Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Urhacy Faustino
Inversão de valores
Na minha infância
não conheci moeda,
senão o celeiro cheio
e as vacas gordas.
Precisava de roupa
trocava algodão por fazenda.
Carecia de aliança
trocava o trigo pelo ouro.
E éramos felizes!
Meus irmãos iludiram meus pais
com a visão dos novos tempos
e modernizaram tudo.
Saíram das tetas das vacas
direto para as teclas dos computadores:
não conseguiram ordenhar as máquinas.
Hoje trocamos dívidas.
não conheci moeda,
senão o celeiro cheio
e as vacas gordas.
Precisava de roupa
trocava algodão por fazenda.
Carecia de aliança
trocava o trigo pelo ouro.
E éramos felizes!
Meus irmãos iludiram meus pais
com a visão dos novos tempos
e modernizaram tudo.
Saíram das tetas das vacas
direto para as teclas dos computadores:
não conseguiram ordenhar as máquinas.
Hoje trocamos dívidas.
855
Fábio Afonso de Almeida
Sebastiana e a Pedrap
Todo o dia que amanhece
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
792
Fernando Batinga de Mendonça
Soneto
para Carlos Cunha
vi planícies ampliadas
e formas verdes, completas
— nas estradas já traçadas
não mais cor, facões trafegam.
vi enxadas, dinamites
vi balões, os exilados
vi azul das explosões
ouvi céus encarcerados
vi silêncio decomposto
que não sendo lentamente,
mas que é em plano oposto.
vi das coisas se faltando:
o de fora, perfeição
o de dentro, se buscando.
vi planícies ampliadas
e formas verdes, completas
— nas estradas já traçadas
não mais cor, facões trafegam.
vi enxadas, dinamites
vi balões, os exilados
vi azul das explosões
ouvi céus encarcerados
vi silêncio decomposto
que não sendo lentamente,
mas que é em plano oposto.
vi das coisas se faltando:
o de fora, perfeição
o de dentro, se buscando.
1 002
Fernando Batinga de Mendonça
Vietnã
aos do sul
aos do nortemorte!
irmão natural
da verde jangal
na lama da carne
no fundo do osso
eu vejo teu olho
esquecido no chão:irmão
aos do nortemorte!
irmão natural
da verde jangal
na lama da carne
no fundo do osso
eu vejo teu olho
esquecido no chão:irmão
1 137
Fábio Afonso de Almeida
Édrio
Uma sombra entra no bar
Cabelos escorridos, terno barato
Olhos empapuçados e perdidos
Måos que escondem vil tremor
Dentes trincados de medo
E o gesto disfarçado, casual.
O gole. E o corpo arrepia-se numa gastura
Treme da cabeça aos pés. Os olhos inchados voltam para fora
Os olhos piscam ante o sol forte da rua
Em frente ås torres brancas
Da catedral...
Cidade maldita!
Duas torres e um rosto macilento, eu vejo
O jardim sujo em frente, os ônibus, a multidåo
Ah! A química branca e frenética!
Maldita! Maldita!
Escadas de mármore dançando ao sol
Tempo bêbado, ângulos estranhos
Cadedrais tortas da vida.
O solítário sorri dois dentes apenas
Monumental ironia. Escarnece do mundo
E a escadaria se contorce, subindo...
Alguém entende? A catedral tonta
Da cidade maldita. Os insetos da rua
Correm em fuga incerta.
A dor de Deus bebe o mundo.
Cabelos escorridos, terno barato
Olhos empapuçados e perdidos
Måos que escondem vil tremor
Dentes trincados de medo
E o gesto disfarçado, casual.
O gole. E o corpo arrepia-se numa gastura
Treme da cabeça aos pés. Os olhos inchados voltam para fora
Os olhos piscam ante o sol forte da rua
Em frente ås torres brancas
Da catedral...
Cidade maldita!
Duas torres e um rosto macilento, eu vejo
O jardim sujo em frente, os ônibus, a multidåo
Ah! A química branca e frenética!
Maldita! Maldita!
Escadas de mármore dançando ao sol
Tempo bêbado, ângulos estranhos
Cadedrais tortas da vida.
O solítário sorri dois dentes apenas
Monumental ironia. Escarnece do mundo
E a escadaria se contorce, subindo...
Alguém entende? A catedral tonta
Da cidade maldita. Os insetos da rua
Correm em fuga incerta.
A dor de Deus bebe o mundo.
946
Fernando Batinga de Mendonça
Tempo
é difícil
definir
o meu tempo:
desenhos
de fome
nas paredes
velhos meninos,
de manhã
poetas
à noite
nos quartéis.
é difícil
definir
o meu tempo:
homens
contidos
nas marmitas,
e esperança
no subúrbio
dos quintais
definir
o meu tempo:
desenhos
de fome
nas paredes
velhos meninos,
de manhã
poetas
à noite
nos quartéis.
é difícil
definir
o meu tempo:
homens
contidos
nas marmitas,
e esperança
no subúrbio
dos quintais
985
Fernando Batinga de Mendonça
Tempo
é difícil
definir
o meu tempo:
desenhos
de fome
nas paredes
velhos meninos,
de manhã
poetas
à noite
nos quartéis.
é difícil
definir
o meu tempo:
homens
contidos
nas marmitas,
e esperança
no subúrbio
dos quintais
definir
o meu tempo:
desenhos
de fome
nas paredes
velhos meninos,
de manhã
poetas
à noite
nos quartéis.
é difícil
definir
o meu tempo:
homens
contidos
nas marmitas,
e esperança
no subúrbio
dos quintais
985
Fernando Batinga de Mendonça
Tempo
é difícil
definir
o meu tempo:
desenhos
de fome
nas paredes
velhos meninos,
de manhã
poetas
à noite
nos quartéis.
é difícil
definir
o meu tempo:
homens
contidos
nas marmitas,
e esperança
no subúrbio
dos quintais
definir
o meu tempo:
desenhos
de fome
nas paredes
velhos meninos,
de manhã
poetas
à noite
nos quartéis.
é difícil
definir
o meu tempo:
homens
contidos
nas marmitas,
e esperança
no subúrbio
dos quintais
985
Fernanda Benevides
O Plantador de Sonhos
O lavrador prepara a terra, lentamente.
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.
(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997
Cultiva o solo com amor.
Alimenta o chão com carinho e devoção.
Cuidadoso, escolhe a semente.
E faz a plantação.
Semeia o trigo e nasce o joio.
Paciente, reinicia.
Planta roseira e brota baobá.
Cauteloso, extirpa-o.
E recomeça.
A vegetação viça.
Súbito, vem o estio.
As plantas secam.
E continua...
A flor renasce.
E vem a inundação.
Não desiste.
Rega a poesia.
Na certeza de um dia,
colher a flor tardia.
(in, A ROSA - FÊNIX)
Fortaleza - Ce, 1997
1 100
Urhacy Faustino
Inventário de safras
Ceifar o trigo;
ordenhar a vaca;
moer café.
Beneficiar o pão;
manipular o leite;
extrair a essência.
