Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Avelino de Sousa
Queimadas
Sobre a planície rubra que arde qual paiol,
quanto o suão levanta do chão a palha seca,
a fornalha litúrgica e redonda do sol
esbraceja faúlhas, redemoinha, impreca.
Consome-se o restolho em estalos e sonidos
e a núvem de fumo sutrai-nos a lonjura;
as bocas inflamadas e os olhos incendidos
perdem-se secas, cegos, na héctica planura.
E após o apocalipse em escala diminuta,
quando tudo termina e o estrondear se cala,
resta a terra queimada, negra, rasa, bruta,
fundindo-se na sombra que desde o céu resvala.
Na planura sem fim que o acaso coroa
só uma aragem sopra, só o vento se inflama;
e eis que uma cigarra seu febril canto entoa:
remanescente luz ardendo sem ter chama.
quanto o suão levanta do chão a palha seca,
a fornalha litúrgica e redonda do sol
esbraceja faúlhas, redemoinha, impreca.
Consome-se o restolho em estalos e sonidos
e a núvem de fumo sutrai-nos a lonjura;
as bocas inflamadas e os olhos incendidos
perdem-se secas, cegos, na héctica planura.
E após o apocalipse em escala diminuta,
quando tudo termina e o estrondear se cala,
resta a terra queimada, negra, rasa, bruta,
fundindo-se na sombra que desde o céu resvala.
Na planura sem fim que o acaso coroa
só uma aragem sopra, só o vento se inflama;
e eis que uma cigarra seu febril canto entoa:
remanescente luz ardendo sem ter chama.
930
Avelino de Sousa
Queimadas
Sobre a planície rubra que arde qual paiol,
quanto o suão levanta do chão a palha seca,
a fornalha litúrgica e redonda do sol
esbraceja faúlhas, redemoinha, impreca.
Consome-se o restolho em estalos e sonidos
e a núvem de fumo sutrai-nos a lonjura;
as bocas inflamadas e os olhos incendidos
perdem-se secas, cegos, na héctica planura.
E após o apocalipse em escala diminuta,
quando tudo termina e o estrondear se cala,
resta a terra queimada, negra, rasa, bruta,
fundindo-se na sombra que desde o céu resvala.
Na planura sem fim que o acaso coroa
só uma aragem sopra, só o vento se inflama;
e eis que uma cigarra seu febril canto entoa:
remanescente luz ardendo sem ter chama.
quanto o suão levanta do chão a palha seca,
a fornalha litúrgica e redonda do sol
esbraceja faúlhas, redemoinha, impreca.
Consome-se o restolho em estalos e sonidos
e a núvem de fumo sutrai-nos a lonjura;
as bocas inflamadas e os olhos incendidos
perdem-se secas, cegos, na héctica planura.
E após o apocalipse em escala diminuta,
quando tudo termina e o estrondear se cala,
resta a terra queimada, negra, rasa, bruta,
fundindo-se na sombra que desde o céu resvala.
Na planura sem fim que o acaso coroa
só uma aragem sopra, só o vento se inflama;
e eis que uma cigarra seu febril canto entoa:
remanescente luz ardendo sem ter chama.
930
Alexandre S. Santos
Vê
Vê, lá longe, no horizonte?
Costumo, lá, deitar meus sentimentos;
recosto no mais alto monte
a fronte envolta por escarlates momentos.
Lá longe, no horizonte.
Vê aqueles galhos verdes na herdade?
Sob eles brincam minhas fantasias;
ornadas de risos, de lágrimas - saudade
do que não houve e do porvir - de alegrias.
Naqueles galhos verdes na herdade.
Vê aquela penugem a bailar no vento?
Deposito nela a esperança do encontrar
nas vindouras dobras do tempo
o amor, como onda que chega do mar.
Naquela penugem a bailar no vento.
Vê, essa lua, prenhe de lume?
