Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Carlos Alberto Pessoa Rosa
Morrer
língua
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor
línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços
seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios
ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto
chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados
ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera
morremos para o mundo...
não rima com nádega
mas desliza
saliva
escorre vadia
lambe a maçã do amor
línguas
se enrolam úmidas
aflitas
são engolidas
em desejos movediços
seu corpo oscila
pêndulo
a movimentar segundos
ponteiros
deslizar de seios
ressoam
gritos-gemidos
meu falo abraçado
corpo inteiro
sugado
suado de prazeres
fragrâncias
que impregnaram o quarto
chuleio com os dedos
suas pregas
as nádegas
num remanso molhado
calado
corpos decantados
espraiados
ouço ruído
de navio que parte
pássaros arrebentam-se
na janela
gozam a primavera
morremos para o mundo...
913
Asta Vonzodas
Som de mulher
Os olhos são o espelho da alma.
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.
Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?
São meus dedos.
Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.
Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.
São meus beijos.
Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.
Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.
Estou provando seu gosto.
Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.
Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.
Você está dentro de mim.
Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...
Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.
Não me procure.
Como a tarde dessa primavera
Eu já fui...
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.
Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?
São meus dedos.
Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.
Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.
São meus beijos.
Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.
Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.
Estou provando seu gosto.
Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.
Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.
Você está dentro de mim.
Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...
Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.
Não me procure.
Como a tarde dessa primavera
Eu já fui...
1 161
Jaci Bezerra
E não pode esperar o coração
Toda a lua e claridade
assim te quero, assim te vejo
e se te vejo o amor invade
meu corpo inteiro e o deixa aceso
e se te vejo o amor em mim
é um cheiro morno de jardim
A tua dor doendo em mim
é um rio latejando aceso
sou um cantareiro no jardim
do sonho em que te quero e vejo
primaveras de claridade
na primavera que me invade
Toda nua és um rio aceso
de primavera e claridade
mas quero mais do que o que vejo
sentindo a angústia que me invade
esse amor que doendo em mim
arde em silêncio no jardim
Extinta a angústia que me invade
te sinto perto e junto a mim
mais do que amar a claridade
amo teu cheiro de jardim
por isso à noite durmo aceso
no dia em que te sinto e vejo.
Teu coração é um jardim
tremulando na claridade
mesmo quando doendo em mim
também é a angústia que me invade
porque no dia em que te vejo
teu corpo dorme em mim aceso
No fundo dos teus olhos vejo
longe da angústia que me invade
como o amor doendo aceso
é uma trança de claridade
o coração dentro de mim
dorme abrasado em teu jardim.
assim te quero, assim te vejo
e se te vejo o amor invade
meu corpo inteiro e o deixa aceso
e se te vejo o amor em mim
é um cheiro morno de jardim
A tua dor doendo em mim
é um rio latejando aceso
sou um cantareiro no jardim
do sonho em que te quero e vejo
primaveras de claridade
na primavera que me invade
Toda nua és um rio aceso
de primavera e claridade
mas quero mais do que o que vejo
sentindo a angústia que me invade
esse amor que doendo em mim
arde em silêncio no jardim
Extinta a angústia que me invade
te sinto perto e junto a mim
mais do que amar a claridade
amo teu cheiro de jardim
por isso à noite durmo aceso
no dia em que te sinto e vejo.
Teu coração é um jardim
tremulando na claridade
mesmo quando doendo em mim
também é a angústia que me invade
porque no dia em que te vejo
teu corpo dorme em mim aceso
No fundo dos teus olhos vejo
longe da angústia que me invade
como o amor doendo aceso
é uma trança de claridade
o coração dentro de mim
dorme abrasado em teu jardim.
1 528
Jaci Bezerra
E não pode esperar o coração
Toda a lua e claridade
assim te quero, assim te vejo
e se te vejo o amor invade
meu corpo inteiro e o deixa aceso
e se te vejo o amor em mim
é um cheiro morno de jardim
A tua dor doendo em mim
é um rio latejando aceso
sou um cantareiro no jardim
do sonho em que te quero e vejo
primaveras de claridade
na primavera que me invade
Toda nua és um rio aceso
de primavera e claridade
mas quero mais do que o que vejo
sentindo a angústia que me invade
esse amor que doendo em mim
arde em silêncio no jardim
Extinta a angústia que me invade
te sinto perto e junto a mim
mais do que amar a claridade
amo teu cheiro de jardim
por isso à noite durmo aceso
no dia em que te sinto e vejo.
Teu coração é um jardim
tremulando na claridade
mesmo quando doendo em mim
também é a angústia que me invade
porque no dia em que te vejo
teu corpo dorme em mim aceso
No fundo dos teus olhos vejo
longe da angústia que me invade
como o amor doendo aceso
é uma trança de claridade
o coração dentro de mim
dorme abrasado em teu jardim.
assim te quero, assim te vejo
e se te vejo o amor invade
meu corpo inteiro e o deixa aceso
e se te vejo o amor em mim
é um cheiro morno de jardim
A tua dor doendo em mim
é um rio latejando aceso
sou um cantareiro no jardim
do sonho em que te quero e vejo
primaveras de claridade
na primavera que me invade
Toda nua és um rio aceso
de primavera e claridade
mas quero mais do que o que vejo
sentindo a angústia que me invade
esse amor que doendo em mim
arde em silêncio no jardim
Extinta a angústia que me invade
te sinto perto e junto a mim
mais do que amar a claridade
amo teu cheiro de jardim
por isso à noite durmo aceso
no dia em que te sinto e vejo.
