Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Olga Savary
Construção
Eles são donos do mundo
e não sabem disso.
Daqui os vejo
bem no alto contra o espaço,
eles vem e vão
pássaros sérios
deslocando nuvens
Daqui os vejo criando
essa explosão precisa
de ferro cimento e paciência
— agora um bem pensado
esqueleto de superpostas vigas.
E a gente fica cismando como é belo
o que eles criam e o simples permanecer
de um operário no alto da sua construção.
O pequeno quadrado (que será elevador)
desce e sobe por ossos de madeira
do poço por eles trabalhado.
Eles constróem o mundo
eles divididos mas tão fortes
eles são o mundo
e não se importam.
Eles levantam os castelos de agora
castelões provisórios no alto de suas torres.
e não sabem disso.
Daqui os vejo
bem no alto contra o espaço,
eles vem e vão
pássaros sérios
deslocando nuvens
Daqui os vejo criando
essa explosão precisa
de ferro cimento e paciência
— agora um bem pensado
esqueleto de superpostas vigas.
E a gente fica cismando como é belo
o que eles criam e o simples permanecer
de um operário no alto da sua construção.
O pequeno quadrado (que será elevador)
desce e sobe por ossos de madeira
do poço por eles trabalhado.
Eles constróem o mundo
eles divididos mas tão fortes
eles são o mundo
e não se importam.
Eles levantam os castelos de agora
castelões provisórios no alto de suas torres.
1 693
Olga Savary
Construção
Eles são donos do mundo
e não sabem disso.
Daqui os vejo
bem no alto contra o espaço,
eles vem e vão
pássaros sérios
deslocando nuvens
Daqui os vejo criando
essa explosão precisa
de ferro cimento e paciência
— agora um bem pensado
esqueleto de superpostas vigas.
E a gente fica cismando como é belo
o que eles criam e o simples permanecer
de um operário no alto da sua construção.
O pequeno quadrado (que será elevador)
desce e sobe por ossos de madeira
do poço por eles trabalhado.
Eles constróem o mundo
eles divididos mas tão fortes
eles são o mundo
e não se importam.
Eles levantam os castelos de agora
castelões provisórios no alto de suas torres.
e não sabem disso.
Daqui os vejo
bem no alto contra o espaço,
eles vem e vão
pássaros sérios
deslocando nuvens
Daqui os vejo criando
essa explosão precisa
de ferro cimento e paciência
— agora um bem pensado
esqueleto de superpostas vigas.
E a gente fica cismando como é belo
o que eles criam e o simples permanecer
de um operário no alto da sua construção.
O pequeno quadrado (que será elevador)
desce e sobe por ossos de madeira
do poço por eles trabalhado.
Eles constróem o mundo
eles divididos mas tão fortes
eles são o mundo
e não se importam.
Eles levantam os castelos de agora
castelões provisórios no alto de suas torres.
1 693
Olga Savary
Construção
Eles são donos do mundo
e não sabem disso.
Daqui os vejo
bem no alto contra o espaço,
eles vem e vão
pássaros sérios
deslocando nuvens
Daqui os vejo criando
essa explosão precisa
de ferro cimento e paciência
— agora um bem pensado
esqueleto de superpostas vigas.
E a gente fica cismando como é belo
o que eles criam e o simples permanecer
de um operário no alto da sua construção.
O pequeno quadrado (que será elevador)
desce e sobe por ossos de madeira
do poço por eles trabalhado.
Eles constróem o mundo
eles divididos mas tão fortes
eles são o mundo
e não se importam.
Eles levantam os castelos de agora
castelões provisórios no alto de suas torres.
e não sabem disso.
Daqui os vejo
bem no alto contra o espaço,
eles vem e vão
pássaros sérios
deslocando nuvens
Daqui os vejo criando
essa explosão precisa
de ferro cimento e paciência
— agora um bem pensado
esqueleto de superpostas vigas.
E a gente fica cismando como é belo
o que eles criam e o simples permanecer
de um operário no alto da sua construção.
O pequeno quadrado (que será elevador)
desce e sobe por ossos de madeira
do poço por eles trabalhado.
Eles constróem o mundo
eles divididos mas tão fortes
eles são o mundo
e não se importam.
