Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Fernando Guedes
O Caule
Cinzentas procuras interceptam
o paralelismo recusado.
Sem preferência de ritmo
as fotografias dividiram entre si
os intervalos do tempo. Duas.
No caminho vãos destinos se buscam.
Só a molécula resiste, a flor aberta,
o caule perfumado, a raiz vigorosa.
onde a raposa construiu o seu covil,
a folhagem criada para o abrigo do mocho,
a inteira floresta, espinheiros e buxo,
o labirinto,
o eco da canção antiga,
ingênua e tão distante.
E do eco, do bosque, do labirinto, da flor aberta
se nutre de novo o movimento.
Os símbolos perfilam outro símbolo.
o paralelismo recusado.
Sem preferência de ritmo
as fotografias dividiram entre si
os intervalos do tempo. Duas.
No caminho vãos destinos se buscam.
Só a molécula resiste, a flor aberta,
o caule perfumado, a raiz vigorosa.
onde a raposa construiu o seu covil,
a folhagem criada para o abrigo do mocho,
a inteira floresta, espinheiros e buxo,
o labirinto,
o eco da canção antiga,
ingênua e tão distante.
E do eco, do bosque, do labirinto, da flor aberta
se nutre de novo o movimento.
Os símbolos perfilam outro símbolo.
1 218
Ernani Sátyro
Recife
(Recordando)
Oh que saudades que tenho
Da minha Rua da Aurora
Do rio naquela rua
Da aurora naquele rio
Daquele rio da aurora
Que as águas não trazem mais.
Oh que saudades que tenho
De meus sonhos tão branquinhos
Lavando as águas barrentas,
Das águas levando os sonhos
Que as águas não trazem mais.
Oh que saudades meu Deus
De meus passos na calçada
Acordando aquela estátua
Do Conde de Boa Vista,
Eu querendo ser estátua
Só não querendo morrer.
Oh que saudades também
Do meu amor em Olinda.
Navegava em pensamento
Nos navios que passavam
Mas nadava de verdade
Dando braçadas nas águas
E no corpo da amada.
Oh que saudades, já quantas,
Do Diário e do Comercio
Que só são bons de ser lidos
Bem quentinhos com o café
Numa pensão de estudantes
Vendidos por gazeteiros.
Oh que saudades que tenho
Da minha ama de leite
Joana Pé de Papagaio
Que não conheceu Recife
Mas cujo leite escorria
Nas águas daquele rio
Levado pelos meus olhos
Onde nunca ele secou
E ainda hoje umedece
Um certo modo de olhar.
A outra saudade grande
É dos sonhos bem sonhados
Bem pouco realizados.
E das frases preparadas
Pra serem ditas ao povo
a multidões inflamadas
Pela força do meu verbo
Mas que foi bom não ter dito
Porque eram ruins demais.
Minha saudade maior
É daquelas esperanças
De ser um bom promotor
Lá bem dentro do sertão
Discursando para o júri
Namorando as moças todas
Depois casando orgulhoso
Com a filha do coronel.
Se outras coisas alcancei
Tão boas e até melhores
Não são as coisas sonhadas
Com os passos firmes no chão
Os olhos bem para cima
Desfiando as estrelas
Que não sabiam de nada.
Oh que saudades que tenho
Da minha Rua da Aurora
Do rio naquela rua
Da aurora naquele rio
Daquele rio na aurora
Que as águas não trazem mais.
Saudades são mil saudades
Do rio que corre agora
Pra outros que não o vêem
Mas termina sempre em mim
Que eu é que sou seu mar.
Oh que saudades que tenho
Da minha Rua da Aurora
Do rio naquela rua
Da aurora naquele rio
Daquele rio da aurora
Que as águas não trazem mais.
Oh que saudades que tenho
De meus sonhos tão branquinhos
Lavando as águas barrentas,
Das águas levando os sonhos
Que as águas não trazem mais.
Oh que saudades meu Deus
De meus passos na calçada
Acordando aquela estátua
Do Conde de Boa Vista,
Eu querendo ser estátua
Só não querendo morrer.
Oh que saudades também
Do meu amor em Olinda.
Navegava em pensamento
Nos navios que passavam
Mas nadava de verdade
Dando braçadas nas águas
E no corpo da amada.
Oh que saudades, já quantas,
Do Diário e do Comercio
Que só são bons de ser lidos
Bem quentinhos com o café
Numa pensão de estudantes
Vendidos por gazeteiros.
Oh que saudades que tenho
Da minha ama de leite
Joana Pé de Papagaio
Que não conheceu Recife
Mas cujo leite escorria
Nas águas daquele rio
Levado pelos meus olhos
Onde nunca ele secou
E ainda hoje umedece
Um certo modo de olhar.
A outra saudade grande
É dos sonhos bem sonhados
Bem pouco realizados.
E das frases preparadas
Pra serem ditas ao povo
a multidões inflamadas
Pela força do meu verbo
Mas que foi bom não ter dito
Porque eram ruins demais.
Minha saudade maior
É daquelas esperanças
De ser um bom promotor
Lá bem dentro do sertão
Discursando para o júri
Namorando as moças todas
Depois casando orgulhoso
Com a filha do coronel.
Se outras coisas alcancei
Tão boas e até melhores
Não são as coisas sonhadas
Com os passos firmes no chão
Os olhos bem para cima
Desfiando as estrelas
Que não sabiam de nada.
Oh que saudades que tenho
Da minha Rua da Aurora
Do rio naquela rua
Da aurora naquele rio
Daquele rio na aurora
Que as águas não trazem mais.
Saudades são mil saudades
Do rio que corre agora
Pra outros que não o vêem
Mas termina sempre em mim
Que eu é que sou seu mar.
997
Fábio Afonso de Almeida
Chuva
Ela vem como quem não quer
Mas firma devagarinho
Com promessas de mais crescer.
Murmura umas distâncias remotas
E joga meu olhar distraido
Para bem longe daqui.
Lá onde pontos de luz no horizonte
Iluminam de prata o verde da grama
E pingam na minha vida
Uns lampejos que dançam irrequietos
Nos olhos, nos vidros, no coração
Na fantasia de um querer sem lógica.
Ribomba nostálgico das profundezas
O trovão do meu peito
Alcançando estas novas mágoas
Em águas que a idéia traz:
É ela, é ela, cabelos molhados
Súbito relâmpago de um corpo nu.
Mas firma devagarinho
Com promessas de mais crescer.
Murmura umas distâncias remotas
E joga meu olhar distraido
Para bem longe daqui.
Lá onde pontos de luz no horizonte
Iluminam de prata o verde da grama
E pingam na minha vida
Uns lampejos que dançam irrequietos
Nos olhos, nos vidros, no coração
Na fantasia de um querer sem lógica.
Ribomba nostálgico das profundezas
O trovão do meu peito
Alcançando estas novas mágoas
Em águas que a idéia traz:
É ela, é ela, cabelos molhados
Súbito relâmpago de um corpo nu.
