meu corpo a tal ponto e detalhes,
não se lembra
e nem se esquece de todos os pontos,
o fremir de cada ondulação dos corpos
dessas benditas mulheres da rua e de casa
para quem o amor tem cheiro,
sobe pelas paredes, prolonga-se,
engalfinha, espicha,
escarrapacha, encolhe,
grito arfado, indômito,
suga o ar e quebra camas,
é boêmio fora de hora
tampouco escolhe lugar,
jamais cronometrado
junto, grudado a essas benditas mulheres
olhos mortiços ou sonhadores,
como os olhos de uma criança.
A mulher que eu não tenho
não joga bilhar francês, sequer carteia bridge,
é outro o seu pano verde,
joga sinuca, ganha partidas,
remata pelo golpe dos vinte-e-sete,
e pelo dos vinte-e-sete,
conserva a extrema elegância
fecha à marinheira, os seus cigarros de papel
e fumo desfiado nas coxas nuas, grossas, morenas coxas,
sustentadas pelas canelas finas de sabiá.
Guarda, estelante.
Reproduz, a capricho, um perfume onipresente.
Luminar, guardará para o sempre o enigma —
onde, segredado, em que noite única,
ficou escondido deveras o frescor superfino
ondeava, emanado das perna dançarinas,
passos de descalça odalisca dos antigos cabarés.
A que eu não tive, novinha,
não tem idade,
tem treze anos e não é virgem
e me ensina na cama
e tem mais de trinta e cinco
tem, em principal, todas as carnes
e as idéias no lugar.
Palmeira, o esguia ao vento,
é o meu calor na madrugada
o meu novo Morro da Geada
a reinvenção do primeiro estilingue
levanta a voz e grave de crioula sacudida,
o susto, o arrepio da primeira boca em que suguei
a mulher que eu não tive
e se esconde nas estrofes de aço e ferro batido,
um só Nelson Cavaquinho.
Acresce espontânea, delicada, dolente,
malandra, macia, sestrosa,
dengosa, nítida, límpida,
como um sorriso brasileiro
e como um choro de Garoto,
Aníbal Augusto Sardinha.
Trata-se, mais do que a musa morena,
ainda mais que perfeita
a mulher que eu não tenho
só tem linhas sinuosas e não faz elipses mentais
arruma o trilho e é a um só tempo locomotiva
e, tão perfeita, não tem passado.
Ser inteiriço em palmeira
tem o pescoço longo,
apertada vagina pequena,
corta e não é dentada, fecha
engole, acalora, corta
e fecha como alicate.
Nunca usou óculos
o que eu não tenho
tem os olhos negros sombreados
onde baila a alma,
e trinta e dois dentes límpidos na boca
jamais usou dentifrício,
escovados com a areia dos rios pelo dedo indicador.
Caída, caída na vida e mulher chamada pública
a que eu não tenho
é quem requebra só pra mim
e quando acorda, me entreolha e diz,
se ainda durmo, vida, ficaste mais linda.
O bamboleio sarado dos ancas
o empinado dos seios
rijas coxas avançam
marcam de tal desenho o andar,
mulher que eu não tive,
assista exímia, quase nua, guerreira ritmada,
de tal sorriso, sambeiro,
ao pisar adona-se a avenida toda
e parece ser todo dela.
Sendo crioula, cabrocha ou irmã rara em nefertite,
mulata melhormente,
quase um sorriso e quase meio sorriso,
a harmonia da indagação sábia,
humilde leveza tão solene,
cabe uma enciclopédia em sua cara,
não livresca, só humano,
em olhos grandes, antigos e sofridos das pretas,
à voz grave das negras dos morros
quando fala é feito o pintassilgo
mestiçado com a canária-do-reino
ganhou o conto magnífico, incansável,
politonado e contínuo, quase metálico,
híbrido bailarino pintagol.
Estrela-guia não minha
singular e não rara
supina dona do impossível
a quem não dói perder dinheiro
doma, fina, a ousado equação delirante,
quanto menos tem mais gasta
e alvejante, luminosa se presta,
quando a questão é ruça
usa como nenhuma
a excelência da conjugação do verbo coisar.
