Poemas neste tema
Outros
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira
Soneto
Amar-te- não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de ambição.
Não à procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.
Amar-te - não por tua mocidade
-Risos, cores e luzes de verão-
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.
Amar-te por amar-te: sem agora,
Sem ontem, sem futuro, sem mesquinha
Esperança de amor sem causa ou rumo
Trazer-te incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me consumo.
Não movido de orgulho ou de ambição.
Não à procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.
Amar-te - não por tua mocidade
-Risos, cores e luzes de verão-
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.
Amar-te por amar-te: sem agora,
Sem ontem, sem futuro, sem mesquinha
Esperança de amor sem causa ou rumo
Trazer-te incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me consumo.
2 477
5
Chacal
Reclame
se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo.
ótica olho vivo
agradece a preferência
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo.
ótica olho vivo
agradece a preferência
9 663
5
Cecília Meireles
Presença em Pompéia
Esta conta não pagarás:
— ficará sob uma cinza que não sabes.
Sob a cinza que ainda não sabes
ficará teu filho por nascer
e também os meninos que já sabiam desenhar nos muros.
Ficarão os figos que ontem puseste na cesta.
Ficarão as pinturas da tua sala
e as plantas do teu jardim, de estátuas felizes,
sob a cinza que não sabes.
Os gladiadores anunciados não lutarão
e amanhã não verás, próximo às termas,
a mulher que desejavas.
Tu ficarás com a chave da tua porta na mão;
tu, com o rosto da amada no peito;
amo e servo se unirão, no mesmo grito;
os cães se debaterão com mordaças de lava;
a mão não poderá encontrar a parede;
os olhos não poderão ver a rua.
As cinzas que não sabes voarão sobre Apolo e Ísis.
É uma noite ardente, a que se prepara,
enquanto a luz contorna a coluna e o jato dágua:
— a luz do sol que afaga pela última vez as roseiras verdes.
— ficará sob uma cinza que não sabes.
Sob a cinza que ainda não sabes
ficará teu filho por nascer
e também os meninos que já sabiam desenhar nos muros.
Ficarão os figos que ontem puseste na cesta.
Ficarão as pinturas da tua sala
e as plantas do teu jardim, de estátuas felizes,
sob a cinza que não sabes.
Os gladiadores anunciados não lutarão
e amanhã não verás, próximo às termas,
a mulher que desejavas.
Tu ficarás com a chave da tua porta na mão;
tu, com o rosto da amada no peito;
amo e servo se unirão, no mesmo grito;
os cães se debaterão com mordaças de lava;
a mão não poderá encontrar a parede;
os olhos não poderão ver a rua.
As cinzas que não sabes voarão sobre Apolo e Ísis.
É uma noite ardente, a que se prepara,
enquanto a luz contorna a coluna e o jato dágua:
— a luz do sol que afaga pela última vez as roseiras verdes.
7 027
5
David Mourão-Ferreira
Canção de Madrugada
à Cecília Meireles
Ecorrem de noite pelos prédios,
dissimuladas na umidade
— dissimulando elas o tédio
das longas noites da cidade —
deusas solícitas que vão,
com sua etérea assinatura,
quase propor a redenção,
— de rua em rua, dar a mão
a quem se arrasta e procura.
Pobre de quem vem perguntando
à pedra esquiva das esquinas
a voz e a face dessa amante
de que não restam senão cinzas!
Pobre do outro a quem o gelo
daquele encontro tão malsão
nem conseguiu arrefece-lo!
— Pobres de tantos, sem o selo
de garantia da ilusão!
Ó vidas presas por um fio,
junto ao abismo dos fracassos,
quem vos evita o fim sombrio
já desenhado em vossos passos?
— Com grandes túnicas violáceas,
as deusas erguem claras brisas:
nas avenidas e nas praças,
tremem as folhas das acácias,
vibram os peitos infelizes.
Até o frígido luar,
que de livor tingia as ruas,
se vai sumindo, devagar,
deixando as almas menos nuas...
Uma promessa de folhagem,
de vento e sol, as veste agora:
e, penetradas pela aragem,
as almas tímidas reagem
à madrugada que as enflora!