Aguarda nossos sonhos num enlace,
feito ninho onde se aprume:
onde pouse a penugem e morra o impasse.
Sob a lua prenhe de lume.
Costumo, lá, deitar meus sentimentos;
recosto no mais alto monte
a fronte envolta por escarlates momentos.
Lá longe, no horizonte.
Vê aqueles galhos verdes na herdade?
Sob eles brincam minhas fantasias;
ornadas de risos, de lágrimas - saudade
do que não houve e do porvir - de alegrias.
Naqueles galhos verdes na herdade.
Vê aquela penugem a bailar no vento?
Deposito nela a esperança do encontrar
nas vindouras dobras do tempo
o amor, como onda que chega do mar.
Naquela penugem a bailar no vento.
Vê, essa lua, prenhe de lume?
Aguarda nossos sonhos num enlace,
feito ninho onde se aprume:
onde pouse a penugem e morra o impasse.
Sob a lua prenhe de lume.
955
Alexandre S. Santos
Vê
Vê, lá longe, no horizonte?
Costumo, lá, deitar meus sentimentos;
recosto no mais alto monte
a fronte envolta por escarlates momentos.
Lá longe, no horizonte.
Vê aqueles galhos verdes na herdade?
Sob eles brincam minhas fantasias;
ornadas de risos, de lágrimas - saudade
do que não houve e do porvir - de alegrias.
Naqueles galhos verdes na herdade.
Vê aquela penugem a bailar no vento?
Deposito nela a esperança do encontrar
nas vindouras dobras do tempo
o amor, como onda que chega do mar.
Naquela penugem a bailar no vento.
Vê, essa lua, prenhe de lume?
Aguarda nossos sonhos num enlace,
feito ninho onde se aprume:
onde pouse a penugem e morra o impasse.
Sob a lua prenhe de lume.
Costumo, lá, deitar meus sentimentos;
recosto no mais alto monte
a fronte envolta por escarlates momentos.
Lá longe, no horizonte.
Vê aqueles galhos verdes na herdade?
Sob eles brincam minhas fantasias;
ornadas de risos, de lágrimas - saudade
do que não houve e do porvir - de alegrias.
Naqueles galhos verdes na herdade.
Vê aquela penugem a bailar no vento?
Deposito nela a esperança do encontrar
nas vindouras dobras do tempo
o amor, como onda que chega do mar.
Naquela penugem a bailar no vento.
Vê, essa lua, prenhe de lume?
Aguarda nossos sonhos num enlace,
feito ninho onde se aprume:
onde pouse a penugem e morra o impasse.
Sob a lua prenhe de lume.
955
Alexandre S. Santos
Uma Alternativa
Deixar frouxos os arreios;
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
909
Alexandre S. Santos
Uma Alternativa
Deixar frouxos os arreios;
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
909
Angélica Torres Lima
Fazenda Dois Irmãos
Fazenda Dois Irmãos
para Antônio
no casamento
da árvore com a terra
a minha crença na vida
na sua sobrevivência
sem cuidados humanos
a reverência
aos elementos
no seu crescimento para o alto
serenamente imponente
o ensinamento vivo
de u`a meta
e um comportamento
no trabalho das raízes
e no vôo das folhas
a compreensão
de que aos pés deu-se o chão
a mente o infinito
no gosto do fruto
presença de água e mel
drink ligeiro dos pássaros
cheiro de infância
na minha saudade
Olhar léguas e mais léguas verdes
cercanias de matas, vento
cantando baixinho
no ouvido, na fazenda
da miaha infância
Tanto verde em redor do Morro Alto
lado a lado no topo
dois bambuzais solitários
irmãos companheiros
No céu rastos vermelhos
restos de sol
No ar o cheiro do mato
a transparência da noite invadindo
No centro do reino verde
o cavalo e eu
a descer a calmaria
da velha natureza
lentamente
O som do trotar de Cacique
nas pedras friinhas
u`a melodia pura