Teu coração é um jardim
tremulando na claridade
mesmo quando doendo em mim
também é a angústia que me invade
porque no dia em que te vejo
teu corpo dorme em mim aceso
No fundo dos teus olhos vejo
longe da angústia que me invade
como o amor doendo aceso
é uma trança de claridade
o coração dentro de mim
dorme abrasado em teu jardim.
1 528
Eugénia Tabosa
Prelúdio
A noite era quase dia
e o vento vinha do mar
Soltaram-se teus cabelos
antes mesmo de os tocar
Os olhos ainda fugiam
evitando se encontrar
E teu corpo de tão perto
não me deixava falar
Quanto tempo assim passou
até o céu se dourar...
Na areia quente e macia
Batendo quase em surdina
um só coração se ouvia
embalado pelo mar.
e o vento vinha do mar
Soltaram-se teus cabelos
antes mesmo de os tocar
Os olhos ainda fugiam
evitando se encontrar
E teu corpo de tão perto
não me deixava falar
Quanto tempo assim passou
até o céu se dourar...
Na areia quente e macia
Batendo quase em surdina
um só coração se ouvia
embalado pelo mar.
1 335
Nálu Nogueira
A pele e o vento
Quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a pele em poesia desabrocha
dizendo nua os versos de
arrepios.
E se o Vento sopra sussurrante
como uma brisa morna estremecendo
os pêlos
a Pele, que é poesia,
mergulha em desvarios
e canta para a lua seus versos
de delírios
e espera suplicante o toque
redentor.
(até que o vento, em sopros
de amor
se deita sobre a Pele
e suas mãos segura.)
então a Pele, agora em loucura
sente os cabelos longos do Vento
lhe fazerem cócegas; ouve os
sussurros do Vento em suas costas
sente sobre si o peso do desejo
e cândida, rende-se;
lânguida, deita-se;
ávida, molha-se;
sente nas costas o peso
do Vento
e treme;
agita-se;
inunda-se;
e sonha;
tem dentro de si o corpo
do Vento
e tranca-se;
e move-se;
e geme;
e goza
(grávida, imensa, grata, plena);
quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a Pele em poesia desabrocha
e a vida inteira fica
diferente.
e o Vento sopra
a pele em poesia desabrocha
dizendo nua os versos de
arrepios.
E se o Vento sopra sussurrante
como uma brisa morna estremecendo
os pêlos
a Pele, que é poesia,
mergulha em desvarios
e canta para a lua seus versos
de delírios
e espera suplicante o toque
redentor.
(até que o vento, em sopros
de amor
se deita sobre a Pele
e suas mãos segura.)
então a Pele, agora em loucura
sente os cabelos longos do Vento
lhe fazerem cócegas; ouve os
sussurros do Vento em suas costas
sente sobre si o peso do desejo
e cândida, rende-se;
lânguida, deita-se;
ávida, molha-se;
sente nas costas o peso
do Vento
e treme;
agita-se;
inunda-se;
e sonha;
tem dentro de si o corpo
do Vento
e tranca-se;
e move-se;
e geme;
e goza
(grávida, imensa, grata, plena);
quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a Pele em poesia desabrocha
e a vida inteira fica
diferente.
2 545
Nálu Nogueira
A pele e o vento
Quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a pele em poesia desabrocha
dizendo nua os versos de
arrepios.
E se o Vento sopra sussurrante
como uma brisa morna estremecendo
os pêlos
a Pele, que é poesia,
mergulha em desvarios
e canta para a lua seus versos
de delírios
e espera suplicante o toque
redentor.
(até que o vento, em sopros
de amor
se deita sobre a Pele
e suas mãos segura.)
então a Pele, agora em loucura
sente os cabelos longos do Vento
lhe fazerem cócegas; ouve os
sussurros do Vento em suas costas
sente sobre si o peso do desejo
e cândida, rende-se;
lânguida, deita-se;
ávida, molha-se;
sente nas costas o peso
do Vento
e treme;
agita-se;
inunda-se;
e sonha;
tem dentro de si o corpo
do Vento
e tranca-se;
e move-se;
e geme;
e goza
(grávida, imensa, grata, plena);
quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a Pele em poesia desabrocha
e a vida inteira fica
diferente.
e o Vento sopra
a pele em poesia desabrocha
dizendo nua os versos de
arrepios.
E se o Vento sopra sussurrante
como uma brisa morna estremecendo
os pêlos
a Pele, que é poesia,
mergulha em desvarios
e canta para a lua seus versos
de delírios
e espera suplicante o toque
redentor.
(até que o vento, em sopros
de amor
se deita sobre a Pele
e suas mãos segura.)
então a Pele, agora em loucura
sente os cabelos longos do Vento
lhe fazerem cócegas; ouve os
sussurros do Vento em suas costas
sente sobre si o peso do desejo
e cândida, rende-se;
lânguida, deita-se;
ávida, molha-se;
sente nas costas o peso
do Vento
e treme;
agita-se;
inunda-se;
e sonha;
tem dentro de si o corpo
do Vento
e tranca-se;
e move-se;
e geme;
e goza
(grávida, imensa, grata, plena);
quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a Pele em poesia desabrocha
e a vida inteira fica
diferente.
