Temas
Poemas neste tema

Sociedade e Mundo

Paulo Vizioli

Paulo Vizioli

Apresentação de Donizete Galvão

Do silêncio da pedra é o terceiro volume de poesia de Donizete Galvão. Tem em comum com os anteriores -- Azul navalha (1988) e As faces do rio (1991) -- a profundidade das inquietações temáticas e o vigor dos recursos estilísticos -- além (é claro) da postura independente, livre das atitudes e dos modismos que permeiam boa parte da produção poética contemporânea. Mas a obra apresenta igualmente traços próprios, distinguindo-se de Azul navalha pela concisão maior da linguagem, e de As faces do rio pela escolha da "pedra", ao invés da "água", como motivo condutor. Com isso, o volume dá um pouco mais de ênfase ao "espaço" em detrimento do "tempo"(que normalmente se associa à fluidez do rio), complementando assim a visão que o poeta oferece da sua e da nossa realidade.
Ao contrário da água, que tem a fala dos seus rumorejos e fragores, a pedra é silenciosa, calando "o que nela dói". A água representa a vida, enquanto a pedra simboliza a esterilidade do deserto e, em última instância, a morte. Por isso, Donizete Galvão começa por repudiá-la: "Em que noite adormeci verde/ e acordei Saara?" Vê-se como um daqueles homens que, prisioneiros de suas poluídas cidades de pedra, se isolam uns dos outros na rotina de uma vida aparentemente sem propósito.
Nesta sua waste land particular, Deus se torna a própria pedra, "deus que não pune/ deus que não salva". Apesar disso, é para a pedra que o poeta acaba se voltando, procurando identificar-se com ela consciente e integralmente. Busca nessa imanência algo da eternidade, através das lições que se podem extrair da permanência dos minerais: "De pedra ser./Da pedra ter/ o duro desejo de durar". Sim, porque no espaço da pedra também se encontra uma dimensão temporal, como bem lembra o poema "Fósseis" (ainda que os indícios da vida passada sejam apenas "souvenirs para turistas". Pouco a pouco, o autor vai descobrindo os aspectos positivos de seu símbolo central, ora vendo a pedra como anteparo ou abrigo (como em "Motetos de São José del - Rei"), ora, entre sério e irônico, fazendo um pequeno rol de suas utilidades ("Almanaque da pedra"). A verdade, porém, é que a pedra é o chão essencial: é o que resta depois de tudo ("quando tudo já houver sido,/ lá estará ela"); e é também o que precede a tudo. É dela que brota a água, a fonte da vida: e, sem ela, não haveria o sustentáculo e a nutrição para as plantas e animais, -- como aquela garça que "ergue/ para o céu/ a hipérbole/ do seu alvo/ pescoço".
Até a linguagem da água nasce dos seus embates com o leito das rochas. E é esse processo que esta poesia reproduz, ao recorrer à realidade para dar voz à mesma realidade. Ele trabalha a pedra. E a pedra trabalhada -- a pedra lisa -- se transforma em arte, em algo acima da transitoriedade e do sofrimento ("no mundo das pedras lisas não cabe a dor"). É a pedra capaz de despertar em nós os mesmos devaneios de Keats diante dos relevos de uma urna grega, ou de Yeats diante de uma escultura em lápis lazúl
São esses, em resumo, alguns dos temas de Donizete Galvão em Do silêncio da pedra, temas sem dúvida relevantes, que, ademais, ganham vida graças a uma linguagem poética extremamente concisa e altamente sugestiva -- de tal riqueza metafórica que as imagens se atropelam umas ás outras ("o mar de pedra soterra/ a árvore dos brônquios") -- e toda pontilhada por funcionais sonoridades ( aliterações, rimas internas etc.). Temos, pois, aqui um autor que não só tem o que dizer, mas que também sabe como dizê-lo.

Sobre o autor
Donizete Galvão nasceu em Borda da Mata, Minas Gerais, em 1955.
Publicou em l988 Azul navalha (T.A. Queiroz, Editor), prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como Revelação de Autor e indicado para o Prêmio Jabuti. Em l99l, publicou seu segundo livro de poesia As faces do rio (Água Viva Edições).
Tem trabalhos publicados nos jornais Nicolau, Suplemento Literário do Minas Gerais, O Galo, O Resto do Mundo , Mariel (editado nos EUA) e nas revistas Babel e Poesia, ambas da Venezuela. Participou também das antologias Veia Poética (Editora Escrita) e Antologia da nova poesia brasileira (Rioarte/Hipocampo).
Título da obra: Do Silêncio da Pedra
Editora: Arte Pau-Brasil Editora
R. Vergueiro, 923, Paraíso
01504-001- São Paulo -SP
Tel. (011) 279-0147
Páginas: 61
Preço: R$ 15,00
Lançamento: Dia 25 de junho- Terça-feira
Local: Livraria da Vila
R. Fradique Coutinho,915
Pinheiros
Tel. 814-5811
Das 18:30 às 21:30
Tels. para contato: 521-9697
871-6174

985
Elziário Pinto

Elziário Pinto

O Festim de Baltasar

Mané... Teckel... Pharés...
I
"Queimai perfumes, escravas!
Trazei-nos sândalo e flores!
Vinho! do vinho os vap!res
Levem presságios cruéis!
Por Baal! Senhores e donas,
Não morra o prazer da festa!
Por Baal! Por Baal! soe a orquestra,
Tangei, tangei, menestréis!"

As luzes tremem nas salas,
Treme o ouro e a pedraria;
Das ânforas transborda a orgia
Como as espumas do mar:
— "Por Baal! Senhores e donas,
Repete a nobre assembléia,
Ao grande rei da Caldéia!
Ao grande rei Baltasar!"