os meus desejos ocultos
os sonhos puros de criança
riquezas simples da infância
Sensação de cria da terra
de filha do vento
Impressão de ser folha
de ser mato
Certeza de ter brotado
de solo fértil
feito flor
Ah, os campos, os pastos
os córregos de água fresquinha
o curral, a casa grande, o quintal
a goiabeira perto da bica
o milharal e as jaboticabeiras
o prazer de beber com as mãos em concha
a água pura da cacimba
No parque das altas mangueiras
perto do córrego sombrio
a morada sagrada
das fadas, gnomos, duendes, sacis
o meu recanto predileto
repleto de mistério amigo
onde os sonhos conversavam comigo
E eu a comer cajamanga
verde, azedo, com sal, contemplando
a beleza rústica do engenho
cana, garapa, rapadura
A casa do vaqueiro
escondia em mim eu mesma:
ela era o cenário imaginário
de minhas estórias
de príncipes e princesas
No jardim da casa-grande
as rosas e os cravos
por meu pai cultivados
com tanto amor
Na escadaria dos fundos
a vista do Morro Alto
com os bambuzais irmãos
e o requeijão quente
da Lucinda, tentando a gente
Da varanda, a beleza vermeLha dos
enormes flamboaiãs, o curral do gado tratado
o leite gostoso, na hora tirado
Na janela do meu quarto
tinha sempre visita de um colibri
Não muito longe, no riacho
o ensaio dos sapos para a noturna sinfonia
Ah, fazenda querida
bordei você na lembrança
como foram no céu as estrelas bordadas
nas suas noites de verão
Guardei você, eom cuidado,
no pór do sol de Goiás
pra que todo dia sua presença reviva
e eu a enterre imortal
dentro de mim
para Antônio
no casamento
da árvore com a terra
a minha crença na vida
na sua sobrevivência
sem cuidados humanos
a reverência
aos elementos
no seu crescimento para o alto
serenamente imponente
o ensinamento vivo
de u`a meta
e um comportamento
no trabalho das raízes
e no vôo das folhas
a compreensão
de que aos pés deu-se o chão
a mente o infinito
no gosto do fruto
presença de água e mel
drink ligeiro dos pássaros
cheiro de infância
na minha saudade
Olhar léguas e mais léguas verdes
cercanias de matas, vento
cantando baixinho
no ouvido, na fazenda
da miaha infância
Tanto verde em redor do Morro Alto
lado a lado no topo
dois bambuzais solitários
irmãos companheiros
No céu rastos vermelhos
restos de sol
No ar o cheiro do mato
a transparência da noite invadindo
No centro do reino verde
o cavalo e eu
a descer a calmaria
da velha natureza
lentamente
O som do trotar de Cacique
nas pedras friinhas
u`a melodia pura
os meus desejos ocultos
os sonhos puros de criança
riquezas simples da infância
Sensação de cria da terra
de filha do vento
Impressão de ser folha
de ser mato
Certeza de ter brotado
de solo fértil
feito flor
Ah, os campos, os pastos
os córregos de água fresquinha
o curral, a casa grande, o quintal
a goiabeira perto da bica
o milharal e as jaboticabeiras
o prazer de beber com as mãos em concha
a água pura da cacimba
No parque das altas mangueiras
perto do córrego sombrio
a morada sagrada
das fadas, gnomos, duendes, sacis
o meu recanto predileto
repleto de mistério amigo
onde os sonhos conversavam comigo
E eu a comer cajamanga
verde, azedo, com sal, contemplando
a beleza rústica do engenho
cana, garapa, rapadura
A casa do vaqueiro
escondia em mim eu mesma:
ela era o cenário imaginário
de minhas estórias
de príncipes e princesas
No jardim da casa-grande
as rosas e os cravos
por meu pai cultivados
com tanto amor
Na escadaria dos fundos