Preparar a mesa, da manhã.
II
Observar lua propícia,
plantar, na certa colher:
arroz, feijão, hortaliças e flores -
não esquecer: colibri precisa comer.
Tratar bem galo e suas galinhas,
pra ter ovos e despertador.
E rezas para agradecer farturas
no almoço e no jantar.
III
Noite,
piar de coruja, longe.
Um silêncio quase,
não fosse o ruminar dos animais.
Pirilampo que se perdeu do pasto,
faz-se estrela única,
no teto do quarto escuro.
IV
Cão amigo,
para ladrar estranhos.
Gatos no telhado —
aquecedores de pés em noites de inverno.
Livros, muitos deles,
espalhados nos cantos certos da casa.
E uma avó, cheia de histórias,
na mesa de cabeceira,
para os dias de preguiça.
ordenhar a vaca;
moer café.
Beneficiar o pão;
manipular o leite;
extrair a essência.
Preparar a mesa, da manhã.
II
Observar lua propícia,
plantar, na certa colher:
arroz, feijão, hortaliças e flores -
não esquecer: colibri precisa comer.
Tratar bem galo e suas galinhas,
pra ter ovos e despertador.
E rezas para agradecer farturas
no almoço e no jantar.
III
Noite,
piar de coruja, longe.
Um silêncio quase,
não fosse o ruminar dos animais.
Pirilampo que se perdeu do pasto,
faz-se estrela única,
no teto do quarto escuro.
IV
Cão amigo,
para ladrar estranhos.
Gatos no telhado —
aquecedores de pés em noites de inverno.
Livros, muitos deles,
espalhados nos cantos certos da casa.
E uma avó, cheia de histórias,
na mesa de cabeceira,
para os dias de preguiça.
835
Fabrício Augusto Souza Gomes
Parte Da Minha Vida(ou Olhos da Noite)
PARTE DA MINHA VIDA
Passa com o tempo
que me reduz
a um só verso . . .
a uma só rima.
A grande aventura da vida
reside no fato
de deixá-la fluir
naturalmente.
São poetas atraídos
pela singela arte
de escrever
coisas da vida,
do passado,
do presente,
do futuro . . .
coisas do coração.
Apesar de tudo,
não tem explicação.
É complicado traduzir
meus leitores . . .
Agora,
tento escrever
parte da minha vida
Mas não é fácil!
A inspiração quer "rabiscar"
minha percepção!
Erro!
Fracasso!
Se não tento,
não experimento o sucesso!
Desconheço a decepção!
Enfim,
minha angústia
é o elo
que me motiva a escrever . . .
Escrever
esperando que alguém
num mundo distante
ainda se emocione
ao me ler
Para ti, leitor,
Torno-me seu cúmplice.
Aquele misterioso amigo,
que não tem rosto,
nem voz,
tampouco corpo!
Sou um pensamento abstrato
que você cria
pura imaginação!
Não tem jeito!
Não consigo falar
o que penso.
As palavras morrem
e meus lábios,
enquanto minha mente viaja
querendo dizer algo
às pessoas que ainda
se interessem em ler . . .
Mas tudo é questão de tempo!
O tempo que seduz o poeta . . .
. . . é o mesmo que dá o ponto ( final?)
a seus sonhos e inspirações.
Sou vítima de uma relação
extremamante intimista
com você,
que me lê agora.
Quero estar com você
o tempo todo.
Com você,
posso dizer tudo que sou,
tudo que penso,
tudo que acredito!
Posso falar das estrelas!
Do belo e triste brilho delas.
Posso falar do som do mar (que se ouve nas conchas!)
Posso falar de poesia . . .
Posso falar do meu coração
Certa vez,
escrevia sobre o dia
em plena escuridão da noite.
Tornei-me cada vez mais confuso . . .
pois a noite estava adormecida
no fundo de um rio
e não conseguia enxergá-lo!
O rio que guardava a noite
era rebelde, agressivo, inesperado.
Mas sincero.
Ele nasceu em mim
e morreu nos meus olhos.
Era a lágrima
que inundava
de tristeza e alegria
PARTE DA MINHA VIDA.
Passa com o tempo
que me reduz
a um só verso . . .
a uma só rima.
A grande aventura da vida
reside no fato
de deixá-la fluir
naturalmente.
São poetas atraídos
pela singela arte
de escrever
coisas da vida,
do passado,
do presente,
do futuro . . .
coisas do coração.
Apesar de tudo,
não tem explicação.
É complicado traduzir
meus leitores . . .
Agora,
tento escrever
parte da minha vida
Mas não é fácil!
A inspiração quer "rabiscar"
minha percepção!
Erro!
Fracasso!
Se não tento,
não experimento o sucesso!
Desconheço a decepção!
Enfim,
minha angústia
é o elo
que me motiva a escrever . . .
Escrever
esperando que alguém
num mundo distante
ainda se emocione
ao me ler
Para ti, leitor,
Torno-me seu cúmplice.
Aquele misterioso amigo,
que não tem rosto,
nem voz,
tampouco corpo!
Sou um pensamento abstrato
que você cria
pura imaginação!
Não tem jeito!
Não consigo falar
o que penso.
As palavras morrem
e meus lábios,
enquanto minha mente viaja
querendo dizer algo
às pessoas que ainda
se interessem em ler . . .
Mas tudo é questão de tempo!
O tempo que seduz o poeta . . .
. . . é o mesmo que dá o ponto ( final?)
a seus sonhos e inspirações.
Sou vítima de uma relação
extremamante intimista
com você,
que me lê agora.
Quero estar com você
o tempo todo.
Com você,
posso dizer tudo que sou,
tudo que penso,
tudo que acredito!
Posso falar das estrelas!
Do belo e triste brilho delas.
Posso falar do som do mar (que se ouve nas conchas!)
Posso falar de poesia . . .
Posso falar do meu coração
Certa vez,
escrevia sobre o dia
em plena escuridão da noite.
Tornei-me cada vez mais confuso . . .
pois a noite estava adormecida
no fundo de um rio
e não conseguia enxergá-lo!
O rio que guardava a noite
era rebelde, agressivo, inesperado.
Mas sincero.
Ele nasceu em mim
e morreu nos meus olhos.
Era a lágrima
que inundava
de tristeza e alegria
PARTE DA MINHA VIDA.
970
Fernando Batinga de Mendonça
As Palavras
1.
nas pedras gerais
no centro da praça,
reúno as palavras
sentado no chão.
procuro um sentido
de ferro e cimento,
na mesma palavra
um outro vestido:
2.
um novo momento.
nas pedras gerais
no centro da praça,
reúno as palavras
sentado no chão.
procuro um sentido
de ferro e cimento,
na mesma palavra
um outro vestido:
2.
um novo momento.
866
Fernanda Benevides
Visita da Solidão
Eis que a solidão me visita.
Recebo-a feliz.
Ficamos a sós.
Um brinde a nós!
Há uma perfeita simbiose
entre mim e a solidão.
Sempre que chega,
saúdo-a alegre,
feliz assim...