Aperta-se o cerco, o jogo é jogado,
a que eu não tenho
mantém a vagina molhada
e bom o coração,
aprendeu com o sete-estrelo dos pontos
a descrer na lei do mínimo esforço,
sabe, não somos brinquedo e brincamos,
e diz de cor e salteado
a manha das ruas,
os sambas-de-preto
em que mulher de malandro é rapaz
num dia apanha, no outro quer mais.
Beldroegas, à pascácios, inquietos, farisaicos,
mondrongos aturdidos —
ela não desconhece que a maioria
é mosca de padaria.
Encostado à esquina eu não fique
já que é nunca morto o Morro da Geada,
mas esper
apenas desliza sutil feito ave.
Gaivota, à vôo preciso e espaçoso da gaivota,
e quem, quem são as outras perante
a que eu não tenho —
atrizes, babás , damas, mucamas,
faxineiras, serão verdureiras
mãos encardidos, quadradas,
hão de ser novatas na vida, desajeitadas,
tentando o trottoir da avenida
aventurando, meio envergonhadas,
mas empurradas pela fome,
aprendizes vacilantes de manicure
ou banhistas marrons de sol,
falsas madames vão à feira,
regateiam uma dúzia e meia de bananas
e mulheres de vida andeja serão
chamadas de tudo quanto é nome,
ciganinhas suburbanas e de araque,
ciganaqem descida com a gana e a necessidade
escorrida de algum enfiado escondido, da Baixada Fluminense,
a engambelar nos praças, no centro da cidade,
lendo a sorte questionável nas mãos dos passantes
— um olho na palma, outro na polícia —
rodam lépidas, o vestido longo e ordinário de chita,
escafedem-se espaventadas pelos becos,
erradas, erradias já que analfabetas,
por penúria ou orfandade corridas da área rural,
perdidaças ignorantes de tudo
e, entanto, mais carregam dentro de si
uma enorme aflição, tumultuada necessidade de amor,
ou serão aqueles que, em solidão e no escuro comem chocolate,
bombons de chocolate.
A que eu não tenho terá sido do vizinho.
Professor de inglês,
aranha escrevedor de jogo do bicho,
deputado salafrário,
ou no aparente ridículo da vida,
inusitada mas tosca, azeda e possível inversão, banal e não,
mulher de outra mulher?
Sem que eu pedisse
ó, não minha,
alma, retomada, semente, fêmea, vida,
far-me-ia cafuné, dar-me-ia um copo dágua,
socaria no pilão a magnífica paçoca com carne seca,
dividiria comigo a fatia de goiabada,
a agrura de um despejo, uma prisão,
a correria pela vida, a vida, ou correntia,
ou o recacau de uma pancadaria na barriga da rua,
chuva e sol, após,
acordar-me-ia com beijos,
relassem na minha barba de três dias,
nas rugas da minha cara.
Também na linha do horizonte,
onde céu e mar se tocam, de lá
ela vem vindo e pode chega
baixando a conspiração dos demônios.
Em nada lembraria as outras
com quem me droguei em paixão,
coxas de Diana,
em chispas e trama de paixão,
fogo de palha a durar sete anos cada um,
carismático número sete,
em cada conhaque a duração de sete janeiros,
foram quatro vezes sete
perfazendo vinte e oito anos
ah, montanha russa,
em que cheirei, cheiramos, fumei, fumamos,
cafunguei, cafungamos, joguei com exagero, arrepiado bebi,
sobe-e-desce, prende a respiração,
antes e depois da mulher que eu não tive,
ó benditas, as anteriores,
melhor me ensinaram,
o meu corpo a tal ponto e detalhes,
não se lembra
e nem se esquece de todos os pontos,
o fremir de cada ondulação dos corpos
dessas benditas mulheres da rua e de casa
para quem o amor tem cheiro,
sobe pelas paredes, prolonga-se,
engalfinha, espicha,
escarrapacha, encolhe,
grito arfado, indômito,
suga o ar e quebra camas,
é boêmio fora de hora
tampouco escolhe lugar,
jamais cronometrado
junto, grudado a essas benditas mulheres
olhos mortiços ou sonhadores,
como os olhos de uma criança.
