Poemas neste tema
Vida e Existência
Sebastião da Rocha Pita
Soneto
Soneto
[Mudou o Sol o Berço refulgente,
[ou fez Berço do Túmulo arrogante
[galhardo onde se punha agonizante
[com luz no Ocaso, e sombras no Oriente.
[Não morre agora o Sol, quer diferente
[no Aspecto, se na vida semelhante
[no Oriente nascer menos flamante,
[e renascer mais belo no Ocidente.
[Fênix de raios a uma, e outra parte
[O comunica os incêndios, e fulgores,
[porém com diferença hoje os reparte.
[Nasce lá no Oriente só em ardores,
[no Ocidente a ilustrar Ciência, e Arte
[renasce em luzes, vive em resplendores.
[Mudou o Sol o Berço refulgente,
[ou fez Berço do Túmulo arrogante
[galhardo onde se punha agonizante
[com luz no Ocaso, e sombras no Oriente.
[Não morre agora o Sol, quer diferente
[no Aspecto, se na vida semelhante
[no Oriente nascer menos flamante,
[e renascer mais belo no Ocidente.
[Fênix de raios a uma, e outra parte
[O comunica os incêndios, e fulgores,
[porém com diferença hoje os reparte.
[Nasce lá no Oriente só em ardores,
[no Ocidente a ilustrar Ciência, e Arte
[renasce em luzes, vive em resplendores.
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Sebastião da Rocha Pita
Soneto
Soneto
[Mudou o Sol o Berço refulgente,
[ou fez Berço do Túmulo arrogante
[galhardo onde se punha agonizante
[com luz no Ocaso, e sombras no Oriente.
[Não morre agora o Sol, quer diferente
[no Aspecto, se na vida semelhante
[no Oriente nascer menos flamante,
[e renascer mais belo no Ocidente.
[Fênix de raios a uma, e outra parte
[O comunica os incêndios, e fulgores,
[porém com diferença hoje os reparte.
[Nasce lá no Oriente só em ardores,
[no Ocidente a ilustrar Ciência, e Arte
[renasce em luzes, vive em resplendores.
[Mudou o Sol o Berço refulgente,
[ou fez Berço do Túmulo arrogante
[galhardo onde se punha agonizante
[com luz no Ocaso, e sombras no Oriente.
[Não morre agora o Sol, quer diferente
[no Aspecto, se na vida semelhante
[no Oriente nascer menos flamante,
[e renascer mais belo no Ocidente.
[Fênix de raios a uma, e outra parte
[O comunica os incêndios, e fulgores,
[porém com diferença hoje os reparte.
[Nasce lá no Oriente só em ardores,
[no Ocidente a ilustrar Ciência, e Arte
[renasce em luzes, vive em resplendores.
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1
Suzanna de Campos
Haicai
Flor emurchecida.
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
522
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Suzanna de Campos
Haicai
Flor emurchecida.
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
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1
Renato Russo
Dezesseis
João Roberto era o maioral, o nosso Johnny era um cara legal
Ele tinha um Opala metálico azul
Era o rei dos pegas na Asa Sul e e todo lugar
Quando ele pegava no violão
Conquistava as meninas e quem mais quisesse ver
Sabia tudo da Janis, do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones
Ms de uns tempos pra cá meio sem querer alguma coisa aconteceu
Johnny andava meio quieto demais só que quase ninguém percebeu
Johnny estava com um sorriso estranho
Quando marcou um super pega no fim-de-semana
Não vai ser no CASEB, nem no Lago Norte nem na UnB
As máquinas prontas, o ronco de motor
A cidade inteira se movimentou
E Johhny disse: - Eu vou pra Curva do Diabo em Sobradinho e vocês?