A sensação é inexplicável!
Algo parecido com voar, soltar, libertar...
Um indescritível bem-estar,
satisfação plena.
Um clima de pureza,
paz,
algo mais...
Vivo-a intensamente.
Convivemos de forma salutar,
sobretudo quando junto ao mar,
perto do céu,
sol,
sal,
crepúsculo,
luar...
Respiro o ar despoluído da simplicidade,
simplesmente,
como sou.
( in, POEIRA DA ESTRADA)
Fortaleza - Ce, 1984
Recebo-a feliz.
Ficamos a sós.
Um brinde a nós!
Há uma perfeita simbiose
entre mim e a solidão.
Sempre que chega,
saúdo-a alegre,
feliz assim...
A sensação é inexplicável!
Algo parecido com voar, soltar, libertar...
Um indescritível bem-estar,
satisfação plena.
Um clima de pureza,
paz,
algo mais...
Vivo-a intensamente.
Convivemos de forma salutar,
sobretudo quando junto ao mar,
perto do céu,
sol,
sal,
crepúsculo,
luar...
Respiro o ar despoluído da simplicidade,
simplesmente,
como sou.
( in, POEIRA DA ESTRADA)
Fortaleza - Ce, 1984
767
Fahed Daher
Deus os abençoe
Fernando José De Paula.: Quando recebi o seu convite
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
860
Fahed Daher
Deus os abençoe
Fernando José De Paula.: Quando recebi o seu convite
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
860
Fahed Daher
Deus os abençoe
Fernando José De Paula.: Quando recebi o seu convite
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
comunicação da sua formatura estava diante da escultura
alegoria à medicina, a caveira tentando tomar a
paciente que o médico teimosamente procura tomar das
màos da morte e imediatamente compus este soneto
que dedico a você-, na sua formatura e que através de
você dedico a todos os seus colegas.
Desencarnados- secos - descarnados,
duros e gastos ossos da caveira,
as mãos em garra ,de qualquer maneira
querendo arrebatar o adoentado.
Força que atua em hora derradeira,
fatal destino,vida do passado,
no nauseabundo odor do fermentado,
apodrecido -trágica esterqueira-
Do outro lado a glória,o sol, a vida
serena e forte, na disputa dura,
a medicina enfrenta , atrevida,
o mal e a morte, rebuscando a ciência
no profundo ideal e na Fé pura
de ser obra de Deus por excelência.
860
Castro Alves
La negristoshipo
(Tragedio sur Maro)
I
Jen ni sur plena mar ... en spac freneze
lunklaro ludas - papili orbrila -
ondegoj ghin postkuras... lacighante,
samkiel hord infana maltrankvila.
Jen ni sur plena mar ... el firmamento
la astroj saltas kiel shaum el oro...
repagas mar per brul de fosforeskoj
- konstelacioj de fluajh-trezoro.
Jen ni sur plena mar ... du infinitoj
sin chirkauprenas streche kun anhelo...
sublimaj, oraj, bluaj, mildaj... Kiu
la ocean kaj kiu la chielo?
Jen ni sur plena mar ... shvelintaj veloj
per varmaj, de zefiro mara, frapoj,
de brig surmara kuro estas kvazau
tusheto de hirund sur ondokapoj...
Devenon kaj fincelon, kiu scias,
de shipo travaganta senmezurojn?...
En chi Sahar chevaloj polvon levas,
galopas, flugas, ne postlasas spurojn...
felicha homo, kiu povas tiam
de jena bildo ghui majestecon!...
malsupre - maron... supre - firmamenton...
kaj en chiel kaj maro - la vastecon...
Ho, kian harmonion vent alportas...
Muziko dolcha sonas, malproksima!
Ho Di ! sublima estas arda kanto,
sen cel flosanta sur ondad senlima!
Viroj de l maro! Ho maristoj krudaj,
sunbruligitaj de la mondoj kvar!
Infanoj, kiujn lulis la tempesto
en la lulil de chi profunda mar !
Atendu kaj min lasu chi sovaghan
liberan poezion trinki tute...
Orkestro - estas maromugh cheprua
kaj vento tra shnurar siblanta flute...
............................................................................
Vi, kial fughas tiel, bark rapida?
Vi, kial fughas timan la poeton?...
Volonte sekvus mi disondon vian,
similas ghi frenezan markometon...
Ho albatros! Kondor de l oceano,
dormanta sur la gaza nubofloso,
la plumojn skuu, spacolevjatano!
Al mi flugilojn pruntu, albatroso!...
II
Por maristo ja ne gravas,
kie lia hejm situas!...
chiun verskadenco ravas,
kiun mar al li instruas!
Kantu! dia estas morto...
Lofe brig sub ventoforto
glitas per rapid delfena.
Flago sur postmast hisita,
kun la ondo postlasita
flirtas, de sopiro plena.
De hispan la kant subluna,
traplektita per langvor ,
memorigas pri sunbruna
andaluzanin en flor.
La italo kantas pri
la dormema Venezi
- lando de perfid kaj amo -
che l Vulkano, sur golfondo,
memorigas al la mondo
Tasostrofojn per deklamo.
Anglo - mara frida tipo,
kiun mar denaska flankis -
(char Anglujo estas shipo,
kiun Di Kanale ankris),
kun fier patrujon gloras,
dum pri Nelson li memoras
kaj pri Albukirrenkonto...
Kantas laurojn intajn, franco
- destinita al bonshanco -
kaj la laurojn de l estonto...
La helena maristaro,
kiun Ioni akushis,
chi piratoj de la maro,
kiun jam Ulis trapushis,
de Fidias la skulptitoj,
pri Homeraj ghemaj mitoj
longe kantas sub lunhelo...
Ho, maristoj vi, tutmondaj!
trovas vi en maroj ondaj
melodiojn el chielo...
III
El vasta spac descendu, ho oceankondoro!
Descendu pli kaj plie... nur via vidoboro
en brigon povas mergi dum tia fluga kuro...
Sed ve! mi kion vidas... kia amara sceno!
kia funebra kanto... kiom da abomeno!
kiaj figuroj tristaj!... kia, ho Di, teruro!
IV
Danteska bildo estas... la ferdeko
briligas tagon per rughega streko,
banante sin en sango.
Tintad de chenoj... vipklakad sonora...
amaso nokte nigra kaj horora
dum danc de fifandango...
Patrinoj negraj che la mamoj havas
infanojn magrajn, kies bushojn lavas
patrina sangkaskado.
Knabinoj jen... sed nudaj, miroplenaj,
trenitaj de fantomokirl, chagrenaj,
en vana anhelado.
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Se la oldul anhelas... kaj glitfalas,
audighas krioj... la rimeno knalas
kaj ili flugas plie...
De sama chen kaptitaj en la mashoj,
l amas malsata per shancelaj pashoj
kun plor kaj danc rapidas...
Freneza unu, dua en kolero
deliras... brutigita de sufero,
alia kantas, ridas...
Komandas dume kapitan manovron...
rigardas li chielon, puran kovron,
sternitan super maro.