Eles levantam os castelos de agora
castelões provisórios no alto de suas torres.
1 693
Noel Nascimento
Reprise
Ao ancorar a nave
à laje
entre ciprestes
no campo sacro,
liberta no espaço
minha alma há de alegrar-se
de saudades.
Tê-las já é reportar-me
à viagem como se estivesse em curso.
Não seja triste a despedida
qual se de um sonho
não houvesse reprise.
Há miríades de galáxias,
infinidade de astros
e até universos paralelos.
Numa nova nave,
por bondade divina,
hei de encontrar outra Terra,
um mundo igualzinho ao de outrora,
um mesmo sol, a mesma lua,
— a casa, as ruas, as pessoas —,
a cidadezinha no alto
reviver tudo como era,
amar e repetir a vida
da viagem finda.
à laje
entre ciprestes
no campo sacro,
liberta no espaço
minha alma há de alegrar-se
de saudades.
Tê-las já é reportar-me
à viagem como se estivesse em curso.
Não seja triste a despedida
qual se de um sonho
não houvesse reprise.
Há miríades de galáxias,
infinidade de astros
e até universos paralelos.
Numa nova nave,
por bondade divina,
hei de encontrar outra Terra,
um mundo igualzinho ao de outrora,
um mesmo sol, a mesma lua,
— a casa, as ruas, as pessoas —,
a cidadezinha no alto
reviver tudo como era,
amar e repetir a vida
da viagem finda.
908
Noel Rosa
Cansei de Implorar
Já cansei de implorar
Pra você desguiar
Dizendo que a minha filha
Ainda é muito moça pra namorar
Meu Deus, que teimosia
Desista de insistir
Na delegacia você vai residir
Casar sem exibir credenciais
E sem dizer o nome dos seus pais
Não pode ser conversa para mim que sou doutor
Vá-se embora, por favor
Quem casa sem ter casa não se cria
Amor sem nota não tem mais valia
Você me diz que é advogado de valor
Mas eu também sou doutor.
Pra você desguiar
Dizendo que a minha filha
Ainda é muito moça pra namorar
Meu Deus, que teimosia
Desista de insistir
Na delegacia você vai residir
Casar sem exibir credenciais
E sem dizer o nome dos seus pais
Não pode ser conversa para mim que sou doutor
Vá-se embora, por favor
Quem casa sem ter casa não se cria
Amor sem nota não tem mais valia
Você me diz que é advogado de valor
Mas eu também sou doutor.
900
Noel Rosa
Amor de Parceria
Saibam primeiro
Que fulano é meu amigo
E com ele eu não brigo
Com ciúmes de você.
Você provocou briga entre rivais
Pra depois ver nos jornais
Seu nome, seu clichê.
Há muito tempo meu amigo já sabia
Que você me oferecia
Chocolate no jardim.
E começou a nossa parceria:
Eu fui por ele
E ele foi por mim.
Você pensou
Que fomos enganados,
Marcando encontro em dias alternados.
E nós fizemos a sua vontade.
Dentro daquele enredo
Eu e ele não tivemos prejuízo
Na sociedade.
Quando meu sócio
Namorava em seu portão,
Eu ficava na esquina
Distraindo seu irmão.
E quantas vezes eu perdia a fala
Quando estava sem tostão
E ele pedia bala!
Nós aturamos sua tia implicante
Mas filamos seu jantar,
Não pagamos restaurante.
Você não sai do nosso pensamento.
Você foi negócio, foi divertimento.
Que fulano é meu amigo
E com ele eu não brigo
Com ciúmes de você.
Você provocou briga entre rivais
Pra depois ver nos jornais
Seu nome, seu clichê.
Há muito tempo meu amigo já sabia
Que você me oferecia
Chocolate no jardim.
E começou a nossa parceria:
Eu fui por ele
E ele foi por mim.
Você pensou
Que fomos enganados,
Marcando encontro em dias alternados.
E nós fizemos a sua vontade.
Dentro daquele enredo
Eu e ele não tivemos prejuízo
Na sociedade.
Quando meu sócio
Namorava em seu portão,
Eu ficava na esquina
Distraindo seu irmão.
E quantas vezes eu perdia a fala
Quando estava sem tostão
E ele pedia bala!
