Poemas neste tema
Outros
Charles Bukowski
Sereia
eu precisava entrar no banheiro pra pegar algo
e bati
e você estava na banheira
você tinha lavado seu rosto e seu cabelo
e eu vi a parte de cima do seu corpo
e exceto pelos seios
você parecia uma menina de 5, de 8 anos
você estava delicadamente alegre na água
Linda Lee.
você era não apenas a essência daquele
momento
e sim de todos os meus momentos
até ali
você tomando banho tranquilamente no marfim
mas não havia nada
que eu pudesse lhe falar.
peguei o que eu queria no banheiro
algo
e saí.
e bati
e você estava na banheira
você tinha lavado seu rosto e seu cabelo
e eu vi a parte de cima do seu corpo
e exceto pelos seios
você parecia uma menina de 5, de 8 anos
você estava delicadamente alegre na água
Linda Lee.
você era não apenas a essência daquele
momento
e sim de todos os meus momentos
até ali
você tomando banho tranquilamente no marfim
mas não havia nada
que eu pudesse lhe falar.
peguei o que eu queria no banheiro
algo
e saí.
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2
Charles Bukowski
Sereia
eu precisava entrar no banheiro pra pegar algo
e bati
e você estava na banheira
você tinha lavado seu rosto e seu cabelo
e eu vi a parte de cima do seu corpo
e exceto pelos seios
você parecia uma menina de 5, de 8 anos
você estava delicadamente alegre na água
Linda Lee.
você era não apenas a essência daquele
momento
e sim de todos os meus momentos
até ali
você tomando banho tranquilamente no marfim
mas não havia nada
que eu pudesse lhe falar.
peguei o que eu queria no banheiro
algo
e saí.
e bati
e você estava na banheira
você tinha lavado seu rosto e seu cabelo
e eu vi a parte de cima do seu corpo
e exceto pelos seios
você parecia uma menina de 5, de 8 anos
você estava delicadamente alegre na água
Linda Lee.
você era não apenas a essência daquele
momento
e sim de todos os meus momentos
até ali
você tomando banho tranquilamente no marfim
mas não havia nada
que eu pudesse lhe falar.
peguei o que eu queria no banheiro
algo
e saí.
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2
Charles Bukowski
Melancolia
a história da melancolia
inclui a todos nós.
eu, eu escrevo em folhas sujas
enquanto encaro fixamente as paredes azuis
e o nada.
estou tão acostumado à melancolia
que
a cumprimento como a uma velha
amiga.
farei agora 15 minutos de sofrimento
pela ruiva perdida,
digo aos deuses.
faço isso e me sinto um tanto mal
bastante triste,
então me levanto
REVIGORADO
mesmo sabendo que nada está
resolvido.
isto é o que eu ganho por chutar
a religião no rabo.
deveria ter chutado o rabo
da ruiva
onde estão seu cérebro e seu pão com
manteiga
na...
mas não, eu estava me sentindo triste
com tudo:
a ruiva perdida foi apenas outro
golpe numa longa vida
de perdas...
escuto uns tambores no rádio agora
e dou uma risada.
há alguma coisa errada comigo
além da
melancolia.
inclui a todos nós.
eu, eu escrevo em folhas sujas
enquanto encaro fixamente as paredes azuis
e o nada.
estou tão acostumado à melancolia
que
a cumprimento como a uma velha
amiga.
farei agora 15 minutos de sofrimento
pela ruiva perdida,
digo aos deuses.
faço isso e me sinto um tanto mal
bastante triste,
então me levanto
REVIGORADO
mesmo sabendo que nada está
resolvido.
isto é o que eu ganho por chutar
a religião no rabo.
deveria ter chutado o rabo
da ruiva
onde estão seu cérebro e seu pão com
manteiga
na...
mas não, eu estava me sentindo triste
com tudo:
a ruiva perdida foi apenas outro
golpe numa longa vida
de perdas...
escuto uns tambores no rádio agora
e dou uma risada.
há alguma coisa errada comigo
além da
melancolia.
