Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Luiz de Miranda
Viagem
O que viaja em nós
às vezes é infeliz
como a alegria do meu país.
Mas o que ama brilha,
viaja além do ônibus, da tristeza,
na estrada, na estrela,
principalmente no amor
que cala nossa dor,
inventa a esperança
e faz a fala da paixão.
Publicado no livro Livro do passageiro (1992).
In: MIRANDA, Luiz de. Poesia reunida, 1967/1992. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Porto Alegre: IEL, 1992. p.4
às vezes é infeliz
como a alegria do meu país.
Mas o que ama brilha,
viaja além do ônibus, da tristeza,
na estrada, na estrela,
principalmente no amor
que cala nossa dor,
inventa a esperança
e faz a fala da paixão.
Publicado no livro Livro do passageiro (1992).
In: MIRANDA, Luiz de. Poesia reunida, 1967/1992. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Porto Alegre: IEL, 1992. p.4
1 606
5
Thiago de Mello
Iniciação do Prisioneiro
(Poema escrito a 21 de novembro de
1965, numa cela do Quartel da Polícia
do Exército, no Rio de Janeiro, ao qual
o autor foi recolhido por haver participado
de uma manifestação contra a ditadura,
em frente ao Hotel Glória, no
instante mesmo em que ali chegava o
ditador para inaugurar a Conferência
da OEA. Desse protesto participaram,
entre outros, os companheiros Antônio
Callado, Jayme de Azevedo Rodrigues,
Carlos Heitor Cony, Márcio Moreira
Alves, Flávio Rangel, Glauber Rocha,
Joaquim Pedro de Andrade e Mário
Carneiro, todos eles presos — e aos
quais é dedicado este poema.)
É preciso que Amor seja a primeira
palavra a ser gravada nesta cela.
Para servir-me agora e companheira
seja amanhã de quem precise dela.
Não sei o que vai vir, mas se desprende
dessa palavra tanta claridão,
que com poder de povo me defende
e me mantém erguido o coração.
No muro sujo, Amor é uma alegria
que ninguém sabe, livre e luminosa
como as lanças de sol da rebeldia,
que é amor, é brasa e de repente é rosa.
Publicado no livro Faz Escuro Mas Eu Canto. A Canção do Amor Armado (1966).
In: MELLO, Thiago de. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198
1965, numa cela do Quartel da Polícia
do Exército, no Rio de Janeiro, ao qual
o autor foi recolhido por haver participado
de uma manifestação contra a ditadura,
em frente ao Hotel Glória, no
instante mesmo em que ali chegava o
ditador para inaugurar a Conferência
da OEA. Desse protesto participaram,
entre outros, os companheiros Antônio
Callado, Jayme de Azevedo Rodrigues,
Carlos Heitor Cony, Márcio Moreira
Alves, Flávio Rangel, Glauber Rocha,
Joaquim Pedro de Andrade e Mário
Carneiro, todos eles presos — e aos
quais é dedicado este poema.)
É preciso que Amor seja a primeira
palavra a ser gravada nesta cela.
Para servir-me agora e companheira
seja amanhã de quem precise dela.
Não sei o que vai vir, mas se desprende
dessa palavra tanta claridão,
que com poder de povo me defende
e me mantém erguido o coração.
No muro sujo, Amor é uma alegria
que ninguém sabe, livre e luminosa
como as lanças de sol da rebeldia,
que é amor, é brasa e de repente é rosa.
Publicado no livro Faz Escuro Mas Eu Canto. A Canção do Amor Armado (1966).
In: MELLO, Thiago de. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198
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5
Thiago de Mello
Iniciação do Prisioneiro
(Poema escrito a 21 de novembro de
1965, numa cela do Quartel da Polícia
do Exército, no Rio de Janeiro, ao qual
o autor foi recolhido por haver participado
de uma manifestação contra a ditadura,
em frente ao Hotel Glória, no
instante mesmo em que ali chegava o
ditador para inaugurar a Conferência
da OEA. Desse protesto participaram,
entre outros, os companheiros Antônio
Callado, Jayme de Azevedo Rodrigues,
Carlos Heitor Cony, Márcio Moreira
Alves, Flávio Rangel, Glauber Rocha,
Joaquim Pedro de Andrade e Mário
Carneiro, todos eles presos — e aos
quais é dedicado este poema.)
É preciso que Amor seja a primeira
palavra a ser gravada nesta cela.
Para servir-me agora e companheira
seja amanhã de quem precise dela.
Não sei o que vai vir, mas se desprende
dessa palavra tanta claridão,
que com poder de povo me defende
e me mantém erguido o coração.
No muro sujo, Amor é uma alegria
que ninguém sabe, livre e luminosa
como as lanças de sol da rebeldia,
que é amor, é brasa e de repente é rosa.
Publicado no livro Faz Escuro Mas Eu Canto. A Canção do Amor Armado (1966).