a vista do Morro Alto
com os bambuzais irmãos
e o requeijão quente
da Lucinda, tentando a gente
Da varanda, a beleza vermeLha dos
enormes flamboaiãs, o curral do gado tratado
o leite gostoso, na hora tirado
Na janela do meu quarto
tinha sempre visita de um colibri
Não muito longe, no riacho
o ensaio dos sapos para a noturna sinfonia
Ah, fazenda querida
bordei você na lembrança
como foram no céu as estrelas bordadas
nas suas noites de verão
Guardei você, eom cuidado,
no pór do sol de Goiás
pra que todo dia sua presença reviva
e eu a enterre imortal
dentro de mim
685
Angélica Torres Lima
Fazenda Dois Irmãos
Fazenda Dois Irmãos
para Antônio
no casamento
da árvore com a terra
a minha crença na vida
na sua sobrevivência
sem cuidados humanos
a reverência
aos elementos
no seu crescimento para o alto
serenamente imponente
o ensinamento vivo
de u`a meta
e um comportamento
no trabalho das raízes
e no vôo das folhas
a compreensão
de que aos pés deu-se o chão
a mente o infinito
no gosto do fruto
presença de água e mel
drink ligeiro dos pássaros
cheiro de infância
na minha saudade
Olhar léguas e mais léguas verdes
cercanias de matas, vento
cantando baixinho
no ouvido, na fazenda
da miaha infância
Tanto verde em redor do Morro Alto
lado a lado no topo
dois bambuzais solitários
irmãos companheiros
No céu rastos vermelhos
restos de sol
No ar o cheiro do mato
a transparência da noite invadindo
No centro do reino verde
o cavalo e eu
a descer a calmaria
da velha natureza
lentamente
O som do trotar de Cacique
nas pedras friinhas
u`a melodia pura
os meus desejos ocultos
os sonhos puros de criança
riquezas simples da infância
Sensação de cria da terra
de filha do vento
Impressão de ser folha
de ser mato
Certeza de ter brotado
de solo fértil
feito flor
Ah, os campos, os pastos
os córregos de água fresquinha
o curral, a casa grande, o quintal
a goiabeira perto da bica
o milharal e as jaboticabeiras
o prazer de beber com as mãos em concha
a água pura da cacimba
No parque das altas mangueiras
perto do córrego sombrio
a morada sagrada
das fadas, gnomos, duendes, sacis
o meu recanto predileto
repleto de mistério amigo
onde os sonhos conversavam comigo
E eu a comer cajamanga
verde, azedo, com sal, contemplando
a beleza rústica do engenho
cana, garapa, rapadura
A casa do vaqueiro
escondia em mim eu mesma:
ela era o cenário imaginário
de minhas estórias
de príncipes e princesas
No jardim da casa-grande
as rosas e os cravos
por meu pai cultivados
com tanto amor
Na escadaria dos fundos
a vista do Morro Alto
com os bambuzais irmãos
e o requeijão quente
da Lucinda, tentando a gente
Da varanda, a beleza vermeLha dos
enormes flamboaiãs, o curral do gado tratado
o leite gostoso, na hora tirado
Na janela do meu quarto
tinha sempre visita de um colibri
Não muito longe, no riacho
o ensaio dos sapos para a noturna sinfonia
Ah, fazenda querida
bordei você na lembrança
como foram no céu as estrelas bordadas
nas suas noites de verão
Guardei você, eom cuidado,
no pór do sol de Goiás
pra que todo dia sua presença reviva
e eu a enterre imortal
dentro de mim
para Antônio
no casamento
da árvore com a terra
a minha crença na vida
na sua sobrevivência
sem cuidados humanos
a reverência
aos elementos
no seu crescimento para o alto
serenamente imponente
o ensinamento vivo
de u`a meta
e um comportamento
no trabalho das raízes
e no vôo das folhas
a compreensão