1 984
2
Charles Bukowski
Melancolia
a história da melancolia
inclui a todos nós.
eu, eu escrevo em folhas sujas
enquanto encaro fixamente as paredes azuis
e o nada.
estou tão acostumado à melancolia
que
a cumprimento como a uma velha
amiga.
farei agora 15 minutos de sofrimento
pela ruiva perdida,
digo aos deuses.
faço isso e me sinto um tanto mal
bastante triste,
então me levanto
REVIGORADO
mesmo sabendo que nada está
resolvido.
isto é o que eu ganho por chutar
a religião no rabo.
deveria ter chutado o rabo
da ruiva
onde estão seu cérebro e seu pão com
manteiga
na...
mas não, eu estava me sentindo triste
com tudo:
a ruiva perdida foi apenas outro
golpe numa longa vida
de perdas...
escuto uns tambores no rádio agora
e dou uma risada.
há alguma coisa errada comigo
além da
melancolia.
inclui a todos nós.
eu, eu escrevo em folhas sujas
enquanto encaro fixamente as paredes azuis
e o nada.
estou tão acostumado à melancolia
que
a cumprimento como a uma velha
amiga.
farei agora 15 minutos de sofrimento
pela ruiva perdida,
digo aos deuses.
faço isso e me sinto um tanto mal
bastante triste,
então me levanto
REVIGORADO
mesmo sabendo que nada está
resolvido.
isto é o que eu ganho por chutar
a religião no rabo.
deveria ter chutado o rabo
da ruiva
onde estão seu cérebro e seu pão com
manteiga
na...
mas não, eu estava me sentindo triste
com tudo:
a ruiva perdida foi apenas outro
golpe numa longa vida
de perdas...
escuto uns tambores no rádio agora
e dou uma risada.
há alguma coisa errada comigo
além da
melancolia.
1 984
2
Charles Bukowski
O Gênio da Multidão
Há suficiente violência, traição,
ódio
Absurdo no ser humano
comum
Para abastecer qualquer exército a qualquer
dia.
E Os Melhores Assassinos São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E Os Que Melhor Odeiam São Aqueles
Que Pregam o AMOR
E OS MELHORES NA GUERRA
– POR FIM – SÃO AQUELES QUE
PREGAM
A PAZ
Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles que Pregam A PAZ
Não Têm Paz.
AQUELES QUE PREGAM O AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado com Os Conhecedores.
Cuidado
Com Aqueles
que SEMPRE
ESTÃO LENDO
LIVROS
Cuidado com Aqueles Que Detestam a
Pobreza Ou Estão Orgulhosos Dela
CUIDADO Com Aqueles Rápidos na Prece
Porque Eles Precisam de PRECES em Troca
CUIDADO Com Aqueles Rápidos em Censurar:
Eles Têm Medo Daquilo Que
Não Conhecem
Cuidado Com Aqueles Que Buscam Multidões
Constantes; Eles Não São Nada
Sozinhos
Cuidado Com
O Homem Comum
A Mulher Comum
CUIDADO Com o Amor Deles
O Amor Deles É Comum, Busca o
Comum
Mas Há Gênio No Modo Como Odeiam
Há Gênio Suficiente No Ódio
Deles Para Matá-Lo, Para Matar
Qualquer Um.
Por Não Desejarem a Solidão
Por Não Entenderem a Solidão
Tentarão Destruir
Tudo
Que Seja Diferente
Deles Mesmos
Por Serem Incapazes
De Criar Arte
Eles Não
Entenderão a Arte
Considerarão o Fracasso
Como Criadores
Somente Como Uma Falha
Do Mundo
Por Serem Incapazes De Amar Por Completo
ACREDITARÃO Que Seu Amor É
Incompleto
E ASSIM ELES ODIARÃO
VOCÊ
E o Ódio Deles Será Perfeito
Como Um Diamante Que Cintila
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
A ARTE Que Lhes É
Mais Fina
ódio
Absurdo no ser humano
comum
Para abastecer qualquer exército a qualquer
dia.
E Os Melhores Assassinos São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E Os Que Melhor Odeiam São Aqueles
Que Pregam o AMOR
E OS MELHORES NA GUERRA
– POR FIM – SÃO AQUELES QUE
PREGAM
A PAZ
Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles que Pregam A PAZ
Não Têm Paz.
