Poemas neste tema
Vida e Existência
Antero de Quental
Consolai
Se eu pudesse, diria eternamente
Aos flagelados e desiludidos,
Que sobre a Terra os grandes bens perdidos
São a posse da luz resplancente.
A dor mais rude, a mágoa mais pungente,
Os soluços, os prantos, os gemidos
Entre as almas são louros repartidos
Muito longe da Terra impenitente.
Oh! se eu pudesse, iria em altos brados
Libertar corações escravizados
Sob o guante de enigmas profundos!
Mas, dizei-lhes, ó vós que estais na Terra,
Que a luz espiritual da dor encerra
A ventura imortal de outros mundos!
Aos flagelados e desiludidos,
Que sobre a Terra os grandes bens perdidos
São a posse da luz resplancente.
A dor mais rude, a mágoa mais pungente,
Os soluços, os prantos, os gemidos
Entre as almas são louros repartidos
Muito longe da Terra impenitente.
Oh! se eu pudesse, iria em altos brados
Libertar corações escravizados
Sob o guante de enigmas profundos!
Mas, dizei-lhes, ó vós que estais na Terra,
Que a luz espiritual da dor encerra
A ventura imortal de outros mundos!
1 713
Álvares de Azevedo
EPITÁFIO
NO TÚMULO DO MEU AMIGO
JOÃO BAPTISTA DA SILVA PEREIRA JÚNIOR
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Perdão, meu Deus, se a túnica da vida...
Insano profanei-a nos amores!
Se da c'roa dos sonhos perfumados
Eu próprio desfolhei as róseas flores!
No vaso impuro corrompeu-se o néctar,
A argila da existência desbotou-me...
O sol de tua gloria abriu-me as pálpebras,
Da nódoa das paixões purificou-me!
E quantos sonhos na ilusão da vida!
Quanta esperança no futuro ainda!
Tudo calou-se pela noite eterna...
E eu vago errante e só na treva infinda...
Alma em fogo, sedenta de infinito,
Num mundo de visões o vôo abrindo,
Como o vento do mar no céu noturno
Entre as nuvens de Deus passei dormindo!
A vida é noite! o sol tem véu de sangue...
Tateia a sombra a geração descrida!...
Acorda-te, mortal! é no sepulcro
Que a larva humana se desperta à vida!
Quando as harpas do peito a morte estala,
Um treno de pavor soluça e voa...
E a nota divinal que rompe as fibras
Nas dulias angélicas ecoa!
JOÃO BAPTISTA DA SILVA PEREIRA JÚNIOR
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Perdão, meu Deus, se a túnica da vida...
Insano profanei-a nos amores!
Se da c'roa dos sonhos perfumados
Eu próprio desfolhei as róseas flores!
No vaso impuro corrompeu-se o néctar,
A argila da existência desbotou-me...
O sol de tua gloria abriu-me as pálpebras,
Da nódoa das paixões purificou-me!
E quantos sonhos na ilusão da vida!
Quanta esperança no futuro ainda!
Tudo calou-se pela noite eterna...
E eu vago errante e só na treva infinda...
Alma em fogo, sedenta de infinito,
Num mundo de visões o vôo abrindo,
Como o vento do mar no céu noturno
Entre as nuvens de Deus passei dormindo!
A vida é noite! o sol tem véu de sangue...
Tateia a sombra a geração descrida!...
Acorda-te, mortal! é no sepulcro
Que a larva humana se desperta à vida!
Quando as harpas do peito a morte estala,
Um treno de pavor soluça e voa...
E a nota divinal que rompe as fibras
Nas dulias angélicas ecoa!
2 589
Álvares de Azevedo
EPITÁFIO
NO TÚMULO DO MEU AMIGO
JOÃO BAPTISTA DA SILVA PEREIRA JÚNIOR
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Perdão, meu Deus, se a túnica da vida...
Insano profanei-a nos amores!
Se da c'roa dos sonhos perfumados
Eu próprio desfolhei as róseas flores!
No vaso impuro corrompeu-se o néctar,
A argila da existência desbotou-me...
O sol de tua gloria abriu-me as pálpebras,
Da nódoa das paixões purificou-me!
E quantos sonhos na ilusão da vida!
Quanta esperança no futuro ainda!
Tudo calou-se pela noite eterna...
E eu vago errante e só na treva infinda...
Alma em fogo, sedenta de infinito,
Num mundo de visões o vôo abrindo,
Como o vento do mar no céu noturno
Entre as nuvens de Deus passei dormindo!