Nós aturamos sua tia implicante
Mas filamos seu jantar,
Não pagamos restaurante.
Você não sai do nosso pensamento.
Você foi negócio, foi divertimento.
1 143
Noel Rosa
Capricho de Rapaz Solteiro
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
902
Noel Rosa
Capricho de Rapaz Solteiro
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
902
Noel Rosa
Capricho de Rapaz Solteiro
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
Me vê trabalhando.
Quem vive sambando
Leva a vida para o lado que quer.
De fome não se morre
Neste Rio de Janeiro,
Ser malandro é um capricho
De rapaz solteiro.
A mulher é um achado
Que nos perde e nos atrasa:
Não há malandro casado,
Pois malandro não se casa.
Com a bossa que eu te der,
Orgulhoso eu vou gritando:
Nunca mais esta mulher,
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando!
Antes de descer ao fundo
Perguntei ao escafandro
Se o mar é mais profundo
Que as idéias do malandro.
Vou, enquanto eu puder,
Meus caprichos sustentando.
Nunca mais esta mulher
Me vê trabalhando.
902
Dunshee de Abranches
A Selva
De pé, no tombadilho, olhos fitos no espaço,
Colombo, palpitante, estende o forte braço,
aos capitães mostrando, ao longe, sobre a esteira
dos negros vagalhões a luz de uma fogueira...
Há três noites velava, há três noites sentia
a esperança deixar-lhe o peito, e a fantasia
fugir-lhe já também. Rugiam os porões
de fome e de cansaço... e ocas conspirações
iam lentas mudando a bruta marinhagem
o amor do comandante em amor à carnagem.
Há três luas partira a frota de Castela;
e em cada uma lufada a enfunar a vela,
em toda a aurora nova, em todo o novo ocaso,
mais a pátria fugia, e mais e mais o acaso,
impávido matava as velhas tradições,
mostrando a cada instante aos crentes corações
que o Caos inda era a luz, que o Abismo inda era o mar!
jamais se vira um monstro, um só, se levantar
por sobre os vagalhões, grandíloquo, medonho,
como a Grécia sentiu nesse homérico sonho
que os templos levantou e fez as Odisséias.
Colombo, palpitante, estende o forte braço,
aos capitães mostrando, ao longe, sobre a esteira
dos negros vagalhões a luz de uma fogueira...
Há três noites velava, há três noites sentia
a esperança deixar-lhe o peito, e a fantasia
fugir-lhe já também. Rugiam os porões
de fome e de cansaço... e ocas conspirações
iam lentas mudando a bruta marinhagem
o amor do comandante em amor à carnagem.
Há três luas partira a frota de Castela;
e em cada uma lufada a enfunar a vela,
em toda a aurora nova, em todo o novo ocaso,
mais a pátria fugia, e mais e mais o acaso,
impávido matava as velhas tradições,
mostrando a cada instante aos crentes corações
que o Caos inda era a luz, que o Abismo inda era o mar!
jamais se vira um monstro, um só, se levantar
por sobre os vagalhões, grandíloquo, medonho,
como a Grécia sentiu nesse homérico sonho
que os templos levantou e fez as Odisséias.
1 045
Natalício Barroso
Definição
Venho de uma terra em que os homens
põem uma cadeira na calçada e se cumprimentam no meio da
rua.
De vez em quando contam uma história mal-assombrada
para amendrontar as crianças
e riem de si mesmos nos braços da cadeira.
longe ficava o mar
e os navios atracados nos livros de geografia;
os aviões decolando nos mapas escolares
e os primeiros automóveis buzinando na imaginação.
põem uma cadeira na calçada e se cumprimentam no meio da
rua.
De vez em quando contam uma história mal-assombrada
para amendrontar as crianças
e riem de si mesmos nos braços da cadeira.
longe ficava o mar
e os navios atracados nos livros de geografia;
os aviões decolando nos mapas escolares
e os primeiros automóveis buzinando na imaginação.
942
Neide Archanjo
Estou aqui
Estou aqui
numa das esquinas do planeta
entre o Mediterraneu e o Oceanus Atlanticus
nestas costas
onde cerraram-se para sempre
rios abras e baías
e mesmo algumas ilhas
estuários interiores.
