Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Bocage
Soneto do Pregador Pecador
Bojudo fradalhão de larga venta,
Abysmo immundo de tabaco esturro,
Doutor na asneira, na sciencia burro,
Com barba hirsuta, que no peito assenta:
No pulpito um domingo se apresenta;
Préga nas grades espantoso murro;
E acalmado do povo o gran sussurro
O dique das asneiras arrebenta.
Quatro putas mofavam de seus brados,
Não querendo que gritasse contra as modas
Um peccador dos mais desaforados:
«Não (diz uma) tu, padre, não me engodas:
Sempre me ha de lembrar por meus peccados
A noute, em que me deste nove fodas!»
Abysmo immundo de tabaco esturro,
Doutor na asneira, na sciencia burro,
Com barba hirsuta, que no peito assenta:
No pulpito um domingo se apresenta;
Préga nas grades espantoso murro;
E acalmado do povo o gran sussurro
O dique das asneiras arrebenta.
Quatro putas mofavam de seus brados,
Não querendo que gritasse contra as modas
Um peccador dos mais desaforados:
«Não (diz uma) tu, padre, não me engodas:
Sempre me ha de lembrar por meus peccados
A noute, em que me deste nove fodas!»
2 316
2
Padre Braz C. de Mendonça
Pêsames às putas de Lisboa na ausência do seu Meireles
Enormes cagaçais, putas rafadas
que, cheias de pulmões e de bostelas,
sofreis sobre mil males, mil mazelas
cegas, fanhosas, coxas e aleijadas.
Agora, mais que nunca desgraçadas,
vos podeis chamar já todas aquelas
que nas portas da rua ou das janelas,
fostes do Grão Meireles requestadas.
Inconsolável é o vosso pranto
pois vos chega a roubar o fado esquivo
um fiel chichisbéu que vos quis tanto.
Nem vossa dor admite lenitivo
porque todas ficais postas de canto
órfãs daquele pai tão putativo.
que, cheias de pulmões e de bostelas,
sofreis sobre mil males, mil mazelas
cegas, fanhosas, coxas e aleijadas.
Agora, mais que nunca desgraçadas,
vos podeis chamar já todas aquelas
que nas portas da rua ou das janelas,
fostes do Grão Meireles requestadas.
Inconsolável é o vosso pranto
pois vos chega a roubar o fado esquivo
um fiel chichisbéu que vos quis tanto.
Nem vossa dor admite lenitivo
porque todas ficais postas de canto
órfãs daquele pai tão putativo.
1 300
2
Natércia Freire
A morte de calar
As viagens que sou
prenderam-se em redomasAo corpo das palavras. À morte de
calar.Do alfabeto meu ignoro as cristalinasFormas de
aladas letras nestes versos finais.São fantasmas de
sol. São fantasmas de sedeQue chegam alta noite
para nenhum lugar.Decifro nas entranhas das
trevas migradorasO solstício da vida além da morte
clara.Mas quem me vem cegar, com setas voadorasNega-me
agora a paz das secretas paisagens.Meus Irmãos
de astronaves, guiadas por um morto,Que me
esperam e estão, que me cantam e falam.Que na vazia
Cruz crucificam meu corpoE abandonam a flor, mesmo
a meio da sala.À janela rasgada, para as
cinzentas águas,Encostam-me, sem olhos, e deixam-me
ficar.Não tenho nada mais a escrever sobre as ondas.E
mesmo que tivesse, ninguém leria o mar.
prenderam-se em redomasAo corpo das palavras. À morte de
calar.Do alfabeto meu ignoro as cristalinasFormas de
aladas letras nestes versos finais.São fantasmas de
sol. São fantasmas de sedeQue chegam alta noite
para nenhum lugar.Decifro nas entranhas das
trevas migradorasO solstício da vida além da morte
clara.Mas quem me vem cegar, com setas voadorasNega-me
agora a paz das secretas paisagens.Meus Irmãos
de astronaves, guiadas por um morto,Que me
esperam e estão, que me cantam e falam.Que na vazia
Cruz crucificam meu corpoE abandonam a flor, mesmo
a meio da sala.À janela rasgada, para as
cinzentas águas,Encostam-me, sem olhos, e deixam-me
ficar.Não tenho nada mais a escrever sobre as ondas.E
mesmo que tivesse, ninguém leria o mar.