A mulher que eu não tenho
não joga bilhar francês, sequer carteia bridge,
é outro o seu pano verde,
joga sinuca, ganha partidas,
remata pelo golpe dos vinte-e-sete,
e pelo dos vinte-e-sete,
conserva a extrema elegância
fecha à marinheira, os seus cigarros de papel
e fumo desfiado nas coxas nuas, grossas, morenas coxas,
sustentadas pelas canelas finas de sabiá.
Guarda, estelante.
Reproduz, a capricho, um perfume onipresente.
Luminar, guardará para o sempre o enigma —
onde, segredado, em que noite única,
ficou escondido deveras o frescor superfino
ondeava, emanado das perna dançarinas,
passos de descalça odalisca dos antigos cabarés.
A que eu não tive, novinha,
não tem idade,
tem treze anos e não é virgem
e me ensina na cama
e tem mais de trinta e cinco
tem, em principal, todas as carnes
e as idéias no lugar.
Palmeira, o esguia ao vento,
é o meu calor na madrugada
o meu novo Morro da Geada
a reinvenção do primeiro estilingue
levanta a voz e grave de crioula sacudida,
o susto, o arrepio da primeira boca em que suguei
a mulher que eu não tive
e se esconde nas estrofes de aço e ferro batido,
um só Nelson Cavaquinho.
Acresce espontânea, delicada, dolente,
malandra, macia, sestrosa,
dengosa, nítida, límpida,
como um sorriso brasileiro
e como um choro de Garoto,
Aníbal Augusto Sardinha.
Trata-se, mais do que a musa morena,
ainda mais que perfeita
a mulher que eu não tenho
só tem linhas sinuosas e não faz elipses mentais
arruma o trilho e é a um só tempo locomotiva
e, tão perfeita, não tem passado.
Ser inteiriço em palmeira
tem o pescoço longo,
apertada vagina pequena,
corta e não é dentada, fecha
engole, acalora, corta
e fecha como alicate.
Nunca usou óculos
o que eu não tenho
tem os olhos negros sombreados
onde baila a alma,
e trinta e dois dentes límpidos na boca
jamais usou dentifrício,
escovados com a areia dos rios pelo dedo indicador.
Caída, caída na vida e mulher chamada pública
a que eu não tenho
é quem requebra só pra mim
e quando acorda, me entreolha e diz,
se ainda durmo, vida, ficaste mais linda.
O bamboleio sarado dos ancas
o empinado dos seios
rijas coxas avançam
marcam de tal desenho o andar,
mulher que eu não tive,
assista exímia, quase nua, guerreira ritmada,
de tal sorriso, sambeiro,
ao pisar adona-se a avenida toda
e parece ser todo dela.
Sendo crioula, cabrocha ou irmã rara em nefertite,
mulata melhormente,
quase um sorriso e quase meio sorriso,
a harmonia da indagação sábia,
humilde leveza tão solene,
cabe uma enciclopédia em sua cara,
não livresca, só humano,
em olhos grandes, antigos e sofridos das pretas,
à voz grave das negras dos morros
quando fala é feito o pintassilgo
mestiçado com a canária-do-reino
ganhou o conto magnífico, incansável,
politonado e contínuo, quase metálico,
híbrido bailarino pintagol.
Estrela-guia não minha
singular e não rara
supina dona do impossível
a quem não dói perder dinheiro
doma, fina, a ousado equação delirante,
quanto menos tem mais gasta
e alvejante, luminosa se presta,
quando a questão é ruça
usa como nenhuma
a excelência da conjugação do verbo coisar.
Aperta-se o cerco, o jogo é jogado,
a que eu não tenho
mantém a vagina molhada
e bom o coração,
aprendeu com o sete-estrelo dos pontos
a descrer na lei do mínimo esforço,
sabe, não somos brinquedo e brincamos,
e diz de cor e salteado
a manha das ruas,
os sambas-de-preto
em que mulher de malandro é rapaz
num dia apanha, no outro quer mais.
Beldroegas, à pascácios, inquietos, farisaicos,
mondrongos aturdidos —
ela não desconhece que a maioria
é mosca de padaria.