801
Urhacy Faustino
ad immortalitatem
para Mário Quintana
Agora que pertence à Grande Constelação,
do outro lado da vida,
ele ri
da estrela terrena que era.
Agora que pertence à Grande Constelação,
do outro lado da vida,
ele ri
da estrela terrena que era.
1 046
Epitácio Mendes Silva
Nós e natureza
Cores de todas as manhãs,
manhãs de todas as cores.
Dia de todas as luzes,
luzes de todos os dias.
Noite de todas as luzes,
luzes de todas as noites.
Gotas de orvalho das flores
e flores com gotas de orvalho.
Pássaros que os dias festejam
e dias que festejam os pássaros.
Céu de todos os azuis
e azuis de todos os céus.
Cristalinas águas das fontes
e fontes de águas cristalinas.
Mundo de todos os sons
e sons de todos os mundos.
Dizei-me oh, coisas divinais:
por que em tudo isso me reflito
e tudo me faz pensar em ti ?...
manhãs de todas as cores.
Dia de todas as luzes,
luzes de todos os dias.
Noite de todas as luzes,
luzes de todas as noites.
Gotas de orvalho das flores
e flores com gotas de orvalho.
Pássaros que os dias festejam
e dias que festejam os pássaros.
Céu de todos os azuis
e azuis de todos os céus.
Cristalinas águas das fontes
e fontes de águas cristalinas.
Mundo de todos os sons
e sons de todos os mundos.
Dizei-me oh, coisas divinais:
por que em tudo isso me reflito
e tudo me faz pensar em ti ?...
1 048
Epitácio Mendes Silva
Nós e natureza
Cores de todas as manhãs,
manhãs de todas as cores.
Dia de todas as luzes,
luzes de todos os dias.
Noite de todas as luzes,
luzes de todas as noites.
Gotas de orvalho das flores
e flores com gotas de orvalho.
Pássaros que os dias festejam
e dias que festejam os pássaros.
Céu de todos os azuis
e azuis de todos os céus.
Cristalinas águas das fontes
e fontes de águas cristalinas.
Mundo de todos os sons
e sons de todos os mundos.
Dizei-me oh, coisas divinais:
por que em tudo isso me reflito
e tudo me faz pensar em ti ?...
manhãs de todas as cores.
Dia de todas as luzes,
luzes de todos os dias.
Noite de todas as luzes,
luzes de todas as noites.
Gotas de orvalho das flores
e flores com gotas de orvalho.
Pássaros que os dias festejam
e dias que festejam os pássaros.
Céu de todos os azuis
e azuis de todos os céus.
Cristalinas águas das fontes
e fontes de águas cristalinas.
Mundo de todos os sons
e sons de todos os mundos.
Dizei-me oh, coisas divinais:
por que em tudo isso me reflito
e tudo me faz pensar em ti ?...
1 048
Epitácio Mendes Silva
Rio São Francisco
De gota em gota te formaste,
cristalino, manso, e logo caudaloso,
nas longínquas e alterosas nascentes
como uma imensa dádiva de Deus.
E dia a dia segues, inconfundível,
do gotejante berço até o mar,
desenvolto, belo e imperecível
correndo sobre desfiladeiros e planíceis.
Fecunas as tuas margens, teus vales, tuas ilhas,
e a luz do sol brinca, ágil, em tua superfície,
enquanto a vida ecplode em alegrias, quandos passas,
criando em teu percurso eternas esperanças.
Ah !, Velho Chico da minha infância machucada,
quando eu sonhava tuas águas transportadas
para as longínquas solidões do meu sertão
onde há misérias e a vida é uma aflição.
cristalino, manso, e logo caudaloso,
nas longínquas e alterosas nascentes
como uma imensa dádiva de Deus.
E dia a dia segues, inconfundível,
do gotejante berço até o mar,
desenvolto, belo e imperecível
correndo sobre desfiladeiros e planíceis.
Fecunas as tuas margens, teus vales, tuas ilhas,
e a luz do sol brinca, ágil, em tua superfície,
enquanto a vida ecplode em alegrias, quandos passas,
criando em teu percurso eternas esperanças.
Ah !, Velho Chico da minha infância machucada,
quando eu sonhava tuas águas transportadas
para as longínquas solidões do meu sertão
onde há misérias e a vida é uma aflição.
980
Éric Ponty
Narcissus
O que somos afinal sobre o sol que a pino,
encerra o silêncio de nossas esperanças,
que encantados com o brilho lunar nos refaz.
O que somos afinal sobre a lua que cheia,
floresce nossos ensejos, e frutifica nossos mitos,
que desiludidos com o solar ofuscamento nos reluz.
Lúgrebe como é lúgrebe o canto que nasce
que jorra límpida nas outras fontes d’água,
silêncios que encerram nossa imagem
de um refletido mito surdo.
Irrigada voz que descanta o pássaro,
que com asas de brancas nuvens
se interroga sobre a matéria tempo,
fúnebre como o paladar do sino a obrar.
Olhos de prata, murmúrios de ouro,
interrogações que se abrumaram,
rudes questionamentos que não se esvam,.
acumulados e dissimulados
na consciência incerta.
Sol e Lua dentro da noite adentro do dia,
dúbia conversa entre astros que não ponderam
se circunferenciam numa rota imutável,
rotineira como o tempo irrefutável.
Despir, rubro significado altivo,
máscara que não tateia simulacro inteira,
Lívia pele, tenra mentira fluida n’água,
paixão que se encadeia, mas não queima,
límpido abismo simulado de realidade.
Entrecortadas vozes que se dissecam,
o vento, o que diz o vento ao vento
que ventila a própria sentença
de outros apagados tempos invernais?
Sim, a paixão é rubra lavra de vulcão,
espessa e fluida e sufocada nuvem,
que dilui a consciência e o logos.
Resistir na verde margem relva,
com o retrato entrecortado n’água,
tingido pelas toscas luzes do prisma,
para que o branco não seja preto,
para que o preto não seja branco,
simulada visão do natural tempo,
arquitetado.
O que somos, àquilo que nós fomos,
dentro de poucos instantes, iremos,
a questão inquestionável que aglutina,
súplice e suplicado que ateia,
ruge o instante dentro de um infinito.
Driblar uma consciência outra, gesto possível,
e a si mesmo, improvável ato que desfigura,
como a cera de uma face resplandecente,
que desfalece na contra luz do tempo.
Um eclipse é uma imagem de pena,
rápido encontro, infindável espera,
que se perde como amantes por acaso,
que desfalecem após o orgasmo.
Admira-se trágica cena de um enamorado,
que enluarado pela límpida água refletida,
soltos suspiros como se outra natureza,
sua máscara fosse esculpida e terminada.
Rogado por tal imagem quer ser altivo,
buscar dentro de si próprio outros gemidos,
que a faça entreter de seus alaridos,
dissimulado como está de si na margem.
Perdido, quer encontrar um pedido, só suspiro,
melodiar, uma canção suave, só grunhido,
entreter ao outro, e a si mesmo, só que entretido.