Súbito, a um gesto das deidades,
quebra-se o fúnebre luzeiro
das outras luas enforcadas
nos braços curvos dos candeeiros.
Já no crepúsculo se esfuma
a doentia sugestão,
— e as deusas tecem, com a bruma,
a nova luz que se avoluma
e é uma promessa ou uma canção.
Do sofrimento a noite cessa
na indecisa madrugada:
que ninguém peça a uma promessa
mais que a promessa que foi dada!
A quem sofreu, basta que a vida
levante um sol de entre as ruínas:
uma promessa doutra vida...
— Quanto aprendi!, nesta comprida
noite que tu, Canção, terminas.
Ecorrem de noite pelos prédios,
dissimuladas na umidade
— dissimulando elas o tédio
das longas noites da cidade —
deusas solícitas que vão,
com sua etérea assinatura,
quase propor a redenção,
— de rua em rua, dar a mão
a quem se arrasta e procura.
Pobre de quem vem perguntando
à pedra esquiva das esquinas
a voz e a face dessa amante
de que não restam senão cinzas!
Pobre do outro a quem o gelo
daquele encontro tão malsão
nem conseguiu arrefece-lo!
— Pobres de tantos, sem o selo
de garantia da ilusão!
Ó vidas presas por um fio,
junto ao abismo dos fracassos,
quem vos evita o fim sombrio
já desenhado em vossos passos?
— Com grandes túnicas violáceas,
as deusas erguem claras brisas:
nas avenidas e nas praças,
tremem as folhas das acácias,
vibram os peitos infelizes.
Até o frígido luar,
que de livor tingia as ruas,
se vai sumindo, devagar,
deixando as almas menos nuas...
Uma promessa de folhagem,
de vento e sol, as veste agora:
e, penetradas pela aragem,
as almas tímidas reagem
à madrugada que as enflora!
Súbito, a um gesto das deidades,
quebra-se o fúnebre luzeiro
das outras luas enforcadas
nos braços curvos dos candeeiros.
Já no crepúsculo se esfuma
a doentia sugestão,
— e as deusas tecem, com a bruma,
a nova luz que se avoluma
e é uma promessa ou uma canção.
Do sofrimento a noite cessa
na indecisa madrugada:
que ninguém peça a uma promessa
mais que a promessa que foi dada!
A quem sofreu, basta que a vida
levante um sol de entre as ruínas:
uma promessa doutra vida...
— Quanto aprendi!, nesta comprida
noite que tu, Canção, terminas.
5 002
5
Chacal
Primeiro eu quero falar de amor
meu amor se esparrama na grama
Meu amor se esparrama na cama
meu amor se espreguiça
meu amor deita e rola no planeta.
Meu amor se esparrama na cama
meu amor se espreguiça
meu amor deita e rola no planeta.
7 617
5
Florbela Espanca
Tédio
Passo pálida e triste. Oiço dizer
“Que branca que ela é! Parece morta!”
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer...
Que diga o mundo e a gente o que quiser!
– O que é que isso me faz?... O que me [importa...
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!
O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!
E é tudo sempre o mesmo, eternamente...
O mesmo lago plácido, dormente...
E os dias, sempre os mesmos, a correr...
“Que branca que ela é! Parece morta!”
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer...
Que diga o mundo e a gente o que quiser!
– O que é que isso me faz?... O que me [importa...
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!
O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!
E é tudo sempre o mesmo, eternamente...
O mesmo lago plácido, dormente...
E os dias, sempre os mesmos, a correr...
5 291
5
Carlos Queirós
Apelo à Poesia
Por que vieste? — Não chamei por ti!
Era tão natural o que eu pensava,
(Nem triste, nem alegre, de maneira
Que pudesse sentir a tua falta... )
E tu vieste,
Como se fosses necessária!
Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, covardemente oculta
Nas idéias mais simples,
Nos mais ingênuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
— Não sejas como o Amor!
É verdade que vens, como se fosses
Uma parte de mim que vive longe,
Presa ao meu coração
Por um elo invisível;
Mas não regresses mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Saudade!
De súbito, arrebatas-me, através
De zonas espectrais, de ignotos climas;
E, quando desço à vida, já não sei
Onde era o meu lugar...