In: MELLO, Thiago de. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198
1965, numa cela do Quartel da Polícia
do Exército, no Rio de Janeiro, ao qual
o autor foi recolhido por haver participado
de uma manifestação contra a ditadura,
em frente ao Hotel Glória, no
instante mesmo em que ali chegava o
ditador para inaugurar a Conferência
da OEA. Desse protesto participaram,
entre outros, os companheiros Antônio
Callado, Jayme de Azevedo Rodrigues,
Carlos Heitor Cony, Márcio Moreira
Alves, Flávio Rangel, Glauber Rocha,
Joaquim Pedro de Andrade e Mário
Carneiro, todos eles presos — e aos
quais é dedicado este poema.)
É preciso que Amor seja a primeira
palavra a ser gravada nesta cela.
Para servir-me agora e companheira
seja amanhã de quem precise dela.
Não sei o que vai vir, mas se desprende
dessa palavra tanta claridão,
que com poder de povo me defende
e me mantém erguido o coração.
No muro sujo, Amor é uma alegria
que ninguém sabe, livre e luminosa
como as lanças de sol da rebeldia,
que é amor, é brasa e de repente é rosa.
Publicado no livro Faz Escuro Mas Eu Canto. A Canção do Amor Armado (1966).
In: MELLO, Thiago de. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198
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5
Sousândrade
Canto Segundo [III
(Alvissareiras no areial:)
— Aos céus sobem estrelas,
Tupã-Caramuru!
É Lindóia, Moema
Coema,
É a Paraguaçu;
— Sobem céus as estrelas,
Do festim rosicler!
Idalinas, Verbenas
De Atenas,
Corações de mulher;
— Moreninhas, Consuelos,
Olho-azul Marabás,
Palidez Juvenílias,
Marílias
Sem Gonzaga Tomás!
(...)
(Netuno:)
— Os poetas plagiam,
Desde rei Salomão:
Se Deus cria — procriam,
Transcriam —
Mafamed e Sultão
(...)
(Cunhãmas e Cunhãtans:)
— Lamartine é sagrado?
— Se não tem maracás,
Ô, ô, ô! — vibram arcos
Macacos,
Tatus-Tupinambás.
(...)
Publicado no livro Impressos (1868/1869). Poema integrante da série Guesa Errante.
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
— Aos céus sobem estrelas,
Tupã-Caramuru!
É Lindóia, Moema
Coema,
É a Paraguaçu;
— Sobem céus as estrelas,
Do festim rosicler!
Idalinas, Verbenas
De Atenas,
Corações de mulher;
— Moreninhas, Consuelos,
Olho-azul Marabás,
Palidez Juvenílias,
Marílias
Sem Gonzaga Tomás!
(...)
(Netuno:)
— Os poetas plagiam,
Desde rei Salomão:
Se Deus cria — procriam,
Transcriam —
Mafamed e Sultão
(...)
(Cunhãmas e Cunhãtans:)
— Lamartine é sagrado?
— Se não tem maracás,
Ô, ô, ô! — vibram arcos
Macacos,
Tatus-Tupinambás.
(...)
Publicado no livro Impressos (1868/1869). Poema integrante da série Guesa Errante.
In: SOUSÂNDRADE. O Guesa. Londres: Cooke e Halsted, The Moorfields Press, 1888
NOTA: Poema inacabado, composto de 13 canto
4 657
5
Juó Bananére
Migna Terra
Migna terra tê parmeras,
Che ganta ínzima o sabiá.
As aves che stó aqui,
Tambê tuttos sabi gorgeá.
A abobora celestia tambê,
Che tê lá na mia terra,
Tê moltos millió di strella
Che non tê na Ingraterra.
Os rios lá sô maise grandi
Dus rio di tuttas naçó;
I os matto si perdi di vista,
Nu meio da imensidó.
Na migna terra tê parmeras
Dove ganta a galligna dangola;
Na minha terra tê o Vap'relli,
Chi só anda di gartolla.
In: BANANÉRE, Juó. La divina increnca. 2.ed. Pref. Mário Leite. São Paulo: Folco Masucci, 1966
NOTA: Paródia da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846), de Gonçalves Dia
Che ganta ínzima o sabiá.
As aves che stó aqui,
Tambê tuttos sabi gorgeá.
A abobora celestia tambê,
Che tê lá na mia terra,
Tê moltos millió di strella
Che non tê na Ingraterra.
Os rios lá sô maise grandi
Dus rio di tuttas naçó;
I os matto si perdi di vista,
Nu meio da imensidó.
Na migna terra tê parmeras
Dove ganta a galligna dangola;
Na minha terra tê o Vap'relli,
Chi só anda di gartolla.
In: BANANÉRE, Juó. La divina increnca. 2.ed. Pref. Mário Leite. São Paulo: Folco Masucci, 1966
NOTA: Paródia da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846), de Gonçalves Dia
6 892
5
Lindolf Bell
A Ordem do Dia
A ordem do dia
é ver tudo
mas não ver nada.
A ordem do dia
é comparecer ao banquete irreal,
comer faisões dourados
em memória da memória
hermeticamente fechada
por um decreto.
A ordem vem de cima
para os de baixo
— claro e preciso
punhal do crime.
Nenhum pássaro,
rio nenhum.
Nenhum vento,
mar nenhum.
Nenhum estalido,
amor clandestino nenhum.
