Poemas neste tema
Vida e Existência
Marcelo Tápia
pedreira
para Paulo Leminski
o tempo pós
o fez diverso:
pedra
eterna, fixa
dura, pesada
imóvel, muda
cega, surda
mas perene
sólida
como sua vida
poesia pura do tempo
pedra-chama
teimando eternamente
como alma consistente
ascensão e queda
no centro do lago
no mais profundo
no mais escuro
no redemunho
no furo
no fio
o fim
do fio
do furo
do redemunho
do mais escuro
do mais profundo
ao centro do lago
iôiô
acima sem saída
até as margens sem alcance
na descida a ilusão de ascender
aos céus
o tempo pós
o fez diverso:
pedra
eterna, fixa
dura, pesada
imóvel, muda
cega, surda
mas perene
sólida
como sua vida
poesia pura do tempo
pedra-chama
teimando eternamente
como alma consistente
ascensão e queda
no centro do lago
no mais profundo
no mais escuro
no redemunho
no furo
no fio
o fim
do fio
do furo
do redemunho
do mais escuro
do mais profundo
ao centro do lago
iôiô
acima sem saída
até as margens sem alcance
na descida a ilusão de ascender
aos céus
1 078
Samuel Nogueira Filho
Templo Sagrado
Quanta suntuosidade ao teto e nos altares
de uma igreja cristã, qualquer uma latina...
porque essa ostentação, se dizem ser divina
inspiração de Deus, Senhor dos Avatares...
Onde estiverem dois, em meu nome, em surdina,
Eu estarei presente, a Bíblia em seus cantares
regista. Então, porque de luxo banqueteares,
quando a simplicidade é da cristã doutrina?
O verdadeiro amor jamais é compulsório,
subterfúgio não tem, Jesus dele é notório,
na criança o destacou, nos pobres e aleijados...
O templo mais sagrado, aquele que se imola,
é nosso próprio corpo, onde a alma se acrisola,
ensinava Jesus dois mil anos passados.
de uma igreja cristã, qualquer uma latina...
porque essa ostentação, se dizem ser divina
inspiração de Deus, Senhor dos Avatares...
Onde estiverem dois, em meu nome, em surdina,
Eu estarei presente, a Bíblia em seus cantares
regista. Então, porque de luxo banqueteares,
quando a simplicidade é da cristã doutrina?
O verdadeiro amor jamais é compulsório,
subterfúgio não tem, Jesus dele é notório,
na criança o destacou, nos pobres e aleijados...
O templo mais sagrado, aquele que se imola,
é nosso próprio corpo, onde a alma se acrisola,
ensinava Jesus dois mil anos passados.
931
Samuel Nogueira Filho
Templo Sagrado
Quanta suntuosidade ao teto e nos altares
de uma igreja cristã, qualquer uma latina...
porque essa ostentação, se dizem ser divina
inspiração de Deus, Senhor dos Avatares...
Onde estiverem dois, em meu nome, em surdina,
Eu estarei presente, a Bíblia em seus cantares
regista. Então, porque de luxo banqueteares,
quando a simplicidade é da cristã doutrina?
O verdadeiro amor jamais é compulsório,
subterfúgio não tem, Jesus dele é notório,
na criança o destacou, nos pobres e aleijados...
O templo mais sagrado, aquele que se imola,
é nosso próprio corpo, onde a alma se acrisola,
ensinava Jesus dois mil anos passados.
de uma igreja cristã, qualquer uma latina...
porque essa ostentação, se dizem ser divina
inspiração de Deus, Senhor dos Avatares...
Onde estiverem dois, em meu nome, em surdina,
Eu estarei presente, a Bíblia em seus cantares
regista. Então, porque de luxo banqueteares,
quando a simplicidade é da cristã doutrina?
O verdadeiro amor jamais é compulsório,
subterfúgio não tem, Jesus dele é notório,
na criança o destacou, nos pobres e aleijados...
O templo mais sagrado, aquele que se imola,
é nosso próprio corpo, onde a alma se acrisola,
ensinava Jesus dois mil anos passados.
931
Tatiana Ramminger
Só o olhar do outro
Só o olhar do outro
Só o olhar do outro
para delinear
este meu corpo tão sem limites
tão esparramado...
Preso na inconstância do fogo
Descendo cachoeiras
Brotando da terra
Perdido no infinito do céu...