1 453
2
Mário Cesariny
Tantos pintores
Tantos pintores... A realidade, comovida, agradece mas fica no mesmo sítio (daqui ninguém me tira) chamado paisagem
Tantos escritores
A realidade, comovida, agradece
e continua a fazer o seu frio
sobre bairros inteiros na cidade
e algures
Tantos mortos
no rio
A realidade, comovida, agradece
porque sabe que foi por ela o sacrifício
mas não agradece muito
Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gostam da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito pode sufocar
Só o velho moinho do acordeon da esquina
rodado a manivela de trabuqueta
sem mesura sem fim e sem vontade
dá voltas à solidão da realidade
Tantos escritores
A realidade, comovida, agradece
e continua a fazer o seu frio
sobre bairros inteiros na cidade
e algures
Tantos mortos
no rio
A realidade, comovida, agradece
porque sabe que foi por ela o sacrifício
mas não agradece muito
Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gostam da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito pode sufocar
Só o velho moinho do acordeon da esquina
rodado a manivela de trabuqueta
sem mesura sem fim e sem vontade
dá voltas à solidão da realidade
4 081
2
Manuela Amaral
No conjugar amor
Descobrimos coisas
que ninguém mais sabe
Coisas diversas do saber comum.
A transfusão que existe no beijar
quando a ternura é líquida
E a transparência
opaca
do suor
quando o amor é feito
E o jeito que nos fica
de namorar o corpo
E o exagero em tudo que se diz
nas juras repetidas
Descobrimos coisas
que ninguém mais sabe
e que aprendemos juntas.
que ninguém mais sabe
Coisas diversas do saber comum.
A transfusão que existe no beijar
quando a ternura é líquida
E a transparência
opaca
do suor
quando o amor é feito
E o jeito que nos fica
de namorar o corpo
E o exagero em tudo que se diz
nas juras repetidas
Descobrimos coisas
que ninguém mais sabe
e que aprendemos juntas.
1 874
2
Sylvia Plath
Febre, 40°
Pura? Como assim?
As línguas do inferno
São sujas, sujas como as três
Línguas do sujo e gordo Cérbero
Que arfa ao portão. Incapaz
De lamber e limpar
O membro em febre, o pecado, o pecado.
A chama chora.
O cheiro inconfundível
De um toco de vela!
Amor, amor, a fumaça escapa de mim
Como a écharpe de Isadora, e temo
Que uma das pontas ancore-se na roda.
Uma fumaça amarela e lenta assim
faz de si seu elemento. Não vai subir,
Mas envolver o globo
Sufocando o velho e o oprimido,
O frágil
Bebê em seu berço,
Orquídea pálida
Suspensa em seu jardim suspenso no ar,
Leopardo diabólico!
A radiação o embarque
E o mata em uma hora.
Engordurando os corpos dos adúlteros
Como as cinzas de Hiroshima que os devora.
O pecado. O pecado.
Meu bem, passei a noite
Me virando, indo e vindo, indo e vindo,
Os lençóis me oprimindo como o beijo de um devasso.
Três dias. Três noites.
Limonada, canja
Aguarda, água me deixe enjoada.
Sou pura demais pra você ou pra qualquer um.
Seu corpo
Me ofende como o mundo ofende Deus. Sou uma lanterna –
Minha cabeça uma lua
De papel japonês, minha pele folheada a ouro
Infinitamente delicada e infinitamente cara.
Meu calor não te assusta. Nem minha luz.
Sou uma camélia imensa
Que oscila e jorra e brilha, gozo a gozo.
