Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Sérgio José Rodrigues Saraiva
KaReN é belo nome feminino
KaReN é belo nome feminino,
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
639
Sousa Caldas
Salmo I, de Davi
Feliz aquele que os ouvidos cerra
A malvados conselhos,
E não caminha pela estrada iníqua
Do pecador infame,
Nem se encosta orgulhoso na cadeira
Pelo vício empestada;
Mas na lei do Senhor fitando os olhos,
A revolve e medita,
Na tenebrosa noite e claro dia.
A fortuna e a desgraça,
Tudo parece a seu sabor moldar-se:
Ele é, qual tenro arbusto,
Plantado à margem de um ribeiro ameno,
Que de virentes folhas
A erguida frente bem depressa ornando,
Na sazão oportuna,
De frutos curva os suculentos ramos.
Não sois assim. ó ímpios;
Mas qual o leve pó que o vento assopra,
Aos ares alevanta,
E abate, e espalha, e com furor dissipa.
Por isso, vos espera
O dia da vingança, e o frio sangue
Vos coalhará de susto;
Nem surgireis, de glória revestidos,
Na assembléia dos justos;
O Senhor da virtude é firme esteio,
Enquanto o ímpio corre,
De horríssonas procelas combatido,
A naufragar sem tino.
A malvados conselhos,
E não caminha pela estrada iníqua
Do pecador infame,
Nem se encosta orgulhoso na cadeira
Pelo vício empestada;
Mas na lei do Senhor fitando os olhos,
A revolve e medita,
Na tenebrosa noite e claro dia.
A fortuna e a desgraça,
Tudo parece a seu sabor moldar-se:
Ele é, qual tenro arbusto,
Plantado à margem de um ribeiro ameno,
Que de virentes folhas
A erguida frente bem depressa ornando,
Na sazão oportuna,
De frutos curva os suculentos ramos.
Não sois assim. ó ímpios;
Mas qual o leve pó que o vento assopra,
Aos ares alevanta,
E abate, e espalha, e com furor dissipa.
Por isso, vos espera
O dia da vingança, e o frio sangue
Vos coalhará de susto;
Nem surgireis, de glória revestidos,
Na assembléia dos justos;
O Senhor da virtude é firme esteio,
Enquanto o ímpio corre,
De horríssonas procelas combatido,
A naufragar sem tino.
1 182
Sousa Caldas
Salmo I, de Davi
Feliz aquele que os ouvidos cerra
A malvados conselhos,
E não caminha pela estrada iníqua
Do pecador infame,
Nem se encosta orgulhoso na cadeira
Pelo vício empestada;
Mas na lei do Senhor fitando os olhos,
A revolve e medita,
Na tenebrosa noite e claro dia.
A fortuna e a desgraça,
Tudo parece a seu sabor moldar-se:
Ele é, qual tenro arbusto,
Plantado à margem de um ribeiro ameno,
Que de virentes folhas
A erguida frente bem depressa ornando,
Na sazão oportuna,
De frutos curva os suculentos ramos.
Não sois assim. ó ímpios;
Mas qual o leve pó que o vento assopra,
Aos ares alevanta,
E abate, e espalha, e com furor dissipa.
Por isso, vos espera
O dia da vingança, e o frio sangue
Vos coalhará de susto;
Nem surgireis, de glória revestidos,
Na assembléia dos justos;
O Senhor da virtude é firme esteio,
Enquanto o ímpio corre,
De horríssonas procelas combatido,
A naufragar sem tino.
A malvados conselhos,
E não caminha pela estrada iníqua
Do pecador infame,
Nem se encosta orgulhoso na cadeira
Pelo vício empestada;
Mas na lei do Senhor fitando os olhos,
A revolve e medita,
Na tenebrosa noite e claro dia.
A fortuna e a desgraça,
Tudo parece a seu sabor moldar-se:
Ele é, qual tenro arbusto,
Plantado à margem de um ribeiro ameno,
Que de virentes folhas
A erguida frente bem depressa ornando,
Na sazão oportuna,
De frutos curva os suculentos ramos.