Só o olhar do outro
para delinear
este meu corpo tão sem limites
tão esparramado...
Preso na inconstância do fogo
Descendo cachoeiras
Brotando da terra
Perdido no infinito do céu...
1 323
Tatiana Ramminger
Só o olhar do outro
Só o olhar do outro
Só o olhar do outro
para delinear
este meu corpo tão sem limites
tão esparramado...
Preso na inconstância do fogo
Descendo cachoeiras
Brotando da terra
Perdido no infinito do céu...
Só o olhar do outro
para delinear
este meu corpo tão sem limites
tão esparramado...
Preso na inconstância do fogo
Descendo cachoeiras
Brotando da terra
Perdido no infinito do céu...
1 323
José Carlos Souza Santos
A tarde que me cabe
Eram quatro, as horas da manhã
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
919
José Carlos Souza Santos
A tarde que me cabe
Eram quatro, as horas da manhã
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
quando nasci,
ainda não se havia completado
o meio-dia
quando os meus olhos se abeberaram
sôfregos,
de lembranças de nunca vistos pôr-do-sol,
de canelones que pela boca me desceram
sem lhes sentir o gosto,
de apaixonados beijos que os desejos
não me aplacaram,
e foi tão rápida a descoberta
de ter vivido somente o espaço de uma manhã
nos meus quarenta anos.
Ainda não se tinha completado
o meio-dia,
e náufrago em tábua de conveniência,
não me permitira
ver a luz que me tocara,
me lambera, me inundara.
e só pelas tuas mãos,
e pelo teu silêncio em grito de ausência
transformado,
hei de viver o período da tarde
que me cabe,
e vivê-lo tão intensamente, que os refúgios
em nossos corpos usados
inatingíveis hão de se tornar
no compassado ritmo do amor.
919
Salette Tavares
Enigma Lua
Esqueceste
o touroe o grito
a parede brancae fria
a cabeça decepadaenfunada
vento sangueferido.
Esqueceste
a lâmpada no tetoamarelo
rio de sombracorrido
cavalo eriçadona tábua
no quarto.
Esqueceste
a cova ondeSangue e olhos
enterraste
Esqueceste e alienado nos salões
ficastecheirando orquídeasinodoras
sapatinhos de papaocos
réplicas estéticasà metralha
dos aviões.
Cansado? Inútil? Delinqüente? Vazio?
Quem te poderá julgar?
Eu só sei rasgar enigma
contra razões da terra
olhos que espanto me crava
na lua da tarde que erra.
Presença de transparência
na força que assim me arde
na lua de noite branca
me banho fantasma árvore.
Sombra na sombra lua
enigma junto à janela.
Esqueceste
mas não comigo
esqueceste a lâmpada amarelado abrigo
e as quatro paredesfrias.
Esqueceste
mas não comigo,
o touroe o grito
a parede brancae fria
a cabeça decepadaenfunada
vento sangueferido.
Esqueceste
a lâmpada no tetoamarelo
rio de sombracorrido
cavalo eriçadona tábua
no quarto.
Esqueceste
a cova ondeSangue e olhos
enterraste
Esqueceste e alienado nos salões
ficastecheirando orquídeasinodoras
sapatinhos de papaocos
réplicas estéticasà metralha
dos aviões.
Cansado? Inútil? Delinqüente? Vazio?
Quem te poderá julgar?
Eu só sei rasgar enigma
contra razões da terra
olhos que espanto me crava
na lua da tarde que erra.
Presença de transparência
na força que assim me arde
na lua de noite branca
me banho fantasma árvore.
Sombra na sombra lua
enigma junto à janela.
Esqueceste
mas não comigo
esqueceste a lâmpada amarelado abrigo
e as quatro paredesfrias.
Esqueceste
mas não comigo,
1 575
Teófilo Dias
A Matilha
Pendente a língua rubra, os sentidos atentos,
Inquieta, rastejando os vestígios sangrentos,
A matilha feroz persegue enfurecida,
Alucinadamente, a presa malferida.