Kaj diras inter densaj fumnebuloj:
"La vipon vigle svingu, ho shipuloj!
plu dancu la brutaro."
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Kiel en songh danteska ombroj fluas...
malbenoj, krioj, veoj, preghoj bruas,
Satano ridas fie!...
V
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu frenez... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon!...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
Vi rulighu el vastegoj!
Uragan! balau maron!
Kiuj estas chi povruloj,
ne trovante pli en vi
ol trankvilan ridon pleban,
- spron por turmentistrabi ? - ...
Kiuj estas? Se la stelo
mutas, se la ondakcelo
estas fugh komplica, krima,
che la nokta lumkonfuzo...
Vi ghin diru, fera muzo!
liberega muz sentima!
Jen la filoj de l dezerto,
kie teron lum saturas,
kie sur la kamp kun lerto
trib de nudaj viroj kuras.
Militistoj spitaj estas,
kiuj tigrojn lukte estras,
che soleja ventozum ...;
viroj simplaj, fortaj, bravaj...
estas nun mizeraj, sklavaj,
sen aer, sen prav, sen lum ...
Kaj virinoj malbonsortaj...
kiel estis jam Hagar.
Soifegaj kaj malfortaj,
el forfor devena ar .
Sur la brakoj, filojn, chenojn
portas - en anim malbenojn,
larmojn, galon en la koro.
De Hagar suferon sentas,
ke por Ishmael prezentas,
ech ne lakton de la ploro...
Tie en la sabloj helaj,
sub la palmoj, en ravinoj,
lulis sin - infanoj belaj,
vivis - charmaj junulinoj...
Preterpasas karavano...
Revas ili en kabano,
sub la noktvual ... Hodiau...
Ve! adiau, dom sur monto!...
Ve! adiau, palm che fonto!...
Ve! adiau, am ... adiau!...
Morgau la sablar senlima...
ocean da polvo... sur
horizonto malproksima
nur dezert ... dezerto nur...
kaj lacigh , soif , malsato...
Cedas la mizervipato,
falas por ne plu kuniri!...
Vakas ero en la cheno,
sed sur sablo la hieno
trovas korpon por disshiri.
Iam Sieraleono
sub de vasta tendo brilo,
venko, chaso al leono,
dorm dormita kun trankvilo...
Nun la nigra hold terura,
streta kaj infektmalpura,
kun la pest por jaguaro...
Dormon tranchas jen kaj jen
shiro de mortint el chen ,
ghia jheto al la maro...
Iam pri liber fieraj...
nur sufichis vol por povo...
Kaj hodiau... malliberaj!...
ech por mort ... Maliceltrovo!
Ilin ligas sama ringo
- fata ferserpentostringo -
de l sklaveco chirkaumano...
Forrabitaj al la morto,
dancfunebras la kohorto,
che vipsono... Ho rikano!...
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu delir... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon? ...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
vi rulighu el vastegoj!
Uragan ! balau maron! ...
VI
Popol ekzistas, kiu flagon dona
I
Jen ni sur plena mar ... en spac freneze
lunklaro ludas - papili orbrila -
ondegoj ghin postkuras... lacighante,
samkiel hord infana maltrankvila.
Jen ni sur plena mar ... el firmamento
la astroj saltas kiel shaum el oro...
repagas mar per brul de fosforeskoj
- konstelacioj de fluajh-trezoro.
Jen ni sur plena mar ... du infinitoj
sin chirkauprenas streche kun anhelo...
sublimaj, oraj, bluaj, mildaj... Kiu
la ocean kaj kiu la chielo?
Jen ni sur plena mar ... shvelintaj veloj
per varmaj, de zefiro mara, frapoj,
de brig surmara kuro estas kvazau
tusheto de hirund sur ondokapoj...
Devenon kaj fincelon, kiu scias,
de shipo travaganta senmezurojn?...
En chi Sahar chevaloj polvon levas,
galopas, flugas, ne postlasas spurojn...
felicha homo, kiu povas tiam
de jena bildo ghui majestecon!...
malsupre - maron... supre - firmamenton...
kaj en chiel kaj maro - la vastecon...
Ho, kian harmonion vent alportas...
Muziko dolcha sonas, malproksima!
Ho Di ! sublima estas arda kanto,
sen cel flosanta sur ondad senlima!
Viroj de l maro! Ho maristoj krudaj,
sunbruligitaj de la mondoj kvar!
Infanoj, kiujn lulis la tempesto
en la lulil de chi profunda mar !
Atendu kaj min lasu chi sovaghan
liberan poezion trinki tute...
Orkestro - estas maromugh cheprua
kaj vento tra shnurar siblanta flute...
............................................................................
Vi, kial fughas tiel, bark rapida?
Vi, kial fughas timan la poeton?...
Volonte sekvus mi disondon vian,
similas ghi frenezan markometon...
Ho albatros! Kondor de l oceano,
dormanta sur la gaza nubofloso,
la plumojn skuu, spacolevjatano!
Al mi flugilojn pruntu, albatroso!...
II
Por maristo ja ne gravas,
kie lia hejm situas!...
chiun verskadenco ravas,
kiun mar al li instruas!
Kantu! dia estas morto...
Lofe brig sub ventoforto
glitas per rapid delfena.
Flago sur postmast hisita,
kun la ondo postlasita
flirtas, de sopiro plena.
De hispan la kant subluna,
traplektita per langvor ,
memorigas pri sunbruna
andaluzanin en flor.
La italo kantas pri
la dormema Venezi
- lando de perfid kaj amo -
che l Vulkano, sur golfondo,
memorigas al la mondo
Tasostrofojn per deklamo.
Anglo - mara frida tipo,
kiun mar denaska flankis -
(char Anglujo estas shipo,
kiun Di Kanale ankris),
kun fier patrujon gloras,
dum pri Nelson li memoras
kaj pri Albukirrenkonto...
Kantas laurojn intajn, franco
- destinita al bonshanco -
kaj la laurojn de l estonto...
La helena maristaro,
kiun Ioni akushis,
chi piratoj de la maro,
kiun jam Ulis trapushis,
de Fidias la skulptitoj,
pri Homeraj ghemaj mitoj
longe kantas sub lunhelo...
Ho, maristoj vi, tutmondaj!
trovas vi en maroj ondaj
melodiojn el chielo...
III
El vasta spac descendu, ho oceankondoro!
Descendu pli kaj plie... nur via vidoboro
en brigon povas mergi dum tia fluga kuro...
Sed ve! mi kion vidas... kia amara sceno!
kia funebra kanto... kiom da abomeno!
kiaj figuroj tristaj!... kia, ho Di, teruro!
IV
Danteska bildo estas... la ferdeko
briligas tagon per rughega streko,
banante sin en sango.
Tintad de chenoj... vipklakad sonora...
amaso nokte nigra kaj horora
dum danc de fifandango...
Patrinoj negraj che la mamoj havas
infanojn magrajn, kies bushojn lavas
patrina sangkaskado.