Rompe a orquestra — e as concubinas,
Com os seios nus, palpitantes,
Entoam febris descanses,
Lasciva, ideal canção;
E em volta ao seu trono de ouro
Nabonid, rei poderoso,
Sente a alma a nadar no gozo,
Em que se afoga a razão.

E ferve, referve a orgia
Ao som da orquestra estridentes
E a lua toca o ocidente,
Sobre a cidade imortal:
Talvez mande a peregrina,
Do monte Efraim pendida,
Um raio por despedida
Do Cedron sobre o cristal.

II
Manda, sim, sobre ruínas
Que aí só resta um montão
Mirando a gentil cativa,
Dileta filha de Abraão:
— "Ai terra de Deus querida!
Ai terra da Promissão!

"Terra, terra bem-fadada,
Outrora — esposa de Arão,
Hoje ruínas dispersas,
Hoje o luto e a escravidão;
— Ai terra de Deus querida!
Ai terra da Promissão!

"Teus filhos gemem distante,
Jamais aqui voltarão...
Murchai, gardênias do prado!
Chorai, divino Jordão:
— Ai terra de Deus querida!
Ai terra da Promissão!

"Onde as endechas saudosas
Dos cantores de Sião?
Aves do céu, vossos carmes
Não solteis mais aqui, não!
— Ai terra de Deus querida!
Ai terra da Promissão!

"Lírio pendido no vale
Varreu-te acaso o tufão?
Nem uma gota de orvalho!
Isaac! Davi! Salomão!
— Ai terra de Deus querida!
Ai terra da Promissão!"

E pela encosta do monte
A tristezinha lá vai,
Mandando um último pranto,
Um doce, sentido ai,
De um lado à imersa Sodoma,
Do outro ao monte Sinai.

III
E cresce, recresce a orgia
Nos salões de Baltasar,
Ondas de pura harmonia,
Ânsias de puro gozar,
— Entanto a cidade dorme
Envolta no manto enorme
Da noite — sono fatal!
E aquele peito gigante
Devora sede arquejante
De vícios, — sede infernal!

Nas salas grato ruído,
Luzes, perfumes e amor;
Lá fora estranho rugido,
Surdo — ao longe — e ameaçador;
No horizonte um fumo denso
Se eleva, bem como o incenso
Nas salas e a embriaguez...
Que importa ao rei o horizonte,
Se as flores ornam-lhe a fronte,
Se o âmbar corre-lhe aos pés?!

"Ao rei! ao rei poderoso!
Ao reino que não tem fim!
Como o Eufrates caudaloso
Corra a onda do festim!"
— "Perdão: as taças, senhores,
Não podem, tão sem lavores,
À festa de um rei convir;
Temos os vasos sagrados,
São soberbos, cinzelados,
Do ouro fino de Ofir.

"Trazei-mos", já vacilante,
Diz o rei: "Viva o Senhor!"
— E ruge o vento distante,
Como um gemido de dor.
Entram luzidos criados
Trazendo os vasos sagrados
Do templo de Salomão...
— E ruge o vento mais forte,
Lançando vascas de morte
Pelos umbrais do salão.

"Transborde o néctar, amigos!
Eis os vasos de Jeová!
Nesses lavores antigos.
Vê-se a cativa Judá."
— E cresce o estranho rugido,
Surdo, rouco, indefinido...
"São os soluços do Irã!"
E ruge, ruge mais perto...
"São os ventos do deserto
Sobre as areias de Omã!"

Nas caçoulas fumegantes,
Arde o mirto e o aloés,
Ao som das notas vibrantes
Sobe, sobe a embriaguez.
— "Por Baal! Por Baal! Pelos Medos!
Quebrem-se as harpas nos dedos,
Trema o teto do salão!"
Horror! ao tinir das taças,
Núncio de eternas desgraças,
Brame na sala um tufão.

"Depressa, luzes, depressa..."
Diz o rei: "longe o terror!
Mas não, e o vaso arremessa,
Recua trêmulo... horror!
— É que, em meio à noite brusca,
Mão, que de brilhos ofusca,
Toda a sala iluminou;
Cometa, a correr ardente,
Estranha cifra candente,
Pelas paredes traçou!

IV
"Meu colar de pedrarias
Àquele que decifrar
Venham magos e adivinhos,
Depressa, Beltisasar.
Ele, o mais sábio de todos,
Pode o mistério explicar!"

E dorme a cidade lassa
Dos vícios na prostração,
E cresce, cresce o rugido
Qual ressonar de um vulcão:
Ou é tremenda borrasca,
Ou é povo em multidão.

Entre os famosos convivas
Mais um conviva aparece,
As sandálias do proscrito
Traz — quem é que o não conhece
Diante do rei se inclina,
Do rei, que ao vê-lo estremece.

"Benvindo sejas, cativo,
Daniel Beltisasar;
Se sabes ler no impossível,
Tens ali — podes falar:
Terás um manto de púrpura,
Terás meu régio colar."

De novo ante o rei se inclina
A cabeça do ancião,
Depois, elevando a fronte
Altiva, e estendendo a mão,
Busca achar na ignota cifra
A divina inspiração.

Nem do Tibre o velho roble!
Nem os cedros do ocidente
A fronte mais alto elevam
Mais nobre, mais imponente!
O gênio é como as estrelas,
Beija os pés do Onipotente.

"Rei! escuta a voz do Eterno,
Que por meus lábios te fala:
O crime mais execrando,
O teu reinado assinala:
Vê, revê tua sentença
Escrita em letras de opala.

"Não ouves bramir confuso
Como o arfar da tempestade?
São os Persas que se arrojam
Sobre os muros da cidade:
Perdeu-te a lascívia impura,
Rei! perdeu-te a impiedade.

"Profanastes os vasos santos
Nas torpezas de um festim,
Teus dias foram contados
Como os da bela Seboim!
Agora o brinde, senhores,
— Ao reino que não tem fim!"