Acho que estou chegando,
Acho que posso levantar –
Contas de metal ardente voam, e eu, amor, eu
Sou uma virgem pura
De acetileno
Cercada de rosas,
De beijos, de querubins,
Ou do que sejam essas coisas róseas.
Não você, nem ele,
Não ele, nem ele
(Eu me dissolvo toda, anágua de puta velha) –
Ao Paraíso.
As línguas do inferno
São sujas, sujas como as três
Línguas do sujo e gordo Cérbero
Que arfa ao portão. Incapaz
De lamber e limpar
O membro em febre, o pecado, o pecado.
A chama chora.
O cheiro inconfundível
De um toco de vela!
Amor, amor, a fumaça escapa de mim
Como a écharpe de Isadora, e temo
Que uma das pontas ancore-se na roda.
Uma fumaça amarela e lenta assim
faz de si seu elemento. Não vai subir,
Mas envolver o globo
Sufocando o velho e o oprimido,
O frágil
Bebê em seu berço,
Orquídea pálida
Suspensa em seu jardim suspenso no ar,
Leopardo diabólico!
A radiação o embarque
E o mata em uma hora.
Engordurando os corpos dos adúlteros
Como as cinzas de Hiroshima que os devora.
O pecado. O pecado.
Meu bem, passei a noite
Me virando, indo e vindo, indo e vindo,
Os lençóis me oprimindo como o beijo de um devasso.
Três dias. Três noites.
Limonada, canja
Aguarda, água me deixe enjoada.
Sou pura demais pra você ou pra qualquer um.
Seu corpo
Me ofende como o mundo ofende Deus. Sou uma lanterna –
Minha cabeça uma lua
De papel japonês, minha pele folheada a ouro
Infinitamente delicada e infinitamente cara.
Meu calor não te assusta. Nem minha luz.
Sou uma camélia imensa
Que oscila e jorra e brilha, gozo a gozo.
Acho que estou chegando,
Acho que posso levantar –
Contas de metal ardente voam, e eu, amor, eu
Sou uma virgem pura
De acetileno
Cercada de rosas,
De beijos, de querubins,
Ou do que sejam essas coisas róseas.
Não você, nem ele,
Não ele, nem ele
(Eu me dissolvo toda, anágua de puta velha) –
Ao Paraíso.
1 142
2
Alberto de Serpa
Riqueza
Por parques e praças,
Ruas e travessas,
Tu, meu olhar, caças
A vida. E tropeças.
Uma gargalhada
Vem dum par contente.
Guarda-a bem guardada,
Mas caminha em frente.
Surgem-te sorrisos
Dum e de outro lado.
Não faças juízos
Rápidos. Cuidado!
Uma face grave
Nada te revela?
Talvez a dor cave,
Só mais tarde, nela.
Num choro, num grito,
Pressentes a dor?
E quedas, aflito.
Seque, por favor!
Seque, bem aberto
Para cada canto!
Olha o desconcerto
Que parece tanto!
Corre, olhar, em roda!
O que me intimida?
A vida? Só toda
Pode amar-se, a vida.
Ruas e travessas,
Tu, meu olhar, caças
A vida. E tropeças.
Uma gargalhada
Vem dum par contente.
Guarda-a bem guardada,
Mas caminha em frente.
Surgem-te sorrisos
Dum e de outro lado.
Não faças juízos
Rápidos. Cuidado!
Uma face grave
Nada te revela?
Talvez a dor cave,
Só mais tarde, nela.
Num choro, num grito,
Pressentes a dor?
E quedas, aflito.
Seque, por favor!
Seque, bem aberto
Para cada canto!
Olha o desconcerto
Que parece tanto!
Corre, olhar, em roda!
O que me intimida?
A vida? Só toda
Pode amar-se, a vida.