2 545
Anjo Hazel
Façamos um trato esta noite
Façamos um trato esta noite... não sejamos tão realistas.
Você geme e suspira, eu ouço
enquanto minha boca te explora como louco
flutuando em luas surrealistas.
Façamos um trato esta noite... efêmera é esta carne que nos lacra.
O tempo pára enquanto te despes.
O mundo desaba quando te vestes.
Ama-me antes que o pudor te rasgue como faca.
Façamos um trato esta noite... as lágrimas são cristais do coração.
Eu sinto o fel em teus lábios maculados.
Vejo o abismo de teus olhos mascarados
que se escondem atrás de tormentos vãos...
Façamos um trato esta noite... não adianta fugir da própria vida !
Ainda temes a flor pelos espinhos.
Ainda crês que terminaremos sozinhos.
E o amor é não mais que uma mentira.
Façamos um trato esta noite... prometo te convencer na quietude
que o amor ideal é ao desfolhar dos dias
a felicidade nublando nosso ódio
e ter consigo sempre esta virtude.
Você geme e suspira, eu ouço
enquanto minha boca te explora como louco
flutuando em luas surrealistas.
Façamos um trato esta noite... efêmera é esta carne que nos lacra.
O tempo pára enquanto te despes.
O mundo desaba quando te vestes.
Ama-me antes que o pudor te rasgue como faca.
Façamos um trato esta noite... as lágrimas são cristais do coração.
Eu sinto o fel em teus lábios maculados.
Vejo o abismo de teus olhos mascarados
que se escondem atrás de tormentos vãos...
Façamos um trato esta noite... não adianta fugir da própria vida !
Ainda temes a flor pelos espinhos.
Ainda crês que terminaremos sozinhos.
E o amor é não mais que uma mentira.
Façamos um trato esta noite... prometo te convencer na quietude
que o amor ideal é ao desfolhar dos dias
a felicidade nublando nosso ódio
e ter consigo sempre esta virtude.
1 422
Giovanna Santos
Madrugada
Era madrugada,
quando ainda dormia...
Era madrugada,
quando sonhei com você...
Era madrugada,
quando acordei nos teus braços,
Era madrugada
quando senti o calor do teu corpo...
Era madrugada,
quando parecia que o dia não ia chegar.
Era madrugada,
quando conheci mais uma página da Vida.
Era madrugada,
quando descobri que a Vida
é boa de viver,
enquanto existir você.
quando ainda dormia...
Era madrugada,
quando sonhei com você...
Era madrugada,
quando acordei nos teus braços,
Era madrugada
quando senti o calor do teu corpo...
Era madrugada,
quando parecia que o dia não ia chegar.
Era madrugada,
quando conheci mais uma página da Vida.
Era madrugada,
quando descobri que a Vida
é boa de viver,
enquanto existir você.
827
Liz Christine
Chuva
chove
lá fora
me fode
agora
com amor
sem pudor
barulho que cai
a gota me atrai
molhados
chovendo
pelo prazer
apaixonados
continue a fazer
e chove
trovão
e fode
paixão
e chove
na rua
me fode
estou nua
e chove
tira a meia
e fode
me despenteia
e chove molhado
seu pé está gelado
chega de prosa
você me aquece
vai, enlouquece
vem e goza
lá fora
me fode
agora
com amor
sem pudor
barulho que cai
a gota me atrai
molhados
chovendo
pelo prazer
apaixonados
continue a fazer
e chove
trovão
e fode
paixão
e chove
na rua
me fode
estou nua
e chove
tira a meia
e fode
me despenteia
e chove molhado
seu pé está gelado
chega de prosa
você me aquece
vai, enlouquece
vem e goza
1 316
Liz Christine
Madrugada
Comer de madrugada
é um ato sublime!
E clandestino.
Como um machão lendo gibi do Cascão
Solitário como masturbação
Nós e estômago
Nós, uma mão
Comer de madrugada
Cair de boca
em comida gelada
À procura de leite condensado
Capuccino com chantilly misturado
Biscoito de morango recheado
Doce-de-leite saboreado
Humm!...
isto dá... tesão...
e nada mais Madrugada
sensação apaixonada
Que a paixão!
é um ato sublime!
E clandestino.
Como um machão lendo gibi do Cascão
Solitário como masturbação
Nós e estômago
Nós, uma mão
Comer de madrugada
Cair de boca
em comida gelada
À procura de leite condensado
Capuccino com chantilly misturado
Biscoito de morango recheado
Doce-de-leite saboreado
Humm!...
isto dá... tesão...
e nada mais Madrugada
sensação apaixonada
Que a paixão!
846
Anibal Beça
Canto II
Tudo era descoberta
no abrir dessas palavras.
E a viagem seguia
construindo-se andaime
de leve arquitetura
nas ogivas das bocas
dos dois que se encantavam
nesse jogo onomástico.
E a mulher que era voz
ainda adormecida
balbuciou nomeando
esse homem fricativo:
– amado meu amado.
Então ele se soube
de pedra amolecida
mas senhor da tarefa.