V
Gesto grave, altivo, acerbo,
Assim fala o escravo hebreu,
Soletrando o ardente verbo,
Que mão de raio escreveu:
E depois — braços pendidos,
Olhos de chama incendidos,
Verberando a maldição,
Deixa a sala, onde se espalha,
Como trevosa mortalha,
O terror na escuridão.

E quando o raio primeiro
Do sol, singrando o horizonte,
Rompe o denso nevoeiro
Sobre o cabeço do monte,
Em vez da cidade altiva,
Vê — desgrenhada cativa,
A dissoluta Babel,
E além dos muros colossos,
Daquele povo os destroços
E um homem só — Daniel!

1 042
Pedro Luís Pereira de Sousa

Pedro Luís Pereira de Sousa

Terribilis Dea

Quando ela apareceu no escuro do horizonte,
O cabelo revolto... a palidez na fronte...
Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão,
Resplendente de sol, de sangue fumegante,
O raio iluminou a terra... nesse instante
Frenética e viril ergueu-se uma nação!

Quem era? De onde vinha aquela grande imagem,
Que turbara do céu a límpida miragem,
E de luto cobrira a senda do porvir?
De que abismo saiu?... do túmulo? do inferno?
Pode o anjo do mal desafiar o Eterno?
Da fria sepultura o espectro ressurgir?

Deixai que se levante a grande divindade!...
Seu templo é a terra e o mar; seu culto — a mortandade:
Enche-lhe o peito largo o sopro das paixões...
É a mulher fantasma! uma visão de Dante...
Dos campos de batalha a hórrida bacante,
Que mergulha no sangue e ri das maldições!

A deusa do sepulcral A pálida rainha!
A morte é a sua vida. Impávida caminha,
Ora grande, ora vil, nas trevas ou na luz;
A corte que a rodeia é lúgubre corte;
Tem gala e traja luto: é o séquito da morte,
A miséria que chora, a glória que seduz.

Desde que o mal nasceu, nasceu aquele espectro;
De raios coroou-se! Ao peso de seu ceptro,
A terra tem arfado em transes infernais!...
Do mundo as gerações têm visto em toda idade,
Sinistra, aparecer aquela divindade,
Celebrando no sangue as grandes saturnais.

No seu olhar de fogo há raios de loucura...
Tem cantos de prazer! Tem risos de amargura
Muda sempre de céu, de rumo, de farol!
Aqui — pede ao direito a voz forte e serena;
Ali — ruge feroz, feroz como uma hiena...
Assassina na treva ou mata à luz do sol!...

Levanta o gládio nu em nome da verdade,
Acorda em fúria acesa à voz da liberdade...
E no punho viril derrete-lhe o grilhão!
Como é bela! ... Depois... sem fé, sem heroísmo,
Despedaça a justiça e atira com cinismo
A virgem liberdade aos braços da opressão!

É uma deusa fatal! Quer sangue e atira flores!
Abraça, prende, esmaga os seus adoradores,
Embriaga-os de glória e os cerca de esplendor;
E esses loucos, depois de feitos de gigantes,
A túnica lhe beijam, ardentes, delirantes,
E morrem a seus pés, na febre desse amor.

quando Átila — o monstro, o tigre-cavaleiro,
Espumando, a correr, calcava o mundo inteiro,
A deusa o acompanhava, e ria-se... a cruel!
Tinha a face vermelha, ardia de coragem,
Dava beijos de amor na fronte do selvagem,
Enterrando o aguilhão no flanco do corcel!

Era ela que em Roma erguia-se funesta,
O ídolo do povo em sempiterna festa!
O amor de Cipião, de César, de Pompeu!
Vergava com seu braço o braço do destino,
Prendeu nações e reis ao monte Palatino,
E em doida bacanal depois desfaleceu.

Foi de Carlos o grande a excelsa companheira
Deu-lhe o trono de bronze, a espada aventureira,
E o globo imperial... e glórias... e troféus;
Quando, no escuro val, Rolando, moribundo,
Embocava a trombeta a despertar o mundo,
Erguia o colo a deusa além dos Pireneus!...

Seguiu Napoleão da França até o Egito,
Nos mares, no deserto, e em busca do infinito,
Das terras do Evangelho às terras do Corã...
Dos delírios da Europa aos sonhos do Oriente.
Teve medo, afinal, daquela febre ardente...
Lá no meio do mar prendeu esse Titã.

Ela estava a sorrir, serena e triunfante,
Aos pés de Farragut, o intrépido almirante,
Lá no tope do mastro, enquanto o monitor
Em doidas convulsões, das túmidas entranhas
Vomitava metralha a derribar montanhas,
E do mundo arrancava um grito de terror.

Ela estava também — espectro pavoroso —
Do Amazonas a bordo, ao lado de Barroso,
De pólvora cercada, em pé, sobre o convés...
Quando, à voz do valente, o monstro foi bufando,
Calados os canhões, navios esmagando,
A deusa varonil de amor caiu-lhe aos pés!

Salve, da guerra deusa, arcanjo da batalha!
Que voas no vapor, que ruges na metralha,
Que cantas do combate aos infernais clarões!
Quando arrancas do bronze os cânticos malditos,
O céu é fogo e aço; o ar — pólvora e gritos. . .
E ferve e corre o sangue em quentes borbotões!

Salve, tu! que nos deste o sonho da vingança,
O gládio da justiça o raio da esperança,
E da glória cruenta o mágico esplendor!
É para te saudar que brame a artilharia,
E que repete ao longe a voz da ventania
Das trombetas da morte o hórrido clangor!

Quando ela apareceu no escuro do horizonte,
O cabelo revolto... a palidez na fronte. .
Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão,
Resplandente de sol, de sangue fumegante,
O raio iluminou a terra ... nesse instante
Frenética e viril ergueu-se uma nação!