E os motores saíram ligados a mil
Pra estrada da morte, o maior pega que existiu
Só deu pra ouvir foi aquela explosão
E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão
No dia seguinte falou o diretor:
- O aluno João Roberto não está mais entre nós
Ele só tinha dezesseis
Que isso sirva de aviso pra vocês
E na saída da aula foi estranho e bonito
Todo mundo cantando baixinho:
Strawberry Fields Forever
Strawberry Fields Forever
E até hoje quem se lembra diz que não foi o caminhão
Nem a curva fatal e nem a explosão
Johnny era fera demais pra vacilar assim
E o que dizem é que tudo foi por causa de um coração partido
Um coração
Bye bye Johnny
Johnny bye bye
Bye bye Johnny
Ele tinha um Opala metálico azul
Era o rei dos pegas na Asa Sul e e todo lugar
Quando ele pegava no violão
Conquistava as meninas e quem mais quisesse ver
Sabia tudo da Janis, do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones
Ms de uns tempos pra cá meio sem querer alguma coisa aconteceu
Johnny andava meio quieto demais só que quase ninguém percebeu
Johnny estava com um sorriso estranho
Quando marcou um super pega no fim-de-semana
Não vai ser no CASEB, nem no Lago Norte nem na UnB
As máquinas prontas, o ronco de motor
A cidade inteira se movimentou
E Johhny disse: - Eu vou pra Curva do Diabo em Sobradinho e vocês?
E os motores saíram ligados a mil
Pra estrada da morte, o maior pega que existiu
Só deu pra ouvir foi aquela explosão
E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão
No dia seguinte falou o diretor:
- O aluno João Roberto não está mais entre nós
Ele só tinha dezesseis
Que isso sirva de aviso pra vocês
E na saída da aula foi estranho e bonito
Todo mundo cantando baixinho:
Strawberry Fields Forever
Strawberry Fields Forever
E até hoje quem se lembra diz que não foi o caminhão
Nem a curva fatal e nem a explosão
Johnny era fera demais pra vacilar assim
E o que dizem é que tudo foi por causa de um coração partido
Um coração
Bye bye Johnny
Johnny bye bye
Bye bye Johnny
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Renato Russo
Dezesseis
João Roberto era o maioral, o nosso Johnny era um cara legal
Ele tinha um Opala metálico azul
Era o rei dos pegas na Asa Sul e e todo lugar
Quando ele pegava no violão
Conquistava as meninas e quem mais quisesse ver
Sabia tudo da Janis, do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones
Ms de uns tempos pra cá meio sem querer alguma coisa aconteceu
Johnny andava meio quieto demais só que quase ninguém percebeu
Johnny estava com um sorriso estranho
Quando marcou um super pega no fim-de-semana
Não vai ser no CASEB, nem no Lago Norte nem na UnB
As máquinas prontas, o ronco de motor
A cidade inteira se movimentou
E Johhny disse: - Eu vou pra Curva do Diabo em Sobradinho e vocês?
E os motores saíram ligados a mil
Pra estrada da morte, o maior pega que existiu
Só deu pra ouvir foi aquela explosão
E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão
No dia seguinte falou o diretor:
- O aluno João Roberto não está mais entre nós
Ele só tinha dezesseis
Que isso sirva de aviso pra vocês
E na saída da aula foi estranho e bonito
Todo mundo cantando baixinho:
Strawberry Fields Forever
Strawberry Fields Forever
E até hoje quem se lembra diz que não foi o caminhão
Nem a curva fatal e nem a explosão
Johnny era fera demais pra vacilar assim
E o que dizem é que tudo foi por causa de um coração partido
Um coração
Bye bye Johnny
Johnny bye bye
Bye bye Johnny
Ele tinha um Opala metálico azul
Era o rei dos pegas na Asa Sul e e todo lugar
Quando ele pegava no violão
Conquistava as meninas e quem mais quisesse ver
Sabia tudo da Janis, do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones
Ms de uns tempos pra cá meio sem querer alguma coisa aconteceu
Johnny andava meio quieto demais só que quase ninguém percebeu
Johnny estava com um sorriso estranho
Quando marcou um super pega no fim-de-semana
Não vai ser no CASEB, nem no Lago Norte nem na UnB
As máquinas prontas, o ronco de motor
A cidade inteira se movimentou
E Johhny disse: - Eu vou pra Curva do Diabo em Sobradinho e vocês?
E os motores saíram ligados a mil
Pra estrada da morte, o maior pega que existiu
Só deu pra ouvir foi aquela explosão
E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão
No dia seguinte falou o diretor:
- O aluno João Roberto não está mais entre nós
Ele só tinha dezesseis
Que isso sirva de aviso pra vocês
E na saída da aula foi estranho e bonito
Todo mundo cantando baixinho:
Strawberry Fields Forever
Strawberry Fields Forever
E até hoje quem se lembra diz que não foi o caminhão
Nem a curva fatal e nem a explosão
Johnny era fera demais pra vacilar assim
E o que dizem é que tudo foi por causa de um coração partido
Um coração
Bye bye Johnny
Johnny bye bye
Bye bye Johnny
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Tasso da Silveira
Sonho Vago
Ó branca e luminosa!