E olhou-a como nunca
olhara em sua volta:
a íris revelando
o seu contentamento
no semblante de calma
na viva descoberta
do fogo prometido.
Havia agora como
repartir as centelhas
dos olhos revirados.
Apenas construir
um solo de pegadas
no sopro de ocarina
de música tão breve,
que o passo é de nuvens.
Saber-se passageiro
ao lado da parceira
no destino de andar
de ver para fincar
as flechas andarilhas
as palavras certeiras
no chão do transitório.
Então para alargar
o chão dessa morada
e para contentar
os impulsos dos pés
a vontade liberta
de ter aonde ir
no vão dos sonhos soltos
espanando a rotina
dessas favas do tédio
só havia a distância
desse mar dos mistérios
O mar das descobertas:
Ó Thálassa, ó Thálassa!
O mar da poesia
Esse mar do impossível.
no abrir dessas palavras.
E a viagem seguia
construindo-se andaime
de leve arquitetura
nas ogivas das bocas
dos dois que se encantavam
nesse jogo onomástico.
E a mulher que era voz
ainda adormecida
balbuciou nomeando
esse homem fricativo:
– amado meu amado.
Então ele se soube
de pedra amolecida
mas senhor da tarefa.
E olhou-a como nunca
olhara em sua volta:
a íris revelando
o seu contentamento
no semblante de calma
na viva descoberta
do fogo prometido.
Havia agora como
repartir as centelhas
dos olhos revirados.
Apenas construir
um solo de pegadas
no sopro de ocarina
de música tão breve,
que o passo é de nuvens.
Saber-se passageiro
ao lado da parceira
no destino de andar
de ver para fincar
as flechas andarilhas
as palavras certeiras
no chão do transitório.
Então para alargar
o chão dessa morada
e para contentar
os impulsos dos pés
a vontade liberta
de ter aonde ir
no vão dos sonhos soltos
espanando a rotina
dessas favas do tédio
só havia a distância
desse mar dos mistérios
O mar das descobertas:
Ó Thálassa, ó Thálassa!
O mar da poesia
Esse mar do impossível.
968
Ana C. Pozza
À imensidão azul
Num instante,
Como num passe de mágica,
Estamos frente à imensidão azul do mar,
Andando juntos,
De mãos atadas,
Com intervalos de beijos selados,
Nos lábios e no coração...!
Como na magia de um belo sonho,
Torno-me inteira como tu és
E ainda continuo sendo eu
Oferecendo-lhe o meu coração...
Tu confundes o teu corpo com o meu
Num entrelace de vida e de paixão...!
Há o mar,
a areia,
os morros,
o sol...
E há
nós
dois.
Cerramos os olhos
E a chuva cai...
Pingos incessantes que nos fazem
Ser Água,
ser Desejo,
ser Amor...
Nos amamos com sofreguidão
E somos um só
Na alma,
no corpo,
no coração...
Quando eu me perco
Me encontro no teu olhar
Para logo me perder no teu tocar...!
Olhos nos olhos,
Boca com boca,
Pele com pele
Corpo no corpo!
A água do mar,
Os pingos dançando
E nós dois apaixonados a nos amar...!
Como num passe de mágica,
Estamos frente à imensidão azul do mar,
Andando juntos,
De mãos atadas,
Com intervalos de beijos selados,
Nos lábios e no coração...!
Como na magia de um belo sonho,
Torno-me inteira como tu és
E ainda continuo sendo eu
Oferecendo-lhe o meu coração...
Tu confundes o teu corpo com o meu
Num entrelace de vida e de paixão...!
Há o mar,
a areia,
os morros,
o sol...
E há
nós
dois.
Cerramos os olhos
E a chuva cai...
Pingos incessantes que nos fazem
Ser Água,
ser Desejo,
ser Amor...
Nos amamos com sofreguidão
E somos um só
Na alma,
no corpo,
no coração...
Quando eu me perco
Me encontro no teu olhar
Para logo me perder no teu tocar...!
Olhos nos olhos,
Boca com boca,
Pele com pele
Corpo no corpo!
A água do mar,
Os pingos dançando
E nós dois apaixonados a nos amar...!
1 294
Ana C. Pozza
À imensidão azul
Num instante,
Como num passe de mágica,
Estamos frente à imensidão azul do mar,
Andando juntos,
De mãos atadas,
Com intervalos de beijos selados,
Nos lábios e no coração...!
Como na magia de um belo sonho,
Torno-me inteira como tu és
E ainda continuo sendo eu
Oferecendo-lhe o meu coração...
Tu confundes o teu corpo com o meu
Num entrelace de vida e de paixão...!
Há o mar,
a areia,
os morros,
o sol...
E há
nós
dois.
Cerramos os olhos
E a chuva cai...
Pingos incessantes que nos fazem
Ser Água,
ser Desejo,
ser Amor...
Nos amamos com sofreguidão
E somos um só
Na alma,
no corpo,
no coração...
Quando eu me perco
Me encontro no teu olhar
Para logo me perder no teu tocar...!
Olhos nos olhos,
Boca com boca,
Pele com pele
Corpo no corpo!
A água do mar,
Os pingos dançando
E nós dois apaixonados a nos amar...!
Como num passe de mágica,
Estamos frente à imensidão azul do mar,
Andando juntos,
De mãos atadas,
Com intervalos de beijos selados,
Nos lábios e no coração...!