Poesia! nunca mais venhas assim,
— Não sejas como a Loucura!
Embora a dor me fira, de tal modo
Que só as tuas mãos saibam curar-me,
Ou ninguém, se não tu, possa entender
O meu contentamento,
Não venhas nunca mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Morte!
Era tão natural o que eu pensava,
(Nem triste, nem alegre, de maneira
Que pudesse sentir a tua falta... )
E tu vieste,
Como se fosses necessária!
Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, covardemente oculta
Nas idéias mais simples,
Nos mais ingênuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
— Não sejas como o Amor!
É verdade que vens, como se fosses
Uma parte de mim que vive longe,
Presa ao meu coração
Por um elo invisível;
Mas não regresses mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Saudade!
De súbito, arrebatas-me, através
De zonas espectrais, de ignotos climas;
E, quando desço à vida, já não sei
Onde era o meu lugar...
Poesia! nunca mais venhas assim,
— Não sejas como a Loucura!
Embora a dor me fira, de tal modo
Que só as tuas mãos saibam curar-me,
Ou ninguém, se não tu, possa entender
O meu contentamento,
Não venhas nunca mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Morte!
2 552
5
Carlos Queirós
Apelo à Poesia
Por que vieste? — Não chamei por ti!
Era tão natural o que eu pensava,
(Nem triste, nem alegre, de maneira
Que pudesse sentir a tua falta... )
E tu vieste,
Como se fosses necessária!
Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, covardemente oculta
Nas idéias mais simples,
Nos mais ingênuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
— Não sejas como o Amor!
É verdade que vens, como se fosses
Uma parte de mim que vive longe,
Presa ao meu coração
Por um elo invisível;
Mas não regresses mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Saudade!
De súbito, arrebatas-me, através
De zonas espectrais, de ignotos climas;
E, quando desço à vida, já não sei
Onde era o meu lugar...
Poesia! nunca mais venhas assim,
— Não sejas como a Loucura!
Embora a dor me fira, de tal modo
Que só as tuas mãos saibam curar-me,
Ou ninguém, se não tu, possa entender
O meu contentamento,
Não venhas nunca mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Morte!
Era tão natural o que eu pensava,
(Nem triste, nem alegre, de maneira
Que pudesse sentir a tua falta... )
E tu vieste,
Como se fosses necessária!
Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, covardemente oculta
Nas idéias mais simples,
Nos mais ingênuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
— Não sejas como o Amor!
É verdade que vens, como se fosses
Uma parte de mim que vive longe,
Presa ao meu coração
Por um elo invisível;
Mas não regresses mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Saudade!
De súbito, arrebatas-me, através
De zonas espectrais, de ignotos climas;
E, quando desço à vida, já não sei
Onde era o meu lugar...
Poesia! nunca mais venhas assim,
— Não sejas como a Loucura!
Embora a dor me fira, de tal modo
Que só as tuas mãos saibam curar-me,
Ou ninguém, se não tu, possa entender
O meu contentamento,
Não venhas nunca mais sem que eu te chame,
— Não sejas como a Morte!
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5
Cecília Meireles
Suavíssima
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
No céu de outono, anda um langor final de pluma
Que se desfaz por entre os dedos, vagamente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tudo se apaga, e se evapora, e perde, e esfuma . . .
Fica-se longe, quase morta, como ausente . . .
Sem ter certeza de ninguém . . . de coisa alguma . . .
Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente,
De um mal sem dor, que se não saiba nem resuma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
A alma das flores, suave e tácita, perfuma
A solitude nebulosa e irreal do ambiente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tão para lá! . . . No fim da tarde . . . além da bruma . . .
E silenciosos, como alguém que se acostuma
A caminhar sobre penumbras, mansamente,
Meus sonhos surgem, frágeis, leves como espuma . . .
Põem-se a tecer frases de amor, uma por uma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
No céu de outono, anda um langor final de pluma
Que se desfaz por entre os dedos, vagamente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tudo se apaga, e se evapora, e perde, e esfuma . . .
Fica-se longe, quase morta, como ausente . . .
Sem ter certeza de ninguém . . . de coisa alguma . . .
Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente,
De um mal sem dor, que se não saiba nem resuma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
A alma das flores, suave e tácita, perfuma
A solitude nebulosa e irreal do ambiente . . .
Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tão para lá! . . . No fim da tarde . . . além da bruma . . .
E silenciosos, como alguém que se acostuma
A caminhar sobre penumbras, mansamente,
Meus sonhos surgem, frágeis, leves como espuma . . .
Põem-se a tecer frases de amor, uma por uma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
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5
Bandeira Tribuzi
1927 - 1977
Como poeta, ele se consagrou o mais
alto valor de sua geração e um dos
mais altos do panorama artístico
nacional.
Pergentino Hollanda
Reconhece Ferreira Gullar que somente com a chegada (de Portugal) de José Tribuzi Pinheiro Gomes ao Maranhão, tomou conhecimento de um novo tipo de linguagem poética, já um tanto longe das tradições romântico-parnasiano-simbolistas. De fato, tendo estudado em Coimbra e naturalmente lido poetas do quilate de Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e José Régio, trouxe para a província brasileira uma nova mentalidade, o lado poético do homem sensível e o interesse social do ser engajado em seu tempo.
Ainda menino, Bandeira Tribuzi foi com os pais para Portugal, regressando em 1946 a São Luís, cujos poetas, veteranos ou moços, ainda não tinham tomado conhecimento da revolução estética (Semana da Arte Moderna) de 1922. Ele, naturalmente, já trazia pronto ou por acabar seu primeiro livro de poemas, "Alguma Existência", que, publicado em 1948, criou estranheza entre os tradicionalistas e certo entusiasmo entre os jovens.
O que de fato deve ter causado maior espanto foi a forma de seus sonetos, sem rima, sem métrica, com o sabor livre das composições de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, o lirismo deixa de ser piegas, subjetivo. Assim como Bandeira Tribuzi, o modernismo brasileiro parece ter dado um salto, passou direto para a chamada "Geração de 45" (os críticos no Maranhão situam o seu grupo na década de 50), num tardio mas proveitoso reapanhar da nova poesia. E é nessa geração, chamada por Tristão da Ataíde de pós-modernista, que Milton de Godoy Campos alinha Bandeira Tribuzi, ao lado de Ferreira Gullar, Lago Burnett e Oswaldino Marques.
Companheiro de Lago Burnett e José Sarney, Bandeira Tribuzi teve ativa participação jornalística em São Luís, além da propriamente literária, participando de entidades culturais. Como teórico do modernismo, influenciou decididamente a sua geração, como destaca Jomar Moraes: "Exagerado não seria afirmar que igualmente Alguma Existência tornou-se pedra angular da nova poesia maranhense, imediatamente revelada por diversos livros, a exemplo de "Um Pouco Acima do Chão", de Ferreira Gullar, ou de "Estrela do Céu Perdido", de Lago Burnett, ambos de 1949.
Ao completar Bandeira Tribuzi 50 anos de idade, o Maranhão lhe presta grandes homenagens, com a presença da intelectualidade local e nacional. A consagração em vida da obra poética de Bandeira Tribuzi, que, como disse Domingos Carvalho da Silva, cada vez mais "se destina à valorização do tempo". Em setembro desse mesmo ano, o poeta morre, no dia 8, num surpreendente e dramático acontecimento.
Com a publicação de sua "Poesia Reunida" e "Poesias Completas" (com muitos inéditos), o poeta naturalmente não ficou apenas restrito a pequenas amostragens de sua obra, como desejava:
"Não quero meus versos
numa antologia.
Quero-os rolando
caminhos e dias
na boca do povo:
rosa da esperança
vermelha e florida".
alto valor de sua geração e um dos
mais altos do panorama artístico
nacional.
Pergentino Hollanda
Reconhece Ferreira Gullar que somente com a chegada (de Portugal) de José Tribuzi Pinheiro Gomes ao Maranhão, tomou conhecimento de um novo tipo de linguagem poética, já um tanto longe das tradições romântico-parnasiano-simbolistas. De fato, tendo estudado em Coimbra e naturalmente lido poetas do quilate de Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e José Régio, trouxe para a província brasileira uma nova mentalidade, o lado poético do homem sensível e o interesse social do ser engajado em seu tempo.