Um, afitando o olhar, sonda a escura folhagem;
Outro consulta o vento; outro sorve a bafagem,
O fresco, vivo odor, cálido, penetrante,
Que, na rápida fuga, a vítima arquejante
Vai deixando no ar, pérfido e traiçoeiro;
Todos, num turbilhão fantástico, ligeiro,
Ora, em vórtice, aqui se agrupam, rodam, giram,
E, cheios de furor frenético, respiram,
Ora, cegos de raiva, afastados, disperses,
Arrojam-se a correr. Vão por trilhos diversos,
Esbraseando o olhar, dilatando as narinas.
Transpõem num momento os vales e as colinas,
Sobem aos alcantis, descem pelas encostas,
Recruzam-se febris em direções opostas,
Té que da presa, enfim, nos músculos cansados
Cravam com avidez os dentes afiados.
Não de outro modo, assim meus sôfregos desejos,
Em matilha voraz de alucinados beijos
Percorrem-te o primor às langorosas linhas,
As curvas juvenis, onde a volúpia aninhas,
Frescas ondulações de formas florescentes
Que o teu contorno imprime às roupas eloqüentes:
O dorso aveludado, elétrico, felino,
Que poreja um vapor aromático e fino;
O cabelo revolto em anéis perfumados,
Em fofos turbilhões, elásticos, pesados;
As fibrilhas sutis dos lindos braços brancos,
Feitos para apertar em nervosos arrancos;
A exata correção das azuladas veias,
Que palpitam, de fogo entumescidas, cheias,
— Tudo a matilha audaz perlustra, corre, aspira,
Sonda, esquadrinha, explora, e anelante respira,
Até que, finalmente, embriagada, louca,
Vai encontrar a presa — o gozo — em tua boca.
Inquieta, rastejando os vestígios sangrentos,
A matilha feroz persegue enfurecida,
Alucinadamente, a presa malferida.
Um, afitando o olhar, sonda a escura folhagem;
Outro consulta o vento; outro sorve a bafagem,
O fresco, vivo odor, cálido, penetrante,
Que, na rápida fuga, a vítima arquejante
Vai deixando no ar, pérfido e traiçoeiro;
Todos, num turbilhão fantástico, ligeiro,
Ora, em vórtice, aqui se agrupam, rodam, giram,
E, cheios de furor frenético, respiram,
Ora, cegos de raiva, afastados, disperses,
Arrojam-se a correr. Vão por trilhos diversos,
Esbraseando o olhar, dilatando as narinas.
Transpõem num momento os vales e as colinas,
Sobem aos alcantis, descem pelas encostas,
Recruzam-se febris em direções opostas,
Té que da presa, enfim, nos músculos cansados
Cravam com avidez os dentes afiados.
Não de outro modo, assim meus sôfregos desejos,
Em matilha voraz de alucinados beijos
Percorrem-te o primor às langorosas linhas,
As curvas juvenis, onde a volúpia aninhas,
Frescas ondulações de formas florescentes
Que o teu contorno imprime às roupas eloqüentes:
O dorso aveludado, elétrico, felino,
Que poreja um vapor aromático e fino;
O cabelo revolto em anéis perfumados,
Em fofos turbilhões, elásticos, pesados;
As fibrilhas sutis dos lindos braços brancos,
Feitos para apertar em nervosos arrancos;
A exata correção das azuladas veias,
Que palpitam, de fogo entumescidas, cheias,
— Tudo a matilha audaz perlustra, corre, aspira,
Sonda, esquadrinha, explora, e anelante respira,
Até que, finalmente, embriagada, louca,
Vai encontrar a presa — o gozo — em tua boca.
1 834
Sílvio Péllico
O Suspiro
(Tradução de Luís Vicente Simoni)
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
1 424
Sílvio Péllico
O Suspiro
(Tradução de Luís Vicente Simoni)
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
1 424
Sílvio Péllico
O Suspiro
(Tradução de Luís Vicente Simoni)
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
O amor é suspiro
De uma alma gemente,
A qual só se sente
E quer compaixão.
A dor é suspiro
De uma alma oprimida
A qual acha a vida
Sem satisfação.
A esperança é suspiro
De uma alma, se aspira,
Se sonha, se ira
Risonho fuzil.
O medo é suspiro
De uma alma abatida,
Talvez por perdida
Lisonja gentil.
Dor, medo, esperança
E amor do leviano
Coração humano,
Suspiros vêm ser.
Suspiro são breve
A pena, o prazer,
São breve suspiro
A vida e o morrer.