A vida é noite! o sol tem véu de sangue...
Tateia a sombra a geração descrida!...
Acorda-te, mortal! é no sepulcro
Que a larva humana se desperta à vida!
Quando as harpas do peito a morte estala,
Um treno de pavor soluça e voa...
E a nota divinal que rompe as fibras
Nas dulias angélicas ecoa!
JOÃO BAPTISTA DA SILVA PEREIRA JÚNIOR
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Perdão, meu Deus, se a túnica da vida...
Insano profanei-a nos amores!
Se da c'roa dos sonhos perfumados
Eu próprio desfolhei as róseas flores!
No vaso impuro corrompeu-se o néctar,
A argila da existência desbotou-me...
O sol de tua gloria abriu-me as pálpebras,
Da nódoa das paixões purificou-me!
E quantos sonhos na ilusão da vida!
Quanta esperança no futuro ainda!
Tudo calou-se pela noite eterna...
E eu vago errante e só na treva infinda...
Alma em fogo, sedenta de infinito,
Num mundo de visões o vôo abrindo,
Como o vento do mar no céu noturno
Entre as nuvens de Deus passei dormindo!
A vida é noite! o sol tem véu de sangue...
Tateia a sombra a geração descrida!...
Acorda-te, mortal! é no sepulcro
Que a larva humana se desperta à vida!
Quando as harpas do peito a morte estala,
Um treno de pavor soluça e voa...
E a nota divinal que rompe as fibras
Nas dulias angélicas ecoa!
2 589
Augusto dos Anjos
Caput Immortale
Na dinâmica aziaga das descidas,
Aglomeradamente e em turbilhão
Solucem dentro do Universo ancião,
Todas as urbes siderais vencidas!
Morra o éter. Cesse a luz. Parem as vidas,
Sobre a pancosmológica exaustão
Reste apenas o acervo árido e vão
Das muscularidades consumidas!
Ainda assim, a animar o cosmos ermo,
Morto o comércio físico nefando,
Oh! Nauta aflito do Subliminal,
Como a última expressão da Dor sem termo,
Tua cabeça há de ficar vibrando
Na negatividade universal!
Aglomeradamente e em turbilhão
Solucem dentro do Universo ancião,
Todas as urbes siderais vencidas!
Morra o éter. Cesse a luz. Parem as vidas,
Sobre a pancosmológica exaustão
Reste apenas o acervo árido e vão
Das muscularidades consumidas!
Ainda assim, a animar o cosmos ermo,
Morto o comércio físico nefando,
Oh! Nauta aflito do Subliminal,
Como a última expressão da Dor sem termo,
Tua cabeça há de ficar vibrando
Na negatividade universal!
1 794
Álvares de Azevedo
MINHA MUSA
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Minha musa é a lembrança
Dos sonhos em que eu vivi,
É de uns lábios a esperança
E a saudade que eu nutri!
É a crença que alentei,
As luas belas que amei
E os olhos por quem morri!
Os meus cantos de saudade
São amores que eu chorei,
São lírios da mocidade
Que murcham porque te amei!
As minhas notas ardentes
São as lágrimas dementes
Que em teu seio derramei!
Do meu outono os desfolhos,
Os astros do teu verão,
A languidez de teus olhos
Inspiram minha canção...
Sou poeta porque és bela,
Tenho em teus olhos, donzela,
A musa do coração!
Se na lira voluptuosa
Entre as fibras que estalei
Um dia atei uma rosa
Cujo aroma respirei...
Foi nas noites de ventura,
Quando em tua formosura
Meus lábios embriaguei!
E se tu queres, donzela,
Sentir minh'alma vibrar,
Solta essa trança tão bela,
Quero nela suspirar!
E dá repousar-me teu seio...
Ouvirás no devaneio
A minha lira cantar!
Segunda Parte
Minha musa é a lembrança
Dos sonhos em que eu vivi,
É de uns lábios a esperança
E a saudade que eu nutri!
É a crença que alentei,
As luas belas que amei
E os olhos por quem morri!
Os meus cantos de saudade
São amores que eu chorei,
São lírios da mocidade
Que murcham porque te amei!
As minhas notas ardentes
São as lágrimas dementes
Que em teu seio derramei!
Do meu outono os desfolhos,
Os astros do teu verão,
A languidez de teus olhos
Inspiram minha canção...