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2
Ana Cristina Cesar
Anônimo
Sou linda; quando no cinema você roça
o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais
quem desejo, que me assa viva, comendo
coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura
inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no
cinema é escuro e a tela não importa, só o lado,
o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora
deste sabe onde me encontro até de olhos
fechados; falo pouco; encontre; esquina de
Concentração com Difusão, lado esquerdo de
quem vem, jornal na mão, discreta.
o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais
quem desejo, que me assa viva, comendo
coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura
inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no
cinema é escuro e a tela não importa, só o lado,
o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora
deste sabe onde me encontro até de olhos
fechados; falo pouco; encontre; esquina de
Concentração com Difusão, lado esquerdo de
quem vem, jornal na mão, discreta.
1 965
2
William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
3 706
2
William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
3 706
2
William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
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William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
3 706
2
William Wordsworth
O CARVALHO DE GUERNICA
O antigo
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
carvalho de Guernica, conta Laborde na sua descrição da Biscaia, é o monumento natural
mais venerável. Fernando e Isabel, em 1476, depois de ouvirem missa na Igreja de Santa
Maria la Antígua, dirigiram-se para essa árvore, sob a qual juraram aos biscaínos
respeitar os seus fueros. Que outro interesse esteja ligado a ele no espírito desse povo
é o que se verá do seguinte (soneto) supostamente falando ao mesmo. 1810.
Carvalho de Guernica! Árvore mais
Sagrada que em Dodona a que escondia
Uma divina voz (a fé o cria)
Dando da aérea fronde altos sinais!
Como podes florir em tempos tais?
Que esprança o Sol te traz, ou que alegria?
São-te trazidas pela maresia,
Ou por leves orvalhos matinais?
Benvindo seja o golpe que em ti caia,
E em terra alongue a tua fronde imensa,
Se nunca mais, à sua sombra densa,
Venham legisladors sentar-se ovantes,
Senhors e camponeses, como dantes,
Guardiães das liberdades da Biscaia.
3 706
2
Judas Isgorogota
Minha Viola Morena
Morena, vá lá no quarto,
me traga a viola aqui;
quero-a com todas as fitas
que esvoaçando parecem
as asas de um bem-te-vi;
quero-a deitada em meu peito,
as suas cordas cantando
as mágoas que já senti...
Minha viola morena
tem corpo de mulher-dama,
tem gosto de sapoti,
tem cheiro de madrugada,
gemidos de juriti...
Morena, a minha viola
é o coração amoroso
que tenho plantado aqui...
Morena, a minha viola
é caipirinha dengosa;
se tu tens ciúme dela,
minha viola, morena,
não tem ciúmes de ti...
Ela se deita comigo,
comigo sonha e padece,
comigo pita e se afina
com um trago de parati...
Morena, a minha viola
é a mais mulher que já vi...
me traga a viola aqui;
quero-a com todas as fitas
que esvoaçando parecem
as asas de um bem-te-vi;
quero-a deitada em meu peito,
as suas cordas cantando
as mágoas que já senti...
Minha viola morena
tem corpo de mulher-dama,
tem gosto de sapoti,
tem cheiro de madrugada,
gemidos de juriti...
Morena, a minha viola
é o coração amoroso
que tenho plantado aqui...
Morena, a minha viola
é caipirinha dengosa;
se tu tens ciúme dela,
minha viola, morena,
não tem ciúmes de ti...
Ela se deita comigo,
comigo sonha e padece,
comigo pita e se afina
com um trago de parati...
Morena, a minha viola
é a mais mulher que já vi...
1 502
2
Jorge de Sena
Dizia uma vez Aquilino
Dizia uma vez Aquilino que em Portugal
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluçõ es feitas
*em vez de* (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluçõ es feitas
*em vez de* (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).