Mas neste suspiro,
Meu Deus, breve assim,
Me deste o desejo
Que venhas a mim;
Deste-me uma luz
Que diva se sente,
Me deste uma mente
Que a ti me conduz.
1 424
José Carlos Souza Santos
Poemeto I
Jamais eu ficaria quieto
exercendo o direito
de te olhar
a não ser
que aprisionássemos
o tempo
exercendo o direito
de te olhar
a não ser
que aprisionássemos
o tempo
1 062
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Dos rios
Os rios nascem. É um filete, antes, revel,
ou provenha de fonte, ou mesmo de geleira:
mas, alongando o curso, emerge undoso mel
que, agora, largo, investe...e o trajeto aligeira...
Eles vivem. Por isso, a existêencia a tropel
de emoções se reduz, através da carreira:
vezes, são areias que os tragam - lei cruel:
vezes, um lago os prende a afeição derradeira.
Mas, se alcançam delir, com todo o zêlo insano,
os riscos do percurso, ei-los fortes, bravios,
premendo, delirando os seios nus do oceano !
- Homem, ama ! a paixão te exalte sem cessar !
Pois é só por amor que as águas destes rios
vão correndo...correndo...em busca do mar !
ou provenha de fonte, ou mesmo de geleira:
mas, alongando o curso, emerge undoso mel
que, agora, largo, investe...e o trajeto aligeira...
Eles vivem. Por isso, a existêencia a tropel
de emoções se reduz, através da carreira:
vezes, são areias que os tragam - lei cruel:
vezes, um lago os prende a afeição derradeira.
Mas, se alcançam delir, com todo o zêlo insano,
os riscos do percurso, ei-los fortes, bravios,
premendo, delirando os seios nus do oceano !
- Homem, ama ! a paixão te exalte sem cessar !
Pois é só por amor que as águas destes rios
vão correndo...correndo...em busca do mar !
949
Simão Pereira de Sá
Soneto
Do Hibla as belas flores celebradas,
neste Rio, Senhor, as transplantasses,
e quando no Carmelo as dedicastes,
respiraram fragrâncias de abrasadas:
por vossas mãos a Deus já consagradas,
no Jardim da Clausura as encerrasses,
onde o Nome de Herói perpetuasses,
dando flores ao Céu iluminadas.
Já que o Astro brilhante, influxo ardente,
foi origem de ações tão peregrinas,
as mesmas flores orne a Augusta frente,
porque, mais que as de Ariadna, serão dignas
de frente, que merece justamente
de Ouro palmas, coroas Diamantinas.
neste Rio, Senhor, as transplantasses,
e quando no Carmelo as dedicastes,
respiraram fragrâncias de abrasadas:
por vossas mãos a Deus já consagradas,
no Jardim da Clausura as encerrasses,
onde o Nome de Herói perpetuasses,
dando flores ao Céu iluminadas.
Já que o Astro brilhante, influxo ardente,
foi origem de ações tão peregrinas,
as mesmas flores orne a Augusta frente,
porque, mais que as de Ariadna, serão dignas
de frente, que merece justamente
de Ouro palmas, coroas Diamantinas.
393
Salomé Queiroga
Retrato da Mulata
Crespa madeixa
Partida em duas,
As fontes tuas
Cercando assim,
Parece largo
Diadema airoso
De muito lustroso
Preto cetim.
Que bem te assentam
Faces vermelhas
E sobrancelhas
Cor de carvão!
jabuticabas
Frescas, brilhantes,
Como diamantes
Teus olhos são.
Se a mim os volves
Amortecidos,
E derretidos
Em doce amor,
As negras franjas
A custo abrindo,
E despargindo
Terno langor!
Ah! que então sinto
Um tão amável,
Tão inefável,
Vivo prazer,
Que extasiado
No gozo ativo
Se morro ou vivo
Não sei dizer.
Em tuas faces
Brilha serena
A cor morena
Do buriti:
Teus lábios vertem
Rósea frescura,
Cheiro e doçura
Do jataí.
E quando os abre
Do rir e ensejo,
Pérolas vejo
Entre corais:
Como são belos
Assim molhado!
De amor gerados
Me arrancam ais.
Para roubar-me
Cinco sentidos,
Tens escondidos
Certos ladrões
Dentro do seio,
Bem disfarçados,
E transformados
Em dois limões.