Como na magia de um belo sonho,
Torno-me inteira como tu és
E ainda continuo sendo eu
Oferecendo-lhe o meu coração...
Tu confundes o teu corpo com o meu
Num entrelace de vida e de paixão...!
Há o mar,
a areia,
os morros,
o sol...
E há
nós
dois.
Cerramos os olhos
E a chuva cai...
Pingos incessantes que nos fazem
Ser Água,
ser Desejo,
ser Amor...
Nos amamos com sofreguidão
E somos um só
Na alma,
no corpo,
no coração...
Quando eu me perco
Me encontro no teu olhar
Para logo me perder no teu tocar...!
Olhos nos olhos,
Boca com boca,
Pele com pele
Corpo no corpo!
A água do mar,
Os pingos dançando
E nós dois apaixonados a nos amar...!
1 294
Anibal Beça
Canto I
Eu parto da palavra
ao parto dos amantes:
Bem assim frente a frente
se inauguram os sons
aos olhos da surpresa:
E viu para falar
ouviu para dizer
tanta beleza agora
se vai a solidão
na maciez da pele
na relva dos cabelos
na fenda diferente.
E ele a chamou mulher
e sentiu o seu cheiro
e porque era de espanto
foi deitar-se com ela
no verde da campina
descobrindo seus poros
com o tato da língua
numa conversa muda
mas cheia de arrepios
reinventando colinas
na planície da pele.
No lastro das carícias
pesa o rumor dos corpos
com seu barulho de água
no suor represado.
E a vida neste instante
não era a mesma vida:
um tempero de febre
ardia na mudança.
No repouso dos corpos
no embalo da fadiga
vinha a fala alumbrada
palpando a geografia
guiada nas carícias
de dedos alpinistas.
E eles se revezavam
no batismo do corpo
na ablução das salivas
purificando as partes
no sal de suas águas.
A lua em seu modelo
nessas quatro mudanças
serviu para dar nome
aos dois quartos crescentes
bandas de níveas nádegas
com suas duas curvas
claras e tão macias;
colinas e montanhas
desenham os dois seios
com a cor do alabastro,
e a relva dos pentelhos
- o manto da vagina -
raízes de alfazema;
a boca uma romã;
estrelas são os olhos;
os búzios são ouvidos,
e o nariz promontório;
a forma mais ereta
obelisco de rocha
forjado pelos ventos
o pênis de atalaia.
Nomes adocicados
alfenim de momentos
rebuçados na língua
e o tempo derretendo
no espaço dos sentidos
nas bocas de um só gozo.
ao parto dos amantes:
Bem assim frente a frente
se inauguram os sons
aos olhos da surpresa:
E viu para falar
ouviu para dizer
tanta beleza agora
se vai a solidão
na maciez da pele
na relva dos cabelos
na fenda diferente.
E ele a chamou mulher
e sentiu o seu cheiro
e porque era de espanto
foi deitar-se com ela
no verde da campina
descobrindo seus poros
com o tato da língua
numa conversa muda
mas cheia de arrepios
reinventando colinas
na planície da pele.
No lastro das carícias
pesa o rumor dos corpos
com seu barulho de água
no suor represado.
E a vida neste instante
não era a mesma vida:
um tempero de febre
ardia na mudança.
No repouso dos corpos
no embalo da fadiga
vinha a fala alumbrada
palpando a geografia
guiada nas carícias
de dedos alpinistas.
E eles se revezavam
no batismo do corpo
na ablução das salivas
purificando as partes
no sal de suas águas.
A lua em seu modelo
nessas quatro mudanças
serviu para dar nome
aos dois quartos crescentes
bandas de níveas nádegas
com suas duas curvas
claras e tão macias;
colinas e montanhas
desenham os dois seios
com a cor do alabastro,
e a relva dos pentelhos
- o manto da vagina -
raízes de alfazema;
a boca uma romã;
estrelas são os olhos;
os búzios são ouvidos,
e o nariz promontório;
a forma mais ereta
obelisco de rocha
forjado pelos ventos
o pênis de atalaia.
Nomes adocicados
alfenim de momentos
rebuçados na língua
e o tempo derretendo
no espaço dos sentidos
nas bocas de um só gozo.
1 030
José Honório
Eu e Juliana
No tempo em que fui menino
não tinha televisão
por isso meu passatempo
era bodoque e pião
tomar banho lá no riacho
e pegar "aduvinhão".
No entanto eu fui crescendo
e já estando um rapaz
ajudava o velho Pedro
a cuidar dos animais
e também da plantação
lá do sítio de meus pais.
E nesse tempo eu ainda
sem ter mulher conhecido
de vez em quando eu sentia
algo em mim endurecido
quando chegava na mente
um pensamento atrevido.
Porém só fui descobrir
o prazer que ele traz
ao conhecer Juliana
(era bonita demais)
era mesma uma poltranca
que não esqueço jamais.
É dela que passo agora
a descrever o roteiro
e também do nosso caso
que é todo verdadeiro
muitas vezes repetido
no nordeste brasileiro.
No jardim da mocidade
o mundo tem mais olor
os dias são mais festivos
a noite tem mais primor
a mente é cheia de sonhos
e o peito cheio de amor.