Eu, selvagem, mulher silvestre,
florida em telas e museus
vergonhas não-cobertas
—ah, Iracemas Paraguaçus Moemas! —
entre os deleites da corte instalada.
Eu que não tive por trisavô nenhum celta
bem rico e bem atrevido no mar
a quem chamasse armador.
Eu que deixei para trás
sertões não-navegados
em terra e mar fundidos
nossas Aljubarrotas e Alcácer-Quibires
chão de estrelas e derrotas
compostas identidades
onde o imenso amadurece.
numa das esquinas do planeta
entre o Mediterraneu e o Oceanus Atlanticus
nestas costas
onde cerraram-se para sempre
rios abras e baías
e mesmo algumas ilhas
estuários interiores.
Eu, selvagem, mulher silvestre,
florida em telas e museus
vergonhas não-cobertas
—ah, Iracemas Paraguaçus Moemas! —
entre os deleites da corte instalada.
Eu que não tive por trisavô nenhum celta
bem rico e bem atrevido no mar
a quem chamasse armador.
Eu que deixei para trás
sertões não-navegados
em terra e mar fundidos
nossas Aljubarrotas e Alcácer-Quibires
chão de estrelas e derrotas
compostas identidades
onde o imenso amadurece.
1 010
Neide Archanjo
Estou aqui
Estou aqui
numa das esquinas do planeta
entre o Mediterraneu e o Oceanus Atlanticus
nestas costas
onde cerraram-se para sempre
rios abras e baías
e mesmo algumas ilhas
estuários interiores.
Eu, selvagem, mulher silvestre,
florida em telas e museus
vergonhas não-cobertas
—ah, Iracemas Paraguaçus Moemas! —
entre os deleites da corte instalada.
Eu que não tive por trisavô nenhum celta
bem rico e bem atrevido no mar
a quem chamasse armador.
Eu que deixei para trás
sertões não-navegados
em terra e mar fundidos
nossas Aljubarrotas e Alcácer-Quibires
chão de estrelas e derrotas
compostas identidades
onde o imenso amadurece.
numa das esquinas do planeta
entre o Mediterraneu e o Oceanus Atlanticus
nestas costas
onde cerraram-se para sempre
rios abras e baías
e mesmo algumas ilhas
estuários interiores.
Eu, selvagem, mulher silvestre,
florida em telas e museus
vergonhas não-cobertas
—ah, Iracemas Paraguaçus Moemas! —
entre os deleites da corte instalada.
Eu que não tive por trisavô nenhum celta
bem rico e bem atrevido no mar
a quem chamasse armador.
Eu que deixei para trás
sertões não-navegados
em terra e mar fundidos
nossas Aljubarrotas e Alcácer-Quibires
chão de estrelas e derrotas
compostas identidades
onde o imenso amadurece.
1 010
Neide Archanjo
Estou aqui
Estou aqui
numa das esquinas do planeta
entre o Mediterraneu e o Oceanus Atlanticus
nestas costas
onde cerraram-se para sempre
rios abras e baías
e mesmo algumas ilhas
estuários interiores.
Eu, selvagem, mulher silvestre,
florida em telas e museus
vergonhas não-cobertas
—ah, Iracemas Paraguaçus Moemas! —
entre os deleites da corte instalada.
Eu que não tive por trisavô nenhum celta
bem rico e bem atrevido no mar
a quem chamasse armador.
Eu que deixei para trás
sertões não-navegados
em terra e mar fundidos
nossas Aljubarrotas e Alcácer-Quibires
chão de estrelas e derrotas
compostas identidades
onde o imenso amadurece.
numa das esquinas do planeta
entre o Mediterraneu e o Oceanus Atlanticus
nestas costas
onde cerraram-se para sempre
rios abras e baías
e mesmo algumas ilhas
estuários interiores.
Eu, selvagem, mulher silvestre,
florida em telas e museus
vergonhas não-cobertas
—ah, Iracemas Paraguaçus Moemas! —
entre os deleites da corte instalada.
Eu que não tive por trisavô nenhum celta
bem rico e bem atrevido no mar
a quem chamasse armador.
Eu que deixei para trás
sertões não-navegados
em terra e mar fundidos
nossas Aljubarrotas e Alcácer-Quibires
chão de estrelas e derrotas
compostas identidades
onde o imenso amadurece.
