Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Fernando Correia Pina
Soneto a Bill Clinton – 2
Não há nos pavorosos arsenais
que da paz desmentem as esperanças
outra arma de efeitos tão letais
como aquele cacete do Arkansas.
Cada vez que ele se entesa, as capitais
entram em crise, tremem as finanças,
as bolsas caem, sobem os jornais,
experimenta o mundo drásticas mudanças.
Picha mirífica, quase omnipotente,
carnal farol que guia o ocidente,
purpúreo sol da potência hegemónica.
Se eu tivesse um instrumento assim,
guardava-o numa torre de marfim,
jamais o dava a chupar à Mónica.
que da paz desmentem as esperanças
outra arma de efeitos tão letais
como aquele cacete do Arkansas.
Cada vez que ele se entesa, as capitais
entram em crise, tremem as finanças,
as bolsas caem, sobem os jornais,
experimenta o mundo drásticas mudanças.
Picha mirífica, quase omnipotente,
carnal farol que guia o ocidente,
purpúreo sol da potência hegemónica.
Se eu tivesse um instrumento assim,
guardava-o numa torre de marfim,
jamais o dava a chupar à Mónica.
1 185
2
Natércia Freire
A morte de calar
As viagens que sou
prenderam-se em redomasAo corpo das palavras. À morte de
calar.Do alfabeto meu ignoro as cristalinasFormas de
aladas letras nestes versos finais.São fantasmas de
sol. São fantasmas de sedeQue chegam alta noite
para nenhum lugar.Decifro nas entranhas das
trevas migradorasO solstício da vida além da morte
clara.Mas quem me vem cegar, com setas voadorasNega-me
agora a paz das secretas paisagens.Meus Irmãos
de astronaves, guiadas por um morto,Que me
esperam e estão, que me cantam e falam.Que na vazia
Cruz crucificam meu corpoE abandonam a flor, mesmo
a meio da sala.À janela rasgada, para as
cinzentas águas,Encostam-me, sem olhos, e deixam-me
ficar.Não tenho nada mais a escrever sobre as ondas.E
mesmo que tivesse, ninguém leria o mar.
prenderam-se em redomasAo corpo das palavras. À morte de
calar.Do alfabeto meu ignoro as cristalinasFormas de
aladas letras nestes versos finais.São fantasmas de
sol. São fantasmas de sedeQue chegam alta noite
para nenhum lugar.Decifro nas entranhas das
trevas migradorasO solstício da vida além da morte
clara.Mas quem me vem cegar, com setas voadorasNega-me
agora a paz das secretas paisagens.Meus Irmãos
de astronaves, guiadas por um morto,Que me
esperam e estão, que me cantam e falam.Que na vazia
Cruz crucificam meu corpoE abandonam a flor, mesmo
a meio da sala.À janela rasgada, para as
cinzentas águas,Encostam-me, sem olhos, e deixam-me
ficar.Não tenho nada mais a escrever sobre as ondas.E
mesmo que tivesse, ninguém leria o mar.
1 439
2
Mário Cesariny
Tantos pintores
Tantos pintores... A realidade, comovida, agradece mas fica no mesmo sítio (daqui ninguém me tira) chamado paisagem
Tantos escritores
A realidade, comovida, agradece
e continua a fazer o seu frio
sobre bairros inteiros na cidade
e algures
Tantos mortos
no rio
A realidade, comovida, agradece
porque sabe que foi por ela o sacrifício
mas não agradece muito
Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gostam da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito pode sufocar
Só o velho moinho do acordeon da esquina
rodado a manivela de trabuqueta
sem mesura sem fim e sem vontade
dá voltas à solidão da realidade
Tantos escritores
A realidade, comovida, agradece
e continua a fazer o seu frio
sobre bairros inteiros na cidade
e algures
Tantos mortos
no rio
A realidade, comovida, agradece
porque sabe que foi por ela o sacrifício
mas não agradece muito
Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gostam da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito pode sufocar
Só o velho moinho do acordeon da esquina
rodado a manivela de trabuqueta
sem mesura sem fim e sem vontade
dá voltas à solidão da realidade
4 077
2
Mário de Sá-Carneiro
Serradura
Serradura
A minha vida sentou-se
E não há quem a levante ,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.