Desfazer-se de sua própria figura espectral,
sem tal companheira, voar altivo no azul céu,
pintando o que lhe resta da augusta miséria.
O suplicante exaurido de sua ébria consciência,
vê os reflexos na margem cobertos de rubro véu,
os raios de circunferência prata, ledo engano,
são frios como a noite invernal, que o vento retrata,
é tão só esta paixão que exaure e assusta
quem se observa refletido, a si mesmo perdido.
As brancas mãos, os braços abraçados que aguardam
a possibilidade de ali ainda haver um ninho doirado,
que agassa-lhe o pássaro de sua frígida tempestade,
antes que se finde numa escura nuvem do nada.
Altiva é sua boca, carnudos lábios marmóreos,
suspiros e gemidos é feito o martírio que dali, .
parte e retorna num outro segundo de infinita perda,
na paisagem onde um branco mancebo se retraí.
O corpo é branca estátua que não se move mais,
inerte como a mais dura esfinge indecifrável,
corrói o interior sobre o sol angustiante e a pino,
cabelos doirados que não mais doiram a enseada,
só a brisa lhe sussurra, o que antes lhe encantava,
triste é a sua matéria, ledo seu simulacro invólucro.
O que somos sobre uma margem de uma relva,
que nos desperta com a limpida água que flui,
é a ébria forma de uma bruma suplicada,
que se perfez, e se desfaz n’água de um lago.
encerra o silêncio de nossas esperanças,
que encantados com o brilho lunar nos refaz.
O que somos afinal sobre a lua que cheia,
floresce nossos ensejos, e frutifica nossos mitos,
que desiludidos com o solar ofuscamento nos reluz.
Lúgrebe como é lúgrebe o canto que nasce
que jorra límpida nas outras fontes d’água,
silêncios que encerram nossa imagem
de um refletido mito surdo.
Irrigada voz que descanta o pássaro,
que com asas de brancas nuvens
se interroga sobre a matéria tempo,
fúnebre como o paladar do sino a obrar.
Olhos de prata, murmúrios de ouro,
interrogações que se abrumaram,
rudes questionamentos que não se esvam,.
acumulados e dissimulados
na consciência incerta.
Sol e Lua dentro da noite adentro do dia,
dúbia conversa entre astros que não ponderam
se circunferenciam numa rota imutável,
rotineira como o tempo irrefutável.
Despir, rubro significado altivo,
máscara que não tateia simulacro inteira,
Lívia pele, tenra mentira fluida n’água,
paixão que se encadeia, mas não queima,
límpido abismo simulado de realidade.
Entrecortadas vozes que se dissecam,
o vento, o que diz o vento ao vento
que ventila a própria sentença
de outros apagados tempos invernais?
Sim, a paixão é rubra lavra de vulcão,
espessa e fluida e sufocada nuvem,
que dilui a consciência e o logos.
Resistir na verde margem relva,
com o retrato entrecortado n’água,
tingido pelas toscas luzes do prisma,
para que o branco não seja preto,
para que o preto não seja branco,
simulada visão do natural tempo,
arquitetado.
O que somos, àquilo que nós fomos,
dentro de poucos instantes, iremos,
a questão inquestionável que aglutina,
súplice e suplicado que ateia,
ruge o instante dentro de um infinito.
Driblar uma consciência outra, gesto possível,
e a si mesmo, improvável ato que desfigura,
como a cera de uma face resplandecente,
que desfalece na contra luz do tempo.
Um eclipse é uma imagem de pena,
rápido encontro, infindável espera,
que se perde como amantes por acaso,
que desfalecem após o orgasmo.
Admira-se trágica cena de um enamorado,
que enluarado pela límpida água refletida,
soltos suspiros como se outra natureza,
sua máscara fosse esculpida e terminada.
Rogado por tal imagem quer ser altivo,
buscar dentro de si próprio outros gemidos,
que a faça entreter de seus alaridos,
dissimulado como está de si na margem.
Perdido, quer encontrar um pedido, só suspiro,
melodiar, uma canção suave, só grunhido,
entreter ao outro, e a si mesmo, só que entretido.
Desfazer-se de sua própria figura espectral,
sem tal companheira, voar altivo no azul céu,
pintando o que lhe resta da augusta miséria.
O suplicante exaurido de sua ébria consciência,
vê os reflexos na margem cobertos de rubro véu,
os raios de circunferência prata, ledo engano,
são frios como a noite invernal, que o vento retrata,
é tão só esta paixão que exaure e assusta
quem se observa refletido, a si mesmo perdido.
As brancas mãos, os braços abraçados que aguardam
a possibilidade de ali ainda haver um ninho doirado,
que agassa-lhe o pássaro de sua frígida tempestade,
antes que se finde numa escura nuvem do nada.
Altiva é sua boca, carnudos lábios marmóreos,
suspiros e gemidos é feito o martírio que dali, .
parte e retorna num outro segundo de infinita perda,
na paisagem onde um branco mancebo se retraí.
O corpo é branca estátua que não se move mais,
inerte como a mais dura esfinge indecifrável,
corrói o interior sobre o sol angustiante e a pino,
cabelos doirados que não mais doiram a enseada,
só a brisa lhe sussurra, o que antes lhe encantava,
triste é a sua matéria, ledo seu simulacro invólucro.
O que somos sobre uma margem de uma relva,
que nos desperta com a limpida água que flui,
é a ébria forma de uma bruma suplicada,
que se perfez, e se desfaz n’água de um lago.
998
Éric Ponty
Narcissus
O que somos afinal sobre o sol que a pino,
encerra o silêncio de nossas esperanças,
que encantados com o brilho lunar nos refaz.
O que somos afinal sobre a lua que cheia,
floresce nossos ensejos, e frutifica nossos mitos,
que desiludidos com o solar ofuscamento nos reluz.
Lúgrebe como é lúgrebe o canto que nasce
que jorra límpida nas outras fontes d’água,
silêncios que encerram nossa imagem
de um refletido mito surdo.
Irrigada voz que descanta o pássaro,
que com asas de brancas nuvens
se interroga sobre a matéria tempo,
fúnebre como o paladar do sino a obrar.
Olhos de prata, murmúrios de ouro,
interrogações que se abrumaram,
rudes questionamentos que não se esvam,.
acumulados e dissimulados
na consciência incerta.
Sol e Lua dentro da noite adentro do dia,
dúbia conversa entre astros que não ponderam
se circunferenciam numa rota imutável,
rotineira como o tempo irrefutável.
Despir, rubro significado altivo,
máscara que não tateia simulacro inteira,
Lívia pele, tenra mentira fluida n’água,
paixão que se encadeia, mas não queima,
límpido abismo simulado de realidade.
Entrecortadas vozes que se dissecam,
o vento, o que diz o vento ao vento
que ventila a própria sentença
de outros apagados tempos invernais?
Sim, a paixão é rubra lavra de vulcão,
espessa e fluida e sufocada nuvem,
que dilui a consciência e o logos.