Knabinoj jen... sed nudaj, miroplenaj,
trenitaj de fantomokirl, chagrenaj,
en vana anhelado.
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Se la oldul anhelas... kaj glitfalas,
audighas krioj... la rimeno knalas
kaj ili flugas plie...
De sama chen kaptitaj en la mashoj,
l amas malsata per shancelaj pashoj
kun plor kaj danc rapidas...
Freneza unu, dua en kolero
deliras... brutigita de sufero,
alia kantas, ridas...
Komandas dume kapitan manovron...
rigardas li chielon, puran kovron,
sternitan super maro.
Kaj diras inter densaj fumnebuloj:
"La vipon vigle svingu, ho shipuloj!
plu dancu la brutaro."
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Kiel en songh danteska ombroj fluas...
malbenoj, krioj, veoj, preghoj bruas,
Satano ridas fie!...
V
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu frenez... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon!...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
Vi rulighu el vastegoj!
Uragan! balau maron!
Kiuj estas chi povruloj,
ne trovante pli en vi
ol trankvilan ridon pleban,
- spron por turmentistrabi ? - ...
Kiuj estas? Se la stelo
mutas, se la ondakcelo
estas fugh komplica, krima,
che la nokta lumkonfuzo...
Vi ghin diru, fera muzo!
liberega muz sentima!
Jen la filoj de l dezerto,
kie teron lum saturas,
kie sur la kamp kun lerto
trib de nudaj viroj kuras.
Militistoj spitaj estas,
kiuj tigrojn lukte estras,
che soleja ventozum ...;
viroj simplaj, fortaj, bravaj...
estas nun mizeraj, sklavaj,
sen aer, sen prav, sen lum ...
Kaj virinoj malbonsortaj...
kiel estis jam Hagar.
Soifegaj kaj malfortaj,
el forfor devena ar .
Sur la brakoj, filojn, chenojn
portas - en anim malbenojn,
larmojn, galon en la koro.
De Hagar suferon sentas,
ke por Ishmael prezentas,
ech ne lakton de la ploro...
Tie en la sabloj helaj,
sub la palmoj, en ravinoj,
lulis sin - infanoj belaj,
vivis - charmaj junulinoj...
Preterpasas karavano...
Revas ili en kabano,
sub la noktvual ... Hodiau...
Ve! adiau, dom sur monto!...
Ve! adiau, palm che fonto!...
Ve! adiau, am ... adiau!...
Morgau la sablar senlima...
ocean da polvo... sur
horizonto malproksima
nur dezert ... dezerto nur...
kaj lacigh , soif , malsato...
Cedas la mizervipato,
falas por ne plu kuniri!...
Vakas ero en la cheno,
sed sur sablo la hieno
trovas korpon por disshiri.
Iam Sieraleono
sub de vasta tendo brilo,
venko, chaso al leono,
dorm dormita kun trankvilo...
Nun la nigra hold terura,
streta kaj infektmalpura,
kun la pest por jaguaro...
Dormon tranchas jen kaj jen
shiro de mortint el chen ,
ghia jheto al la maro...
Iam pri liber fieraj...
nur sufichis vol por povo...
Kaj hodiau... malliberaj!...
ech por mort ... Maliceltrovo!
Ilin ligas sama ringo
- fata ferserpentostringo -
de l sklaveco chirkaumano...
Forrabitaj al la morto,
dancfunebras la kohorto,
che vipsono... Ho rikano!...
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu delir... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon? ...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
vi rulighu el vastegoj!
Uragan ! balau maron! ...
VI
Popol ekzistas, kiu flagon dona
1 445
Castro Alves
La negristoshipo
(Tragedio sur Maro)
I
Jen ni sur plena mar ... en spac freneze
lunklaro ludas - papili orbrila -
ondegoj ghin postkuras... lacighante,
samkiel hord infana maltrankvila.
Jen ni sur plena mar ... el firmamento
la astroj saltas kiel shaum el oro...
repagas mar per brul de fosforeskoj
- konstelacioj de fluajh-trezoro.
Jen ni sur plena mar ... du infinitoj
sin chirkauprenas streche kun anhelo...
sublimaj, oraj, bluaj, mildaj... Kiu
la ocean kaj kiu la chielo?
Jen ni sur plena mar ... shvelintaj veloj
per varmaj, de zefiro mara, frapoj,
de brig surmara kuro estas kvazau
tusheto de hirund sur ondokapoj...
Devenon kaj fincelon, kiu scias,
de shipo travaganta senmezurojn?...
En chi Sahar chevaloj polvon levas,
galopas, flugas, ne postlasas spurojn...
felicha homo, kiu povas tiam
de jena bildo ghui majestecon!...
malsupre - maron... supre - firmamenton...
kaj en chiel kaj maro - la vastecon...
Ho, kian harmonion vent alportas...
Muziko dolcha sonas, malproksima!
Ho Di ! sublima estas arda kanto,
sen cel flosanta sur ondad senlima!
Viroj de l maro! Ho maristoj krudaj,
sunbruligitaj de la mondoj kvar!
Infanoj, kiujn lulis la tempesto
en la lulil de chi profunda mar !
Atendu kaj min lasu chi sovaghan
liberan poezion trinki tute...
Orkestro - estas maromugh cheprua
kaj vento tra shnurar siblanta flute...
............................................................................
Vi, kial fughas tiel, bark rapida?
Vi, kial fughas timan la poeton?...
Volonte sekvus mi disondon vian,
similas ghi frenezan markometon...
Ho albatros! Kondor de l oceano,
dormanta sur la gaza nubofloso,
la plumojn skuu, spacolevjatano!
Al mi flugilojn pruntu, albatroso!...
II
Por maristo ja ne gravas,
kie lia hejm situas!...
chiun verskadenco ravas,
kiun mar al li instruas!
Kantu! dia estas morto...
Lofe brig sub ventoforto
glitas per rapid delfena.
Flago sur postmast hisita,
kun la ondo postlasita
flirtas, de sopiro plena.
De hispan la kant subluna,
traplektita per langvor ,
memorigas pri sunbruna
andaluzanin en flor.
La italo kantas pri
la dormema Venezi
- lando de perfid kaj amo -
che l Vulkano, sur golfondo,
memorigas al la mondo
Tasostrofojn per deklamo.
Anglo - mara frida tipo,
kiun mar denaska flankis -
(char Anglujo estas shipo,
kiun Di Kanale ankris),
kun fier patrujon gloras,
dum pri Nelson li memoras
kaj pri Albukirrenkonto...
Kantas laurojn intajn, franco
- destinita al bonshanco -
kaj la laurojn de l estonto...
La helena maristaro,
kiun Ioni akushis,
chi piratoj de la maro,
kiun jam Ulis trapushis,
de Fidias la skulptitoj,
pri Homeraj ghemaj mitoj
longe kantas sub lunhelo...
Ho, maristoj vi, tutmondaj!
trovas vi en maroj ondaj
melodiojn el chielo...
III
El vasta spac descendu, ho oceankondoro!