A tua airosa
Bela cintura
O gosto apura
Em estreitar,
E o mais que à vista
O pejo oculta
Vontade exulta
Só de pensar.
Já que pintei-te,
Minha querida,
Vênus nascida
Cá no Brasil,
Em prêmio dai-me
Muxoxos, queixas,
Quindins, me deixas,
E beijos mil.
Partida em duas,
As fontes tuas
Cercando assim,
Parece largo
Diadema airoso
De muito lustroso
Preto cetim.
Que bem te assentam
Faces vermelhas
E sobrancelhas
Cor de carvão!
jabuticabas
Frescas, brilhantes,
Como diamantes
Teus olhos são.
Se a mim os volves
Amortecidos,
E derretidos
Em doce amor,
As negras franjas
A custo abrindo,
E despargindo
Terno langor!
Ah! que então sinto
Um tão amável,
Tão inefável,
Vivo prazer,
Que extasiado
No gozo ativo
Se morro ou vivo
Não sei dizer.
Em tuas faces
Brilha serena
A cor morena
Do buriti:
Teus lábios vertem
Rósea frescura,
Cheiro e doçura
Do jataí.
E quando os abre
Do rir e ensejo,
Pérolas vejo
Entre corais:
Como são belos
Assim molhado!
De amor gerados
Me arrancam ais.
Para roubar-me
Cinco sentidos,
Tens escondidos
Certos ladrões
Dentro do seio,
Bem disfarçados,
E transformados
Em dois limões.
A tua airosa
Bela cintura
O gosto apura
Em estreitar,
E o mais que à vista
O pejo oculta
Vontade exulta
Só de pensar.
Já que pintei-te,
Minha querida,
Vênus nascida
Cá no Brasil,
Em prêmio dai-me
Muxoxos, queixas,
Quindins, me deixas,
E beijos mil.
1 222
Tatiana Ramminger
Oferenda
Oferenda
Nos meus momentos de inconsciência
Nos meus momentos de inconsistência
Em um acaso muito bem planejado
Meu beija-flor inconseqüente
Me leva
Ao teu escorpião de asas azuis
E quanto estrago não fazem
Impregnados
Embriagados
Da vida
Pintada relaxadamente com cores fortes
Ofuscando olhares
Desfazendo contornos
Jogando de sombras
Que trazem a realidade
Em oferenda
Nos meus momentos de inconsciência
Nos meus momentos de inconsistência
Em um acaso muito bem planejado
Meu beija-flor inconseqüente
Me leva
Ao teu escorpião de asas azuis
E quanto estrago não fazem
Impregnados
Embriagados
Da vida
Pintada relaxadamente com cores fortes
Ofuscando olhares
Desfazendo contornos
Jogando de sombras
Que trazem a realidade
Em oferenda
1 239
José Carlos Souza Santos
Cavalgada I
Ontem
te encontrei
nas minhas veredas anfíbias
de encantos e descaminhos
e de relance
vi o rosto
de trezentas rosas morenas
brincando de recordar
foi fugaz e relancino
o tempo meu inimigo
escondeu-a numa curva
e por mais que galopasse
a crina azul do meu cavalo
a distância ciumenta me roubava de você
mandei dizer pelo vento
velho companheiro
de brincar nos teus cabelos
te espero na guirlanda do meu verso
vamos cobrar do tempo
o saldo que ele nos deve
vamos no verde do musgo
brincar de cama macia
e o canto dos meus galos
em quatro corpetes cingidos
farão círios e dosséis
na roca do meu tear.
(do livro Estrelas Ausentes)
te encontrei
nas minhas veredas anfíbias
de encantos e descaminhos
e de relance
vi o rosto
de trezentas rosas morenas
brincando de recordar
foi fugaz e relancino
o tempo meu inimigo
escondeu-a numa curva
e por mais que galopasse
a crina azul do meu cavalo
a distância ciumenta me roubava de você
mandei dizer pelo vento
velho companheiro
de brincar nos teus cabelos
te espero na guirlanda do meu verso
vamos cobrar do tempo
o saldo que ele nos deve
vamos no verde do musgo
brincar de cama macia
e o canto dos meus galos
em quatro corpetes cingidos
farão círios e dosséis
na roca do meu tear.