Nenhuma corda
de guitarra nenhuma.
Apenas os clarins oficiais
de poderosos senhores feudais.
nas ruas
nos vales
nos bares
nas escolas
nos aniversários
nos sonhos
nas praças
A ordem do dia
é uma ordem sombria.
Quem pretende repartir
o prato desta melancolia?
Poema integrante da série Arrebentação.
In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
é ver tudo
mas não ver nada.
A ordem do dia
é comparecer ao banquete irreal,
comer faisões dourados
em memória da memória
hermeticamente fechada
por um decreto.
A ordem vem de cima
para os de baixo
— claro e preciso
punhal do crime.
Nenhum pássaro,
rio nenhum.
Nenhum vento,
mar nenhum.
Nenhum estalido,
amor clandestino nenhum.
Nenhuma corda
de guitarra nenhuma.
Apenas os clarins oficiais
de poderosos senhores feudais.
nas ruas
nos vales
nos bares
nas escolas
nos aniversários
nos sonhos
nas praças
A ordem do dia
é uma ordem sombria.
Quem pretende repartir
o prato desta melancolia?
Poema integrante da série Arrebentação.
In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
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Lindolf Bell
A Ordem do Dia
A ordem do dia
é ver tudo
mas não ver nada.
A ordem do dia
é comparecer ao banquete irreal,
comer faisões dourados
em memória da memória
hermeticamente fechada
por um decreto.
A ordem vem de cima
para os de baixo
— claro e preciso
punhal do crime.
Nenhum pássaro,
rio nenhum.
Nenhum vento,
mar nenhum.
Nenhum estalido,
amor clandestino nenhum.
Nenhuma corda
de guitarra nenhuma.
Apenas os clarins oficiais
de poderosos senhores feudais.
nas ruas
nos vales
nos bares
nas escolas
nos aniversários
nos sonhos
nas praças
A ordem do dia
é uma ordem sombria.
Quem pretende repartir
o prato desta melancolia?
Poema integrante da série Arrebentação.
In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
é ver tudo
mas não ver nada.
A ordem do dia
é comparecer ao banquete irreal,
comer faisões dourados
em memória da memória
hermeticamente fechada
por um decreto.
A ordem vem de cima
para os de baixo
— claro e preciso
punhal do crime.
Nenhum pássaro,
rio nenhum.
Nenhum vento,
mar nenhum.
Nenhum estalido,
amor clandestino nenhum.
Nenhuma corda
de guitarra nenhuma.
Apenas os clarins oficiais
de poderosos senhores feudais.
nas ruas
nos vales
nos bares
nas escolas
nos aniversários
nos sonhos
nas praças
A ordem do dia
é uma ordem sombria.
Quem pretende repartir
o prato desta melancolia?
Poema integrante da série Arrebentação.
In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
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Lindolf Bell
A Ordem do Dia
A ordem do dia
é ver tudo
mas não ver nada.
A ordem do dia
é comparecer ao banquete irreal,
comer faisões dourados
em memória da memória
hermeticamente fechada
por um decreto.
A ordem vem de cima
para os de baixo
— claro e preciso
punhal do crime.
Nenhum pássaro,
rio nenhum.
Nenhum vento,
mar nenhum.
Nenhum estalido,
amor clandestino nenhum.
Nenhuma corda
de guitarra nenhuma.
Apenas os clarins oficiais
de poderosos senhores feudais.
nas ruas
nos vales
nos bares
nas escolas
nos aniversários
nos sonhos
nas praças
A ordem do dia
é uma ordem sombria.
Quem pretende repartir
o prato desta melancolia?
Poema integrante da série Arrebentação.
In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
é ver tudo
mas não ver nada.
A ordem do dia
é comparecer ao banquete irreal,
comer faisões dourados
em memória da memória
hermeticamente fechada
por um decreto.
A ordem vem de cima
para os de baixo
— claro e preciso
punhal do crime.
Nenhum pássaro,
rio nenhum.
Nenhum vento,
mar nenhum.
Nenhum estalido,
amor clandestino nenhum.
Nenhuma corda
de guitarra nenhuma.
Apenas os clarins oficiais
de poderosos senhores feudais.
nas ruas
nos vales
nos bares
nas escolas
nos aniversários
nos sonhos
nas praças
A ordem do dia
é uma ordem sombria.
Quem pretende repartir
o prato desta melancolia?
Poema integrante da série Arrebentação.
In: BELL, Lindolf. Incorporação: doze anos de poesia, 1962/1973. São Paulo: Quíron, 1974. (Sélesis, 3)
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Carlos Drummond de Andrade
Confidência do Itabirano
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço :
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa. . .
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço :
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa. . .