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
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Ricardo Moraes Ferreira
Desemprego
Tira do homem seu pão e seu emprego
O orgulho próprio e toda dignidade
Se tira da vida a paz e o sossego
Dizendo que o fazes por prosperidade
Por sorte de quem achaca-se o homem?
Dos lucros mesquinhos - Desumanidade
Pergunta que a todas cabeças consomem
Quem é consciente bem sabe a verdade.
É pelo dinheiro, pelo vil metal
A ganância é o mal de todo egoísta
Em tudo só vê o que é o Capital.
Pisando em todos, avilta e conquista
Se esquece que Deus é do homem igual
E que nada no mundo lhe foge da vista.
O orgulho próprio e toda dignidade
Se tira da vida a paz e o sossego
Dizendo que o fazes por prosperidade
Por sorte de quem achaca-se o homem?
Dos lucros mesquinhos - Desumanidade
Pergunta que a todas cabeças consomem
Quem é consciente bem sabe a verdade.
É pelo dinheiro, pelo vil metal
A ganância é o mal de todo egoísta
Em tudo só vê o que é o Capital.
Pisando em todos, avilta e conquista
Se esquece que Deus é do homem igual
E que nada no mundo lhe foge da vista.
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Sérgio de Castro Pinto
1979: Ano I da Criança Brasileira
criança que pratica esporte
respeita as regras do jogo
criança que pratica esporte
respeita as regras do logro
criança que pratica esporte
respeita as regras do ogro
criança que pratica esporte
respeita as regras do lobo
criança que pratica esporte
respeita as regras da globo
respeita as regras do jogo
criança que pratica esporte
respeita as regras do logro
criança que pratica esporte
respeita as regras do ogro
criança que pratica esporte
respeita as regras do lobo
criança que pratica esporte
respeita as regras da globo
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João Augusto Sampaio
Gaia
Três seios tem Gaia no Morro de São Paulo
Seno/cosseno: Primeira Praia
Seno/cosseno: Segunda Praia
Seno/cosseno: Terceira Praia
Seno/cosseno: Primeira Praia
Seno/cosseno: Segunda Praia
Seno/cosseno: Terceira Praia
944
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Renato Russo
Aloha
Será que ninguém vê o caos em que vivemos
Os jovens são tão jovens e fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E sempre penso em sexo, oh yeah!
Todo adulto tem inveja dos mais jovens
A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar porque é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei
Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!
E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir mentir mentir
E matar matar matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
E cresçam logo as crianças
Os jovens são tão jovens e fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E sempre penso em sexo, oh yeah!
Todo adulto tem inveja dos mais jovens
A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar porque é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei
Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!
E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir mentir mentir
E matar matar matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
E cresçam logo as crianças
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1
Núbia Marques
Tacto
Meu tacto-tateia-tonal no teu corpo
traumáticas-transidas-lembranças
tentando-contacto-intacto
tonteia-tensa-terna
na epiderme medonha carne
táctil-corpo-dútil-argamassa
Tenaz-tentativa-encontro
transitando corpo-espaço
tento-ativa
atenta segurança braço-aço
titubeio entre seio-anseio
trágica nelvrágica pálida-pele
bipartindo-patético-pasmos
plasmados-armados-magoados.
traumáticas-transidas-lembranças
tentando-contacto-intacto
tonteia-tensa-terna
na epiderme medonha carne
táctil-corpo-dútil-argamassa
Tenaz-tentativa-encontro
transitando corpo-espaço
tento-ativa
atenta segurança braço-aço
titubeio entre seio-anseio
trágica nelvrágica pálida-pele
bipartindo-patético-pasmos
plasmados-armados-magoados.