Descendu pli kaj plie... nur via vidoboro
en brigon povas mergi dum tia fluga kuro...
Sed ve! mi kion vidas... kia amara sceno!
kia funebra kanto... kiom da abomeno!
kiaj figuroj tristaj!... kia, ho Di, teruro!
IV
Danteska bildo estas... la ferdeko
briligas tagon per rughega streko,
banante sin en sango.
Tintad de chenoj... vipklakad sonora...
amaso nokte nigra kaj horora
dum danc de fifandango...
Patrinoj negraj che la mamoj havas
infanojn magrajn, kies bushojn lavas
patrina sangkaskado.
Knabinoj jen... sed nudaj, miroplenaj,
trenitaj de fantomokirl, chagrenaj,
en vana anhelado.
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Se la oldul anhelas... kaj glitfalas,
audighas krioj... la rimeno knalas
kaj ili flugas plie...
De sama chen kaptitaj en la mashoj,
l amas malsata per shancelaj pashoj
kun plor kaj danc rapidas...
Freneza unu, dua en kolero
deliras... brutigita de sufero,
alia kantas, ridas...
Komandas dume kapitan manovron...
rigardas li chielon, puran kovron,
sternitan super maro.
Kaj diras inter densaj fumnebuloj:
"La vipon vigle svingu, ho shipuloj!
plu dancu la brutaro."
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Kiel en songh danteska ombroj fluas...
malbenoj, krioj, veoj, preghoj bruas,
Satano ridas fie!...
V
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu frenez... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon!...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
Vi rulighu el vastegoj!
Uragan! balau maron!
Kiuj estas chi povruloj,
ne trovante pli en vi
ol trankvilan ridon pleban,
- spron por turmentistrabi ? - ...
Kiuj estas? Se la stelo
mutas, se la ondakcelo
estas fugh komplica, krima,
che la nokta lumkonfuzo...
Vi ghin diru, fera muzo!
liberega muz sentima!
Jen la filoj de l dezerto,
kie teron lum saturas,
kie sur la kamp kun lerto
trib de nudaj viroj kuras.
Militistoj spitaj estas,
kiuj tigrojn lukte estras,
che soleja ventozum ...;
viroj simplaj, fortaj, bravaj...
estas nun mizeraj, sklavaj,
sen aer, sen prav, sen lum ...
Kaj virinoj malbonsortaj...
kiel estis jam Hagar.
Soifegaj kaj malfortaj,
el forfor devena ar .
Sur la brakoj, filojn, chenojn
portas - en anim malbenojn,
larmojn, galon en la koro.
De Hagar suferon sentas,
ke por Ishmael prezentas,
ech ne lakton de la ploro...
Tie en la sabloj helaj,
sub la palmoj, en ravinoj,
lulis sin - infanoj belaj,
vivis - charmaj junulinoj...
Preterpasas karavano...
Revas ili en kabano,
sub la noktvual ... Hodiau...
Ve! adiau, dom sur monto!...
Ve! adiau, palm che fonto!...
Ve! adiau, am ... adiau!...
Morgau la sablar senlima...
ocean da polvo... sur
horizonto malproksima
nur dezert ... dezerto nur...
kaj lacigh , soif , malsato...
Cedas la mizervipato,
falas por ne plu kuniri!...
Vakas ero en la cheno,
sed sur sablo la hieno
trovas korpon por disshiri.
Iam Sieraleono
sub de vasta tendo brilo,
venko, chaso al leono,
dorm dormita kun trankvilo...
Nun la nigra hold terura,
streta kaj infektmalpura,
kun la pest por jaguaro...
Dormon tranchas jen kaj jen
shiro de mortint el chen ,
ghia jheto al la maro...
Iam pri liber fieraj...
nur sufichis vol por povo...
Kaj hodiau... malliberaj!...
ech por mort ... Maliceltrovo!
Ilin ligas sama ringo
- fata ferserpentostringo -
de l sklaveco chirkaumano...
Forrabitaj al la morto,
dancfunebras la kohorto,
che vipsono... Ho rikano!...
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu delir... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon? ...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
vi rulighu el vastegoj!
Uragan ! balau maron! ...
VI
Popol ekzistas, kiu flagon dona
I
Jen ni sur plena mar ... en spac freneze
lunklaro ludas - papili orbrila -
ondegoj ghin postkuras... lacighante,
samkiel hord infana maltrankvila.
Jen ni sur plena mar ... el firmamento
la astroj saltas kiel shaum el oro...
repagas mar per brul de fosforeskoj
- konstelacioj de fluajh-trezoro.
Jen ni sur plena mar ... du infinitoj
sin chirkauprenas streche kun anhelo...
sublimaj, oraj, bluaj, mildaj... Kiu
la ocean kaj kiu la chielo?
Jen ni sur plena mar ... shvelintaj veloj
per varmaj, de zefiro mara, frapoj,
de brig surmara kuro estas kvazau
tusheto de hirund sur ondokapoj...
Devenon kaj fincelon, kiu scias,
de shipo travaganta senmezurojn?...
En chi Sahar chevaloj polvon levas,
galopas, flugas, ne postlasas spurojn...
felicha homo, kiu povas tiam
de jena bildo ghui majestecon!...
malsupre - maron... supre - firmamenton...
kaj en chiel kaj maro - la vastecon...
Ho, kian harmonion vent alportas...
Muziko dolcha sonas, malproksima!
Ho Di ! sublima estas arda kanto,
sen cel flosanta sur ondad senlima!
Viroj de l maro! Ho maristoj krudaj,
sunbruligitaj de la mondoj kvar!
Infanoj, kiujn lulis la tempesto
en la lulil de chi profunda mar !
Atendu kaj min lasu chi sovaghan
liberan poezion trinki tute...
Orkestro - estas maromugh cheprua
kaj vento tra shnurar siblanta flute...
............................................................................
Vi, kial fughas tiel, bark rapida?
Vi, kial fughas timan la poeton?...
Volonte sekvus mi disondon vian,
similas ghi frenezan markometon...
Ho albatros! Kondor de l oceano,
dormanta sur la gaza nubofloso,
la plumojn skuu, spacolevjatano!
Al mi flugilojn pruntu, albatroso!...
II
Por maristo ja ne gravas,
kie lia hejm situas!...
chiun verskadenco ravas,
kiun mar al li instruas!
Kantu! dia estas morto...
Lofe brig sub ventoforto
glitas per rapid delfena.
Flago sur postmast hisita,
kun la ondo postlasita
flirtas, de sopiro plena.
De hispan la kant subluna,
traplektita per langvor ,
memorigas pri sunbruna
andaluzanin en flor.
La italo kantas pri
la dormema Venezi
- lando de perfid kaj amo -
che l Vulkano, sur golfondo,
memorigas al la mondo
Tasostrofojn per deklamo.
Anglo - mara frida tipo,
kiun mar denaska flankis -
(char Anglujo estas shipo,
kiun Di Kanale ankris),
kun fier patrujon gloras,
dum pri Nelson li memoras
kaj pri Albukirrenkonto...