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
7 425
5
Cacaso
Lero-Lero
Sou brasileiro
de estatura mediana
gosto muito de fulana
mas sicrana é quem me quer
porque no amor
quem perde quase sempre ganha
veja só que coisa estranha
saia dessa se puder
Eu sou poeta
e não nego minha raça
faço verso por pirraça
e também por precisão
de pé quebrado
verso branco rima rica
negaceio dou a dica
tenho a minha solução
Não guardo mágoa
não blasfemo não pondero
não tolero lero-lero
devo nada pra ninguém
sou esforçado
minha vida levo a muque
do batente pro batuque
faço como me convém
Sou brasileiro
tatu-peba taturana
bom de bola ruim de grana
tabuada sei de cor
4 x 7
28 noves fora
ou a onça me devora
ou no fim vou rir melhor
Não entro em rifa
não adoço não tempero
não remarco o marco zero
se falei não volto atrás
por onde passo
deixo rastro deito fama
desarrumo toda trama
desacato satanás
Diz um ditado
natural da minha terra
bom cabrito é o que mais berra
onde canta o sabiá
desacredito
no azar da minha sina
tico-tico de rapina
ninguém leva o meu fubá
Publicado no livro Mar de mineiro: poemas e canções (1982). Poema integrante da série Sete Preto.
In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.154-155
NOTA: Música de Edu Lobo. Referência à "Canção do Exílo", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846), de Gonçalves Dias, e à canção "Tico-Tico no Fubá", de Zequinha de Abre
de estatura mediana
gosto muito de fulana
mas sicrana é quem me quer
porque no amor
quem perde quase sempre ganha
veja só que coisa estranha
saia dessa se puder
Eu sou poeta
e não nego minha raça
faço verso por pirraça
e também por precisão
de pé quebrado
verso branco rima rica
negaceio dou a dica
tenho a minha solução
Não guardo mágoa
não blasfemo não pondero
não tolero lero-lero
devo nada pra ninguém
sou esforçado
minha vida levo a muque
do batente pro batuque
faço como me convém
Sou brasileiro
tatu-peba taturana
bom de bola ruim de grana
tabuada sei de cor
4 x 7
28 noves fora
ou a onça me devora
ou no fim vou rir melhor
Não entro em rifa
não adoço não tempero
não remarco o marco zero
se falei não volto atrás
por onde passo
deixo rastro deito fama
desarrumo toda trama
desacato satanás
Diz um ditado
natural da minha terra
bom cabrito é o que mais berra
onde canta o sabiá
desacredito
no azar da minha sina
tico-tico de rapina
ninguém leva o meu fubá
Publicado no livro Mar de mineiro: poemas e canções (1982). Poema integrante da série Sete Preto.
In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.154-155
NOTA: Música de Edu Lobo. Referência à "Canção do Exílo", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846), de Gonçalves Dias, e à canção "Tico-Tico no Fubá", de Zequinha de Abre
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5
Cacaso
Lero-Lero
Sou brasileiro
de estatura mediana
gosto muito de fulana
mas sicrana é quem me quer
porque no amor
quem perde quase sempre ganha
veja só que coisa estranha
saia dessa se puder
Eu sou poeta
e não nego minha raça
faço verso por pirraça
e também por precisão
de pé quebrado
verso branco rima rica
negaceio dou a dica
tenho a minha solução
Não guardo mágoa
não blasfemo não pondero
não tolero lero-lero
devo nada pra ninguém
sou esforçado
minha vida levo a muque
do batente pro batuque
faço como me convém
Sou brasileiro
tatu-peba taturana
bom de bola ruim de grana
tabuada sei de cor
4 x 7
28 noves fora
ou a onça me devora
ou no fim vou rir melhor
Não entro em rifa
não adoço não tempero
não remarco o marco zero
se falei não volto atrás
por onde passo
deixo rastro deito fama
desarrumo toda trama
desacato satanás
Diz um ditado
natural da minha terra
bom cabrito é o que mais berra
onde canta o sabiá
desacredito
no azar da minha sina
tico-tico de rapina
ninguém leva o meu fubá
Publicado no livro Mar de mineiro: poemas e canções (1982). Poema integrante da série Sete Preto.
In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.154-155
NOTA: Música de Edu Lobo. Referência à "Canção do Exílo", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846), de Gonçalves Dias, e à canção "Tico-Tico no Fubá", de Zequinha de Abre
de estatura mediana
gosto muito de fulana
mas sicrana é quem me quer
porque no amor
quem perde quase sempre ganha
veja só que coisa estranha
saia dessa se puder
Eu sou poeta
e não nego minha raça
faço verso por pirraça
e também por precisão
de pé quebrado
verso branco rima rica
negaceio dou a dica
tenho a minha solução
Não guardo mágoa
não blasfemo não pondero
não tolero lero-lero
devo nada pra ninguém
sou esforçado
minha vida levo a muque
do batente pro batuque
faço como me convém
Sou brasileiro
tatu-peba taturana
bom de bola ruim de grana
tabuada sei de cor
4 x 7
28 noves fora
ou a onça me devora
ou no fim vou rir melhor
Não entro em rifa
não adoço não tempero
não remarco o marco zero
se falei não volto atrás
por onde passo
deixo rastro deito fama
desarrumo toda trama
desacato satanás
Diz um ditado
natural da minha terra
bom cabrito é o que mais berra
onde canta o sabiá
desacredito
no azar da minha sina
tico-tico de rapina
ninguém leva o meu fubá
Publicado no livro Mar de mineiro: poemas e canções (1982). Poema integrante da série Sete Preto.