Não sois assim. ó ímpios;
Mas qual o leve pó que o vento assopra,
Aos ares alevanta,
E abate, e espalha, e com furor dissipa.
Por isso, vos espera
O dia da vingança, e o frio sangue
Vos coalhará de susto;
Nem surgireis, de glória revestidos,
Na assembléia dos justos;
O Senhor da virtude é firme esteio,
Enquanto o ímpio corre,
De horríssonas procelas combatido,
A naufragar sem tino.
1 182
Rodrigo Carvalho
Descrição
à meu irmão, Márcio Carvalho Góes
Tu és como o úmido gosto de terra:
diferente em cada época.
Mas não perdes o gosto pela terra.
Tu és terra!
Ao seu duro itinerário, o prazer matinal,
junta-se ao suspiro da madrugada.
Ainda é madrugada quando te levantas!
E sai pela estrada. . .
A paisagem diverge:
bois, cavalos, foices, braços, flores molhadas,
e os casebres caindo,
na êrma da manhã.
E roupas coloridas, ao longe, dançam nas cercas.
Teu sangue corre como uma boiada,
num grande galope,
ao longo do horizonte. . .
Teu nome.
Teu nome,
num breve erro ortográfico,
sôa macio. . .
Macio como o chão que pisas.
Chão verde.
Cheiro de mato.
E tua mente modela os animais.
Grandes animais,
sem passado, sem futuro.
Apenas com o peso que lhe importa.
Mas o dia, aos poucos, se desmancha.
E no teu campo,
verde campo,
um campo de estrelas irá brotando,
pouco a pouco,
até que tu voltes. . .
Campo: teu continuar da vida!
Salvador, 14 de março de 1995
Tu és como o úmido gosto de terra:
diferente em cada época.
Mas não perdes o gosto pela terra.
Tu és terra!
Ao seu duro itinerário, o prazer matinal,
junta-se ao suspiro da madrugada.
Ainda é madrugada quando te levantas!
E sai pela estrada. . .
A paisagem diverge:
bois, cavalos, foices, braços, flores molhadas,
e os casebres caindo,
na êrma da manhã.
E roupas coloridas, ao longe, dançam nas cercas.
Teu sangue corre como uma boiada,
num grande galope,
ao longo do horizonte. . .
Teu nome.
Teu nome,
num breve erro ortográfico,
sôa macio. . .
Macio como o chão que pisas.
Chão verde.
Cheiro de mato.
E tua mente modela os animais.
Grandes animais,
sem passado, sem futuro.
Apenas com o peso que lhe importa.
Mas o dia, aos poucos, se desmancha.
E no teu campo,
verde campo,
um campo de estrelas irá brotando,
pouco a pouco,
até que tu voltes. . .
Campo: teu continuar da vida!
Salvador, 14 de março de 1995
1 035
Rodrigo Carvalho
Descrição
à meu irmão, Márcio Carvalho Góes
Tu és como o úmido gosto de terra:
diferente em cada época.
Mas não perdes o gosto pela terra.
Tu és terra!
Ao seu duro itinerário, o prazer matinal,
junta-se ao suspiro da madrugada.
Ainda é madrugada quando te levantas!
E sai pela estrada. . .
A paisagem diverge:
bois, cavalos, foices, braços, flores molhadas,
e os casebres caindo,
na êrma da manhã.
E roupas coloridas, ao longe, dançam nas cercas.
Teu sangue corre como uma boiada,
num grande galope,
ao longo do horizonte. . .
Teu nome.
Teu nome,
num breve erro ortográfico,
sôa macio. . .
Macio como o chão que pisas.
Chão verde.
Cheiro de mato.
E tua mente modela os animais.
Grandes animais,
sem passado, sem futuro.
Apenas com o peso que lhe importa.
Mas o dia, aos poucos, se desmancha.
E no teu campo,
verde campo,
um campo de estrelas irá brotando,
pouco a pouco,
até que tu voltes. . .
Campo: teu continuar da vida!
Salvador, 14 de março de 1995
Tu és como o úmido gosto de terra:
diferente em cada época.
Mas não perdes o gosto pela terra.
Tu és terra!