3 712
2
Jorge de Sena
Dizia uma vez Aquilino
Dizia uma vez Aquilino que em Portugal
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluçõ es feitas
*em vez de* (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).
os filósofos se exilavam ainda em seu país
(v.g. Spinoza). O curioso porém
é que também ninguém foi santo lá:
os nascidos em Portugal foram todos sê-lo noutra parte
(St. António, S. João de Deus, etc.)
e outros santos portugueses, se o foram,
terá sido, porque, estrangeiros que eram e em Portugal
vivendo, não tiveram outro remédio
(v.g. Rainha Santa) senão ser santos,
à falta de melhor. Oh país danado.
Porque os heróis também nunca tiveram melhor sorte
(Albuquerque e outros que o digam) a menos que
tivessem participado de revoluçõ es feitas
*em vez de* (v.g. o Condestável que fez
fortuna e a casa de Bragança e acabou só Santo quase).
3 712
2
Miguel de Unamuno
El cuerpo canta
El cuerpo canta
El cuerpo canta;
la sangre aúlla;
la tierra charla;
la mar murmura;
el cielo calla
y el hombre escucha.
El cuerpo canta;
la sangre aúlla;
la tierra charla;
la mar murmura;
el cielo calla
y el hombre escucha.
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Janice Japiassu
O Discurso e o Deserto
Com o acre mel do deserto
De ouro veste-se o nome
Pronunciado na guerra.
O sol fecunda as espadas
Retesa o arco certeiro
E o sete nasce da pedra
No silêncio alumioso
Da noite mal-assombrada
Mistura o grito viçoso
Eis a palavra afiada
Nos pastos da solidão
Dentro do silêncio limpo
Voz de toda precisão
De ouro veste-se o nome
Pronunciado na guerra.
O sol fecunda as espadas
Retesa o arco certeiro
E o sete nasce da pedra
No silêncio alumioso
Da noite mal-assombrada
Mistura o grito viçoso
Eis a palavra afiada
Nos pastos da solidão
Dentro do silêncio limpo
Voz de toda precisão
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Vinicius de Moraes
Balada do Mangue
Pobres flores gonocócicas
Que à noite despetalais
As vossas pétalas tóxicas!
Pobre de vós, pensas, murchas
Orquídeas do despudor
Não sois Lœlia tenebrosa
Nem sois Vanda tricolor:
Sois frágeis, desmilingüidas
Dálias cortadas ao pé
Corolas descoloridas
Enclausuradas sem fé,
Ah, jovens putas das tardes
O que vos aconteceu
Para assim envenenardes
O pólen que Deus vos deu?
No entanto crispais sorrisos
Em vossas jaulas acesas
Mostrando o rubro das presas
Falando coisas do amor
E às vezes cantais uivando
Como cadelas à lua
Que em vossa rua sem nome
Rola perdida no céu...
Mas que brilho mau de estrela
Em vossos olhos lilases
Percebo quando, falazes,
Fazeis rapazes entrar!
Sinto então nos vossos sexos
Formarem-se imediatos
Os venenos putrefatos
Com que os envenenar
Ó misericordiosas!
Glabras, glúteas caftinas
Embebidas em jasmim
Jogando cantos felizes
Em perspectivas sem fim
Cantais, maternais hienas
Canções de caftinizar
Gordas polacas serenas
Sempre prestes a chorar.
Como sofreis, que silêncio
Não deve gritar em vós
Esse imenso, atroz silêncio
Dos santos e dos heróis!
E o contraponto de vozes
Com que ampliais o mistério
Como é semelhante às luzes
V otivas de um cemitério
Esculpido de memórias!
Pobres, trágicas mulheres
Multidimensionais
Ponto morto de choferes
Passadiço de navais!
Louras mulatas francesas
Vestidas de carnaval:
Viveis a festa das flores
Pelo convés dessas ruas
Ancoradas no canal?
Para onde irão vossos cantos
Para onde irá vossa nau?
Por que vos deixais imóveis
Alérgicas sensitivas
Nos jardins desse hospital
Etílico e heliotrópico?
Por que não vos trucidais
Ó inimigas? ou bem
Não ateais fogo às vestes
E vos lançais como tochas
Contra esses homens de nada
Nessa terra de ninguém!