Encostado à esquina eu não fique
já que é nunca morto o Morro da Geada,
mas esper
699
João Álvares Soares
Soneto
Com troféu sempre augusto, e relevante
Se vence a si quem nunca foi vencido;
Que a vencer a Alexandre é bem sabido
Só Alexandre pode ser bastante
De todos vencedor sempre triunfante,
Para alcançar renome mais subido,
Deixa-se a si de si mesmo rendido
Vencendo a quem venceu sempre arrogante.
Modesto, continente, e recatado
Se absteve de Cupido ao tenro pranto
E sem ver deixa ao Cego desarmado:
Assim vence com digno e novo espanto,
A Marte, quando encara o rosto irado,
A Vênus, quando evita o doce encanto.
Se vence a si quem nunca foi vencido;
Que a vencer a Alexandre é bem sabido
Só Alexandre pode ser bastante
De todos vencedor sempre triunfante,
Para alcançar renome mais subido,
Deixa-se a si de si mesmo rendido
Vencendo a quem venceu sempre arrogante.
Modesto, continente, e recatado
Se absteve de Cupido ao tenro pranto
E sem ver deixa ao Cego desarmado:
Assim vence com digno e novo espanto,
A Marte, quando encara o rosto irado,
A Vênus, quando evita o doce encanto.
493
Inaura Carneiro Leão
Predestinação
Uma onda imprevisível
de luz e sons
atravessou o país dos anjos azuis
e penetrou impetuosamente
no mundo submerso
de meus sonhos
Veio de longe
dos abismos perfumados
onde florescem as rainhas da noite
que enebriam
os viandantes descuidados
Veio dos gestos espontâneos
e talvez despretensiosos
que tocaram a pele de minh’alma
e avassaladoramente
me deixaram estática
silente
e transbordante
de ternura e de desejo.
de luz e sons
atravessou o país dos anjos azuis
e penetrou impetuosamente
no mundo submerso
de meus sonhos
Veio de longe
dos abismos perfumados
onde florescem as rainhas da noite
que enebriam
os viandantes descuidados
Veio dos gestos espontâneos
e talvez despretensiosos
que tocaram a pele de minh’alma
e avassaladoramente
me deixaram estática
silente
e transbordante
de ternura e de desejo.
902
Inaura Carneiro Leão
Predestinação
Uma onda imprevisível
de luz e sons
atravessou o país dos anjos azuis
e penetrou impetuosamente
no mundo submerso
de meus sonhos
Veio de longe
dos abismos perfumados
onde florescem as rainhas da noite
que enebriam
os viandantes descuidados
Veio dos gestos espontâneos
e talvez despretensiosos
que tocaram a pele de minh’alma
e avassaladoramente
me deixaram estática
silente
e transbordante
de ternura e de desejo.
de luz e sons
atravessou o país dos anjos azuis
e penetrou impetuosamente
no mundo submerso
de meus sonhos
Veio de longe
dos abismos perfumados
onde florescem as rainhas da noite
que enebriam
os viandantes descuidados
Veio dos gestos espontâneos
e talvez despretensiosos
que tocaram a pele de minh’alma
e avassaladoramente
me deixaram estática
silente
e transbordante
de ternura e de desejo.
902
J. Anderson
Invenção do Vento
No casarão vazio...
Uma canção triste
Esquecida numa vitrola,
Despertou a nostalgia.
E o vento...
Inventou de trazer lembranças.
Uma canção triste
Esquecida numa vitrola,
Despertou a nostalgia.
E o vento...
Inventou de trazer lembranças.
1 091
J. Anderson
Invenção do Vento
No casarão vazio...
Uma canção triste
Esquecida numa vitrola,
Despertou a nostalgia.
E o vento...
Inventou de trazer lembranças.
Uma canção triste
Esquecida numa vitrola,
Despertou a nostalgia.
E o vento...
Inventou de trazer lembranças.
1 091
Lucila Issa
Why
Grito:
vazio preenchido,
eco infinito,
enfraquece,
perturba a chuva
que volta a reinar.
Pergunto por que
responde porque.
Volta a chuva,
vai-se o eco perdido
à procura.
vazio preenchido,
eco infinito,
enfraquece,
perturba a chuva
que volta a reinar.