Sou poeta porque és bela,
Tenho em teus olhos, donzela,
A musa do coração!
Se na lira voluptuosa
Entre as fibras que estalei
Um dia atei uma rosa
Cujo aroma respirei...
Foi nas noites de ventura,
Quando em tua formosura
Meus lábios embriaguei!
E se tu queres, donzela,
Sentir minh'alma vibrar,
Solta essa trança tão bela,
Quero nela suspirar!
E dá repousar-me teu seio...
Ouvirás no devaneio
A minha lira cantar!
3 008
Álvares de Azevedo
RELÓGIOS E BEIJOS
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
TRADUZIDO DE HENRIQUE HEINE
Quem os relógios inventou? Decerto
Algum homem sombrio e friorento:
Numa noite de inverno, tristemente
Sentado na lareira ele cismava,
Ouvindo os ratos a roer na alcova
E o palpitar monótono do pulso.
Quem o beijo inventou? Foi lábio ardente,
Foi boca venturosa, que vivia
Sem um cuidado mais que dar beijinhos...
Era no mês de maio. As flores cândidas
A mil abriam sobre a terra verde,
O sol brilhou mais vivo em céu d'esmalte
E cantaram mais doce os passarinhos.
Segunda Parte
TRADUZIDO DE HENRIQUE HEINE
Quem os relógios inventou? Decerto
Algum homem sombrio e friorento:
Numa noite de inverno, tristemente
Sentado na lareira ele cismava,
Ouvindo os ratos a roer na alcova
E o palpitar monótono do pulso.
Quem o beijo inventou? Foi lábio ardente,
Foi boca venturosa, que vivia
Sem um cuidado mais que dar beijinhos...
Era no mês de maio. As flores cândidas
A mil abriam sobre a terra verde,
O sol brilhou mais vivo em céu d'esmalte
E cantaram mais doce os passarinhos.
2 150
Felipe Larson
DIA ETERNO
Mas você e eu, vivemos e morremos...
Mas o mundo não entende...
E nós não sabemos por quê?
Mas entenda, isso é uma vida.
E viver é preciso
É uma dor que temos que sentir dentro de nós
Então aprenda a viver um dia de cada vez
E será feliz
Então me diga o que você fez
Pra dizer que é apenas um aprendiz
Ainda não conheci o amor
Ainda não aprendi a vencer
O que adianta nadar contra corrente
Se vou continuar no mesmo lugar
Mas às vezes ter força de vontade é bom
Querer lutar como se fosse sua ultima vida
Mostre toda sua força
Mostre todo o seu poder
Se os jardins dos leões rugissem
Anunciando a chegada de um novo dia eterno
Mas o mundo não entende...
E nós não sabemos por quê?
Mas entenda, isso é uma vida.
E viver é preciso
É uma dor que temos que sentir dentro de nós
Então aprenda a viver um dia de cada vez
E será feliz
Então me diga o que você fez
Pra dizer que é apenas um aprendiz
Ainda não conheci o amor
Ainda não aprendi a vencer
O que adianta nadar contra corrente
Se vou continuar no mesmo lugar
Mas às vezes ter força de vontade é bom
Querer lutar como se fosse sua ultima vida
Mostre toda sua força
Mostre todo o seu poder
Se os jardins dos leões rugissem
Anunciando a chegada de um novo dia eterno
717
Felipe Larson
DIA ETERNO
Mas você e eu, vivemos e morremos...
Mas o mundo não entende...
E nós não sabemos por quê?
Mas entenda, isso é uma vida.
E viver é preciso
É uma dor que temos que sentir dentro de nós
Então aprenda a viver um dia de cada vez
E será feliz
Então me diga o que você fez
Pra dizer que é apenas um aprendiz
Ainda não conheci o amor
Ainda não aprendi a vencer
O que adianta nadar contra corrente
Se vou continuar no mesmo lugar
Mas às vezes ter força de vontade é bom
Querer lutar como se fosse sua ultima vida
Mostre toda sua força
Mostre todo o seu poder
Se os jardins dos leões rugissem
Anunciando a chegada de um novo dia eterno
Mas o mundo não entende...
E nós não sabemos por quê?
Mas entenda, isso é uma vida.