de que aos pés deu-se o chão
a mente o infinito
no gosto do fruto
presença de água e mel
drink ligeiro dos pássaros
cheiro de infância
na minha saudade
Olhar léguas e mais léguas verdes
cercanias de matas, vento
cantando baixinho
no ouvido, na fazenda
da miaha infância
Tanto verde em redor do Morro Alto
lado a lado no topo
dois bambuzais solitários
irmãos companheiros
No céu rastos vermelhos
restos de sol
No ar o cheiro do mato
a transparência da noite invadindo
No centro do reino verde
o cavalo e eu
a descer a calmaria
da velha natureza
lentamente
O som do trotar de Cacique
nas pedras friinhas
u`a melodia pura
os meus desejos ocultos
os sonhos puros de criança
riquezas simples da infância
Sensação de cria da terra
de filha do vento
Impressão de ser folha
de ser mato
Certeza de ter brotado
de solo fértil
feito flor
Ah, os campos, os pastos
os córregos de água fresquinha
o curral, a casa grande, o quintal
a goiabeira perto da bica
o milharal e as jaboticabeiras
o prazer de beber com as mãos em concha
a água pura da cacimba
No parque das altas mangueiras
perto do córrego sombrio
a morada sagrada
das fadas, gnomos, duendes, sacis
o meu recanto predileto
repleto de mistério amigo
onde os sonhos conversavam comigo
E eu a comer cajamanga
verde, azedo, com sal, contemplando
a beleza rústica do engenho
cana, garapa, rapadura
A casa do vaqueiro
escondia em mim eu mesma:
ela era o cenário imaginário
de minhas estórias
de príncipes e princesas
No jardim da casa-grande
as rosas e os cravos
por meu pai cultivados
com tanto amor
Na escadaria dos fundos
a vista do Morro Alto
com os bambuzais irmãos
e o requeijão quente
da Lucinda, tentando a gente
Da varanda, a beleza vermeLha dos
enormes flamboaiãs, o curral do gado tratado
o leite gostoso, na hora tirado
Na janela do meu quarto
tinha sempre visita de um colibri
Não muito longe, no riacho
o ensaio dos sapos para a noturna sinfonia
Ah, fazenda querida
bordei você na lembrança
como foram no céu as estrelas bordadas
nas suas noites de verão
Guardei você, eom cuidado,
no pór do sol de Goiás
pra que todo dia sua presença reviva
e eu a enterre imortal
dentro de mim
685
José Augusto de Carvalho
Desmistificação
Trago nos pés o cansaço
que há em todas as estradas!
Palmilhei-as passo a passo
e nunca as dei por andadas!...
Descansei junto aos valados
Dormia comigo a lua,
e a meu lado, toda nua,
os dois, num só, abraçados!
O sol vinha com o orvalho,
acordar-nos!
Eu voltava ao meu trabalho;
ela, ao céu, já manhã cedo.
Até que à noite, em segredo,
vinha de novo abraçar-nos...
que há em todas as estradas!
Palmilhei-as passo a passo
e nunca as dei por andadas!...
Descansei junto aos valados
Dormia comigo a lua,
e a meu lado, toda nua,
os dois, num só, abraçados!
O sol vinha com o orvalho,
acordar-nos!
Eu voltava ao meu trabalho;
ela, ao céu, já manhã cedo.
Até que à noite, em segredo,
vinha de novo abraçar-nos...
842
Áurea de Arruda Féres
Verão
Parece tarrafa
o teto do pescador
com a chuva de pedra!
Num vaso solitário
perfuma toda a sala
um único jasmin.
o teto do pescador
com a chuva de pedra!
Num vaso solitário
perfuma toda a sala
um único jasmin.
1 061
Áurea de Arruda Féres
Verão
Parece tarrafa
o teto do pescador
com a chuva de pedra!
Num vaso solitário
perfuma toda a sala
um único jasmin.
o teto do pescador
com a chuva de pedra!
Num vaso solitário
perfuma toda a sala
um único jasmin.