1 021
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Núbia Marques
Tacto
Meu tacto-tateia-tonal no teu corpo
traumáticas-transidas-lembranças
tentando-contacto-intacto
tonteia-tensa-terna
na epiderme medonha carne
táctil-corpo-dútil-argamassa
Tenaz-tentativa-encontro
transitando corpo-espaço
tento-ativa
atenta segurança braço-aço
titubeio entre seio-anseio
trágica nelvrágica pálida-pele
bipartindo-patético-pasmos
plasmados-armados-magoados.
traumáticas-transidas-lembranças
tentando-contacto-intacto
tonteia-tensa-terna
na epiderme medonha carne
táctil-corpo-dútil-argamassa
Tenaz-tentativa-encontro
transitando corpo-espaço
tento-ativa
atenta segurança braço-aço
titubeio entre seio-anseio
trágica nelvrágica pálida-pele
bipartindo-patético-pasmos
plasmados-armados-magoados.
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Otacílio de Azevedo
Catavento
"Alto, de frente ao revoltoso oceano,
e exposto à eterna rispidez do vento,
levanta-se ao prestígio soberano
dos músculos de ferro, o catavento.
Pulse-lhe a vida a cada movimento
e parece oxidar-lhe o desengano,
quando se lhe transforma num lamento
todo o seu vão clamor, vezes humano.
Pregado ao solo, numa infinda mágoa,
de mil sonhos, talvez, sobre os escombros,
chora, enchendo de pranto a caixa d’água...
É que ele, preso à angústia de existir,
sente a revolta de suster, aos ombros,
asas de ferro, e não poder subir!"
e exposto à eterna rispidez do vento,
levanta-se ao prestígio soberano
dos músculos de ferro, o catavento.
Pulse-lhe a vida a cada movimento
e parece oxidar-lhe o desengano,
quando se lhe transforma num lamento
todo o seu vão clamor, vezes humano.
Pregado ao solo, numa infinda mágoa,
de mil sonhos, talvez, sobre os escombros,
chora, enchendo de pranto a caixa d’água...
É que ele, preso à angústia de existir,
sente a revolta de suster, aos ombros,
asas de ferro, e não poder subir!"
1 898
1
Otacílio de Azevedo
Catavento
"Alto, de frente ao revoltoso oceano,
e exposto à eterna rispidez do vento,
levanta-se ao prestígio soberano
dos músculos de ferro, o catavento.
Pulse-lhe a vida a cada movimento
e parece oxidar-lhe o desengano,
quando se lhe transforma num lamento
todo o seu vão clamor, vezes humano.
Pregado ao solo, numa infinda mágoa,
de mil sonhos, talvez, sobre os escombros,
chora, enchendo de pranto a caixa d’água...
É que ele, preso à angústia de existir,
sente a revolta de suster, aos ombros,
asas de ferro, e não poder subir!"
e exposto à eterna rispidez do vento,
levanta-se ao prestígio soberano
dos músculos de ferro, o catavento.
Pulse-lhe a vida a cada movimento
e parece oxidar-lhe o desengano,
quando se lhe transforma num lamento
todo o seu vão clamor, vezes humano.
Pregado ao solo, numa infinda mágoa,
de mil sonhos, talvez, sobre os escombros,
chora, enchendo de pranto a caixa d’água...
É que ele, preso à angústia de existir,
sente a revolta de suster, aos ombros,
asas de ferro, e não poder subir!"
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Nelson Ascher
Hölderlin
p/ Antonio Medina Rodrigues
Luz não se vê tão límpida
quanto, inundando a casa,
aquela que extravasa
fugaz de qualquer lâmpada
que, de repente, exalte-
-se e atinja, por um átimo,
à beira do blecaute
mais último, seu ótimo.
Cega ao fulgor, a orelha
talvez capte de esguelha
um ultra-som que, esgar-
çador como um lamento,
provém do filamento
no afã de se queimar.
Luz não se vê tão límpida
quanto, inundando a casa,
aquela que extravasa
fugaz de qualquer lâmpada
que, de repente, exalte-
-se e atinja, por um átimo,
à beira do blecaute
mais último, seu ótimo.
Cega ao fulgor, a orelha
talvez capte de esguelha
um ultra-som que, esgar-
çador como um lamento,
provém do filamento
no afã de se queimar.
1 003
1
Natércia Freire
Regresso
Quem é? Quem vem?
A porta não estacou
e todos pela mesa olham pasmados.
Só eu amimo a voz:
— Olhem quem vem! Reparem quem voltou!
Rolam silêncios fundos e pesados.