Pergunto por que
responde porque.
Volta a chuva,
vai-se o eco perdido
à procura.
901
Lucila Issa
Why
Grito:
vazio preenchido,
eco infinito,
enfraquece,
perturba a chuva
que volta a reinar.
Pergunto por que
responde porque.
Volta a chuva,
vai-se o eco perdido
à procura.
vazio preenchido,
eco infinito,
enfraquece,
perturba a chuva
que volta a reinar.
Pergunto por que
responde porque.
Volta a chuva,
vai-se o eco perdido
à procura.
901
Iderval Miranda
Do Amor e da Loucura
I
diz-se o amor,
o divino
em sua proximidade.
a loucura,
ele mesmo
em sua simplicidade.
juntos,
ainda ele em sua totalidade.
II
o simples traço fará desvendar
o desespero contido no coração
de quem se quer prazer e dor.
e este corpo de mulher
dilacerado pela recusa incontida
do não?
basta, que venha o longe
e eterna seja a carne,
catedral de prazer e dor.
III
buscar o amor
em claro dia
é vã tentativa.
ao longe,
um brilho na escuridão
da tormentosa noite.
adiante,
além do obscuro
do obscuro.
IV
pois o obscuro
revela-se num rosto de mulher.
e quem
loucamente ama o longe
verá o um
eternizado em amor e gozo.
pois o um
revela-se no rosto do um.
V
pois que tudo seja
vanidade e absinto,
o nada será sempre o nada
e o longe findará aqui, dentro de nós.
e esta busca insensata,
quando terá fim?
VI
terás a argila como princesa
e no vergel dos desesperados
serás o fruto maior.
é certo que tudo é um
e mesmo assim,
ante ele, serás o outro.
e o amor mostrará sua face
em forma de mulher e sonho,
e terás o fogo, a paixão e o prazer
não a felicidade,
pois tu és tu,
outro um ante o um.
VII
(desperto pela guitarra do morto)
o prazer
é um.
(ao lado da mulher amada)
o prazer
é um.
(ante a última deidade)
o prazer
é um.
- o prazer é um -
(ainda assim)
o prazer
é um.
VIII
e eis o corpo
do longe e longe
ainda.
e quem mais,
pois o tudo lembrar
é apenas renegar-se.
e esta sombra
do longe e longe
ainda?
IX
e eis que meus sonhos
nomeiam teu corpo
a diluir-se em bruma, névoa
e nada
X
clara paisagem do nada
tu dirás
longe longe longe
mulher
deserto e desespero.
diz-se o amor,
o divino
em sua proximidade.
a loucura,
ele mesmo
em sua simplicidade.
juntos,
ainda ele em sua totalidade.
II
o simples traço fará desvendar
o desespero contido no coração
de quem se quer prazer e dor.
e este corpo de mulher
dilacerado pela recusa incontida
do não?
basta, que venha o longe
e eterna seja a carne,
catedral de prazer e dor.
III
buscar o amor
em claro dia
é vã tentativa.
ao longe,
um brilho na escuridão
da tormentosa noite.
adiante,
além do obscuro
do obscuro.
IV
pois o obscuro
revela-se num rosto de mulher.
e quem
loucamente ama o longe
verá o um
eternizado em amor e gozo.
pois o um
revela-se no rosto do um.
V
pois que tudo seja
vanidade e absinto,
o nada será sempre o nada
e o longe findará aqui, dentro de nós.
e esta busca insensata,
quando terá fim?
VI
terás a argila como princesa
e no vergel dos desesperados
serás o fruto maior.
é certo que tudo é um
e mesmo assim,
ante ele, serás o outro.
e o amor mostrará sua face
em forma de mulher e sonho,
e terás o fogo, a paixão e o prazer
não a felicidade,
pois tu és tu,
outro um ante o um.
VII
(desperto pela guitarra do morto)
o prazer
é um.
(ao lado da mulher amada)
o prazer
é um.
(ante a última deidade)
o prazer
é um.
- o prazer é um -
(ainda assim)
o prazer
é um.
VIII
e eis o corpo
do longe e longe
ainda.
e quem mais,
pois o tudo lembrar
é apenas renegar-se.
e esta sombra
do longe e longe
ainda?