1 061
William Carlos Williams
FLORES AO PÉ DO MAR
Quando sobre a florida nítida beira
do pasto, o oceano de sal
ergue a sua forma - chicória e margaridas
presas, soltas, mal parecem só flores
mas cor e movimento - ou a forma
talvez - da inquietude, enquanto
o mar é limitado e balouça
calmamente em sua haste como de planta.
do pasto, o oceano de sal
ergue a sua forma - chicória e margaridas
presas, soltas, mal parecem só flores
mas cor e movimento - ou a forma
talvez - da inquietude, enquanto
o mar é limitado e balouça
calmamente em sua haste como de planta.
1 085
William Carlos Williams
FLORES AO PÉ DO MAR
Quando sobre a florida nítida beira
do pasto, o oceano de sal
ergue a sua forma - chicória e margaridas
presas, soltas, mal parecem só flores
mas cor e movimento - ou a forma
talvez - da inquietude, enquanto
o mar é limitado e balouça
calmamente em sua haste como de planta.
do pasto, o oceano de sal
ergue a sua forma - chicória e margaridas
presas, soltas, mal parecem só flores
mas cor e movimento - ou a forma
talvez - da inquietude, enquanto
o mar é limitado e balouça
calmamente em sua haste como de planta.
1 085
Angelo Augusto Ferreira
TV Espanhola Internacional
Noticiário Via Satélite
Sua voz habita o éter
Abstrato
Nos ventos, nos ares
Nas cores do espectro da luz,
Convive com os satélites
Passeia com o sol
A lua, as estrelas.
Permanece no céu
Formosa, linda
No corpo, nas falas dos anjos
Ligada na terra !
Nossos olhos embevecidos
Com o seu jeito pleno de ternura,
Do ventre da Criação,
Surgiu resplandecente, divina.
Mulher laboriosa
Valiosa na comunicação
Jornalismo, informação!
A fala de MADRID enfeita o mundo.
Tomara, por dias, anos infindos
Assistiremos
Atentos com alegrias.
A flor perfeita na vitrine da vida
Faz bem à visão.
Linda, bela, sem disfarces
SANDRA SUTHERLAND
O valor da mulher jornalista-reporter
No mundo, no vídeo, chama atenção
Na tela da televisão!
Sua voz habita o éter
Abstrato
Nos ventos, nos ares
Nas cores do espectro da luz,
Convive com os satélites
Passeia com o sol
A lua, as estrelas.
Permanece no céu
Formosa, linda
No corpo, nas falas dos anjos
Ligada na terra !
Nossos olhos embevecidos
Com o seu jeito pleno de ternura,
Do ventre da Criação,
Surgiu resplandecente, divina.
Mulher laboriosa
Valiosa na comunicação
Jornalismo, informação!
A fala de MADRID enfeita o mundo.
Tomara, por dias, anos infindos
Assistiremos
Atentos com alegrias.
A flor perfeita na vitrine da vida
Faz bem à visão.
Linda, bela, sem disfarces
SANDRA SUTHERLAND
O valor da mulher jornalista-reporter
No mundo, no vídeo, chama atenção
Na tela da televisão!
980
Zhang Kejiu
PRAZER NOCTURNO NO LAGO
Ébrio até mais não poder
intermináveis canções
ao luar rebentam vagas glaucas
na margem verdejante o relincho dum cavalo
conchas de azul nocturno onde pesam flores da montanha
as falenas prateadas agitam-se na brancura do salgueiro:
sob a lâmpada, ela olha-me
intermináveis canções
ao luar rebentam vagas glaucas
na margem verdejante o relincho dum cavalo
conchas de azul nocturno onde pesam flores da montanha
as falenas prateadas agitam-se na brancura do salgueiro:
sob a lâmpada, ela olha-me
1 014
Zhang Kejiu
PRAZER NOCTURNO NO LAGO
Ébrio até mais não poder
intermináveis canções
ao luar rebentam vagas glaucas
na margem verdejante o relincho dum cavalo
conchas de azul nocturno onde pesam flores da montanha
as falenas prateadas agitam-se na brancura do salgueiro:
sob a lâmpada, ela olha-me
intermináveis canções
ao luar rebentam vagas glaucas
na margem verdejante o relincho dum cavalo
conchas de azul nocturno onde pesam flores da montanha
as falenas prateadas agitam-se na brancura do salgueiro:
sob a lâmpada, ela olha-me
1 014
Alonso Álvares Lopes
Haicai
Silêncio.