Imóvel no meu barco de luar,
os meus olhos venceram as ramadas.
Música longa... Um sino a palpitar.
Calçadas e calçadas...
Presépios com pastores de palmo e meio.
Velas que são faróis... Cresceu a bruma.
Deitem-me assim, num jeito de menina,
e envolvam-me de espuma.
— Olhem quem vem! Reparem quem voltou,
que tem os braços que eu gritei além!
— Vou com ele, não volto, minha Mãe!
Vou com ele nos uivos da tormenta,
com ele vou pregada na paixão.
Medo de quê? Oceanos azulados...
Medo de quê? Neblinas e canções...
— Dentro do Espaço adoçam-se pecados
e morrem solidões.
Sem braços me tomou na posse enorme.
Roçou-me os lábios, simples sem ter boca.
Ele é quem diz: — Sossega, dorme, dorme...
E nunca mais me toca!
As tardes, mesmo ao longo dos casais,
cegos: falas de gestos a ninguém...
Quem é? Quem vem?
Para sempre me tomou ...
— Vou com ele, não volto, minha Mãe!
A porta não estacou
e todos pela mesa olham pasmados.
Só eu amimo a voz:
— Olhem quem vem! Reparem quem voltou!
Rolam silêncios fundos e pesados.
Imóvel no meu barco de luar,
os meus olhos venceram as ramadas.
Música longa... Um sino a palpitar.
Calçadas e calçadas...
Presépios com pastores de palmo e meio.
Velas que são faróis... Cresceu a bruma.
Deitem-me assim, num jeito de menina,
e envolvam-me de espuma.
— Olhem quem vem! Reparem quem voltou,
que tem os braços que eu gritei além!
— Vou com ele, não volto, minha Mãe!
Vou com ele nos uivos da tormenta,
com ele vou pregada na paixão.
Medo de quê? Oceanos azulados...
Medo de quê? Neblinas e canções...
— Dentro do Espaço adoçam-se pecados
e morrem solidões.
Sem braços me tomou na posse enorme.
Roçou-me os lábios, simples sem ter boca.
Ele é quem diz: — Sossega, dorme, dorme...
E nunca mais me toca!
As tardes, mesmo ao longo dos casais,
cegos: falas de gestos a ninguém...
Quem é? Quem vem?
Para sempre me tomou ...
— Vou com ele, não volto, minha Mãe!
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Natércia Freire
Regresso
Quem é? Quem vem?
A porta não estacou
e todos pela mesa olham pasmados.
Só eu amimo a voz:
— Olhem quem vem! Reparem quem voltou!
Rolam silêncios fundos e pesados.
Imóvel no meu barco de luar,
os meus olhos venceram as ramadas.
Música longa... Um sino a palpitar.
Calçadas e calçadas...
Presépios com pastores de palmo e meio.
Velas que são faróis... Cresceu a bruma.
Deitem-me assim, num jeito de menina,
e envolvam-me de espuma.
— Olhem quem vem! Reparem quem voltou,
que tem os braços que eu gritei além!
— Vou com ele, não volto, minha Mãe!
Vou com ele nos uivos da tormenta,
com ele vou pregada na paixão.
Medo de quê? Oceanos azulados...
Medo de quê? Neblinas e canções...
— Dentro do Espaço adoçam-se pecados
e morrem solidões.
Sem braços me tomou na posse enorme.
Roçou-me os lábios, simples sem ter boca.
Ele é quem diz: — Sossega, dorme, dorme...
E nunca mais me toca!
As tardes, mesmo ao longo dos casais,
cegos: falas de gestos a ninguém...
Quem é? Quem vem?
Para sempre me tomou ...
— Vou com ele, não volto, minha Mãe!
A porta não estacou
e todos pela mesa olham pasmados.
Só eu amimo a voz:
— Olhem quem vem! Reparem quem voltou!
Rolam silêncios fundos e pesados.
Imóvel no meu barco de luar,
os meus olhos venceram as ramadas.
Música longa... Um sino a palpitar.
Calçadas e calçadas...
Presépios com pastores de palmo e meio.
Velas que são faróis... Cresceu a bruma.
Deitem-me assim, num jeito de menina,
e envolvam-me de espuma.
— Olhem quem vem! Reparem quem voltou,
que tem os braços que eu gritei além!