Resistir na verde margem relva,
com o retrato entrecortado n’água,
tingido pelas toscas luzes do prisma,
para que o branco não seja preto,
para que o preto não seja branco,
simulada visão do natural tempo,
arquitetado.
O que somos, àquilo que nós fomos,
dentro de poucos instantes, iremos,
a questão inquestionável que aglutina,
súplice e suplicado que ateia,
ruge o instante dentro de um infinito.
Driblar uma consciência outra, gesto possível,
e a si mesmo, improvável ato que desfigura,
como a cera de uma face resplandecente,
que desfalece na contra luz do tempo.
Um eclipse é uma imagem de pena,
rápido encontro, infindável espera,
que se perde como amantes por acaso,
que desfalecem após o orgasmo.
Admira-se trágica cena de um enamorado,
que enluarado pela límpida água refletida,
soltos suspiros como se outra natureza,
sua máscara fosse esculpida e terminada.
Rogado por tal imagem quer ser altivo,
buscar dentro de si próprio outros gemidos,
que a faça entreter de seus alaridos,
dissimulado como está de si na margem.
Perdido, quer encontrar um pedido, só suspiro,
melodiar, uma canção suave, só grunhido,
entreter ao outro, e a si mesmo, só que entretido.
Desfazer-se de sua própria figura espectral,
sem tal companheira, voar altivo no azul céu,
pintando o que lhe resta da augusta miséria.
O suplicante exaurido de sua ébria consciência,
vê os reflexos na margem cobertos de rubro véu,
os raios de circunferência prata, ledo engano,
são frios como a noite invernal, que o vento retrata,
é tão só esta paixão que exaure e assusta
quem se observa refletido, a si mesmo perdido.
As brancas mãos, os braços abraçados que aguardam
a possibilidade de ali ainda haver um ninho doirado,
que agassa-lhe o pássaro de sua frígida tempestade,
antes que se finde numa escura nuvem do nada.
Altiva é sua boca, carnudos lábios marmóreos,
suspiros e gemidos é feito o martírio que dali, .
parte e retorna num outro segundo de infinita perda,
na paisagem onde um branco mancebo se retraí.
O corpo é branca estátua que não se move mais,
inerte como a mais dura esfinge indecifrável,
corrói o interior sobre o sol angustiante e a pino,
cabelos doirados que não mais doiram a enseada,
só a brisa lhe sussurra, o que antes lhe encantava,
triste é a sua matéria, ledo seu simulacro invólucro.
O que somos sobre uma margem de uma relva,
que nos desperta com a limpida água que flui,
é a ébria forma de uma bruma suplicada,
que se perfez, e se desfaz n’água de um lago.
encerra o silêncio de nossas esperanças,
que encantados com o brilho lunar nos refaz.
O que somos afinal sobre a lua que cheia,
floresce nossos ensejos, e frutifica nossos mitos,
que desiludidos com o solar ofuscamento nos reluz.
Lúgrebe como é lúgrebe o canto que nasce
que jorra límpida nas outras fontes d’água,
silêncios que encerram nossa imagem
de um refletido mito surdo.
Irrigada voz que descanta o pássaro,
que com asas de brancas nuvens
se interroga sobre a matéria tempo,
fúnebre como o paladar do sino a obrar.
Olhos de prata, murmúrios de ouro,
interrogações que se abrumaram,
rudes questionamentos que não se esvam,.
acumulados e dissimulados
na consciência incerta.
Sol e Lua dentro da noite adentro do dia,
dúbia conversa entre astros que não ponderam
se circunferenciam numa rota imutável,
rotineira como o tempo irrefutável.
Despir, rubro significado altivo,
máscara que não tateia simulacro inteira,
Lívia pele, tenra mentira fluida n’água,
paixão que se encadeia, mas não queima,
límpido abismo simulado de realidade.
Entrecortadas vozes que se dissecam,
o vento, o que diz o vento ao vento
que ventila a própria sentença
de outros apagados tempos invernais?
Sim, a paixão é rubra lavra de vulcão,
espessa e fluida e sufocada nuvem,
que dilui a consciência e o logos.
Resistir na verde margem relva,
com o retrato entrecortado n’água,
tingido pelas toscas luzes do prisma,
para que o branco não seja preto,
para que o preto não seja branco,
simulada visão do natural tempo,
arquitetado.
O que somos, àquilo que nós fomos,
dentro de poucos instantes, iremos,
a questão inquestionável que aglutina,
súplice e suplicado que ateia,
ruge o instante dentro de um infinito.
Driblar uma consciência outra, gesto possível,
e a si mesmo, improvável ato que desfigura,
como a cera de uma face resplandecente,
que desfalece na contra luz do tempo.
Um eclipse é uma imagem de pena,
rápido encontro, infindável espera,
que se perde como amantes por acaso,
que desfalecem após o orgasmo.
Admira-se trágica cena de um enamorado,
que enluarado pela límpida água refletida,
soltos suspiros como se outra natureza,
sua máscara fosse esculpida e terminada.
Rogado por tal imagem quer ser altivo,
buscar dentro de si próprio outros gemidos,
que a faça entreter de seus alaridos,
dissimulado como está de si na margem.
Perdido, quer encontrar um pedido, só suspiro,
melodiar, uma canção suave, só grunhido,
entreter ao outro, e a si mesmo, só que entretido.
Desfazer-se de sua própria figura espectral,
sem tal companheira, voar altivo no azul céu,
pintando o que lhe resta da augusta miséria.
O suplicante exaurido de sua ébria consciência,
vê os reflexos na margem cobertos de rubro véu,
os raios de circunferência prata, ledo engano,
são frios como a noite invernal, que o vento retrata,
é tão só esta paixão que exaure e assusta
quem se observa refletido, a si mesmo perdido.
As brancas mãos, os braços abraçados que aguardam
a possibilidade de ali ainda haver um ninho doirado,
que agassa-lhe o pássaro de sua frígida tempestade,
antes que se finde numa escura nuvem do nada.
Altiva é sua boca, carnudos lábios marmóreos,
suspiros e gemidos é feito o martírio que dali, .
parte e retorna num outro segundo de infinita perda,
na paisagem onde um branco mancebo se retraí.
O corpo é branca estátua que não se move mais,
inerte como a mais dura esfinge indecifrável,
corrói o interior sobre o sol angustiante e a pino,
cabelos doirados que não mais doiram a enseada,
só a brisa lhe sussurra, o que antes lhe encantava,
triste é a sua matéria, ledo seu simulacro invólucro.
O que somos sobre uma margem de uma relva,
que nos desperta com a limpida água que flui,
é a ébria forma de uma bruma suplicada,
que se perfez, e se desfaz n’água de um lago.
998
Fábio Afonso de Almeida
Sebastiana e a Pedrap
Todo o dia que amanhece
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
Com chuva ou com sol, sempre acontece
Sebastiana devagarinho, como um anjo
Chega `a nascente da água mineral
Rác, rác, rác, rác
Sebastiana raspa o pé na pedra
O pé raspa a pedra de Sebastiana
(Será que a pedra tem espírito?)