AQUELES QUE PREGAM O AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidado com Os Conhecedores.
Cuidado
Com Aqueles
que SEMPRE
ESTÃO LENDO
LIVROS
Cuidado com Aqueles Que Detestam a
Pobreza Ou Estão Orgulhosos Dela
CUIDADO Com Aqueles Rápidos na Prece
Porque Eles Precisam de PRECES em Troca
CUIDADO Com Aqueles Rápidos em Censurar:
Eles Têm Medo Daquilo Que
Não Conhecem
Cuidado Com Aqueles Que Buscam Multidões
Constantes; Eles Não São Nada
Sozinhos
Cuidado Com
O Homem Comum
A Mulher Comum
CUIDADO Com o Amor Deles
O Amor Deles É Comum, Busca o
Comum
Mas Há Gênio No Modo Como Odeiam
Há Gênio Suficiente No Ódio
Deles Para Matá-Lo, Para Matar
Qualquer Um.
Por Não Desejarem a Solidão
Por Não Entenderem a Solidão
Tentarão Destruir
Tudo
Que Seja Diferente
Deles Mesmos
Por Serem Incapazes
De Criar Arte
Eles Não
Entenderão a Arte
Considerarão o Fracasso
Como Criadores
Somente Como Uma Falha
Do Mundo
Por Serem Incapazes De Amar Por Completo
ACREDITARÃO Que Seu Amor É
Incompleto
E ASSIM ELES ODIARÃO
VOCÊ
E o Ódio Deles Será Perfeito
Como Um Diamante Que Cintila
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
A ARTE Que Lhes É
Mais Fina
1 713
2
Manuel Bandeira
O Homem e a Morte
O homem já estava deitado
Dentro da noite sem cor.
Ia adormecendo, e nisto
À porta um golpe soou.
Não era pancada forte.
Contudo, ele se assustou,
Pois nela uma qualquer coisa
De pressago adivinhou.
Levantou-se e junto à porta
— Quem bate? ele perguntou.
— Sou eu, alguém lhe responde.
— Eu quem? torna. — A Morte sou.
Um vulto que bem sabia
Pela mente lhe passou:
* Romance desentranhado de Um retrato da morte de Fidelino de Figueiredo.
Esqueleto armado de foice
Que a mãe lhe um dia levou.
Guardou-se de abrir a porta,
Antes ao leito voltou,
E nele os membros gelados
Cobriu, hirto de pavor.
Mas a porta, manso, manso,
Se foi abrindo e deixou
Ver — uma mulher ou anjo?
Figura toda banhada
De suave luz interior.
A luz de quem nesta vida
Tudo viu, tudo perdoou.
Olhar inefável como
De quem ao peito o criou
Sorriso igual ao da amada
Que amara com mais amor.
— Tu és a Morte? pergunta.
E o Anjo torna: — À Morte sou!
Venho trazer-te descanso
Do viver que te humilhou.
— Imaginava-te feia,
Pensava em ti com terror...
És mesmo a Morte? ele insiste.
— Sim, torna o Anjo, a Morte sou,
Mestra que jamais engana,
A tua amiga melhor.
E o Anjo foi-se aproximando,
A fronte do homem tocou,
Com infinita doçura
As magras mãos lhe compôs.
Depois com o maior carinho
Os dois olhos lhe cerrou...
Era o carinho inefável
De quem ao peito o criou.
Era a doçura da amada
Que amara com mais amor.
7 de dezembro de 1945
Dentro da noite sem cor.
Ia adormecendo, e nisto
À porta um golpe soou.
Não era pancada forte.
Contudo, ele se assustou,
Pois nela uma qualquer coisa
De pressago adivinhou.
Levantou-se e junto à porta
— Quem bate? ele perguntou.
— Sou eu, alguém lhe responde.
— Eu quem? torna. — A Morte sou.
Um vulto que bem sabia
Pela mente lhe passou:
* Romance desentranhado de Um retrato da morte de Fidelino de Figueiredo.
Esqueleto armado de foice
Que a mãe lhe um dia levou.
Guardou-se de abrir a porta,
Antes ao leito voltou,
E nele os membros gelados
Cobriu, hirto de pavor.