Ainda menino, Bandeira Tribuzi foi com os pais para Portugal, regressando em 1946 a São Luís, cujos poetas, veteranos ou moços, ainda não tinham tomado conhecimento da revolução estética (Semana da Arte Moderna) de 1922. Ele, naturalmente, já trazia pronto ou por acabar seu primeiro livro de poemas, "Alguma Existência", que, publicado em 1948, criou estranheza entre os tradicionalistas e certo entusiasmo entre os jovens.
O que de fato deve ter causado maior espanto foi a forma de seus sonetos, sem rima, sem métrica, com o sabor livre das composições de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, o lirismo deixa de ser piegas, subjetivo. Assim como Bandeira Tribuzi, o modernismo brasileiro parece ter dado um salto, passou direto para a chamada "Geração de 45" (os críticos no Maranhão situam o seu grupo na década de 50), num tardio mas proveitoso reapanhar da nova poesia. E é nessa geração, chamada por Tristão da Ataíde de pós-modernista, que Milton de Godoy Campos alinha Bandeira Tribuzi, ao lado de Ferreira Gullar, Lago Burnett e Oswaldino Marques.
Companheiro de Lago Burnett e José Sarney, Bandeira Tribuzi teve ativa participação jornalística em São Luís, além da propriamente literária, participando de entidades culturais. Como teórico do modernismo, influenciou decididamente a sua geração, como destaca Jomar Moraes: "Exagerado não seria afirmar que igualmente Alguma Existência tornou-se pedra angular da nova poesia maranhense, imediatamente revelada por diversos livros, a exemplo de "Um Pouco Acima do Chão", de Ferreira Gullar, ou de "Estrela do Céu Perdido", de Lago Burnett, ambos de 1949.
Ao completar Bandeira Tribuzi 50 anos de idade, o Maranhão lhe presta grandes homenagens, com a presença da intelectualidade local e nacional. A consagração em vida da obra poética de Bandeira Tribuzi, que, como disse Domingos Carvalho da Silva, cada vez mais "se destina à valorização do tempo". Em setembro desse mesmo ano, o poeta morre, no dia 8, num surpreendente e dramático acontecimento.
Com a publicação de sua "Poesia Reunida" e "Poesias Completas" (com muitos inéditos), o poeta naturalmente não ficou apenas restrito a pequenas amostragens de sua obra, como desejava:
"Não quero meus versos
numa antologia.
Quero-os rolando
caminhos e dias
na boca do povo:
rosa da esperança
vermelha e florida".
3 287
5
Paulo Eiró
Que Importa!
Em noite de vigília, a Deus voltado,
Fervoroso ergui súplica secreta;
Nem ouro nem poder pedi — somente
Coroas de poeta.
Ai! Bem conheço que o laurel dos vates
É diadema espinhoso, ervada seta
A sentir que sua alma punge e rasga...
Que importa! Sou poeta.
Que importa que minha alma assim feneça,
Sem crença, sem amor, erma, quieta,
Suspensa entre o desânimo e a saudade,
Se viverei poeta?
Que me importa que assim vegete, obscuro,
Qual cresce entre a folhagem a violeta,
Na vida a solidão, na lousa o nada,
Se me chamo poeta?
Que importa que meu gênio desditoso
Crestasse as asas como a borboleta;
Me estenda a morte os braços murmurando:
"Descansa aqui, poeta"?
Que o sol de minha vida seja o ocaso,
E o peregrino a suspirada meta,
Se, outro Tasso, terei na campa louros,
Se hei de morrer poeta?
Fervoroso ergui súplica secreta;
Nem ouro nem poder pedi — somente
Coroas de poeta.
Ai! Bem conheço que o laurel dos vates
É diadema espinhoso, ervada seta
A sentir que sua alma punge e rasga...
Que importa! Sou poeta.
Que importa que minha alma assim feneça,
Sem crença, sem amor, erma, quieta,
Suspensa entre o desânimo e a saudade,
Se viverei poeta?