Sebastiana, sim, tem a pedra preferida
Áspera, redonda e oferecida
Pedaço de rocha primitiva e úmida
De uma razão qualquer que desconheço
Testemunho o encontro todos os dias
Nas brumas das manhãs tão frias
E fico cismando, como de hábito
Sobre fatos pretéritos e misteriosos
Quando na terra primeva do planalto central
Entre raios e abalos sísmicos de força brutal
Feios dinossauros passearam pelo parque
E a água fria brotou da rocha
Cristalina e pura, correu por milhões de anos
No santuário mágico do poço dos anjos
Alvoradas e arrebóis sem conta se sucederam
O tempo hipnotizado se liquefez em eras...
No fundo do poço desde sempre e agora
A pedra, fico pensando, esperou a hora
De passar a magia destas eras
A quem, no fundo, sempre soubesse
Alguém como Sebastiana, de outras vidas
(Imagino que tão antigas e sofridas)
Para trazer a manhã sempre calma
Deste suceder infinito, presente para mim
Sebastiana rala o pé na pedra
O pé rala a pedra de Sebastiana
O tempo vira água pura e pedra
Como se não existisse
Ou como se fosse Sebastiana...
Rác, rác, rác, rác....
778
Epiphânia Nogueira
Saudade Ancestral
A saudade ancestral me trouxe ao mar,
e o líquido elemento me acolheu;
a imensidão azul foi o meu lar,
e fui peixe, e fui concha, e não fui eu.
Das ondas meu cabelo foi espuma
e brinquei nua e pura à luz da lua.
Com o verme e com o lodo me fiz uma,
e renasci, eterna, à voz que é tua.
Vivo, o incêndio do sol a água queimou,
e toda a minha vida vi arder
nesse mar onde a luz me penetrou.
E o sangue que foi água se refez;
e a carne que foi lodo quis viver;
e, à luz do sol o mar o ser me fez
e o líquido elemento me acolheu;
a imensidão azul foi o meu lar,
e fui peixe, e fui concha, e não fui eu.
Das ondas meu cabelo foi espuma
e brinquei nua e pura à luz da lua.
Com o verme e com o lodo me fiz uma,
e renasci, eterna, à voz que é tua.
Vivo, o incêndio do sol a água queimou,
e toda a minha vida vi arder
nesse mar onde a luz me penetrou.
E o sangue que foi água se refez;
e a carne que foi lodo quis viver;
e, à luz do sol o mar o ser me fez
967
Ernani Sátyro
O Canto do Retardatário
Pouco importa que o canto seja tardio.
Se não tinha amadurecido, inda não era canto.
A idade do poeta se mede pelo amadurecimento do canto.
Cantar não é desejar a glória,
É simplesmente cantar.
A gente nasce para viver,
O canto rompe para vibrar.
O resto é com quem ouve,
O poeta não tem nada com isso.
Já houve um santo que falou às aves.
Mas eu sou ave, canto para as árvores.
— Árvores, ouvi-me!
Se não tinha amadurecido, inda não era canto.
A idade do poeta se mede pelo amadurecimento do canto.
Cantar não é desejar a glória,
É simplesmente cantar.
A gente nasce para viver,
O canto rompe para vibrar.
O resto é com quem ouve,
O poeta não tem nada com isso.
Já houve um santo que falou às aves.
Mas eu sou ave, canto para as árvores.
— Árvores, ouvi-me!
1 109
Eustáquio Gorgone
O Rodeio - 3
Gradil de madeira,
gradil de madeira.
Uma donzela com focinho
de rosas
quebrando a vidraça.
Por desespero e fatuidade
os animais choram
dentro das moringas.
Ela tem lenços e miniaturas,
ela tem lenços e miniaturas.
Mas nada, nada, nada enxuga
seu crescente sofrimento.
E o sol vai passando
com sua viseira de luz.
Ela não conhece corcundas,
ela não conhece corcundas
cheias de orquídeas.
Tudo para ela é cinzento.
Debalde doidos amores
esperam o seu sorriso.
gradil de madeira.
Uma donzela com focinho
de rosas
quebrando a vidraça.
Por desespero e fatuidade
os animais choram
dentro das moringas.
Ela tem lenços e miniaturas,
ela tem lenços e miniaturas.
Mas nada, nada, nada enxuga
seu crescente sofrimento.
E o sol vai passando
com sua viseira de luz.
Ela não conhece corcundas,
ela não conhece corcundas
cheias de orquídeas.
Tudo para ela é cinzento.
Debalde doidos amores
esperam o seu sorriso.
795
Félix Aires
Porto de São Luís
De momento a momento, amuado, o mar esmurra,
bruto, esbaqueia, esbate, esbraveja, esbarronda!
Os mais fortes murais o seu chicote surra
e atrevido intromete, estruge, atroa, estronda!
Enche, transborda e vaza, encharca, estoira, esturra,
inquieto, a retesar seus pulsos de onda em onda!
Hércules que protesta e incrivelmente empurra
enormes vagalhões, sem ter quem lhe responda!
Gigante intempestivo, intrépido, arruaceiro,
que de rosto fechado ameaça o mundo inteiro,
espragueja a cuspir os portos das cidades!
— Mar que amedronta a terra em doudos temporais
o ódio, pior que tu, de arremessos fatais,
incha, resmunga e explode em negras tempestades!
bruto, esbaqueia, esbate, esbraveja, esbarronda!
Os mais fortes murais o seu chicote surra
e atrevido intromete, estruge, atroa, estronda!
Enche, transborda e vaza, encharca, estoira, esturra,
inquieto, a retesar seus pulsos de onda em onda!
Hércules que protesta e incrivelmente empurra
enormes vagalhões, sem ter quem lhe responda!
Gigante intempestivo, intrépido, arruaceiro,
que de rosto fechado ameaça o mundo inteiro,
espragueja a cuspir os portos das cidades!
— Mar que amedronta a terra em doudos temporais
o ódio, pior que tu, de arremessos fatais,
incha, resmunga e explode em negras tempestades!
886
Félix Aires
Porto de São Luís
De momento a momento, amuado, o mar esmurra,
bruto, esbaqueia, esbate, esbraveja, esbarronda!
Os mais fortes murais o seu chicote surra
e atrevido intromete, estruge, atroa, estronda!
Enche, transborda e vaza, encharca, estoira, esturra,
inquieto, a retesar seus pulsos de onda em onda!
Hércules que protesta e incrivelmente empurra
enormes vagalhões, sem ter quem lhe responda!
Gigante intempestivo, intrépido, arruaceiro,
que de rosto fechado ameaça o mundo inteiro,
espragueja a cuspir os portos das cidades!
— Mar que amedronta a terra em doudos temporais
o ódio, pior que tu, de arremessos fatais,
incha, resmunga e explode em negras tempestades!
bruto, esbaqueia, esbate, esbraveja, esbarronda!