O passeio das nuvens
E mais nenhum pio
A noite sorri.
Lua crescente
Nos olhos do guri
O passeio das nuvens
E mais nenhum pio
A noite sorri.
Lua crescente
Nos olhos do guri
1 099
Angelo Augusto Ferreira
Noticiário Via Satélite
Sua voz habita o éter
Abstrata
Nos ventos, nos ares
Nas cores do espectro da luz.
Convive com os satélites
Passeia com o sol
A lua, as estrelas.
Permanece no céu
Formosa, linda
No corpo nas falas dos anjos
Ligada na terra!
Nossos olhos embevecidos
Como seu jeito pleno de ternura.
Do ventre da Criação,
Surgiu resplandescente, divina.
Mulher laboriosa
Valiosa na cominicação
Jornalismo, informação!
MADRID, Via Satélite
Irradia ao mundo
Dias, anos infindos
Assistiremos
Atentos com alegrias
A flor perfeita na vitrine da vida
Faz bem à visão.
Linda, bela, sem disfarces
SANDRA SUTHERLAND
O valor da mulher jornalista, repórter
No mundo, no vídeo, chama atenção
Na tela da televisão!
Abstrata
Nos ventos, nos ares
Nas cores do espectro da luz.
Convive com os satélites
Passeia com o sol
A lua, as estrelas.
Permanece no céu
Formosa, linda
No corpo nas falas dos anjos
Ligada na terra!
Nossos olhos embevecidos
Como seu jeito pleno de ternura.
Do ventre da Criação,
Surgiu resplandescente, divina.
Mulher laboriosa
Valiosa na cominicação
Jornalismo, informação!
MADRID, Via Satélite
Irradia ao mundo
Dias, anos infindos
Assistiremos
Atentos com alegrias
A flor perfeita na vitrine da vida
Faz bem à visão.
Linda, bela, sem disfarces
SANDRA SUTHERLAND
O valor da mulher jornalista, repórter
No mundo, no vídeo, chama atenção
Na tela da televisão!
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Antônio Augusto de Mendonça
Saudade no sepulcro
Sobre um sepulcro isolado
Roxa saudade vi eu;
Solitária vicejava
No chão frio em que nasceu;
Nunca saudade tão triste
Em sonhos me apareceu ...
Nunca!...
Senti então pelo rosto
Turva lágrima sentida
Deslizar.
Foi à hora do sol-posto.
Hora de muito cismar!
Quando o arcanjo da poesia
Harmoniza o céu com a terra
Na mesma melancolia...
Na mesma doce tristeza,
Que, às vezes, nos faz chorar,
E chorar a natureza
Ao lento morrer do dia!
Cheguei... beijei a saudade,
Que, assim, tão erma encontrei;
Com ela simpatizei;
Porque — da minha orfandade
Neste deserto profundo,
Pobre enjeitado do mundo,
Só com saudades me achei!
Estranha, viva agonia
Ressumbrava-lhe na cor;
Na muda expressão dizia
Tantas penas, tanta dor,
Que só no reino da morte
Duma lágrima podia
Ter nascido aquela flor...
A saudade!...
Emblema de muito amor!...
Poeta às dores afeito,
Tentei debalde arrancá-la,
Para no fundo do peito,
Como um tesouro, plantá-la.