E viver é preciso
É uma dor que temos que sentir dentro de nós
Então aprenda a viver um dia de cada vez
E será feliz
Então me diga o que você fez
Pra dizer que é apenas um aprendiz
Ainda não conheci o amor
Ainda não aprendi a vencer
O que adianta nadar contra corrente
Se vou continuar no mesmo lugar
Mas às vezes ter força de vontade é bom
Querer lutar como se fosse sua ultima vida
Mostre toda sua força
Mostre todo o seu poder
Se os jardins dos leões rugissem
Anunciando a chegada de um novo dia eterno
717
Felipe Larson
FICÇÃO DE AURORA
Que sentimento estranho veio bater em mim
É uma dor, que não é tão ruim assim...
Que vai e vem, que eu nem sei o que eu vou sentir.
Mas não posso ter tantas dúvidas
Que um dia alguém vem e vem pra me machucar
Então não sei se me entrego ou se eu luto
Isso eu não sei
Mas não quero ficar sem saber direito o que é
Pode ser alguma coisa que está dentro de mim
E eu tenho muito medo de sentir que tudo é uma ficção,
Não, não é por isso que eu vou me render.
Ao prazer de ser seduzido sem ter quem seduzir
Mas a ilusão de querer o que eu não posso ter
Mas não sou a areia que esculpe o corpo da sereia
Que vem e se deita sem dar bola a tudo em sua volta
Mas que chama a atenção de quem acreditou na ficção de aurora
Estranho, não acha? Tudo que é ouro agora é prata
Não tem valor algum, nem pra mim e nem pra ti.
Mas aos cegos que dizem estar de olhos abertos
Pra tudo e a todos
Acreditar e acreditar, mesmo sabendo a resposta.
Que não é a esperada por nos que somos humanos
De uma nova geração
Então foda-se tudo que não quero mais pra mim
E pretendo mudar meu endereco, pra longe daqui.
Pra não ter que salvar um bando de folgados
Como alguns de nós
É uma dor, que não é tão ruim assim...
Que vai e vem, que eu nem sei o que eu vou sentir.
Mas não posso ter tantas dúvidas
Que um dia alguém vem e vem pra me machucar
Então não sei se me entrego ou se eu luto
Isso eu não sei
Mas não quero ficar sem saber direito o que é
Pode ser alguma coisa que está dentro de mim
E eu tenho muito medo de sentir que tudo é uma ficção,
Não, não é por isso que eu vou me render.
Ao prazer de ser seduzido sem ter quem seduzir
Mas a ilusão de querer o que eu não posso ter
Mas não sou a areia que esculpe o corpo da sereia
Que vem e se deita sem dar bola a tudo em sua volta
Mas que chama a atenção de quem acreditou na ficção de aurora
Estranho, não acha? Tudo que é ouro agora é prata
Não tem valor algum, nem pra mim e nem pra ti.
Mas aos cegos que dizem estar de olhos abertos
Pra tudo e a todos
Acreditar e acreditar, mesmo sabendo a resposta.
Que não é a esperada por nos que somos humanos
De uma nova geração
Então foda-se tudo que não quero mais pra mim
E pretendo mudar meu endereco, pra longe daqui.
Pra não ter que salvar um bando de folgados
Como alguns de nós
644
Antero de Quental
Oceano Nox
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.
2 257
Felipe Larson
DE ONDE VEIO VOCÊ
De onde você veio surgir.
Com tal brilho que ofuscam meus olhos
E me cega, tirando de órbita.
Perdendo a trilha que escreve teu caminho
Como posso me identificar
Além de dizer meu nome
Será o tempo pra você perceber
Então só esperar o dia D
Deixei uma pergunta no ar
Espero sua resposta
E se nada for mudar
Nem responda
Mas se responder diga a verdade pra mim
Assim
O coração poderá sentir
Sem medo de errar
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Esta extravagância já está indo longe demais
O que você diz, e que tudo se desfaz.
Alem do mais,
De onde veio você?
Só o tempo pode dizer
O que acontecerá com nós
Mas tenho medo
Que o tempo possa parar
Seja sincera consigo mesma
Não se engane mais
Pois, depois poderá sentir,
A grande força do amor
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Com tal brilho que ofuscam meus olhos
E me cega, tirando de órbita.
Perdendo a trilha que escreve teu caminho
Como posso me identificar
Além de dizer meu nome
Será o tempo pra você perceber
Então só esperar o dia D
Deixei uma pergunta no ar
Espero sua resposta
E se nada for mudar
Nem responda
Mas se responder diga a verdade pra mim
Assim
O coração poderá sentir
Sem medo de errar
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
Esta extravagância já está indo longe demais
O que você diz, e que tudo se desfaz.