Os mais fortes murais o seu chicote surra
e atrevido intromete, estruge, atroa, estronda!
Enche, transborda e vaza, encharca, estoira, esturra,
inquieto, a retesar seus pulsos de onda em onda!
Hércules que protesta e incrivelmente empurra
enormes vagalhões, sem ter quem lhe responda!
Gigante intempestivo, intrépido, arruaceiro,
que de rosto fechado ameaça o mundo inteiro,
espragueja a cuspir os portos das cidades!
— Mar que amedronta a terra em doudos temporais
o ódio, pior que tu, de arremessos fatais,
incha, resmunga e explode em negras tempestades!
886
Félix Aires
Trovas
Longe, a gaivota voando,
é um til perdido nos ares...
E eu viajo, me recordando
da bênção dos teus olhares!
Por tua beleza tanta
se enflora meu pensamento,
e a boca da noite canta
as melodias do vento.
Da mais pura filigrana,
com esse encanto de lenda,
tu és uma trova humana
vestida de seda e renda.
Quando ela chega, seu riso
é um lírio abrindo a corola
e então nascem de improviso
flores ao pé da viola.
Que lindo o mar! Nestas rotas
vejo as velas nos folguedo!
Alva toalha de gaivotas
sobre a mesa dos rochedos!
Da caboclinha bonita
armam-se os seios seguros,
que são dois frutos maduros
dentro de um ramo de chita!
é um til perdido nos ares...
E eu viajo, me recordando
da bênção dos teus olhares!
Por tua beleza tanta
se enflora meu pensamento,
e a boca da noite canta
as melodias do vento.
Da mais pura filigrana,
com esse encanto de lenda,
tu és uma trova humana
vestida de seda e renda.
Quando ela chega, seu riso
é um lírio abrindo a corola
e então nascem de improviso
flores ao pé da viola.
Que lindo o mar! Nestas rotas
vejo as velas nos folguedo!
Alva toalha de gaivotas
sobre a mesa dos rochedos!
Da caboclinha bonita
armam-se os seios seguros,
que são dois frutos maduros
dentro de um ramo de chita!
953
Ernani Sátyro
Louvação de Maria
Maria, simplesmente Maria.
Nem do Carmo, nem das Dores,
Nem da Luz e nem da Guia.
Só Maria!
Nem do Céu e nem de Lourdes,
Nem sequer da Conceição,
Simplesmente só Maria:
— O resto é no coração.
Simplesmente Maria.
Nem Maria Anunciada
Nem Maria Aparecida.
Só Maria, sem mais nada,
Só Maria, toda a vida.
Só Maria,
Mas, Maria noite e dia.
Nem do Carmo, nem das Dores,
Nem da Luz e nem da Guia.
Só Maria!
Nem do Céu e nem de Lourdes,
Nem sequer da Conceição,
Simplesmente só Maria:
— O resto é no coração.
Simplesmente Maria.
Nem Maria Anunciada
Nem Maria Aparecida.
Só Maria, sem mais nada,
Só Maria, toda a vida.
Só Maria,
Mas, Maria noite e dia.
974
Eunaldo Costa
Flamejam luzes no meu peito
Flamejam luzes no meu peito
Quando começo a ouvir
A primeira partitura da madrugada,
Então, em êxtase, vôo como um pássaro
E colho a estrela que o tempo
Modelou para as minhas mãos
Que vão traçar o rumo dos rios
Que andam com o corpo ferido de âncoras
Alado, sinto que eu e o som
Da vida somos um só,
E que minha alma, banhada
De prata e sol, se transforma
Numa rosa mágica de um signo do zodíaco,
Neste momento começo a ouvir
A segunda partitura da madrugada.
E a minha consciência se veste do verdor das algas.
Quando começo a ouvir
A primeira partitura da madrugada,
Então, em êxtase, vôo como um pássaro
E colho a estrela que o tempo
Modelou para as minhas mãos
Que vão traçar o rumo dos rios
Que andam com o corpo ferido de âncoras
Alado, sinto que eu e o som
Da vida somos um só,
E que minha alma, banhada
De prata e sol, se transforma
Numa rosa mágica de um signo do zodíaco,
Neste momento começo a ouvir
A segunda partitura da madrugada.
E a minha consciência se veste do verdor das algas.
892
Castro Alves
La negristoshipo
(Tragedio sur Maro)
I
Jen ni sur plena mar ... en spac freneze
lunklaro ludas - papili orbrila -
ondegoj ghin postkuras... lacighante,
samkiel hord infana maltrankvila.
Jen ni sur plena mar ... el firmamento
la astroj saltas kiel shaum el oro...
repagas mar per brul de fosforeskoj
- konstelacioj de fluajh-trezoro.
Jen ni sur plena mar ... du infinitoj
sin chirkauprenas streche kun anhelo...
sublimaj, oraj, bluaj, mildaj... Kiu
la ocean kaj kiu la chielo?
Jen ni sur plena mar ... shvelintaj veloj
per varmaj, de zefiro mara, frapoj,
de brig surmara kuro estas kvazau
tusheto de hirund sur ondokapoj...
Devenon kaj fincelon, kiu scias,
de shipo travaganta senmezurojn?...
En chi Sahar chevaloj polvon levas,
galopas, flugas, ne postlasas spurojn...
felicha homo, kiu povas tiam
de jena bildo ghui majestecon!...
malsupre - maron... supre - firmamenton...
kaj en chiel kaj maro - la vastecon...
Ho, kian harmonion vent alportas...
Muziko dolcha sonas, malproksima!
Ho Di ! sublima estas arda kanto,
sen cel flosanta sur ondad senlima!
Viroj de l maro! Ho maristoj krudaj,
sunbruligitaj de la mondoj kvar!
Infanoj, kiujn lulis la tempesto
en la lulil de chi profunda mar !
Atendu kaj min lasu chi sovaghan
liberan poezion trinki tute...
Orkestro - estas maromugh cheprua
kaj vento tra shnurar siblanta flute...
............................................................................
Vi, kial fughas tiel, bark rapida?
Vi, kial fughas timan la poeton?...
Volonte sekvus mi disondon vian,
similas ghi frenezan markometon...
Ho albatros! Kondor de l oceano,
dormanta sur la gaza nubofloso,
la plumojn skuu, spacolevjatano!
Al mi flugilojn pruntu, albatroso!...
II
Por maristo ja ne gravas,
kie lia hejm situas!...
chiun verskadenco ravas,
kiun mar al li instruas!
Kantu! dia estas morto...
Lofe brig sub ventoforto
glitas per rapid delfena.
Flago sur postmast hisita,
kun la ondo postlasita
flirtas, de sopiro plena.
De hispan la kant subluna,
traplektita per langvor ,
memorigas pri sunbruna
andaluzanin en flor.
La italo kantas pri
la dormema Venezi
- lando de perfid kaj amo -
che l Vulkano, sur golfondo,
memorigas al la mondo
Tasostrofojn per deklamo.