1 884
Pedro Luís Pereira de Sousa

Pedro Luís Pereira de Sousa

Terribilis Dea

Quando ela apareceu no escuro do horizonte,
O cabelo revolto... a palidez na fronte...
Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão,
Resplendente de sol, de sangue fumegante,
O raio iluminou a terra... nesse instante
Frenética e viril ergueu-se uma nação!

Quem era? De onde vinha aquela grande imagem,
Que turbara do céu a límpida miragem,
E de luto cobrira a senda do porvir?
De que abismo saiu?... do túmulo? do inferno?
Pode o anjo do mal desafiar o Eterno?
Da fria sepultura o espectro ressurgir?

Deixai que se levante a grande divindade!...
Seu templo é a terra e o mar; seu culto — a mortandade:
Enche-lhe o peito largo o sopro das paixões...
É a mulher fantasma! uma visão de Dante...
Dos campos de batalha a hórrida bacante,
Que mergulha no sangue e ri das maldições!

A deusa do sepulcral A pálida rainha!
A morte é a sua vida. Impávida caminha,
Ora grande, ora vil, nas trevas ou na luz;
A corte que a rodeia é lúgubre corte;
Tem gala e traja luto: é o séquito da morte,
A miséria que chora, a glória que seduz.

Desde que o mal nasceu, nasceu aquele espectro;
De raios coroou-se! Ao peso de seu ceptro,
A terra tem arfado em transes infernais!...
Do mundo as gerações têm visto em toda idade,
Sinistra, aparecer aquela divindade,
Celebrando no sangue as grandes saturnais.

No seu olhar de fogo há raios de loucura...
Tem cantos de prazer! Tem risos de amargura
Muda sempre de céu, de rumo, de farol!
Aqui — pede ao direito a voz forte e serena;
Ali — ruge feroz, feroz como uma hiena...
Assassina na treva ou mata à luz do sol!...

Levanta o gládio nu em nome da verdade,
Acorda em fúria acesa à voz da liberdade...
E no punho viril derrete-lhe o grilhão!
Como é bela! ... Depois... sem fé, sem heroísmo,
Despedaça a justiça e atira com cinismo
A virgem liberdade aos braços da opressão!

É uma deusa fatal! Quer sangue e atira flores!
Abraça, prende, esmaga os seus adoradores,
Embriaga-os de glória e os cerca de esplendor;
E esses loucos, depois de feitos de gigantes,
A túnica lhe beijam, ardentes, delirantes,
E morrem a seus pés, na febre desse amor.

quando Átila — o monstro, o tigre-cavaleiro,
Espumando, a correr, calcava o mundo inteiro,
A deusa o acompanhava, e ria-se... a cruel!
Tinha a face vermelha, ardia de coragem,
Dava beijos de amor na fronte do selvagem,
Enterrando o aguilhão no flanco do corcel!

Era ela que em Roma erguia-se funesta,
O ídolo do povo em sempiterna festa!
O amor de Cipião, de César, de Pompeu!
Vergava com seu braço o braço do destino,
Prendeu nações e reis ao monte Palatino,
E em doida bacanal depois desfaleceu.

Foi de Carlos o grande a excelsa companheira
Deu-lhe o trono de bronze, a espada aventureira,
E o globo imperial... e glórias... e troféus;
Quando, no escuro val, Rolando, moribundo,
Embocava a trombeta a despertar o mundo,
Erguia o colo a deusa além dos Pireneus!...

Seguiu Napoleão da França até o Egito,
Nos mares, no deserto, e em busca do infinito,
Das terras do Evangelho às terras do Corã...
Dos delírios da Europa aos sonhos do Oriente.
Teve medo, afinal, daquela febre ardente...
Lá no meio do mar prendeu esse Titã.

Ela estava a sorrir, serena e triunfante,
Aos pés de Farragut, o intrépido almirante,
Lá no tope do mastro, enquanto o monitor
Em doidas convulsões, das túmidas entranhas
Vomitava metralha a derribar montanhas,
E do mundo arrancava um grito de terror.

Ela estava também — espectro pavoroso —
Do Amazonas a bordo, ao lado de Barroso,
De pólvora cercada, em pé, sobre o convés...
Quando, à voz do valente, o monstro foi bufando,
Calados os canhões, navios esmagando,
A deusa varonil de amor caiu-lhe aos pés!

Salve, da guerra deusa, arcanjo da batalha!
Que voas no vapor, que ruges na metralha,
Que cantas do combate aos infernais clarões!
Quando arrancas do bronze os cânticos malditos,
O céu é fogo e aço; o ar — pólvora e gritos. . .
E ferve e corre o sangue em quentes borbotões!

Salve, tu! que nos deste o sonho da vingança,
O gládio da justiça o raio da esperança,
E da glória cruenta o mágico esplendor!
É para te saudar que brame a artilharia,
E que repete ao longe a voz da ventania
Das trombetas da morte o hórrido clangor!

Quando ela apareceu no escuro do horizonte,
O cabelo revolto... a palidez na fronte. .
Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão,
Resplandente de sol, de sangue fumegante,
O raio iluminou a terra ... nesse instante
Frenética e viril ergueu-se uma nação!

1 884
Pedro Luís Pereira de Sousa

Pedro Luís Pereira de Sousa

Terribilis Dea

Quando ela apareceu no escuro do horizonte,
O cabelo revolto... a palidez na fronte...
Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão,
Resplendente de sol, de sangue fumegante,
O raio iluminou a terra... nesse instante
Frenética e viril ergueu-se uma nação!

Quem era? De onde vinha aquela grande imagem,
Que turbara do céu a límpida miragem,
E de luto cobrira a senda do porvir?
De que abismo saiu?... do túmulo? do inferno?
Pode o anjo do mal desafiar o Eterno?
Da fria sepultura o espectro ressurgir?