(do livro Estrelas Ausentes)
967
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Do eterno motivo
Quando nasceu o amor na humanidade,
os símbolos do mal foram fugindo.
A fonte redentora, que persuade,
fixou à vida seu poder benvindo.
Nós surgimos da dor para a bondade,
do sono obscuro para o sonho lindo.
Tal a mudez ambiente que se evade,
ante acordes pruríssimos, defluindo.
A atração seletiva configura
o enlevo ascensional da primazia,
na graça, na beleza, na ternura...
E, unida à idéia a fórmula corpórea,
o amor por entre os seres se anuncia
para a perpetuidade, além da glória.
os símbolos do mal foram fugindo.
A fonte redentora, que persuade,
fixou à vida seu poder benvindo.
Nós surgimos da dor para a bondade,
do sono obscuro para o sonho lindo.
Tal a mudez ambiente que se evade,
ante acordes pruríssimos, defluindo.
A atração seletiva configura
o enlevo ascensional da primazia,
na graça, na beleza, na ternura...
E, unida à idéia a fórmula corpórea,
o amor por entre os seres se anuncia
para a perpetuidade, além da glória.
832
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que deixa posteridade
Quando contemplo as rugas do teu rosto,
fico-me triste e evoco os tempos ídos:
fico-me triste e evoco os tempos ídos:
908
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que deixa posteridade
Quando contemplo as rugas do teu rosto,
fico-me triste e evoco os tempos ídos:
fico-me triste e evoco os tempos ídos:
908
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que deixa posteridade
Quando contemplo as rugas do teu rosto,
fico-me triste e evoco os tempos ídos:
fico-me triste e evoco os tempos ídos:
908
José Carlos Souza Santos
As Canções de Amor
Poema I
Amor,
porque te consigo imaginar
o gosto da boca,
a força dos braços,
o calor do corpo,
porque te consigo imaginar
a luz do olhar
o pulsar do peito
o faminto desejo
me dou,
em tremor profundo,
ainda que me desmanche
inteira
em seiva, gemidos, sussurros,
me tornando dessa maneira
em alguns versos do nosso
livro ...
Poema II
Em minhas mãos,
entregaste o corpo alvo
e nu ,
de incenso e mirra esquecido,
permitindo tatuar o vale
com a lava do vulcão
amanhecido
juntos, derramados os pudores em
branda taça,
um torpor de vinhos nos cimos
duros, debruçado o grito em tua âncora,
meu espanto findo
Iniciando escrever o livro
transfiro em ti a minha força, vinda
do vermelho das ameixas
roxas,
quando teu corpo sobre o meu
derramado, calar a sede da serpente
hirta.
Na página primeira escrita
à memória do milenar gozo
no alvo corpo a escorrida lava
desmente a aridez da futura estrada.
Poema III
Porque te amo
me divido, e em mim se multiplica
o que antes sem saber
subtraído me havia.
Do cântaro no peito ressecado
renasceu a flor que não morrera,
pois que estava em nós, e não
sabíamos
pois que nos lambera, e não
sentíamos.
O teu rosto desconhecido perpetua a
chama , que no peito ainda ardia.
Porque te amo
louco me derramo, corajoso e vasto
entre as lavas do teu vulcão em
chamas,
e nos teus olhos me revejo
cálice, âmbula, patena e sacrário
inteira catedral de êxtase erguida
Nos teus braços
do cansaço me exilo,
ao longe numa curva do caminho,
vejo
o meu retrato de ontens pendurado,
do riso frouxo que da boca se me
expande,
o silêncio pleno de vidraças que se
abrem.
Em tua boca, gestamos nosso
vinho
no seio túmido, a flor que
embriaga,
em nosso gozo,
um poema de Hilda Hilst.
Poema IV
À sombra do pessegueiro,
aconchegada no meu peito
em silêncio, a solidão
urdia o caminho dos nossos passos
nos mails tímidos, travados
na virtual estrada descoberta
Tomei para mim o teu ardor
de fome de ontens tecida,
tomei toda a febre das tuas dores,
tomei-a em júbilo até o apagar
das tuas cinzas, de nomes esquecidas
Passo a passo ensaiei, cingir
em grilhões a desesperança
e nos dividimos para sermos únicos
Poema V - O Recado
Estarei ausente da tua ceia, mas deixo o pão em beijo transformado,
e mesmo que as minhas bússolas,
navegassem rotas,
encontrariam a sombra do
pessegueiro azul em teu corpo
refletido.