Que à noite despetalais
As vossas pétalas tóxicas!
Pobre de vós, pensas, murchas
Orquídeas do despudor
Não sois Lœlia tenebrosa
Nem sois Vanda tricolor:
Sois frágeis, desmilingüidas
Dálias cortadas ao pé
Corolas descoloridas
Enclausuradas sem fé,
Ah, jovens putas das tardes
O que vos aconteceu
Para assim envenenardes
O pólen que Deus vos deu?
No entanto crispais sorrisos
Em vossas jaulas acesas
Mostrando o rubro das presas
Falando coisas do amor
E às vezes cantais uivando
Como cadelas à lua
Que em vossa rua sem nome
Rola perdida no céu...
Mas que brilho mau de estrela
Em vossos olhos lilases
Percebo quando, falazes,
Fazeis rapazes entrar!
Sinto então nos vossos sexos
Formarem-se imediatos
Os venenos putrefatos
Com que os envenenar
Ó misericordiosas!
Glabras, glúteas caftinas
Embebidas em jasmim
Jogando cantos felizes
Em perspectivas sem fim
Cantais, maternais hienas
Canções de caftinizar
Gordas polacas serenas
Sempre prestes a chorar.
Como sofreis, que silêncio
Não deve gritar em vós
Esse imenso, atroz silêncio
Dos santos e dos heróis!
E o contraponto de vozes
Com que ampliais o mistério
Como é semelhante às luzes
V otivas de um cemitério
Esculpido de memórias!
Pobres, trágicas mulheres
Multidimensionais
Ponto morto de choferes
Passadiço de navais!
Louras mulatas francesas
Vestidas de carnaval:
Viveis a festa das flores
Pelo convés dessas ruas
Ancoradas no canal?
Para onde irão vossos cantos
Para onde irá vossa nau?
Por que vos deixais imóveis
Alérgicas sensitivas
Nos jardins desse hospital
Etílico e heliotrópico?
Por que não vos trucidais
Ó inimigas? ou bem
Não ateais fogo às vestes
E vos lançais como tochas
Contra esses homens de nada
Nessa terra de ninguém!
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François Villon
BALADA DAS MULHERES DE PARIS
Que sejam boas linguareiras
Florentinas e Venezianas,
Para servir de mensageiras,
Também Lombardas e Romanas,
E as Genovesas e as Toscanas.
Aqui vos garante quem diz
(Em que pese às Sicilianas):
Para a boca, só de Paris.
Em bem falar serão vezeiras,
Doutoras, as Napolitanas.
Como boas cacarejeiras
As de Bruges e as Alamanas.
Que sejam Gregas ou Troianas,
E de Hungria ou de outro país,
Aragonezas, Castelhanas;
Para a boca, só de Paris.
Bretãs, Suíças, más palradeiras.
Mais Gascoas e Toulousanas:
Um par das nossas regateiras
Cala-as logo e às Alsacianas,
Às ingresas como às Renanas
(É bastante a lista que eu fiz?),
E às Picardas e às Sabolanas:
Para a boca, só de Paris.
Senhor, às damas mais maganas
O prémio deveis dar, feliz.
Por mais que valham Italianas
- Para a boca, só de Paris.
(Tradução de Jorge de Sena)
Florentinas e Venezianas,
Para servir de mensageiras,
Também Lombardas e Romanas,
E as Genovesas e as Toscanas.
Aqui vos garante quem diz
(Em que pese às Sicilianas):
Para a boca, só de Paris.
Em bem falar serão vezeiras,
Doutoras, as Napolitanas.
Como boas cacarejeiras
As de Bruges e as Alamanas.
Que sejam Gregas ou Troianas,
E de Hungria ou de outro país,
Aragonezas, Castelhanas;
Para a boca, só de Paris.
Bretãs, Suíças, más palradeiras.