Alem do mais,
De onde veio você?
Só o tempo pode dizer
O que acontecerá com nós
Mas tenho medo
Que o tempo possa parar
Seja sincera consigo mesma
Não se engane mais
Pois, depois poderá sentir,
A grande força do amor
Maravilhosamente oculta
Nossa esquisita forma de amor
858
Álvares de Azevedo
PÁLIDA IMAGEM
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
- J'ai cru que j'oublierais; mais j'avais mal sondé
Les abîmes du coeur que remplit un seul rêve:
Le souvenir est là, le souvenir se lève
Flot toujours renaissant et toujours débordé.
TURQUÉTY
No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças,
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!
Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve......
Treme... como tremia.
Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!
Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!
Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei... só por ti!
Segunda Parte
- J'ai cru que j'oublierais; mais j'avais mal sondé
Les abîmes du coeur que remplit un seul rêve:
Le souvenir est là, le souvenir se lève
Flot toujours renaissant et toujours débordé.
TURQUÉTY
No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças,
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!
Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve......
Treme... como tremia.
Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!
Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!
Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei... só por ti!
2 149
Álvares de Azevedo
PÁLIDA IMAGEM
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
- J'ai cru que j'oublierais; mais j'avais mal sondé
Les abîmes du coeur que remplit un seul rêve:
Le souvenir est là, le souvenir se lève
Flot toujours renaissant et toujours débordé.
TURQUÉTY
No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças,
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!
Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve......
Treme... como tremia.
Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!
Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!
Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei... só por ti!
Segunda Parte
- J'ai cru que j'oublierais; mais j'avais mal sondé
Les abîmes du coeur que remplit un seul rêve:
Le souvenir est là, le souvenir se lève
Flot toujours renaissant et toujours débordé.
TURQUÉTY
No delírio da ardente mocidade
Por tua imagem pálida vivi!
A flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei-a por ti!
O expirar de teu canto lamentoso
Sobre teus lábios que o palor cobria,
Minhas noites de lágrimas ardentes
E de sonhos enchia!
Foi por ti que eu pensei que a vida inteira
Não valia uma lágrima... sequer,
Senão num beijo trêmulo de noite...
Num olhar de mulher!
Mesmo nas horas de um amor insano,
Quando em meus braços outro seio ardia,
A tua imagem pálida passando
A minh'alma perdia.
Sempre e sempre teu rosto! as negras tranças,
Tua alma nos teus olhos se expandindo!
E o colo de cetim que pulsa e geme
E teus lábios sorrindo!
Nas longas horas do sonhar da noite
No teu peito eu sonhava que dormia;
Pousa em meu coração a mão de neve......
Treme... como tremia.
Como palpita agora se afogando
Na morna languidez do teu olhar...
Assim viveu e morrerá sonhando
Em teus seios amar!
Se a vida é lírio que a paixão desflora,
Meu lírio virginal eu conservei...
Somente no passado tive sonhos
E outrora nunca amei!
Foi por ti que na ardente mocidade
Por uma imagem pálida vivi!
E a flor do coração no amor dos anjos
Orvalhei... só por ti!
2 149
Felipe Larson
NÃO LEMBRE DO TEMPO
Perco a estrada, perco a viajem,
Tudo não passa de uma ilusão
E quando volto, lembro da hora,
De que deixei pra trás minha paixão
Quero que saiba, o que sempre soube,
Que eu sou teu homem e você minha mulher
Não embre da hora
Esqueça do tempo
Aproveite o momento e nada mais
Esqueça de tudo
O que move o mundo
Pois é assim que deve ser
Você é desejo, meu desespero,
Você é tudo o que eu sempre quis
E porque choras, não vou embora.
Pois é em meu sonho que encontro você
Pois eu voltei, pra te dizer:
-Venha tornar meu sonho realidade
Então te pergunto:
- Por que não ser assim?
Eu e você, você pra mim, algo sem fim
Tudo não passa de uma ilusão
E quando volto, lembro da hora,
De que deixei pra trás minha paixão
Quero que saiba, o que sempre soube,
Que eu sou teu homem e você minha mulher
Não embre da hora
Esqueça do tempo
Aproveite o momento e nada mais
Esqueça de tudo
O que move o mundo
Pois é assim que deve ser
Você é desejo, meu desespero,
Você é tudo o que eu sempre quis
E porque choras, não vou embora.