Dos astrolábios tantos
que nos guiaram os passos
de quilhas, conveses e tombadilhos
que nos encheram os sonhos,
estarei na milenar memória das tuas
mãos
na hora de cortares o pão,
e no cálice ausente, de vinhos e
ontens sorvido
Espera-me amor!
abre a janela e me deixa ver refletida
a tua luz.
A estrela que me guia os passos
enlouquecida de sombras,
haverá de reconhecer o teu sinal
e o advento estará em nossas mãos,
... lúdicas mãos,
de amanhãs tecida.
Poema VI
Chove lá fora,
na minha janela
a chuva insiste em dizer
que por um momento,
me exilei de você
Caiu a linha,
lá fora é noite fria
e sem estrelas onde vê-la
Nesse instante
carrego a solidão do mundo
lembro do teu riso
ao dizer-me manco
e lembro do teu pranto
ao incomentar a renda preta
Ainda chove lá fora
pe é estranho... não somos os
dois a sentir o frio.
Poema VII
Tens no seio nu
o segredo das minhas algemas
e do incansável galopar do meu
corcel
na busca embriagada do teu mel,
porque não me basta
a memória escrita do teu rosto,
nem me alcança
as janelas abertas
onde derramamos nossa solidão, e
ainda que por mil anos
galope a crina azul do meu cavalo,
o meu segredo
inatingível em tuas mãos,
escutará somente o arpejo
de correntes,
desandadas em tua busca.
Poema VIII
Porque me sabe a boca
o teu gosto, por dentro e fora
revelado,
em nuvens meus sentidos
se desfaz, enquanto sacralizo o vinho
amanhecido na tua concha pérola
Porque te descobri me deixei ficar
nas tuas ilhas, conquistado,
e me fiz pescador , dos teus silêncios,
dos frêmitos esquecidos
no tremor da carne nua, e
porque me sabe a boca o teu gosto,
te faço um poema com o sabor da lava
escorrida no meu peito.
Sinto o grito do vulcão
em minha língua enternecido,
e o rio desaflito em plena noite derramado
nas correntezas do prazer e da poesia
Me toma, conquistado por querer,
me leva, e me perde no teu canto,
deixe que sepulte o meu inferno
e esqueça a ira dos mares navegados,
renasça em mim o brilho do anjo e do demônio
igualmente opostos na carne da mesma carne,
me faça em carneiro e lã, ou musgo em cama macia,
me deite, me nine, ordene,
me ame, me ame, me ame.
Amor,
porque te consigo imaginar
o gosto da boca,
a força dos braços,
o calor do corpo,
porque te consigo imaginar
a luz do olhar
o pulsar do peito
o faminto desejo
me dou,
em tremor profundo,
ainda que me desmanche
inteira
em seiva, gemidos, sussurros,
me tornando dessa maneira
em alguns versos do nosso
livro ...
Poema II
Em minhas mãos,
entregaste o corpo alvo
e nu ,
de incenso e mirra esquecido,
permitindo tatuar o vale
com a lava do vulcão
amanhecido
juntos, derramados os pudores em
branda taça,
um torpor de vinhos nos cimos
duros, debruçado o grito em tua âncora,
meu espanto findo
Iniciando escrever o livro
transfiro em ti a minha força, vinda
do vermelho das ameixas
roxas,
quando teu corpo sobre o meu
derramado, calar a sede da serpente
hirta.
Na página primeira escrita
à memória do milenar gozo
no alvo corpo a escorrida lava
desmente a aridez da futura estrada.
Poema III
Porque te amo
me divido, e em mim se multiplica
o que antes sem saber
subtraído me havia.
Do cântaro no peito ressecado
renasceu a flor que não morrera,
pois que estava em nós, e não
sabíamos
pois que nos lambera, e não
sentíamos.
O teu rosto desconhecido perpetua a
chama , que no peito ainda ardia.
Porque te amo
louco me derramo, corajoso e vasto
entre as lavas do teu vulcão em
chamas,
e nos teus olhos me revejo
cálice, âmbula, patena e sacrário
inteira catedral de êxtase erguida
Nos teus braços
do cansaço me exilo,
ao longe numa curva do caminho,
vejo
o meu retrato de ontens pendurado,
do riso frouxo que da boca se me
expande,
o silêncio pleno de vidraças que se
abrem.