Anglo - mara frida tipo,
kiun mar denaska flankis -
(char Anglujo estas shipo,
kiun Di Kanale ankris),
kun fier patrujon gloras,
dum pri Nelson li memoras
kaj pri Albukirrenkonto...
Kantas laurojn intajn, franco
- destinita al bonshanco -
kaj la laurojn de l estonto...
La helena maristaro,
kiun Ioni akushis,
chi piratoj de la maro,
kiun jam Ulis trapushis,
de Fidias la skulptitoj,
pri Homeraj ghemaj mitoj
longe kantas sub lunhelo...
Ho, maristoj vi, tutmondaj!
trovas vi en maroj ondaj
melodiojn el chielo...
III
El vasta spac descendu, ho oceankondoro!
Descendu pli kaj plie... nur via vidoboro
en brigon povas mergi dum tia fluga kuro...
Sed ve! mi kion vidas... kia amara sceno!
kia funebra kanto... kiom da abomeno!
kiaj figuroj tristaj!... kia, ho Di, teruro!
IV
Danteska bildo estas... la ferdeko
briligas tagon per rughega streko,
banante sin en sango.
Tintad de chenoj... vipklakad sonora...
amaso nokte nigra kaj horora
dum danc de fifandango...
Patrinoj negraj che la mamoj havas
infanojn magrajn, kies bushojn lavas
patrina sangkaskado.
Knabinoj jen... sed nudaj, miroplenaj,
trenitaj de fantomokirl, chagrenaj,
en vana anhelado.
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Se la oldul anhelas... kaj glitfalas,
audighas krioj... la rimeno knalas
kaj ili flugas plie...
De sama chen kaptitaj en la mashoj,
l amas malsata per shancelaj pashoj
kun plor kaj danc rapidas...
Freneza unu, dua en kolero
deliras... brutigita de sufero,
alia kantas, ridas...
Komandas dume kapitan manovron...
rigardas li chielon, puran kovron,
sternitan super maro.
Kaj diras inter densaj fumnebuloj:
"La vipon vigle svingu, ho shipuloj!
plu dancu la brutaro."
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Kiel en songh danteska ombroj fluas...
malbenoj, krioj, veoj, preghoj bruas,
Satano ridas fie!...
V
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu frenez... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon!...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
Vi rulighu el vastegoj!
Uragan! balau maron!
Kiuj estas chi povruloj,
ne trovante pli en vi
ol trankvilan ridon pleban,
- spron por turmentistrabi ? - ...
Kiuj estas? Se la stelo
mutas, se la ondakcelo
estas fugh komplica, krima,
che la nokta lumkonfuzo...
Vi ghin diru, fera muzo!
liberega muz sentima!
Jen la filoj de l dezerto,
kie teron lum saturas,
kie sur la kamp kun lerto
trib de nudaj viroj kuras.
Militistoj spitaj estas,
kiuj tigrojn lukte estras,
che soleja ventozum ...;
viroj simplaj, fortaj, bravaj...
estas nun mizeraj, sklavaj,
sen aer, sen prav, sen lum ...
Kaj virinoj malbonsortaj...
kiel estis jam Hagar.
Soifegaj kaj malfortaj,
el forfor devena ar .
Sur la brakoj, filojn, chenojn
portas - en anim malbenojn,
larmojn, galon en la koro.
De Hagar suferon sentas,
ke por Ishmael prezentas,
ech ne lakton de la ploro...
Tie en la sabloj helaj,
sub la palmoj, en ravinoj,
lulis sin - infanoj belaj,
vivis - charmaj junulinoj...
Preterpasas karavano...
Revas ili en kabano,
sub la noktvual ... Hodiau...
Ve! adiau, dom sur monto!...
Ve! adiau, palm che fonto!...
Ve! adiau, am ... adiau!...
Morgau la sablar senlima...
ocean da polvo... sur
horizonto malproksima
nur dezert ... dezerto nur...
kaj lacigh , soif , malsato...
Cedas la mizervipato,
falas por ne plu kuniri!...
Vakas ero en la cheno,
sed sur sablo la hieno
trovas korpon por disshiri.
Iam Sieraleono
sub de vasta tendo brilo,
venko, chaso al leono,
dorm dormita kun trankvilo...
Nun la nigra hold terura,
streta kaj infektmalpura,
kun la pest por jaguaro...
Dormon tranchas jen kaj jen
shiro de mortint el chen ,
ghia jheto al la maro...
Iam pri liber fieraj...
nur sufichis vol por povo...
Kaj hodiau... malliberaj!...
ech por mort ... Maliceltrovo!
Ilin ligas sama ringo
- fata ferserpentostringo -
de l sklaveco chirkaumano...
Forrabitaj al la morto,
dancfunebras la kohorto,
che vipsono... Ho rikano!...
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu delir... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon? ...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
vi rulighu el vastegoj!
Uragan ! balau maron! ...
VI
Popol ekzistas, kiu flagon dona
I
Jen ni sur plena mar ... en spac freneze
lunklaro ludas - papili orbrila -
ondegoj ghin postkuras... lacighante,
samkiel hord infana maltrankvila.
Jen ni sur plena mar ... el firmamento
la astroj saltas kiel shaum el oro...
repagas mar per brul de fosforeskoj
- konstelacioj de fluajh-trezoro.
Jen ni sur plena mar ... du infinitoj
sin chirkauprenas streche kun anhelo...
sublimaj, oraj, bluaj, mildaj... Kiu
la ocean kaj kiu la chielo?
Jen ni sur plena mar ... shvelintaj veloj
per varmaj, de zefiro mara, frapoj,
de brig surmara kuro estas kvazau
tusheto de hirund sur ondokapoj...
Devenon kaj fincelon, kiu scias,
de shipo travaganta senmezurojn?...
En chi Sahar chevaloj polvon levas,
galopas, flugas, ne postlasas spurojn...
felicha homo, kiu povas tiam
de jena bildo ghui majestecon!...
malsupre - maron... supre - firmamenton...
kaj en chiel kaj maro - la vastecon...
Ho, kian harmonion vent alportas...
Muziko dolcha sonas, malproksima!
Ho Di ! sublima estas arda kanto,
sen cel flosanta sur ondad senlima!
Viroj de l maro! Ho maristoj krudaj,
sunbruligitaj de la mondoj kvar!
Infanoj, kiujn lulis la tempesto
en la lulil de chi profunda mar !
Atendu kaj min lasu chi sovaghan
liberan poezion trinki tute...
Orkestro - estas maromugh cheprua
kaj vento tra shnurar siblanta flute...
............................................................................
Vi, kial fughas tiel, bark rapida?
Vi, kial fughas timan la poeton?...
Volonte sekvus mi disondon vian,
similas ghi frenezan markometon...
Ho albatros! Kondor de l oceano,
dormanta sur la gaza nubofloso,
la plumojn skuu, spacolevjatano!
Al mi flugilojn pruntu, albatroso!...