Ao seu duro itinerário, o prazer matinal,
junta-se ao suspiro da madrugada.
Ainda é madrugada quando te levantas!
E sai pela estrada. . .
A paisagem diverge:
bois, cavalos, foices, braços, flores molhadas,
e os casebres caindo,
na êrma da manhã.
E roupas coloridas, ao longe, dançam nas cercas.
Teu sangue corre como uma boiada,
num grande galope,
ao longo do horizonte. . .
Teu nome.
Teu nome,
num breve erro ortográfico,
sôa macio. . .
Macio como o chão que pisas.
Chão verde.
Cheiro de mato.
E tua mente modela os animais.
Grandes animais,
sem passado, sem futuro.
Apenas com o peso que lhe importa.
Mas o dia, aos poucos, se desmancha.
E no teu campo,
verde campo,
um campo de estrelas irá brotando,
pouco a pouco,
até que tu voltes. . .
Campo: teu continuar da vida!
Salvador, 14 de março de 1995
1 035
Sousa Caldas
Aos Anos de uma Menina
Não creias, gentil Márcia, na pintura
Com que malignos Gênios figuraram
O veloz Tempo, quando a mão lhe armara
De cruenta, implacável foice dura.
Inimigo fatal da formosura,
Com fantásticas cores o pintaram;
E nem ser ele, ao menos, acenaram
Quem desenvolve as graças da figura.
Qual cerrado botão de fresca rosa,
Que o ligeiro volver de um novo dia
Abre, e transforma em flor a mais mimosa:
Tal, a infantil beleza, inerte e fria,
De ano em ano se torna mais formosa,
E novo brilho, novas graças cria.
Com que malignos Gênios figuraram
O veloz Tempo, quando a mão lhe armara
De cruenta, implacável foice dura.
Inimigo fatal da formosura,
Com fantásticas cores o pintaram;
E nem ser ele, ao menos, acenaram
Quem desenvolve as graças da figura.
Qual cerrado botão de fresca rosa,
Que o ligeiro volver de um novo dia
Abre, e transforma em flor a mais mimosa:
Tal, a infantil beleza, inerte e fria,
De ano em ano se torna mais formosa,
E novo brilho, novas graças cria.
1 060
Silva Avarenga
Madrigal VII
Ó sombra deleitosa,
Onde Glaura se abriga pela sesta,
Enquanto o ardor do Sol os prados cresta,
Ah! defende estes lírios e esta rosa.
E se a Ninfa mimosa
Perguntar quem colheu as lindas flores,
Ó sombra deleitosa,
Dize-lhe que os amores
E a tímida ternura
Do Pastor namorado e sem ventura.
Onde Glaura se abriga pela sesta,
Enquanto o ardor do Sol os prados cresta,
Ah! defende estes lírios e esta rosa.
E se a Ninfa mimosa
Perguntar quem colheu as lindas flores,
Ó sombra deleitosa,
Dize-lhe que os amores
E a tímida ternura
Do Pastor namorado e sem ventura.
930
Sinésio Cabral
Remembranças
Domingo. Noite calma. Um piston em surdina
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.
Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.
Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.
Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.
me traz evocações. Na varanda ensombrada,
eu mergulho no tempo, e o quadro me fascina:
perdidos na distância, uns longes de alvorada.
Em tomo à mesa, ali, conversas de rotina,
logo após o jantar. Bate-papo e mais nada.
E eu retorno à varanda, o olhar na chuva fina
e o pensamento longe, alma enfim deslumbrada.
Daqui deste edifício, entre instantâneos vários,
suponho ver no mar, e com os mesmos ardis,
nos veleiros de outrora, os antigos corsários.
Recordo, neste ensejo, ilhado em São Luís,
meus Pais, irmãos, Madrinha, a Escola, meus canários...
Taperoá, de antanho, em cenas infantis.
957
Silva Dutra
Soneto da Amiga Andando na Praia
Dá gosto vê-la andando na praia,
pisando firme sobre a areia fina!
Maria Aparecida o olhar espraia,
dando a impressão de ser a própria ondina.