Kantas laurojn intajn, franco
- destinita al bonshanco -
kaj la laurojn de l estonto...
La helena maristaro,
kiun Ioni akushis,
chi piratoj de la maro,
kiun jam Ulis trapushis,
de Fidias la skulptitoj,
pri Homeraj ghemaj mitoj
longe kantas sub lunhelo...
Ho, maristoj vi, tutmondaj!
trovas vi en maroj ondaj
melodiojn el chielo...
III
El vasta spac descendu, ho oceankondoro!
Descendu pli kaj plie... nur via vidoboro
en brigon povas mergi dum tia fluga kuro...
Sed ve! mi kion vidas... kia amara sceno!
kia funebra kanto... kiom da abomeno!
kiaj figuroj tristaj!... kia, ho Di, teruro!
IV
Danteska bildo estas... la ferdeko
briligas tagon per rughega streko,
banante sin en sango.
Tintad de chenoj... vipklakad sonora...
amaso nokte nigra kaj horora
dum danc de fifandango...
Patrinoj negraj che la mamoj havas
infanojn magrajn, kies bushojn lavas
patrina sangkaskado.
Knabinoj jen... sed nudaj, miroplenaj,
trenitaj de fantomokirl, chagrenaj,
en vana anhelado.
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Se la oldul anhelas... kaj glitfalas,
audighas krioj... la rimeno knalas
kaj ili flugas plie...
De sama chen kaptitaj en la mashoj,
l amas malsata per shancelaj pashoj
kun plor kaj danc rapidas...
Freneza unu, dua en kolero
deliras... brutigita de sufero,
alia kantas, ridas...
Komandas dume kapitan manovron...
rigardas li chielon, puran kovron,
sternitan super maro.
Kaj diras inter densaj fumnebuloj:
"La vipon vigle svingu, ho shipuloj!
plu dancu la brutaro."
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Kiel en songh danteska ombroj fluas...
malbenoj, krioj, veoj, preghoj bruas,
Satano ridas fie!...
V
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu frenez... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon!...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
Vi rulighu el vastegoj!
Uragan! balau maron!
Kiuj estas chi povruloj,
ne trovante pli en vi
ol trankvilan ridon pleban,
- spron por turmentistrabi ? - ...
Kiuj estas? Se la stelo
mutas, se la ondakcelo
estas fugh komplica, krima,
che la nokta lumkonfuzo...
Vi ghin diru, fera muzo!
liberega muz sentima!
Jen la filoj de l dezerto,
kie teron lum saturas,
kie sur la kamp kun lerto
trib de nudaj viroj kuras.
Militistoj spitaj estas,
kiuj tigrojn lukte estras,
che soleja ventozum ...;
viroj simplaj, fortaj, bravaj...
estas nun mizeraj, sklavaj,
sen aer, sen prav, sen lum ...
Kaj virinoj malbonsortaj...
kiel estis jam Hagar.
Soifegaj kaj malfortaj,
el forfor devena ar .
Sur la brakoj, filojn, chenojn
portas - en anim malbenojn,
larmojn, galon en la koro.
De Hagar suferon sentas,
ke por Ishmael prezentas,
ech ne lakton de la ploro...
Tie en la sabloj helaj,
sub la palmoj, en ravinoj,
lulis sin - infanoj belaj,
vivis - charmaj junulinoj...
Preterpasas karavano...
Revas ili en kabano,
sub la noktvual ... Hodiau...
Ve! adiau, dom sur monto!...
Ve! adiau, palm che fonto!...
Ve! adiau, am ... adiau!...
Morgau la sablar senlima...
ocean da polvo... sur
horizonto malproksima
nur dezert ... dezerto nur...
kaj lacigh , soif , malsato...
Cedas la mizervipato,
falas por ne plu kuniri!...
Vakas ero en la cheno,
sed sur sablo la hieno
trovas korpon por disshiri.
Iam Sieraleono
sub de vasta tendo brilo,
venko, chaso al leono,
dorm dormita kun trankvilo...
Nun la nigra hold terura,
streta kaj infektmalpura,
kun la pest por jaguaro...
Dormon tranchas jen kaj jen
shiro de mortint el chen ,
ghia jheto al la maro...
Iam pri liber fieraj...
nur sufichis vol por povo...
Kaj hodiau... malliberaj!...
ech por mort ... Maliceltrovo!
Ilin ligas sama ringo
- fata ferserpentostringo -
de l sklaveco chirkaumano...
Forrabitaj al la morto,
dancfunebras la kohorto,
che vipsono... Ho rikano!...
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu delir... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon? ...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
vi rulighu el vastegoj!
Uragan ! balau maron! ...
VI
Popol ekzistas, kiu flagon dona
1 445
Elisa Lucinda
Au Gratin
Fumo um cigarro fino
Como um palito
O calor do Rio é ridículo
Calor de chuva enrustida
Calor do céu oprimido
De inferno mar resolvido
Que não sabe se queima esse cara
Ou o assa ao ponto
Um calor filho da puta
Um calor de estufa
E eu sem nem ser judia
Sofro aos pouquinhos
Sofro esse zé pagodinho
Ardo nesse pecado que não cometi
Nesse forno onde me meti
Por uma apimentada dica
De um nordestino
Que me mostrou uma placa citada, tinhosa:
"CIDADE MARAVILHOSA"
Eu vim.
Como um palito
O calor do Rio é ridículo
Calor de chuva enrustida
Calor do céu oprimido
De inferno mar resolvido
Que não sabe se queima esse cara
Ou o assa ao ponto
Um calor filho da puta
Um calor de estufa
E eu sem nem ser judia
Sofro aos pouquinhos
Sofro esse zé pagodinho
Ardo nesse pecado que não cometi
Nesse forno onde me meti
Por uma apimentada dica
De um nordestino
Que me mostrou uma placa citada, tinhosa:
"CIDADE MARAVILHOSA"
Eu vim.
2 058
Elisa Lucinda
Dá Licença, Bastiana?
Vim te pedir, mulher
seu filho um pouquinha
seu filho um cadinho
pra brincar comigo.
Ah, Bastiana é só por carinho
que vim te implorar
Juro! Não vou machucar
Ai, Tiana tá danado
Você pode compreender
eu vim pedir emprestado
esse fruto abusado
de sua enorme paixão
Eu não quero ter ele não
Se tiver posso perder
como já perdi a razão.
Eu vim pedir
teu curumim pra mim
por uns tempos longos por dentro
Quero ele só um pouquinho...
O quê?
Ele diz que pra mim não existe pouquinho?
Mas tá mentindo, Tiana,
você sabe, vou devolver...
Quero fazer com ele um filme pra televisão
Quero ir com ele cantar no Canecão
e a gente vira cinema
na cara de toda Nação
Ai, Bastiana, não diga que não!
Se ele chupou seus peitinhos
eu também quero
Lá em casa tem uma rede que é pra ninar ele
Se ele dormiu no seu colo
eu também quero
Ai, Tiana como te venero!