Juliana foi a tara
que eu tive na adolescência
com ela foi que vivi
a primeira experiência
numa tarde de janeiro
na solidão da querência.
Momentos inesquecíveis
com Juliana eu passei
passeando pelos campos
de fazenda onde morei
e desses nossos passeios
eu jamais esquecerei.
Mesmo ficando caduco
agindo como criança
na minha senilidade
(que se não morrer, me alcança)
eu sei que Juliana vai
estar em minha lembrança.
Ela sempre me levava
pros passeios matinais
pelos rios, pelos campos,
por dentro dos matagais
e desses dias tão bons
sinto saudade demais.
E em nossas cavalgadas
vendo aguçado o sentido
fazia versos pra ela
cantando no seu ouvido
tendo o sol por testemunha
de nosso amor proibido.
Uma vez aconselhado
pelo "nego" Nicanor
levei Juliana pro mato
por entre ânsia e pavor
comecei a lhe alisar
mesmo com certo temor.
E ela naquele instante
pareceu compreender
aquilo que eu queria
pois ficou a se mexer
ficando assim, mais arisca
aumentando o meu querer.
Pus as mãos em suas ancas
e engatei na traseira
ela ficava impassível
satisfeita, prazenteira
saciando meus instintos
na bestial brincadeira.
Depois disso muitas vezes
levei pra junto do rio
aonde tinha um barranco
e então nesse baixio
eu pegava a Juliana
quando ela estava no cio.
Foi tão grande a atração
que por ela eu sentia
que me tornei um escravo
daquela égua vadia
cada vez mais penetrando
na sua ardente enchovia.
Nem o canto das sereias
que dizem ser sedutor
me faria desprezar
o prazer e o calor
que Juliana me dava
quando lhe fazia amor.
Foram dezenas de vezes
de conjugação carnal
pois tarei em Juliana
mas eu achava normal
Juliana era uma... égua
que não tinha outra igual.
Não queria nem saber
de almoçar e de jantar
só pensava em Juliana
ia pra todo lugar
que vida boa era aquela
como gosto de lembrar.
E nas horas vespertinas
quando o sol desvanescia
pegava sela e arreios
com Juliana eu saía
só voltava quando a noite
os campos verdes cobria.
O meu pai desconfiou
desse meu procedimento
e num dia de domingo
seguir-me teve o intento
e o fez bem sorrateiro
a tudo ficando atento.
E em flagrante delito
por meu pai fui apanhado
e levei um grande pito
que fiquei acabrunhado
mas o que houve depois
foi o golpe mais pesado.
Meu pai não se conformando
com a minha perversão
vendeu então minha égua
foi grande a decepção
ficou por mais de um mês
tristonho meu coração.
Não tendo mais Juliana
eu não quis substitutas
e passei a paquerar
as mais trigueiras matutas
me saciando nas zonas
com devassas prostitutas.
Mas ainda não achei
nenhuma mulher mundana
que seja bastante escrota
experiente e sacana
pra meu causar os prazeres
que tive com Juliana.
Este caso aqui contado
é um fato bem real
que inda hoje acontece
dentro do meio rural
e passa despercebido
do povo da capital.
Agradeço a todos que
me comprar um exemplar
pois comprando este folheto
ao autor vai ajudar
prestigiando o trabalho
do artista popular.
não tinha televisão
por isso meu passatempo
era bodoque e pião
tomar banho lá no riacho
e pegar "aduvinhão".
No entanto eu fui crescendo
e já estando um rapaz
ajudava o velho Pedro
a cuidar dos animais
e também da plantação
lá do sítio de meus pais.
E nesse tempo eu ainda
sem ter mulher conhecido
de vez em quando eu sentia
algo em mim endurecido
quando chegava na mente
um pensamento atrevido.
Porém só fui descobrir
o prazer que ele traz
ao conhecer Juliana
(era bonita demais)
era mesma uma poltranca
que não esqueço jamais.
É dela que passo agora
a descrever o roteiro
e também do nosso caso
que é todo verdadeiro
muitas vezes repetido
no nordeste brasileiro.
No jardim da mocidade
o mundo tem mais olor
os dias são mais festivos
a noite tem mais primor
a mente é cheia de sonhos
e o peito cheio de amor.
Juliana foi a tara
que eu tive na adolescência
com ela foi que vivi
a primeira experiência
numa tarde de janeiro
na solidão da querência.
Momentos inesquecíveis
com Juliana eu passei
passeando pelos campos
de fazenda onde morei
e desses nossos passeios
eu jamais esquecerei.
Mesmo ficando caduco
agindo como criança
na minha senilidade
(que se não morrer, me alcança)
eu sei que Juliana vai
estar em minha lembrança.
Ela sempre me levava
pros passeios matinais
pelos rios, pelos campos,
por dentro dos matagais
e desses dias tão bons
sinto saudade demais.
E em nossas cavalgadas
vendo aguçado o sentido
fazia versos pra ela
cantando no seu ouvido
tendo o sol por testemunha
de nosso amor proibido.
Uma vez aconselhado
pelo "nego" Nicanor
levei Juliana pro mato
por entre ânsia e pavor
comecei a lhe alisar
mesmo com certo temor.
E ela naquele instante
pareceu compreender
aquilo que eu queria
pois ficou a se mexer
ficando assim, mais arisca
aumentando o meu querer.