II
Por maristo ja ne gravas,
kie lia hejm situas!...
chiun verskadenco ravas,
kiun mar al li instruas!
Kantu! dia estas morto...
Lofe brig sub ventoforto
glitas per rapid delfena.
Flago sur postmast hisita,
kun la ondo postlasita
flirtas, de sopiro plena.
De hispan la kant subluna,
traplektita per langvor ,
memorigas pri sunbruna
andaluzanin en flor.
La italo kantas pri
la dormema Venezi
- lando de perfid kaj amo -
che l Vulkano, sur golfondo,
memorigas al la mondo
Tasostrofojn per deklamo.
Anglo - mara frida tipo,
kiun mar denaska flankis -
(char Anglujo estas shipo,
kiun Di Kanale ankris),
kun fier patrujon gloras,
dum pri Nelson li memoras
kaj pri Albukirrenkonto...
Kantas laurojn intajn, franco
- destinita al bonshanco -
kaj la laurojn de l estonto...
La helena maristaro,
kiun Ioni akushis,
chi piratoj de la maro,
kiun jam Ulis trapushis,
de Fidias la skulptitoj,
pri Homeraj ghemaj mitoj
longe kantas sub lunhelo...
Ho, maristoj vi, tutmondaj!
trovas vi en maroj ondaj
melodiojn el chielo...
III
El vasta spac descendu, ho oceankondoro!
Descendu pli kaj plie... nur via vidoboro
en brigon povas mergi dum tia fluga kuro...
Sed ve! mi kion vidas... kia amara sceno!
kia funebra kanto... kiom da abomeno!
kiaj figuroj tristaj!... kia, ho Di, teruro!
IV
Danteska bildo estas... la ferdeko
briligas tagon per rughega streko,
banante sin en sango.
Tintad de chenoj... vipklakad sonora...
amaso nokte nigra kaj horora
dum danc de fifandango...
Patrinoj negraj che la mamoj havas
infanojn magrajn, kies bushojn lavas
patrina sangkaskado.
Knabinoj jen... sed nudaj, miroplenaj,
trenitaj de fantomokirl, chagrenaj,
en vana anhelado.
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Se la oldul anhelas... kaj glitfalas,
audighas krioj... la rimeno knalas
kaj ili flugas plie...
De sama chen kaptitaj en la mashoj,
l amas malsata per shancelaj pashoj
kun plor kaj danc rapidas...
Freneza unu, dua en kolero
deliras... brutigita de sufero,
alia kantas, ridas...
Komandas dume kapitan manovron...
rigardas li chielon, puran kovron,
sternitan super maro.
Kaj diras inter densaj fumnebuloj:
"La vipon vigle svingu, ho shipuloj!
plu dancu la brutaro."
Orkestro ironie, akre blekas...
Serpento de l freneza rondo strekas
spiralojn fantazie...
Kiel en songh danteska ombroj fluas...
malbenoj, krioj, veoj, preghoj bruas,
Satano ridas fie!...
V
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu frenez... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon!...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
Vi rulighu el vastegoj!
Uragan! balau maron!
Kiuj estas chi povruloj,
ne trovante pli en vi
ol trankvilan ridon pleban,
- spron por turmentistrabi ? - ...
Kiuj estas? Se la stelo
mutas, se la ondakcelo
estas fugh komplica, krima,
che la nokta lumkonfuzo...
Vi ghin diru, fera muzo!
liberega muz sentima!
Jen la filoj de l dezerto,
kie teron lum saturas,
kie sur la kamp kun lerto
trib de nudaj viroj kuras.
Militistoj spitaj estas,
kiuj tigrojn lukte estras,
che soleja ventozum ...;
viroj simplaj, fortaj, bravaj...
estas nun mizeraj, sklavaj,
sen aer, sen prav, sen lum ...
Kaj virinoj malbonsortaj...
kiel estis jam Hagar.
Soifegaj kaj malfortaj,
el forfor devena ar .
Sur la brakoj, filojn, chenojn
portas - en anim malbenojn,
larmojn, galon en la koro.
De Hagar suferon sentas,
ke por Ishmael prezentas,
ech ne lakton de la ploro...
Tie en la sabloj helaj,
sub la palmoj, en ravinoj,
lulis sin - infanoj belaj,
vivis - charmaj junulinoj...
Preterpasas karavano...
Revas ili en kabano,
sub la noktvual ... Hodiau...
Ve! adiau, dom sur monto!...
Ve! adiau, palm che fonto!...
Ve! adiau, am ... adiau!...
Morgau la sablar senlima...
ocean da polvo... sur
horizonto malproksima
nur dezert ... dezerto nur...
kaj lacigh , soif , malsato...
Cedas la mizervipato,
falas por ne plu kuniri!...
Vakas ero en la cheno,
sed sur sablo la hieno
trovas korpon por disshiri.
Iam Sieraleono
sub de vasta tendo brilo,
venko, chaso al leono,
dorm dormita kun trankvilo...
Nun la nigra hold terura,
streta kaj infektmalpura,
kun la pest por jaguaro...
Dormon tranchas jen kaj jen
shiro de mortint el chen ,
ghia jheto al la maro...
Iam pri liber fieraj...
nur sufichis vol por povo...
Kaj hodiau... malliberaj!...
ech por mort ... Maliceltrovo!
Ilin ligas sama ringo
- fata ferserpentostringo -
de l sklaveco chirkaumano...
Forrabitaj al la morto,
dancfunebras la kohorto,
che vipsono... Ho rikano!...
Ho Sinjor de l mizeruloj!
Diru chu delir... chu vero
estas tiom da hororo
fronte al chiela sfero...
Maro! kial via ondo
de l mantelo de la mondo
ne forvishas makularon? ...
Astroj! Nokto! Tempestegoj!
vi rulighu el vastegoj!
Uragan ! balau maron! ...
VI
Popol ekzistas, kiu flagon dona
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Adriano Espínola
Haicai
Tristeza
Uma árvore torta.
Uma ave cantando grave.
A tarde já morta.
Outono
Folhas. Ventania.
Cajus se despencam nus:
apodrece o dia.
Uma árvore torta.
Uma ave cantando grave.
A tarde já morta.
Outono
Folhas. Ventania.
Cajus se despencam nus:
apodrece o dia.
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Adriano Espínola
Haicai
Tristeza
Uma árvore torta.
Uma ave cantando grave.
A tarde já morta.
Outono
Folhas. Ventania.
Cajus se despencam nus:
apodrece o dia.
Uma árvore torta.
Uma ave cantando grave.
A tarde já morta.
Outono
Folhas. Ventania.
Cajus se despencam nus:
apodrece o dia.
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Fanny Luíza Dupré
Primavera
De asas multicores
pousam nas flores do campo
frágeis borboletas.
Raios de luar.
Bolhas nas águas do lago.
Saltam rãs e sapos.
pousam nas flores do campo
frágeis borboletas.
Raios de luar.
Bolhas nas águas do lago.
Saltam rãs e sapos.
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