Parece apelação
mas é mais desespero de nega enfeitiçada
que sente no couro
o que é pedir para si
o filho dos outros.
Já sei:
A gente grava junto um disco
só pra tocar na sua vitrola.
No domingo ele ia pra aí
só pra comer do seu pudim
e molhar a boca na sua galinha ensopada
Eu deixava
Cheia de felicidade
Espalhada na cidade, num grande out-door
Pedindo pros deuses pra que falte dor
Ai, Tiana, open the door, por favor!
Eu até prometia:
a netinha, viria linda um dia
se você tivesse a gentilieza
de me emprestar essa represa
que é onde foi dar o meu coração.
Entenda Tiana:
Não quero tua solidão
e tampouco quero a minha
Essa é a situação.
Mas a culpa é sua!
Quem mandou fazer bem feito?
Os olhinhos puxadinhos
a boca, o umbiguinho.
a mão suave de armarinho
a voz e até o carinho.
Podia até ser caprichosa, mulher
sem precisar exagerar
Mas você passou da dose
fez acabamento
e até na pele ton-sur-ton.
Vim pedir teu filho um cadinho
pra brincar comigo até o sol nascer.
Eu vim pedir o seu.
Um dia vão levar o meu
sem nem pedir, sem nada.
Porque a gente é só mesmo mala
dessa tal criação
dessa tal criatura
e não vês a verdura desse meu olhar?
Ai, Tiana, me desculpe, eu vou entrando...
Me desculpe, eu vou levar.
seu filho um pouquinha
seu filho um cadinho
pra brincar comigo.
Ah, Bastiana é só por carinho
que vim te implorar
Juro! Não vou machucar
Ai, Tiana tá danado
Você pode compreender
eu vim pedir emprestado
esse fruto abusado
de sua enorme paixão
Eu não quero ter ele não
Se tiver posso perder
como já perdi a razão.
Eu vim pedir
teu curumim pra mim
por uns tempos longos por dentro
Quero ele só um pouquinho...
O quê?
Ele diz que pra mim não existe pouquinho?
Mas tá mentindo, Tiana,
você sabe, vou devolver...
Quero fazer com ele um filme pra televisão
Quero ir com ele cantar no Canecão
e a gente vira cinema
na cara de toda Nação
Ai, Bastiana, não diga que não!
Se ele chupou seus peitinhos
eu também quero
Lá em casa tem uma rede que é pra ninar ele
Se ele dormiu no seu colo
eu também quero
Ai, Tiana como te venero!
Parece apelação
mas é mais desespero de nega enfeitiçada
que sente no couro
o que é pedir para si
o filho dos outros.
Já sei:
A gente grava junto um disco
só pra tocar na sua vitrola.
No domingo ele ia pra aí
só pra comer do seu pudim
e molhar a boca na sua galinha ensopada
Eu deixava
Cheia de felicidade
Espalhada na cidade, num grande out-door
Pedindo pros deuses pra que falte dor
Ai, Tiana, open the door, por favor!
Eu até prometia:
a netinha, viria linda um dia
se você tivesse a gentilieza
de me emprestar essa represa
que é onde foi dar o meu coração.
Entenda Tiana:
Não quero tua solidão
e tampouco quero a minha
Essa é a situação.
Mas a culpa é sua!
Quem mandou fazer bem feito?
Os olhinhos puxadinhos
a boca, o umbiguinho.
a mão suave de armarinho
a voz e até o carinho.
Podia até ser caprichosa, mulher
sem precisar exagerar
Mas você passou da dose
fez acabamento
e até na pele ton-sur-ton.
Vim pedir teu filho um cadinho
pra brincar comigo até o sol nascer.
Eu vim pedir o seu.
Um dia vão levar o meu
sem nem pedir, sem nada.
Porque a gente é só mesmo mala
dessa tal criação
dessa tal criatura
e não vês a verdura desse meu olhar?
Ai, Tiana, me desculpe, eu vou entrando...
Me desculpe, eu vou levar.
1 401
Emílio Moura
Toada dos que não Podem Amar
Os que não podem amar
estão cantando.
A luz é tão pouca, o ar é tão raro
que ninguém sabe como eles ainda vivem.
Os que não podem amar
estão cantando,
estão cantando,
e morrendo.
Ninguém ouve o canto que soluça
por detrás das grades.
estão cantando.
A luz é tão pouca, o ar é tão raro
que ninguém sabe como eles ainda vivem.
Os que não podem amar
estão cantando,
estão cantando,
e morrendo.
Ninguém ouve o canto que soluça
por detrás das grades.
1 369
Elisa Lucinda
Para um Amor na Rua
Meu amor,
vem pra casa que ouvi dizer
que vai estourar a guerra
Nostradamus previu
Raimunda, nega Raimunda confirmou
Por favor, ponha os pés na terra
Chão firme cama da gente
ouvi dizer que vai estourar a guerra.
Você que é mundano convicto
você que erra
vai argumentar que não há perigo e o escambou
que é apenas o "bicho" internacional.
Vai confundir tudo com show
vai dizer que tem Prince, Rock nroll
Guns NRoses e talvez Gal;
É mau, meu bem
tem também Sadam, Bushes e mesquinharias
Vem pra casa guardar num cofre sua ingenuidade
vem proteger da maldade sua fotografia.
Aqui fiz cuscuz farofa e feijão fraldinho
aqui pintei filosofia, comigo-ninguém-pode
espada de São Jorge, jasmim, arruda, carinho.
Tudo anti-míssil
tudo bruxaria anti-crueldade bélica
Lá fora alguns meninos
querem experimentar a potência
de seus terríveis brinquedos.
Não tenha medo
vem pra casa sem nem telefonar
aqui tem ar, poesia, fé
e tudo que a alegria da alma encerra.
Vem, meu amor
que ouvi dizer que vai estourar a guerra.
(verão de 1991)
vem pra casa que ouvi dizer
que vai estourar a guerra
Nostradamus previu
Raimunda, nega Raimunda confirmou
Por favor, ponha os pés na terra
Chão firme cama da gente
ouvi dizer que vai estourar a guerra.
Você que é mundano convicto
você que erra
vai argumentar que não há perigo e o escambou
que é apenas o "bicho" internacional.
Vai confundir tudo com show
vai dizer que tem Prince, Rock nroll
Guns NRoses e talvez Gal;
É mau, meu bem
tem também Sadam, Bushes e mesquinharias
Vem pra casa guardar num cofre sua ingenuidade
vem proteger da maldade sua fotografia.
Aqui fiz cuscuz farofa e feijão fraldinho
aqui pintei filosofia, comigo-ninguém-pode
espada de São Jorge, jasmim, arruda, carinho.
Tudo anti-míssil
tudo bruxaria anti-crueldade bélica
Lá fora alguns meninos
querem experimentar a potência
de seus terríveis brinquedos.
Não tenha medo
vem pra casa sem nem telefonar
aqui tem ar, poesia, fé
e tudo que a alegria da alma encerra.
Vem, meu amor
que ouvi dizer que vai estourar a guerra.
(verão de 1991)
1 842