1 010
Mutimati
O Ferro
Como se faz o ferro perguntou agora esta criança pequena
Que é um pastor de cabritos e há de ser homem
E há de ser um homem melhor que sabe do ferro
Com coragem de ferro e um coração generoso.
Expliquei-lhe mal porque só sei o que vi
E ninguém me falou nunca mais completo.
Menino: Há uma pedra de ferro que vem da Terra
Há outra pedra carvão que vem da Terra
Faz um forno de Terra como uma cabeça redonda
E no lugar dos cabelos põe canudos de Terra
Com dentro pedra de ferro bem apertada
E enche aquela cabeça de boca pequena
Com pedras carvão da Terra, bem apertadas.
Casa toda esta Terra de sorrisos diferentes
Com o Fogo macho acendido na manhã baixa
Com o Padrinho Ar de Fole sempre a dizer piadas
E a Madrinha Água Pouca esperando
Para dizer a sua sentença importante.
O ferro é o que fica da boda dos quatro elementos
Por isso o ferreiro é um Homem sábio
Faz a enxada, faz a machada, faz faca.
Com a semente de ferro que semeou
Planta e colhe nesta especial Agricultura
Come um pão de ferro que faz o coração generoso
O Ferreiro, este camponês especial
Menino.
Quanto tempo vai ficar esta criança pequena
Sem uma resposta melhor mais completa?
Que é um pastor de cabritos e há de ser homem
E há de ser um homem melhor que sabe do ferro
Com coragem de ferro e um coração generoso.
Expliquei-lhe mal porque só sei o que vi
E ninguém me falou nunca mais completo.
Menino: Há uma pedra de ferro que vem da Terra
Há outra pedra carvão que vem da Terra
Faz um forno de Terra como uma cabeça redonda
E no lugar dos cabelos põe canudos de Terra
Com dentro pedra de ferro bem apertada
E enche aquela cabeça de boca pequena
Com pedras carvão da Terra, bem apertadas.
Casa toda esta Terra de sorrisos diferentes
Com o Fogo macho acendido na manhã baixa
Com o Padrinho Ar de Fole sempre a dizer piadas
E a Madrinha Água Pouca esperando
Para dizer a sua sentença importante.
O ferro é o que fica da boda dos quatro elementos
Por isso o ferreiro é um Homem sábio
Faz a enxada, faz a machada, faz faca.
Com a semente de ferro que semeou
Planta e colhe nesta especial Agricultura
Come um pão de ferro que faz o coração generoso
O Ferreiro, este camponês especial
Menino.
Quanto tempo vai ficar esta criança pequena
Sem uma resposta melhor mais completa?
2 049
Mutimati
O Ferro
Como se faz o ferro perguntou agora esta criança pequena
Que é um pastor de cabritos e há de ser homem
E há de ser um homem melhor que sabe do ferro
Com coragem de ferro e um coração generoso.
Expliquei-lhe mal porque só sei o que vi
E ninguém me falou nunca mais completo.
Menino: Há uma pedra de ferro que vem da Terra
Há outra pedra carvão que vem da Terra
Faz um forno de Terra como uma cabeça redonda
E no lugar dos cabelos põe canudos de Terra
Com dentro pedra de ferro bem apertada
E enche aquela cabeça de boca pequena
Com pedras carvão da Terra, bem apertadas.
Casa toda esta Terra de sorrisos diferentes
Com o Fogo macho acendido na manhã baixa
Com o Padrinho Ar de Fole sempre a dizer piadas
E a Madrinha Água Pouca esperando
Para dizer a sua sentença importante.
O ferro é o que fica da boda dos quatro elementos
Por isso o ferreiro é um Homem sábio
Faz a enxada, faz a machada, faz faca.
Com a semente de ferro que semeou
Planta e colhe nesta especial Agricultura
Come um pão de ferro que faz o coração generoso
O Ferreiro, este camponês especial
Menino.
Quanto tempo vai ficar esta criança pequena
Sem uma resposta melhor mais completa?
Que é um pastor de cabritos e há de ser homem
E há de ser um homem melhor que sabe do ferro
Com coragem de ferro e um coração generoso.