Mas a porta, manso, manso,
Se foi abrindo e deixou
Ver — uma mulher ou anjo?
Figura toda banhada
De suave luz interior.
A luz de quem nesta vida
Tudo viu, tudo perdoou.
Olhar inefável como
De quem ao peito o criou
Sorriso igual ao da amada
Que amara com mais amor.
— Tu és a Morte? pergunta.
E o Anjo torna: — À Morte sou!
Venho trazer-te descanso
Do viver que te humilhou.
— Imaginava-te feia,
Pensava em ti com terror...
És mesmo a Morte? ele insiste.
— Sim, torna o Anjo, a Morte sou,
Mestra que jamais engana,
A tua amiga melhor.
E o Anjo foi-se aproximando,
A fronte do homem tocou,
Com infinita doçura
As magras mãos lhe compôs.
Depois com o maior carinho
Os dois olhos lhe cerrou...
Era o carinho inefável
De quem ao peito o criou.
Era a doçura da amada
Que amara com mais amor.
7 de dezembro de 1945
2 025
2
Manuel Bandeira
O Cacto
Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco nordeste, carnaubais, caatingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.
Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas privou a cidade de iluminação e energia:
— Era belo, áspero, intratável.
Petrópolis, 1925
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco nordeste, carnaubais, caatingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.
Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas privou a cidade de iluminação e energia:
— Era belo, áspero, intratável.
Petrópolis, 1925
3 017
2
Manuel Bandeira
O Cacto
Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco nordeste, carnaubais, caatingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.
Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas privou a cidade de iluminação e energia:
— Era belo, áspero, intratável.
Petrópolis, 1925
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco nordeste, carnaubais, caatingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.
Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas privou a cidade de iluminação e energia:
— Era belo, áspero, intratável.
Petrópolis, 1925
3 017
2
Adélia Prado
Desenredo
Grande admiração me causam os navios
e a letra de certas pessoas que esforço por imitar.
Dos meus, só eu conheço o mar.
Conto e reconto, eles dizem ‘ahn’.
E continuam cercando o galinheiro de tela.
Falo da espuma, do tamanho cansativo das águas,
eles nem lembram que tem o Quênia,
nem de leve adivinham que estou pensando em Tanzânia.
Afainosos me mostram o lote: aqui vai ser a cozinha,
logo ali a horta de couve.
Não sei o que fazer com o litoral.
Fazia tarde bonita quando me inseri na janela, entre meus
[tios,
e vi o homem com a braguilha aberta,
o pé de rosa-doida enjerizado de rosas.
Horas e horas conversamos inconscientemente em
[português
como se fora esta a única língua do mundo.
Antes e depois da fé eu pergunto cadê os meus que se
[foram,
porque sou humana, com capricho tampo o restinho de
[molho na panela.
Saberemos viver uma vida melhor que esta,
quando mesmo chorando é tão bom estarmos juntos?
Sofrer não é em língua nenhuma.
Sofri e sofro em Minas Gerais e na beira do oceano.
Estarreço de estar viva. Ó luar do sertão,
ó matas que não preciso ver pra me perder,
ó cidades grandes, estados do Brasil que amo como se os
[tivesse inventado.
Ser brasileiro me determina de modo emocionante
e isto, que posso chamar de destino, sem pecar,
descansa meu bem-querer.
Tudo junto é inteligível demais e eu não suporto.
Valha-me noite que me cobre de sono.
O pensamento da morte não se acostuma comigo.
Estremecerei de susto até dormir.
E no entanto é tudo tão pequeno.
Para o desejo do meu coração
o mar é uma gota.
e a letra de certas pessoas que esforço por imitar.
Dos meus, só eu conheço o mar.
Conto e reconto, eles dizem ‘ahn’.
E continuam cercando o galinheiro de tela.
Falo da espuma, do tamanho cansativo das águas,
eles nem lembram que tem o Quênia,
nem de leve adivinham que estou pensando em Tanzânia.
Afainosos me mostram o lote: aqui vai ser a cozinha,
logo ali a horta de couve.
Não sei o que fazer com o litoral.
Fazia tarde bonita quando me inseri na janela, entre meus
[tios,
e vi o homem com a braguilha aberta,
o pé de rosa-doida enjerizado de rosas.