Deixai que se levante a grande divindade!...
Seu templo é a terra e o mar; seu culto — a mortandade:
Enche-lhe o peito largo o sopro das paixões...
É a mulher fantasma! uma visão de Dante...
Dos campos de batalha a hórrida bacante,
Que mergulha no sangue e ri das maldições!

A deusa do sepulcral A pálida rainha!
A morte é a sua vida. Impávida caminha,
Ora grande, ora vil, nas trevas ou na luz;
A corte que a rodeia é lúgubre corte;
Tem gala e traja luto: é o séquito da morte,
A miséria que chora, a glória que seduz.

Desde que o mal nasceu, nasceu aquele espectro;
De raios coroou-se! Ao peso de seu ceptro,
A terra tem arfado em transes infernais!...
Do mundo as gerações têm visto em toda idade,
Sinistra, aparecer aquela divindade,
Celebrando no sangue as grandes saturnais.

No seu olhar de fogo há raios de loucura...
Tem cantos de prazer! Tem risos de amargura
Muda sempre de céu, de rumo, de farol!
Aqui — pede ao direito a voz forte e serena;
Ali — ruge feroz, feroz como uma hiena...
Assassina na treva ou mata à luz do sol!...

Levanta o gládio nu em nome da verdade,
Acorda em fúria acesa à voz da liberdade...
E no punho viril derrete-lhe o grilhão!
Como é bela! ... Depois... sem fé, sem heroísmo,
Despedaça a justiça e atira com cinismo
A virgem liberdade aos braços da opressão!

É uma deusa fatal! Quer sangue e atira flores!
Abraça, prende, esmaga os seus adoradores,
Embriaga-os de glória e os cerca de esplendor;
E esses loucos, depois de feitos de gigantes,
A túnica lhe beijam, ardentes, delirantes,
E morrem a seus pés, na febre desse amor.

quando Átila — o monstro, o tigre-cavaleiro,
Espumando, a correr, calcava o mundo inteiro,
A deusa o acompanhava, e ria-se... a cruel!
Tinha a face vermelha, ardia de coragem,
Dava beijos de amor na fronte do selvagem,
Enterrando o aguilhão no flanco do corcel!

Era ela que em Roma erguia-se funesta,
O ídolo do povo em sempiterna festa!
O amor de Cipião, de César, de Pompeu!
Vergava com seu braço o braço do destino,
Prendeu nações e reis ao monte Palatino,
E em doida bacanal depois desfaleceu.

Foi de Carlos o grande a excelsa companheira
Deu-lhe o trono de bronze, a espada aventureira,
E o globo imperial... e glórias... e troféus;
Quando, no escuro val, Rolando, moribundo,
Embocava a trombeta a despertar o mundo,
Erguia o colo a deusa além dos Pireneus!...

Seguiu Napoleão da França até o Egito,
Nos mares, no deserto, e em busca do infinito,
Das terras do Evangelho às terras do Corã...
Dos delírios da Europa aos sonhos do Oriente.
Teve medo, afinal, daquela febre ardente...
Lá no meio do mar prendeu esse Titã.

Ela estava a sorrir, serena e triunfante,
Aos pés de Farragut, o intrépido almirante,
Lá no tope do mastro, enquanto o monitor
Em doidas convulsões, das túmidas entranhas
Vomitava metralha a derribar montanhas,
E do mundo arrancava um grito de terror.

Ela estava também — espectro pavoroso —
Do Amazonas a bordo, ao lado de Barroso,
De pólvora cercada, em pé, sobre o convés...
Quando, à voz do valente, o monstro foi bufando,
Calados os canhões, navios esmagando,
A deusa varonil de amor caiu-lhe aos pés!

Salve, da guerra deusa, arcanjo da batalha!
Que voas no vapor, que ruges na metralha,
Que cantas do combate aos infernais clarões!
Quando arrancas do bronze os cânticos malditos,
O céu é fogo e aço; o ar — pólvora e gritos. . .
E ferve e corre o sangue em quentes borbotões!

Salve, tu! que nos deste o sonho da vingança,
O gládio da justiça o raio da esperança,
E da glória cruenta o mágico esplendor!
É para te saudar que brame a artilharia,
E que repete ao longe a voz da ventania
Das trombetas da morte o hórrido clangor!

Quando ela apareceu no escuro do horizonte,
O cabelo revolto... a palidez na fronte. .
Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão,
Resplandente de sol, de sangue fumegante,
O raio iluminou a terra ... nesse instante
Frenética e viril ergueu-se uma nação!

1 884
Pedro Luís Pereira de Sousa

Pedro Luís Pereira de Sousa

Terribilis Dea

Quando ela apareceu no escuro do horizonte,
O cabelo revolto... a palidez na fronte...
Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão,
Resplendente de sol, de sangue fumegante,
O raio iluminou a terra... nesse instante
Frenética e viril ergueu-se uma nação!

Quem era? De onde vinha aquela grande imagem,
Que turbara do céu a límpida miragem,
E de luto cobrira a senda do porvir?
De que abismo saiu?... do túmulo? do inferno?
Pode o anjo do mal desafiar o Eterno?
Da fria sepultura o espectro ressurgir?

Deixai que se levante a grande divindade!...
Seu templo é a terra e o mar; seu culto — a mortandade:
Enche-lhe o peito largo o sopro das paixões...
É a mulher fantasma! uma visão de Dante...
Dos campos de batalha a hórrida bacante,
Que mergulha no sangue e ri das maldições!

A deusa do sepulcral A pálida rainha!
A morte é a sua vida. Impávida caminha,
Ora grande, ora vil, nas trevas ou na luz;
A corte que a rodeia é lúgubre corte;
Tem gala e traja luto: é o séquito da morte,
A miséria que chora, a glória que seduz.

Desde que o mal nasceu, nasceu aquele espectro;
De raios coroou-se! Ao peso de seu ceptro,
A terra tem arfado em transes infernais!...
Do mundo as gerações têm visto em toda idade,
Sinistra, aparecer aquela divindade,
Celebrando no sangue as grandes saturnais.