E ei-la,a mona ,lá está,
Estendida ,a perna traçada ,
No infindável sofá
Da minha Alma estofada .
Pois é assim:a minha Alma
Outrora a sonhar de Rússias,
Espapaçou-se de calma,
E hoje sonha só pelúcias.
Vai aos Cafés,pede um bock,
Lê o "Matin" de castigo ,
E não há nenhum remoque
Que a regresse ao Oiro antigo!
Dentro de mim é um fardo
Que não pesa ,mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa.
Folhetim da "Capital"
Pelo o nosso Júlio Dantas -
Ou qualquer coisa entre tantas
Duma antipatia igual …
O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!…
Qualquer dia ,pela certa ,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate ,
Se encontra uma porta aberta…
Isto assim não pode ser…
Mas como achar um remédio?
-P´ra acabar este intermédio
Lembrei-me de endoidecer:
O que era fácil -partindo
Os móveis do meu hotel,
Ou para a rua saindo
De barrete de papel
A gritar "Viva a Alemanha"…
Mas a minha Alma,em verdade,
Não merece tal façanha,
Tal prova de lealdade.
Vou deixá-la-decidido-
No lavabo dum Café,
Como um anel esquecido.
É um final mais raffiné.
A minha vida sentou-se
E não há quem a levante ,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.
E ei-la,a mona ,lá está,
Estendida ,a perna traçada ,
No infindável sofá
Da minha Alma estofada .
Pois é assim:a minha Alma
Outrora a sonhar de Rússias,
Espapaçou-se de calma,
E hoje sonha só pelúcias.
Vai aos Cafés,pede um bock,
Lê o "Matin" de castigo ,
E não há nenhum remoque
Que a regresse ao Oiro antigo!
Dentro de mim é um fardo
Que não pesa ,mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa.
Folhetim da "Capital"
Pelo o nosso Júlio Dantas -
Ou qualquer coisa entre tantas
Duma antipatia igual …
O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!…
Qualquer dia ,pela certa ,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate ,
Se encontra uma porta aberta…
Isto assim não pode ser…
Mas como achar um remédio?
-P´ra acabar este intermédio
Lembrei-me de endoidecer:
O que era fácil -partindo
Os móveis do meu hotel,
Ou para a rua saindo
De barrete de papel
A gritar "Viva a Alemanha"…
Mas a minha Alma,em verdade,
Não merece tal façanha,
Tal prova de lealdade.
Vou deixá-la-decidido-
No lavabo dum Café,
Como um anel esquecido.
É um final mais raffiné.
7 383
2
José Tolentino Mendonça
A presença mais pura
Nada no mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
"a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?"
A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
"a que distancia deixaste
o coração?"
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
"a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?"
A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
"a que distancia deixaste
o coração?"
3 971
2
François Villon
BALADA DOS ENFORCADOS
Homens irmãos, que a nós sobreviveis,
Não tenhais vosso peito calejado,
Porque, se algum pesar por nós haveis,
Cedo, o perdão de Deus tereis ganhado.
Mais de um vedes, na corda, pendurado:
A carne que gozou, em demasia,
Foi devorada, podre, dia a dia,
E as ossadas em pó se mudarão.
De nosso padecer ninguém se ria.
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Se de irmãos vos chamamos, não deveis
Mostrar desdém, embora justiçados
Com razão. E, no entanto, vós sabeis
Que nem todos são muito ajuizados;
Pedi por nós, agora, trespassados,
A Jesus Cristo, filho de Maria,
De sua graça venha a nós valia
Que nos livre da eterna perdição.