Expliquei-lhe mal porque só sei o que vi
E ninguém me falou nunca mais completo.
Menino: Há uma pedra de ferro que vem da Terra
Há outra pedra carvão que vem da Terra
Faz um forno de Terra como uma cabeça redonda
E no lugar dos cabelos põe canudos de Terra
Com dentro pedra de ferro bem apertada
E enche aquela cabeça de boca pequena
Com pedras carvão da Terra, bem apertadas.
Casa toda esta Terra de sorrisos diferentes
Com o Fogo macho acendido na manhã baixa
Com o Padrinho Ar de Fole sempre a dizer piadas
E a Madrinha Água Pouca esperando
Para dizer a sua sentença importante.
O ferro é o que fica da boda dos quatro elementos
Por isso o ferreiro é um Homem sábio
Faz a enxada, faz a machada, faz faca.
Com a semente de ferro que semeou
Planta e colhe nesta especial Agricultura
Come um pão de ferro que faz o coração generoso
O Ferreiro, este camponês especial
Menino.
Quanto tempo vai ficar esta criança pequena
Sem uma resposta melhor mais completa?
2 049
Noel de Arriaga
Guitarra
Esta noite prefiro
O típico cenário
Desse velho retiro
Fadista e literário.
Na atmosfera de fumo,
Roçando pelo vício,
Em mim dum outro rumo
Encontro um vago indício.
Unem-se em gestos vãos,
Ao sabor da guitarra,
Suplicantes as mãos
Da fadista bizarra.
Se canta, logo após
Nos prende e enfeitiça
O que perdura em nós
Da sua voz castiça.
Meu coração já batia
Muito antes de te ver,
Mas só depois desse dia
É que eu o senti bater! ...
Candeeiros de cobre
Pousados sobre as mesas
Tingem de aspecto nobre
longas velas acesas.
Perfume de recado,
Em pouco se resume
O mistério do fado:
— No amor e no ciúme.
E também na saudade,
Mais funda hora a hora,
Que, fugindo à cidade,
Foi pela barra fora!
Saudade? Ciúme? Amor?
As naus da índia onde
Estão? Envolto em dor
Quem é que me responde?
Esta noite prefiro
O típico cenário
Desse velho retiro
Fadista e literário.
O típico cenário
Desse velho retiro
Fadista e literário.
Na atmosfera de fumo,
Roçando pelo vício,
Em mim dum outro rumo
Encontro um vago indício.
Unem-se em gestos vãos,
Ao sabor da guitarra,
Suplicantes as mãos
Da fadista bizarra.
Se canta, logo após
Nos prende e enfeitiça
O que perdura em nós
Da sua voz castiça.
Meu coração já batia
Muito antes de te ver,
Mas só depois desse dia
É que eu o senti bater! ...
Candeeiros de cobre
Pousados sobre as mesas
Tingem de aspecto nobre
longas velas acesas.
Perfume de recado,
Em pouco se resume
O mistério do fado:
— No amor e no ciúme.
E também na saudade,
Mais funda hora a hora,
Que, fugindo à cidade,
Foi pela barra fora!
Saudade? Ciúme? Amor?
As naus da índia onde
Estão? Envolto em dor
Quem é que me responde?
Esta noite prefiro
O típico cenário
Desse velho retiro
Fadista e literário.
831
Walkiria Lopes Cruz
Conversa Vai, Conversa Vem
Sem saber o que me esperava
eu liguei aquela TV que se digita
e pode falar numa tal Internet.
O computador!
Fui entrando numa sala
com uma tal faixa etária
e logo fui questionada:
— Quer conversar comigo?
Como estava sozinha, aceitei.
Conversa vai, conversa vem
justamente nele me gamei.
Nunca esperava conversar com aquele carioca de novo.
Mas numa segunda-feira o aparelho toca.
Era ele! Que loucura!
Conversa vai, conversa vem
ele me pede em namoro!
No mês do Carnaval ele vem me visitar
Vou esquecer tudo em volta
e deixar meu mundo rolar.
Com tudo isso
acredito muito mais em destino!!!
eu liguei aquela TV que se digita
e pode falar numa tal Internet.
O computador!
Fui entrando numa sala
com uma tal faixa etária
e logo fui questionada:
— Quer conversar comigo?