Horas e horas conversamos inconscientemente em
[português
como se fora esta a única língua do mundo.
Antes e depois da fé eu pergunto cadê os meus que se
[foram,
porque sou humana, com capricho tampo o restinho de
[molho na panela.
Saberemos viver uma vida melhor que esta,
quando mesmo chorando é tão bom estarmos juntos?
Sofrer não é em língua nenhuma.
Sofri e sofro em Minas Gerais e na beira do oceano.
Estarreço de estar viva. Ó luar do sertão,
ó matas que não preciso ver pra me perder,
ó cidades grandes, estados do Brasil que amo como se os
[tivesse inventado.
Ser brasileiro me determina de modo emocionante
e isto, que posso chamar de destino, sem pecar,
descansa meu bem-querer.
Tudo junto é inteligível demais e eu não suporto.
Valha-me noite que me cobre de sono.
O pensamento da morte não se acostuma comigo.
Estremecerei de susto até dormir.
E no entanto é tudo tão pequeno.
Para o desejo do meu coração
o mar é uma gota.
1 786
2
Adélia Prado
Clareira
Seria tão bom, como já foi,
as comadres se visitarem nos domingos.
Os compadres fiquem na sala, cordiosos,
pitando e rapando a goela. Os meninos,
farejando e mijando com os cachorros.
Houve esta vida ou inventei?
Eu gosto de metafísica, só pra depois
pegar meu bastidor e bordar ponto de cruz,
falar as falas certas: a de Lurdes casou,
a das Dores se forma, a vaca fez, aconteceu,
as santas missões vêm aí, vigiai e orai
que a vida é breve.
Agora que o destino do mundo pende do meu palpite,
quero um casal de compadres, molécula de sanidade,
pra eu sobreviver.
as comadres se visitarem nos domingos.
Os compadres fiquem na sala, cordiosos,
pitando e rapando a goela. Os meninos,
farejando e mijando com os cachorros.
Houve esta vida ou inventei?
Eu gosto de metafísica, só pra depois
pegar meu bastidor e bordar ponto de cruz,
falar as falas certas: a de Lurdes casou,
a das Dores se forma, a vaca fez, aconteceu,
as santas missões vêm aí, vigiai e orai
que a vida é breve.
Agora que o destino do mundo pende do meu palpite,
quero um casal de compadres, molécula de sanidade,
pra eu sobreviver.
2 142
2
Sophia de Mello Breyner Andresen
Espera
Deito-me tarde
Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a atenção a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu segundo brilho
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa
É então que se vê o passar do silêncio
Navegação antiquíssima e solene
Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a atenção a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu segundo brilho
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa
É então que se vê o passar do silêncio
Navegação antiquíssima e solene
1 605
2
Sophia de Mello Breyner Andresen
Espera
Deito-me tarde
Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a atenção a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu segundo brilho
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa
É então que se vê o passar do silêncio
Navegação antiquíssima e solene
Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a atenção a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu segundo brilho
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa
É então que se vê o passar do silêncio
Navegação antiquíssima e solene
1 605
2
Martha Medeiros
Marcelo é lindo
Marcelo é lindo
e não é porque tem olhos azuis ou um
jeito doce de ser
Marcelo é lindo porque é muito mais
porque sabe demais sobre coisas nebulosas
e enganos que a gente comete contra si
Marcelo é lindo porque tem menos
idade que eu
sabe tudo de música, utopia e solidão
e sempre fica envergonhado se não gosta
de alguém
Marcelo é lindo porque tem o nome que tem
tem o cabelo, a boca e o sorriso dos marcelos
um céu por cima, um menino por baixo,
um ermitão
Marcelo é daqueles que ninguém conhece
e ninguém sabe disso nem mesmo
uma mulher
Marcelo é daqueles que nos deixa sem jeito