Que me importa que assim vegete, obscuro,
Qual cresce entre a folhagem a violeta,
Na vida a solidão, na lousa o nada,
Se me chamo poeta?
Que importa que meu gênio desditoso
Crestasse as asas como a borboleta;
Me estenda a morte os braços murmurando:
"Descansa aqui, poeta"?
Que o sol de minha vida seja o ocaso,
E o peregrino a suspirada meta,
Se, outro Tasso, terei na campa louros,
Se hei de morrer poeta?
1 500
5
Paulo Eiró
Que Importa!
Em noite de vigília, a Deus voltado,
Fervoroso ergui súplica secreta;
Nem ouro nem poder pedi — somente
Coroas de poeta.
Ai! Bem conheço que o laurel dos vates
É diadema espinhoso, ervada seta
A sentir que sua alma punge e rasga...
Que importa! Sou poeta.
Que importa que minha alma assim feneça,
Sem crença, sem amor, erma, quieta,
Suspensa entre o desânimo e a saudade,
Se viverei poeta?
Que me importa que assim vegete, obscuro,
Qual cresce entre a folhagem a violeta,
Na vida a solidão, na lousa o nada,
Se me chamo poeta?
Que importa que meu gênio desditoso
Crestasse as asas como a borboleta;
Me estenda a morte os braços murmurando:
"Descansa aqui, poeta"?
Que o sol de minha vida seja o ocaso,
E o peregrino a suspirada meta,
Se, outro Tasso, terei na campa louros,
Se hei de morrer poeta?
Fervoroso ergui súplica secreta;
Nem ouro nem poder pedi — somente
Coroas de poeta.
Ai! Bem conheço que o laurel dos vates
É diadema espinhoso, ervada seta
A sentir que sua alma punge e rasga...
Que importa! Sou poeta.
Que importa que minha alma assim feneça,
Sem crença, sem amor, erma, quieta,
Suspensa entre o desânimo e a saudade,
Se viverei poeta?
Que me importa que assim vegete, obscuro,
Qual cresce entre a folhagem a violeta,
Na vida a solidão, na lousa o nada,
Se me chamo poeta?
Que importa que meu gênio desditoso
Crestasse as asas como a borboleta;
Me estenda a morte os braços murmurando:
"Descansa aqui, poeta"?
Que o sol de minha vida seja o ocaso,
E o peregrino a suspirada meta,
Se, outro Tasso, terei na campa louros,
Se hei de morrer poeta?
1 500
5
Florbela Espanca
Árvores do Alentejo
Ao Prof. Guido Battelli
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
– Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
– Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
11 469
5
Vitorino Nemésio
Morte Pensada
Experimentei a Morte na cabeça
(No coração,só se ele parasse).
Mas,por mais que a conheça,
Não se pensa a Morte:dá-se.
Que a morte não é ser,sendo ela tudo,
Nem pessoa será,que tantas leva:
É um lá ou além,último som agudo
A que não chega a voz de vivo.Nem
Chove ou neva
Onde campa é a terra de ninguém.
Não morremos sequer:matamos a alma
Enternecida pelo corpo terno.
E ela lá vai,sua alma sua palma,
Que nem morre no Inferno.
de Sapateia Açoriana E Mais
Poemas
(No coração,só se ele parasse).
Mas,por mais que a conheça,
Não se pensa a Morte:dá-se.
Que a morte não é ser,sendo ela tudo,
Nem pessoa será,que tantas leva:
É um lá ou além,último som agudo
A que não chega a voz de vivo.Nem
Chove ou neva
Onde campa é a terra de ninguém.
Não morremos sequer:matamos a alma
Enternecida pelo corpo terno.
E ela lá vai,sua alma sua palma,
Que nem morre no Inferno.
de Sapateia Açoriana E Mais
Poemas
3 049
5
Sá de Miranda
Trova à Maneira Antiga
Comigo me desavim,
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.
(...)
Que meio espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
pois que trago a mim comigo,
tamanho inimigo de mim?
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.
(...)
Que meio espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
pois que trago a mim comigo,
tamanho inimigo de mim?