A nós, mortos, poupai outra agonia.
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Secos, negros, enfim, o sol nos fez,
A chuva nos gastou. Foram cavados
Os olhos pelos corvos, com avidez,
Sendo a barba e os sobrolhos arrancados.
Não podemos jamais ficar parados;
De cá pra lá, ao léu da ventania,
Pelas aves bicados, à porfia,
Como um dedal os corpos ficarão.
Não sejais, pois, de nossa confraria;
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Senhor Jesus, que sois o nosso guia,
Não permitais do inferno a senhoria,
Nem lhe devamos soldo, sujeição.
Homens, aqui não calha zombaria;
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Não tenhais vosso peito calejado,
Porque, se algum pesar por nós haveis,
Cedo, o perdão de Deus tereis ganhado.
Mais de um vedes, na corda, pendurado:
A carne que gozou, em demasia,
Foi devorada, podre, dia a dia,
E as ossadas em pó se mudarão.
De nosso padecer ninguém se ria.
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Se de irmãos vos chamamos, não deveis
Mostrar desdém, embora justiçados
Com razão. E, no entanto, vós sabeis
Que nem todos são muito ajuizados;
Pedi por nós, agora, trespassados,
A Jesus Cristo, filho de Maria,
De sua graça venha a nós valia
Que nos livre da eterna perdição.
A nós, mortos, poupai outra agonia.
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Secos, negros, enfim, o sol nos fez,
A chuva nos gastou. Foram cavados
Os olhos pelos corvos, com avidez,
Sendo a barba e os sobrolhos arrancados.
Não podemos jamais ficar parados;
De cá pra lá, ao léu da ventania,
Pelas aves bicados, à porfia,
Como um dedal os corpos ficarão.
Não sejais, pois, de nossa confraria;
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Senhor Jesus, que sois o nosso guia,
Não permitais do inferno a senhoria,
Nem lhe devamos soldo, sujeição.
Homens, aqui não calha zombaria;
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
4 404
2
Janice Japiassu
O Discurso e o Deserto
Com o acre mel do deserto
De ouro veste-se o nome
Pronunciado na guerra.
O sol fecunda as espadas
Retesa o arco certeiro
E o sete nasce da pedra
No silêncio alumioso
Da noite mal-assombrada
Mistura o grito viçoso
Eis a palavra afiada
Nos pastos da solidão
Dentro do silêncio limpo
Voz de toda precisão
De ouro veste-se o nome
Pronunciado na guerra.
O sol fecunda as espadas
Retesa o arco certeiro
E o sete nasce da pedra
No silêncio alumioso
Da noite mal-assombrada
Mistura o grito viçoso
Eis a palavra afiada
Nos pastos da solidão
Dentro do silêncio limpo
Voz de toda precisão
742
2
François Villon
BALADA DAS MULHERES DE PARIS
Que sejam boas linguareiras
Florentinas e Venezianas,
Para servir de mensageiras,
Também Lombardas e Romanas,
E as Genovesas e as Toscanas.
Aqui vos garante quem diz
(Em que pese às Sicilianas):
Para a boca, só de Paris.
Em bem falar serão vezeiras,
Doutoras, as Napolitanas.
Como boas cacarejeiras
As de Bruges e as Alamanas.
Que sejam Gregas ou Troianas,
E de Hungria ou de outro país,
Aragonezas, Castelhanas;
Para a boca, só de Paris.
Bretãs, Suíças, más palradeiras.
Mais Gascoas e Toulousanas:
Um par das nossas regateiras
Cala-as logo e às Alsacianas,
Às ingresas como às Renanas
(É bastante a lista que eu fiz?),
E às Picardas e às Sabolanas:
Para a boca, só de Paris.
Senhor, às damas mais maganas
O prémio deveis dar, feliz.
Por mais que valham Italianas
- Para a boca, só de Paris.