A mão direita segurando a saia,
o corpo ereto e o busto que se empina,
quando ela, esbelta, uma corrida ensaia
para exaltar a graça feminina.
Toda a esbelteza por meus olhos vista,
é de vê-la passando à minha frente,
tipo garboso de mulher sulista.
E quando franze a face cor de rosa,
abre-se em mar meu coração contente,
toda minhalma em praia luminosa!
pisando firme sobre a areia fina!
Maria Aparecida o olhar espraia,
dando a impressão de ser a própria ondina.
A mão direita segurando a saia,
o corpo ereto e o busto que se empina,
quando ela, esbelta, uma corrida ensaia
para exaltar a graça feminina.
Toda a esbelteza por meus olhos vista,
é de vê-la passando à minha frente,
tipo garboso de mulher sulista.
E quando franze a face cor de rosa,
abre-se em mar meu coração contente,
toda minhalma em praia luminosa!
1 086
Silva Avarenga
A Roseira
Rondó LII
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
Quando Glaura me dizia
Que era sua esta roseira,
De esperança lisonjeira
Me senda consolar.
Mas a sorte, que invejosa
Este alívio não consente,
Não há mal que não invente
Rigorosa em maltratar.
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
Da risonha primavera
Esperei os dias belos:
Glaura... oh dor! os teus cabelos
Quem Pudera coroar.
Já não vives oh que mágoa!
E a roseira que foi tua,
Eu a vejo estéril, nua,
Junto d’água desmaiar.
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
Parca iníqua, atroz, funesta,
Era teu o infausto agouro;
Já levaste o meu tesouro,
Mais não resta que roubar.
Nem às flores permitiste...
Oh! que bárbara impiedade!
Fica só cruel saudade,
Fica o triste suspirar.
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
De teus ramos a beleza
Era o mimo destes prados;
Move agora, ó ímpios fados!
De tristeza a lamentar.
Horrorosos são meus males;
Tudo encontro em névoa escura;
Vem comigo a desventura
Estes vales assombrar.
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
Quando Glaura me dizia
Que era sua esta roseira,
De esperança lisonjeira
Me senda consolar.
Mas a sorte, que invejosa
Este alívio não consente,
Não há mal que não invente
Rigorosa em maltratar.
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
Da risonha primavera
Esperei os dias belos:
Glaura... oh dor! os teus cabelos
Quem Pudera coroar.
Já não vives oh que mágoa!
E a roseira que foi tua,
Eu a vejo estéril, nua,
Junto d’água desmaiar.
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
Parca iníqua, atroz, funesta,
Era teu o infausto agouro;
Já levaste o meu tesouro,
Mais não resta que roubar.
Nem às flores permitiste...
Oh! que bárbara impiedade!
Fica só cruel saudade,
Fica o triste suspirar.
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
De teus ramos a beleza
Era o mimo destes prados;
Move agora, ó ímpios fados!
De tristeza a lamentar.
Horrorosos são meus males;
Tudo encontro em névoa escura;
Vem comigo a desventura
Estes vales assombrar.
Ah! roseira desgraçada,
Dedicada aos meus amores,
Tuas flores mal se abriram,
E caíram de pesar!
1 141
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
Poesia de Agosto
Foi em Agosto que descobri
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
1 560
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
Poesia de Agosto
Foi em Agosto que descobri
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
1 560
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
Poesia de Agosto
Foi em Agosto que descobri
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo úmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol
Todo o êxtase viril que de ti vinha
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu
O colorido do poente brincando em mim
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos
Sonho porque te quero sonhar
E deixa-me dizer-te
Porque senão eu choro
Eu sou o espaço...
Uma dádiva...
Vem porque é Agosto
E quero cantar-te...
1 560
Silva Avarenga
O Jasmineiro
Rondó XI
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.
Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.
Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.
Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.
Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.
Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.
Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.
Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.
Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
1 007
Silva Avarenga
O Jasmineiro
Rondó XI
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.
Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.
Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.
Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.
Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.
Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.
Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.
Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.
Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
1 007
Silva Avarenga
O Jasmineiro
Rondó XI
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.
Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.
Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.
Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.
Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.
Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.
Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.
Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.
Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
1 007
Rodrigo Carvalho
Súplica
É noite.