Pois é em meu sonho que encontro você
Pois eu voltei, pra te dizer:
-Venha tornar meu sonho realidade
Então te pergunto:
- Por que não ser assim?
Eu e você, você pra mim, algo sem fim
942
Felipe Larson
SEM SENTIDO
Sentado bem perto do abismo
Há dias perdido no deserto
Dormindo sempre com o inimigo
E seguindo a ilusão de estar certo
Não tem medo do perigo
Aceita todos os desafios
Um tiro já não tem sentido
Quando está quase por um fio
Explodindo todos os carros
Um acorde tão desafinado
Acabaram os seus cigarros
O sol ficou abandonado
Desafiando a própria vida
Não corrigiram a ortografia
Arruinando toda a geografia
Que os incas diriam estar perdida
Mas é um Deus
Tem o controle da situação
E não foi por um adeus
Que agora não tem coração
Há dias perdido no deserto
Dormindo sempre com o inimigo
E seguindo a ilusão de estar certo
Não tem medo do perigo
Aceita todos os desafios
Um tiro já não tem sentido
Quando está quase por um fio
Explodindo todos os carros
Um acorde tão desafinado
Acabaram os seus cigarros
O sol ficou abandonado
Desafiando a própria vida
Não corrigiram a ortografia
Arruinando toda a geografia
Que os incas diriam estar perdida
Mas é um Deus
Tem o controle da situação
E não foi por um adeus
Que agora não tem coração
884
Augusto dos Anjos
Amor e Religião
Conheci-o: era um padre, um desses santos
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos
Ouviram dele frases de candura
Que d'infelizes enxugavam prantos!
E como alegres não ficaram tantos
Corações sem prazer e sem ventura!
No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su'alma livre para o Céu se alara.
E Deus lhe disse: "És duas vezes santo,
Pois se da Religião fizeste culto,
Foste do amor o mártir sacrossanto."
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos
Ouviram dele frases de candura
Que d'infelizes enxugavam prantos!
E como alegres não ficaram tantos
Corações sem prazer e sem ventura!
No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su'alma livre para o Céu se alara.
E Deus lhe disse: "És duas vezes santo,
Pois se da Religião fizeste culto,
Foste do amor o mártir sacrossanto."
3 614
Augusto dos Anjos
Amor e Religião
Conheci-o: era um padre, um desses santos
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos
Ouviram dele frases de candura
Que d'infelizes enxugavam prantos!
E como alegres não ficaram tantos
Corações sem prazer e sem ventura!
No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su'alma livre para o Céu se alara.
E Deus lhe disse: "És duas vezes santo,
Pois se da Religião fizeste culto,
Foste do amor o mártir sacrossanto."
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos
Ouviram dele frases de candura
Que d'infelizes enxugavam prantos!
E como alegres não ficaram tantos
Corações sem prazer e sem ventura!
No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su'alma livre para o Céu se alara.
E Deus lhe disse: "És duas vezes santo,
Pois se da Religião fizeste culto,
Foste do amor o mártir sacrossanto."
3 614
Álvares de Azevedo
LENÇO DELA
Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Quando, a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto...
Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!
Segunda Parte
Quando, a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.
Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.
Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto...
Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!
2 573
Felipe Larson
UMA GRANDE AMIZADE
Talvez eu não seja o herói que você sempre sonhou
Mas sempre estive presente quando você precisou
Tivemos muitas aventuras absurdas
Que perto do abismo chegou
Mas de hoje em diante
Prometa que irá se cuidar
Sabes que a vida é curta
Quem à entrega tão fácil
Chegou a hora de pular do barco
Abandonar os vícios e de ter os pés no chão
Não pense que poderei
Sempre estar do seu lado para ajudar
Não tenho talento para ser um super herói
Apenas um bom e velho amigo
Mas sempre estive presente quando você precisou
Tivemos muitas aventuras absurdas
Que perto do abismo chegou
Mas de hoje em diante
Prometa que irá se cuidar
Sabes que a vida é curta
Quem à entrega tão fácil
Chegou a hora de pular do barco
Abandonar os vícios e de ter os pés no chão
Não pense que poderei
Sempre estar do seu lado para ajudar
Não tenho talento para ser um super herói
Apenas um bom e velho amigo
840
Felipe Larson
UMA GRANDE AMIZADE
Talvez eu não seja o herói que você sempre sonhou
Mas sempre estive presente quando você precisou
Tivemos muitas aventuras absurdas
Que perto do abismo chegou
Mas de hoje em diante
Prometa que irá se cuidar
Sabes que a vida é curta
Quem à entrega tão fácil
Chegou a hora de pular do barco
Abandonar os vícios e de ter os pés no chão
Não pense que poderei
Sempre estar do seu lado para ajudar
Não tenho talento para ser um super herói
Apenas um bom e velho amigo
Mas sempre estive presente quando você precisou
Tivemos muitas aventuras absurdas
Que perto do abismo chegou
Mas de hoje em diante
Prometa que irá se cuidar
Sabes que a vida é curta
Quem à entrega tão fácil
Chegou a hora de pular do barco
Abandonar os vícios e de ter os pés no chão
Não pense que poderei
Sempre estar do seu lado para ajudar
Não tenho talento para ser um super herói
Apenas um bom e velho amigo
840
Álvares de Azevedo
SONHANDO
Hier, la nuit d'été, que nous prêtait ses voiles,
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
VICTOR HUGO
Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!
Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Dormia: - na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!
E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
VICTOR HUGO
Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!
Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Dormia: - na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!
E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
2 330
Arthur Rimbaud
FOME
Meu gosto, agora se encerra
Em comer pedras e terra.
Só me alimento de ar,
de rochas, de carvão, de ferro.
Pastai o prado de feno,
Ó fomes minhas.
Chamai o gaio veneno
Das campainhas.
Comei o cascalho que seja
Das velhas pedras de igreja;
Seixos de antigos dilúvios,
Pão semeado em vales turvos.
Uiva o lobo na folhagem,
Cuspindo a bela plumagem
Das aves de seu repasto :
É assim que me desgasto.
As hortalicas, as frutas
Esperam só a colheita.
Mas o aranhão da hera
Não come senão violetas.
Que eu adormeca, que eu arda
Nas aras de Salomão.
Na ferrugem escorre a calda
E se mistura ao Cedrão.
Enfim, ó ventura, ó razão, afastei do céu o azul,
que é negro, e vivi, centelha de ouro, dessa
luz natureza. De alegria, adotava a expres-
são mais ridícula e desvairada possível :
Achada, é verdade ?!
Quem ? A eternidade.
É o mar que o sol
Invade
Observa, minh´alma
Eterna, o teu voto
Seja noite só,
Torre o dia em chama.
Que então te avantajes
A humanos sufrágios,
A impulsos comuns !
Tu voas como os...
- Esperanca ausente,
Nada de oriétur
Ciência paciência,
Só o suplício é certo.
O amanhã não vem,
Brasas de cetim.
Deves o ardor
Ao dever doar.
Achada, é verdade ?!
- Quem ? - A Eternidade.
É o amor que o sol
Invade.
Em comer pedras e terra.
Só me alimento de ar,
de rochas, de carvão, de ferro.
Pastai o prado de feno,
Ó fomes minhas.
Chamai o gaio veneno
Das campainhas.
Comei o cascalho que seja
Das velhas pedras de igreja;
Seixos de antigos dilúvios,
Pão semeado em vales turvos.
Uiva o lobo na folhagem,
Cuspindo a bela plumagem
Das aves de seu repasto :
É assim que me desgasto.
As hortalicas, as frutas
Esperam só a colheita.
Mas o aranhão da hera
Não come senão violetas.
Que eu adormeca, que eu arda
Nas aras de Salomão.
Na ferrugem escorre a calda
E se mistura ao Cedrão.
Enfim, ó ventura, ó razão, afastei do céu o azul,
que é negro, e vivi, centelha de ouro, dessa
luz natureza. De alegria, adotava a expres-
são mais ridícula e desvairada possível :
Achada, é verdade ?!
Quem ? A eternidade.
É o mar que o sol
Invade
Observa, minh´alma
Eterna, o teu voto
Seja noite só,
Torre o dia em chama.
Que então te avantajes
A humanos sufrágios,
A impulsos comuns !
Tu voas como os...
- Esperanca ausente,
Nada de oriétur
Ciência paciência,
Só o suplício é certo.
O amanhã não vem,
Brasas de cetim.
Deves o ardor
Ao dever doar.
Achada, é verdade ?!
- Quem ? - A Eternidade.
É o amor que o sol
Invade.
4 246
Arthur Rimbaud
FOME
Meu gosto, agora se encerra
Em comer pedras e terra.
Só me alimento de ar,
de rochas, de carvão, de ferro.
Pastai o prado de feno,
Ó fomes minhas.
Chamai o gaio veneno
Das campainhas.