(Tradução de Jorge de Sena)
Florentinas e Venezianas,
Para servir de mensageiras,
Também Lombardas e Romanas,
E as Genovesas e as Toscanas.
Aqui vos garante quem diz
(Em que pese às Sicilianas):
Para a boca, só de Paris.
Em bem falar serão vezeiras,
Doutoras, as Napolitanas.
Como boas cacarejeiras
As de Bruges e as Alamanas.
Que sejam Gregas ou Troianas,
E de Hungria ou de outro país,
Aragonezas, Castelhanas;
Para a boca, só de Paris.
Bretãs, Suíças, más palradeiras.
Mais Gascoas e Toulousanas:
Um par das nossas regateiras
Cala-as logo e às Alsacianas,
Às ingresas como às Renanas
(É bastante a lista que eu fiz?),
E às Picardas e às Sabolanas:
Para a boca, só de Paris.
Senhor, às damas mais maganas
O prémio deveis dar, feliz.
Por mais que valham Italianas
- Para a boca, só de Paris.
(Tradução de Jorge de Sena)
1 771
2
Alexandre O'Neill
De porta
em porta
-Quem? O infinito?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia?
Ao que ele chegou!
Podes dar-lhe a bengala
que era do avô
-Dinheiro? Isso não!
Já sei,pobrezinho,
que em vez de pão
ia comprar vinho...
-Teima? Que topete!
Quem se julga ele
se um tigre acabou
nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe?
Essa é muito forte!
Ele tem não tem mãe
e não é do Norte...
-Vítima de quê?
O dito está dito.
Se não tinha estofo
quem o mandou ser
infinito?
-Quem? O infinito?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia?
Ao que ele chegou!
Podes dar-lhe a bengala
que era do avô
-Dinheiro? Isso não!
Já sei,pobrezinho,
que em vez de pão
ia comprar vinho...
-Teima? Que topete!
Quem se julga ele
se um tigre acabou
nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe?
Essa é muito forte!
Ele tem não tem mãe
e não é do Norte...
-Vítima de quê?
O dito está dito.
Se não tinha estofo
quem o mandou ser
infinito?
4 811
2
Alexandre O'Neill
De porta
em porta
-Quem? O infinito?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia?
Ao que ele chegou!
Podes dar-lhe a bengala
que era do avô
-Dinheiro? Isso não!
Já sei,pobrezinho,
que em vez de pão
ia comprar vinho...
-Teima? Que topete!
Quem se julga ele
se um tigre acabou
nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe?
Essa é muito forte!
Ele tem não tem mãe
e não é do Norte...
-Vítima de quê?
O dito está dito.
Se não tinha estofo
quem o mandou ser
infinito?
-Quem? O infinito?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia?
Ao que ele chegou!
Podes dar-lhe a bengala
que era do avô
-Dinheiro? Isso não!
Já sei,pobrezinho,
que em vez de pão
ia comprar vinho...
-Teima? Que topete!
Quem se julga ele
se um tigre acabou
nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe?
Essa é muito forte!
Ele tem não tem mãe
e não é do Norte...
-Vítima de quê?
O dito está dito.
Se não tinha estofo
quem o mandou ser
infinito?
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2
Alexandre O'Neill
De porta
em porta
-Quem? O infinito?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia?
Ao que ele chegou!
Podes dar-lhe a bengala
que era do avô
-Dinheiro? Isso não!
Já sei,pobrezinho,
que em vez de pão
ia comprar vinho...
-Teima? Que topete!
Quem se julga ele
se um tigre acabou
nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe?
Essa é muito forte!
Ele tem não tem mãe
e não é do Norte...
-Vítima de quê?
O dito está dito.
Se não tinha estofo
quem o mandou ser
infinito?
-Quem? O infinito?
Diz-lhe que entre.
Faz bem ao infinito
estar entre gente.
-Uma esmola? Coxeia?
Ao que ele chegou!
Podes dar-lhe a bengala
que era do avô
-Dinheiro? Isso não!