No seu olhar de fogo há raios de loucura...
Tem cantos de prazer! Tem risos de amargura
Muda sempre de céu, de rumo, de farol!
Aqui — pede ao direito a voz forte e serena;
Ali — ruge feroz, feroz como uma hiena...
Assassina na treva ou mata à luz do sol!...

Levanta o gládio nu em nome da verdade,
Acorda em fúria acesa à voz da liberdade...
E no punho viril derrete-lhe o grilhão!
Como é bela! ... Depois... sem fé, sem heroísmo,
Despedaça a justiça e atira com cinismo
A virgem liberdade aos braços da opressão!

É uma deusa fatal! Quer sangue e atira flores!
Abraça, prende, esmaga os seus adoradores,
Embriaga-os de glória e os cerca de esplendor;
E esses loucos, depois de feitos de gigantes,
A túnica lhe beijam, ardentes, delirantes,
E morrem a seus pés, na febre desse amor.

quando Átila — o monstro, o tigre-cavaleiro,
Espumando, a correr, calcava o mundo inteiro,
A deusa o acompanhava, e ria-se... a cruel!
Tinha a face vermelha, ardia de coragem,
Dava beijos de amor na fronte do selvagem,
Enterrando o aguilhão no flanco do corcel!

Era ela que em Roma erguia-se funesta,
O ídolo do povo em sempiterna festa!
O amor de Cipião, de César, de Pompeu!
Vergava com seu braço o braço do destino,
Prendeu nações e reis ao monte Palatino,
E em doida bacanal depois desfaleceu.

Foi de Carlos o grande a excelsa companheira
Deu-lhe o trono de bronze, a espada aventureira,
E o globo imperial... e glórias... e troféus;
Quando, no escuro val, Rolando, moribundo,
Embocava a trombeta a despertar o mundo,
Erguia o colo a deusa além dos Pireneus!...

Seguiu Napoleão da França até o Egito,
Nos mares, no deserto, e em busca do infinito,
Das terras do Evangelho às terras do Corã...
Dos delírios da Europa aos sonhos do Oriente.
Teve medo, afinal, daquela febre ardente...
Lá no meio do mar prendeu esse Titã.

Ela estava a sorrir, serena e triunfante,
Aos pés de Farragut, o intrépido almirante,
Lá no tope do mastro, enquanto o monitor
Em doidas convulsões, das túmidas entranhas
Vomitava metralha a derribar montanhas,
E do mundo arrancava um grito de terror.

Ela estava também — espectro pavoroso —
Do Amazonas a bordo, ao lado de Barroso,
De pólvora cercada, em pé, sobre o convés...
Quando, à voz do valente, o monstro foi bufando,
Calados os canhões, navios esmagando,
A deusa varonil de amor caiu-lhe aos pés!

Salve, da guerra deusa, arcanjo da batalha!
Que voas no vapor, que ruges na metralha,
Que cantas do combate aos infernais clarões!
Quando arrancas do bronze os cânticos malditos,
O céu é fogo e aço; o ar — pólvora e gritos. . .
E ferve e corre o sangue em quentes borbotões!

Salve, tu! que nos deste o sonho da vingança,
O gládio da justiça o raio da esperança,
E da glória cruenta o mágico esplendor!
É para te saudar que brame a artilharia,
E que repete ao longe a voz da ventania
Das trombetas da morte o hórrido clangor!

Quando ela apareceu no escuro do horizonte,
O cabelo revolto... a palidez na fronte. .
Aos ventos sacudindo o rubro pavilhão,
Resplandente de sol, de sangue fumegante,
O raio iluminou a terra ... nesse instante
Frenética e viril ergueu-se uma nação!

1 884
Roberto Piva

Roberto Piva

Manifesto Utópico-Ecológico em Defesa da Poesia e do Delírio

Invocação
Ao Grande deus Dagon de olhos de fogo, ao deus da vegetação Dionisos, ao deus Puer que hipnotiza o Universo com seu ânus de diamante, ao deus Escorpião atravessando a cabeça do Anjo, ao deus Luper que desafiou as galáxias roedoras, a Baal deus da pedra negra, a Xangô deus-caralho fecundador da Tempestade.
Eu defendo o direito de todo ser Humano ao Pão & à Poesia
Estamos sendo destruídos em nosso núcleo biológico,
nosso espaço vital & dos animais está reduzido a
proporções ínfimas
quero dizer que o torniquete da civilização está
provocando dor no corpo & baba histérica
o delírio foi afastado da Teoria do Conhecimento
& nossas escolas estão atrasadas pelo menos cem anos
em relação às últimas descobertas científicas no
campo da física, biologia, astronomia, linguagem,
pesquisa espacial, religião, ecologia,
poesia-cósmica, etc.,
provocando abandono das escolas no vício de linguagem &
perda de tempo
em currículos de adestramento, onde nunca ninguém vai
estudar Einstein, Gerard de Nerval, Nietzsche,
Gilberto Freyre, J. Rostand, Fourier, W.
Heinsenberg, Paul Goodman, Virgílio, Murilo
Mendes, Max Born, Sousandrade, Hynek, G. Benn,
Barthes, Robert Sheckley, Rimbaud, Raymond
Roussel, Leopardi, Trakl, Rajneesh, Catulo, Crevel,
São Francisco, Vico, Darwin, Blake, Blavatsky,
Krucënych, Joyce, Reverdy, Villon, Novalis,
Marinetti, Heidegger & Jacob Boehme
& por essa razão a escola se coagulou em Galinheiro
onde se choca a histeria, o torcicolo & repressão
sexual,
não existindo mais saída a não ser fechá-la &
transformá-la em Cinema onde crianças &
adolescentes sigam de novo as pegadas da
Fantasia com muita bolinação no escuro.
Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma
preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano.
Por isso em nome da saúde mental das novas gerações
eu reivindico o seguinte:
1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.
2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os
garotos (as) da Febem, únicos capazes de
transformar a violência & angústia de suas almas
em música das esferas.
3 - Saunas para o povo.
4 - Construção urgente de mictórios públicos ( existem
pouquíssimos, o que prova que nossos políticos
nunca andam a Pé ) & espelhos.
5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o
Totem da nacionalidade. Organizar grupos de
Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver
as onças que vivem trançadas em zoológicos às
florestas. Abertura de inscrições para voluntários
que queiram se comunicar telepaticamente com
as onças para sabermos de suas reais dificuldades.
Desta maneira as onças poderiam passar uma
temporada de 2 semanas entre os homens &
nesse período poderiam servir de guias &
professores na orientação das crianças cegas.
6 - Criação de uma política eficiente & com grande
informação ao público em relação aos
Discos-Voadores. Formação de grupos de contato
& troca de informação. Facilitar relações eróticas
entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.
7 - Nova orientação dos neurônios através da
Gastronomia Combinada & da Respiração.
8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os)
explicando por que o coito anal derruba o Kapital
9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.
10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica
& do Pornosamba.
O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral
para que elas NÃO pensem eroticamente,
libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo
alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem
é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora
é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a
vida tanto melhor ".