Comei o cascalho que seja
Das velhas pedras de igreja;
Seixos de antigos dilúvios,
Pão semeado em vales turvos.
Uiva o lobo na folhagem,
Cuspindo a bela plumagem
Das aves de seu repasto :
É assim que me desgasto.
As hortalicas, as frutas
Esperam só a colheita.
Mas o aranhão da hera
Não come senão violetas.
Que eu adormeca, que eu arda
Nas aras de Salomão.
Na ferrugem escorre a calda
E se mistura ao Cedrão.
Enfim, ó ventura, ó razão, afastei do céu o azul,
que é negro, e vivi, centelha de ouro, dessa
luz natureza. De alegria, adotava a expres-
são mais ridícula e desvairada possível :
Achada, é verdade ?!
Quem ? A eternidade.
É o mar que o sol
Invade
Observa, minh´alma
Eterna, o teu voto
Seja noite só,
Torre o dia em chama.
Que então te avantajes
A humanos sufrágios,
A impulsos comuns !
Tu voas como os...
- Esperanca ausente,
Nada de oriétur
Ciência paciência,
Só o suplício é certo.
O amanhã não vem,
Brasas de cetim.
Deves o ardor
Ao dever doar.
Achada, é verdade ?!
- Quem ? - A Eternidade.
É o amor que o sol
Invade.
Em comer pedras e terra.
Só me alimento de ar,
de rochas, de carvão, de ferro.
Pastai o prado de feno,
Ó fomes minhas.
Chamai o gaio veneno
Das campainhas.
Comei o cascalho que seja
Das velhas pedras de igreja;
Seixos de antigos dilúvios,
Pão semeado em vales turvos.
Uiva o lobo na folhagem,
Cuspindo a bela plumagem
Das aves de seu repasto :
É assim que me desgasto.
As hortalicas, as frutas
Esperam só a colheita.
Mas o aranhão da hera
Não come senão violetas.
Que eu adormeca, que eu arda
Nas aras de Salomão.
Na ferrugem escorre a calda
E se mistura ao Cedrão.
Enfim, ó ventura, ó razão, afastei do céu o azul,
que é negro, e vivi, centelha de ouro, dessa
luz natureza. De alegria, adotava a expres-
são mais ridícula e desvairada possível :
Achada, é verdade ?!
Quem ? A eternidade.
É o mar que o sol
Invade
Observa, minh´alma
Eterna, o teu voto
Seja noite só,
Torre o dia em chama.
Que então te avantajes
A humanos sufrágios,
A impulsos comuns !
Tu voas como os...
- Esperanca ausente,
Nada de oriétur
Ciência paciência,
Só o suplício é certo.
O amanhã não vem,
Brasas de cetim.
Deves o ardor
Ao dever doar.
Achada, é verdade ?!
- Quem ? - A Eternidade.
É o amor que o sol
Invade.
4 246
Felipe Larson
EXPERIÊNCIA PRIMÁRIA
Olhares buscam o que fazer
Cruzam e entram no que quiserem ter
Mostram-se em desejos internos
Propondo amor, ódio e outras intenções.
Um sexto sentido, uma certa magia.
E tudo está tão confuso
Que eu não sei qual é a direção
E nem o sentido de tudo
Mas claro que tudo se resolve
Com muita calma e paciência
E três simbolos dizem tudo
Água, Fogo e ar.
Sei que o infinito existe
Mas em que universo eu encontro?
Mas está tudo fora do meu alcance
Tão distante que eu não sei que forma tem
Estranho pensar nessas coisas agora
Mas nada deve ser previsível
Senão não teria graça nenhuma
Se tivermos as respostas tão fáceis
Eu sou a inocência
A experiência primária
Cruzam e entram no que quiserem ter
Mostram-se em desejos internos
Propondo amor, ódio e outras intenções.
Um sexto sentido, uma certa magia.
E tudo está tão confuso
Que eu não sei qual é a direção
E nem o sentido de tudo
Mas claro que tudo se resolve
Com muita calma e paciência
E três simbolos dizem tudo
Água, Fogo e ar.
Sei que o infinito existe
Mas em que universo eu encontro?
Mas está tudo fora do meu alcance
Tão distante que eu não sei que forma tem
Estranho pensar nessas coisas agora
Mas nada deve ser previsível
Senão não teria graça nenhuma
Se tivermos as respostas tão fáceis
Eu sou a inocência
A experiência primária
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