de tanto ser o que a gente é
e não é porque tem olhos azuis ou um
jeito doce de ser
Marcelo é lindo porque é muito mais
porque sabe demais sobre coisas nebulosas
e enganos que a gente comete contra si
Marcelo é lindo porque tem menos
idade que eu
sabe tudo de música, utopia e solidão
e sempre fica envergonhado se não gosta
de alguém
Marcelo é lindo porque tem o nome que tem
tem o cabelo, a boca e o sorriso dos marcelos
um céu por cima, um menino por baixo,
um ermitão
Marcelo é daqueles que ninguém conhece
e ninguém sabe disso nem mesmo
uma mulher
Marcelo é daqueles que nos deixa sem jeito
de tanto ser o que a gente é
1 530
2
Martha Medeiros
Marcelo é lindo
Marcelo é lindo
e não é porque tem olhos azuis ou um
jeito doce de ser
Marcelo é lindo porque é muito mais
porque sabe demais sobre coisas nebulosas
e enganos que a gente comete contra si
Marcelo é lindo porque tem menos
idade que eu
sabe tudo de música, utopia e solidão
e sempre fica envergonhado se não gosta
de alguém
Marcelo é lindo porque tem o nome que tem
tem o cabelo, a boca e o sorriso dos marcelos
um céu por cima, um menino por baixo,
um ermitão
Marcelo é daqueles que ninguém conhece
e ninguém sabe disso nem mesmo
uma mulher
Marcelo é daqueles que nos deixa sem jeito
de tanto ser o que a gente é
e não é porque tem olhos azuis ou um
jeito doce de ser
Marcelo é lindo porque é muito mais
porque sabe demais sobre coisas nebulosas
e enganos que a gente comete contra si
Marcelo é lindo porque tem menos
idade que eu
sabe tudo de música, utopia e solidão
e sempre fica envergonhado se não gosta
de alguém
Marcelo é lindo porque tem o nome que tem
tem o cabelo, a boca e o sorriso dos marcelos
um céu por cima, um menino por baixo,
um ermitão
Marcelo é daqueles que ninguém conhece
e ninguém sabe disso nem mesmo
uma mulher
Marcelo é daqueles que nos deixa sem jeito
de tanto ser o que a gente é
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2
Martha Medeiros
Marcelo é lindo
Marcelo é lindo
e não é porque tem olhos azuis ou um
jeito doce de ser
Marcelo é lindo porque é muito mais
porque sabe demais sobre coisas nebulosas
e enganos que a gente comete contra si
Marcelo é lindo porque tem menos
idade que eu
sabe tudo de música, utopia e solidão
e sempre fica envergonhado se não gosta
de alguém
Marcelo é lindo porque tem o nome que tem
tem o cabelo, a boca e o sorriso dos marcelos
um céu por cima, um menino por baixo,
um ermitão
Marcelo é daqueles que ninguém conhece
e ninguém sabe disso nem mesmo
uma mulher
Marcelo é daqueles que nos deixa sem jeito
de tanto ser o que a gente é
e não é porque tem olhos azuis ou um
jeito doce de ser
Marcelo é lindo porque é muito mais
porque sabe demais sobre coisas nebulosas
e enganos que a gente comete contra si
Marcelo é lindo porque tem menos
idade que eu
sabe tudo de música, utopia e solidão
e sempre fica envergonhado se não gosta
de alguém
Marcelo é lindo porque tem o nome que tem
tem o cabelo, a boca e o sorriso dos marcelos
um céu por cima, um menino por baixo,
um ermitão
Marcelo é daqueles que ninguém conhece
e ninguém sabe disso nem mesmo
uma mulher
Marcelo é daqueles que nos deixa sem jeito
de tanto ser o que a gente é
1 530
2
Adélia Prado
Fluência
Eu fiz um livro, mas oh, meu Deus,
não perdi a poesia.
Hoje depois da festa,
quando me levantei para fazer café,
uma densa neblina acinzentava os pastos,
as casas, as pessoas com embrulho de pão.
O fio indesmanchável da vida tecia seu curso.
Persistindo, a necessidade dos relógios,
dos descongestionantes nasais.
Meu livro sobre a mesa contraponteava exato
com os pardais, os urinóis pela metade,
o antigo e intenso desejar de um verso.
O relógio bateu sem assustar os farelos sobre a mesa.
Como antes, graças a Deus.
não perdi a poesia.
Hoje depois da festa,
quando me levantei para fazer café,
uma densa neblina acinzentava os pastos,
as casas, as pessoas com embrulho de pão.