In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.154-155
NOTA: Música de Edu Lobo. Referência à "Canção do Exílo", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846), de Gonçalves Dias, e à canção "Tico-Tico no Fubá", de Zequinha de Abre
8 874
5
Tobias Barreto
Padre J A de Faro Leitão
Bicho de faro é cachorro,
Filho de porca é leitão:
Quem ligou as duas raças
Nesta igreja da Missão?
Poema integrante da série Apêndice.
In: BARRETO, Tobias. Dias e noites. Org. Luiz Antonio Barreto. Introd. e notas Jackson da Silva Lima. 7.ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Record; Brasília: INL, 1989. (Obras completas)
Filho de porca é leitão:
Quem ligou as duas raças
Nesta igreja da Missão?
Poema integrante da série Apêndice.
In: BARRETO, Tobias. Dias e noites. Org. Luiz Antonio Barreto. Introd. e notas Jackson da Silva Lima. 7.ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Record; Brasília: INL, 1989. (Obras completas)
3 174
5
Evaristo da Veiga
Hino Constitucional Brasiliense
1o.
Já podeis filhos da Pátria
Ver contente a Mãe gentil;
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
2o.
Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve Mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
3o.
O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito dos Tiranos
Quis ficar no seu Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
4o.
Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugirão apressadas
Vendo o Anjo do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
5o.
Mal soou na serra ao longe
Nosso grito varonil;
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
6o.
Filhos clama, caros filhos,
E depois de afrontas mil,
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil.
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre;
Ou morrer pelo Brasil.
7o.
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
8o.
Mostra Pedro a vossa fronte
Alma intrépida e viril:
Tende nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
9o.
Parabéns oh Brasileiros,
Já com garbo juvenil
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
10o.
Parabéns; já somos livres;
Já brilhante, e senhoril
Vai juntar-se em nossos lares
A Assembléia do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
Imagem - 01930003
In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.105
NOTA: Música de D. Pedro
Já podeis filhos da Pátria
Ver contente a Mãe gentil;
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
2o.
Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve Mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
3o.
O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito dos Tiranos
Quis ficar no seu Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
4o.
Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugirão apressadas
Vendo o Anjo do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
5o.
Mal soou na serra ao longe
Nosso grito varonil;
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
6o.
Filhos clama, caros filhos,
E depois de afrontas mil,
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil.
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre;
Ou morrer pelo Brasil.
7o.
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
8o.
Mostra Pedro a vossa fronte
Alma intrépida e viril:
Tende nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
9o.
Parabéns oh Brasileiros,
Já com garbo juvenil
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
10o.
Parabéns; já somos livres;
Já brilhante, e senhoril
Vai juntar-se em nossos lares
A Assembléia do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
Imagem - 01930003
In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.105
NOTA: Música de D. Pedro
5 812
5
Evaristo da Veiga
Hino Constitucional Brasiliense
1o.
Já podeis filhos da Pátria
Ver contente a Mãe gentil;
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
2o.
Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve Mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
3o.
O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito dos Tiranos
Quis ficar no seu Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
4o.
Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugirão apressadas
Vendo o Anjo do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
5o.
Mal soou na serra ao longe
Nosso grito varonil;
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
6o.
Filhos clama, caros filhos,
E depois de afrontas mil,
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil.
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre;
Ou morrer pelo Brasil.
7o.
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
8o.
Mostra Pedro a vossa fronte
Alma intrépida e viril:
Tende nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
9o.
Parabéns oh Brasileiros,
Já com garbo juvenil
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
10o.
Parabéns; já somos livres;
Já brilhante, e senhoril
Vai juntar-se em nossos lares
A Assembléia do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
Imagem - 01930003
In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.105
NOTA: Música de D. Pedro
Já podeis filhos da Pátria
Ver contente a Mãe gentil;
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
2o.
Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve Mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
3o.
O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito dos Tiranos
Quis ficar no seu Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
4o.
Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugirão apressadas
Vendo o Anjo do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
5o.
Mal soou na serra ao longe
Nosso grito varonil;
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
6o.
Filhos clama, caros filhos,
E depois de afrontas mil,
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil.
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre;
Ou morrer pelo Brasil.
7o.
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
8o.
Mostra Pedro a vossa fronte
Alma intrépida e viril:
Tende nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
9o.
Parabéns oh Brasileiros,
Já com garbo juvenil
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
10o.
Parabéns; já somos livres;
Já brilhante, e senhoril
Vai juntar-se em nossos lares
A Assembléia do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
Imagem - 01930003
In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.105
NOTA: Música de D. Pedro
5 812
5
Evaristo da Veiga
Hino Constitucional Brasiliense
1o.
Já podeis filhos da Pátria
Ver contente a Mãe gentil;
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
2o.
Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve Mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
3o.
O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito dos Tiranos
Quis ficar no seu Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
4o.
Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugirão apressadas
Vendo o Anjo do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
5o.
Mal soou na serra ao longe
Nosso grito varonil;
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
6o.
Filhos clama, caros filhos,
E depois de afrontas mil,
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil.
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre;
Ou morrer pelo Brasil.
7o.