IX
e eis que meus sonhos
nomeiam teu corpo
a diluir-se em bruma, névoa
e nada
X
clara paisagem do nada
tu dirás
longe longe longe
mulher
deserto e desespero.
741
Iderval Miranda
Do Amor e da Loucura
I
diz-se o amor,
o divino
em sua proximidade.
a loucura,
ele mesmo
em sua simplicidade.
juntos,
ainda ele em sua totalidade.
II
o simples traço fará desvendar
o desespero contido no coração
de quem se quer prazer e dor.
e este corpo de mulher
dilacerado pela recusa incontida
do não?
basta, que venha o longe
e eterna seja a carne,
catedral de prazer e dor.
III
buscar o amor
em claro dia
é vã tentativa.
ao longe,
um brilho na escuridão
da tormentosa noite.
adiante,
além do obscuro
do obscuro.
IV
pois o obscuro
revela-se num rosto de mulher.
e quem
loucamente ama o longe
verá o um
eternizado em amor e gozo.
pois o um
revela-se no rosto do um.
V
pois que tudo seja
vanidade e absinto,
o nada será sempre o nada
e o longe findará aqui, dentro de nós.
e esta busca insensata,
quando terá fim?
VI
terás a argila como princesa
e no vergel dos desesperados
serás o fruto maior.
é certo que tudo é um
e mesmo assim,
ante ele, serás o outro.
e o amor mostrará sua face
em forma de mulher e sonho,
e terás o fogo, a paixão e o prazer
não a felicidade,
pois tu és tu,
outro um ante o um.
VII
(desperto pela guitarra do morto)
o prazer
é um.
(ao lado da mulher amada)
o prazer
é um.
(ante a última deidade)
o prazer
é um.
- o prazer é um -
(ainda assim)
o prazer
é um.
VIII
e eis o corpo
do longe e longe
ainda.
e quem mais,
pois o tudo lembrar
é apenas renegar-se.
e esta sombra
do longe e longe
ainda?
IX
e eis que meus sonhos
nomeiam teu corpo
a diluir-se em bruma, névoa
e nada
X
clara paisagem do nada
tu dirás
longe longe longe
mulher
deserto e desespero.
diz-se o amor,
o divino
em sua proximidade.
a loucura,
ele mesmo
em sua simplicidade.
juntos,
ainda ele em sua totalidade.
II
o simples traço fará desvendar
o desespero contido no coração
de quem se quer prazer e dor.
e este corpo de mulher
dilacerado pela recusa incontida
do não?
basta, que venha o longe
e eterna seja a carne,
catedral de prazer e dor.
III
buscar o amor
em claro dia
é vã tentativa.
ao longe,
um brilho na escuridão
da tormentosa noite.
adiante,
além do obscuro
do obscuro.
IV
pois o obscuro
revela-se num rosto de mulher.
e quem
loucamente ama o longe
verá o um
eternizado em amor e gozo.
pois o um
revela-se no rosto do um.
V
pois que tudo seja
vanidade e absinto,
o nada será sempre o nada
e o longe findará aqui, dentro de nós.
e esta busca insensata,
quando terá fim?
VI
terás a argila como princesa
e no vergel dos desesperados
serás o fruto maior.
é certo que tudo é um
e mesmo assim,
ante ele, serás o outro.
e o amor mostrará sua face
em forma de mulher e sonho,
e terás o fogo, a paixão e o prazer
não a felicidade,
pois tu és tu,
outro um ante o um.
VII
(desperto pela guitarra do morto)
o prazer
é um.
(ao lado da mulher amada)
o prazer
é um.
(ante a última deidade)
o prazer
é um.
- o prazer é um -
(ainda assim)
o prazer
é um.
VIII
e eis o corpo
do longe e longe
ainda.
e quem mais,
pois o tudo lembrar
é apenas renegar-se.
e esta sombra
do longe e longe
ainda?
IX
e eis que meus sonhos
nomeiam teu corpo
a diluir-se em bruma, névoa
e nada
X
clara paisagem do nada
tu dirás
longe longe longe
mulher
deserto e desespero.
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