Deitei-me triste e vazio.
Procurei uma fuga,
no vasto mundo dos sonhos.
Enganei-me.
Minha vida não mudou enquanto eu dormia.
Estou entregue à amargura, ao sofrimento.
Minha alma agora sofre,
meu coração está sedento.
Como dói relembrar cada momento!
A minha vontade, agora, é de gritar.
Gritar minhas desesperanças!
Gritar minhas desgraças!
Mas a vida é breve, a vida é vã,
como uma borboleta que passa. . .
Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer.
Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas.
E faço silêncio.
Um silêncio tão intenso,
a ponto de perder-me,
na minha mudez aterrorizada.
Entenda, mundo insano!!
Hoje, respiro um ar sôfrego
e expiro tristeza.
A decepção dói no meu corpo.
Poupem-me, ainda que por um momento!!
Não afastem-se de mim,
temendo a minha revolta!
Não retirem-se da minha presença,
desprezando o meu silêncio,
pois que neste silêncio,
revela-se o mal da minha existência. . .
Deitei-me triste e vazio.
Procurei uma fuga,
no vasto mundo dos sonhos.
Enganei-me.
Minha vida não mudou enquanto eu dormia.
Estou entregue à amargura, ao sofrimento.
Minha alma agora sofre,
meu coração está sedento.
Como dói relembrar cada momento!
A minha vontade, agora, é de gritar.
Gritar minhas desesperanças!
Gritar minhas desgraças!
Mas a vida é breve, a vida é vã,
como uma borboleta que passa. . .
Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer.
Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas.
E faço silêncio.
Um silêncio tão intenso,
a ponto de perder-me,
na minha mudez aterrorizada.
Entenda, mundo insano!!
Hoje, respiro um ar sôfrego
e expiro tristeza.
A decepção dói no meu corpo.
Poupem-me, ainda que por um momento!!
Não afastem-se de mim,
temendo a minha revolta!
Não retirem-se da minha presença,
desprezando o meu silêncio,
pois que neste silêncio,
revela-se o mal da minha existência. . .
981
Silva Avarenga
Madrigal XXIX
Não desprezes, ó Glaura, entre estas flores,
Com que os prados matiza a bela Flora,
O jambo, que os Amores
Colheram ao surgir a branca Aurora.
A Dríade suspira, geme e chora
Aflita e desgraçada.
Ela foi despojada... os ais lhe escuto...
Verás neste tributo,
Que por sorte feliz nasceu primeiro,
Ou fruto, que roubou da rosa o cheiro,
Ou rosa transformada em doce fruto.
Com que os prados matiza a bela Flora,
O jambo, que os Amores
Colheram ao surgir a branca Aurora.
A Dríade suspira, geme e chora
Aflita e desgraçada.
Ela foi despojada... os ais lhe escuto...
Verás neste tributo,
Que por sorte feliz nasceu primeiro,
Ou fruto, que roubou da rosa o cheiro,
Ou rosa transformada em doce fruto.
979
Silva Avarenga
Madrigal XXIX
Não desprezes, ó Glaura, entre estas flores,
Com que os prados matiza a bela Flora,
O jambo, que os Amores
Colheram ao surgir a branca Aurora.
A Dríade suspira, geme e chora
Aflita e desgraçada.
Ela foi despojada... os ais lhe escuto...
Verás neste tributo,
Que por sorte feliz nasceu primeiro,
Ou fruto, que roubou da rosa o cheiro,
Ou rosa transformada em doce fruto.
Com que os prados matiza a bela Flora,
O jambo, que os Amores
Colheram ao surgir a branca Aurora.
A Dríade suspira, geme e chora
Aflita e desgraçada.
Ela foi despojada... os ais lhe escuto...
Verás neste tributo,
Que por sorte feliz nasceu primeiro,
Ou fruto, que roubou da rosa o cheiro,
Ou rosa transformada em doce fruto.
979
Rodrigo Carvalho
Madrugada
Sinto-me só.
Sinto-me triste.
Vazio.
Mais triste e vazio que uma vida
triste e vazia.