Pus as mãos em suas ancas
e engatei na traseira
ela ficava impassível
satisfeita, prazenteira
saciando meus instintos
na bestial brincadeira.
Depois disso muitas vezes
levei pra junto do rio
aonde tinha um barranco
e então nesse baixio
eu pegava a Juliana
quando ela estava no cio.
Foi tão grande a atração
que por ela eu sentia
que me tornei um escravo
daquela égua vadia
cada vez mais penetrando
na sua ardente enchovia.
Nem o canto das sereias
que dizem ser sedutor
me faria desprezar
o prazer e o calor
que Juliana me dava
quando lhe fazia amor.
Foram dezenas de vezes
de conjugação carnal
pois tarei em Juliana
mas eu achava normal
Juliana era uma... égua
que não tinha outra igual.
Não queria nem saber
de almoçar e de jantar
só pensava em Juliana
ia pra todo lugar
que vida boa era aquela
como gosto de lembrar.
E nas horas vespertinas
quando o sol desvanescia
pegava sela e arreios
com Juliana eu saía
só voltava quando a noite
os campos verdes cobria.
O meu pai desconfiou
desse meu procedimento
e num dia de domingo
seguir-me teve o intento
e o fez bem sorrateiro
a tudo ficando atento.
E em flagrante delito
por meu pai fui apanhado
e levei um grande pito
que fiquei acabrunhado
mas o que houve depois
foi o golpe mais pesado.
Meu pai não se conformando
com a minha perversão
vendeu então minha égua
foi grande a decepção
ficou por mais de um mês
tristonho meu coração.
Não tendo mais Juliana
eu não quis substitutas
e passei a paquerar
as mais trigueiras matutas
me saciando nas zonas
com devassas prostitutas.
Mas ainda não achei
nenhuma mulher mundana
que seja bastante escrota
experiente e sacana
pra meu causar os prazeres
que tive com Juliana.
Este caso aqui contado
é um fato bem real
que inda hoje acontece
dentro do meio rural
e passa despercebido
do povo da capital.
Agradeço a todos que
me comprar um exemplar
pois comprando este folheto
ao autor vai ajudar
prestigiando o trabalho
do artista popular.
1 214
Asta Vonzodas
Florência
É só Florência.
Menina Inocência.
Nem tanto, já que na esquina
na casa amarela conhecida, faz
o seu canto.
Florência que nas tardes singelas,
nos cabelos uma rosa amarela,
através do decote do vestido de alças, vermelho,
deixa entrever os bicos dos seios..
E os olhos cobiçosos,
por debaixo da janela a passar,
gulosos ficam ali a pousar.
Abrindo a porta,
a puta se deita na cama,
se desfaz do vestido e se deixa olhar.
Abrindo as pernas longas e bem feitas,
deixa entrever a mata macia de pêlos
por onde a gruta sedenta se oferece para
a sede dos homens saciar...
Desfilando pela tarde
a noite adentrando, um a um
vão os fregueses deixando
na cama, ao lado,
o vintém que pela manhã,
o pão irá comprar.
E abre-se a moça, de seios
fartos e perfeitos, bicos duros
para o teto apontando, oferecendo-se
a todos que queiram ali mamar.
Entre as pernas o calor e o cheiro
da fêmea possuída, da puta perdida
que bem sabe como cavalgar.
E quando a noite vai a meio,
despede-se do último romeiro.
Com um sorriso nos lábios,
após seu banho de cheiro,
posta-se novamente à janela
ficando a lua a espiar...
Já não é Florência...
Agora é Inocência, cantando
baixinho uma suave canção.
Pedindo a lua que ilumine o
caminho, pra que rápido chegue
o moço bonito. Seu príncipe encantado.
Que a leve na garupa do fogoso alazão.
Florência, Inocência...
Donzela virgem em seu coração...
Menina Inocência.
Nem tanto, já que na esquina
na casa amarela conhecida, faz
o seu canto.
Florência que nas tardes singelas,
nos cabelos uma rosa amarela,
através do decote do vestido de alças, vermelho,
deixa entrever os bicos dos seios..
E os olhos cobiçosos,
por debaixo da janela a passar,
gulosos ficam ali a pousar.
Abrindo a porta,
a puta se deita na cama,
se desfaz do vestido e se deixa olhar.
Abrindo as pernas longas e bem feitas,
deixa entrever a mata macia de pêlos
por onde a gruta sedenta se oferece para
a sede dos homens saciar...
Desfilando pela tarde
a noite adentrando, um a um
vão os fregueses deixando
na cama, ao lado,
o vintém que pela manhã,
o pão irá comprar.
E abre-se a moça, de seios
fartos e perfeitos, bicos duros
para o teto apontando, oferecendo-se
a todos que queiram ali mamar.
Entre as pernas o calor e o cheiro
da fêmea possuída, da puta perdida
que bem sabe como cavalgar.
E quando a noite vai a meio,
despede-se do último romeiro.
Com um sorriso nos lábios,
após seu banho de cheiro,
posta-se novamente à janela
ficando a lua a espiar...
Já não é Florência...
Agora é Inocência, cantando
baixinho uma suave canção.
Pedindo a lua que ilumine o
caminho, pra que rápido chegue
o moço bonito. Seu príncipe encantado.