2 110
Roberto Piva

Roberto Piva

Manifesto Utópico-Ecológico em Defesa da Poesia e do Delírio

Invocação
Ao Grande deus Dagon de olhos de fogo, ao deus da vegetação Dionisos, ao deus Puer que hipnotiza o Universo com seu ânus de diamante, ao deus Escorpião atravessando a cabeça do Anjo, ao deus Luper que desafiou as galáxias roedoras, a Baal deus da pedra negra, a Xangô deus-caralho fecundador da Tempestade.
Eu defendo o direito de todo ser Humano ao Pão & à Poesia
Estamos sendo destruídos em nosso núcleo biológico,
nosso espaço vital & dos animais está reduzido a
proporções ínfimas
quero dizer que o torniquete da civilização está
provocando dor no corpo & baba histérica
o delírio foi afastado da Teoria do Conhecimento
& nossas escolas estão atrasadas pelo menos cem anos
em relação às últimas descobertas científicas no
campo da física, biologia, astronomia, linguagem,
pesquisa espacial, religião, ecologia,
poesia-cósmica, etc.,
provocando abandono das escolas no vício de linguagem &
perda de tempo
em currículos de adestramento, onde nunca ninguém vai
estudar Einstein, Gerard de Nerval, Nietzsche,
Gilberto Freyre, J. Rostand, Fourier, W.
Heinsenberg, Paul Goodman, Virgílio, Murilo
Mendes, Max Born, Sousandrade, Hynek, G. Benn,
Barthes, Robert Sheckley, Rimbaud, Raymond
Roussel, Leopardi, Trakl, Rajneesh, Catulo, Crevel,
São Francisco, Vico, Darwin, Blake, Blavatsky,
Krucënych, Joyce, Reverdy, Villon, Novalis,
Marinetti, Heidegger & Jacob Boehme
& por essa razão a escola se coagulou em Galinheiro
onde se choca a histeria, o torcicolo & repressão
sexual,
não existindo mais saída a não ser fechá-la &
transformá-la em Cinema onde crianças &
adolescentes sigam de novo as pegadas da
Fantasia com muita bolinação no escuro.
Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma
preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano.
Por isso em nome da saúde mental das novas gerações
eu reivindico o seguinte:
1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.
2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os
garotos (as) da Febem, únicos capazes de
transformar a violência & angústia de suas almas
em música das esferas.
3 - Saunas para o povo.
4 - Construção urgente de mictórios públicos ( existem
pouquíssimos, o que prova que nossos políticos
nunca andam a Pé ) & espelhos.
5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o
Totem da nacionalidade. Organizar grupos de
Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver
as onças que vivem trançadas em zoológicos às
florestas. Abertura de inscrições para voluntários
que queiram se comunicar telepaticamente com
as onças para sabermos de suas reais dificuldades.
Desta maneira as onças poderiam passar uma
temporada de 2 semanas entre os homens &
nesse período poderiam servir de guias &
professores na orientação das crianças cegas.
6 - Criação de uma política eficiente & com grande
informação ao público em relação aos
Discos-Voadores. Formação de grupos de contato
& troca de informação. Facilitar relações eróticas
entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.
7 - Nova orientação dos neurônios através da
Gastronomia Combinada & da Respiração.
8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os)
explicando por que o coito anal derruba o Kapital
9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.
10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica
& do Pornosamba.
O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral
para que elas NÃO pensem eroticamente,
libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo
alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem
é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora
é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a
vida tanto melhor ".