Debalde! ... porque a infeliz
Tinha encravada, segura
No fundo da sepultura
A desgraçada raiz!
Ah! quem soubera o destino
Daquela flor merencória!
Quem a sua ignota história
Porventura escutará?
Quem?... se a flor misteriosa,
No seu recinto funéreo,
Muda, como o cemitério,
Para todos sempre está?
Quem sabe! ... talvez que à triste,
Que no sepulcro descansa,
Dentre as sombras do futuro
Lhe sorria uma esperança
Talvez!...
Quem adivinha se a brisa,
Que docemente a embalança,
Não lhe vai de amor falar?
Se o sol... se o sol ao deixá-la,
Não lhe deixa em despedida
Num raio um germe de vida,
Saudoso de a não levar?
Se ardente, extremoso afeto,
Se estremecida paixão
Que já no peito não cabe,
Por indizível feitiço,
Não lhe dá alento e viço
Com o sangue do coração?
Quem sabe!...
............................................
Sei que a mísera saudade,
Quando no feio horizonte
Feia surge a tempestade;
E da cúpula do céu
Nem sol, nem tímida estrela,
Através do espesso véu,
Despede um raio de luz;
Sei que a mísera saudade,
Porque o vento a não desfolhe,
Nem as pétalas lhe açoite,
Encosta-se — ou dia ou noite —
Nos braços de sua cruz.
Roxa saudade vi eu;
Solitária vicejava
No chão frio em que nasceu;
Nunca saudade tão triste
Em sonhos me apareceu ...
Nunca!...
Senti então pelo rosto
Turva lágrima sentida
Deslizar.
Foi à hora do sol-posto.
Hora de muito cismar!
Quando o arcanjo da poesia
Harmoniza o céu com a terra
Na mesma melancolia...
Na mesma doce tristeza,
Que, às vezes, nos faz chorar,
E chorar a natureza
Ao lento morrer do dia!
Cheguei... beijei a saudade,
Que, assim, tão erma encontrei;
Com ela simpatizei;
Porque — da minha orfandade
Neste deserto profundo,
Pobre enjeitado do mundo,
Só com saudades me achei!
Estranha, viva agonia
Ressumbrava-lhe na cor;
Na muda expressão dizia
Tantas penas, tanta dor,
Que só no reino da morte
Duma lágrima podia
Ter nascido aquela flor...
A saudade!...
Emblema de muito amor!...
Poeta às dores afeito,
Tentei debalde arrancá-la,
Para no fundo do peito,
Como um tesouro, plantá-la.
Debalde! ... porque a infeliz
Tinha encravada, segura
No fundo da sepultura
A desgraçada raiz!
Ah! quem soubera o destino
Daquela flor merencória!
Quem a sua ignota história
Porventura escutará?
Quem?... se a flor misteriosa,
No seu recinto funéreo,
Muda, como o cemitério,
Para todos sempre está?
Quem sabe! ... talvez que à triste,
Que no sepulcro descansa,
Dentre as sombras do futuro
Lhe sorria uma esperança
Talvez!...
Quem adivinha se a brisa,
Que docemente a embalança,
Não lhe vai de amor falar?
Se o sol... se o sol ao deixá-la,
Não lhe deixa em despedida
Num raio um germe de vida,
Saudoso de a não levar?
Se ardente, extremoso afeto,
Se estremecida paixão
Que já no peito não cabe,
Por indizível feitiço,
Não lhe dá alento e viço
Com o sangue do coração?
Quem sabe!...
............................................
Sei que a mísera saudade,
Quando no feio horizonte
Feia surge a tempestade;
E da cúpula do céu
Nem sol, nem tímida estrela,
Através do espesso véu,
Despede um raio de luz;
Sei que a mísera saudade,
Porque o vento a não desfolhe,
Nem as pétalas lhe açoite,
Encosta-se — ou dia ou noite —
Nos braços de sua cruz.
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