Que a leve na garupa do fogoso alazão.
Florência, Inocência...
Donzela virgem em seu coração...
911
Liz Christine
Mais
Quero dormir
Esquecer
Escrever
Sorrir
Lua cheia
Que semeia
Não quero te exaurir
Chega de gozar
Pare de provocar
E vamos dormir
Mas se você aguentar
Por que não...
até o dia clarear?
Esquecer
Escrever
Sorrir
Lua cheia
Que semeia
Não quero te exaurir
Chega de gozar
Pare de provocar
E vamos dormir
Mas se você aguentar
Por que não...
até o dia clarear?
1 075
Eugénia Tabosa
Despertar
Do longe
ainda vinha
um som
longo
de luar
e senti
ainda viva
essa noite
a te sonhar
Na janela
que se abria
um pássaro
veio pousar
era hora
era dia
era sol
a despontar
À minha porta
batias
e corri nua
a te abraçar.
ainda vinha
um som
longo
de luar
e senti
ainda viva
essa noite
a te sonhar
Na janela
que se abria
um pássaro
veio pousar
era hora
era dia
era sol
a despontar
À minha porta
batias
e corri nua
a te abraçar.
1 248
Douglas Mondo
Desejos
Senhora buscai em meu corpo teu desejo louco,
sou homem não sou santo a ti abro meu manto
e se beberes na bruma da manhã desse prazer que não é pouco,
deitarei meu corpo em teu leito te causando espanto.
Em desalento, mesmo distante do legado em jeito,
faça de meu corpo tua moradia como febre em estadia,
lânguida, em minha pele com teus delírios me deito
e de belo agrado te aninho em meu pulsante peito.
Sou teu pecado não sejas mulher ternura,
na cama tuas vontades recebo como tua melhor criatura
e pecai...muito, por prazer não perdes a candura.
Faça da carne a música como escultura bêbada
e do poema um rio solto em direção ao revolto mar,
solte o leme da escuna, naufrague nas ondas desse lindo namorar.
sou homem não sou santo a ti abro meu manto
e se beberes na bruma da manhã desse prazer que não é pouco,
deitarei meu corpo em teu leito te causando espanto.
Em desalento, mesmo distante do legado em jeito,
faça de meu corpo tua moradia como febre em estadia,
lânguida, em minha pele com teus delírios me deito
e de belo agrado te aninho em meu pulsante peito.
Sou teu pecado não sejas mulher ternura,
na cama tuas vontades recebo como tua melhor criatura
e pecai...muito, por prazer não perdes a candura.
Faça da carne a música como escultura bêbada
e do poema um rio solto em direção ao revolto mar,
solte o leme da escuna, naufrague nas ondas desse lindo namorar.
1 103
Afonso Henriques Neto
Uma menina
água, tua música de pele
e cheiro fluindo de florações
impalpáveis, chuva acesa
no centro do abismo, onde flutuam
manhãs
terra, teus passos tua voz teus
ruídos de amor e um gozo
além das cordilheiras do sonho
tecendo galáxias, vertiginosa
raiz
ar, teu gesto marinho, olhos
feitos do arremesso do mar
e a centelha invisível a mover
os labirintos do vento, cósmica
serpente
fogo, teu corpo de medusas
e feridas vivas, vulcões,
planeta todo luz, talvez paixão,
pássaro tatuado nas estrelas,
coração
e cheiro fluindo de florações
impalpáveis, chuva acesa
no centro do abismo, onde flutuam
manhãs
terra, teus passos tua voz teus
ruídos de amor e um gozo
além das cordilheiras do sonho
tecendo galáxias, vertiginosa
raiz
ar, teu gesto marinho, olhos
feitos do arremesso do mar
e a centelha invisível a mover
os labirintos do vento, cósmica
serpente
fogo, teu corpo de medusas
e feridas vivas, vulcões,
planeta todo luz, talvez paixão,
pássaro tatuado nas estrelas,
coração
896
Afonso Henriques Neto
Uma menina
água, tua música de pele
e cheiro fluindo de florações
impalpáveis, chuva acesa
no centro do abismo, onde flutuam
manhãs
terra, teus passos tua voz teus
ruídos de amor e um gozo
além das cordilheiras do sonho
tecendo galáxias, vertiginosa
raiz
ar, teu gesto marinho, olhos
feitos do arremesso do mar
e a centelha invisível a mover
os labirintos do vento, cósmica
serpente
fogo, teu corpo de medusas
e feridas vivas, vulcões,
planeta todo luz, talvez paixão,
pássaro tatuado nas estrelas,
coração
e cheiro fluindo de florações
impalpáveis, chuva acesa
no centro do abismo, onde flutuam
manhãs
terra, teus passos tua voz teus
ruídos de amor e um gozo
além das cordilheiras do sonho
tecendo galáxias, vertiginosa
raiz
ar, teu gesto marinho, olhos
feitos do arremesso do mar
e a centelha invisível a mover
os labirintos do vento, cósmica
serpente
fogo, teu corpo de medusas
e feridas vivas, vulcões,
planeta todo luz, talvez paixão,
pássaro tatuado nas estrelas,
coração
896
Chico Buarque
Mar e lua
Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar
E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
e à beira-mar
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar
E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepios
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Boiando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
e à beira-mar
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