Queria pelo menos um afago,
um toque,
mãos, braços,
mesmo que desconhecidos,
fingindo abraços.
Queria ao menos uma palavra,
mesmo que fosse vã,
balbuciada,
falsa.
Resta-me a madrugada.
Somente a inebriante escuridão da madrugada.
Faço dela minha companhia,
fuga do pobre poeta amargurado,
esconderijo de camufladas inspirações.
Salvador, 07 de novembro de 1996
Sinto-me triste.
Vazio.
Mais triste e vazio que uma vida
triste e vazia.
Queria pelo menos um afago,
um toque,
mãos, braços,
mesmo que desconhecidos,
fingindo abraços.
Queria ao menos uma palavra,
mesmo que fosse vã,
balbuciada,
falsa.
Resta-me a madrugada.
Somente a inebriante escuridão da madrugada.
Faço dela minha companhia,
fuga do pobre poeta amargurado,
esconderijo de camufladas inspirações.
Salvador, 07 de novembro de 1996
885
Rodrigo Carvalho
Ausência II
É o mesmo céu;
longe.
São as mesmas estrelas;
egoístas.
É o mesmo ambiente;
insignificante.
É a mesma saudade. É a mesma dor.
Mas eu não queria essa "mesmice"!
Eu só queria o mesmo carinho,
a mesma boca,
o mesmo corpo,
a mesma alma,
o mesmo Amor.
O mesmo amor que me faz ficar de pé.
Eu só queria dançar.
Queria, com ela, dançar,
numa atmosfera rosada. . .
Salvador, 22 de setembro de 1996
longe.
São as mesmas estrelas;
egoístas.
É o mesmo ambiente;
insignificante.
É a mesma saudade. É a mesma dor.
Mas eu não queria essa "mesmice"!
Eu só queria o mesmo carinho,
a mesma boca,
o mesmo corpo,
a mesma alma,
o mesmo Amor.
O mesmo amor que me faz ficar de pé.
Eu só queria dançar.
Queria, com ela, dançar,
numa atmosfera rosada. . .
Salvador, 22 de setembro de 1996
758
Ruy Ventura
Chuvas no Alentejo
chuva no poema
noite ardida a flutuar na rua
— o espaço do último sangue
estranha geometria
pontuação que se fecha sobre o tempo
como quem colhe na tarde
o fermentou que restou
de uma vírgula ou insecto
vírgula no poema aguaceiro
forte acolhendo a sombra
que do retrato o rosto faz
cair
pouco importa o vento
que vem das velhas fotografias
ou nas cartas que se não abriram
só importa a chuva
aceite entre duas sílabas
como um pássaro ou um livro
noite ardida a flutuar na rua
— o espaço do último sangue
estranha geometria
pontuação que se fecha sobre o tempo
como quem colhe na tarde
o fermentou que restou
de uma vírgula ou insecto
vírgula no poema aguaceiro
forte acolhendo a sombra
que do retrato o rosto faz
cair
pouco importa o vento
que vem das velhas fotografias
ou nas cartas que se não abriram
só importa a chuva
aceite entre duas sílabas
como um pássaro ou um livro
420
Ruy Ventura
Chuvas no Alentejo
chuva no poema
noite ardida a flutuar na rua
— o espaço do último sangue
estranha geometria
pontuação que se fecha sobre o tempo
como quem colhe na tarde
o fermentou que restou
de uma vírgula ou insecto
vírgula no poema aguaceiro
forte acolhendo a sombra
que do retrato o rosto faz
cair
pouco importa o vento
que vem das velhas fotografias
ou nas cartas que se não abriram
só importa a chuva
aceite entre duas sílabas
como um pássaro ou um livro
noite ardida a flutuar na rua
— o espaço do último sangue
estranha geometria
pontuação que se fecha sobre o tempo
como quem colhe na tarde
o fermentou que restou
de uma vírgula ou insecto
vírgula no poema aguaceiro
forte acolhendo a sombra
que do retrato o rosto faz
cair
pouco importa o vento
que vem das velhas fotografias
ou nas cartas que se não abriram
só importa a chuva
aceite entre duas sílabas
como um pássaro ou um livro
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