Em tua boca, gestamos nosso
vinho
no seio túmido, a flor que
embriaga,
em nosso gozo,
um poema de Hilda Hilst.
Poema IV
À sombra do pessegueiro,
aconchegada no meu peito
em silêncio, a solidão
urdia o caminho dos nossos passos
nos mails tímidos, travados
na virtual estrada descoberta
Tomei para mim o teu ardor
de fome de ontens tecida,
tomei toda a febre das tuas dores,
tomei-a em júbilo até o apagar
das tuas cinzas, de nomes esquecidas
Passo a passo ensaiei, cingir
em grilhões a desesperança
e nos dividimos para sermos únicos
Poema V - O Recado
Estarei ausente da tua ceia, mas deixo o pão em beijo transformado,
e mesmo que as minhas bússolas,
navegassem rotas,
encontrariam a sombra do
pessegueiro azul em teu corpo
refletido.
Dos astrolábios tantos
que nos guiaram os passos
de quilhas, conveses e tombadilhos
que nos encheram os sonhos,
estarei na milenar memória das tuas
mãos
na hora de cortares o pão,
e no cálice ausente, de vinhos e
ontens sorvido
Espera-me amor!
abre a janela e me deixa ver refletida
a tua luz.
A estrela que me guia os passos
enlouquecida de sombras,
haverá de reconhecer o teu sinal
e o advento estará em nossas mãos,
... lúdicas mãos,
de amanhãs tecida.
Poema VI
Chove lá fora,
na minha janela
a chuva insiste em dizer
que por um momento,
me exilei de você
Caiu a linha,
lá fora é noite fria
e sem estrelas onde vê-la
Nesse instante
carrego a solidão do mundo
lembro do teu riso
ao dizer-me manco
e lembro do teu pranto
ao incomentar a renda preta
Ainda chove lá fora
pe é estranho... não somos os
dois a sentir o frio.
Poema VII
Tens no seio nu
o segredo das minhas algemas
e do incansável galopar do meu
corcel
na busca embriagada do teu mel,
porque não me basta
a memória escrita do teu rosto,
nem me alcança
as janelas abertas
onde derramamos nossa solidão, e
ainda que por mil anos
galope a crina azul do meu cavalo,
o meu segredo
inatingível em tuas mãos,
escutará somente o arpejo
de correntes,
desandadas em tua busca.
Poema VIII
Porque me sabe a boca
o teu gosto, por dentro e fora
revelado,
em nuvens meus sentidos
se desfaz, enquanto sacralizo o vinho
amanhecido na tua concha pérola
Porque te descobri me deixei ficar
nas tuas ilhas, conquistado,
e me fiz pescador , dos teus silêncios,
dos frêmitos esquecidos
no tremor da carne nua, e
porque me sabe a boca o teu gosto,
te faço um poema com o sabor da lava
escorrida no meu peito.
Sinto o grito do vulcão
em minha língua enternecido,
e o rio desaflito em plena noite derramado
nas correntezas do prazer e da poesia
Me toma, conquistado por querer,
me leva, e me perde no teu canto,
deixe que sepulte o meu inferno
e esqueça a ira dos mares navegados,
renasça em mim o brilho do anjo e do demônio
igualmente opostos na carne da mesma carne,
me faça em carneiro e lã, ou musgo em cama macia,
me deite, me nine, ordene,
me ame, me ame, me ame.
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Tasso da Silveira
Poema 17
Esquece o tempo. O tempo não existe.
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade: são eternas.
Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural.A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos
para que te encontrasse em minha vida...
Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente
sina de navegar por este mar,
foi para que tivesse olhos orantes,
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esparar...
Acende a chama às límpidas lanternas.
Nossas almas, a ansiar no mundo triste,
são de uma mesma idade: são eternas.
Se no meu rosto lês mortais cansaços,
é natural.A luta foi renhida:
caminhei tantos passos, tantos passos
para que te encontrasse em minha vida...
Não medites o tempo. Se muito antes
de ti cheguei, para a áspera, inclemente
sina de navegar por este mar,
foi para que tivesse olhos orantes,
e me purificasse longamente
na infinita aflição de te esparar...
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