Mais Gascoas e Toulousanas:
Um par das nossas regateiras
Cala-as logo e às Alsacianas,
Às ingresas como às Renanas
(É bastante a lista que eu fiz?),
E às Picardas e às Sabolanas:
Para a boca, só de Paris.
Senhor, às damas mais maganas
O prémio deveis dar, feliz.
Por mais que valham Italianas
- Para a boca, só de Paris.
(Tradução de Jorge de Sena)
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François Villon
BALADA DOS ENFORCADOS
Homens irmãos, que a nós sobreviveis,
Não tenhais vosso peito calejado,
Porque, se algum pesar por nós haveis,
Cedo, o perdão de Deus tereis ganhado.
Mais de um vedes, na corda, pendurado:
A carne que gozou, em demasia,
Foi devorada, podre, dia a dia,
E as ossadas em pó se mudarão.
De nosso padecer ninguém se ria.
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Se de irmãos vos chamamos, não deveis
Mostrar desdém, embora justiçados
Com razão. E, no entanto, vós sabeis
Que nem todos são muito ajuizados;
Pedi por nós, agora, trespassados,
A Jesus Cristo, filho de Maria,
De sua graça venha a nós valia
Que nos livre da eterna perdição.
A nós, mortos, poupai outra agonia.
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Secos, negros, enfim, o sol nos fez,
A chuva nos gastou. Foram cavados
Os olhos pelos corvos, com avidez,
Sendo a barba e os sobrolhos arrancados.
Não podemos jamais ficar parados;
De cá pra lá, ao léu da ventania,
Pelas aves bicados, à porfia,
Como um dedal os corpos ficarão.
Não sejais, pois, de nossa confraria;
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Senhor Jesus, que sois o nosso guia,
Não permitais do inferno a senhoria,
Nem lhe devamos soldo, sujeição.
Homens, aqui não calha zombaria;
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Não tenhais vosso peito calejado,
Porque, se algum pesar por nós haveis,
Cedo, o perdão de Deus tereis ganhado.
Mais de um vedes, na corda, pendurado:
A carne que gozou, em demasia,
Foi devorada, podre, dia a dia,
E as ossadas em pó se mudarão.
De nosso padecer ninguém se ria.
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Se de irmãos vos chamamos, não deveis
Mostrar desdém, embora justiçados
Com razão. E, no entanto, vós sabeis
Que nem todos são muito ajuizados;
Pedi por nós, agora, trespassados,
A Jesus Cristo, filho de Maria,
De sua graça venha a nós valia
Que nos livre da eterna perdição.
A nós, mortos, poupai outra agonia.
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Secos, negros, enfim, o sol nos fez,
A chuva nos gastou. Foram cavados
Os olhos pelos corvos, com avidez,
Sendo a barba e os sobrolhos arrancados.
Não podemos jamais ficar parados;
De cá pra lá, ao léu da ventania,
Pelas aves bicados, à porfia,
Como um dedal os corpos ficarão.
Não sejais, pois, de nossa confraria;
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
Senhor Jesus, que sois o nosso guia,
Não permitais do inferno a senhoria,
Nem lhe devamos soldo, sujeição.
Homens, aqui não calha zombaria;
E a Deus rogai nos dê o seu perdão!
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Judas Isgorogota
Recebi
Recebi do Dr. Fernandes Lima,
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
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Judas Isgorogota
Recebi
Recebi do Dr. Fernandes Lima,
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
1 288
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Judas Isgorogota
Recebi
Recebi do Dr. Fernandes Lima,
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
Governador perpétuo de Alagoas,
Pela graça de Deus, das almas boas
Que seguem a rota dos que estão de cima,
A importância mencionada acima
De Rs. 20$000, por que as pessoas
Das urbs, dos sertões e das lagoas
Vendem seu voto de entranhada estima;
E por cuja quantia me sujeito
A votar no Doutor; e, em testemunho,
Passo o presente, por José do Coito,
Em duplicata para um só efeito.
Maceió, Jaraguá, 12 de junho
De 1918.
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