O fio indesmanchável da vida tecia seu curso.
Persistindo, a necessidade dos relógios,
dos descongestionantes nasais.
Meu livro sobre a mesa contraponteava exato
com os pardais, os urinóis pela metade,
o antigo e intenso desejar de um verso.
O relógio bateu sem assustar os farelos sobre a mesa.
Como antes, graças a Deus.
1 478
2
Adélia Prado
Fluência
Eu fiz um livro, mas oh, meu Deus,
não perdi a poesia.
Hoje depois da festa,
quando me levantei para fazer café,
uma densa neblina acinzentava os pastos,
as casas, as pessoas com embrulho de pão.
O fio indesmanchável da vida tecia seu curso.
Persistindo, a necessidade dos relógios,
dos descongestionantes nasais.
Meu livro sobre a mesa contraponteava exato
com os pardais, os urinóis pela metade,
o antigo e intenso desejar de um verso.
O relógio bateu sem assustar os farelos sobre a mesa.
Como antes, graças a Deus.
não perdi a poesia.
Hoje depois da festa,
quando me levantei para fazer café,
uma densa neblina acinzentava os pastos,
as casas, as pessoas com embrulho de pão.
O fio indesmanchável da vida tecia seu curso.
Persistindo, a necessidade dos relógios,
dos descongestionantes nasais.
Meu livro sobre a mesa contraponteava exato
com os pardais, os urinóis pela metade,
o antigo e intenso desejar de um verso.
O relógio bateu sem assustar os farelos sobre a mesa.
Como antes, graças a Deus.
1 478
2
Adélia Prado
Fluência
Eu fiz um livro, mas oh, meu Deus,
não perdi a poesia.
Hoje depois da festa,
quando me levantei para fazer café,
uma densa neblina acinzentava os pastos,
as casas, as pessoas com embrulho de pão.
O fio indesmanchável da vida tecia seu curso.
Persistindo, a necessidade dos relógios,
dos descongestionantes nasais.
Meu livro sobre a mesa contraponteava exato
com os pardais, os urinóis pela metade,
o antigo e intenso desejar de um verso.
O relógio bateu sem assustar os farelos sobre a mesa.
Como antes, graças a Deus.
não perdi a poesia.
Hoje depois da festa,
quando me levantei para fazer café,
uma densa neblina acinzentava os pastos,
as casas, as pessoas com embrulho de pão.
O fio indesmanchável da vida tecia seu curso.
Persistindo, a necessidade dos relógios,
dos descongestionantes nasais.
Meu livro sobre a mesa contraponteava exato
com os pardais, os urinóis pela metade,
o antigo e intenso desejar de um verso.
O relógio bateu sem assustar os farelos sobre a mesa.
Como antes, graças a Deus.
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2
José Paulo Paes
Convite
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
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José Paulo Paes
Convite
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
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José Paulo Paes
Convite
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
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José Paulo Paes
Convite
Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio,pião.
Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
como a água do rio
que é água sempre nova.
como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?
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2
Charles Bukowski
Para Os 18 Meses de Marina Louise
sol sol
é minha pequena
menina
sol
no tapete –
sol sol
saindo pela
porta
colhendo uma
flor
esperando que eu
me levante
para
brincar.
um velho
emerge
de sua
cadeira,
castigado de batalha,
e ela olha
e só
vê
amor, no que eu
me transformo
por meio de sua
majestade
de seu infinito
e mágico
sol.
é minha pequena
menina
sol
no tapete –
sol sol
saindo pela
porta
colhendo uma
flor
esperando que eu
me levante
para
brincar.
um velho
emerge
de sua
cadeira,
castigado de batalha,
e ela olha
e só
vê
amor, no que eu
me transformo
por meio de sua
majestade
de seu infinito
e mágico
sol.