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
8o.
Mostra Pedro a vossa fronte
Alma intrépida e viril:
Tende nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
9o.
Parabéns oh Brasileiros,
Já com garbo juvenil
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
10o.
Parabéns; já somos livres;
Já brilhante, e senhoril
Vai juntar-se em nossos lares
A Assembléia do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
Imagem - 01930003
In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.105
NOTA: Música de D. Pedro
Já podeis filhos da Pátria
Ver contente a Mãe gentil;
Já raiou a Liberdade
No Horizonte do Brasil
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
2o.
Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil,
Houve Mão mais poderosa,
Zombou deles o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
3o.
O Real Herdeiro Augusto
Conhecendo o engano vil,
Em despeito dos Tiranos
Quis ficar no seu Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
4o.
Ressoavam sombras tristes
Da cruel Guerra Civil,
Mas fugirão apressadas
Vendo o Anjo do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
5o.
Mal soou na serra ao longe
Nosso grito varonil;
Nos imensos ombros logo
A cabeça ergue o Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
6o.
Filhos clama, caros filhos,
E depois de afrontas mil,
Que a vingar a negra injúria
Vem chamar-vos o Brasil.
Brava Gente Brasileira
Longe vá temor servil;
Ou ficar a Pátria livre;
Ou morrer pelo Brasil.
7o.
Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil:
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
8o.
Mostra Pedro a vossa fronte
Alma intrépida e viril:
Tende nele o Digno Chefe
Deste Império do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
9o.
Parabéns oh Brasileiros,
Já com garbo juvenil
Do Universo entre as Nações
Resplandece a do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
10o.
Parabéns; já somos livres;
Já brilhante, e senhoril
Vai juntar-se em nossos lares
A Assembléia do Brasil.
Brava Gente Brasileira."&".
Imagem - 01930003
In: VEIGA, Evaristo da. Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga. Rio de Janeiro: Officinas Graphicas da Biblioteca Nacional, 1915. p.105
NOTA: Música de D. Pedro
5 812
5
Augusto dos Anjos
Versos a um coveiro
Numerar sepulturas e carneiros
Reduzir carnes podres a algarismos
- Tal é, sem complicados silogismoos,
A aritmética hedionda dos coveiros.
Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!
Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
dos tábidos carneiros sepulcrais
Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!
Reduzir carnes podres a algarismos
- Tal é, sem complicados silogismoos,
A aritmética hedionda dos coveiros.
Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!
Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
dos tábidos carneiros sepulcrais
Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!
8 026
5
Augusto dos Anjos
Versos a um coveiro
Numerar sepulturas e carneiros
Reduzir carnes podres a algarismos
- Tal é, sem complicados silogismoos,
A aritmética hedionda dos coveiros.
Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!
Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
dos tábidos carneiros sepulcrais
Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!
Reduzir carnes podres a algarismos
- Tal é, sem complicados silogismoos,
A aritmética hedionda dos coveiros.
Um, dois, três, quatro, cinco... Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!
Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
dos tábidos carneiros sepulcrais
Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!
8 026
5
Luis Fernando Verissimo
A Invenção do o
A Invenção do o
Na era da pedra lascada
da língua falada
antes de inventarem a letra
que imitava a lua
as palavras diziam nada
e nada levava a nada
(aliás, nem precisava rua).
A frase ficava estática
de maneira majestática
a grandes falas presumíveis
permaneciam indizíveis
- imagens invisíveis
a distâncias invencíveis.
Vivia-se em cavernas mentais
numa inércia dramática.
Ir e vir, nem pensar
ninguém mudava de lugar
que dirá de sintática.
Aí inventaram o O
e foi algo portentoso.
Assombroso, maravilhoso.
Tudo começou a rolar
e a se movimentar.
O Homem ganhou horizontes
e palavras viraram pontes
e hoje existe a convicção
que sem a sua invenção
não haveria Civilização.
Um dia, como o raio inaugural
sobre aquela célula no pantanal
que deu vida a tudo,
veio o acento agudo.
E o homem pôde cantar vitória.
E começou a História.
(Depois ficamos retóricos
e até um pouco gongóricos).
Na era da pedra lascada
da língua falada
antes de inventarem a letra
que imitava a lua
as palavras diziam nada
e nada levava a nada
(aliás, nem precisava rua).
A frase ficava estática
de maneira majestática
a grandes falas presumíveis
permaneciam indizíveis
- imagens invisíveis
a distâncias invencíveis.
Vivia-se em cavernas mentais
numa inércia dramática.
Ir e vir, nem pensar
ninguém mudava de lugar
que dirá de sintática.
Aí inventaram o O
e foi algo portentoso.
Assombroso, maravilhoso.
Tudo começou a rolar
e a se movimentar.
O Homem ganhou horizontes
e palavras viraram pontes
e hoje existe a convicção
que sem a sua invenção
não haveria Civilização.
Um dia, como o raio inaugural
sobre aquela célula no pantanal
que deu vida a tudo,
veio o acento agudo.
E o homem pôde cantar vitória.
E começou a História.
(Depois ficamos retóricos
e até um pouco gongóricos).