— Vou com ele, não volto, minha Mãe!
Vou com ele nos uivos da tormenta,
com ele vou pregada na paixão.
Medo de quê? Oceanos azulados...
Medo de quê? Neblinas e canções...
— Dentro do Espaço adoçam-se pecados
e morrem solidões.
Sem braços me tomou na posse enorme.
Roçou-me os lábios, simples sem ter boca.
Ele é quem diz: — Sossega, dorme, dorme...
E nunca mais me toca!
As tardes, mesmo ao longo dos casais,
cegos: falas de gestos a ninguém...
Quem é? Quem vem?
Para sempre me tomou ...
— Vou com ele, não volto, minha Mãe!
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1
Fernando Py
Sextina 2
A Cyro Pimentel
A vida me anoitece
de sofrê-la no açoite
e vivê-la vazio
da beleza que a tece
— mudo me faço e noite
cego surdo e sombrio.
O futuro é sombrio
quando a alma anoitece
e me engolfo na noite
e me entrego ao açoite
— voltas que a vida tece
nesse abismo vazio.
De coração vazio
escondo-me em sombrio
casulo que me tece
a vida que anoitece
a alma ao pleno açoite
que me oferece a noite.
Faço-me a própria noite
e em minhalma o vazio
silêncio lembra o açoite
latejante sombrio
da idade que anoitece
— fiação que me tece.
Pois tudo que me tece
lembra a pedra da noite
no peito que anoitece
— a alma sente o vazio
desse peso sombrio
à maneira de açoite.
Claro nítido açoite
é o que a vida me tece
extraindo o sombrio
refugo dessa noite
— deixa na alma o vazio
do corpo que anoitece.
Este açoite anoitece
e me tece vazio
no sombrio da noite.
A vida me anoitece
de sofrê-la no açoite
e vivê-la vazio
da beleza que a tece
— mudo me faço e noite
cego surdo e sombrio.
O futuro é sombrio
quando a alma anoitece
e me engolfo na noite
e me entrego ao açoite
— voltas que a vida tece
nesse abismo vazio.
De coração vazio
escondo-me em sombrio
casulo que me tece
a vida que anoitece
a alma ao pleno açoite
que me oferece a noite.
Faço-me a própria noite
e em minhalma o vazio
silêncio lembra o açoite
latejante sombrio
da idade que anoitece
— fiação que me tece.
Pois tudo que me tece
lembra a pedra da noite
no peito que anoitece
— a alma sente o vazio
desse peso sombrio
à maneira de açoite.
Claro nítido açoite
é o que a vida me tece
extraindo o sombrio
refugo dessa noite
— deixa na alma o vazio
do corpo que anoitece.
Este açoite anoitece
e me tece vazio
no sombrio da noite.
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Natália Correia
Retrato Talvez Saudoso
da Menina Insular
Tinha o tamanho da praia
o corpo era de areia.
E ele próprio era o início
do mar que o continuava.
Destino de água salgada
principiado na veia.
E quando as mãos se estenderam
a todo o seu comprimento
e quando os olhos desceram
a toda a sua fundura
teve o sinal que anuncia
o sonho da criatura.
Largou o sonho nos barcos
que dos seus dedos partiam
que dos seus dedos paisagens
países antecediam.
E quando o seu corpo se ergueu
Voltado para o desengano
só ficou tranqüilidade
na linha daquele além.
Guardada na claridade
do olhar que a retém.
Tinha o tamanho da praia
o corpo era de areia.
E ele próprio era o início
do mar que o continuava.
Destino de água salgada
principiado na veia.
E quando as mãos se estenderam
a todo o seu comprimento
e quando os olhos desceram
a toda a sua fundura
teve o sinal que anuncia
o sonho da criatura.
Largou o sonho nos barcos
que dos seus dedos partiam
que dos seus dedos paisagens
países antecediam.
E quando o seu corpo se ergueu
Voltado para o desengano
só ficou tranqüilidade
na linha daquele além.
Guardada na claridade
do olhar que a retém.
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1
Papiniano Carlos
Canção
Na fome verde das searas roxas
passeava sorrindo Catarina.
Na fome verde das searas roxas
ai a papoula cresce na campina!
Na fome roxa das searas negras
que levas, Catarina, em tua fronte?