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2
Charles Bukowski
Acenos E Mais Acenos de Adeus
paguei suas despesas ao longo de todo o trajeto entre
[Houston
e São Francisco
depois voei pare encontrá-la na casa do irmão dela
e acabei bêbado
e falei a noite inteira sobre uma ruiva, e
ela disse por fim, “você dorme ali em cima”,
e eu subi a escada
do beliche e ela dormiu
na cama de baixo.
no dia seguinte eles me levaram até o aeroporto
e eu voei de volta, pensando, bem,
ainda restou a ruiva e assim que cheguei
liguei para ela e disse, “voltei, baby,
peguei um avião para ver essa mulher e falei
sobre você a noite inteira, então aqui estou eu de volta...”
“bem, por que você não volta lá e termina
o serviço?” ela disse e desligou.
então enchi a cara e o telefone tocou
e elas se apresentaram como
duas garotas alemãs que queriam
me ver.
então elas apareceram e uma delas tinha 20 e a
outra 22. contei-lhes que meu coração
havia sido esmigalhado pela última vez e
que eu estava desistindo desse negócio de mulher. elas riram
de mim e nós bebemos e fumamos e fomos
juntos para a cama.
eu tinha essa cena diante de mim e
primeiro agarrei uma e depois agarrei a
outra.
finalmente fiquei com a de 22 e
a devorei.
elas ficaram 2 dias e 2 noites
mas nunca fui com a de 20,
ela estava menstruada.
finalmente as levei para Sherman Oaks
e elas ficaram junto ao pé de uma longa
passagem
acenos e mais acenos de adeus enquanto eu dava a ré
no meu fusca.
quando voltei havia uma carta de uma
mulher de Eureka. dizia que queria que eu
a fodesse até que ela não pudesse
mais caminhar.
me deitei e puxei uma
pensando na garotinha que eu tinha visto
uma semana atrás em sua bicicleta vermelha.
depois tomei um banho e vesti meu robe
verde e felpudo bem a tempo de pegar as lutas
na tevê diretamente do Olympic.
havia um negro e um chicano.
isso sempre dava uma boa luta.
e era também uma boa ideia:
ponha os dois no ringue e deixe que
se matem.
assisti a todo o combate
sem deixar de pensar na ruiva uma vez sequer.
acho que o chicano venceu
mas não tenho certeza.
[Houston
e São Francisco
depois voei pare encontrá-la na casa do irmão dela
e acabei bêbado
e falei a noite inteira sobre uma ruiva, e
ela disse por fim, “você dorme ali em cima”,
e eu subi a escada
do beliche e ela dormiu
na cama de baixo.
no dia seguinte eles me levaram até o aeroporto
e eu voei de volta, pensando, bem,
ainda restou a ruiva e assim que cheguei
liguei para ela e disse, “voltei, baby,
peguei um avião para ver essa mulher e falei
sobre você a noite inteira, então aqui estou eu de volta...”
“bem, por que você não volta lá e termina
o serviço?” ela disse e desligou.
então enchi a cara e o telefone tocou
e elas se apresentaram como
duas garotas alemãs que queriam
me ver.
então elas apareceram e uma delas tinha 20 e a
outra 22. contei-lhes que meu coração
havia sido esmigalhado pela última vez e
que eu estava desistindo desse negócio de mulher. elas riram
de mim e nós bebemos e fumamos e fomos
juntos para a cama.
eu tinha essa cena diante de mim e
primeiro agarrei uma e depois agarrei a
outra.
finalmente fiquei com a de 22 e
a devorei.
elas ficaram 2 dias e 2 noites
mas nunca fui com a de 20,
ela estava menstruada.
finalmente as levei para Sherman Oaks
e elas ficaram junto ao pé de uma longa
passagem
acenos e mais acenos de adeus enquanto eu dava a ré
no meu fusca.
quando voltei havia uma carta de uma
mulher de Eureka. dizia que queria que eu
a fodesse até que ela não pudesse
mais caminhar.
me deitei e puxei uma
pensando na garotinha que eu tinha visto
uma semana atrás em sua bicicleta vermelha.
depois tomei um banho e vesti meu robe
verde e felpudo bem a tempo de pegar as lutas
na tevê diretamente do Olympic.
havia um negro e um chicano.
isso sempre dava uma boa luta.
e era também uma boa ideia:
ponha os dois no ringue e deixe que
se matem.
assisti a todo o combate
sem deixar de pensar na ruiva uma vez sequer.
acho que o chicano venceu
mas não tenho certeza.
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