2 027
5
Luis Fernando Verissimo
A Invenção do o
A Invenção do o
Na era da pedra lascada
da língua falada
antes de inventarem a letra
que imitava a lua
as palavras diziam nada
e nada levava a nada
(aliás, nem precisava rua).
A frase ficava estática
de maneira majestática
a grandes falas presumíveis
permaneciam indizíveis
- imagens invisíveis
a distâncias invencíveis.
Vivia-se em cavernas mentais
numa inércia dramática.
Ir e vir, nem pensar
ninguém mudava de lugar
que dirá de sintática.
Aí inventaram o O
e foi algo portentoso.
Assombroso, maravilhoso.
Tudo começou a rolar
e a se movimentar.
O Homem ganhou horizontes
e palavras viraram pontes
e hoje existe a convicção
que sem a sua invenção
não haveria Civilização.
Um dia, como o raio inaugural
sobre aquela célula no pantanal
que deu vida a tudo,
veio o acento agudo.
E o homem pôde cantar vitória.
E começou a História.
(Depois ficamos retóricos
e até um pouco gongóricos).
Na era da pedra lascada
da língua falada
antes de inventarem a letra
que imitava a lua
as palavras diziam nada
e nada levava a nada
(aliás, nem precisava rua).
A frase ficava estática
de maneira majestática
a grandes falas presumíveis
permaneciam indizíveis
- imagens invisíveis
a distâncias invencíveis.
Vivia-se em cavernas mentais
numa inércia dramática.
Ir e vir, nem pensar
ninguém mudava de lugar
que dirá de sintática.
Aí inventaram o O
e foi algo portentoso.
Assombroso, maravilhoso.
Tudo começou a rolar
e a se movimentar.
O Homem ganhou horizontes
e palavras viraram pontes
e hoje existe a convicção
que sem a sua invenção
não haveria Civilização.
Um dia, como o raio inaugural
sobre aquela célula no pantanal
que deu vida a tudo,
veio o acento agudo.
E o homem pôde cantar vitória.
E começou a História.
(Depois ficamos retóricos
e até um pouco gongóricos).
2 027
5
Mário Quintana
Poema da Gare de Astapovo
O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!
7 691
5
David Mourão-Ferreira
Canção de Madrugada
à Cecília Meireles
Ecorrem de noite pelos prédios,
dissimuladas na umidade
— dissimulando elas o tédio
das longas noites da cidade —
deusas solícitas que vão,
com sua etérea assinatura,
quase propor a redenção,
— de rua em rua, dar a mão
a quem se arrasta e procura.
Pobre de quem vem perguntando
à pedra esquiva das esquinas
a voz e a face dessa amante
de que não restam senão cinzas!
Pobre do outro a quem o gelo
daquele encontro tão malsão
nem conseguiu arrefece-lo!
— Pobres de tantos, sem o selo
de garantia da ilusão!
Ó vidas presas por um fio,
junto ao abismo dos fracassos,
quem vos evita o fim sombrio
já desenhado em vossos passos?
— Com grandes túnicas violáceas,
as deusas erguem claras brisas:
nas avenidas e nas praças,
tremem as folhas das acácias,
vibram os peitos infelizes.
Até o frígido luar,
que de livor tingia as ruas,
se vai sumindo, devagar,
deixando as almas menos nuas...
Uma promessa de folhagem,
de vento e sol, as veste agora:
e, penetradas pela aragem,
as almas tímidas reagem
à madrugada que as enflora!
Súbito, a um gesto das deidades,
quebra-se o fúnebre luzeiro
das outras luas enforcadas
nos braços curvos dos candeeiros.
Já no crepúsculo se esfuma
a doentia sugestão,
— e as deusas tecem, com a bruma,
a nova luz que se avoluma
e é uma promessa ou uma canção.
Do sofrimento a noite cessa
na indecisa madrugada:
que ninguém peça a uma promessa
mais que a promessa que foi dada!
A quem sofreu, basta que a vida
levante um sol de entre as ruínas:
uma promessa doutra vida...
— Quanto aprendi!, nesta comprida
noite que tu, Canção, terminas.
Ecorrem de noite pelos prédios,
dissimuladas na umidade
— dissimulando elas o tédio
das longas noites da cidade —
deusas solícitas que vão,
com sua etérea assinatura,
quase propor a redenção,
— de rua em rua, dar a mão
a quem se arrasta e procura.
Pobre de quem vem perguntando
à pedra esquiva das esquinas
a voz e a face dessa amante
de que não restam senão cinzas!
Pobre do outro a quem o gelo
daquele encontro tão malsão
nem conseguiu arrefece-lo!
— Pobres de tantos, sem o selo
de garantia da ilusão!
Ó vidas presas por um fio,
junto ao abismo dos fracassos,
quem vos evita o fim sombrio
já desenhado em vossos passos?
— Com grandes túnicas violáceas,
as deusas erguem claras brisas:
nas avenidas e nas praças,
tremem as folhas das acácias,
vibram os peitos infelizes.
Até o frígido luar,
que de livor tingia as ruas,
se vai sumindo, devagar,
deixando as almas menos nuas...