Na fome roxa das searas negras
ai devoravam os corvos o horizonte!
Na fome negra das searas rubras
ai da papoula, ai de Catarina!
Na fome negra das searas rubras
trinta balas gritaram na campina.
Trinta balas
te mataram a fome, Catarina.
passeava sorrindo Catarina.
Na fome verde das searas roxas
ai a papoula cresce na campina!
Na fome roxa das searas negras
que levas, Catarina, em tua fronte?
Na fome roxa das searas negras
ai devoravam os corvos o horizonte!
Na fome negra das searas rubras
ai da papoula, ai de Catarina!
Na fome negra das searas rubras
trinta balas gritaram na campina.
Trinta balas
te mataram a fome, Catarina.
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1
Pedro de Alcântara
Soneto
Não maldigo o rigor da iníqua sorte,
Por mais atroz que seja e sem piedade,
Arrancando-me o trono e a majestade
Quando a dois passos só estou da morte!
Do pego das paixões minha alma forte
Conhece a fundo a triste realidade,
Pois se agora nos dá felicidade
Amanhã tira o bem, que nos conforte.
Mas a dor que excrucia, a que maltrata,
A dor cruel que o ânimo deplora
Que fere o coração e quase o mata,
É ver da mão fugir à extrema hora
A mesma boca lisonjeira e ingrata
Que tantos beijos nela pôs outrora!
Por mais atroz que seja e sem piedade,
Arrancando-me o trono e a majestade
Quando a dois passos só estou da morte!
Do pego das paixões minha alma forte
Conhece a fundo a triste realidade,
Pois se agora nos dá felicidade
Amanhã tira o bem, que nos conforte.
Mas a dor que excrucia, a que maltrata,
A dor cruel que o ânimo deplora
Que fere o coração e quase o mata,
É ver da mão fugir à extrema hora
A mesma boca lisonjeira e ingrata
Que tantos beijos nela pôs outrora!
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Myriam Fraga
Liberdade
Tardo é o tempo da escolha
(Desespero de então saber-se exato)
Já edificada a mente
E o corpo
Coagulado em rígido horóscopo.
Prisioneiro de antigas trajetórias
Quando mediu-se rumo
E permanência
E no tempo projetou-se o itinerário.
Antes da escolha — o homem
A cartilagem,
Sua carapaça de gesso repetida,
A face anterior
Criada em série.
Apodrecido no íntimo
Âmago (ou silêncio)
Nos pés a ferrugem,
A grilheta da classe,
O caminho traçado,
O pai,
Ou o que chamamos destino.
(Desespero de então saber-se exato)
Já edificada a mente
E o corpo
Coagulado em rígido horóscopo.
Prisioneiro de antigas trajetórias
Quando mediu-se rumo
E permanência
E no tempo projetou-se o itinerário.
Antes da escolha — o homem
A cartilagem,
Sua carapaça de gesso repetida,
A face anterior
Criada em série.
Apodrecido no íntimo
Âmago (ou silêncio)
Nos pés a ferrugem,
A grilheta da classe,
O caminho traçado,
O pai,
Ou o que chamamos destino.
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Myriam Fraga
Liberdade
Tardo é o tempo da escolha
(Desespero de então saber-se exato)
Já edificada a mente
E o corpo
Coagulado em rígido horóscopo.
Prisioneiro de antigas trajetórias
Quando mediu-se rumo
E permanência
E no tempo projetou-se o itinerário.
Antes da escolha — o homem
A cartilagem,
Sua carapaça de gesso repetida,
A face anterior
Criada em série.
Apodrecido no íntimo
Âmago (ou silêncio)
Nos pés a ferrugem,
A grilheta da classe,
O caminho traçado,
O pai,
Ou o que chamamos destino.
(Desespero de então saber-se exato)
Já edificada a mente
E o corpo
Coagulado em rígido horóscopo.
Prisioneiro de antigas trajetórias
Quando mediu-se rumo
E permanência
E no tempo projetou-se o itinerário.
Antes da escolha — o homem
A cartilagem,
Sua carapaça de gesso repetida,
A face anterior
Criada em série.
Apodrecido no íntimo
Âmago (ou silêncio)
Nos pés a ferrugem,
A grilheta da classe,
O caminho traçado,
O pai,
Ou o que chamamos destino.
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