Como estava sozinha, aceitei.
Conversa vai, conversa vem
justamente nele me gamei.
Nunca esperava conversar com aquele carioca de novo.
Mas numa segunda-feira o aparelho toca.
Era ele! Que loucura!
Conversa vai, conversa vem
ele me pede em namoro!
No mês do Carnaval ele vem me visitar
Vou esquecer tudo em volta
e deixar meu mundo rolar.
Com tudo isso
acredito muito mais em destino!!!
873
Myriam Fraga
A Cidade
Foi plantada no mar
E entre corais se levanta.
O salitre é seu ar,
Sua coroa, sua trança
de salsugem,
Seu vestido de ametista,
Seu manto de sal
E musgo.
Armada em firme silêncio
Dependura-se dos montes
E tão precário equilíbrio
Se propõe
Que além da porta ou portada,
De janela ou de horizonte,
O que a sustenta é o mistério,
Triste chão, sombra vazia,
Tempo escorrendo das pedras,
Lacerado nas esquinas,
Tempo — sudário e guia.
Mas que fera (ou animal)
Esta cidade antiga
Com sua densa pupila
Espreitando entre torres,
Seu hálito de concha
A babujar segredos,
Deitada entre os meus pés,
Minha cadela e amiga.
Repete esta dureza
Este arfar entre dentes,
Seu pulmão de basalto
Onde a morte respira.
E nas sombras da tarde
Em sangue no poente,
Abre os olhos sem pálpebras
E dança. Em maresia
E estrelas afogada.
E nesta coreografia,
Sopro de antigas paisagens
Um calendário se arrasta,
Nas corroídas legendas
Apodrecidas fachadas
A mastigar as divisas
E outros símbolos manchados,
Nos brasões onde goteja
O limo do esquecimento.
Não fosse a imaginada
Profecia, face e apelo
Das inscrições lapidares
Palimpsesto ou astrolábio
Na pedra, na cal, nos muros,
Fendida casca de um mundo
Coagulado em memórias.
Restavam ossos e nomes,
Desassistida batalha
Contra o tempo. E esta cidade,
Com seu signo, seu quadrante
De cristal,
Sua mensagem de calcário,
Desfeita em vaga o soluço,
Mergulharia no espaço
Pássaro alado, albergália.
E entre corais se levanta.
O salitre é seu ar,
Sua coroa, sua trança
de salsugem,
Seu vestido de ametista,
Seu manto de sal
E musgo.
Armada em firme silêncio
Dependura-se dos montes
E tão precário equilíbrio
Se propõe
Que além da porta ou portada,
De janela ou de horizonte,
O que a sustenta é o mistério,
Triste chão, sombra vazia,
Tempo escorrendo das pedras,
Lacerado nas esquinas,
Tempo — sudário e guia.
Mas que fera (ou animal)
Esta cidade antiga
Com sua densa pupila
Espreitando entre torres,
Seu hálito de concha
A babujar segredos,
Deitada entre os meus pés,
Minha cadela e amiga.
Repete esta dureza
Este arfar entre dentes,
Seu pulmão de basalto
Onde a morte respira.
E nas sombras da tarde
Em sangue no poente,
Abre os olhos sem pálpebras
E dança. Em maresia
E estrelas afogada.
E nesta coreografia,
Sopro de antigas paisagens
Um calendário se arrasta,
Nas corroídas legendas
Apodrecidas fachadas
A mastigar as divisas
E outros símbolos manchados,
Nos brasões onde goteja
O limo do esquecimento.
Não fosse a imaginada
Profecia, face e apelo
Das inscrições lapidares
Palimpsesto ou astrolábio
Na pedra, na cal, nos muros,
Fendida casca de um mundo
Coagulado em memórias.
Restavam ossos e nomes,
Desassistida batalha
Contra o tempo. E esta cidade,
Com seu signo, seu quadrante
De cristal,
Sua mensagem de calcário,
Desfeita em vaga o soluço,
Mergulharia no espaço
Pássaro alado, albergália.
1 215
Noel de Arriaga
Lisboa
— Mãe! Quero ver o Castelo
E depois fecha-me os olhos!
Adeus Terreiro do Paço!
Adeus Torre de Belém!