5 202
5
Haroldo de Campos
Se
se
nasce
morre nasce
morre nasce morre
renasce remorre renasce
remorre renasce
remorre
re re
desnasce
desmorre desnasce
desmorre desnasce desmorre
nascemorrenasce
morrenasce
morre
se
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Guilherme de Almeida
Indiferença
Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.
Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado
Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.
Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança.
Daqueles tempos que não voltam mais!
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.
Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado
Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.
Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança.
Daqueles tempos que não voltam mais!
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Manuel Bandeira
O Inútil Luar
É noite. A Lua, ardente e terna,
Verte na solidão sombria
À sua imensa, a sua eterna
Melancolia...
Dormem as sombras na alameda
Ao longo do ermo Piabanha.
E dele um ruído vem de seda
Que se amarfanha...
No largo, sob os jambolanos,
Procuro a sombra embalsamada.
(Noite, consolo dos humanos!
Sombra sagrada!)
Um velho senta-se a meu lado.
Medita. Há no seu rosto uma ânsia...
Talvez se lembre aqui, coitado!
De sua infância.
Ei-lo que saca de um papel...
Dobra-o direito, ajusta as pontas,
E pensativo, a olhar o anel,
Faz umas contas...
Com outro moço que se cala.
Fala um de compleição raquítica.
Presto atenção ao que ele fala:
— É de política.
Adiante uma senhora, magra,
Em ampla charpa que a modela,
Lembra uma estátua de Tanagra.
E, junto dela,
Outra a entretém, a conversar:
— "Mamãe não avisou sevinha.
Se ela vier, mando matar
Uma galinha."
E embalde a Lua, ardente e terna,
Verte na solidão sombria
À sua imensa, a sua eterna
Melancolia...
Verte na solidão sombria
À sua imensa, a sua eterna
Melancolia...
Dormem as sombras na alameda
Ao longo do ermo Piabanha.
E dele um ruído vem de seda
Que se amarfanha...
No largo, sob os jambolanos,
Procuro a sombra embalsamada.
(Noite, consolo dos humanos!
Sombra sagrada!)
Um velho senta-se a meu lado.
Medita. Há no seu rosto uma ânsia...
Talvez se lembre aqui, coitado!
De sua infância.
Ei-lo que saca de um papel...
Dobra-o direito, ajusta as pontas,
E pensativo, a olhar o anel,
Faz umas contas...
Com outro moço que se cala.
Fala um de compleição raquítica.
Presto atenção ao que ele fala:
— É de política.
Adiante uma senhora, magra,
Em ampla charpa que a modela,
Lembra uma estátua de Tanagra.
E, junto dela,
Outra a entretém, a conversar:
— "Mamãe não avisou sevinha.
Se ela vier, mando matar
Uma galinha."
E embalde a Lua, ardente e terna,
Verte na solidão sombria
À sua imensa, a sua eterna
Melancolia...
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Guilherme de Almeida
Nós
Fico - deixas-me velho. Moça e bela,
partes. Estes gerânios encarnados,
que na janela vivem debruçados,
vão morrer debruçados na janela.
E o piano, o teu canário tagarela,
a lâmpada, o divã, os cortinados:
- "Que é feito dela?" - indagarão - coitados!
E os amigos dirão: - "Que é feito dela?"
Parte! E se, olhando atrás, da extrema curva
da estrada, vires, esbatida e turva,
tremer a alvura dos cabelos meus;
irás pensando, pelo teu caminho,
que essa pobre cabeça de velhinho
é um lenço branco que te diz adeus!
partes. Estes gerânios encarnados,
que na janela vivem debruçados,
vão morrer debruçados na janela.
E o piano, o teu canário tagarela,
a lâmpada, o divã, os cortinados:
- "Que é feito dela?" - indagarão - coitados!
E os amigos dirão: - "Que é feito dela?"
Parte! E se, olhando atrás, da extrema curva
da estrada, vires, esbatida e turva,
tremer a alvura dos cabelos meus;
irás pensando, pelo teu caminho,
que essa pobre cabeça de velhinho
é um lenço branco que te diz adeus!