Uma promessa de folhagem,
de vento e sol, as veste agora:
e, penetradas pela aragem,
as almas tímidas reagem
à madrugada que as enflora!
Súbito, a um gesto das deidades,
quebra-se o fúnebre luzeiro
das outras luas enforcadas
nos braços curvos dos candeeiros.
Já no crepúsculo se esfuma
a doentia sugestão,
— e as deusas tecem, com a bruma,
a nova luz que se avoluma
e é uma promessa ou uma canção.
Do sofrimento a noite cessa
na indecisa madrugada:
que ninguém peça a uma promessa
mais que a promessa que foi dada!
A quem sofreu, basta que a vida
levante um sol de entre as ruínas:
uma promessa doutra vida...
— Quanto aprendi!, nesta comprida
noite que tu, Canção, terminas.
4 986
5
Adélia Prado
Meditação À Beira de Um Poema
Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira,
constelada,
os botões,
alguns já com o rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
joias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com os limites do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas, perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira,
constelada,
os botões,
alguns já com o rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
joias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com os limites do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas, perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.
6 742
5
Papiniano Carlos
Poema
Antes isto fosse
mãos e pés verdadeiros,
caminho verdadeiro
e machados,
arados,
mãos crescendo nas trevas.
Antes isto fosse
um canto de galos
além nos quintais,
e homens correndo
nas sombras da noite.
Ah, fossem isto ventos,
fossem isto ventos!
desabar de casas,
largada de navios
na madrugada
com acenos e gritos reais.
Fosse isto sangue
a ensopar-me a camisa,
fosse isto sangue!
quente e espesso
nas minhas mãos.
mãos e pés verdadeiros,
caminho verdadeiro
e machados,
arados,
mãos crescendo nas trevas.
Antes isto fosse
um canto de galos
além nos quintais,
e homens correndo
nas sombras da noite.
Ah, fossem isto ventos,
fossem isto ventos!
desabar de casas,
largada de navios
na madrugada
com acenos e gritos reais.
Fosse isto sangue
a ensopar-me a camisa,
fosse isto sangue!
quente e espesso
nas minhas mãos.
2 383
5
Guilherme de Almeida
Canção do Expedicionário
Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do engenho,
das selvas, dos cafezais,
da choupana onde um é pouco,
dois é bom, três é demais.
Venho das praias sedosas,
das montanhas alterosas,
do pampa, do seringal,
das margens crespas dos rios,
dos verdes mares bravios,
de minha terra natal.
Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá
sem que leve por divisa
esse "V" que simboliza
a vitória que virá:
Nossa Vitória final,
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil!
Eu venho da minha terra,
da casa branca da serra
e do luar do sertão;
venho da minha Maria
cujo nome principia
na palma da minha mão.
Braços mornos de Moema,
lábios de mel de Iracema
estendidos para mim!
Ó minha terra querida
da Senhora Aparecida
e do Senhor do Bonfim!
Você sabe de onde eu venho?
É de uma pátria que eu tenho
no bojo do meu violão;
que de viver em meu peito
foi até tomando um jeito
de um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreiro
meu limão meu limoeiro,
meu pé de jacarandá,
minha casa pequenina
lá no alto da colina
onde canta o sabiá.
Venho de além desse monte
que ainda azula no horizonte,
onde o nosso amor nasceu;
do rancho que tinha ao lado
um coqueiro que, coitado,
de saudade já morreu.
Venho do verde mais belo,
do mais dourado amarelo,
do azul mais cheio de luz,
cheio de estrelas prateadas
que se ajoelham, deslumbradas,
(1890-1969)
Venho do morro, do engenho,
das selvas, dos cafezais,
da choupana onde um é pouco,
dois é bom, três é demais.
Venho das praias sedosas,
das montanhas alterosas,
do pampa, do seringal,
das margens crespas dos rios,
dos verdes mares bravios,
de minha terra natal.
Por mais terras que eu percorra,
não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá
sem que leve por divisa
esse "V" que simboliza
a vitória que virá:
Nossa Vitória final,
que é a mira do meu fuzil,
a ração do meu bornal,
a água do meu cantil,
as asas do meu ideal,
a glória do meu Brasil!
Eu venho da minha terra,
da casa branca da serra
e do luar do sertão;
venho da minha Maria
cujo nome principia
na palma da minha mão.
Braços mornos de Moema,
lábios de mel de Iracema
estendidos para mim!
Ó minha terra querida
da Senhora Aparecida
e do Senhor do Bonfim!
Você sabe de onde eu venho?
É de uma pátria que eu tenho
no bojo do meu violão;
que de viver em meu peito
foi até tomando um jeito
de um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreiro
meu limão meu limoeiro,
meu pé de jacarandá,
minha casa pequenina
lá no alto da colina
onde canta o sabiá.
Venho de além desse monte
que ainda azula no horizonte,
onde o nosso amor nasceu;
do rancho que tinha ao lado
um coqueiro que, coitado,
de saudade já morreu.
Venho do verde mais belo,
do mais dourado amarelo,
do azul mais cheio de luz,
cheio de estrelas prateadas
que se ajoelham, deslumbradas,
(1890-1969)
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