Adeus ruelas estreitas
Altas horas, sem ninguém!
Adeus estrelas tombando
Nas águas mansas do Tejo!
Adeus, adeus nostalgia
Das saudades que antevejo!
Adeus guitarras gemendo
Através dos bairros fáceis!
Adeus varinas-meninas
Dos seios que foram gráceis!
Adeus sotaque estrangeiro
Que a guerra trouxe até nós!
Adeus fadista em que o fado
Serviu de herói e de algoz!
Adeus poetas sem pátria!
Adeus pátria dos poetas!
Adeus Lisboa, cidade
Que no sonho te completas!
— Mãe! Quero ver o Castelo
E depois fecha-me os olhos!
E depois fecha-me os olhos!
Adeus Terreiro do Paço!
Adeus Torre de Belém!
Adeus ruelas estreitas
Altas horas, sem ninguém!
Adeus estrelas tombando
Nas águas mansas do Tejo!
Adeus, adeus nostalgia
Das saudades que antevejo!
Adeus guitarras gemendo
Através dos bairros fáceis!
Adeus varinas-meninas
Dos seios que foram gráceis!
Adeus sotaque estrangeiro
Que a guerra trouxe até nós!
Adeus fadista em que o fado
Serviu de herói e de algoz!
Adeus poetas sem pátria!
Adeus pátria dos poetas!
Adeus Lisboa, cidade
Que no sonho te completas!
— Mãe! Quero ver o Castelo
E depois fecha-me os olhos!
1 083
Noel de Arriaga
Lisboa
— Mãe! Quero ver o Castelo
E depois fecha-me os olhos!
Adeus Terreiro do Paço!
Adeus Torre de Belém!
Adeus ruelas estreitas
Altas horas, sem ninguém!
Adeus estrelas tombando
Nas águas mansas do Tejo!
Adeus, adeus nostalgia
Das saudades que antevejo!
Adeus guitarras gemendo
Através dos bairros fáceis!
Adeus varinas-meninas
Dos seios que foram gráceis!
Adeus sotaque estrangeiro
Que a guerra trouxe até nós!
Adeus fadista em que o fado
Serviu de herói e de algoz!
Adeus poetas sem pátria!
Adeus pátria dos poetas!
Adeus Lisboa, cidade
Que no sonho te completas!
— Mãe! Quero ver o Castelo
E depois fecha-me os olhos!
E depois fecha-me os olhos!
Adeus Terreiro do Paço!
Adeus Torre de Belém!
Adeus ruelas estreitas
Altas horas, sem ninguém!
Adeus estrelas tombando
Nas águas mansas do Tejo!
Adeus, adeus nostalgia
Das saudades que antevejo!
Adeus guitarras gemendo
Através dos bairros fáceis!
Adeus varinas-meninas
Dos seios que foram gráceis!
Adeus sotaque estrangeiro
Que a guerra trouxe até nós!
Adeus fadista em que o fado
Serviu de herói e de algoz!
Adeus poetas sem pátria!
Adeus pátria dos poetas!
Adeus Lisboa, cidade
Que no sonho te completas!
— Mãe! Quero ver o Castelo
E depois fecha-me os olhos!
1 083
Murillo Mendes
O Filho do Século
Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.
1 326
Murillo Mendes
O Filho do Século
Nunca mais andarei de bicicleta
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.
Nem conversarei no portão
Com meninas de cabelos cacheados
Adeus valsa "Danúbio Azul"
Adeus tardes preguiçosas
Adeus cheiros do mundo sambas
Adeus puro amor
Atirei ao fogo a medalhinha da Virgem
Não tenho forças para gritar um grande grito
Cairei no chão do século vinte
Aguardem-me lá fora
As multidões famintas justiceiras
Sujeitos com gases venenosos
É a hora das barricadas
É a hora da fuzilamento, da raiva maior
Os vivos pedem vingança
Os mortos minerais vegetais pedem vingança
É a hora do protesto geral
É a hora dos vôos destruidores
É a hora das barricadas, dos fuzilamentos
Fomes desejos ânsias sonhos perdidos,
Misérias de todos os países uni-vos
Fogem a galope os anjos-aviões
Carregando o cálice da esperança
Tempo espaço firmes porque me abandonastes.
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