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5
Olavo Bilac
Benedicite
Bendito o que na terra o fogo fez, e o teto
E o que uniu à charrua o boi paciente e amigo;
E o que encontrou a enxada; e o que do chão abjeto,
Fez aos beijos do sol, o oiro brotar, do trigo;
E o que o ferro forjou; e o piedoso arquiteto
Que ideou, depois do berço e do lar, o jazigo;
E o que os fios urdiu e o que achou o alfabeto;
E o que deu uma esmola ao primeiro mendigo;
E o que soltou ao mar a quilha, e ao vento o pano,
E o que inventou o canto e o que criou a lira,
E o que domou o raio e o que alçou o aeroplano...
Mas bendito entre os mais o que no dó profundo,
Descobriu a Esperança, a divina mentira,
Dando ao homem o dom de suportar o mundo!
E o que uniu à charrua o boi paciente e amigo;
E o que encontrou a enxada; e o que do chão abjeto,
Fez aos beijos do sol, o oiro brotar, do trigo;
E o que o ferro forjou; e o piedoso arquiteto
Que ideou, depois do berço e do lar, o jazigo;
E o que os fios urdiu e o que achou o alfabeto;
E o que deu uma esmola ao primeiro mendigo;
E o que soltou ao mar a quilha, e ao vento o pano,
E o que inventou o canto e o que criou a lira,
E o que domou o raio e o que alçou o aeroplano...
Mas bendito entre os mais o que no dó profundo,
Descobriu a Esperança, a divina mentira,
Dando ao homem o dom de suportar o mundo!
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5
Florbela Espanca
Súplica
Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arminho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d’astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente...
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim eternamente!...
Vem para mim, amor... Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arminho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d’astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente...
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim eternamente!...
Vem para mim, amor... Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!
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5
Olavo Bilac
Leio-te:
Leio-te: — o pranto dos meus olhos rola:
— Do seu cabelo o delicado cheiro,
Da sua voz o timbre prazenteiro,
Tudo do livro sinto que se evola ...
Todo o nosso romance: - a doce esmola
Do seu primeiro olhar, o seu primeiro
Sorriso, - neste poema verdadeiro,
Tudo ao meu triste olhar se desenrola.
Sinto animar-se todo o meu passado:
E quanto mais as páginas folheio,
Mais vejo em tudo aquele vulto amado.
Ouço junto de mim bater-lhe o seio,
E cuido vê-Ia, plácida, a meu lado,
Lendo comigo a página que leio.
— Do seu cabelo o delicado cheiro,
Da sua voz o timbre prazenteiro,
Tudo do livro sinto que se evola ...
Todo o nosso romance: - a doce esmola
Do seu primeiro olhar, o seu primeiro
Sorriso, - neste poema verdadeiro,
Tudo ao meu triste olhar se desenrola.
Sinto animar-se todo o meu passado:
E quanto mais as páginas folheio,
Mais vejo em tudo aquele vulto amado.
Ouço junto de mim bater-lhe o seio,
E cuido vê-Ia, plácida, a meu lado,
Lendo comigo a página que leio.
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Olavo Bilac
Leio-te:
Leio-te: — o pranto dos meus olhos rola:
— Do seu cabelo o delicado cheiro,
Da sua voz o timbre prazenteiro,
Tudo do livro sinto que se evola ...
Todo o nosso romance: - a doce esmola
Do seu primeiro olhar, o seu primeiro
Sorriso, - neste poema verdadeiro,
Tudo ao meu triste olhar se desenrola.
Sinto animar-se todo o meu passado:
E quanto mais as páginas folheio,
Mais vejo em tudo aquele vulto amado.
Ouço junto de mim bater-lhe o seio,
E cuido vê-Ia, plácida, a meu lado,
Lendo comigo a página que leio.
— Do seu cabelo o delicado cheiro,
Da sua voz o timbre prazenteiro,
Tudo do livro sinto que se evola ...
Todo o nosso romance: - a doce esmola
Do seu primeiro olhar, o seu primeiro
Sorriso, - neste poema verdadeiro,
Tudo ao meu triste olhar se desenrola.
Sinto animar-se todo o meu passado:
E quanto mais as páginas folheio,
Mais vejo em tudo aquele vulto amado.
Ouço junto de mim bater-lhe o seio,
E cuido vê-Ia, plácida, a meu lado,
Lendo comigo a página que leio.
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