Já sei,pobrezinho,
que em vez de pão
ia comprar vinho...
-Teima? Que topete!
Quem se julga ele
se um tigre acabou
nesta sala em tapete?
-Para ir ver a mãe?
Essa é muito forte!
Ele tem não tem mãe
e não é do Norte...
-Vítima de quê?
O dito está dito.
Se não tinha estofo
quem o mandou ser
infinito?
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2
Paul Éluard
Liberté
Liberté
Sur mes cahiers décolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
Jécute ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
Jécris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne de rois
Jécris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur lécho de mon enfance
Jécris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc de journées
Sur les saisons fiancées
Jécris ton nom
Sur tous mes chiffons dazur
Sur létang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
Jécris ton nom
Sur le champs sur lhorizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
Jécris ton nom
Sur mes cahiers décolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
Jécute ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
Jécris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne de rois
Jécris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur lécho de mon enfance
Jécris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc de journées
Sur les saisons fiancées
Jécris ton nom
Sur tous mes chiffons dazur
Sur létang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
Jécris ton nom
Sur le champs sur lhorizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
Jécris ton nom
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2
Arménio Vieira
Quiproquó
Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar no lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto
Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicído de um poeta
Senhor, Senhor, que digo eu (?)
que ando vestido pelo avesso
e furto chapéu e roubo sapatos
e sigo descalço e vou descoberto.
há um relógio a pingar no lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto
Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicído de um poeta
Senhor, Senhor, que digo eu (?)
que ando vestido pelo avesso
e furto chapéu e roubo sapatos
e sigo descalço e vou descoberto.
6 645
2
Jorge de Sena
Dizia uma vez Aquilino
Dizia uma vez Aquilino que em Portugal
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluçõ es feitas
*em vez de* (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluçõ es feitas
*em vez de* (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).
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2
Jorge de Sena
Dizia uma vez Aquilino
Dizia uma vez Aquilino que em Portugal
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluçõ es feitas
*em vez de* (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluçõ es feitas
*em vez de* (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).
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2
Alberto de Serpa
Riqueza
Por parques e praças,
Ruas e travessas,
Tu, meu olhar, caças
A vida. E tropeças.
Uma gargalhada
Vem dum par contente.
Guarda-a bem guardada,
Mas caminha em frente.
Surgem-te sorrisos
Dum e de outro lado.
Não faças juízos
Rápidos. Cuidado!
Uma face grave
Nada te revela?
Talvez a dor cave,
Só mais tarde, nela.
Num choro, num grito,
Pressentes a dor?
E quedas, aflito.
Seque, por favor!
Seque, bem aberto
Para cada canto!
Olha o desconcerto
Que parece tanto!
Corre, olhar, em roda!
O que me intimida?
A vida? Só toda
Pode amar-se, a vida.
Ruas e travessas,
Tu, meu olhar, caças
A vida. E tropeças.
Uma gargalhada
Vem dum par contente.
Guarda-a bem guardada,
Mas caminha em frente.
Surgem-te sorrisos
Dum e de outro lado.
Não faças juízos
Rápidos. Cuidado!
Uma face grave
Nada te revela?
Talvez a dor cave,
Só mais tarde, nela.
Num choro, num grito,
Pressentes a dor?
E quedas, aflito.
Seque, por favor!
Seque, bem aberto
Para cada canto!
Olha o desconcerto
Que parece tanto!
Corre, olhar, em roda!
O que me intimida?
A vida? Só toda
Pode amar-se, a vida.
1 291
2
Judas Isgorogota
Recebi
Recebi do Dr. Fernandes Lima,
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
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Judas Isgorogota
Recebi
Recebi do Dr. Fernandes Lima,
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
1 285
2
Judas Isgorogota
Recebi
Recebi do Dr. Fernandes Lima,
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
1 285
2
William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
3 704
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William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
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William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
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William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
3 704
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William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
3 704
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