2 110
Roberto Piva

Roberto Piva

Manifesto Utópico-Ecológico em Defesa da Poesia e do Delírio

Invocação
Ao Grande deus Dagon de olhos de fogo, ao deus da vegetação Dionisos, ao deus Puer que hipnotiza o Universo com seu ânus de diamante, ao deus Escorpião atravessando a cabeça do Anjo, ao deus Luper que desafiou as galáxias roedoras, a Baal deus da pedra negra, a Xangô deus-caralho fecundador da Tempestade.
Eu defendo o direito de todo ser Humano ao Pão & à Poesia
Estamos sendo destruídos em nosso núcleo biológico,
nosso espaço vital & dos animais está reduzido a
proporções ínfimas
quero dizer que o torniquete da civilização está
provocando dor no corpo & baba histérica
o delírio foi afastado da Teoria do Conhecimento
& nossas escolas estão atrasadas pelo menos cem anos
em relação às últimas descobertas científicas no
campo da física, biologia, astronomia, linguagem,
pesquisa espacial, religião, ecologia,
poesia-cósmica, etc.,
provocando abandono das escolas no vício de linguagem &
perda de tempo
em currículos de adestramento, onde nunca ninguém vai
estudar Einstein, Gerard de Nerval, Nietzsche,
Gilberto Freyre, J. Rostand, Fourier, W.
Heinsenberg, Paul Goodman, Virgílio, Murilo
Mendes, Max Born, Sousandrade, Hynek, G. Benn,
Barthes, Robert Sheckley, Rimbaud, Raymond
Roussel, Leopardi, Trakl, Rajneesh, Catulo, Crevel,
São Francisco, Vico, Darwin, Blake, Blavatsky,
Krucënych, Joyce, Reverdy, Villon, Novalis,
Marinetti, Heidegger & Jacob Boehme
& por essa razão a escola se coagulou em Galinheiro
onde se choca a histeria, o torcicolo & repressão
sexual,
não existindo mais saída a não ser fechá-la &
transformá-la em Cinema onde crianças &
adolescentes sigam de novo as pegadas da
Fantasia com muita bolinação no escuro.
Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma
preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano.
Por isso em nome da saúde mental das novas gerações
eu reivindico o seguinte:
1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.
2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os
garotos (as) da Febem, únicos capazes de
transformar a violência & angústia de suas almas
em música das esferas.
3 - Saunas para o povo.
4 - Construção urgente de mictórios públicos ( existem
pouquíssimos, o que prova que nossos políticos
nunca andam a Pé ) & espelhos.
5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o
Totem da nacionalidade. Organizar grupos de
Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver
as onças que vivem trançadas em zoológicos às
florestas. Abertura de inscrições para voluntários
que queiram se comunicar telepaticamente com
as onças para sabermos de suas reais dificuldades.
Desta maneira as onças poderiam passar uma
temporada de 2 semanas entre os homens &
nesse período poderiam servir de guias &
professores na orientação das crianças cegas.
6 - Criação de uma política eficiente & com grande
informação ao público em relação aos
Discos-Voadores. Formação de grupos de contato
& troca de informação. Facilitar relações eróticas
entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.
7 - Nova orientação dos neurônios através da
Gastronomia Combinada & da Respiração.
8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os)
explicando por que o coito anal derruba o Kapital
9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.
10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica
& do Pornosamba.
O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral
para que elas NÃO pensem eroticamente,
libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo
alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem
é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora
é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a
vida tanto melhor ".

2 110
Roberto Piva

Roberto Piva

Manifesto Utópico-Ecológico em Defesa da Poesia e do Delírio

Invocação
Ao Grande deus Dagon de olhos de fogo, ao deus da vegetação Dionisos, ao deus Puer que hipnotiza o Universo com seu ânus de diamante, ao deus Escorpião atravessando a cabeça do Anjo, ao deus Luper que desafiou as galáxias roedoras, a Baal deus da pedra negra, a Xangô deus-caralho fecundador da Tempestade.
Eu defendo o direito de todo ser Humano ao Pão & à Poesia
Estamos sendo destruídos em nosso núcleo biológico,
nosso espaço vital & dos animais está reduzido a
proporções ínfimas
quero dizer que o torniquete da civilização está
provocando dor no corpo & baba histérica
o delírio foi afastado da Teoria do Conhecimento
& nossas escolas estão atrasadas pelo menos cem anos
em relação às últimas descobertas científicas no
campo da física, biologia, astronomia, linguagem,
pesquisa espacial, religião, ecologia,
poesia-cósmica, etc.,
provocando abandono das escolas no vício de linguagem &
perda de tempo
em currículos de adestramento, onde nunca ninguém vai
estudar Einstein, Gerard de Nerval, Nietzsche,
Gilberto Freyre, J. Rostand, Fourier, W.
Heinsenberg, Paul Goodman, Virgílio, Murilo
Mendes, Max Born, Sousandrade, Hynek, G. Benn,
Barthes, Robert Sheckley, Rimbaud, Raymond
Roussel, Leopardi, Trakl, Rajneesh, Catulo, Crevel,
São Francisco, Vico, Darwin, Blake, Blavatsky,
Krucënych, Joyce, Reverdy, Villon, Novalis,
Marinetti, Heidegger & Jacob Boehme
& por essa razão a escola se coagulou em Galinheiro
onde se choca a histeria, o torcicolo & repressão
sexual,
não existindo mais saída a não ser fechá-la &
transformá-la em Cinema onde crianças &
adolescentes sigam de novo as pegadas da
Fantasia com muita bolinação no escuro.
Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma
preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano.
Por isso em nome da saúde mental das novas gerações
eu reivindico o seguinte:
1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.
2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os
garotos (as) da Febem, únicos capazes de
transformar a violência & angústia de suas almas
em música das esferas.
3 - Saunas para o povo.
4 - Construção urgente de mictórios públicos ( existem
pouquíssimos, o que prova que nossos políticos
nunca andam a Pé ) & espelhos.
5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o
Totem da nacionalidade. Organizar grupos de
Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver
as onças que vivem trançadas em zoológicos às
florestas. Abertura de inscrições para voluntários
que queiram se comunicar telepaticamente com
as onças para sabermos de suas reais dificuldades.
Desta maneira as onças poderiam passar uma
temporada de 2 semanas entre os homens &
nesse período poderiam servir de guias &
professores na orientação das crianças cegas.
6 - Criação de uma política eficiente & com grande
informação ao público em relação aos
Discos-Voadores. Formação de grupos de contato
& troca de informação. Facilitar relações eróticas
entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.
7 - Nova orientação dos neurônios através da
Gastronomia Combinada & da Respiração.
8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os)
explicando por que o coito anal derruba o Kapital
9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.
10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica
& do Pornosamba.
O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral
para que elas NÃO pensem eroticamente,
libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo
alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem
é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora
é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a
vida tanto melhor ".

2 110